Aconteceu no último final de semana (27 e 28 de maio), o evento Breaking for Gold Pan American Championship em Santiago, no Chile. Organizado pela World Dance Sport Federation (WDSF), o campeonato foi mais um evento que somou os cobiçados pontos para as Olimpíadas de Paris 2024. No masculino, o pódio foi ocupado em 1° lugar por Phil Wizard, do Canadá, que levou a melhor sobre o B-Boy Jeffro, dos Estados Unidos, que ficou em 2º lugar vencendo o primeiro round por 9 a 0. Depois de uma rodada intermediária muito mais apertada (5 a 4), Phil Wizard mudou para outra marcha na rodada 3 para reivindicar uma vitória, indiscutível, convincente, com outra decisão unânime (9 a 0). Completando o pódio de medalhas estava B-Boy Victor, dos Estados Unidos, que terminou em 3º lugar com uma vitória sobre o compatriota Gravity na Batalha pelo Bronze.
No feminino, a grande campeã foi a B-Girl Luma. A colombiana foi levada ao limite o tempo todo, mas acabou conseguindo uma vitória apertada na rodada decisiva da final das B-Girls sobre a B-Girl Sunny, dos EUA, que ficou em 2º lugar. Já a norte-americana Logistx derrotou a canadense Tiff na batalha pela medalha de bronze.
O Brasil, apesar de contar com um número reforçado de atletas, como B-Boy Luan San, B-Boy Rato EVN, B-Boy Baby, B-Boy Kapu, B-Girl Nathana, B-Girl Mini Japa, B-Girl Toquinha, B-Girl Fran e B-Girl Karolzinha, todos convocados pelo Conselho Nacional de Dança Desportiva (CNDD) do Time Brasileiro e, ainda, os atletas independentes B-Boy Flash, B-Boy Flip, B-Boy Pé, B-Boy Lucca 9, B-Boy Naldo, B-Boy Gênesis, B-Boy Suav, B-Boy Robin One, B-Boy Bergkam, B-Boy Kley, B-Boy Zym, B-Boy Toddy, B-Girl Savaz, B-Boy Homem Elástico, B-Girl Dedessa, B-Girl Pekena, B-Girl Manu Aparecida, B-Girl Lua, B-Girl Nay e B-Girl Mi não avançaram nas competições. Na disputa entre as B-Girls, o Brasil parou no Top16, disputado em “round robin” com 4 grupos. A B-Girl brasileira melhor classificada foi Toquinha, na 10ª posição.
Atletas escolhidos pela Diretoria de Breaking CNDD para compor a Seleção Brasileira de Breaking – Imagem: Reprodução
Para o Top 8 apenas dois brasileiros se classificaram: B-Boy Leony, da Seleção Brasileira de Breaking da CNDD, que perdeu os dois rounds para o norte-americano Victor, que terminou a competição com a medalha de bronze, enquanto o brasileiro ficou na 7ª colocação. E o B-Boy Kley, que representou o Brasil como atleta independente, e perdeu para Phil Wizard. Na disputa que valia vaga entre os 4 melhores, Phill Wizard, do Canadá, que encerrou o mês de maio no topo, vencendo o evento Breaking for Gold World Series em Montpellier França e também agora o Breaking for Gold Pan American Championship Chile, ganhou do brasileiro nos 2 rounds. B-Boy Kley ficou na 8ª posição.
No pódio masculino, B-Boy Phil Wyzard do Canadá (Ouro), B-Boy Jeffro dos EUA (Prata) e B-Boy Victor dos EUA (Bronze) – Imagem: Reprodução
De olho no Ranking Olímpico e nos próximos eventos:
Phil Wizard ampliou sua liderança sobre B-Boy Dany, da França, e agora está no topo do quadro de líderes globais com 3.750 pontos contra 2.800 de Dany. Luma, por sua vez, quebrou o Top 10 com sua apresentação em Santiago. Seus 1.660 pontos a colocam em 9º lugar, com a B-Girl 671, da República da China, no topo com 3.500 pontos.
Também estavam em disputa duas vagas para a Olympic Qualifier Series (OQS), onde 40 B-Girls e 40 B-Boys vão competir pelas vagas de qualificação para Paris 2024, em três eventos organizados em três cidades-sede diferentes em todo o mundo no próximo ano. Além disso, os breakers também estavam competindo por quatro vagas de cota para os Jogos Pan-Americanos de 2023, a serem realizados em Santiago, de 20 de outubro a 5 de novembro. Nesse evento do Chile, no total, 91 B-Boys e 52 B-Girls de 16 países participaram do campeonato, que foi apoiado pelo financiamento da Solidariedade Olímpica e do Ministério do Esporte do Chile. “Este foi o primeiro campeonato Pan Americano de Breaking, mas claramente não será o último, pois este fim de semana mostrou o nível excepcional de talento que existe em toda a região”, disse o presidente da WDSF, Shawn Tay.
A competição foi supervisionada pelo juiz principal Katsu One e pelo presidente MG. Os nove juízes foram Cros One, Migaz, Babyson, Gizmo, Jess, Manny, Intact, Tito e Kazuhiro. Os DJs Batata Killa e Web comandaram os toca-discos, com Max e Pita Star como MC’s. A seguir, no calendário de competições do WDSF, estão dois eventos da Série Internacional Breaking For Gold (Montreal, de 3 a 4 de junho e Madri, de 17 a 18 de junho) e a estreia do Breaking nos Jogos Europeus na Polônia, de 26 a 27 de junho.
No pódio feminino, B-Girl Luma da Colômbia (Ouro), B-Girl Sunny dos EUA (Prata) e B-Girl Logistx dos EUA (Bronze)
O Portal Breaking World continua acompanhando todo o circuito olímpico. E torcemos para que o Brasil atinja melhores resultados nas próximas competições.
Imagem em destaque: Reprodução
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Valendo pontos de classificação para os Jogos Olímpicos de Paris 2024, o complexo e singular B-Boy Amir, do Cazaquistão, que recentemente esteve no Brasil e a menina B-Girl 671, de apenas 16 anos, da República Popular da China, chegaram ao WDSF Breaking for Gold World Series no Japão preparados com um único objetivo em mente: o primeiro lugar no pódio! E não teve para mais ninguém! O ouro é apenas para os melhores do mundo. Emergindo de um grupo de 180 Breakers de 48 países, diante de uma multidão de 3.000 ingressos esgotados na Convenção de Kitakyushu e Associação de Visitantes em Kokura, cidade de Kitakyushu.
Amir saiu de uma rodada de pré-seleção, onde viu os aspirantes olímpicos Phil Wizard (Canadá), Dany (França), Kid Karam (Grã-Bretanha) e Wigor (Polônia) não conseguirem chegar à fase eliminatória. Numa batalha incrível, superou o lendário B-Boy holandês Menno nas quartas de final, antes de derrotar o favorito da torcida Shigekix (Japão) por 5 a 4 no set decisivo das semifinais, garantindo um confronto pela medalha de ouro contra o B-Boy Jeffro, dos Estados Unidos. Amir fez um trabalho rápido sobre o eventual vice-campeão Jeffro, dominando os dois primeiros sets por 8-1 e 7-2 para ganhar seu lugar de direito no topo do pódio de medalhas. Questionado sobre qual era o segredo de sua performance de ouro, o cazaque de 25 anos disse numa entrevista a WDSF simplesmente: “Faça arte. Seja você mesmo!”. Shigekix, recém-saído do título do All-Japan Breaking no início da semana, que também mostrou a preocupação e preparação dos novos e grandes talentos da nova geração do Breaking no Japão, teve que se contentar com o bronze depois de derrotar o ucraniano Kuzya na batalha pelo terceiro lugar.
B-Girl 671 (Ouro), B-Girl Ami (Prata), B-Girl Anti (Bronze) Imagem: ® Feworks Films
As três melhores B-Girls da WDSF World Rankings também terminaram no pódio em Kitakyushu, são elas: B-Girl 671 derrotando a B-Girl Ami do Japão na final e a B-Girl italiana Anti conquistando o bronze.
A adolescente Liu Qing, mais conhecida como B-Girl 671, que em agosto do ano passado foi campeã no Outbreak Europe realizado na Eslováquia, evento que teve a participação de mais de 30 países, representados por 600 dançarinos de Breaking, esse ano começou com pé direito explodindo mais uma vez com sequências de Power Moves pesados mostrando um novo padrão para as B-Girls do mundo inteiro, com seus movimentos de Power Move e sua energia diferenciada. Ela representa a força e a garra da seleta nova geração de B-Girls que desde cedo focam no pódio, em Kitakyushu ela desbancou a experiente Ami. 671 venceu os dois últimos frames por 7–2, 5–4. Em entrevista ao conceituado portal Olympics.com declarou: “Esta foi a primeira batalha do ano, então estou muito feliz com o resultado. Levamos muito tempo para nos preparar para as batalhas. A Olimpíada é o meu sonho. Espero poder subir no palco olímpico. Claro, quero ganhar uma medalha!”.
No total, 99 B-Boys representando 44 países viajaram para o Japão para a World Series junto com 81 B-Girls de 38 países. “Foi um sucesso, mais do que eu esperava e é por causa de todo o apoio da comunidade Breaking”, disse o juiz principal Katsu One. “Obrigado a todos por terem vindo ao Japão”. O presidente e chefe da Divisão de Breaking do WDSF, B-Boy Bojin, disse: “Este foi um dos melhores eventos de Breaking do WDSF até agora e continuaremos a fazer esse esforço para todos os Breakers, para trazê-los de volta à comunidade”.
E o Brasil?
Seleção Brasileira de Breaking CNDD – (Em pé: Maia, Leony e Mini Japa. Agachados: Luan San, Nathana e Ratoo) Imagem: ® CNDD
Bom, o Brasil esteve presente em Kitakyushu com a Seleção Brasileira de Breaking formada por: B-Boy Leony, B-Boy Luan San, B-Boy Ratoo, B-Girl Nathana, B-Girl Mini Japa e B-Girl Maia. A convocação dos atletas foi feita pelo CNDD – Conselho Nacional de Dança Desportiva. Os atletas foram indicados segundo as posições do ranking nacional.
O Portal Breaking World levantou no Portal da WDSF o Ranking Mundial Olímpico.
Fonte: ® WDSF Olympic Qualification System Ranking List
E, para quem gosta de uma boa notícia, o próximo evento Breaking for Gold World Series está agendado para 14 e 15 de abril, no Rio de Janeiro, aqui no Brasil. Sim, nossos atletas vão competir e poder representar o nosso país em casa. Que a força e a sorte que sempre emana do nosso país tropical esteja com eles! Estamos como sempre na torcida!
Imagem em destaque: No pódio, B-Boy Amir (Ouro), B-Boy Jeffro (Prata), B-Boy Shigekix (Bronze) – Imagem: ® Feworks Films
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Na última semana aconteceu no Velódromo do Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, a 2ª edição do “Breaking do Verão”. Foram quatro dias intensos, de muito Breaking e também de muito calor, numa semana em que a sensação térmica no Rio de Janeiro chegou às alturas. De acordo com o Centro de Operações Rio, por meio do Sistema Alerta Rio, a sensação térmica chegou a 54°C às 13h30 e a temperatura máxima registrada ficou na casa de 40,3°C. Ambas as marcas são recorde para a estação deste ano e representam o ápice, pelo menos até aqui, de uma sequência de dias em que o carioca experimentou temperaturas cada vez mais quentes. Nesse calor escaldante, aconteceu o evento concebido e realizado pela agência Fábrica, apresentado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, Lei Estadual de Incentivo à Cultura e Petrobras, e contou com patrocínios das marcas Cheetos, Redley, Sprite e apoios da Red Bull e Dorflex. O Breaking do Verão reuniu não só brasileiros que vieram de todos os cantos do país, mas grandes nomes internacionais da modalidade que integra os jogos de Paris 2024. Estiveram presentes representantes dos seguintes países: Rússia, Alemanha, França, Argentina, Portugal, Estados Unidos, Cazaquistão, Japão e Holanda. Contando com B-Boys e B-Girls convidados, além dos inscritos nas eliminatórias na competição, que aconteceram nos dias 19 e 20 de janeiro. A competição teve a curadoria técnica de Pelezinho, B-Boy que se tornou o responsável por colocar o Brasil no mapa mundial do Breaking. Ao todo, foram 32 atletas que buscaram o título de melhor B-Boy e melhor B-Girl em solo carioca.
B-Boy Lilou foi um dos jurados internacionais do Breaking do Verão 2023 Imagem: ® Breaking World
O time de jurados foi composto por nomes conhecidos. Incluem-se o B-Boy americano RoxRite, o primeiro a somar 100 vitórias no Red Bull BC One All Stars, o B-Boy argelino-francês Lilou, um dos nomes mais emblemáticos da cena Breaking mundial, B-Boy Aranha, que integra os coletivos Style Crew, Tsunami All Stars e Darookies e a também brasileira B-Girl Bibi. Durante o evento, na sexta-feira (20) aconteceu um bate-papo com o CNDD Breaking (Departamento de Breaking do Conselho Nacional de Dança Desportiva) sobre as Olimpíadas 2024 e, no sábado (21), um workshop com o B-Boy argelino-francês Lilou. No Domingo (22) uma novidade foi a Cypher Step One.
B-Girl Kastet (Rússia) e B-Boy Ratoo (Brasil) foram escolhidos pelo júri e levantaram o troféu do BDV 23 Imagem: ® Rudá Albuquerque
Na disputa do título, B-Boy Ratoo, segundo os jurados, venceu o holandês Lee. Após o período de duelo entre o brasileiro e o representante da Holanda, os juízes decretaram a vitória e deram o título para o atleta do Brasil. Entre as mulheres, Kastet fez um duelo internacional com a francesa Sarah Bee e levantou o troféu. Outro campeão foi o brasileiro B-Boy Samuka, na Cypher Step One.
Conheça alguns dos atletas Internacionais que estiveram no Breaking do Verão 2023:
B-Boy Victor Imagem: ® Breaking World
B-Boy Victor: Victor Montalvo é um nome bem conhecido na cena do Breaking. Nascido em Orlando, na Flórida, Victor aprendeu os primeiros passos do Breaking com o pai, um B-Boy mexicano. O B-Boy aumentou a coleção de medalhas e troféus ao conquistar em 2022 o título mundial do Red Bull BC One pela segunda vez. Conquistou também o Campeonato Mundial de Breaking. O evento, organizado pela Federação Mundial de Dança Esportiva (WDSF na sigla em inglês), foi o primeiro grande evento do ciclo que terminará com a estreia olímpica em 2024. Acredita que o importante não é ganhar campeonatos ou dinheiro, mas aprender a dançar, curtir o momento e melhorar com o passar do tempo. “Um bom dançarino deve ser humilde e continuar aprendendo, sempre pensando como um aluno”, diz Victor. “Na dança, não há espaço para ciúme ou ego – você deve apenas ser você e manter-se positivo”, finaliza.
B-Boy Amir Imagem: ® Breaking World
B-Boy Amir: B-Boy Amir, que em 2021 se tornou o primeiro cazaque a vencer a Final Mundial do Red Bull BC One. Amir também foi o primeiro campeão mundial do Red Bull BC One que não estava entre os B-Boys convidados. Ele venceu a cypher do seu país e precisou passar pela Last Chance Cypher, até conquistar o título. A dança sempre foi uma paixão. Vindo de uma cidade pequena, onde não havia onde fazer aulas e aprender, ele começou praticando parkour. Um dia, voltando para casa, viu um cartaz anunciando aulas de Breaking. A família não tinha dinheiro para bancar os treinos, e aí? “Eu usava o dinheiro da merenda para pagar as aulas, e por não comer tinha dor de estômago, era difícil me concentrar na escola”, lembra Amir.
B-Boy Lee Imagem: ® Breaking World
B-Boy Lee: Lee-Lou Demierre já tem quase duas décadas de experiência como B-Boy. É isso mesmo: filho de uma talentosa B-Girl, o holandês, membro da crew Red Bull BC One All Stars foi alimentado com uma mistura de Hip-Hop e Breaking praticamente desde o dia em que nasceu. Assim que deu os primeiros passos, Lee começou a imitar os movimentos de sua mãe. “Não lembro da primeira vez que a vi dançando, eu tinha só dois anos”, conta o B-Boy. “Mas minha mãe foi o começo de algo muito maior e eu provavelmente não teria entrado no mundo do Breaking se não fosse por ela”. Em 2010, Lee se juntou ao The Ruggeds, onde conseguiu rapidamente desenvolver um estilo próprio de dança. A originalidade de seus movimentos, que apresentam uma flexibilidade fora do comum – com destaque para o moinho de vento deslizante de sua autoria – logo mostraram que ele merecia um lugar de relevância entre os membros da crew, da qual faz parte até hoje. “A equipe sempre me motiva a continuar me superando. O nível nos treinos é muito alto e isso me faz querer ficar cada vez melhor”, diz. Entre 2020 e 2022, acumulou uma lista impressionante de vitórias solo em batalhas, como Crashfest 2020, Red Bull BC One E-Battle 2021 e Dutch Breaking Solo B-Boy 2022. Ele também venceu a competição LCB 2×2 2022, com seu companheiro de crew Phil Wizard e o torneio World Breaking 2×2 2022, ao lado do B-Boy Link.
B-Boy Alvin Imagem: ® Breaking World
B-Boy Alvin: Em 2022, o venezuelano participou da Final Mundial do Red Bull BC One. Com movimentos poderosos, Alvin é membro das crews Formless Corp e Team Vinotinto.
B-Boy Sunni Imagem: ® Red Bull
B-Boy Sunni: De Bristol, Inglaterra, B-Boy Sunni começou no Breaking aos 10 anos. Ele lutou por tudo, dormiu em pisos de concreto em Londres e superou lesões para se tornar um Red Bull BC One All Star. Uma de suas maiores inspirações foi o Red Bull BC One All Star, Hong 10. Os destaques da carreira incluem vitórias no Notorious IBE, Unbreakable, Circle Industry, BBIC e Radikal Forze Jam e duas vezes vencedor no UK B-Boy Championship. Ele também chegou às semifinais da competição de dança da TV Got to Dance.
B-Girl Jilou Imagem: ® Breaking World
B-Girl Jilou: B-Girl Jilou nasceu na cidade de Freiburg, na Alemanha, foi criada em Colônia e hoje mora em Berlim. Membro das equipes Nin10do e Jimakeno, ela começou no Breaking em 2006 aos 13 anos de idade. Os professores de Jilou foram B-Girl Maren, B-Boy Mighty Mike, Shabba e Shepherd, de sua primeira equipe, Nin10do. Tem um estilo acrobático e explosivo com muitos freezes flexíveis. Fora do Breaking, ela também organiza e coreografa shows. Jilou foi a grande campeã na competição de B-Girls do Breaking do Verão 2021.
B-Girl Ami Imagem: ® Breaking World
B-Girl Ami: Nascida em Saitama, no Japão, B-Girl Ami foi apresentada pela primeira vez à cultura Hip-Hop e à dança aos seis anos de idade, por sua irmã mais velha, e aos 10 já havia desenvolvido um amor pelo Breaking. Ela seria ensinada por alguns dos melhores B-Boys do Japão, incluindo Katsu-One, Taisuke e Wata. Eles ajudaram Ami a desenvolver o estilo “clean Breaking” pelo qual ela agora é conhecida, com seu fluxo suave, trabalho de pés afiados e movimentos de força explosiva, ajudando-a a ganhar vários títulos. Em 2016, ela venceu a competição Battle of the Year 2×2 B-Girl com sua irmã B-Girl Ayu, e em 2017 ganhou o título Silverback Open B-Girl e a competição Undisputed World B-Boy Series B-Girl. Sua maior conquista até o momento chegou em 2018, quando Ami fez história ao se tornar a primeira B-Girl a vencer o Red Bull BC One World Final. Isso foi logo seguido por se tornar a primeira B-Girl a se juntar ao Red Bull BC One All Stars. “Quando ganhei, senti muito orgulho de representar meu país e a mim mesma”, diz ela. “Na época, eu não estava apenas focada em ganhar o cinturão e fazer história, mas também em me divertir”. Em 2019, Ami foi novamente coroada campeão mundial, desta vez no primeiro WDSF World Breaking Championship. Isso levou a entrevistas com nomes como a Forbes, campanhas publicitárias e convites para julgar competições. Ela também estrelaria uma turnê mundial com o Red Bull BC One All Stars. Atualmente morando na prefeitura de Kanagawa, no Japão, Ami continua treinando cinco ou seis dias por semana e espera ter a oportunidade de mostrar seu talento ao redor do mundo. Ela diz: “Aprendi tantas coisas vendo o mundo que nunca teria aprendido se não tivesse me tornado uma B-Girl. Cada lugar que visitei é uma experiência nova e sempre especial para mim. Eu amo conhecer novos dançarinos. Ainda quero visitar tantos lugares e vivenciar cenas e culturas diferentes”, conclui.
B-Girl Sarah Bee Imagem: ® Reprodução
B-Girl Sarah Bee: Nascida em Dijon, França, B-Girl Sarah Bee é membro da equipe de dança feminina de todos os estilos, Zamounda. Originária da Argélia, Sarah começou a dançar aos 11 anos. No início, ela não se interessou pela Cultura Hip-Hop até que sua irmã começou a dançar. Em um dia de tédio em sua cidade natal, Sarah foi convidada a acompanhar sua irmã na sessão de dança. Sarah foi e naquele dia tudo mudou para ela. A irmã de Sarah, sua amiga e parceira de dança, Manuela, e sua primeira equipe, Figure2style, inspiraram Sarah Bee no começo. Agora, ela compartilha muito com sua crew, Zamounda, misturando tudo, desde Waacking a Popping, Locking e House, gostando de aprender com seus companheiros, que ela considera sua família. Quando se trata de seu estilo de Breaking, Sarah Bee é rápida, dinâmica e destemida em sua expressão e atitude de batalha. E mesmo que Sarah diga que ainda não é perfeita em sua dança, tendo que praticar seus fundamentos e aprender todos os dias, quando ela dança Sarah se expressa plenamente, o que a faz se sentir livre. Sarah venceu a competição 2×2 B-Girl no evento Battle Of The Year de 2008, com Manuela, especialmente porque ninguém derrotou as B-Girls japonesas que competem no evento todos os anos desde então. Ela já dançou com a Madonna duas vezes. Sarah se sente abençoada por acordar todas as manhãs capaz de dançar, viajar, compartilhar e se apresentar como sua carreira e estilo de vida.
B-Girl Kastet Imagem: ® Breaking World
B-Girl Kastet: Nascida e criada na cidade russa de Krasnodar, Natalia Kiliachikhina, também conhecida como B-Girl Kastet, tornou-se uma das destruidoras de maior sucesso do mundo. Foi uma criança ativa que cresceu cantando, dançando e pintando, Kastet começou no Breaking no outono de 2010, quando tinha apenas 12 anos de idade. Na época, ela estava fazendo aulas de dança latina e aprendendo judô, porém, queria experimentar algo que tivesse mais liberdade criativa. Ela decidiu tentar o Breaking e logo se dedicou à forma de arte. Membro da equipe Red Bull BC One All Stars, a maior inspiração de Kastet foi a B-Girl Nadia, uma das melhores B-Girls da Rússia. Ela também desenvolveu suas habilidades graças a seus companheiros de equipe B-Boy Marvel e B-Boy Jerry Metal. Esses nomes ajudaram Kastet a desenvolver o estilo Funk pelo qual ela é conhecida, com sua energia e incrível trabalho de pés, tornando-a uma das dançarinas mais exclusivas da cena. Reconhecida por enfatizar cada movimento e criar passos originais, ela teve muito sucesso internacional. Conquistou seu primeiro título do Red Bull BC One em 2019 e se tornou a primeira competidora da história a defender o título com sucesso, superando a B-Girl Madmax da Bélgica, em uma final épica no ano seguinte, sagrando-se bicampeã mundial. Em 2021, ela ganhou o Campeonato Europeu WDSF de 2021. Tendo alcançado o topo, Kastet ainda continua a desenvolver seu estilo e aprender novos movimentos. Uma grande seguidora da expressão artística, ela quer usar sua criatividade para evoluir constantemente e inspirar outros jovens dançarinos. Kastet ganhou o Breaking do Verão 2023.
B-Girl Carlota Imagem: ® Reprodução
B-Girl Carlota: A B-Girl Carlota começou no Breaking aos seis anos na escola primária, onde conheceu seu treinador, que dava aulas. Ela nasceu em Pertuis, uma cidade no sul da França, mas se mudou para Montpellier para estudar e se aprofundar em uma cidade muito maior e mais aberta a evoluir. Adora movimentos técnicos e não é de ficar parada. Quando pressionada a compartilhar seus próprios objetivos com a dança, ela diz: “Quero evoluir sempre o máximo que puder com meu Breaking e nunca me sentir presa na minha dança”.
B-Girl Carito Imagem: ® Red Bull
B-Girl Carito: Nascida e criada em Buenos Aires, Argentina, Carito é membro da equipe Superpoderosas. Ela viu o Breaking pela primeira vez quando sua irmã, que já estava dançando, a levou a um evento quando criança. Ela, então, conheceu a dança em 2006, quando tinha 15 anos, dizendo que tudo começou porque ela queria ir assistir a uma batalha. A entrada era cara, então ela se inscreveu para competir no concurso B-Girl para entrar no evento de graça, sem saber o que faria quando chegasse a sua vez de dançar. Felizmente, nenhuma outra B-Girl se inscreveu para a batalha naquele dia, então, ela não teve que competir, mas isso a fez começar no Breaking. No final daquele ano, ela conquistou uma qualificação para disputar um campeonato contra B-Girls de outras províncias argentinas. Essa oportunidade levou Carito a começar a procurar mais lugares para treinar, e mesmo que a batalha pelo campeonato não tenha acontecido no final, ela continuou dançando. Carito diz que encontrou no Breaking tudo o que procurava na vida. Não teve ninguém para orientá-la no Breaking, Carito aprendeu em sessões de treinamento compartilhadas observando como os outros dançavam e depois praticando o que via. Mas, para se preparar para a final mundial do Red Bull BC One de 2021, ela pediu conselhos a B-Boy Davis, da equipe Stupi2 Punkys, para ajudá-la a aprimorar seus movimentos. Carito descreve seu estilo de Breaking como “doce rapper ninja” e se orgulha de ter chegado às semifinais e finais nos campeonatos Break Free Worldwide. Ela diz que ser convidada para competir no Red Bull BC One World Final 2021 foi a maior conquista de sua carreira. Fora do intervalo, Carito está estudando direito. Sua filha, irmãs, mãe, equipe e amigos são os mais importantes para ela, Carito diz que continuará dançando e praticando.
A nova geração do Breaking do Rio e de São Paulo marcou presença no evento Imagem: ® Breaking World
Fora os competidores nacionais e internacionais, DJ’s, artistas e jornalistas presentes não poderíamos deixar de registrar a presença da nova geração do Breaking do Rio de Janeiro e de São Paulo, que já vem colecionando medalhas e troféus escrevendo a própria história e conquistando o seu espaço. Mesmo não podendo competir no Breaking do Verão devido à idade, pois no regulamento do evento só era permitido acima de 18 anos, eles prestigiaram a competição e iluminaram as Cyphers, lembrando a todos que o futuro já chegou! Destaque para a Cypher Kids do Rio de Janeiro e, de São Paulo, B-Boy Eagle (Dream Kids Brazil), B-Boy Richard e ainda B-Girl Angel do Brasil (Dream Kids Brazil) e B-Girl Mary-D (Street Breakers Crew) ambas medalhistas do Kids no Primeiro Campeonato de Breaking como Esporte da CNDD (Conselho Nacional de Dança Desportiva), realizado em 2022, também em São Paulo.
O Portal Breaking World agradece à organização toda atenção direcionada ao nosso veículo durante o tempo que estivemos na cobertura da 2ª edição do importante Breaking do Verão! Parabenizamos os competidores e ganhadores. Estamos na torcida para que o Brasil mantenha os mesmos resultados por nós registrados no Rio de Janeiro também nos eventos internacionais e, claro, nos Jogos Olímpicos de Paris 2024.
Imagem em destaque: fotomontagem ® Breaking World
B-Boy Ratoo
Imagem: ® Breaking World
B-Girl Carito
Imagem: ® Breaking World
B-Boy Pelezinho
Imagem: ® Breaking World
B-Girl Kastet
Imagem: ® Rudá Albuquerque
B-Girl Kastet e B-Boy Ratoo
Imagem: ® Rudá Albuquerque
B-Boy Victor
Imagem: ® Breaking World
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Você é um B-Boy ou uma B-Girl, mas agora pretende se tornar também um atleta? Representa ou pretende representar um estado ou um país!? Muito bem! Essa matéria é para você. Bem-vindo ao mundo dos atletas espetaculares, que gira em torno de bons resultados, superação, exposições na mídia e muitas cobranças de todos os lados! Seu mundo provavelmente vai existir em torno de horas de treinos, de viagens, competições, busca de patrocínios, contratos, premiações e medalhas (quem sabe, algumas vezes, Olímpicas?), entrevistas, pódios, recordes, performance, evolução, aplausos e vaias. Da superação ao fracasso no cotidiano, das vitórias as crises de depressão e ansiedade, a vida de um atleta de alto rendimento, ao contrário do que muitos possam imaginar, não é só de triunfos, conquistas, viagens, passeios turísticos e diversão, mas traz desafios desde o início, do preparo físico, mental e profissional até o difícil final de carreira, quando é necessário saber a hora de parar. Chegar ao topo pode escrever para sempre um nome de um atleta na história, mas embarcar nesse mundo sem estar preparado pode trazer consequências desastrosas na vida de uma pessoa.
Exemplos foram situações recentes que aconteceram na última Olimpíada de Tóquio, com esportistas de grande visibilidade, uma parada inesperada para cuidar da saúde, um grito de socorro atrás da fama e do estrelato, trouxe a questão dos transtornos emocionais, mentais, da depressão e da ansiedade para discussão em todo o mundo. Quando a atleta estadunidense Simone Biles, considerada uma das maiores ginastas de todos os tempos, anunciou que não iria disputar algumas provas em que era a grande favorita nas Olimpíadas de Tóquio, alegando que precisava cuidar de sua saúde mental, abriu-se um grande debate: Até que ponto esportistas de alto rendimento podem suportar a sobrecarga emocional imposta pela rotina de treinos, competições, cobranças e busca por recordes e medalhas? Simone contou ter tomado a decisão de modo a preservar sua saúde mental, evitando, assim, danos à sua integridade física. Em uma competição em que são grandes os riscos de quedas, é preciso mais que um bom preparo físico. “Minha mente e meu corpo simplesmente estão fora de sincronia. Não acho que vocês entendam quão perigoso isso é nas superfícies de competições duras. Eu não preciso explicar, porque coloquei a saúde em primeiro lugar”, publicou a ginasta em suas redes sociais.
Outro caso foi do Surfista Gabriel Medina, que além de não ter os resultados desejados nas Olimpíadas, no mês de janeiro anunciou em suas redes sociais que estava em tratamento psicológico sem saber quando estaria apto para voltar a competir. Por isso, ficou de fora das primeiras etapas desta temporada da Liga Mundial de Surfe (WSL). Ele escreveu: ”2021 foi um ano incrível pra mim, conquistei meu maior sonho como surfista, que era me tornar tricampeão mundial. Era uma parada intocável pra mim. No ano passado, vivi uma montanha russa de emoções dentro e fora da água, o que afetou muito minha saúde mental e física. Ao final da temporada, eu estava completamente esgotado. Cheguei no meu limite. Reconhecer e admitir para mim mesmo que não estou bem vem sendo um processo muito difícil e optar por tirar um tempo para me cuidar foi talvez a decisão mais difícil que já tomei em toda a minha vida. Me questionei muito nos últimos tempos se deveria tornar isso público ou manter de forma privada, mas é justo que todos vocês que sempre torceram por mim, saibam do momento que estou enfrentando”.
Exemplos mais antigos tomaram também as manchetes de todo o mundo, como o astro do futebol norte-americano, Ross Willians, que passou toda sua carreira lutando contra o transtorno de personalidade boderline, que é um transtorno mental caracterizado por humor, comportamentos e relacionamentos instáveis. Em entrevista à Associação Americana de Ansiedade e Depressão (ADAA), o atleta relatou: “Eu tinha 23 anos, era milionário, tinha tudo e ainda assim, nunca estive mais triste na vida. Me sentia extremamente isolado de meus amigos e minha família porque não conseguia explicar a eles o que sentia. Não fazia ideia do que estava errado comigo”.
Além de Willians, o nadador e super atleta, Michael Phelps, a judoca medalhista de ouro, Rafaela Silva, a tenista ex-número 1 do mundo, Jennifer Capriati, o ginasta Diego Hypólito e o jogador de basquete da NBA, Lucas Bebe, são outros casos de atletas de alta performance que também sofreram com depressão e ansiedade, tendo se recuperado após realizarem tratamentos específicos para as doenças.
Mas, também existem casos marcantes de atletas que não venceram a batalha contra a depressão, como do ex-goleiro da seleção alemã Robert Enke. Sofrendo de ataques de pânico, sobretudo do medo de falhar, o jogador chegou a estar próximo de se internar numa clínica para reabilitação, mas evitava fazê-lo para que sua carreira não fosse encerrada precocemente. Em 2006, o goleiro ainda viveu grande fase de sua carreia como atleta do Hannover, mesmo após o trágico falecimento de sua filha, sendo considerado um dos principais goleiros do futebol alemão. No entanto, após sua morte, no ano de 2009, sua esposa revelou que seu quadro depressivo nunca havia melhorado efetivamente, sendo esse o provável motivo de seu suicídio. Numa carta deixada ainda em vida, Enke pediu desculpas à família e aos médicos por “deliberadamente levá-los a pensar que ele estava melhor”.
Para médicos e especialistas é necessário ficar atento, quando ansiedade, depressão, desequilíbrio emocional aparecem e ultrapassam o limite da normalidade, por exemplo, afetando as atividades do dia a dia, a vida familiar ou a alegria de viver, é necessário procurar ajuda, alerta o Dr. Márcio Rodin, psicólogo que tem se dedicado ao estudo dos transtornos emocionais em atletas. São dele as palavras: “Temos visto muitos atletas sendo derrotados pelas próprias ansiedades e inseguranças no mundo inteiro. É preciso notar que nem todas as pessoas estão preparadas para viver no mundo do alto rendimento comandado pelos resultados. Quem não sabe lidar com pressão, quem não sabe ouvir críticas e não consegue lidar com derrota e com cobrança, não está pronto para essa realidade. Hoje em dia temos um outro grande problema que agrava ainda mais a situação: A internet e as redes sociais. O esportista muitas vezes está mais preocupado em postar isso ou aquilo no Instagram do que no se concentrar antes de uma competição, ou aproveitar uma viagem que está fazendo sem se preocupar em comer e dormir bem. E, após os eventos esportivos, volta para o mundo virtual para ver o que as pessoas estão falando, o que normalmente gera mais ansiedade, ainda mais quando os resultados não foram os esperados, aí vem o aborrecimento e frustração. Vemos atletas justificando seus resultados nas redes sociais ou ainda postando frases de autoajuda que na verdade são para si mesmos, são formas de extravasar e gritar para o mundo inteiro que precisa de ajuda! Isso é preocupante! Quanto mais precoce for o diagnóstico e o início do tratamento com acompanhamento profissional, maiores são as chances de recuperação para esses atletas”, finaliza.
Andreia Poletti, especialista em Psicologia Hospitalar, Neuropsicologia (Avaliação e Reabilitação) pela Divisão de Psicologia do Instituto Central da Faculdade de Medicina da USP, especialista em Terapia Comportamental Cognitiva, destaca alguns sinais de quando é necessário ficar atento: É importante perceber as mudanças de comportamento e do humor, que podem envolver perda do interesse e motivação pelas atividades realizadas, descontentamento, isolamento, sentimento de culpa, de menos valia, agitação, auto/hetero agressividade, alteração no padrão do sono, falta de concentração, perda ou aumento do peso, irritabilidade, fadiga excessiva, abuso de substâncias (ingestão de álcool, drogas ou medicações), sintomas físicos que não têm correlação com problemas de saúde (palpitações, falta de ar, tontura, náusea, tremores, boca seca, formigamento, diarreia). São de Andreia as palavras: “As exigências de vitórias por parte dos treinadores, patrocinadores e até mesmo pelos familiares, as comparações desnecessárias, as expectativas irreais, podem causar estresse excessivo e crônico, desencadeando os problemas e transtornos emocionais. A mídia acaba influenciando também, pois em um momento faz do atleta um ídolo e no outro não o coloca mais em evidência. Há necessidade de um trabalho psicoeducativo com os treinadores, familiares, para desmistificar a ideia do super-herói e também para sensibilizá-los a respeito do impacto dessas exigências no estado emocional do atleta. Também precisamos falar mais sobre saúde e doença mental. O fato de Simone Biles, Gabriel Medina e outros terem deixado em evidência suas dificuldades psicológicas pode ser um gatilho para que outros atletas, que estão passando pelos mesmos problemas, se sintam seguros para falarem sobre suas vulnerabilidades. Acredito que muito mais do que saber identificar e tratar as diversas manifestações de desordens emocionais, precisamos também investir na prevenção. Nestas duas esferas, a inclusão de profissionais da área da saúde mental na área do esporte, como parte da equipe, é fundamental. É importante identificar as dificuldades na fase aguda antes que se tornem problemas crônicos. O adoecimento mental pode se tornar incapacitante e trazer repercussões catastróficas em outras esferas da vida do atleta também. Isolar o corpo da mente não é um caminho ajustado para a qualidade de vida de todos os envolvidos”, conclui.
Em 2016, foi publicado um estudo no Frontiers in Psychology, que mostra que a depressão costuma ser maior em atletas que praticam esportes individuais do que naqueles que disputam competições em equipe. Outra análise, publicada em 2018 pelo European Journal of Sport Science, após acompanhamento pelo período de um ano de atletas de elite, indicou que transtornos de saúde mental ocorreram em 35% destes esportistas.
O Portal Breaking World conversou com a ex-atleta de patinação Mayra Ramos, que fundou em 2016 a plataforma “Atleta Campeão”. Em 2020, o trabalho se tornou a maior academia de treinamento mental de atletas do Brasil, sendo também uma das maiores do mundo. Ela conta que o Atleta Campeão nasceu das várias dores que teve na própria vida como atleta: “Eu comecei muito cedo na patinação, a patinação é um esporte onde os atletas começam mais cedo e param mais cedo. Comecei com 6 anos, com 7 já foi minha primeira competição. Com 8 eu ganhei o meu primeiro campeonato paulista e brasileiro pré-mirim, com 10 anos eu fui convocada para o sul-americano infantil, foi a minha primeira competição internacional. Com 13 anos, eu fui para a categoria júnior e aí eu tive a minha primeira convocação para o mundial, competindo com meninas de 18 anos, onde eu fui muito bem. No ano seguinte, a expectativa toda estava em cima de mim e aí eu não consegui a vaga para o mundial do ano seguinte e ali eu percebi o quanto o treinamento mental faria diferença na minha vida. E aí treinei bastante para no outro ano conseguir a vaga e retomei o posto de “a melhor do Brasil”. Uma característica minha era que eu ia muito bem nos campeonatos brasileiros, mas em competições internacionais eu me sentia muito ansiosa, nervosa, inferior mesmo! Eu competia sempre com meninas da Europa avançadas e tinha aquela coisa que o Brasil não era respeitado, então, eu tive que conquistar o meu espaço e essa era a minha busca de me entender, de entender porque eu ia bem no Brasil, mas fora não. E, em 2004, eu era uma favorita para ganhar o mundial e eu acabei perdendo para eu mesma, para a minha fraqueza de não conseguir lidar com a pressão. E ali eu me lesionei. E ali eu tomei uma decisão: ou eu parava ou mudava a minha forma de treinar. Aí eu comecei a buscar respostas, por que as estrangeiras iam bem e eu não? Era frustrante ir para fora e não render nem 50% do que eu rendia nos treinos, perder de pessoas que eram tecnicamente inferiores. Eu sabia fazer as coisas, mas chegava na hora eu não conseguia. Eu treinava 5 horas por dia com os patins nos pés, eu fazia preparo físico também, mas até os meus 15 anos não existia um trabalho mental. O trabalho mental começou depois de 2004, ano que eu tive uma lesão séria na coluna, que eu comecei a buscar nos livros esse preparo mental e nas biografias de outros atletas. Eu ficava muito frustrada quando perdia, nunca gostei de perder, mas eu nunca desisti por causa disso. Então, comecei a buscar técnicas e ferramentas que me ajudassem mentalmente. Comecei a entender mais de respiração, sobre a mente e aí cheguei ao mundial preparada física e emocionalmente, e ali eu bati o recorde que até hoje não foi ultrapassado, ficando entre as 5 melhores do mundo em 2005 na categoria do sênior livre individual, que é considerada a categoria mais difícil da patinação. Quando eu conquistei títulos internacionais, aí sim, era uma sensação de dever cumprido, de ver todo o esforço valendo a pena, é uma sensação que não existe nada que se compara. Hoje, eu tenho uma empresa, tenho muitas alegrias na minha empresa, mas nenhuma vitória como executiva é maior do que subir no topo do pódio. É algo inigualável!”
Como os transtornos abalam os atletas de alto rendimento? E onde procurar ajuda?
Mayra explica que, quando um atleta chega ao ponto de falar: “Chega! Eu não aguento mais!”, é porque não é feito desde o início um trabalho de inteligência emocional, afirma que esse hábito não é cultural, principalmente no Brasil. Explica: “Para saber lidar com o nervosismo, com a ansiedade e ter isso como uma ferramenta diária é muito difícil. Pois estamos falando de jovens que têm que lidar com situações muito difíceis, estressantes e que não foram preparados para isso, então, se na fase adulta já sofremos com isso, imagina um atleta que muitas vezes é uma criança com 12, 13 anos, que enfrenta cobrança de treinadores, de pais, na verdade é um despreparo que acontece. Ela explica: “Então, esse preparo tem que estar junto com o preparo físico do atleta, principalmente de um atleta que tem grande repercussão na mídia, como é o caso da Simone, do Gabriel e de muitos outros, que ainda tem o fator de redes sociais, onde todo mundo vai opinar sobre o seu desempenho e treinamento, sobre seus resultados, sobre os seus relacionamentos e o cérebro não foi preparado para isso, com essa enxurrada de opiniões das outras pessoas ao nosso respeito, então, o que acontece é um colapso: ou a pessoa para ou a pessoa não sobrevive, é algo bem complexo. Outra questão é a aproximação do fim da carreira, um atleta não sabe como parar. Ele tem medo de parar. Muitos empurram com a barriga até ter uma lesão e ter que parar. Nessa situação, é legal falar que existe uma nova profissão, que é ser um treinador mental de atletas. É um trabalho educativo! Trabalhamos a performance e muitos ex-atletas estão entrando nessa área”.
“As pessoas estão se atentando agora para essas questões, depois de 2 anos de pandemia, sem competições, muitos atletas entrando em depressão, tendo crises de ansiedade por causa do isolamento social, sem contar o tempo que se passa nas redes sociais ao invés de comemorarem a vitória ou lamentar a derrota, eles vão para as redes sociais para saber o que falaram. E isso está sendo tema de toda a imprensa, esse abalo mental dos atletas. Fazer um trabalho educativo de conscientização, para que tanto os técnicos quanto os líderes das equipes, das Crews e os atletas entendam o quanto que é importante o treinamento mental. Tanto, que eu criei um grupo de líderes, que é para educar técnicos, pais de atletas e atletas. Esse primeiro encontro é gratuito, para educar, não é uma palestra chata, é algo dinâmico para que o atleta sinta que é legal. É necessário se conectar com os atletas e com os treinadores! E aplicar técnicas para desenvolver a inteligência emocional e os pais, na minha visão, são parte do time, então, eles não devem nunca ficar de fora, eles precisam participar. Meu trabalho é fazer os atletas se sentirem mais confiantes, saber lidar com as pressões, para que eles consigam bons resultados. Temos cursos, treinamentos e atendimentos para atletas de todas as idades e modalidades. Temos também para técnicos e coach, são cursos para entender a parte mental e comportamental dos atletas e temos também para os pais. O atendimento fazemos individual e em grupo, tem uma variedade de cursos que oferecemos, hoje são 34 cursos para atletas, treinadores, pais e coach esportivo. Agora, nós temos 12 lideres espalhados pelo Brasil e Europa e nós fazemos palestras para equipe, essa primeira palestra é gratuita e nós vamos até a equipe para falar um pouco sobre o treinamento mental, dar a primeira assistência às equipes, aos times e às Crews. É a forma que encontramos de popularizar o treinamento mental que ainda é algo novo na cabeça das pessoas, mas fundamental”, conclui.
Os casos relatados acima e as dicas são valiosos para qualquer atleta de alto rendimento, que pretende se equilibrar, ter o controle de suas emoções e atitudes, fazer boas escolhas, treinar inteligente, saindo da zona de conforto para alcançar resultados maiores e mais satisfatórios. No Breaking, que sempre foi e será um dos elementos da Cultura Hip-Hop e que agora é a nova modalidade olímpica de Paris 2024, onde alguns B-Boys e B-Girls escolheram também se tornar atletas, o despertar para essa realidade se torna algo fundamental. “Trabalhar a mente é muito importante”, essa é a opinião da B-Girl Miwa Kozuma, que só no Breaking tem mais de 23 anos e foi uma das primeiras B-Girls brasileiras a competir e ser jurada em eventos internacionais. São dela as palavras: “O preparo mental é necessário! Tomei conhecimento disso depois que eu não era mais competidora. Acho muito importante falar sobre isso, eu sempre que posso trabalho essa questão nas minhas lives e nas minhas falas e workshops. No passado, eu sem ter muito conhecimento fazia meu próprio preparo mental, principalmente nas competições e eu acredito muito que o desempenho de cada B-Boy e B-Girl dentro de uma competição tenha muito a ver com a condição psicológica em que cada um se encontra. Muita gente treina demais e na hora da competição não consegue rachar direito. Inclusive, uma das minhas maiores estratégias para ganhar campeonato era trabalhar isso e mexer com o psicológico dos oponentes. A primeira vez que eu competi num mundial, numa dupla de B-Girls, não tive um bom desempenho por estar muito nervosa, não estava preparada psicologicamente. Era a primeira dupla de B-Girls brasileiras a competir num mundial, era uma responsabilidade muito grande representar um país e eu senti uma pressão muito forte, foi muito difícil, eu fui péssima, mas foquei no lado positivo de aprendizado e no ano seguinte eu voltei outra pessoa, rachando com todo mundo, estava segura, preparada e isso fez toda a diferença. Eu nunca tive depressão, mas tive crise de ansiedade devido a um trabalho que eu fazia numa ONG, onde fui abusada moralmente sem perceber, então, eu chorava muito e era instável nos meus sentimentos. Por isso eu acho tão importante o cuidado da mente, eu faço terapia há quase 10 anos e é o que tem me ajudado. Muita gente não prioriza a mente como algo importante e foca apenas na parte física, isso é um erro! Trabalhar a mente é algo fundamental, acho que nunca se priorizou isso e nunca foi visto a importância disso, a maior prova foram os recentes acontecimentos nas Olimpíadas com a Simone Biles, a própria Daiane dos Santos, que recentemente falou sobre isso, então, é uma tendência que as pessoas olhem mais para si próprias e cuidem mais da saúde mental.”
Saber controlar as emoções não é uma tarefa fácil. Cada vez mais, o mercado e os profissionais que trabalham com esportistas (técnicos, treinadores, preparadores físicos, coaches, etc.), têm voltado sua atenção e seus esforços para uma das mais importantes ferramentas de sucesso de um atleta: o treinamento da mente. Em uma época em que o vencedor é decidido por detalhes, a cabeça é uma das maiores aliadas dos atletas. É a mente que controla a ansiedade, medo e fortalece a confiança daquele jogador que, por exemplo, está caminhando para a marca do pênalti em uma partida decisiva, do tenista que está prestes a sacar antes de um match-point, do jogador de basquete que está a segundos de fazer seu arremesso de lance-livre. Ou de um B-Boy ou uma B-Girl que está na final de um mundial e precisa apresentar os melhores e precisos movimentos, a mais limpa e diferente session, a musicalidade impecável e a originalidade para ganhar os votos dos jurados.
É a mente saudável, equilibrada e preparada que oferece os recursos (força mental, habilidade de concentração) de que o atleta precisa para alcançar seu desempenho máximo e atingir seus objetivos profissionais, sejam eles individuais ou do grupo. Também, nunca perca o amor pelo que você gosta de fazer, é o que que te faz prosseguir! Muitas vezes reconhecer suas fragilidades e pedir ajuda é uma necessidade para ir longe! Ainda mais no meio esportivo, onde tudo funciona em cima de resultados que são cobrados a toda hora e por todos. Se você escolheu esse caminho e deseja ser um atleta espetacular eternizado na história, precisa se preparar como tal. O sucesso está atrelado não ao dom ou ao talento, mas aos treinos. Treino mental, treino emocional e o treino físico juntos são iguais a um treino inteligente de um atleta vencedor! Então, o que está esperando? Coloque tudo isso em prática na sua vida e colha os resultados!
Imagem em destaque: Fotomontagem Breaking World
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Atletas brasileiros ficam fora do pódio no mundial da WDSF e perdem na competição de crew na Battle Pro
Enquanto o final de semana foi festivo para alguns países, como Estados Unidos, Japão, Alemanha, Cazaquistão e, claro, França, que assumiram o papel principal na história do Breaking como modalidade olímpica e já começaram a levar para casa medalhas de ouro, prata e bronze, o Brasil, coadjuvante dessa história, não teve muitos motivos para comemorar.
A delegação brasileira de Breaking embarcou para a França no último dia 30, para competir no primeiro torneio internacional como modalidade olímpica. O evento era o World Breaking Championship (WBC), primeiro campeonato oficial 1×1 (um contra um), produzido pela Breaking For Gold da WDSF (World Dance Sport Federation), que aconteceu no Théâtre du Châtelet, em Paris, no dia 4 de dezembro.
Para quem desconhece, o World Breaking Championship é um campeonato que acontece na China, na cidade de Nanquim. Porém, por causa da pandemia, a competição foi levada para a Europa. O torneio é uma qualificação para o campeonato mundial da IWGA (Internacional World Games Association), que acontece no Alabama (EUA), em julho de 2022 e que faz parte do ranking mundial que soma pontos para a qualificatória olímpica Paris 2024.
Para essa viagem, foram indicados (não houve seletivas) e escolhidos pelo Conselho Nacional de Dança Desportiva (CNDD) e seus diretores de Breaking os atletas: as mineiras Isabela Rocha, conhecida como B-Girl Itsa e Nathana Venâncio (B-Girl Nathana), que é uma das apostas da Everlast; o paulista Luan Carlos dos Santos (B-Boy Luan San) e, por último, o mineiro Gilberto Araújo, conhecido como B-Boy Rato, que substituiu em cima da hora o B-Boy Ratin, que já tinha sido divulgado no flyer do evento, porém não participou.
Na véspera do evento, frases de efeitos e fotos nos principais pontos turísticos da França não faltaram nas redes sociais dos atletas e do próprio Conselho Nacional de Dança Desportiva, que inclusive chegou a postar que “os atletas brasileiros estavam preparados e bem vestidos para o WDSF World Breaking Championship!”. B-Girl Nathana ainda postou: “Todo esforço tem a sua recompensa”. Recompensa essa que não veio, nem para ela e nem para a maioria dos atletas escolhidos pela CNDD, pois na competição feminina, ambas as brasileiras não avançaram para a fase eliminatória. Nathana ficou na fase preliminar (filtro), Itsa foi eliminada na fase de grupos pela B-Girl Jilou, da Alemanha.
No masculino, B-Boy Rato perdeu na fase de grupos. Ele caiu na chave dos B-Boys Shigekix, do Japão e Phil Wizard, do Canadá. Ambos estão entres os melhores do mundo e o canadense, inclusive, foi vice-campeão do Red Bull BC One deste ano.
O B-Boy Luan San foi o que teve melhor performance do time e avançou um pouco mais no evento. Chegou nas quartas de final, onde ele competiu com o B-Boy Gun, da Rússia. Na semifinal, enfrentou o estadunidense Victor, sendo derrotado por 2 rounds a 0. Na briga pelo terceiro lugar, Luan ficou de fora do pódio, perdendo para Amir, atual campeão do Red Bull BC One e ganhador da medalha de bronze do mundial. Vale lembrar que na primeira edição do mundial da WDSF, que aconteceu em 2019, o B-Boy Luan San foi o único brasileiro presente, terminando na 23° posição.
O torneio deu premiação de 1.900 euros para o vencedor, 1.500 para o vice, 500 para terceiro, 400 para quarto e quinto lugar e 300 até o oitavo lugar.
No dia seguinte (5), o time brasileiro ainda participou de mais uma competição na França, a 20° edição da Battle Pro, na categoria Crew vs Crew. Além dos 4 atletas, complementaram o “Team Brazil” os B-Boys Mixa, Migaz, Dinho Still, Bokão (Vinicius Manzon) e Bispo Street Breakers. O resultado não foi diferente e nem favorável ao Brasil, perderam a disputa para a Last Squad da França, não avançando no evento.
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Na última semana, o portal de noticias Breaking for Gold publicou em seu Instagram um comunicado da World Dance Sport Federation (WDSF) que lamentava o fato da Red Bull ter optado em não continuar as negociações para um acordo global.
Eles escreveram:
“Como Federação Internacionalmente Reconhecida a DanceSport, confiada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) para a organização e governança do Breaking nos Jogos Olímpicos Paris 2024, a Federação Mundial de DanceSport (WDSF) leva suas obrigações a sério. Tendo realizado com sucesso os eventos de Breaking nos Jogos Olímpicos da Juventude em Buenos Aires 2018, os Jogos Urbanos Mundiais de 2019 em Budapeste e o WDSF World Breaking Championships 2019 em Nanjing, o WDSF recentemente voltou seu foco para preparar a melhor competição possível em Paris 2024, após o Breaking ter sido adicionado ao programa de esportes olímpicos em dezembro de 2020. Com esse objetivo em mente, o WDSF conversou com a Red Bull em dezembro do ano passado, com a ideia de formar uma parceria em uma série de eventos decisivos na estrada para Paris 2024. Infelizmente, as negociações em andamento com a Red Bull não resultaram na finalização de um contrato. A Red Bull decidiu não continuar em negociações com o WDSF para um acordo global, uma decisão que o WDSF lamenta, mas respeita. Como órgão regulador global do DanceSport, o WDSF é responsável por trabalhar no melhor interesse de todos os atletas do Breaking. O WDSF continuará a trabalhar diligentemente em nome de todos os Breakers em todo o mundo, com base em uma política de inclusão que é aberta a toda a comunidade do Breakers. A este respeito, os órgãos membros do WDSF e do WDSF estão trabalhando em colaboração e diretamente com os principais membros da comunidade Breaking para garantir que a comunidade esteja totalmente engajada na jornada de sucesso para Paris 2024. O WDSF agradece sinceramente os esforços feitos pela Red Bull e todas as partes intermediárias, independentemente do resultado. Agradecemos a Red Bull por seus esforços com a Breaking e permanecemos abertos a discussões sobre cooperação no futuro.”
Procurados pelo portal Breaking World, a Red Bull respondeu prontamente ao comunicado: “Agradecemos à World DanceSport Federation por suas discussões conosco que – conforme observado em sua Declaração WDSF de 28 de abril de 2021 – lamentavelmente não resultou em um acordo. A Red Bull mostrou nos últimos vinte anos que tem um compromisso absoluto em contribuir e celebrar a cultura do Breaking em todo o mundo, e esse compromisso continua forte como sempre!”, concluiram.
Com esses dois gigantes trilhando caminhos diferentes, resta a B-Boys e B-Girls de todo o mundo se preparar e aguardar os próximos desdobramentos!
Fotos: Divulgação
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“O acordo ressalta o compromisso do WDSF em dar à comunidade do Breaking as melhores plataformas possíveis para mostrar seus talentos, ao mesmo tempo que ajuda a impulsionar seu desenvolvimento em todo o mundo” (Shawn Tay)
A World DanceSport Federation (WDSF) anunciou a assinatura de uma parceria de quatro anos com a Red Bull GmbH.A aproximação visa promover o desenvolvimento do Breaking em sua jornada olímpica, incluindo o lançamento do “WDSF Breaking for Gold World Tour” que começa em 2021.
A colaboração pretende criar grupos de trabalho dedicados, envolvendo a comunidade do Breaking e a introdução de projetos de desenvolvimento projetados para crescer o Breaking globalmente, com foco particular nos países em desenvolvimento e aqueles com pouca ou nenhuma experiência anterior com o Breaking competitivo.
Mais detalhes vão ser anunciados nas próximas semanas, conforme a evolução da parceria. “O acordo ressalta o compromisso do WDSF em dar à comunidade do Breaking as melhores plataformas possíveis para mostrar seus talentos, ao mesmo tempo que ajuda a impulsionar seu desenvolvimento em todo o mundo”, disse o presidente do WDSF Shawn Tay. “Com a experiência, o know-how e a rede que a Red Bull e a WDSF trazem para a mesa, estamos entusiasmados com o futuro do Breaking como parte do Movimento Olímpico.”
O Comitê Olímpico Internacional (COI) incluiu oficialmente o Breaking no programa de esportes para os Jogos Olímpicos de Paris 2024, isso aconteceu em dezembro de 2020, após sua estreia bem recebida nos Jogos Olímpicos da Juventude em Buenos Aires 2018. Em 2019, o WDSF World Breaking Championships foi realizado com sucesso em Nanjing, China, com a próxima edição marcada para acontecer neste verão, se a pandemia permitir.
Apesar da pandemia, o Breaking continua crescendo e sua popularidade vem aumentando, sendo incluido nos programas dos Jogos Asiáticos e Jogos Mundiais de 2022 e nos Jogos Olímpicos da Juventude de 2026, entre outros.
Foto: Divulgação Red Bull
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O nome que consta na certidão de nascimento é Alex José Gomes Eduardo, ele não poderia ser mais brasileiro. Nasceu numa família alegre de sambistas e capoeiristas em São José do Rio Preto, interior de São Paulo.
Da infância guarda boas lembranças das feijoadas e dos churrascos em família. Criado pela avó, matriarca da família, o menino que não tinha tênis, mas que desde pequeno já mostrava habilidades diferentes e muito especiais, a famosa estrelinha no meio da testa que alguns carregam para esse mundo, filho de mestre de capoeira era bom nos movimentos do corpo e também no futebol, por isso recebeu o apelido de “Pelezinho”, mas seu destino não foi escrito num campo de futebol e nem jogando capoeira mas sim nas ruas.
As rodas que frequentava eram outras, as de Breaking, onde sua grandeza foi reconhecida e conquistada, sendo ponte para o resto do mundo.
Numa entrevista super especial e exclusiva ao Portal Breaking World, B-Boy Pelezinho, que esta semana se posicionou sobre o assunto “Breaking nas Olimpíadas”, contou sua história de vida, suas experiências, conquistas no Breaking, falou sobre a pandemia, sobre amigos que sente saudades, sobre o futuro e mostrou sua preocupação com a nova geração de B-Boys e B-Girls.
Hoje fora das competições, porém comprometido com o Breaking pelo resto da vida, ele sempre lembra: “O Breaking mudou a minha vida e pode mudar de muitas pessoas”.
Com vocês: Pelezinhoooooooo!
BW: Você é de São José do Rio Preto, correto? Queria que você nos contasse: como foi sua infância, sua adolescência e sua vida em família? Que lembranças boas guarda dessa época? Foi uma vida tranquila ou difícil?
Pelezinho: Sim, eu sou de São José do Rio Preto, nascido e criado lá. Eu venho de uma família de sambistas e capoeiristas, eu lembro que, principalmente nos finais de semana, nós tínhamos aquele momento familiar, que tinha música, almoço, churrasco, feijoada. Na infância era bem tranquilo! A minha avó é que era a matriarca da família, ela cuidava de todos! Eu fui criado pela minha avó. Mas a minha família sempre foi aquela família animada! Tenho boas recordações!
Oriundo de uma família de sambistas e capoeiristas, Pelezinho encontrou-se no Breaking e incorporou movimentos da Capoeira na dança, criando um estilo próprio que ganhou o mundo e influenciou gerações de B-Boys e B-Girls
BW: E na adolescência, como foi? Quando e como teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop? O que te chamou atenção nessa cultura?
Pelezinho: Na adolescência, foi um pouquinho mais complicado. Eu saí de casa cedo, era muito jovem e eu conheci o Breaking por meio de um amigo, ele esta numa Cypher aqui no centro da cidade e, na verdade, eu achei que fosse uma roda de capoeira e quando cheguei vi que era uma roda de Breaking e eu fiquei encantado com aquilo. Logo depois, ele fez uma performance na minha escola e foi quando ele me convidou, disse que eu tinha uma facilidade para dançar, a minha família era do samba, então, achava que eu teria muita facilidade. E me fez um convite para treinar na casa dele, isso foi em 1995 ou 1996. E desde então, eu tenho uma história dentro do Breaking.
BW: Com que idade você saiu de São José do Rio Preto? O que sentiu quando chegou em São Paulo?
Pelezinho: Na verdade, eu só sai da casa da minha avó quando eu fui para São Paulo. Na primeira vez foi para um evento de dança, foi aquele choque com a cidade grande, de conhecer mais a galera da dança, porque eu só ficava no interior. Mas quando eu cheguei no evento achei incrível, quando eu vi todas as Crews de São Paulo reunidas. Me lembro que quando os caras chegavam, eles já chegavam batalhando e eu pensei: “puxa, vou voltar para casa e treinar muito, pois eu não quero mais que esses caras fiquem me zoando na dança não…”.
BW: Mas quando houve aquela decisão mesmo em relação ao Breaking? Tipo: “É isso que eu quero para a minha vida”? Porque afinal, você cresceu no meio do samba e da capoeira e também era bom no futebol, daí o nome Pelezinho. Mas quando ficou claro que era o Breaking?
Pelezinho: Em relação ao futebol, foram os amigos do meu bairro que me deram esse apelido na época da escola, porque eu não era o craque e tal (risos), mas jogava bem. E o Breaking eu peguei gosto pela dança, pelos treinos e era algo incrível que eu estava vivendo, eu gostava muito de praticar. As informações já estavam começando a chegar de alguns eventos, surgia alguns convites e comecei a gostar muito do que eu estava vivendo.
Pelezinho em uma de suas viagens para Lima, no Peru: a preocupação da avó virou orgulho em ver o neto saindo do interior de São Paulo e ganhando o mundo
BW: Você teve apoio da família quando decidiu se dedicar à dança?
Pelezinho: Naquela época, minha avó não tinha informação, ela estava meio preocupada de eu ficar pela rua, ficar dançando no coreto da cidade com uns caras… Então, eu não tive um apoio, demorou um tempo para que ela entendesse o que eu estava fazendo, mas natural, às vezes eram costumes daquela época, estamos falando de 1995, não existia informação direito como se tem hoje. Realmente ela se preocupou, achando que eu iria por um caminho errado, mau. Mas eu insisti muito e hoje ela fala: “Meu neto é um exemplo!”.
BW: Fale da relação da Capoeira e do Breaking na sua vida. Um completou o outro?
Pelezinho: A relação minha com a Capoeira foi dentro de casa, né? Meu tio era mestre de Capoeira, meu pai era mestre de Capoeira e eles tinham a academia deles e tal e eu fui influenciado, porque eu nasci naquele meio. No meio das músicas, no meio da Capoeira… E eu acredito que a Capoeira tem muita ligação com o Breaking, vários movimentos são semelhantes, tem musicalidade e quando eu comecei a dançar Breaking, realmente alguns movimentos do Breaking foi muito fácil de aprender graças à Capoeira. Eu tive bastante facilidade para aprender o Breaking, claro que teve alguns movimentos que tinham uma dificuldade a mais, porém, falando de equilíbrio, de firmeza, de movimentação de giro, para mim foi mais fácil, então, resumindo, eu fui influenciado pelo meu pai e pelo meu tio, eu só pratiquei a Capoeira por um determinado tempo, eu não peguei corda, não segui da forma que tinha que ser, mas eu tenho um baita respeito pela Capoeira e ela foi fundamental na minha adolescência.
BW: Houve pessoas na dança que o ensinaram e o ajudaram e que também foram inspiração e referência para você? Parece que teve um B-Boy que você admirava muito e tinha o desejo de um dia conhecê-lo pessoalmente. Quem era? E de que país ele é? Esse encontro já aconteceu?
Pelezinho: Ah, sim! Eu falo que no Breaking eu tive essas pessoas, primeiro o amigo que me convidou para praticar na casa dele, depois umas outras pessoas da época, que hoje já nem praticam mais, mas eu tenho, sim. Quando eu vi esse cara dançando, ele se chama B-Boy Remind, um dos fundadores da Style Elements Crew, da Califórnia. Quando esse cara apareceu para nós nos eventos nos Estados Unidos, o Battle of the Year, foi um dos primeiros vídeos que eu vi dele, eu vi o estilo dele dançando e eu acredito que ele mudou todo o cenário da dança, principalmente no Breaking pois ele introduziu um estilo mais carismático, envolvendo alguns passos de House e eu gostei muito disso. E eu tenho um sonho de conhecê-lo. Até hoje eu viajei o mundo e não tive a chance de conhecê-lo, conheci alguns membros da Crew dele, mas ainda não o conheci. E um dia ainda eu vou conhecê-lo, se Deus quiser!
O apelido foi dado pelos amigos do bairro onde morava: a intimidade com a ‘pelota’ foi deixada para trás quando o B-Boy descobriu o prazer de dançar
BW: Quando começou a participar e ganhar eventos de Breaking? Que eventos foram especiais para você, antes da Red Bull, é claro? Que conquistas foram memoráveis?
Pelezinho: Eu participei de muitos eventos na minha vida! Mas, um dos que eu mais gostei, foi um que era relacionado a esportes radicais, ele foi feito dentro do Ibirapuera e eu fui campeão do 1vs1, tiveram outros eventos que eu não ganhei, mas foram muito legais. Uma vez eu estava de jurado na Batalha Final e aí eu fiz uma batalha muito memorável. Estava eu e Chaveirinho, nós batalhamos por um bom tempo dentro do evento e aí, depois, nós acabamos fazendo vários trabalhos pelo Brasil, a gente era meio que inimigo antes do BC One, mas claro, o maior reconhecimento internacional foi o Red Bull BC One de 2005.
BW: Sim, falando do ano de 2005, como chegou na final mundial da Red Bull, que aconteceu na Alemanha? Como foi aquela sua primeira viagem para fora do país e o que sentiu naqueles minutos que teve que representar o Brasil numa terra tão distante e diferente?
Pelezinho: Quando eu fui convidado pela Red Bull BC One, eu não tinha noção do que poderia acontecer… Claro que alguns B-Boys que estavam ali eu já via pela fita k-7, pelos DVD´s que já estavam rolando, então, tinha B-Boys que eu admirava, o Lilou já estava despontando na Europa e quando eu cheguei na semifinal, pra mim foi uma batalha apenas, só que eu só fui entender a proporção do que aconteceu comigo quando eu retornei para o Brasil, depois da repercussão que teve e a vivência que eu tive lá na Alemanha, em 2005, foi incrível, pois era tudo novidade pra mim, então, foi a primeira vez que eu saí para fora do país, um evento como aquele, era a segunda edição dele, deu um ‘boom’ na dança… Então, pra mim, foi muita experiência, aqueles 5 dias que eu fiquei em Berlim foi só aprendizado, uma bagagem incrível para poder entender o que poderia vir logo em seguida. Na final mundial em 2006, no Brasil, eu já estava classificado nesse período, eu fui conhecido mundialmente mesmo eu não sendo o campeão, porque na época ainda existia primeiro, segundo, terceiro e quarto lugar. Esses quatro eram classificados automaticamente para o próximo ano, então pra mim foi incrível!
BW: Falando ainda de 2005, como foi batalhar com o B-Boy italiano Cico?
Pelezinho: Então, a minha primeira batalha foi com o Cico, um cara que estava se destacando muito pelos Power Moves que ele vinha fazendo e, principalmente, o Giro de Mão, ali foi uma grande pressão. Como foi a primeira batalha minha, num palco daquele, numa estrutura daquela, pra mim ali foi difícil de verdade! Depois que eu passei do Cico, fui passando… aí eu cheguei na semifinal com o Hong 10, ali eu já estava mais confortável, mas ao mesmo tempo, né [sic], tive alguns errinhos, acabei esquecendo um movimento. O Hong 10 ganhou de mim naquela noite e ele fez a final com o Lilou.
Pelezinho, Lilou, Menno, Hong 10, Wing e Lil Zoo durante turnê da Red Bull BC One All Stars em Meknes, Marros (Maio, 2018)
BW: O que sentiu e como foi a sensação de ter chegado tão perto de vencer o mundial? Fale da repercussão de ser o primeiro brasileiro a participar de uma final mundial? Isso fez diferença na sua vida?
Pelezinho: Eu, naquela época, na hora que eu perdi, eu falei: “Nossa! Puxa! Eu quase fui para a final!”. Então, deu aquela frustradinha no momento, mas na verdade, como tinha terceiro e quarto, eu nem pensei muito! Eu só fui pensar mais quando retornei ao Brasil, realmente passou um tempo até a galera descobrir, porque naquela época as informações não chegavam como hoje, que você pode ver ao vivo, demorava um tempinho para chegar as informações dos eventos. O You Tube estava começando, pelo menos para nós aqui do Brasil, aí depois que a galera descobriu, saiu o DVD, aí a repercussão foi uma loucura! A prova disso que até hoje as pessoas lembram, pessoas que não são da dança, pessoas que me encontram na rua, sempre tem um que lembra e fala que assistiu o DVD da Red Bull BC One.
BW: Pelezinho, depois você já viajou para muitos países pelo mundo. A ginga do B-Boy e da B-Girl do Brasil é um diferencial? O que os gringos esperam ver quando tem um B-Boy brasileiro ou uma B-Girl do Brasil numa competição?
Pelezinho: Desde quando os brasileiros começaram a competir no circuito europeu e, principalmente, nesse período de 2005 pra cá, é natural os gringos verem algo diferente, então, eu cheguei com um pouco mais de movimentos acrobáticos, misturando tudo com Power Move, enfim! Aí depois apareceu Neguin, então a galera sempre espera que o brasileiro chegue com um movimento diferente, mas o mais importante é cada dançarino ter o seu próprio estilo, a galera tem que pensar que o nosso passaporte é brasileiro, temos que mostrar o nosso cotidiano… É o que eu falo, a dança já foi criada pelos caras lá de fora, já tinham movimentos criados, é necessário cada um mostrar de onde vem, qual é o seu estilo de dança, a sua marca, então isso é importante.
BW: Como foi sua entrada na Tsunami All Stars e na Red Bull BC One All Stars? Fale da sua experiência dentro dessas Crews?
Pelezinho: Então, sobre a Tsunami All Stars, na verdade, nós a criamos porque na época teve um evento em São Paulo e nós queríamos batalhar e nesse período, Kokada estava sem Crew, eu estava em show com Marcelo D2, Katatau também estava praticamente sem Crew e aí nós participamos de um campeonato em São Paulo. E o Aranha era próximo de nós, porque quando o Chaveiro viajava, o Aranha cobria ou vice-versa, na época do show com Marcelo D2. Aí nós entramos em cinco no campeonato e ganhamos! E depois ficou aquela história que sempre que nós nos encontrávamos em São Paulo, dançávamos juntos e tal, aí o Katatau dançava com o Chaveiro em alguns lugares, o Aranha junto e aí nós só reunimos a Crew quando teve o convite para disputar o R16 na Coreia, quando chegou o convite dos coreanos que eram os ‘managers’ e aí foi quando o Neguin já estava próximo do Katatau, eu convidei o White e o Chuchu e montamos a Crew, aumentamos a Crew e aí participamos do R16, ficamos entre os finalistas e foi esse processo na criação da Tsunami. E o Red Bull BC One All Stars eu participei de duas turnês pela Red Bull Internacional para levar o que o Red Bull BC One estava fazendo, então, fizemos Austrália (2008), Índia (2009) e dali surgiu uma ideia, começamos a conversar com uma manager e aí demos a ideia de criar um time dentro da Red Bull e então criamos o Projeto Red Bull All Stars. Eu ajudei a criar esse projeto, eu, o Lilou e a manager e hoje está aí um dos melhores times que tem no mundo, onde estão os melhores dançarinos do mundo. Atualmente, eu não estou no time para competição, porque eu já sai do circuito de competição já tem um tempo, mas o time está aí, eu ajudei a criar e tenho muito orgulho disso.
Pelezinho e a Tsunami All Stars
BW: Falando um pouco mais sobre quem fazia parte da Tsunami, queria que você falasse de sua proximidade ao Kokada, que era alguém que, sem dúvida, escreveu uma história de muito valor no Breaking e tinha uma personalidade muito singular, deixando um enorme vazio quando partiu aos 35 anos, vítima de uma meningite, em 2012.
Pelezinho: Falar do Kokada pra mim é prazeroso! Porque nós vimemos juntos um período de conquistas, vou lembrar do Kokada lá atrás, quando eu fui para são Paulo a primeira vez, o Kokada já era já o grande B-Boy Kokada junto com o Careca da Detroit Breakers. O Kokada já fazia shows, ele era famoso pelo Brasil todo! E quando eu tive a oportunidade de conhecê-lo, de virar amigo dele e surgiu a história de montarmos a Tsunami, eu o chamava de “mentor”, porque era ele que cuidava das coisas da Crew e, assim, nós vivemos muitas coisas! Kokada teve a sorte de viajar também e de competir, mas no período que ele estava fazendo as coisas não existia muita informação, naquela época então, o momento que o cara estava não existia o contato do Brasil com o pessoal de fora, então, alguns gringos começaram a vir para o Brasil e justamente nesse momento nós estávamos juntos realizando sonhos, mesmo sendo de cidades diferentes. O Kokada foi incrível! O legado que ele deixou está ai e ninguém nunca vai esquecer! Ele era mesmo difícil, era um cara mais complicado (risos), ele tinha o jeitão dele, o gênio dele sempre foi forte, só que nós nos entendíamos muito bem quanto viveu conosco. Mas ele vive em nossos corações! E ele era uma baita de uma pessoa! Até hoje ele faz muita falta! E eu acredito que nos sonhos dele eu o ajudei também, tanto que a primeira viagem dele internacional para o evento R16 fomos eu, ele, Chaveiro, Katatau, Aranha, o Neguin e fizemos parte de uma geração, mas Kokada veio primeiro que nós e é isso! Muita saudade!
BW: Voltando um pouco no tempo, Pelezinho, numa outra entrevista você falou que quando começou a dançar não tinha um tênis… Décadas depois, você foi convidado para assinar um tênis junto com o Sandro Dias e, na ocasião, você falou que queria ver o Breaking e o Skate nas Olimpíadas de Paris 2024. Hoje, creio que você tenha vários tênis e o Breaking está nas Olimpíadas. Se sente realizado?
Pelezinho: Verdade, eu não tinha tênis para dançar, passei por essa dificuldade! Eram tempos bem diferentes! Mas quando eu recebi o convite do Sandro Dias para poder participar do projeto que ele estava iniciando, que ele queria ir pelo lado da cultura, da dança e ele me convidou para fazer a Colab, puxa, eu nunca imaginei isso na minha vida e aí foi quando eu falei numa entrevista que passou um filme na minha cabeça, quando ele me ligou para me convidar, ele era o dono da marca e eu aceitei na hora. Ele tinha um sócio, mas eu aceitei na hora! Hoje eu tenho um tênis assinado, modelo 1, já tem um projeto do modelo 2, já era para ter saído ano passado. Sim, graças a Deus hoje eu tenho muitos tênis (risos) e sobre as Olimpíadas é uma coisa que nós não imaginávamos que pudesse acontecer, ter o Breaking nas Olimpíadas. Eu sou a favor! Eu acho que está aí, já está concretizado, eu acredito que é mais uma porta se abrindo dentro do cenário da dança mundial, muitas pessoas terão oportunidades. Eu sei que aqui no Brasil têm acontecido muitas conversas, mas as coisas negativas devemos deixar para trás e pegar as coisas positivas das pessoas que têm o mesmo interesse, que isso possa trazer mais informação para quem não tem e isso vai agregar muito para a nova geração. Eu costumo falar para a galera que não é porque eu não tive lá atrás que eu deva embarreirar a nova geração, eu sou a favor mesmo do Breaking nas Olimpíadas e fiquei muito feliz!
Sandro Dias (Mineirinho) e Pelezinho lançam linha de tênis com sua assinatura: grande conquista para o menino que não tinha tênis para dançar
BW: Falando sobre as Olimpíadas e sobre toda a discussão em volta desse assunto, fale sobre suas impressões sobre esse elemento do Hip-Hop virar um esporte olímpico. Na sua opinião, estamos preparados para viver isso? Normalmente atletas olímpicos levam anos se preparando para uma participação numa Olimpíada. E nós, como estamos? Ao seu ver, temos B-Boys e B-Girls brasileiros prontos e bem preparados para brigar por uma medalha olímpica?
Pelezinho: Espero que com toda essa situação que está acontecendo, que o Brasil possa ter representante em 2024, porque já não teve nos Jogos da Juventude, espero que as pessoas se organizem, fazendo a sua parte e quem estiver no comando que faça de verdade, que pense no Breaking, na dança Breaking e não no próprio bolso. Pelo amor de Deus! Estamos em 2021, estamos dentro de uma pandemia, muitas coisas mudaram, muitas não serão mais a mesma coisa! Então, por favor! Precisamos fazer de verdade e principalmente para a nova geração! Olha, sendo bem sincero sobre o que vem acontecendo no Brasil, eu ando observando, não tenho participado de muitos bate-papos que estão tendo pelas redes sociais, só participei de duas que eu achei interessante e no meu olhar, o Brasil já está começando atrasado, porque eu já vou entrar: desde os Jogos da Juventude e dos simulados que tiveram na China e o Brasil não estava ali como convidado, então, estamos começando tarde, porque precisamos preparar, tem que ter mesmo toda uma estrutura, eu sei que as pessoas vão fazer do modo deles. Mas preparados na parte de dança: Sim! Temos B-Boys e B-Girls que possam disputar medalhas para o Brasil, mas tudo depende de toda a estrutura e logística que será montada aqui no Brasil, de como será, se vai convidar os B-Boys e as B-Girls direto ou se vai fazer etapas. Então, dando uma resumida, eu acho que já estamos atrás dos outros países: o Japão já tem o time pronto, a Holanda praticamente também, a França, EUA, a China… E o Brasil ainda não está! Quem estiver na frente tem que fazer de verdade! E resolver tudo o mais rápido possível, porque esse ano já descartamos praticamente, então, só sobra 2023 e 2024. Porque até o processo todo ser feito com a estrutura… Estou falando da minha visão como dançarino e como produtor e criador de eventos. Essa é a minha opinião!
Pelezinho: “Precisamos fazer de verdade e principalmente para a nova geração!”
BW: Verdade que você se posicionou sobre o assunto e agora faz parte da Confederação Brasileira de Breaking (CBRB). Você gostaria de falar sobre isso?
Pelezinho: Eu tive uma conversa com o Rooneyoyo e juntamente com o HP, estamos nos posicionando para participar junto com o Rooneyoyo, porque eu acho que juntos podemos conduzir coisas melhores para a nova geração.
BW: Falando sobre sua experiência como jurado… Hoje em dia, Pelezinho, você participa de muitos eventos. O que você gosta de ver numa batalha e o que você acha inaceitável na mesma?
Pelezinho: Sobre as batalhas, como jurado eu gosto de ver aqueles B-Boys e B-Girls que mostram movimentos, que sejam completos: musicalidade, criatividade, movimentos básicos. Mas eu gosto sempre daqueles dançarinos que percebemos aquela vontade de competir, que vai lá, que expressa a dança dele, que mostra movimentos surpreendentes sem errar, porque tem movimentos que jurado pega erros. Enfim, eu gosto dos completos no Breaking! Gosto de ver movimentos diferentes e interessantes para julgar, porque o nível da batalha fica avançado. E coisa que eu detesto ver é a má vontade de alguns dançarinos quando estão em competição, tem dançarino que parece que não está a fim… Aí eu pergunto: “Por que participou, então? Por que se inscreveu?” E outra coisa é essa história de questionar jurado, no passado já questionei também, só que eu acho desnecessário hoje em dia, de tanta informação que temos, nós precisamos respeitar os jurados que estão sentados ali, porque têm uma bagagem, então vamos respeitar. As pessoas precisam entender que numa competição estão sujeitos a serem julgados, então, vai lá, treina e seja o mais transparente possível para o jurado e mostra o porquê quer ser campeão!
BW: Com a pandemia e todo o isolamento necessário, o que você tem feito? O que acha das batalhas on-line? É uma tendência?
Pelezinho: Sobre a pandemia, eu acredito que foi um aprendizado para várias pessoas, estamos nela ainda! Nesse período eu tive que me reinventar, me readaptar a essa realidade que estamos vivendo. Sobre as batalhas on-line, claro que não é a mesma coisa, não é a mesma energia, de estar ali na Cypher, naquele calor todo, mas é um meio de manter a galera em atividade, em competição, até mesmo dando suporte para eles, porque teve alguns eventos on-line bacanas! Pela produção, pelo o que fizeram e acabou ajudando vários B-Boys e B-Girls, então, eu sei que isso pode continuar. Alguns eventos vão manter on-line e a pandemia é uma coisa muito triste, que ninguém imaginou que ia passar nesse plano de vida, mas ela é um aprendizado para muitas pessoas e quem não se adaptar, nem imagino o que vai fazer da vida.
Pelezinho acredita que a pandemia foi um período de aprendizado para várias pessoas: reinventar, readaptar, continuar…
BW: Você tem uma frase célebre: “O Breaking salvou a minha vida”. Comente a importância do Breaking como ferramenta de transformação.
Pelezinho: Sobre o que eu falo do Breaking ter mudado a minha vida, realmente ele mudou, ele fez uma transformação tremenda! Eu fiz coisas que eu jamais imaginei que eu iria fazer! Por meio da minha dança, eu viajei praticamente o mundo todo e sou uma pessoa conhecida através do Breaking. Financeiramente foi bom pra mim, consegui ter algumas coisas, mas o que eu mais falo é que nada disso teria acontecido se não fosse a minha vontade, a determinação que eu tive e toda a história que eu tenho há mais de 20 anos dentro do Breaking. Então, quem quer alguma coisa, principalmente dentro do Breaking, a galera nova, da nova geração, que vocês têm tudo, rápida informação, eventos, então aproveitem, porque na minha época que eu comecei a dançar nós não tínhamos nada disso! Aproveitem as oportunidades! Porque as poucas que eu tive aproveitei todas! E corri muito atrás! E foi nisso que o Breaking mudou a minha vida e pode mudar de outras pessoas também.
BW: Hoje quem é o Pelezinho? Você pensa em um dia parar de dançar?
Pelezinho: Pelezinho hoje é essa pessoa aí que a galera está vendo, que o Breaking deu uma visão de transformação e também de ajudar, porque o que venho fazendo hoje em dia é ajudar a cena, principalmente o Breaking. E sobre parar de dançar, eu não me vejo parando, como vou parar algo que amo fazer? É natural com o tempo desconectar algumas coisas, eu não me vejo competindo mais, mas eu adquiri uma bagagem que posso ajudar a nova geração aqui no Brasil.
BW: Para finalizar essa entrevista, que conselhos você daria para a nova geração de B-Boys e de B-Girls?
Pelezinho: Respeitem as oportunidades que vocês têm agora, se desejam competir, treinem para isso e aproveitem as oportunidades, que façam isso de verdade! Para aqueles que desejam uma vida de atleta, principalmente agora que têm vários eventos, Olimpíadas: se preparem! Nunca esqueçam que a nossa dança é uma cultura e se você desejar, pode viver como um dançarino atleta também, você pode se dedicar, você pode praticar, você pode se proteger. Se eu tivesse a mentalidade que eu tenho hoje, com certeza eu teria competido por mais tempo, eu também poderia ter evitado algumas lesões, porque é natural, somos seres humanos e não somos máquinas e, devido alguns anos repetindo movimentos, é natural ter um desgaste, só que de alguns anos para cá, já podemos proteger isso, então, vá atrás de uma pessoa que possa te dar uma educação física como dançarino, para que você possa ter sua vida como dançarino e, se desejar, como atleta também. Respeitem e aproveitem o que vocês têm hoje, pois tudo está mais fácil!
Fotos: Arquivo Pessoal / Red Bull Content Pool (Fabio Piva, Yassine Alaoui, Dimitri Crusz) Vídeos gentilmente cedidos pela Red Bull
Pelezinho comemora seus 20 anos de dança
B-Boys Pelezinho, Lil G e Kokada no projeto "B-Boys In Motion" - 2011
Pelezinho: #RespeitaOBreaking
Pelezinho além de B-Boy é MC, jurado e produtor
Pelezinho e o tênis com sua assinatura
Neguin e Pelezinho: geração de vencedores
Pelezinho, Lilou e Neguin
Red Bull BC One All Stars
"Mister" Kokada, Lilou e Pelezinho
Tsunami All Stars
Pelezinho
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Planejamento, disciplina, foco e estratégia são fundamentais na vida de quem deseja ser um campeão, garante B-Boy Bart
Ele nasceu no Ceará, quando criança teve contato com muitos movimentos por meio do Kung Fu e da Capoeira. Aprendeu também a ter disciplina e flexibilidade desde cedo. Mas foram os pulos feitos na areia improvisada que pedia aos vizinhos que o fizeram se aproximar do Breaking.
Mateus Melo (22), conhecido como B-Boy Bart, hoje é um dos nomes mais cogitados para representar o Breaking brasileiro nas Olimpíadas de Paris, em 2024.
Ele compara a dança a um grande jogo de xadrez e afirma que, além de ter um corpo preparado, é necessário ter estratégias, planejar ações para se chegar no objetivo que se deseja.
O Portal Breaking World teve o prazer de conversar com ele na primeira semana do ano de 2021. E olha, aperte os cintos pois esse B-Boy não dança, ele voa! Fique por dentro do que rolou nessa conversa:
BW: Queria que você falasse um pouco da sua infância, onde e como foi? Como era o Mateus criança?
B-Boy Bart: Eu sempre me movimentei muito quando criança! Tive muito contato com os movimentos. Fui muito influenciado pelo meu pai, que era do Kung Fu e também pela Capoeira. Dessa época, eu ganhei a disciplina e a flexibilidade. Conheci a Capoeira foi na curiosidade mesmo. Fiquei num grupo chamado Zumbi por menos de 1 ano. Aí eu entrei em outro grupo, porquê a minha vontade era pular e nesse outro grupo eu conheci pessoas que pulavam muito. Quando começava a passar cordas, essas coisas, eu saía pois não era o meu foco.
O menino que começou dando os primeiros saltos no “areião” ganhou o mundo com seu talento
BW: Quando você teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop? Como surgiu o Breaking na sua vida?
B-Boy Bart: Eu e alguns meninos da minha idade jogávamos sempre futebol e teve um dia, um iluminado que apareceu, um bêbado e ele disse que ia mostrar umas coisas que nós não sabíamos fazer e deu um mortal! Lógico que, como ele estava muito bêbado, caiu, mas depois daquilo nós falamos: “Nossa, é isso!”. Aí começamos pegar areia de um canto e de outro, de um vizinho aqui, de outro ali, para poder treinar mortal. Eu deveria ter uns 10 anos. Tudo isso aconteceu em Fortaleza. Passado algum tempo, eu me mudei. Meu pai ficou desempregado, nós vendemos a casa, fomos morar em outro bairro perto da Serrinha e lá, quando eu cheguei, eu não estudava, devido a problemas com papéis e tal… E, na verdade, eu também não queria naquela época. Então, eu e meus irmãos ficamos sem estudar um tempo. Meu irmão sempre existiu e esteve presente na minha vida! No mortal, na capoeira, em todos os momentos. E aí, chamei ele e disse que deveríamos ir atrás, naquele bairro, de algum lugar que tivesse Breaking, pois não poderíamos ficar parados. Então, descobrimos o “Programa Escola Aberta”, foi ali que tudo começou. Era como se abrisse a escola no final de semana, jovens e crianças podiam ter contato não só com o Breaking, mas com o Totó (Pebolim) e várias brincadeiras de criança. Eu ia pelo Breaking mesmo. Mas eu ia olhar. Eu sempre fui assim, de olhar primeiro, de observar, ver como é a movimentação, treino em casa e depois fazia fora. Mas foi após o meu filho nascer e eu me ver sem estrutura que realmente eu vi que aquilo era pra mim. Eu sempre tive disciplina, desde cedo e quando meu filho nasceu eu vi que precisava fazer alguma coisa, então, foquei no que eu mais gostava, que era dançar. E, em 2015, comecei a participar de muitos eventos, o primeiro evento foi o “Intime”, da Igreja Bola de Neve, “1vs1”, que dava vaga para um outro evento em Exu, em Pernambuco, com tudo pago. Eu ganhei e fui para lá. E isso foi muito marcante, a primeira vez que participei, ganhei e fui para uma outra cidade que ganhei também. Então, eu vi que era isso mesmo que eu deveria escolher na minha vida. Em 2015, eu saí ganhando todos os eventos. Eu tinha apenas 16 anos.
BW: Houve pessoas que foram referências para você na dança? Alguém te ensinou a dançar Breaking?
B-Boy Bart: Que me ensinou a dançar, não. Existiram aquelas pessoas que me davam um toque, falavam de um movimento… Agora, um treinador, não! Inspiração? Desde 2005, o Pelezinho foi um furacão que aconteceu.
BW: Como sua família via a sua relação com o Breaking? Você teve apoio da família?
B-Boy Bart: No começo, não tanto. Para eles, eram só pulos. Eles não tinham noção no que ia dar tudo isso. Só tiveram quando eu comecei a competir e ganhar! Mas, também, eles não falavam nada, mas para eles era perda de tempo.
A influência do Kung Fu e da Capoeira foram fundamentais para a criação do estilo próprio de dança do B-Boy Bart
BW: No tempo de aprendizado do Breaking houve dificuldades ou movimentos mais difíceis de aprender? Quais? Como foi a sua preparação para chegar onde chegou?
B-Boy Bart: Tiveram momentos que realmente foram mais chatos, principalmente nos freezes. Toda pessoa que dança Breaking tem um lado mais forte, no meu caso, foi fazer os movimentos nos dois lados. Para passar de um lado que era mais forte para o outro foi trabalhoso, porque até eu poderia ficar torto fazendo os movimentos só de um lado. Essa transição de aprender fazer as coisas para os dois lados foi muito chata, mas necessária. Tipo Chair, doía muito! Na hora do treino eu não sentia, mas depois doía muito! Mas eu precisava chegar no meu objetivo.
BW: Em outras danças é bem normal escutar os dançarinos falando de dor aqui e dor ali. Meio que faz parte da vida do dançarino… Como você vê isso?
B-Boy Bart: Sim, a dor caminha junto e faz parte da vida de quem dança. Sempre que um B-Boy ou uma B-Girl ganha um evento, você vai ver depois: parece que houve um esgotamento. Toda hora tem dor e tem que dançar sempre mais do que dança. É real! É necessário superar os limites para ser campeão! A dor significa muitas vezes que você está chegando perto dos seus objetivos!
BW: A maioria dos seus movimentos são de impacto, de poder. Como você prepara o seu corpo para isso?
B-Boy Bart: Eu treino normalmente com a galera do meu grupo e também treino com a galera de outros grupos. Mas penso que o que me diferencia é que eu já chego no treino treinado. E saio do treino ainda tem mais um pouquinho de treino. O Breaking é o meu estilo de vida. Eu acordo cedo, faço alongamento. Dia sim, outro não, eu corro. Eu sou vegetariano, comecei com vegano três anos atrás. Antes dos eventos, fazer a dieta vegana ajuda muito! A diferença no rendimento é muito rápida, esse tipo de comida traz leveza, mais explosão, define muito mais a musculatura. Mas de vez em quando podemos sair um pouco disso e comer coisas boas, merecemos isso (risos). Mas nunca antes de evento.
Bart e Leony se tornaram grandes amigos e têm representado o Brasil em diversos torneios internacionais
BW: Em 2018, você foi campeão brasileiro do Red Bull BC One, nos conte o que você sentiu naquele momento que saiu o resultado? Passou um filme na cabeça? Para você já era algo esperado?
B-Boy Bart: Esperado não era, mas eu tinha uma intuição que poderia acontecer e quando aconteceu, eu falei: “Caramba eu vou para Zurique!”, e pensei, “vamos ver o que é o Breaking do outro lado do mundo”. Naqueles dias, a Europa estava com muito Breaking! Para mim, batalhar com outras pessoas, até com a dança maior que a minha, me levou para um outro nível. Foi algo empolgante demais! Eu treinei com eles, eu comi com eles e o Leony estava lá comigo, me motivando, naquele evento ele foi Top 16. Então, ele falava: “Vamos lá, falta mais um!”. Ele é um cara muito amigo, humilde e ele fez eu me sentir mais seguro, porque eu estava em outro país, só tinha ele, então, ele me dava força. Tinha também Pelezinho e Neguin, mas não estavam perto, não tinha como ter uma conexão.
BW: Bart, você tem a experiência de ser dançarino da internacional Flying Steps. Como foi sua entrada na companhia? Fale um pouco do tempo junto com os outros dançarinos, dos ensaios, dos espetáculos antes da pandemia e o que você faz para atingir o seu melhor desempenho.
B-Boy Bart: Sim, eu trabalho com eles e com uma outra da Alemanha. Quando comecei, eu já cheguei chegando, tinha 45 shows para fazer. Nesse mundo, tem uma séria de coisas, tinha uma orquestra tocando ao vivo, tinha bonecos gigantescos, tivemos 1 mês e meio para criar tudo. Era de segunda a sábado, de 8h até 19h ensaiando. Nesse tempo, eu não falava muito inglês, mas depois de 1 semana, eu me virei e ainda eu morava com três deles, então, nós só pensávamos na dança, no espetáculo e no que íamos fazer. E isso me ensinou muito a ser regrado, a ter paciência com processos de montar movimentos. Eu consegui trazer isso também para o meu Breaking. Pra mim também! Eu estava treinando para batalhas futuras e estava mesclando tudo. A experiência foi muito boa! Foram 45 espetáculos e muito ensaio. Foi um grande aprendizado, único na minha vida, que guardo até hoje.
BW: Você falou que muita coisa você levou para o seu Breaking. Qual a importância de diversificar movimentos, de buscar algo novo e trazer coisas diferentes para as sessions?
B-Boy Bart: É muito importante você ter um arsenal gigantesco de movimentos. Porque você mostra confiança, atitude e personalidade na dança. Hoje já se olha a execução dos movimentos nos eventos. Com a possibilidade de você colocar tudo que traz na dança, você chega mais perto do ser original, mostrando variações.
Na Europa, 45 shows, ensaios e muita experiência (na foto o espetáculo com a Flying Steps)
BW: Em 2019, você participou do mundial da Red Bull em Mumbai, na Índia, junto com mais 2 brasileiros. No seu caso, você foi convidado pela organização a entrar diretamente na decisão, como um dos finalistas ‘wildcards’ do evento. Como foi sua participação? Nos fale sobre o resultado e suas impressões.
B-Boy Bart: Três semanas antes desse evento, eu tinha participado de um outro na Bélgica e eu já sabia que estaria no Top 16 da Red Bull em Mumbai, em 2019. E eu tinha que destruir na Bélgica para eu chegar em Mumbai. E foi o que aconteceu, eu cheguei na final na Bélgica e foi totalmente gratificante, muita gente assistiu e aquilo levantou o meu astral. E cheguei na Red Bull mais tranquilo, estava tudo muito fresco na minha cabeça, por mais que a pressão seja muito, mais muito grande mesmo… a pressão psicológica é muito alta, mas eu me senti bem. Cheguei lá, perdi para o Killa Kolya na semifinal, no ano de 2018 eu ganhei dele. Então, eu cheguei na semifinal achando que ia para a final, pois eu já tinha ganhado dele. Eu perdi, mas nós estamos ainda no 1 a 1 (risos). Ainda tem muita coisa pela frente na próxima para ganhar!
BW: E falando de tempo… Que tempo sobra para sua família? Você tem filho! Como administra tudo isso?
B-Boy Bart: É um mix de coisas! Nem todos os dias são iguais e fazemos o estilo brasileiro mesmo (risos). Eu tento estar com a minha família e ao mesmo tempo treinar. Meu filho tem 5 anos e é bem tranquilo. Deus mandou a criança perfeita para mim! (risos). Quando ele vê que cheguei de viagem, sempre vem “papai, trouxe alguma coisa para mim?”, ele já pratica alguma coisa de capoeira, mas no tempo dele…
BW: Bart, muitos B-Boys e B-Girls brasileiros não vivem da dança. Que conselhos você pode dar para quem pretende viver da dança?
B-Boy Bart: Planejamento. Planejamento é tudo! Saber o que você vai fazer, como você vai ganhar dinheiro e manter o foco. Tem que participar de eventos, afinal, eventos são vitrines. Você tem que batalhar. Planejar o seu ano tipo um ano antes. É algo fundamental!
Em 2018, Bart chegou na semifinal da Red Bull BC One, na Índia, disputando com Killa Kolya uma vaga na final
BW: O que você tem feito em todo esse tempo de pandemia? Como tem treinado? Como acha que será o “novo normal” da vida de um B-Boy ou de uma B-Girl pós-pandemia?
B-Boy Bart: Eu tento fugir da depressão, tento me manter feliz. Estou no Brasil, em Fortaleza, morando com a minha noiva, continuo treinando dia após dia, colocando minha mente em outras coisas, como redes sociais, YouTube, navegando e estudando áudio visual, cuidando da minha casa e treinando mortal.
BW: Sim, falando sobre o mortal, é verdade que os gringos quando veem os brasileiros dançando, eles aguardam o mortal? Como uma marca nossa?
B-Boy Bart: Eu acho que é porquê temos muitos B-Boys capoeiristas. Isso é Brasil! Eles já esperam por causa disso, seja como Pelezinho, Neguin ou Bart. Eles sabem que com nós é mais embaixo (risos).
BW: Muito tem se falado de Breaking nas Olimpíadas. O que você acha sobre isso? Algumas pessoas criticam e falam da possibilidade de se perder a essência da cultura por ser, agora, também um esporte. Como você vê isso?
B-Boy Bart: Eu vejo como uma evolução, na verdade, não acho que seja positivo e nem negativo, é somente algo do mercado. Isso já vem acontecendo tem muito tempo. O R16, todos esses eventos que tem, são em ritmo de Olimpíada, de ranking. Existe o ranking de B-Boys tem muito tempo. A Olimpíada entrou para apimentar ainda mais a competição. Acho que nada vai mudar… Como no futebol existem pessoas que jogam pelada e existem pessoas que jogam nos mundiais. Então, acho que vai melhorar muita coisa!
Para Bart, os brasileiros são fortes candidatos a medalhas nas Olimpíadas de Paris 2024
BW: Como você imagina que será para um B-Boy ou uma B-Girl dançar numa Olimpíada? Como a nova geração deve se preparar para isso?
B-Boy Bart: Aqui nós somos ainda muito samba. Estamos ainda presos em algumas perguntas: tem isso? Tem aquilo? Tem incentivo? O pessoal lá fora está se preparando, enquanto aqui temos que ser competidor e também ensinar, talvez isso aconteça com a nova geração… Será que respondi essa pergunta?!?
BW: Bart, seu nome tem sido lembrado o tempo todo na imprensa e nas grandes mídias. Então, vou direto ao ponto: Você se sente preparado para representar o Brasil numa Olimpíada e trazer uma medalha para casa?
B-Boy Bart: Estou sim! (risos). Eu venho me preparando para isso. Vejo o Breaking como um jogo de xadrez, tem que usar a cabeça e muita estratégia. O momento conta muito! Mesmo que eu não tenha treinado no dia anterior, eu não fico mais do que uma semana sem treinar. Nas oportunidades, precisamos estar “okay” e eu estou preparado!
BW: Na sua opinião, temos mais brasileiros preparados para o pódio?
B-Boy Bart: Sim, temos! O Brasil é potente no Breaking, todo brasileiro tem uma chavezinha que mostra algo a mais.
Foco, concentração, determinação, planejamento: “Estou pronto para as Olimpíadas!”
BW: Quais são seus planos para o futuro?
B-Boy Bart: Praticar Breaking, participar de eventos, voltar a fazer shows na Europa e me manter preparado para as Olimpíadas! O meu foco agora é esse! Estou rezando para que tudo volte ao normal.
BW: Que mensagem você deixaria para os B-Boys, B-Girls do Brasil? E o que você diria para a nova geração do Breaking que o tem como uma grande referência?
B-Boy Bart: Nossa, que pergunta! Preciso pensar… Complicado inspirar as pessoas… Penso que o Breaking deva ser passado para a nova geração, quanto mais passado, mais vamos fortalecer o Brasil. Mas aconselho que tenham planejamento, que sejam persistentes e teimosos, sempre treinar além do que já existe e do que se vê: é isso!
Fotos: Arquivo Pessoal
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O Breaking virando modalidade Olímpica irá proporcionar boas oportunidades para a cena, que sempre foi vista como marginalizada no Brasil. Se não for trabalhado seriamente e por pessoas competentes, nada vai mudar e a tendência é se tornar como muitas modalidades olímpicas, na qual os atletas passam por muitas necessidades financeiras e acabam abandonando a carreira profissional. Ter uma equipe unida, experiente, igualdade de recursos para todas regiões, implantar um projeto de disseminação para todo o país nas periferias ou em escolas públicas, que se encontram grandes talentos e criar um centro de treinamento com profissionais capacitados: o Brasil poderá se tornar referência nessa modalidade.
Os organizadores do “Paris 2024” disseram que seu objetivo era incluir “modalidades que podem ser compartilhadas nas mídias sociais, que são um meio de se locomover, formas de expressão, estilos de vida por direito próprio, praticadas todos os dias, nas ruas e em outros lugares”.
Por que vai se tornar um esporte olímpico?
Breaking é uma arte e nunca vai deixar de ser, mas também não podemos negar que seus adeptos têm característica atlética, o desempenho físico é fundamental para se tornar uma B-Girl/B-Boy de alto nível, além das competições serem muito semelhantes com campeonatos esportivos oficiais. Sua dimensão criativa e artística torna essa dança alegre, original e atrativa para o público de todas as faixas etárias.
“Breaking nos Jogos Olímpicos” chegaria a mais pessoas, as crianças e jovens estariam mais interessados nos eventos a nível cultural e esportivo, consequentemente o apoio da família. Assim, o Breaking trará um impacto positivo cultural e esportivo, o que promoverá seu desenvolvimento e disseminação a nível global.
O Breaking tem seus valores que levaram a uma modalidade “sustentável e socialmente responsável”, que não exigem instalações permanentes; é culturalmente relevante para a França, que consta mais de 1 milhão de dançarinos, segundo os organizadores de Paris 2024.
É tradição. A cada edição dos Jogos Olímpicos, o país anfitrião incorpora novas modalidades ao Jogos. Paris 2024 incluíram Surfe, Escalada Esportiva, Skate e o Breaking. Essas modalidades foram uma grande estratégia do Comitê Organizador, em prol de rejuvenescer seu público e conectar-se com os esportes de sucesso em todo o mundo para trazer para os Jogos uma dimensão mais urbana, esporte natural, mais artística. O “OCOG” fez sua escolha entre uma lista de 37 esportes reconhecidos pelo COI, com a restrição de não exceder 10.500 atletas, o que limitaria as chances de esportes coletivos e não envolveria novas construções de equipamentos de longa duração, enquanto atrai as gerações mais jovens e contribuía com o meio ambiente.
O programa olímpico já está saturado de esportes inconvenientes, que não são massificados, que não vendem ingressos, que não têm uma legião de fãs. Mas que continuam lá por tradição. Vide Pentatlo Moderno, Nado Sincronizado e tantos outros. Só as modalidades “fixas” usam mais de 10 mil das 10.500 credenciais de atletas, teto por edição. Sobram 500 vagas, que o COI e os organizadores de Paris-2024 tentam otimizar. O Breaking terá 16 competidoras B-Girls e 16 competidores B-Boys a partir dos 16 anos de idade, não tendo idade máxima, porém todos os competidores precisarão estar federados e ranqueados, no total, 32 atletas, que é pouco mais que o tamanho de um único time de beisebol, formado por 24 atletas. A modalidade Breaking representa um investimento menor em comparação com outras modalidades.
Uma das obsessões das cidades que sediam os Jogos Olímpicos é a infraestrutura: muitas instalações e ginásios sendo abandonados depois dos jogos e as novas modalidades inclusas não terão esse imenso prejuízo para o cofre público e também irão chamar a atenção da mídia mundial, atraindo uma legião de fãs, seja com a venda de ingressos, seja pela televisão ou pelas redes sociais.
Por mais artístico e espetacular que seja, o Breaking atende a todos os critérios impostos pelo COI, cerca de quarenta. Para integrar a lista de esportes reconhecidos, precisa de regras bem explicadas, de uma federação presente em pelo menos quatro continentes.
Um teste já foi feito, muitíssimo bem sucedido. O Breaking foi disputado nas Olimpíadas da Juventude de Buenos Aires, no ano de 2018. A competição aconteceu em uma estrutura montada no Parque Madejos, um dos locais mais movimentados e de atmosfera jovem da capital Argentina. Lá foram disputadas também as modalidades de Escalada, Basquete 3×3 e BMX Freestyle: essas duas disciplinas vão estrear em Tóquio-2020/21. Paris, referência mundial em turismo, sabe cuidar do visitante como ninguém. A candidatura já foi desenhada para que as competições ocorram em locais já de intenso fluxo de pessoas, integrando as competições com a cidade e seu entorno. A Olimpíada de Paris tem tudo pra ser a mais legal da história dos jogos.
A competição de Breaking em Paris será organizada pela World Dance Sport Federation (WDSF), que é reconhecida pelo COI há mais de 20 anos como a entidade responsável pela dança esportiva mundial. Especialista principalmente na dança de salão, seja clássica ou em ritmos latinos, ela agora terá que se renovar para abraçar melhor o Breaking e não fazer mudanças bruscas, para não descaracterizar a dança e sua essência, acredito que não vai se descaracterizar e sim acrescentar novos formatos de competição, com boas estruturas e um olhar a mais para as B-Girls e B-Boys.
Esse é o desafio dos próximos quatros anos, dar um caráter esportivo, organizado, para o que historicamente é arte, é cultura. Da mesma forma, os atletas que quiserem competir em Paris, terão que se federarem. É um processo longo, no qual ambos ganham. Ganha o movimento olímpico, cada vez menos careta. Ganha o Breaking, com visibilidade e reconhecimento.
Há um único motivo para que o COI não avance com o Breaking para Paris2024. É a não organização de competições oficiais, não é à toa que a WDSF teve que organizar às pressas o primeiro mundial “oficial” no ano de 2019, contudo se a WDSF não se unir e apoiar os eventos já existentes, mostrará que a modalidade não estará preparada para se migrar aos Jogos Olímpicos. É preciso existir uma base sustentável. Eles esperam criar uma base que torne essa modalidade bem-sucedida a longo prazo.
O formato de “batalhas”, no qual os participantes eliminam seus oponentes para avançar a fase seguinte em uma competição, bem como a atmosfera festiva, vibe nas cyphers e durante as batalhas, contribui para a popularidade dos eventos de Breaking no cenário internacional e essas características são importantes para o COI
Critérios de julgamento
Baseado nos Jogos da Juventude (Buenos Aires 2018). Como foi um evento teste e bem sucedido, toda a competição foi um laboratório para que a entidade responsável, WDSF, pudesse apresentar o projeto para que o Comitê Organizador de Paris2024 aprovasse o Breaking como modalidade Olímpica, desde piso, formato das batalhas, quantidade de competidores (as), arbitragem (jurados) e o sistema de arbitragem foram à teste. A WDSF lançou seu manual de regras e regulamentos oficiais para os Jogos Olímpicos da Juventude de 2018, em Buenos Aires. Este manual inclui o sistema de julgamento que poderá ser usado em Paris 2024, é claro com reajustes.
Irei apresentar o formato que foi utilizado nos Jogos Olímpicos da Juventude em 2018.
Niels “Storm” Robitzky e Kevin “Renegade” Gopie, duas figuras respeitadas na cena, no manual informa que eles foram os mentores na criação do sistema de julgamento. Ao ver imagens do sistema, ele ainda possui “falhas” perceptíveis que o tornam mais um trabalho em andamento do que um produto final, contudo ao passar do tempo será bem mais fácil de trabalhar com esse sistema.
Eles o chamam de “Trivium Value System”, um nome que sugere os três principais critérios do sistema: Corpo, Alma e Mente. Seguindo os critérios atuais, serão compostos da seguinte forma:
Corpo, Qualidade Física: composto por Técnica (20%), Variedade (13,33%);
Alma, Qualidade Interpretativa: composta por Performance (20%), Musicalidade (13,33%);
Mente, Qualidade Artística: composta por Criatividade (20%), Personalidade (13,33%).
Cada juiz move seis controles deslizantes em um tablet portátil para classificar os atletas (B-Girl/B-Boy) em cada um desses critérios. Também existem outros fatores, como escorregões ou falhas, que podem afetar as pontuações.
B-Girls/B-Boys são avaliados por entradas, sendo duas entradas mais um intervalo de 1min30seg e mais duas entradas. As pontuações são calculadas e exibidas por meio de um sistema digital desenvolvido por “and8”: vence uma batalha quem marcar mais pontos somadas as 4 entradas, veja a imagem abaixo da tela do dispositivo portátil de um juiz (jurado):
O que será avaliado: técnica, variedade de movimentos e ou passos, musicalidade, criatividade, execução, personalidade entre outros. Algumas faltas que poderão tirar pontos ou até mesmo eliminar da competição: “Bite” (risos), erros, contato intencional e desrespeitar ao oponente, nesses dois últimos terão 3 advertências para assim ser decretada a eliminação da competição.
Não existe um código preciso para os movimentos que o dançarino fará: ele é completamente livre. O Breaking tem uma grande parte artística, que é obviamente levada em consideração pelos jurados em cada um dos critérios avaliados mencionados acima.
A WDSF irá lançar um curso de arbitragem até final do ano de 2021, um grande avanço para o Breaking e assim acabar com a famosa “panela” que existe, seguindo o sistema das outras modalidades esportivas, os árbitros também poderão ser ranqueados.
Para conquistar uma vaga nos Jogos Olímpicos 2024
O Comitê Olímpico Internacional (COI) fornecerá à WDSF as diretrizes do sistema de qualificação em 2022 (as diretrizes são as mesmas para todos os esportes nas Olimpíadas e cada Federação internacional deve adaptar o sistema de qualificação de acordo com a especificidade de seu esporte), então, caberá ao WDSF propor o formato de qualificação para o Paris 2024, que deverá ser aprovado pelo COI antes de ser oficialmente publicado. Provavelmente haverá entre 4 a 6 eventos de Breaking renomados que serão parceiros para as qualificações, parecido como foi a qualificação para os Jogos Olímpicos da Juventude 2018. Então só teremos 100% de certeza de como e quais eventos irão dar vaga para o tão sonhado ouro olímpico após a divulgação oficial do COI que está prevista pós os jogos de Tóquio. Outro ponto que a WDSF irá fazer é um sistema de ranking, tendo como exemplo outras modalidades esportivas, as B-Girls/B-Boys não necessariamente precisarão ser campeões desses campeonatos, o importante é estar ranqueado entre os 16 “melhores” do mundo, conquistando pontos nos campeonatos, pegando colocações como primeiro, segundo, terceiro e quarto…
O Breaking brasileiro tem nível elevado, que são capazes de conquistarem as medalhas, o nosso principal obstáculo é a falta de estrutura, planejamento e financeiro. Muitos desses dançarinos(as) (atletas) têm outros trabalhos para se manterem, diferente de outros países como EUA, Rússia, Japão, Coréia e muitos países europeus, na qual os dançarinos (as) vivem do Breaking, têm boas estruturas, treinadores e patrocínios. Para concluir, gostaria de entrar em um assunto: muitos estão falando que ginastas iam se migrar para o Breaking… eles até podem, mas pouco provável que irão conseguir uma vaga olímpica, pois os ginastas treinam sistematicamente desde crianças e o Breaking é totalmente oposto, o Breaking em primeiro lugar é uma arte, é livre, cada dançarino (a) tem seu estilo, carisma, criatividade, flavor, com a vibe do público, interpretar seu sentimento conectado com as músicas e com o DJ, um ginasta não tem essas características, que são fundamentais para a formação de uma B-Girl/B-Boy, pois isso acaba sendo natural para quem é da cena, e serão avaliados por B-Boys e B-Girls experientes que conhecem a nossa dança como ninguém, então, não se preocupem com isso e trabalhem para que o Breaking do Brasil seja bem representado.