A WDSF (World Dance Sport Federation) e a Federação Chinesa de Dança Esportiva anunciaram que o Campeonato Mundial de Breaking será realizado em 20 de junho de 2021. A competição estava originalmente programada para ocorrer em agosto de 2020, mas foi adiada devido à pandemia do novo coronavírus. Foi decidido que o campeonato permanecerá no Lishui Sports Center, na cidade chinesa de Nanjing.
“O sucesso do “Breaking World Championships” de 2019, em Nanjing, nos dá grande confiança em nossos anfitriões chineses, que pretendem organizar um evento ainda mais espetacular no próximo ano. A saúde dos competidores, organizadores e fãs continua sendo nossa principal prioridade, é claro, e estamos comprometidos em trabalhar com os organizadores locais para garantir as melhores e mais seguras condições possíveis. A WDSF continuará monitorando a situação do coronavírus em todo o mundo e seguindo as recomendações do Comitê Olímpico Internacional, da Organização Mundial da Saúde e do governo chinês em relação à organização da competição”, disse o presidente da WDSF, Shawn Tay.
Informações detalhadas sobre os prazos atualizados e os procedimentos de qualificação serão anunciados nos próximos meses. A japonesa B-Girl Ami e B-Boy Menno, da Holanda, são os atuais detentores dos títulos mundiais feminino e masculino, tendo triunfado em Nanjing no ano passado.
O Breaking está previsto para se tornar um esporte olímpico nos Jogos de 2024, em Paris.
Fotos: Divulgação
B-Boy Menno conquista mais um campeonato
B-Girl Ami em ação no Campeonato Mundial de Breaking da WDSF
B-Girl Ami foi a grande vencedora do feminino
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Não era coisa de uma moça de família vestir agasalho da Adidas, tênis com cadarços grossos e coloridos e andar acompanhada de uns 20 homens em plena luz do dia na década de 80. Por um outro lado, para ser respeitada na cena, já dizia Dina Di em algumas entrevistas, era importante passar uma imagem masculina para ter respeito, ter que seguir um tipo de vestimenta e postura, pois só dessa forma seria verdadeiramente vista e levada a sério, coisa que jamais aconteceria se a mina tivesse uma postura mais doce e usasse vestidos.
Enfrentar o preconceito, esconder tudo da família, escolher as calças ao invés dos vestidos: era resistir a tudo e a todos! Encarar olhares críticos da sociedade, os machistas que falavam o tempo todo muitas vezes sem dizer uma única palavra, não era para qualquer uma! Não, não era! Mas sim para as guerreiras, verdadeiras “Divas do Hip-Hop”!
No elemento Breaking elas também escreveram história e mesmo não sendo a maioria até hoje, sempre deixaram a cena mais bonita, viva e completa!
O Portal Breaking World apresenta uma entrevista exclusiva com a B-Girl Kika Maida, também conhecida como a primeira B-Girl do Brasil. Vale conferir:
BW – Fale onde nasceu. E quando teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop?
Kika Maida – Nasci em São Paulo, Brasil e meus pais são bolivianos, minha mãe, dona de casa e meu pai, era ourives e cantor de bolero. Minha infância foi muito tranquila, na época eu era muito tímida. Na adolescência, eu dançava Funk de James Brown, meu primeiro contato com a Cultura Hip-Hop se iniciou em meados do anos 1980, quando conheci um grupo de dançarinos na Estação Tiradentes do Metrô. Eu os vi dançando e fiz amizade com eles. Nesse mesmo dia, os “urubus” pediram para nós sairmos do Metrô Tiradentes. Foi aí que o João Break teve a ideia de irmos para a São Bento. Quando conheci a São Bento, meu coração dizia: “É aqui que temos que ficar”. Foi dessa forma que surgiu a São Bento e tudo que conhecemos hoje!
Kika Maida na São Bento. Ao fundo, DJ Gato Magro e DJ Ninja
BW – Com quem aprendeu a dançar Breaking? E quantos anos tinha? Quem eram suas referências na dança naquela época?
Kika Maida – Com 14 anos, eu aprendi a dançar Breaking vendo os meninos dançarem. Os B-Boys eram o João Break, Luizinho, Wilson, Hélio, Paulo Cabeção e o Deilton. Eu não tinha nenhuma referência na dança, com o tempo apareceu o filme “Beat Street” no cinema e aí conheci a Baby Love.
BW – Uma mulher que estava no meio de tantos homens dançando Breaking. Como sua família via isso naquela época?
Kika Maida – Minha família nunca soube que eu andava com 20 meninos.
BW – Você sofreu algum tipo de discriminação fora e no meio do Breaking por ser B-Girl?
Kika Maida – Na sociedade eu era, sim, discriminada, por dançar o Breaking, por andar de agasalho com vinte homens. A maioria dos B-Boys me tratavam como uma irmã, cuidavam de mim. Já outros B-Boys ficavam na deles, só observando!
BW – Como era sentida a presença de uma mulher, de um B-Girl no meio da roda de Breaking?
Kika Maida – Alguns B-Boys me admiravam, outros me ignoravam. Mas a maioria gostava muito da minha presença e admirava a minha coragem, num tempo bem diferente do que vivemos hoje.
Kika Maida hoje é rapper e dá palestras
BW – Alguma vez você sofreu algum tipo de assédio? Esse problema é antigo entre B-Boys e B-Girls?
Kika Maida – Nunca sofri assédio pelos seguintes motivos: eu tive uma educação e foi muito rígida. Eu era bem séria e ficava rodeada de homens que me respeitavam.
BW – Muitas mulheres do Breaking reclamam de serem conhecidas como a mulher do B-Boy “X” ou a mulher do B-Boy “Y”, mas quase nunca pela própria história. Isso aconteceu com você?
Kika Maida – Sim, no passado. Antigamente, sim, eu era conhecida por ser a mina do Thaíde. Hoje não. Eu sou a Kika Maida.
“Back Spin Crew”
BW – Fale da sua Crew. Quantas pessoas tinha? E como eram aqueles dias da efervescência do Breaking da década de 80?
Kika Maida – Minha Crew era a “Back Spin”, éramos 9 dançarinos. A década de 80 foi o auge do Breaking, então, todos queriam dançar achando que seria uma modinha. Houve momentos emocionantes, como rachas entre Crews, mas também houve muitas brigas. Um momento que marcou muito para mim foi o “racha” da “Back Spin” contra “Nação Zulu” na São Bento, eu fiquei nervosa, pois a Crew “Nação Zulu” dançava muito. Os rachas sempre eram emocionantes!
BW – Como eram os encontros na São Bento, como era a vibe? E como a sociedade reagia a tudo isso?
Kika Maida – Os encontros da São Bento eram emocionantes. Eu não via a hora de chegar sábado para me encontrar com os meninos. Com o passar do tempo, a vibe foi ficando cada vez melhor, pois havia mais B-Boys frequentando a São Bento e, dessa forma, tínhamos mais informações, mais conhecimento, novos movimentos de dança, mais amizades. A sociedade nos olhava de forma crítica, pois nós usávamos agasalho e, nessa mesma época, os malandros que hoje são chamados de “noias” também usavam agasalho. Mas éramos dançarinos de fim de semana e durante a semana nós éramos trabalhadores. Nos anos 80 você não via B-Boy fumando ou bebendo. Éramos “geração saúde”.
Rose MC e Kika Maida no encontro da São Bento
BW – Que outras mulheres faziam parte da cena naquela época? Pode citar algumas que fizeram história aqui em São Paulo?
Kika Maida – No ano de 1980, não havia mulheres dançando Breaking no Brasil. Em 1987, entraram duas B-Girls na “Back Spin”, que se chamavam Celina e Renata. Nesta mesma época, conheci a Baby da “Fantastic Force” e a Bety também, que dançavam muito bem.
BW – Muitos B-Boys do passado sofreram agressões da polícia. As mulheres também passavam por isso?
Kika Maida – Nunca tive problema com a polícia. Quando eu voltava com os meninos das baladas, os policiais nunca me tocaram.
Kika Maida recebe homenagem na São Bento
BW – Me fale um pouco sobre o modismo da época e como as B-Girls se vestiam para dançar naqueles dias?
Kika Maida – Na década de 80, nosso modismo era um agasalho da Adidas, além de um tênis da Adidas com cadarço colorido e grosso.
BW – Você chegou a se relacionar com alguém da cena? A namorar?
Kika Maida – Namorei com o rapper Thaíde, eu era muito guerreira e eu o ajudei a chegar onde chegou, também fui casada com uma pessoa que não era do Breaking.
BW – Você teve filhos? Como foi essa parada para ser mãe? E depois, como retornou ao Breaking?
Kika Maida – Tenho uma filha chamada Stella, não foi fácil cuidar dela, pois chorava o dia inteiro, mas ser mãe é deixar algumas coisas de lado e viver plenamente para os filhos. Foi isso que fiz e essa é a experiência que tenho. Me separei do pai da minha filha e veio na minha mente a ideia de voltar a rever os amigos, ouvir as músicas que tanto amava. Um belo dia, andando no centro da cidade, vi três crianças pedindo dinheiro ou comida e eu somente olhei e não contribuí com nada… Decidi, então, mudar de profissão para ganhar mais e ajudar o próximo. Decidi ser rapper. Dessa forma voltei para a cena.
BW – Passado os anos, como você vê as B-Girls e os B-Boys atuais da nova geração? Muita coisa mudou?
Kika Maida – Vejo os dançarinos como se fossem meus filhos, com muito orgulho… Mudou tudo! A forma de dançar, as roupas, antes era racha hoje é competição, antes era intuição hoje é conhecimento, antes era papelão hoje é decorflex. Antes era rua agora é academia e eventos. Enfim tudo mudou!
BW – Que lembranças guarda de dias que não voltam mais?
Kika Maida – Em 1987, eu e minha Crew “Back Spin” e a “Nação Zulu” participamos de um seriado no canal dois, chamado “Luci Puma: a gata da pesada”. Em comemoração a esse seriado, os cariocas pagaram para as duas Crews passagem e hotel para ficarmos dois dias no Rio de Janeiro, pois haveria uma grande festa. Chegando na festa éramos 35 mais ou menos, havia inúmeros B-Boys cariocas, como uns 90. Abriram a roda e nos chamaram para um racha, São Paulo x Rio de Janeiro. Quando estávamos perdendo me jogaram na roda… E aí o que aconteceu? Dancei em cima e depois fui para o chão, todos me aplaudiram. Ficaram impressionados comigo! São Paulo venceu e naqueles dias da década de 80, eu fiz a diferença como B-Girl. Toda vez que eu me lembro desse acontecimento me emociono muito.
BW – O que significa o Breaking na sua vida?
Kika Maida – O Breaking para mim é tudo, envolve muito amor, paz e respeito.
Fotos: Arquivo Pessoal
Kika Maida fez história no Breaking brasileiro
Kika Maida fez história no Breaking brasileiro
Kika Maida fez história no Breaking brasileiro
Kika Maida fez história no Breaking brasileiro
Kika Maida fez história no Breaking brasileiro
Kika Maida fez história no Breaking brasileiro
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“No passado nunca se via um campeonato Kids ou um clipe de Rap com criança, creio que hoje está bem mais acessível para a nova geração e elas estão cada vez mais inseridos na cultura”. (B-Boy Thyaguin)
Ele é um pernambucano que vive em São Paulo e se destaca não só no Breaking e no Graffiti, mas principalmente no trabalho que faz junto às crianças do bairro de Perus.
Na última semana, a conversa foi com o B-Boy Thyaguin, que a convite do secretário de Cultura está à frente do projeto “Artistas Que Inspiram – Território Perus”, que é uma iniciativa do “Núcleo de Ação Cultural do CEU Perus” e busca divulgar os artistas e moradores do bairro, dando a eles visibilidade e voz.
Thyaguin reconhece que trabalhar com crianças é um desafio e é o idealizador do “Bomba Kids”, grupo formado pelas crianças de Perus que frequentam o CEU.
Veja a conversa na íntegra:
BW – Fale sobre suas origens. Onde nasceu e como foi sua infância?
Thyaguin – Nasci em São Paulo, porém, fui criado em Araripina, cidade do interior do sertão pernambucano. Tive uma infância normal, com muito apoio por parte da minha mãe em relação as coisas que sempre gostei, que foi a arte e cultura.
BW – Quando começou a ter contato com a dança e com a Cultura Hip-Hop?
Thyaguin – Em 2006, frequentava a “Igreja Universal”, onde um pastor fazia o moinho de vento (Windmill), aquilo me impressionou pois já fazia capoeira há mais ou menos uns 7 anos, daí por diante comecei a me aprofundar nesse universo, andando no estilo, usando umas roupas largas, bombeta e bandana (risos), porém, se intensificou através do meu primeiro contato com o Breaking, de uma apresentação de um grupo da cidade de Ouricuri (PE), chamado “DRS B-Boys”, na escola em que estudava.
B-Boy Thyaguin e sua quebrada
BW – Com quem aprendeu a dançar? Pessoas te influenciaram?
Thyaguin – Ahh…! Na minha vida tive vários professores, isso posso afirmar, muitos contribuíram para o meu aprendizado, um dos primeiros foi o Robson B-Boy Cachorra da Mulesta, o Júnior Baladeira e o falecido B-Boy Randall. Essas foram pessoas muito importantes no meu desenvolvimento com a dança, sou muito grato por todo o ensinamento.
BW – Você já ganhou vários eventos, fale um pouco da sua caminhada na dança e por que eventos passou?
Thyaguin – A dança para mim foi ganhando uma nova perspectiva com o passar dos tempos, antes era muito focado em estar participando das batalhas e estar sempre presente nos eventos, conquistando títulos, porém, com o passar do tempo, fui focando na minha evolução pessoal e familiar, mas tenho grandes memórias de batalhas incríveis que participei, uma das que mais me traz boas recordações foi a vez que fui convidado pela equipe da “Battle Of The Year” em Salvador, na Bahia, para estar entre os “Top 16”, ano em que conheci o Storm pessoalmente. Para mim foi inesquecível, pois no início o DVD que eu tinha era o Storm ensinando alguns fundamentos dos Footworks, que faço até hoje, daí passa alguns anos e você está lado a lado com o cara, até porque ele deu uma atenção para a galera e se mostrou muito humilde em compartilhar seus conhecimentos. Ah, sim, conquistei muitos títulos. Vou citar alguns:
– Campeão “América Latina Battle Of The Year 2014” (BOTY), evento que me deu a oportunidade de participar em um dos maiores campeonatos mundiais na Alemanha, representando o Brasil;
– Campeão “CT Battle B-Boys 1vs1 2015”;
– 1° Lugar Eliminatória “Circuito Arena Caieiras 1 vs 1”;
– Bi-Campeão “Battle SP 1vs1” 2017/2019;
– 1° Lugar “BBS 1vs1 em Bodocó PE 1vs1”;
– Campeão Eliminatória “B-Boy In Shangai 1vs1”;
– Campeão “Breaking Circuito Fábricas de Cultura 1vs1”;
– Campeão “Street Roots 2019”;
– Campeão “Boom Breaking 2018”;
– 3° Lugar “Edacra Exú-PE 1vs 1”;
– 2° Lugar “Ginga B-Boys e B-Girls em Recife-PE”;
– 2° Lugar “Brasil Super Battle em Brasília-DF”;
– 3° Lugar “Battle Brazil Eliminatória Battle Of The Year” (BOTY) – Vaga para final do mundial na França 1vs1;
– Campeão “Fest Battle em Minas Gerais 2016”;
– Campeão “The Killers Jova Battle 2017 SP”;
– 2° Lugar “Aniversário da Street Son 25 anos”.
B-Boy Thyaguin tem uma grande trajetória no Breaking
BW – Thyaguin, você tem um estilo diferente no Breaking. Fale da importância de se construir uma própria identidade na dança e como conseguir isso.
Thyaguin – Sim, ouço muito que tenho um estilo diferente, acredito que pelo meio cultural em que vivo e minhas pesquisas individuais, pois não me limito a apenas uma linhagem, sigo na procura por conhecimento e vertentes de distintos movimentos culturais, etnias e costumes de outros povos. Acho que essa é a chave, buscar ir além dos seus limites, claro, respeitando até onde você consegue, mas não se prendendo muito ao que o povo fala que é impossível, tudo é questão de força de vontade, se você quer, você consegue. E construir uma identidade na dança é essencial, como aquela frase: “todos os outros já existem, seja você mesmo, seja o diferencial”.
BW – E nos conte sobre o projeto “Artistas que Inspiram – Território Perus”, como surgiu o convite para participar desse projeto?
Thyaguin – O projeto “Artistas que Inspiram” é uma iniciativa do “Núcleo de Ação Cultural do CEU Perus” e busca divulgar os artistas e moradores do bairro, dando a eles visibilidade e voz. O convite surgiu através do novo secretário de cultura Nilton Moraes.
BW – Como é trabalhar com crianças e quais são os principais desafios? Como trabalha com elas na hora de passar conhecimento?
Thyaguin – Trabalhar com as crianças é um desafio a ser enfrentado diariamente, pois você tem que estar ali pronto pra ouvir e levar pra eles o melhor de você, são emoções e sentimentos compartilhados, é uma grande responsabilidade. Normalmente, trabalhamos sempre com temas específicos, dirigidos pela coordenadoria, procurando levá-los à realidade do lugar onde vivem e a importância da participação e envolvimento desde jovem na política pública.
BW – Fale sobre os talentos que você vem descobrindo e trabalhando com eles no bairro de Perus.
Thyaguin – Estou com um projeto em parceria com o “CCA Perus”, meu local de trabalho e que sou muito apoiado pela minha gerente Rosângela Azevedo e minha assistente técnica Elizabeth Guimarães, e daí lancei a proposta de criarmos um grupo de dança com os usuários do “CCA”, os mesmos já se familiarizaram com a prática, inclusive me acompanharam em alguns eventos, de onde surgiu a vontade deles também de montar uma Crew, denominada “Bomba Kids”.
Thyaguin e a “Bomba Kids”
BW – O trabalho é feito com o apoio das famílias? O que é necessário para participar do projeto? A partir de que idade as crianças podem participar?
Thyaguin – O “CCA” é “Centro para Crianças e Adolescentes” e a demanda é encaminhada e/ou validada pelo “CRAS – Centro de Referência de Assistência Social” de abrangência. O projeto tem como objetivo geral oferecer proteção social à criança e adolescente em situação de vulnerabilidade e risco, por meio do desenvolvimento de suas potencialidades, bem como favorecer aquisições para a conquista da autonomia, protagonismo e cidadania, mediante o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários. O desenvolvimento de atividades é feito com crianças e adolescentes de 6 a 14 anos.
BW – Além do Breaking, você também é atuante no Graffiti. Fale sobre essa arte? E quando você começou a se interessar por ela?
Thyaguin – Na verdade, desenho desde criança e Graffiti só me interessei a partir do ano de 2015, que comecei a praticar e aplicar as técnicas na parede.
BW – Você ensina Graffiti também?
Thyaguin – Sim.
Breaking ou Graffiti? Melhor dois do que um!
BW – Conversando, você falou da importância de dar voz à nova geração. Como você vê a nova geração do Breaking, ela tem tido voz?
Thyaguin – Creio que dar voz à nova geração é abrir espaços onde elas possam se expressar, seja com Dança, Graffiti, Rap, DJ ou qualquer outro tipo de manifestação artística cultural. Bom, pelo menos quando comecei a dançar e até há alguns anos após, quase nunca se via um campeonato Kids ou nunca um clipe de Rap com crianças cantando, e por aí vai, creio que hoje está bem mais acessível para a nova geração e elas estão cada vez mais inseridas nesse meio.
BW – Na sua opinião, os eventos que existem atualmente valorizam a nova geração?
Thyaguin – Alguns sim.
BW – Você também está à frente do evento Colisão Cypher. Fale sobre esse evento?
Thyaguin – Então, esse evento surgiu da vontade de querer fazer algo realmente voltado à nova geração, principalmente dar acesso aos meus alunos e algumas crianças que curtem a Cultura Hip-Hop, porém, não têm recursos para estar se deslocando para os eventos que acontecem em outros lugares de São Paulo.
BW – Com a pandemia, vários eventos foram cancelados. E no lugar surgiram os eventos on-line. O que você acha sobre esses eventos e sobre essa nova realidade enfrentada pelos B-Boys e B-Girls de todo o mundo?
Thyaguin – Bom, eu acho que diante de tudo que aconteceu, a única maneira é se adaptar, mas não curto muito não, acho que não dá para transmitir a mesma energia que um evento presencial.
BW – O que significa o Breaking para você?
Thyaguin – Estilo de vida.
BW – Quais são seus planos para o futuro?
Thyaguin – Dar continuidade aos meus projetos, trabalhar, estudar a dar estabilidade e todo suporte possível para minha família.
Fotos: Arquivo Pessoal
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Primeiro de tudo, é necessário amor pelo que faz. Aliás, em tudo na vida, quando nos propomos a desenvolver algo profissional, mais do que escolas, faculdades renomadas, a inserção do amor é fundamental para ser excelência no que você irá desenvolver.
No caso do Rap, vamos muito além. Ferramenta criada para ser arma dos menos favorecidos e totalmente excluídos, durante muitos anos era música de marginal.
Em meados dos anos oitenta, o Rap chega ao Brasil, grandes nomes fizeram os alicerces do estilo no país e alguns deles ainda estão em atividade até hoje.
Ataliba e a Firma, Thaíde e Dj Hum, DMN, Racionais, Pepeu, Gog, entre outros.
A cena mudou muito, o Rap não é mais o mesmo? Será isso uma verdade?
Estudiosos do assunto dizem que o Rap hoje é superficial, fala muito sobre ostentação, romances, baladas, sexo e drogas, meio ao estilo de muitos rappers americanos. Já para os antigos ou expressão muito utilizada “Old School”, o Rap perdeu sua essência, não é mais protesto, ou pior, existe uma minoria de artistas no cenário, que tem posicionamento cultural e político.
Estaria o Rap fadado a morte, sem pensadores e cheio de aproveitadores?
Ao longo desses muitos anos de Rap percebo muitas mudanças, uma série de novidades, talentos, tragédias anunciadas, mas o principal: sinto falta de ouvir aquele som que me inspire, que me faça sentir sede de justiça, que me faça gritar e protestar sobre meus direitos que foram roubados, sinto falta de referências.
Para finalizar, esses dias escutei um lançamento “Public Enemy – State of the Union”. Pronto! Renasce minha referência, o protesto à flor da pele preta e da voz!
Poder para o Rap, pros pretos e para os excluídos de uma sociedade racista e cruel.
Foto: Reprodução
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“A dieta do pobre é não morrer de fome. A fome foi muito presente na minha vida por muitos anos.” (B-Boy Till)
Ele é de Quintino Cunha, bairro que fica em Fortaleza, no estado do Ceará. De uma família humilde, teve uma vida difícil, o que não o impediu de correr atrás dos próprios sonhos.
Foi com a mãe que também foi pai que aprendeu a ler por meio de uma cartilha, sendo o único da família a terminar o ensino médio. Sua paixão sempre foi a capoeira, mas foi por intermédio do Breaking que criou asas e voou de encontro aos próprios sonhos, ganhando a etapa nordestina do “Red Bull BC One” e, depois, a “Cypher Brasil”, numa disputa emocionante que pegou fogo em uma das noites mais frias paulistanas em 2019, o que o levou em seguida para a Índia, junto com mais dois brasileiros, B-Boy Bart e B-Girl Itsa, representando o Brasil.
Sem dúvida, ele escreveu o nome na história e está entre os melhores B-Boys brasileiros! Estamos falando de Francisco Cleiton Verçosa, da Perfect Style Crew ou, somente, Till. O Portal Breaking World teve a satisfação de conversar com ele e abordar vários assuntos sobre a vida e a dança do atual campeão da “Red Bull Cypher Brasil”.
Veja a entrevista na íntegra:
BW – Fale sobre a sua infância, onde nasceu e foi criado, sobre a sua família. Quando você teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop?
Till – Eu sou de uma família humilde, que sempre lutou pela sobrevivência do cotidiano. Nascido em Fortaleza-CE, no bairro Quintino Cunha. Na minha infância, no período de 1 a 4 anos, lembro que nunca ficávamos no mesmo lugar, minha mãe, sendo pai e mãe para nós (4 filhos – 3 homens e 1 mulher). Nunca consegui estudar direito. Já morei em vários lugares de Fortaleza, chegando a morar até em um interior próximo à cidade. Itaitinga para ser exato. Esse foi um lugar onde passei muitos anos de necessidade, mesmo com casa própria. Até voltar para Fortaleza e, desde então, sempre morar de aluguel. Desde quando morávamos juntos, meus irmãos, minha mãe, minha tia e eu e várias outras pessoas, incluindo uma prima minha, sempre foi uma luta cansativa e sempre via o resultado da mãe no final do dia antes de irmos dormir. Aprendi a ler em casa com a minha mãe, com uma cartilha do ABC. Depois mudamos para Antônio Bezerra-CE, que é onde vivi o restante da “infância” e quase toda a minha vida até hoje. Estudei, único da família a terminar o ensino médio e sempre buscando algo melhor por meio da arte para minha mãe e tia, que moram comigo. Meus irmãos estão cada um em suas casas, com seus parceiros. Atualmente, tenho 25 anos e em 4 dias faço 26.
Atual campeão da “Red Bull BC One Cypher Brasil”, B-Boy Till
BW – É verdade que sua paixão pelo Breaking começou quando assistiu a uma apresentação na escola onde seu sobrinho estudava? Conte como foi isso.
Till – Um certo dia levei meu sobrinho para a escola, para praticar o Hip-Hop e, quando vi, me apaixonei. Na época, tinha 14 anos e já praticava capoeira, que também amo.
BW – Com que idade começou a dançar Breaking? Alguém te ensinou? Quem eram suas referências?
Till – Comecei com 14 anos. No Breaking era muito difícil ter uma didática de como compartilhar o Breaking/Hip-Hop para os demais aqui na minha cidade, sinto que no meu começo muitas pessoas não me passavam bases, steps, movimentos, porque viam uma capacidade, uma força de vontade tão grande de querer entender/aprender aquilo que estava vendo, que isso causou inveja em algumas pessoas próximas. E isso me atrapalhou muito. Tive muitos incentivadores, mas hoje vejo que eram aproveitadores do meu talento. Mas, apesar disso, sou muito grato a todos que já passaram pela minha trajetória de vida. E deixo bem claro do quão sou grato. Há uns 9 anos, achava que só existiam competições, cyphers, outros treinos, só no exterior. Se a galera fosse menos egoístas na época, talvez, meu Breaking seria mais aproveitado, como faço hoje em dia e, quem sabe, minhas condições estariam até melhores. Mas Deus sabe o que faz.
Mesmo passando por muitas dificuldades, B-Boy Till conquistou seu lugar na cena
BW – Li que antes do Breaking outra paixão era a capoeira. Acredita que o fato de você ser capoeirista o ajudou no Breaking?
Till – A capoeira te ensina muita coisa, sem ela, não teria a disciplina mental e corporal que tenho hoje. Sem falar da flexibilidade que adquiri, praticando-a.
BW – Fale sobre o seu gosto por desafios e todo o preparo físico necessário para se alcançar um bom rendimento.
Till – Sempre gostei de desafios para aprender algo novo. E por isso, exploro todo meu corpo, além de exercita-lo, para deixá-lo inteligente, possível para fazer o que eu penso ou vejo de novo.
BW – Nos conte como são seus treinos, quantas horas e quantos dias da semana dedica a isso?
Till – A meta é treinar todos os dias, mas, agora, estou na fase adulta e tenho prioridades, como, por exemplo, ganhar dinheiro para pagar as contas do fim do mês, então, não tem como me empenhar todos os dias só no meu Breaking, apesar de também ser meu trabalho. Mas amo treinar e gosto de dar o meu máximo todas as vezes que treino.
BW – Procura manter alguma alimentação especial?
Till – Costumo falar que a dieta do pobre é não morrer de fome. Porque a fome foi muito presente na minha vida por muitos anos. Eu deixei de comer algumas coisas por falta de condições e porque também faziam mal à minha saúde, tipo, refrigerantes, salgados, pizza, guloseimas, e etc. Só não deixei completamente, porque como disse, como tudo, mas amo treinar muito.
BW – Você trabalha com dança e dá aula na sua cidade? Fale desse trabalho.
Till – Atualmente trabalho na empresa “Beach Park” com a função de animador/bailarino e com o meu Breaking, passando workshops e julgando eventos. Gosto de ser digital influencer no Instagram, que é onde consigo me comunicar com todo mundo.
B-Boy Till em seu trabalho como animador no Beach Park
BW – O que passou pela sua cabeça quando decidiu concorrer na “Red Bull”? Achou que chegaria onde chegou?
Till – Quando participei da “Red Bull” pela primeira vez, achei que os jurados sempre me dariam uma chance de mostrar o meu potencial. Fui treinando. Sem pretensão nenhuma de passar ou ser melhor que ninguém, apenas mostrar algo massa e movimentações originais minhas para a galera e, no final, tudo deu certo. Fui para o mundial!
BW – Como foi no dia da “Cypher Brasil”? Deu nervosismo ou aquele frio no estômago? Ou você se sentiu confiante?
Till – Estava chateado porque cheguei durante o evento. Cheguei 20h no sábado, o evento sempre começa na sexta e vai até o domingo. Bateu o nervosismo, o lugar era horrível de respirar, passei mal na semifinal, contra o participante Onnurb, ele também. Então, foram turbilhões de coisas ruins, mas aguentei e firme em Deus. No final, tudo deu certo!
BW – Na sua opinião, o que o levou a ser o campeão da “Cypher Brasil”? Na final, você e o Ruddy, dois grandes B-Boys brasileiros, como foi esse momento?
Till – Eu estava apostando na minha originalidade e o Ruddy na dele, então, eu acho que essa confiança de si próprio é que nos faz acreditar que podemos, sim, chegar lá e representar. O Ruddy já é veterano, muita experiência e viagens para o exterior. A minha ali ia ser a primeira. Mas deu certo, acho que só em eu ter chegado na final estava ótimo.
B-Boy Till foi um dos representantes do Brasil na Red Bull BC One, em Mumbai, na Índia
BW – Teve muita comemoração no Nordeste quando saiu o resultado? Qual foi a reação da família e de amigos?
Till – A reação é sempre não acreditar no que tá acontecendo. Mas esse era meu objetivo e consegui concluí-lo. E fiquei tranquilo, mas por dentro muito feliz. Pelo que eu vi de algumas pessoas, feliz e outras confesso que não entendi muito bem. Não sei, talvez, pensavam que eu teria novas atitudes por ter vencido esse evento. Mas estranhei a forma de me tratar, positiva e negativa. Eu estou tranquilo, o que mudou foi eu ficar mais conhecido para mais pessoas, alcançar mais pessoas e ganhar mais seguidores do Instagram. Só isso, e muito grato só por isso!
BW – Conte como foi na Índia, como foi competir com alguns dos melhores B-Boys do mundo?
Till – A Índia é um país forte em personalidades e culturas. Pessoas muitos gentis, comidas muito apimentadas, sem carne, sem o meu costume de arroz e feijão todo dia. Estranhei um pouco a alimentação, o clima, mas gostei. Eu estava sem grana nenhuma, então, não pude aproveitar muita coisa.
BW – É verdade que os estrangeiros, quando pensam em brasileiros dançando Breaking, esperam ver movimentos como o mortal, entre outros de Power Move, por causa da imagem que o Neguin fez lá fora?
Till – Acredito que o B-Boy Neguin acreditou no que ele tinha e mostrou, mas já é do brasileiro lançar nas battles movimentação como backflip (mortal para trás) e outros que lembram a capoeira, mas tem outros tipos de B-Boys no Brasil. Então, acho que os gringos devem pensar bem antes de deduzir que tal B-Boy faça tal coisa, porque existe vários outros “flava” no Brasil. Não só na técnica, mas no style também. Eu amo treinar os dois !
Além de B-Boy e animador, Till também é digital influencer.
BW – O que mudou na sua vida depois dessa experiência? Quais são seus planos para o futuro?
Till – O que mudou foi que eu tive minha primeira viagem para o exterior e foi para Mumbai, na Índia e mais seguidores no Instagram. Tirando isso, nada. Mas, também, acreditaria que haveria algum tipo de apoio ou patrocínio, mas nada.
BW – O que você diria para B-Boys e B-Girls da nova geração que sonham em chegar onde você chegou?
Till – Digo-lhes a vocês que querem chegar onde cheguei, que treinem bastante sem se importar com a opinião do outro, seja a disciplina e estude bastante, independente de sua classe social. Cuide do seu corpo e objetive as suas conquistas.
Fotos: Arquivo Pessoal
B-Boy Till
B-Boy Till
B-Boy Till com amigos e familiares
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Pensando em quem compete nas “Battles” virtuais, a conhecida FabGirl preparou um manual com algumas dicas para quem pretende mergulhar fundo no mundo dos campeonatos virtuais. Ela escreveu: “Decidi criar o manual quando eu percebi mudanças no meu olhar na hora de julgar 86 B-Girls/B-Boys selecionados para o “TKOTN – The King Of The Night”, também porque participei de uma batalha show on-line. Trago no manual alguns pontos de vista de quem esteve dos dois lados, além da minha visão de produtora criativa”.
E a B-Girl continua: “É óbvio que a forma de análise do virtual/on-line para o físico/off-line tem diferenças enormes, mas para além da análise artística, percebi que outros aspectos dificultaram bastante no momento em que eu analisava os vídeos. Logo, a qualidade do conteúdo audiovisual de quem competia teve muita relevância na análise, algumas pessoas certamente foram mais prejudicadas por não saberem como usar seus equipamentos do que por seus repertórios. Não identifico falhas nos eventos, acredito que tudo agora é um grande teste, uma preparação para o que está por vir. Portanto, quem já estiver fazendo testes, talvez terá um diferencial competitivo no novo mercado de eventos virtuais que possivelmente deve se consolidar daqui para frente ou não. Não existe certo ou errado ou uma resposta única para tudo que estamos vivendo. Mas, acredito que as produções devem olhar para seus empreendimentos, principalmente do ponto de vista de quem compete, de quem faz o show acontecer, de quem precisa gravar vídeo, postar ou enviar, etc. Se B-Girls/B-Boys conseguem produzir melhores vídeos, quem sai ganhando é a própria produção ao fazer uma entrega profissional e de qualidade para sua audiência/público. Até porque a logística é outra. Então, vale a pena colher informações com B-Girls/B-Boys, júri e público em geral, para entender a melhor forma de enfrentar os desafios impostos por esse momento que estamos vivendo.”
Para quem não sabe, antes de ser reconhecido como um dos melhores rappers da história, Tupac Shakur dançava no grupo “Digital Underground”, que foi um grupo de Rap de Oakland, Califórnia, fundado em 1987 por Gregory, Tupac Shakur e Jacobs, conhecido como “Shock-G”.
Shock-G passou a maior parte de sua juventude em Nova York, sendo fortemente influenciado pelo Funk dos anos 1970, então, começou a se envolver com música criando um estilo de Rap na West Side (Costa Oeste).
O grupo foi formado para prestar uma homenagem aos ativistas sociais do “Black Panthers” (Panteras Negras), que tinha todas as ligações com a família de Tupac.
B-Boy Tupac dançando na “Digital Underground”
A mãe de Tupac, Afeni Shakur, fazia parte deste famoso grupo político, um movimento que lutava contra o preconceito aos afro-americanos. Afeni estava grávida de Tupac quando foi presa. Seu padrasto, Mutulu Shakur, foi sentenciado a 60 anos de cadeia por roubar um carro e matar a vítima. Isso teve um grande impacto na vida Tupac, que cresceu sem a figura paterna ao seu lado. Nas ruas, os únicos modelos em que Tupac podia se espelhar eram os traficantes e cafetões.
No final da década de 1980, o “Digital Underground” alcança um grande sucesso com o álbum “Sex Packets”, que chega a ganhar Disco de Platina e a receber comentários positivos da crítica. Tupac também ajudava a carregar equipamentos e algumas vezes teve a chance de cantar com o grupo. Ele se tornou dançarino aos 19 anos, quando o grupo conseguiu o primeiro sucesso com “The Humpty Dance”, em 1990. A faixa chegou ao 11º lugar na parada “Hot 100” da “Billboard”, além do primeiro lugar no chart de Rap da revista.
Dono de uma carreira meteórica e de um talento único que iria impactar o mundo para sempre, suas primeiras letras eram notáveis e revelaram a tendência para sua personalidade violenta. Em uma música que fez parte da trilha sonora do filme “Nothing But Trouble” chamada “Same Song”, Tupac conheceu o sucesso pela primeira vez e não parou mais! Em 1995, o Rapper foi acusado de abusar sexualmente de uma mulher em um hotel.
Talentoso e polêmico, Tupac se tornaria uma lenda do Rap em muito pouco tempo.
Segundo Pac, a mulher, que ele havia conhecido em uma boate, teria feito sexo oral nele em plena pista de dança e teria ido com ele para um hotel por livre e espontânea vontade. Shakur disse que tudo não passou de uma armação. Em fevereiro do mesmo ano, devido a tal fato, Tupac foi sentenciado a quatro anos e meio de prisão por estupro, embora tivesse negado veementemente. Pouco depois do ocorrido, Tupac havia levado cinco tiros em um assalto ocorrido em um estúdio de Nova York. Tupac deu informações em detalhes sobre o ocorrido em uma entrevista para “Vibe”. O astro começou a cumprir sua pena no presídio de Clinton.
Pouco depois, seu multiplatinado “Me against the world” é lançado. Tupac entra para a história como o único artista a ter um álbum em primeiro nas paradas estando preso. “Este sempre será meu álbum favorito”, disse ele a uma entrevista. Enquanto os guardas provocavam na cadeia dizendo que Tupac não era mais o mesmo, ele ria e dizia: “Meu álbum é número 1 no país inteiro e apenas bateu Bruce Springsteen no topo da Billboard”. Após quase onze meses na prisão, Tupac foi liberado, logo depois de ter feito um acordo com Suge Knight, o cabeça do “Death Row Records”. Suge pagou a fiança de 1.4 milhões de dólares. Em troca, o artista deveria lançar 3 álbuns pela sua gravadora. Imediatamente após sair da prisão, Tupac começou a trabalhar em um novo álbum. Em fevereiro de 1996, ele lança seu quarto álbum, “All eyes on me”, o primeiro álbum duplo da história do Rap. O sucesso foi tremendo e vendeu mais de 9 milhões de cópias e é considerado por muitos o melhor álbum do gênero. Em meio a tanto sucesso, Tupac foi assassinado em 1996, quando saía de uma luta de seu amigo Mike Tyson.
Tupac com Mike Tyson um pouco antes de sua trágica morte.
Logo após sua morte, a “Death Row” lança o álbum “The Don Killuminati”, com o pseudônimo de “Makavell”. A capa traz um 2Pac crucificado, com uma coroa de espinhos na cabeça e um mapa das principais gangues do país. Em janeiro de 1997, a “Gramercy Pictures” lança “Gridlock’d”, um filme em que Tupac interpreta um viciado em drogas e que foi bem aceito pela crítica, recebendo inúmeros elogios. Seu último filme, “Gang Related”, seria lançado meses depois. Antes de morrer, Tupac deixou centenas de músicas gravadas na época de “Death Row”. A maioria foi lançada em álbuns póstumos como “Better Dayz”, “Until the end of time”, “Loyal to the game” e em seu último póstumo “Pac’s Life”. Tupac é o Rapper que mais vendeu álbuns na história. Sua morte até hoje continua a ser motivo de discussão, não só pela forma que foi mas principalmente no mundo das grandes gravadoras onde o artista vende mais discos morto do que vivo.
Sim, a história é estranha no entanto representativa de um dos nomes mais fortes do que chamamos de “Gangsta Rap”. Tupac era considerado um terrorista como também um dos mais promissores poetas do Hip-Hop. Tupac, que era do signo de gêmeos, tanto foi considerado um B-Boy machista como um talentoso ator. E o Rap? O Rap era sua arte, sua obra prima, o milagre poético que o mundo conheceu!
Fotos: Reprodução
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“O Rap é um dicionário da vida. Ele te dá uma visão ampla de tudo. É sentimento e lógica.” (MC Ryan)
“Se você ama essa cultura, como eu amo essa cultura, diga Hip-Hop, Hip-Hop” ou “Cachorro sapeca mijou no hidrante, o que vocês querem ver? Sangue!”. São com essas frases que começam as “Batalhas de MC’s” no litoral de São Paulo. Um encontro de todos, do antigo com o novo, fazendo uma verdadeira renovação cultural. Mas desde cedo aprendem que o Hip-Hop não é moda e que é necessário ter personalidade e criatividade, fazendo as próprias rimas. As decoradas não são bem-vindas. A cada dia a nova geração chega e acontece com mais força, escrevendo assim seu nome na história.
Mostrar a nova geração da Cultura Hip-Hop, esse também é um dos compromissos do Portal Breaking World, afinal, eles são o futuro e a continuidade da cultura. Nesta matéria, conversamos com o MC Ryan, da cidade de Itanhaém, que foi visto por muito tempo como o menorzinho das Batalhas de MC’s, mas hoje o menino com 15 anos mostra nessa entrevista que ser MC é muito além de segurar um microfone: é necessário ter conhecimento, flow, uma boa métrica, se afastar das drogas, ter sonhos e saber onde deseja chegar. Se liga na entrevista:
BW – Ryan, queria que você falasse um pouco de você e da sua família.
MC Ryan – Eu sou o Ryan da Silva, na rima MC Ryan, tenho 15 anos, moro no litoral de São Paulo, em Itanhaém. Sou filho de uma enfermeira e a profissão do meu pai não sei, pois não tive convivência com ele. Tenho uma irmã chamada Tamires que é técnica em enfermagem.
BW – Nos conte quando e como surgiu o interesse pela rima que é feita por MC’s?
MC Ryan – Bom, a minha família tem diversos gostos musicais, mas Rap quem escutava era minha irmã e meu tio, mas o interesse surgiu realmente quando eu tinha 13 anos, eu ia numa praça e lá rolava Batalha de MC’s. Aqui, nessa época, em Itanhaém, tinha o Big Mike que estava rimando aqui na Cabuçu, aí eu vi aquilo e gostei muito. Cheguei em casa e comecei a pesquisar sobre o assunto, sobre Batalhas de MC’s, foi aí que eu comecei a ver uns garotos da minha idade, o Thiago, o Leozinho, tudo novinho, rimando, aí eu comecei a assistir muita batalha e me espelhei nisso. Eu queria fazer aquilo também. Até que no meio do ano eu já estava fazendo “freestyle” e comecei a rimar na internet por meio de um programa que várias pessoas, de várias batalhas, que até vários MC’s que são famosos começaram lá, e que se chama “Radical”. Aí eu comecei a batalhar, os caras falavam que eu batalhava bem. Mas o primeiro contato que eu tive com uma batalha de fato, ao vivo e em cores, fora do mundo virtual, foi na “Batalha do Secreto”, que acontecia sexta-feira, mas que eu por ser menor de idade tinha muitos problemas por causa do horário, minha mãe ficava preocupada de eu voltar tarde para casa. Mas, mesmo assim, teve um dia que eu fui lá, batalhei e ganhei! Sendo essa a primeira vez que fui campeão numa batalha de rima.
BW – Como você aprendeu a rimar? Rimar não é algo fácil, a pessoa tem que ter a resposta certa na hora certa e pensar muito rápido. Alguém te ajudou nisso ou te ensinou?
MC Ryan – Bom, eu não vou dizer que aprendi de primeira, eu tive muita dificuldade no começo. Eu era um tipo de MC que mandava muito suporte, falava várias vezes “Tá ligado”, “Mano”, mas eu já me sentia chocado pelo simples fato de estar ali rimando, já me sentia feliz. Mas realmente não era fácil, eu tive muita dificuldade no começo de encaixar as rimas no beat, de ter a métrica certa e conseguir pensar numa resposta, mas quando você está rimando e está batendo de frente com um outro MC, parece que sua mente fica automática, o cara manda um ataque e você já tem a resposta. Eu não tive muita ajuda de ninguém. Me lembro que eu conheci o Chad, mas nessa época eu já sabia rimar e ele também sabia. A minha primeira batalha depois que eu ganhei a do Secreto foi eu vs Chad MC, ele me levou para batalhar, mas antes pediu que eu mostrasse o que eu sabia. Então, nós rimamos, os amigos dele gostaram e aí ele me levou em outras batalhas e disse que eu era cria dele (risos), aí eu fui aos poucos me destacando. Mas ajuda de MC’s eu nunca tive, eu sempre fui muito independente. Eu colocava o beat em casa e ia encaixando palavra por palavra.
BW – Alguns MC’s falam que leem dicionário para poder aumentar o vocabulário. Você faz isso?
MC Ryan – Eu não leio muito dicionário não. Mas ajuda, muita gente usa. Eu comecei a batalhar em 2018, nessa época o povo já falava que eu rimava bem. Falavam que eu deveria continuar e aí eu fui me aprofundando nisso.
BW – Onde você mora sempre participou das principais batalhas da cidade. Me fale dessas batalhas? E das principais dificuldades enfrentadas por MC’s que moram em cidades pequenas?
MC Ryan – As principais que eu conheço eram: A “Batalha da Praça”, “Batalha da Consciência”, “Batalha do Secreto”, “Batalha da Pista” e a “Batalha do Quadrado”. Nessa última, vários MC’s conhecidos já encostaram lá. Sobre as dificuldades de morar numa cidade pequena, bate às vezes um desânimo. Mas não só por ser pequena, mas muitas vezes pela falta de apoio das pessoas, da família, tem muita gente que acha que Rap não é futuro, que não dá dinheiro. E realmente, em cidade pequena não rende muito, aqui tem poucos eventos, nenhum apoio, mas no meu caso eu pretendo sair de Itanhaém, ir para outros estados, aqui tem bastante dificuldade. Na caminhada de MC’s você é desmotivado até mesmo por outros MC’s que acompanham o seu progresso, por exemplo, eu fui muito desmotivado pela minha idade, em 2018 eu comecei a me destacar, o povo já falava: “é o menorzinho das batalhas”. Eu já era conhecido e por causa disso gerou um conflito de outros MC’s comigo. Muitas pessoas chegavam a falar que eu ganhava por causa da minha torcida, mas não era por isso, eu me esforçava bastante, ficava rimando por horas, rimando em aplicativos, só para fazer o melhor na batalha.
MC Ryan campeão da “Batalha da Praça”, em Itanhaém (2019)
BW – Você falou de apoio. A sua família apoiava sua arte ou não?
MC Ryan – Minha família é um caso complicado (risos). Nem sempre eles me apoiaram, começaram mais me apoiar agora. Minha mãe no início olhava meio torto para mim. Eu nasci em São Paulo, morava numa favela, em São Paulo as coisas eram bem diferentes, tinha gente desde pequena indo para o lado errado das coisas e a minha mãe veio para Itanhaém por causa disso. Ela queria uma vida melhor e mais segura para a gente. Ela falava que eu tinha que estudar, que Rap não dava futuro para ninguém, que isso deveria ser um hobby para mim. Mas, na minha visão, nunca foi assim, eu sempre enxerguei o Rap como uma forma de se expressar, eu sou uma pessoa muito complicada, eu reflito muito sobre várias coisas, sobre eu mesmo. Mas agora ela fica feliz por mim, acha que é uma coisa bacana de se fazer porque ela me vê feliz, tanto que no evento do “Prêmio Sabotage” que eu me inscrevi esse ano, ela estava me apoiando. Ela hoje me diz que eu tenho que mostrar a todos o meu trabalho de uma forma diferenciada. Minha avó me apoia muito, às vezes ela muda de lado (risos), mas ela tem alguns motivos e no final das contas eu sei que ela quer o melhor pra mim. Mas quando eu pegar mais fama eu vou lançar uns sons.
BW – Já se sentiu preterido por ser criança?
MC Ryan – Sim, quando existe uma criança numa batalha, normalmente as pessoas não olham como MC e vão te olhar como criança. Mas eu vou falar… Eu nunca rimei decorada numa batalha, sempre improvisei e me esforcei, o meu freestyle sempre foi muito agressivo. Mas sempre teve muito preconceito. Tiveram várias batalhas que eu arranquei grito e aí uma torcida veio falar que eu ganhei as pessoas porque era criança. E isso desmotiva quem é novo! Eu acho esse negócio de preconceito pela idade muito errado!
BW – Nas batalhas existe uma divisão entre batalha de tema e de sangue. De qual você gosta mais?
MC Ryan – De conteúdo de batalha entre conhecimento e sangue eu prefiro sangue, porque conhecimento é basicamente para você testar sua cultura, o que você sabe. A batalha de sangue já é bate volta a pessoa rima com o que desejar, tem “gastação”, eu sou mais de sangue pois é mais liberado.
BW – Nas batalhas rola de tudo, às vezes xingamentos a familiares e outras coisas. Já aconteceu, depois da batalha, de ficar aquele “climão”? Ou quando termina a batalha acaba tudo e as coisas voltam ao normal?
MC Ryan – Sobre os desentendimentos nas batalhas, realmente tem MC’s que um esculacha a família do outro e isso gera brigas. Antes eu era um garoto que falava muito de pederastia, mas com o passar do tempo comecei a usar mais ideologia. Na verdade, eu não era pederasta, apenas rimava em cima do assunto que outros estavam rimando. Mas esse clima depende muito da energia da plateia. Os MC’s também julgam muito o outro pela classe social, às vezes alguns me chamavam de boy, mas ninguém sabe do meu passado, não sabem do esforço que eu tenho que fazer para ser alguém na vida, que minha mãe teve. Minha mãe levantava todos os dias às 3 horas da madrugada para ir trabalhar em São Paulo, mesmo morando aqui no litoral. Hoje, por exemplo, ela foi num dia e só volta no outro. Isso é perigoso e exaustivo, ela é uma grande batalhadora, uma guerreira e eu a amo demais! E por classe social eles nem sabem que eu morava dentro de uma favela e não conhecem a minha história. Mas não ligo para isso!
BW – Na sua opinião, o que é necessário para um MC ser considerado bom?
MC Ryan – Muitos acham que a gastação é uma forma de freestyle, mas eu não concordo não. A essência de um bom MC é ele ter um bom conteúdo nas batalhas. Não ficar falando de pai, de mãe, ter uma mente aberta, ter poesia na cabeça, ter pensamento grande, tem que ser esforçado, tem que ser competitivo e tem que ter amor pelo que faz.
BW – No meio das batalhas rola muita droga? Como você faz para fugir disso?
MC Ryan – Olha, para mim nunca fez sentido as drogas. Eu sempre tive cabeça, desde pequeno eu já tinha uma noção do que eram as drogas. Noção do que era certo ou errado. Tanto que minha mãe não me deixava ir nas batalhas, às vezes, por medo. Pelo simples fato da pessoa usar droga ela já é horrível, está se autodestruindo e desses eu mantenho distância, tendo plena consciência de que aquilo não é certo. Eu nunca tive atração por droga nas batalhas, diversas vezes já trombei com vários MC’s que estavam drogados e muita gente bêbada e isso atrapalha na batalha, algumas vezes chegam pessoas embriagadas atrapalhando e um amigo, o Dodô, que era o responsável pela batalha tomava atitude, dava bronca, mas muitas situações as pessoas não respeitam, às vezes você está batalhando e o cara joga bafo na sua cara de maconha, isso é o cúmulo da falta de respeito ou coisa assim e isso gera conflito. Minha mãe embaçava muitas vezes de eu ir em batalhas por isso, ela sabia que no centro, de sexta-feira, tinha muita gente embriagada, muitas drogas e ela tinha medo do que poderia acontecer. Mas muitas vezes eu insisti e fui. Mas tem que ter cabeça para sair fora dessas coisas!
BW – Entre os MC’s famosos, qual você mais se identifica? E você falou que estava gravando alguma coisa em estúdio, pode falar sobre isso?
MC Ryan – Hoje em dia têm bastante MC’s que eu acho que não tem muito conteúdo, mas que chama a atenção da galera. Mas tem dois que mais me identifico: um é o Dudu MC, ele tem um ótimo flow, conteúdo, a métrica como ele manda as rimas, ele tem toda uma habilidade, aquilo surge naturalmente e o outro é o Thiago MC, que agora foi mais para o Trap, mas gosto muito dele. Assistindo ele batalhando e o Dudu são inspiração! Inclusive muitas pessoas veem semelhança entre eu e o Thiago. Sobre as gravações, eu tenho gravado algumas coisas pelo celular, usando aplicativos profissionais que são usados em estúdios, tem masterização e outros recursos. Eu estou querendo aprender mais sobre esses aplicativos e lançar algumas coisas. Nessa quarentena tenho feito isso.
BW – Quais são seus planos e sonhos para o futuro?
MC Ryan – Meus planos para o futuro é viajar para o Espírito Santo e ir na batalha do “Oh Shit”, em Registro, e lançar um som no estúdio! E se tornar um MC conhecido! E eu ainda quero, quem sabe, lançar um Trap com o Dudu. Esse moleque é muito bom! Ah também quero ser um jogador profissional de “FreeFire” (risos).
BW: O que significa o Rap na sua vida?
MC Ryan – Essa pergunta foi impactante (risos). O Rap é a vida, é o sentimento para mim, é a lógica de tudo. Ele diferencia aquilo que eu vivo nas convivências, no passado. Ele é aquilo que contraria todo o julgamento, o preconceito, o racismo, ele diferencia tudo, é o modo de você viver a vida com mais respeito. Ele é um dicionário da vida. Ele te dá uma visão ampla que temos que ter em relação às pessoas que estão à nossa volta. Existem pessoas que são muito preconceituosas! Esse negócio de preconceito de idade ou qualquer outro tipo de preconceito, uma pessoa que pensa assim, não sabe o que é Rap. O Rap é onde somos todos iguais!
Fotos: Arquivo Pessoal
MC Dodô e MC Ryan na final da "Batalha da Consciência"
MC Ryan na "Batalha da Consciência"
MC Ryan duelando com MC Bob Leal na "Batalha da Consciência"
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No último sábado (11), morreu em Atlanta (EUA) o Rapper americano Lil Marlo (30). O Departamento de Polícia afirmou à Revista Billboard que agentes atenderam a uma chamada envolvendo um acidente de carro, aproximadamente às 23h30. No local, encontraram o motorista do veículo, um homem baleado e já sem vida… Um porta-voz da polícia disse à publicação que as investigações já começaram e que, neste momento, as equipes acreditam que a vítima foi alvo de um atentado planejado. Marlo era contratado da mesma gravadora que outros Rappers famosos de Atlanta, como Lil Yachty, Migos, Lil Baby e City Girls. Seus últimos lançamentos saíram em fevereiro. Ele aparece na coletânea da gravadora “Quality Control”: “Control the Streets”. O Rapper deixa quatro filhos: Kemora, Rihanna, Marlo e Rudy.
Foto: Reprodução
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Na última semana, o Portal Breaking World conheceu por meio do Campeonato “Breaking La Vecindad” On-line, mais um B-Boy da nova geração que vai dar trabalho nos próximos anos. Conversamos com o B- Boy Takiri e seu pai. Ambos moram em Lausanne, na Suíça. O menino tem apenas 6 anos, mas dança desde que começou a andar. Filho também de B-Boy, Takiri manda uns movimentos de deixar muitos adultos que dançam para trás, sua grande paixão são os “Power Moves”. Confira a entrevista:
BW – Começamos com o pai de Takiri. Conte um pouco sobre a vida de vocês na Suíça. Pelo que entendi, o Breaking é algo de família? Quando começou essa conexão?
Miguel Perez – Sim, o Breaking é a nossa vida. Meu nome é Miguel Perez, sou pai do B-Boy Takiri. Comecei a dançar no final dos anos 1998, tudo começou quando vi algumas pessoas dançando numa discoteca. O que mais chamou minha atenção foram suas acrobacias, os Power Moves. Giravam muito. Faziam moinho de vento. Eu tinha a capacidade de aprender rápido e levei meio ano para aprender todos os movimentos. No final dos 99, conheci a cultura peruana de Hip-Hop, que hoje também faço parte dela. Ali eu aprendi muito do que eu estava dançando. O Breaking no Peru era algo muito incomum no ano 2000. As primeiras competições de Breaking foram realizadas pela “Equipe VS Tripulação”. Em 2001, chegou um suíço meio peruano (risos) que trouxe vídeos com air flare do Peru e vídeos da “Boty 99” e “Boty 2000”. Esse material nos inspirou. Evoluí rapidamente. Depois de 2002, viajei por todo o Peru e partes da América do Sul para compartilhar meu conhecimento de Breaking. Tentando evoluir, em 2007 eu viajei para a Suíça, para dar cursos de Breaking e competir. E de lá eu viajei para a Coréia do Sul, Tailândia. México, etc., carregando o meu Breaking e compartilhando com todos.
BW – Como foi o primeiro contato de Takiri com o Breaking? Quantos anos o B-Boy Takiri tinha e quando começou a dançar?
Miguel Perez – O primeiro contato de B-Boy Takiri com o Breaking começou desde o nascimento, porque sempre o levávamos a todas as competições que participamos. Moramos na Suíça, em Lausanne. Capital olímpica. Sua mãe e seus irmãos nasceram aqui. Takiri começou a dançar desde muito bebê. Desde que ele estava dentro de sua mãe, sempre que havia muita música, ele se mexia muito a ponto de sua mãe ter muita contração.
B-Boy Takiri começou cedo e com 6 anos já faz Power Moves.
BW – Quantos anos tem hoje Takiri, como é seu treino e quem o ensina?
Miguel Perez – Takiri tem 6 anos de idade. Ninguém o ensina. B-Boy Takiri faz isso apenas olhando para nós. Ele é um daqueles garotos que me dizem: “também sei fazer isso” e, se não der certo, ele tentará novamente até dar certo. Mas como ele ainda é uma criança, cuido de criar suas rotinas. Criamos também rotinas de exercícios adaptadas às suas preferências. O Top Rock deixamos para a criatividade e musicalidade do Takiri, trabalhamos muitas transições, queremos que ele flua de maneira original e diferente dos outros.
BW – Como o tempo de Takiri é dividido entre estudos e dança. Quantas vezes por semana treina?
Miguel Perez – No momento, devido a pandemia, ele não tem dever de casa. E seu treinamento é mais espontâneo ou, às vezes, todos os dias 30 minutos em casa. Ou quando vou treinar, ele sempre me acompanha.
BW – Takiri participa de muitos campeonatos de Breaking?
Miguel Perez – Sim, ele participa de muitos eventos. Aqui na Suíça há muitos eventos de Breaking para crianças e existem muitas academias que ensinam Breaking. Por exemplo: “DPC Jam”, “Groove Session” e etc. Todos são eventos grandes, importantes. Participar desses eventos cria confiança e maturidade na dança de B-Boy Takiri.
BW – B-Boy Takiri tem referências na dança?
Miguel Perez – Sim, ele gosta de Michael Jackson, entre outros.
BW – Pelo que entendi, Takiri gosta muito de Power Moves. Quais movimentos que ele mais gosta de fazer?
Miguel Perez – Sim, ele ama Power Moves e adora fazê-los! O moinho de vento é o que mais gosta.
BW – Qual é a coisa mais importante para você sobre o Breaking? O que não pode faltar na vida de um B-Boy ou de uma B-Girl?
Miguel Perez – O importante de um B-Boy é que tenha muita disciplina, tenha um compromisso consigo mesmo e seja motivado para treinar e exceder seus limites, apesar dos problemas do dia a dia, da vida.
BW – O que o Breaking significa na vida de vocês?
Miguel Perez – O Breaking é a nossa vida! Para o Takiri é uma paixão, um estilo de vida.
BW – Como é esse tempo para a Covid-19? Como está a situação na Suíça?
Miguel Perez – A situação é normal, as fronteiras estão abertas para os europeus. As práticas de Breaking nas academias foram suspensas. Mas nunca paramos de treinar, temos um pequeno espaço em casa e treinamos! Fora isso, não foram muitos casos aqui, os hospitais estão bem equipados.
Em tempos de pandemia, B-Boy Takiri treina em sua casa em Lausanne, na Suíça.
BW – O B-Boy Takiri gosta também de participar de campeonatos virtuais?
Miguel Perez – O B-Boy Takiri adora competição virtual. Como ele faz novos amigos ao redor do mundo e um dia espera encontrá-los pessoalmente.
BW – Além de dançar, o que Takiri, B-Boy, gosta de fazer?
Miguel Perez – Quando não está dançando, B-Boy Takiri gosta de jogar futebol.
BW – Vocês conhecem o Brasil? O que você acha dos B-Boys brasileiros?
Miguel Perez – Ainda não tivemos a sorte de conhecer o Brasil. Mas sabemos que tem muitos B-Boys bons no Brasil. Bom nível, muita cultura que contribui para o Breaking.
BW – O que você acha do Breaking se tornar um Esporte Olímpico?
Miguel Perez – Eu, B-Boy Miedoso, pessoalmente não concordo com que o Breaking faça parte dos jogos olímpicos. Breaking é uma cultura, uma arte e uma dança. Mas seria bom levar em conta o poder do Power Move nos jogos olímpicos.
BW – Takiri sonha em ir às Olimpíadas?
Miguel Perez – Nós dançamos 2 vezes para os Jogos Olímpicos e as Olimpíadas de Inverno. A cidade onde vivemos é a capital olímpica.
BW – Como vocês preparam o B-Boy Takiri psicologicamente para competições?
Miguel Perez – Ele é uma criança. Cuidamos para que não sinta o estresse das competições, eu mudo a rotina dele uma semana antes das competições. Então, ele está sempre motivado e animado para competir. Sem medo, sem estresse.
BW – Se B-Boy Takiri pudesse enviar uma mensagem para os B-Boys e B-Girls do Brasil, o que diria?
Takiri – Siga seus sonhos, nunca é tarde para começar, nem muito cedo para começar, veja o meu exemplo. Treine muito para evoluir. Aprenda a ser feliz, ganhando ou perdendo.
Fotos: Arquivo Pessoal
B-Boy Takiri: estilo e boa dança.
B-Boy Takiri adora competir.
B-Boy Takiri treina forte mas não deixa de ser criança;
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