Aconteceu no último final de semana, em Barueri, o Festival de Artes e Empreendedorismo Urbano (FAEU), com total sucesso de público e apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, Proac-Editais e da Secretaria de Cultura e Turismo de Barueri. O FAEU foi um festival multicultural que fortaleceu a economia criativa dos empreendedores do setor de cultura urbana, Hip-Hop, streetwear e também dos artistas como B-Girls, B-Boys, grafiteiros, DJ’s e MC’s da Grande São Paulo. O evento se expressou por meio de múltiplas linguagens artísticas e apresentou um setor em constante crescimento com características alternativas ligadas à cultura urbana, sendo palco para novos talentos, abriu espaços para novas ideias e tendências nas áreas das artes, música, dança, moda e gastronomia, ofereceu oportunidade aos artistas participantes e marcas independentes que puderam promover, comercializar e viabilizar as suas criações.
Visào parcial do público presente, com várias famílias prestigiando o festival.
Quem desejava conhecer mais sobre a Cultura Hip-Hop e sobre seus elementos pode aproveitar a grande oportunidade! O primeiro dia do festival (22) foi de aprendizado, dedicado aos Workshops. Dentro do Espaço Cultural Luiz Fernandes, que fica na Aldeia de Barueri, diversos artistas de vários cantos do Brasil e até de fora compareceram e participaram das palestras oferecidas gratuitamente. Nomes como João Carlos, coach esportivo do Atleta Campeão, B-Boy Jonasflex, B-Boy Pulga, o MC Nauí e Ale, da FMS, foram os nomes convidados a palestrar e dividir suas vivências com os participantes.
João Carlos, do Atleta Campeão e os participantes da palestra “Escute a batida do seu coração”.
No dia seguinte (23), o tempo amanheceu bonito no Parque Municipal Dom José e quem gosta e pratica o Breaking ou quem desejava conhecer mais sobre essa nova modalidade olímpica de Paris 2024 não ficou de fora! O evento começou às 13h com os filtros e batalhas de B-Boys, depois, veio um desfile de marcas urbanas, em seguida, a competição Kids, com a presença de crianças que são a esperança do Breaking brasileiro nos próximos Jogos da Juventude e nas Olimpíadas, depois veio a disputa de B-Girls, mostrando a força das mulheres brasileiras dentro da Cultura Hip-Hop e do Esporte Urbano e por fim, a Batalha de MC´s, que finalizou o evento com chave de ouro. No total, foram mais de 200 participantes, entre B-Boys, B-Girls e Kids. Os grandes campeões do evento foram: No Kids, em 1º lugar a B-Girl Angel do Brasil (12), que com uma personalidade forte e com uma presença marcante na competição agitou o público presente. Angel, que treina em Barueri e tem apoio da cidade, já coleciona prêmios nacionais e internacionais. Em 2020, ficou em 2º lugar no E-Fise Montpellier, da França e em 2021, em 1º lugar no All Dance Brazil. Em 2022, começou o ano sendo homenageada pelo Prêmio Arte em Movimento e agora o 1º lugar no Breaking Combate. Angel faz parte da Dream Kids Brazil. Nas B-Girls, a grande vencedora foi a paraense Mayara Colins, conhecida como Mini Japa, que em 2018 ganhou a Red Bull BC One Cypher Brazil e representou o país no mundial da Suíça. Japa faz parte da Amazon Crew. Nos B-Boys, o vencedor foi o mineiro Gilberto Araújo, mais conhecido como B-Boy Rato, que até pouco tempo morava no exterior e tem se destacado em grandes eventos no cenário nacional e internacional. Julgando essa competição, estavam os dançarinos: B-Boy Kustelinha, da Bauru Breakers, B-Girl Lu, da Afrobreak e o B-Boy JonasFlex. da Supreme Boyz Crew. E comandando a festa DJ Conrado e Anderson BBMCs.
Campeões do Breaking Combate 2022: B-Girl Angel do Brasil (Categoria Kids – Barueri/SP), B-Girl Mini Japa (Categoria B-Girls – Belém/PA) e B-Boy Rato (Categoria B-Boys – Uberlândia/MG)
Na batalha de rimas, o vencedor da noite foi o MC Big Mike, que no final de 2021 foi um dos 3 grandes ganhadores da BDA 5 anos. O evento foi apresentado por Bob 13. E na difícil tarefa de julgar os competidores: MC Nauí, de Brasília e o MC Koel, de São Paulo deram conta de escolher os campeões.
MC Big Mike foi o campeão do MC Combate em uma final disputadíssima.
O Festival de Artes Urbanas e o Breaking Combate ainda tiveram o apoio do Portal Breaking World, que foi a mídia oficial do evento, da Associação Raso da Catarina, da Street House Cultura e Esportes Urbanos, da Urban Roosters e da Monster Energy. E registrando o evento, o fotógrafo The Sarará.
Outro grande destaque do evento foi o grafiteiro Sotaq, que em sua arte fez uma homenagem durante o evento a Cindy Campbell e seu irmão, o grande DJ jamaicano Kool Herc, considerado o “Pai do Hip-Hop”.
O grafiteiro Sotaq e o mural em homenagem a Cindy Campbell e Kool Herc, precursores do movimento Hip-Hop mundial.
São de Eder Devesa e de Chalana, organizadores do Festival de Artes Urbanas e do Breaking Combate, as palavras: “O evento foi um sucesso! Mais uma edição que superou a nossa expectativa, depois de alguns anos sem a realização do Breaking Combate devido a pandemia, sentimos no olhar, na vibração das B-Girls, B-Boys e do público, nesse dia incrível, a alegria das pessoas. Foi um reencontro épico, divertido e, claro, os combates pegaram fogo, tivemos combates de alto nível nas três modalidades, Baby, B-Girl e B-Boy. Recebemos participantes de vários estados e até de fora do país, isso foi muito gratificante, reunir todos os elementos do Hip-Hop em um só evento não é fácil e isso aconteceu, celebrar essa cultura serve como combustível para seguirmos em frente e a cada edição melhorar…”.
A nova geração foi destaque no evento, mostrando que o futuro do Breaking já está presente e chega com tudo!
Estiveram prestigiando o evento o Secretário de Cultura e Turismo de Barueri Jean Gaspar e alguns jornalistas que já acompanham as edições do Breaking Combate.
Foi difícil apagar as luzes e desmontar o piso de madeira, sabendo que por ali passaram tantos artistas singulares. O evento foi contagiante e a sensação é de dever cumprido! E sabem de uma coisa? Queremos mais!
Fotos: The Sarara e Cadu Barbosa
Galeria dos Campeões 2022
B-Girl Angel do Brasil mostra o cinturão que conquistou na competição, na categoria Kids, representando a cidade de Barueri/SP
MC Big Mike mandou bem nas rimas e conquistou vaga e passagens para competição internacional da FMS
B-Girl Mini Japa foi o destaque na categoria B-Girls, levando o cinturão para o Pará
B-Boy Rato conquistou o primeiro lugar na categoria B-Boys, levando o cinturão para Minas Gerais
Ela nasceu na cidade de Nagoya, Aichi, no Japão. Começou a dançar Breaking com 8 anos, hoje com 10, sonha em pisar nos grandes palcos olímpicos e se tornar a melhor B-Girl do mundo. Tem participado de vários eventos mundiais on-line erecentemente esteve no evento brasileiro “Expo Hip-Hop On-Line”, organizado pela Street House – Casa de Cultura Urbana, junto com crianças dos EUA, Venezuela e Brasil, onde numa final pesada contra um brasileiro foi a grande campeã. Noa ainda não esteve presencialmente no Brasil, mas espera algum dia poder conhecer, dançar com os breakers brasileiros e fazer novos amigos da sua geração. Confira a entrevista:
BW: Gostaria que você nos contasse um pouco sobre sua vida no Japão. Em qual cidade você nasceu? Onde você mora? Você tem irmãos?
Noa: Eu nasci em Nagoya, Aichi, Japão. Agora eu moro na cidade vizinha. Eu tenho uma irmã mais velha.
Apoiada pela família, a B-Girl sonha alto: quer ser a melhor do mundo
BW: Ser uma B-Girl no Japão é algo bem aceito pela sociedade? Você tem todo o apoio de sua família?
Noa: É aceitável, mas o Breaking ainda não é tão famoso quanto o futebol ou o beisebol. Professores e amigos ficam surpresos quando digo que sou B-Girl. Espero que o Breaking se torne mais conhecido algum dia. Tenho o apoio de toda minha família. Sempre sou grata por isso.
BW: Quando você teve seu primeiro contato com a Cultura Hip-Hop? Quando você começou a dançar Breaking?
Noa: Eu tinha 5 anos quando tive o primeiro contato com a cultura. Naquela época, minha irmã começou a aprender Hip-Hop. Depois disso, aos sete anos, comecei a aprender também no mesmo estúdio que minha irmã. Comecei no Breaking aos oito anos.
BW: Alguém te ensinou a dançar Breaking? Alguém na sua família dança? No mundo do Breaking, quem são suas referências?
Noa: Foi B-Boy Kan quem me ensinou a dançar. Ele tem um ótimo Footwork, personalidade e carisma. Graças a ele me apaixonei pela dança. Se meu mentor não fosse ele, não haveria uma B-Girl Noa agora. Eu realmente aprecio ele. Conhecê-lo foi o começo da minha vida de B-Girl. Na minha família, só minha irmã dança um pouco. Meus pais não têm experiência em dança.
BW: No mundo do Breaking, quem são suas referências?
Noa: A primeira B-Girl que vi quando não conhecia a palavra “B-Girl” foi Ami. Foi ela quem ganhou o Red Bull BC One. Naquele momento pensei: Eu quero ser como ela! Torne-se uma B-Girl! Tomei uma decisão forte. Estou com saudades de B-Girl Ami & Ayu e B-Boy Katsu1. Ela é uma saudade e uma meta para mim. Eu também admiro Ayu. Eu amo Footwork. Seu Footwork é criativo e original. E Ami e Ayu são elegantes e fofas. Eu também quero ser assim. O B-Boy Katsu1 é incrível. Ele me ensina a alegria de dançar e a alegria de tocar além de dançar. Ele é um B-Boy muito famoso e tem amigos em todo o mundo. Mesmo assim, ele me chama de “amiga”. Estou muito feliz com isso. E sua dança tem alma. Conheci uma dança calorosa graças a ele. É tão grande para mim. Acho que cresci quando o conheci. Eu quero ser como ele algum dia. Como dançarina e como pessoa. Eu o respeito muito.
Ela é o carisma em pessoa e tem conquistado o mundo nas batalhas on-line
BW: Como é a sua rotina de treinamento, quantas horas por dia você treina?
Noa: Pratico em casa cerca de duas horas todos os dias. E eu tenho aulas todos os sábados. Essa é minha rotina.
BW: Existe algum movimento que você mais gosta de fazer? E outros que você acha mais difíceis? Você teve dificuldade com algum movimento específico?
Noa: Eu gosto de Footwork. Recentemente, consegui fazer Atracks (Halo), mas foi difícil para mim. Tenho praticado principalmente Footwork até agora, então gostaria de aprender mais sobre movimentos de Power Move. E eu gostaria de poder fazer meu próprio movimento especial com originalidade!
BW: Como você divide o tempo entre o estudo e a dança? Como tem sido sua vida neste período de pandemia?
Noa: Esta é uma pergunta muito difícil para mim. Porque não gosto muito de estudar. Mas não posso praticar a menos que termine meu dever de casa. Então, me apresso para fazer minha lição de casa todos os dias. O tempo de pandemia aumentou o tempo para dançar em casa. Os eventos presenciais foram cancelados, então, busquei participar de muitas batalhas on-line. Graças a isso, conheci muitas pessoas. Mas eu odeio pandemias porque há muitas notícias tristes. Espero que a pandemia acabe em breve e que as pessoas em todo o mundo possam se sentir à vontade.
BW:Você participou de vários eventos on-line. Participou do E-Fise na França em 2020, agora do World Kidz Breaking Championship e da Expo Hip-Hop no Brasil. Conte-nos como é participar de vários eventos ao redor do mundo, agora on-line?
Noa: Cada batalha teve uma grande experiência. A primeira batalha on-line no exterior da qual participei foi o Breakfree Worldwide. Fiquei emocionada ao mostrar minha dança para estrangeiros pela primeira vez. Como resultado, perdi no segundo turno, mas os grandes B-Boys organizadores me elogiaram. Além disso, um estrangeiro que não me conhecia antes deu-me boas dicas. E eu me tornei amigo de Katsu1 nessa época. Isso me deixou muito feliz e me deu confiança. Depois disso, comecei a querer participar cada vez mais das batalhas mundiais, eu me divirto muito porque posso batalhar com dançarinos que eu normalmente não seria capaz e com dançarinos estrangeiros!
BW: Nos campeonatos de Breaking, o tempo todo, B-Boys e B-Girls ganham e perdem. Como você se prepara emocionalmente para isso?
Noa: Claro que é muito frustrante perder. Na verdade, às vezes chorei na frente de todos. Mas depois disso, entendi que poderia ganhar da próxima vez! O espírito de competir eu tenho. Outros dizem: “Gosto do seu estilo”. Sinto-me encorajada pelas palavras. Mesmo se eu perder a batalha, ficaria muito feliz se alguém se lembrasse de mim pela minha dança memorável. E eu quero ser a melhor B-Girl do mundo algum dia, então eu continuarei treinando e participando de desafios!
B-Girl Noa foi a campeã da Breaking Street Battles, categoria International Breaking Kids, no dia 12 de junho (ontem)
BW: O que você acha do Breaking ter entrado nos Jogos Olímpicos?
Noa: Quero que muitas pessoas conheçam meu Breaking e sonho pelo grande palco das Olimpíadas. Mas preciso saber mais sobre o Breaking na história e também quero o valorizar como cultura.
BW: Quais são seus planos e sonhos para o futuro?
Noa: Meu sonho é ser a melhor B-Girl do mundo. E fazer muitos amigos em todo o mundo.
BW: Esse ano as Olimpíadas estão programadas para acontecer no Japão. Mas em função da pandemia muitas ideias diferentes surgiram na imprensa. É verdade que muitos japoneses são contra o evento acontecer este ano? Conte-nos como estão as coisas por aí? Como está a pandemia no Japão?
Noa: Essa é uma pergunta muito difícil. Não sei o que dizer, mas acho que alguns japoneses são a favor das Olimpíadas e outros são contra. Mas eu entendo ambas as opiniões. Se eu fosse uma atleta olímpica, gostaria que fosse realizado. Mas se minha família tem uma doença crônica e eles podem morrer se forem infectados, eu teria medo de participar. O Japão agora está tentando conter a pandemia. As vacinas estão sendo aplicadas. Mas muitas pessoas ainda são infectadas todos os dias. Parece que muitas vão morrer porque o hospital está cheio e não tem mais leitos. Ninguém ao meu redor foi infectado ainda. Por favor, não infecte ninguém. Quero que meus entes queridos continuem saudáveis. Espero sinceramente que não haja mais pandemias em todo o mundo.
BW: Que mensagem você deixaria para B-Boys e B-Girls brasileiros?
Noa: Olá, B-Boys e B-Girls brasileiros. Sou a B-Girl Noa do Japão. Se algum dia eu puder ir ao Brasil, gostaria de dançar com vocês. E eu quero que vocês sejam meus amigos. Estou ansiosa para vê-los algum dia. Vamos dar o nosso melhor um ao outro, tomara que esse dia chegue logo e se cuidem!
Fotos: Arquivo Pessoal
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Ele cresceu brincando nas ruas, desafios e problemas familiares existiram e não foram poucos, filho de pais separados, Maguila desde cedo teve que aprender a superar os dias nublados da vida e fazer seus “corres” para ajudar a mãe.
Seu primeiro contato com a Cultura Hip-Hop foi na escola por meio de uma Oficina de Breaking. Na época, de baixa estatura e um pouco acima do peso, se envolvia de vez em quando em algumas brigas, por isso seu apelido “Maguila”, referência ao conhecido lutador de boxe brasileiro dos pesos pesados. Mas o Maguila que estamos falando não tem nada a ver com o também carismático pugilista sergipano do passado.
Foi junto com a família Street Son que o B-Boy Maguila também cresceu e aprendeu talvez algumas das mais valiosas lições da vida! O menino é mais um grande nome da nova geração de B-Boys e B-Girls que vem se destacando no nosso país!
O Portal Breaking World teve a honra de conversar com ele, confira a entrevista:
BW: Queria que você me falasse seu nome, idade e contasse onde e como foi a sua infância? Que lembranças você tem dessa época? Como é sua vida em família?
B-Boy Maguila: Meu nome é Erich, tenho 17 anos, minha infância eu curti bastante! Tinha muitos amigos na rua onde eu morava. Todo dia era alguma brincadeira (risos), briguei muito (risos), acontece né? E minha família, a gente já passou por muitos problemas no passado, minha mãe e meu pai eram separados. Eu e meus irmãos vivíamos soltos na rua (risos). Agora eles tão junto de novo, todo mundo cresceu e faço meus corres para ajudar minha mãe.
O Breaking também trouxe fé e esperança de dias melhores para Maguila.
BW: Quando e onde teve contato pela primeira vez com a Cultura Hip-Hop?
B-Boy Maguila: Primeira vez que tive contato com o Hip-Hop foi na escola onde eu frequentava, a escola fez um projeto de oficinas, onde nela tinha a Oficina de Breaking e foi lá o meu primeiro contato.
BW: Em que ano começou a dançar Breaking? Alguém te ensinou? Quem foram suas referências na dança?
B-Boy Maguila: Comecei a dançar no ano de 2015, os professores eram o B-Boy Feijão e o João, que é baterista. Minha referência foi meu irmão e meus amigos.
BW: O que sua família acha sobre sua dança? Eles apoiam? Como surgiu o nome B-Boy Maguila?
B-Boy Maguila: Acham que eu tenho muito talento para isso, apoiam muito o meu desejo de seguir essa trajetória. O nome Maguila veio do lutador de boxe que se aposentou, o meu apelido começou na escola por conta que brigava (risos) era baixinho, gordinho e falavam que parecia com o Maguila e quando comecei a dançar falavam: “Nossa! O Maguila tá dançando agora!” (risos).
Talentoso e de sorriso fácil, Maguila deixou seu lado brigão para dedicar-se ao Breaking
BW: Houve movimentos mais difíceis de aprender? Quais?
B-Boy Maguila: Sim, o movimento mais difícil, que demorei pra aprender e mais faço é o “flare”, que é considerado um movimento olímpico.
BW: Como são seus treinos? E quantas vezes por semana treina?
B-Boy Maguila: Antes da pandemia, eu treinava 4 vezes na semana, na escola do CEU, em Perus.
BW: Fale um pouco de sua vida como B-Boy, em quais eventos esteve presente e fale daqueles que ganhou?
B-Boy Maguila: Eu acho que se não fosse o Breaking minha vida, seria diferente, hoje poderia estar no caminho errado, mas graças a Deus, não! Quando não trabalhava, eu e meus amigos íamos dançar no trem pra ganhar dinheiro e muitas vezes não tínhamos o dinheiro da passagem, então, a gente pulava a estação e ia fazer o dinheiro para participar de eventos e ainda ganhava (risos). Estive nos eventos: Arena Caieiras, que ganhei o primeiro lugar na modalidade Kids, em 2017; ganhei em um evento aqui onde eu moro, com meu parceiro de Crew, B-Boy Cabelo, quando estava começando a dançar, “Batalha da Pista”; ganhei em segundo lugar no evento em Mauá, em 2018; participei da Batalha Final, na categoria juvenil em 2019, onde ganhei o segundo lugar, “Prata”; e mais um em Mauá, no Reality Show B-Boys, em segundo lugar.
Hoje mais experiente, Maguila conta que suas mãos tremiam ao receber o primeiro troféu
BW: Qual foi o sentimento de ganhar o seu primeiro troféu? Você guarda até hoje? Você se lembra em que evento foi?
B-Boy Maguila: O primeiro evento que ganhei, fiquei muito emocionado, minhas mãos até tremiam quando peguei no troféu, foi o melhor dia da minha vida! Guardo até hoje em casa e o evento que foi conquistado era o Arena Caieiras.
BW: Como você vê a participação das crianças nos eventos de Breaking brasileiros? Acha que é dado o mesmo valor às crianças que é dado aos adultos?
B-Boy Maguila: Para mim é muito gratificante ver as criança mostrando o talento delas, só de ver ela fazendo um movimento difícil já e algo surreal. Mas por muitas vezes não acho justo, quando ela faz melhor do que um adulto e ainda perde. Devemos valorizar mais a dança dos pequenos.
BW: Você tem vontade de competir fora do Brasil? O que acha do Breaking que é feito aqui comparado ao Breaking que é feito lá fora?
B-Boy Maguila: Sim, eu tenho muita vontade de competir fora do Brasil, é uma outra vibe e o Breaking do Brasil é muito diferente do lá de fora. O do Brasil não é tão organizado, principalmente em questão de eventos.
Maguila faz parte da Street Son Crew, um dos grupos de Breaking mais tradicionais de São Paulo
BW: Você tem referências de B-Boys ou B-Girls lá fora?
B-Boy Maguila: Sim, B-Boy Lilou.
BW: O que significa o Breaking na sua vida? Fale sobre a sua Crew?
B-Boy Maguila: O Breaking significa família! Família daquelas que te entende, entende o sentimento da dança, a forma de se expressar, a união. Trocamos muita energia uns com os outros, é muito bom! Faço parte do grupo Street Son Crew, que foi fundada em 1992, está sendo passada de geração em geração, é uma Crew respeitada e tem muita história pra contar. Daria um livro!
BW: Como tem feito para treinar em época de pandemia?
B-Boy Maguila: Como estamos em época de pandemia, estou treinando as vezes em casa, é em uma quadra que tem perto aqui onde eu moro.
BW: O que acha do Breaking virar um esporte olímpico? Você gostaria de participar de uma Olimpíada?
B-Boy Maguila: Eu acho uma ideia boa, por que o Breaking vai ser mais reconhecido e também mais praticado. E gostaria muito de participar, já que fui chamado…
BW: Você foi chamado? Quem o chamou? Como foi isso?
B-Boy Maguila: Ano passado, o produtor de eventos Bob King, disse que estava fazendo uma Seleção Brasileira de Breaking. Um menino do meu grupo mandou meu contato para ele, aí o Bob falou que eu fui escolhido, que eu fui um dos selecionados para a Seleção Brasileira de Breaking. Eu fui conversar com ele, falou que eu ia viajar para a Europa, que era para eu fazer o meu passaporte, que eu precisava batalhar, ele falou que ia me dar uns kits, mas tudo era conversa, eu vi que tudo era enrolação, o pessoal do meu grupo me orientou à respeito dessas ideias e tudo o que ele falou e prometeu, passou o tempo e nunca aconteceu. Ele ficou enrolando para nada.
BW: Quais são seus planos para o futuro?
B-Boy Maguila: Meus plano pro futuro, fazer uma faculdade de educação física e virar um professor, mas estão aparecendo outras oportunidades para mim. Estou indeciso ainda…
BW: Mande um recado aqui para quem curte o Breaking e está lendo sua entrevista?
B-Boy Maguila: Satisfação em compartilhar minha história com vocês, ainda vai ter muito mais. É apenas o começo da vida de um grande B-Boy!
“…minha preocupação mesmo é dançar bem, sempre fazendo o meu melhor.” (B-Boy Ferrugem)
Ele nasceu em Ceilândia, região administrativa de maior influência nordestina no Distrito Federal, considerada também um celeiro cultural e esportivo, por conta de sua riquíssima diversidade artística e atletas da cidade que despontam no cenário nacional e mundial.
Thiago, menino cheio de sardinhas no rosto e sonhos no coração, com uma força admirável, conhecido na cena como B-Boy Ferrugem é mais um exemplo que Ceilândia realmente pode ser uma mãe orgulhosa de seus muitos talentos!
A infância desse menino e dos seus irmãos não foi fácil, viveu dias tristes e bem difíceis dentro de um orfanato, mas podemos dizer que foi amado desde o início por Dona Josefa Araújo, sua mãe adotiva, mulher guerreira que tem 10 filhos, onde 8 são adotados e por seu irmão Sidney. Josefa lutou 5 anos para que tudo se regularizasse e pagou um alto preço por esse amor, que valeu a pena pela felicidade que sente hoje vendo a família unida.
Foi no orfanato, também, que Ferrugem teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop e com o elemento Breaking. Sempre teve o Project Sagaz, que é um projeto social de Cultura Hip-Hop, idealizado e realizado na cidade de Águas Lindas, de Goiás como família e o B-Boy Tsu como seu referencial na dança, ensinando tudo que o menino sabe.
Hoje, Ferrugem tem 15 anos e recentemente, em 2020, passou a fazer parte também da DF Zulu, que é a Crew mais antiga do Distrito Federal. Essa semana, o Portal Breaking World teve o privilégio de escutar e agora contar para vocês a história desse menino que, sem dúvida, é mais um grande nome da nova geração de B-Boys brasileiros que vão conquistar o mundo nos próximos anos, confira a entrevista:
BW: Nome completo, idade. Queria que você nos contasse: onde nasceu?
Ferrugem: Sou Thiago Araújo de Sousa, tenho 15 anos, sou conhecido como B-Boy Ferrugem, nasci em Ceilândia, no Distrito Federal.
Dançar bem dando sempre o seu melhor é um dos objetivos do B-Boy Ferrugem.
BW: Verdade que teve toda uma luta ligada a um processo de adoção? Nos conte sobre todos esses desafios, como isso afetou sua vida e sobre as vitórias que consegui nesse sentido?
Ferrugem: Esse processo de adoção levou cerca de 5 anos até a total regularização da minha situação, porquê no processo envolvia mais 2 irmãos meus, que também foram adotados pela minha mãe. No final deu tudo certo e hoje tudo que envolve documentação é resolvido de forma simples. Essa situação resolvida facilitou todas as questões de viagens e afins.
BW: Como você conheceu o Sidney e a sua nova família?
Ferrugem: Foi um momento muito triste da minha vida, não falo muito sobre essa época porque tem um processo correndo na Justiça. Eu e meus irmãos sofremos muito, mas minha mãe lutou muito por nós.
BW: Como é sua relação hoje com sua família, com o Sidney? Fale um pouco sobre todo esse amor…
Ferrugem: Mesmo tendo contato com minha família biológica, a minha referência é a minha mãe adotiva, que sempre pagou um alto preço pra me ver bem, o Sidney é um irmão de fato, me cobra dedicação, conversamos bastante, às vezes ele é chato, mas sei que é pro meu bem. Hoje somos 10 irmãos, 8 são adotados!
Dona Josefa Araújo é mãe adotiva de Ferrugem e que tem mais 7 filhos adotivos e dois biológicos: coração gigantesco de uma mulher guerreira!
BW: Quando teve contato pela primeira vez com a Cultura Hip-Hop? Onde e como foi?
Ferrugem: Foi ainda no orfanato, em uma apresentação de Breaking que vi.
BW: Com quantos anos começou a dançar Breaking? Alguém te ensinou? No princípio, quem foram suas referências?
Ferrugem: Comecei mais ou menos com 8 anos, na mesma época em que nasceu o Project Sagaz, o B-Boy Tsu da DF Zulu sempre foi meu referencial na dança, sempre me cobrou empenho e me ensinou praticamente tudo que sei.
BW: Em relação ao Breaking, teve algum movimento que foi mais difícil de aprender ou que ainda é?
Ferrugem: Acho que foi muito [difícil] o Top Rock e Footwork, que no princípio eu tive que me dedicar bastante pra aprender e entender.
BW: Você ao dançar passa uma força, uma seriedade e uma grande concentração. De onde vem tudo isso?
Ferrugem: Isso vem muito do que o Tsu e Project Sagaz passa pra mim e pros meninos que fazem aula.
Nas batalhas de Breaking, o menino chama a atenção pelo foco e concentração.
BW: Fale um pouco de suas rotinas de treinos. Quantas vezes na semana treina e como tem feito nesse tempo de pandemia?
Ferrugem: Não tenho treinado tanto nesse período, mas ocasionalmente eu vou nos treinos mais restritos que tem no projeto.
BW: Quem te deu o apelido Ferrugem? E de onde surgiu esse nome?
Ferrugem: Devido às minhas sardinhas no rosto, foi automático.
BW: Como se prepara para cada batalha? Você fica apreensivo ou é tranquilo?
Ferrugem: Geralmente, fico tranquilo, mas sei da importância.
BW: Fale um pouco sobre as principais vitórias em campeonatos. Quais foram os principais eventos onde você foi campeão?
Ferrugem: Um dos principais eventos que ganhei foi a batalha de 1 ano do Encontro de B-Boys de Águas Lindas, porque foi contra adultos, todo mundo podia se inscrever (2018), 2 vices campeonatos da Chelles Battle, foi importante pra mim. Campeão do Festival Quando As Ruas Chamam em 2018 e vice em 2019, 3º Colocado da batalha de Breaking do Festival Elemento Em Movimento, maior do Centro-Oeste, em 2018.
Além do Project Sagaz (na foto), B-Boy Ferrugem também faz parte da DF Zulu Crew.
BW: Como você trabalha o seu emocional na hora que ganha ou na hora em que perde? O que você sente quando está dançando?
Ferrugem: Na verdade, eu nem me preocupo muito com isso, minha preocupação mesmo é dançar bem, sempre tentando dar o meu melhor.
BW: Fale sobre sua Crew, sobre o Project Sagaz e como você se relaciona com essa grande família?
Ferrugem: O Project é um lugar muito especial, ali é bem mais que uma Crew, todo mundo se preocupa e apoia todo mundo, é realmente uma família!
BW: Verdade que esse ano você começou a fazer parte também de uma outra Crew?
Ferrugem: Verdade. Entrei para a DF Zulu que é a Crew mais antiga do Distrito Federal.
A dificuldade encontrada no processo de adoção atrapalhou os planos de dançar fora do Brasil.
BW: Você já competiu fora do país? Tem sonho de ir? Tem algum B-Boy estrangeiro ou brasileiro que você admira muito?
Ferrugem: Ainda não fui, mas já recebi vários convites, o fato do processo de adoção ter demorado regularizar a situação do meu nome atrapalhou um pouco nisso.
BW: Como você administra dança e os estudos? Em que série você está? As pessoas costumam na escola te pedir para dançar?
Ferrugem: Na verdade sempre puxam minha orelha por causa disso, estou na 8ª série, as pessoas sempre pedem pra eu dançar!
BW: Fora a dança o que você mais gosta de fazer?
Ferrugem: Jogar futebol, jogar Free Fire e jogar fliperama no projeto.
BW: O que significa o Breaking na sua vida?
Ferrugem: É algo que me deu aprendizado, uma nova visão de vida.
Assim como outros B-Boys e B-Girls Kids, Ferrugem sonha em disputar os Jogos Olímpicos.
BW: O que você acha da possibilidade do Breaking virar um esporte olímpico? Você gostaria de ir para uma Olimpíada?
Ferrugem: Acho que o Breaking merece visibilidade, eu gostaria muito de participar de uma Olimpíada e ter essa experiência.
BW: Quais são seus planos para o futuro? Onde você pretende chegar?
Ferrugem: Quero terminar meus estudos, me dedicar mais à dança, crescer junto com o Project Sagaz, ajudando as pessoas da nossa cidade, acho que é isso por enquanto.
BW: Mande uma mensagem para todos que estão lendo essa entrevista.
Ferrugem: Espero que esse tempo de pandemia acabe logo, para que possamos voltar com as coisas que gostamos de fazer, sem medo.
Fotos: Arquivo Pessoal/Shake It
Ferrugem (ao centro) e os B-Boys Marcin e Samukinha, da Dream Kids Brazil
Dona Josefa com Ferrugem e alguns irmãos
Ferrugem e os irmãos
Ferrugem e Sidney
Ferrugem e o irmão Sidney
Ferrugem e B-Boy Tsu
Ferrugem e B-Boy Tsu
Ferrugem
Ferrugem
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“A convivência com o Hip-Hop Educa me ensinou a crescer, a evoluir e a entender como a união faz a força. Sinto muita falta deles!”. (B-Girl Aninha)
Ela nasceu em Mauá, que é um município da região metropolitana de São Paulo. Sua infância foi bem humilde mas muito divertida.
Foi por meio do Ballet, numa coreografia que envolvia o Hip-Hop que descobriu, ao ser escalada para fazer o movimento principal, que o Breaking era algo mágico e que queria ser uma B-Girl.
Mas foi junto com a família do Hip-Hop Educa e com o B-Boy Suco que cresceu, evoluiu e aprendeu talvez uma das maiores lições de sua vida: “que a união faz a força”.
Estamos falando da B-Girl Aninha, hoje com 15 anos a menina começa a dar espaço para o nascimento de uma vigorosa jovem, atualmente ela mora com seus pais em Peruíbe, no litoral paulista. A mudança se deu pela busca da tranquilidade na vida praiana. Aninha conversou com o Portal Breaking World e falou sobre sua vida, suas vitórias, suas saudades, suas opiniões e sobre o futuro. Confira a entrevista:
BW: Queria que você falasse um pouco de você, sobre a sua infância e das lembrança que tem dessa época.
Aninha: Meu nome é Anna Carolyne de Sousa Diamantino, tenho 15 anos, tenho 4 irmãos por parte de pai e 2 irmãos por parte de mãe. Eu nasci na cidade de Mauá, em SP e morei em um lugar bem humilde. Minha infância foi incrível e divertida.
Aninha encontrou o Breaking em uma coreografia de Ballet.
BW: Quando teve contato pela primeira vez com a Cultura Hip-Hop? Onde e como foi isso? Quando começou a dançar Breaking?
Aninha: Por incrível que pareça, tive contato pela primeira vez em uma coreografia de Ballet. Minha professora montou uma coreografia que envolvia o Hip-Hop e eu fui escolhida para fazer o movimento principal da coreografia.
BW: Como sua família via seu interesse pela dança? Você teve apoio da família?
Aninha: A minha família notou esse interesse no momento da coreografia. Sim, tenho muito apoio deles, tanto do meu pai quanto da minha mãe e dos meus irmãos.
BW: Fale sobre como era o tempo que treinava com o B-Boy Suco e como era viver com a família Hip-Hop Educa? Você sente falta deles?
Aninha: Era sensacional! Ele é um professor muito dedicado, disciplinado para com seus alunos, sempre transmitia sua alegria para todos. A convivência com o Hip-Hop Educa me ensinou a crescer, a evoluir e a entender como a união faz a força. Sim, sinto muita falta deles!
Aninha sente falta dos companheiros de Crew.
BW: Tiveram movimentos mais difíceis de aprender do que outros ou foram todos tranquilos de aprender?
Aninha: Sim, tiveram movimentos difíceis que demorei mais para aprender.
BW: Você participou de vários eventos e ganhou alguns deles. Fale dos principais eventos e das grandes vitórias.
Aninha: Um dos principais eventos, que foi muito marcante, foi a segunda vez que fui para Diadema, no Beija-flor. E uma das grandes vitórias foi quando eu fui para Tattoo Week pela primeira vez e consegui levar a vitória para casa. Participei de muitos eventos e tive grandes vitórias, mas esses foram os principais que mais me marcaram.
BW: Já competiu fora do país? Alguma vez pensou em ir morar fora do Brasil?
Aninha: Não, mas já tive a chance. Sim
Aninha com B-Boy Suco e a mamãe Iris em evento de Breaking.
BW: Estudar e dançar: como você organiza isso? Em que série você está? Na escola é normal pedirem para você dançar?
Aninha: Em relação a isso é bem tranquilo, consigo me organizar muito bem. Estou na 1ª série do Ensino Médio. Na escola atual não, mas na anterior sempre pediam para eu dançar.
BW: Ano passado você mudou de São Paulo para Peruíbe, no litoral. O que a levou a trocar a vida agitada de São Paulo pela vida do litoral?
Aninha: Meus pais decidiram trocar essa vida agitada, pois queriam mais tranquilidade e menos agitação.
BW: Como você tem vivido esses dias de pandemia no litoral? O que tem feito?
Aninha: Tenho vivido muito bem. Estou estudando bastante, ajudando a minha mãe e treinando muito.
B-Girl Aninha e B-Boy Isaque na MF Battle.
BW: O que acha dos eventos on-line que estão acontecendo nesse momento e dessa nova forma de participar de eventos? Como acha que será o futuro para os B-Boys e as B-Girls pós pandemia?
Aninha: Estou achando bem legal. Na minha opinião, isso depende de cada um, muitos não tem lugares para treinar, mas sei que alguns estão tentando continuar nessa batalha e evoluir.
BW: Muito tem se falado do Breaking nas Olimpíadas. O que pensa sobre isso? Você gostaria de ir para as Olimpíadas?
Aninha: Achei muito interessante, isso será uma chance para todos nós de sermos reconhecidos
BW: O que hoje significa o Breaking na sua vida? Quais são seus planos para o futuro e seus sonhos?
Aninha: Pra mim significa tudo, o Breaking faz parte de mim, é uma dança que me faz sentir leve e contente. Ainda não me decidi o que eu realmente quero para o meu futuro, mas sei que o Breaking continuará sendo o meu hobby.
BW: Deixe uma mensagem para os leitores do Portal Breaking World que estão lendo essa entrevista…
Aninha: E aê galera? Continue se esforçando e dando o melhor de si pelo o que você gosta, desistir jamais, persistir sempre! Um abraço para todos!
Fotos: Arquivo Pessoal/The Sarará
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Ele começou a dançar com 6 anos de idade, pequeno no tamanho mas gigante no talento, Marcos Pedro, da Dream Kids Brazil, mais conhecido como B-Boy Sonek, nascido na cidade Catalão, em Goiás, filho de um pedreiro e de uma costureira, encantou o mundo com seus movimentos de Power Move, que executa para os dois lados.
Em 2014, na Europa, foi campeão Kids da Eurobattle e vice-campeão da Power Move Battle, numa competição de altíssimo nível, com o Kid Colômbia.
O que o levou a participar também de programas de TV nacionais e internacionais, como o Super Kids na Alemanha e o Legendários, no Brasil.
Sonek foi notícia também em várias mídias brasileiras, como G1, Record, entre outras. O menino sempre participou de grandes eventos, dentro e fora do país, colocando o Brasil no topo e mostrando a força da nova geração brasileira no Breaking.
Hoje, com 16 anos, as feições de menino vão dando espaço para o surgimento de um jovem, extremamente talentoso na dança, disciplinado, focado, que tem movimentos firmes, elegantes e singulares, sendo sem dúvida um dos grandes nomes do Breaking brasileiro a ser ouvido nos próximos anos.
Confira a entrevista que o Portal Breaking World fez com o B-Boy Sonek:
BW: Queria que você falasse um pouco da sua infância, onde nasceu e da sua vida em família? Tem irmãos?
Sonek: Nasci em uma cidade chamada Catalão, em Goiás, minha vida em família é bem humilde e amigável, sim, tenho 3 irmãos.
B-Boy Sonek foi Campeão Kids da Eurobattle com apenas 10 anos de idade.
BW: Quando teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop o que mais te chamou a atenção nessa cultura?
Sonek: Não me recordo exatamente, porque eu tinha 6 anos de idade, mas lembro que sempre viajava com meu pai para os eventos em Uberlândia e Goiânia.
BW: Com que idade começou a dançar Breaking? Quem te ensinou? E onde você treinava?
Sonek: Comecei com 6 anos de idade, meu pai me ensinou, treinava no meu quarto com meus primos e amigos. Meu pai sempre foi fundamental para meu aprendizado, tudo que sei hoje é devido a ele e minha evolução progrediu quando o Tio Dunda passou a ser o nosso mentor, mostrando caminhos certos de treinos e eventos certos para participar.
BW: Você sempre teve o apoio da sua família na dança?
Sonek: Sim, minha mãe e meu pai sempre me apoiaram, quando meu pai ia trabalhar, minha mãe que me acompanhava nos treinos.
O pai Thiago, que também é B-Boy e o coach “Tio” Dunda: fonte de inspiração para Sonek
BW: Seu pai também dançava, correto? Isso facilitou seu aprendizado?
Sonek: Sim, dei continuidade, sem ele não teria como ter aprendido e seguido em frente. Ele sabe ensinar super bem, com certeza facilitou muito a minha aprendizagem no Breaking.
BW: Tiveram movimentos que você teve mais dificuldade em aprender? Qual foi o mais difícil?
Sonek: O mais difícil foi o “1990” e as variações de movimentos.
BW: Na sua dança, os movimentos Power Moves estão bem presentes e alguns são para os dois lados, o que o torna quase único entre os dançarinos da sua idade aqui no Brasil. Com quem aprendeu tudo isso?
Sonek: Influências do meu pai, que é de uma geração de B-Boys que para ser bom teria que fazer alguns movimentos para os dois lados, segui essa tendência também.
O título do Breaking Combate foi a porta de entrada para o menino ganhar a Europa com seu Breaking
BW: Houve muito preparo físico para chegar no nível que chegou? Muitas horas de treino? Atualmente como é sua rotina de treino?
Sonek: Sim, no começo não tinha preparo físico porque meu pai não tinha esse conhecimento, com a chegada do Tio Dunda tudo mudou, focamos também nos exercícios físicos e isso causou um impacto enorme na minha evolução, juntamos tudo que o meu pai sabia com o conhecimento do Tio Dunda e o resultado foi outro.
BW: Em 2014, você foi campeão da Eurobattle, no Kids. Foi a primeira vez que você saiu do Brasil? Fale como foi essa experiência.
Sonek: Sim, foi a minha primeira viagem internacional, foi muito legal, tinha muitas pessoas que me conheciam só pelos vídeos e vinham tirar fotos comigo, fizemos “street show” também, as pessoas valorizam quem dança Breaking, evento bem organizado, com boa estrutura, mas antes tive uma grande e importante caminhada para chegar até a Europa. Saímos de Catalão até São Paulo, 12 horas de carro, para batalhar no Breaking Combate, que foi o evento que pagou as passagens e estadia para mim e meu pai em Portugal. Batalhei na final contra o Suel, um Power Move muito bom de Goiânia, para assim me consagrar campeão nacional e o prêmio foi a viagem e participação na Eurobattle.
BW: Com quem competiu na Eurobattle e o que sentiu quando ganhou o campeonato, colocando o Brasil em primeiro lugar?
Sonek: Tinham B-Boys e B-Girls de toda parte do mundo e o grande favorito era o Super Mario, da Bélgica. Enfrentei ele na final e me consagrei campeão por 3 votos a 0, era o meu dia, estava me divertindo, sem a pressão e obrigação de ser campeão, meu pai nervoso pelo filho dele estar em uma final mundial de um lado e o Tio Dunda, tranquilo, me ajudou muito com os conselhos e me deixou tranquilo também, lembro que ele disse: “Sonek, você não precisa provar nada pra ninguém, você já é o campeão nacional, faz o que você treina na sala do templo (meu quarto onde treinava) e se diverte”, fiz exatamente isso e minha dança fluiu.
Hoje com 16 anos, Sonek faz parte da Dream Kids Brazil e treina forte para alçar voôs maiores como dançarino
BW: Quais são as principais diferenças que você percebe entre os B-Boys de fora do país e os brasileiros, seja nos treinos e no geral?
Sonek: De fora eles tem mais estrutura e apoio, seja de família ou patrocínios. No Brasil, tudo é mais difícil, até para irmos para outro estado é caro, muitos não têm um chão bom para treinar.
BW: Você também foi vice-campeão de Power Move. Comente essa experiência…
Sonek: Tinha muitos caras bons, o nível era altíssimo, fui bem preparado, enfrentei o holandês Kid Colômbia na final, perdi de 3 votos a 0, mas muitos não acharam isso, respeitamos a decisão dos jurados, que estão lá para isso e se estão lá é porquê são capazes de terem avaliado o certo.
BW: Você se apresentou também em programa de televisão fora do país. Nos conte como foi essa experiência?
Sonek: Sim, no Super Kids da TV SAT1, foi um experiência incrível, o Tio Dunda foi quem fez todo o trâmite para que isso se concretizasse, sem ele não teríamos condições de ter avançado nessa experiência. Nunca tive medo de batalhar, mas momentos antes de me apresentar, minhas pernas tremiam, saí da minha zona de conforto das batalhas para um palco de TV na Alemanha, mas no geral eu gostei muito.
Dançar se divertindo e com calma foi o segredo para Sonek ganhar o mundo com seus Power Moves
BW: Na sua escola, as pessoas pedem para você dançar? Sua cidade te apoiou na sua dança?
Sonek: Sempre me pediram e ainda pedem, mas temos que nos controlar para não nos machucarmos, devido o corpo estar frio, teve alguns eventos que a Fundação Cultural de Catalão apoiou, sim.
BW: O que significa o Breaking na sua vida?
Sonek: Faz parte de mim, como se fosse um órgão, não posso ficar sem o Breaking, sei que o Breaking tem o poder de mudar minha vida.
BW: Que mensagem você deixaria para as crianças que pretendem começar no Breaking?
Sonek: Treinar, treinar e treinar. Muitas pessoas vão dizer que não vai dar em nada, mas segue o seu coração e não o que eles dizem. Se você quer ser bom, então, tome atitude de quem é bom, se dedique…
O chão vai estalar: está chegando a nova geração do Breaking.
Com cara de brava, com uma força que parece não caber dentro de uma garotinha de 10 anos, Chaya Gabor, mais conhecida no circuito de campeonatos de Breaking como B-Girl Angel do Brasil, sempre gostou de batalhas!
O que muitos não sabem é que a maior delas foi assim que chegou ao mundo e o prêmio foi a própria vida. Com um passado ligado a muitos fios, incubadora, balão de oxigênio e muitas orações, foram assim os primeiros meses da vida dessa B-Girl, marcada pela prematuridade extrema, Chaya nasceu com 850 gramas, ficando internada numa UTI Neo Natal por muitos dias, tendo sobrevivido a 2 paradas cardiorrespiratórias. Angel é um milagre vivo! Após sua alta médica, teve apneia da prematuridade, necessitando de monitoramento contínuo e utilização de oxímetro em seu primeiro ano de vida, ela esquecia-se de respirar mas não deixava de batalhar pela vida jamais.
Seu nome significa “Presente de Deus” e segundo sua família, sempre representou isso na vida de todos que a conhecem. Sua emocionante história virou até um livro chamado “Gerando Milagres”.
Passadas todas as tempestades e incertezas, Angel começou a dançar, no início por uma indicação médica, já que não gostava de nadar. Primeiro no Ballet, depois, acompanhando o irmão, B-Boy Eagle (13), já com quase 4 anos trocou o Ballet por algo bem radical, o Breaking, onde se encontrou.
Curada por Deus e abraçada pela Cultura Hip-Hop, a menina que é bem conhecida na cena, nas redes sociais e na imprensa, tem despontado como um grande nome da nova geração do Breaking. Só no Instagram tem mais de 2000 seguidores que acompanham seu dia a dia, os campeonatos que participa e suas vitórias. Recentemente, ganhou o primeiro lugar na qualificatória brasileira do Festival de Dança “All Dance”, o que garantiu uma vaga no mundial que acontece agora em Setembro. Com uma personalidade forte e marcante na hora da dança, é carinhosamente chamada por seu treinador Eder Devesa de “Senhorita Power Move”. Leia a entrevista:
BW: Fale um pouco sobre você, sobre sua história?
B-Girl Angel: Meu nome é Chaya Gabor, tenho 10 anos. Nasci bem antes do tempo que os médicos e minha mãe esperavam. Nasci com 850 gramas e quase morri. Isso me fez ficar no hospital muito tempo com minha mãe até eu ganhar peso e ficar boa dos meus problemas respiratórios. Mamãe diz que foram muitos dias, onde muitas pessoas oraram pela minha vida. Para alguns, sou um milagre, parei duas vezes de respirar. Lutei para viver, essa foi minha primeira batalha. E minha mãe até escreveu um livro contando a minha história.
Gerando Milagres: Uma história real da luta pela vida. A B-Girl nasceu com apenas 850g, ficou 110 dias internada na UTI e teve 2 paradas cardiorrespiratórias.
BW: Quando você começou a dançar Breaking e quem te ensinou?
B-Girl Angel: Acho que comecei a dançar Breaking dentro da barriga da minha mãe (risos). Nessa época, minha mãe trabalhava com alguns Rappers e quando eles começavam a rimar em shows, eu me mexia muito em sua barriga, às vezes ela não conseguia nem andar. Mas aprender dançar mesmo comecei aos 2 anos no Ballet, com a tia Luciana Amâncio, no litoral de São Paulo, meu irmão também dançava, fazíamos sapateado juntos. Até que um dia conhecemos o Zeca Break, foi ele quem nos ensinou os primeiros movimentos do Breaking e nos fez amar essa cultura. Tenho muito carinho pelo Zeca.
BW: Você tem referências no Breaking?
B-Girl Angel: Sim, algumas: B-Girl Mini Japa, B-Boy Ruddy, B-Girl Ayumi, B-Boy Lilou, B-Boy Menno, B-Boy Bruce, B-Boy Issei, B-Boy André Herculess, B-Boy Dynabeat, B-Boy Vapor, todos os meninos da minha Crew, meu coach B-Boy Dunda e meu irmão.
B-Boy Eagle, B-Boy Zeca Break e B-Girl Angel do Brasil: homenagem ao primeiro professor de Breaking.
BW: Quem te treina hoje?
B-Girl Angel: É o Eder do Breaking Combate, já estamos juntos há 2 anos. Gosto muito dele, já faz parte da minha família. Ele me chama de “Senhorita Power Move” (risos).
BW: Tiveram movimentos que foram mais difíceis de aprender, que levaram mais tempo?
B-Girl Angel: Sim, tiveram e têm até hoje! Mas Breaking é repetição. E de tanto repetir, aprendemos.
BW: Sua família sempre apoiou a sua dança? Como é sua vida em família?
B-Girl Angel: Sempre! Minha mãe e o meu pai sempre nos apoiaram demais! Os meus avós também! Todos são grandes incentivadores da nossa arte.
“Rival vs Rival” foi a primeira vez de B-Girl Angel em uma batalha de Breaking.
BW: Quando começou a ir para campeonatos? Qual foi o primeiro campeonato que você foi?
B-Girl Angel: Foi em 2017. O primeiro campeonato que eu participei foi o “Rival vs Rival”. Depois, o “Master Crews” e não parei mais de participar de campeonatos. Eu gosto muito de competir! É um momento que me sinto bem e tranquila, pois estou fazendo o que mais gosto.
BW: E qual foi o primeiro que você ganhou? Qual foi a sensação de levantar o primeiro troféu? Você guarda esse troféu até hoje?
B-Girl Angel: Acho que o primeiro que eu ganhei foi em Juquitiba. Foi muito bom ganhar o primeiro troféu e foi contra o meu irmão (risos). O troféu faz parte da minha coleção e está na estante até hoje!
BW: Me fale um pouco da sua rotina de treinos. Que horas e quantas vezes na semana você treina e com quem?
B-Girl Angel: Treino quase todos os dias, às vezes até final de semana e os meus treinos são divididos. Dura em média umas 3 horas.
B-Girl Angel treinando na Street House com o coach Eder Devesa (de boné), B-Boys Sonek e Eagle, da Dream Kids Brazil.
BW: É fácil ser B-Girl e uma boa aluna na escola? Os colegas e os professores pedem para você dançar para eles na escola?
B-Girl Angel: Não é fácil. Sim, sempre pediram, principalmente nos eventos da escola. Os colegas também, na hora do recreio. E até ensinava para alguns.
BW: Fale um pouco sobre a sua Crew?
B-Girl Angel: Eu faço parte da Dream Kids Brazil, que é uma Crew formada por crianças e juntos somos uma família. Somos treinados pelo B-Boy Dunda. Na Crew somos B-Boy Sonek, B-Boy Marcin, B-Boy Samukinha, B-Boy Eagle e eu.
BW: O que você sente quando você dança? O que se passa na sua cabeça?
B-Girl Angel: Liberdade e felicidade de poder sempre ser eu na minha dança. De ter a minha personalidade. Me sinto muito bem. Admiro muita gente, mas não quero ser os outros, eu quero ser eu. Lembro que no passado, por algum tempo, treinei com um professor que usava as crianças e não respeitava isso e transformava todos os alunos em seus bonecos de imitação. E até hoje é assim. É só olhar para eles, são os meninos e meninas do B-Boy fulano, que dançam igual a ele! Não quero ser conhecida desta forma. Eu não gosto disso! Eu sou a B-Girl Angel!
“Não quero ser os outros, quero ser eu!”, personalidade é a marca de B-Girl Angel nas batalhas e na vida.
BW: Uma das suas principais características é a cara de brava dentro das rodas? Você é brava?
B-Girl Angel: Nas batalhas e nas rodas sou concentrada. Mas não sou brava!
BW: Para você o que é o Breaking? O que ele representa na sua vida?
B-Girl Angel: Breaking é a minha vida! Depois de Deus, foi o Breaking que me curou dos meus problemas respiratórios.
BW: Você se acha competitiva? O que te deixa muito irritada durante uma batalha de Breaking?
B-Girl Angel: Sim, sou bastante! Pessoas que parecem presas, repetitivas e que têm movimentos sujos.
A B-Girl treina forte para estar sempre pronta nas competições, mas sem esquecer a essência do Hip-Hop, o valor da família e das verdadeiras amizades.
BW: Nos campeonatos que você compete contra adulto, você acha que já deixou de ganhar algum pelo fato de ser criança? Acha que as crianças são valorizadas nos eventos?
B-Girl Angel: Não me lembro, mas acho que aqui no Brasil, os eventos não valorizam as crianças como lá fora! Meu irmão foi para a Europa no ano passado e as crianças eram reconhecidas nos grandes eventos. Mesmo tendo adultos também! Se a criança for melhor que o adulto deve ganhar!
BW: O que você se sente quando você não ganha ou perde? Consegue lidar bem com isso?
B-Girl Angel: Me sinto normal, faz parte ganhar e perder. Quando eu não ganho porque errei, na hora fico aborrecida, sim. Mas, quando sei que fui bem e não ganhei porque houve panela acho feio para quem senta na cadeira de jurado. Se um dia for convidada para ser jurada, jamais quero participar de coisas assim.
BW: Além da dança, o que mais você gosta de fazer?
B-Girl Angel: Eu gosto de rimar, gosto de Batalhas de Rima! Gosto de ir na São Bento, gosto de desenhar, de ver vídeos de dança e de como construir as coisas.
Além de dançar Breaking, a menina gosta de rimar e desenhar.
BW: Quais são os seus maiores sonhos na dança? Onde quer chegar?
B-Girl Angel: Meu sonho é morar e dançar fora do país. É ser completa na dança, eu sou B-Girl e eu posso!
BW: Tiveram muitas crianças que começaram na mesma época que você e hoje já não dançam mais. Você alguma vez pensou em desistir de dançar?
B-Girl Angel: Não vou desistir da minha vida. O Breaking é a minha vida.
BW: O que você acha da possibilidade de poder participar de uma Olimpíada?
B-Girl Angel: Acho muito bom! Mais uma grande oportunidade para a minha geração.
Dançar e dançar e dançar. A beleza de ser uma eterna aprendiz!
BW: Fale sobre os eventos que já participou.
B-Girl Angel: Em 2019, fui a primeira criança a chegar na final do Prêmio Sabotage, 1º lugar na Batalha Final Kids e 3° lugar na Batalha Final de B-Girls. 1° lugar Batalha de Juquitiba, participei de Rival Vs Rival (SP), Breaking Combate (SP), 2° lugar no Peruíbe Dance Festival (SP), Master Crews (SP), BreakSP Battle, B-Boy World Classic (SP), Nike Battle Force na Streetopia (SP), 2º lugar São Matheus Break, 1º lugar Fábricas de Cultura (SP), Ar Dance (Peruíbe/SP), 2° lugar na Tattoo Week (SP), Festival Santos Café (Santos/SP), R16 (SP), Tropical Battle (RJ), Battle Kids Argentina, Quando as Ruas Chamam (DF), Red Bull BC One Camp Brazil, Campeã da Quebrada Viva Battle, 1° lugar no Arte Breaking, 2º lugar no São Vicente Festival, 1° lugar na modalidade Kids do All Dance Brazil 2020.
A paixão pela dança é o que move o coração da B-Girl Angel do Brasil.
BW: Como foi ganhar a vaga para o mundial no All Dance World?
B-Girl Angel: Foi bem especial! Treinamos durante meses a coreografia “Anjo do Breaking” e o resultado foi a resposta a um bom trabalho feito. Vou lutar pelo mundial também!
BW: Quem é a Angel?
B-Girl Angel: B-Girl Angel do Brasil sou eu! Fora das batalhas sou a Chaya!
BW: Que mensagem você deixaria para outras crianças que pensam em começar no Breaking?
B-Girl Angel: Venha logo dançar e conhecer essa cultura!
O que sobra para as crianças da periferia? Os bares, as igrejas, as lajes para empinar pipas, os parques, as feiras, são os únicos locais socioculturais da quebrada, nessa realidade é um desafio não perder os jovens para o crime e tráfico.
Mano Brown, do grupo “Racionais MC´s”, já citava no Rap “Fim de Semana no Parque”: “O investimento no lazer é muito escasso e o Centro Comunitário é um fracasso, mas aí, se quiser se destruir está no lugar certo; tem bebida e cocaína sempre por perto, a cada 100, 200 metros nem sempre é bom ser esperto”.
A música de Brown retrata o perigo sempre presente nas periferias e o descaso do governo diante de tudo. Mas a terra sofrida, regada muitas vezes por sangue de culpados e inocentes, também é uma terra fértil em talentos. Exemplo é o projeto “Família UniVersos”, que começou no quintal da casa de Robertinho Filho do Céu, em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, quando ele ensaiava seus próprios Raps, que compõe desde 2004.
Certa vez seus sobrinhos e amigos começaram a cantar suas músicas e tudo começou ali. Cansado de ver tantas crianças se perderem e morrerem cedo, naquele momento Robertinho descobriu qual seria sua missão junto aquela comunidade onde morava e até hoje não parou mais.
O Portal Breaking World conheceu Robertinho e as brilhantes crianças da “Família UniVersos” na São Bento, se encantou pelos pequenos artistas e agora resolveu contar a história desses grandes talentos. Leia a matéria abaixo:
BW – Robertinho, queria que você falasse primeiro de você e de sua caminhada na Cultura Hip-Hop. Quando se envolveu com a cultura?
Robertinho – Eu sou natural de São José do Rio Preto, sou educador social no “Céu das Artes”. Mas nas ruas sou conhecido como Robertinho Filho do Céu. Eu me envolvi com a Cultura Hip-Hop ainda criança, por intermédio de um padrasto de um amigo que me mostrou na época a música “Fim de Semana” dos Racionais MC’s. Nos dias de feira eu sempre pedia a minha mãe para comprar Fita K7 de Rap. Na escola, tinham amigos que também curtiam Rap, foi quando escutei a música do Thaíde e do DJ Hum “Nada pode me parar”. Naquela época, fui influenciado pelo Programa da MTV “Yo Raps”. Lá passavam vários clipes e comecei a conhecer outros grupos. Tive o primeiro contato com o Hip-Hop em projeto social no bairro Santo Antônio, lá comecei meu primeiro contato com o Breaking, Graffiti e em seguida o Rap. Iniciando em 2004 uma trajetória musical.
Robertinho Filho do Céu (de vermelho, sentado no Boombox) e a “Família UniVersos”
BW – Quem foram suas referências na Cultura Hip-Hop?
Robertinho – Minhas primeiras referências foram Mano Brown e Thaíde. E aqui em São José do Rio Preto foram o DJ Basim, Ana Paula e o Mano Di.
BW – Quando e como começou essa oficina de Rap junto com as crianças? Como foi o início desse trabalho? De quem foi a ideia?
Robertinho – Em agosto de 2016, fundamos o grupo musical “Família UniVersos”. Começou assim: já estávamos cansados de ver crianças e adolescentes envolvidos com o mundo do crime. Esses jovens iam presos, outros morriam muito cedo, então pensei em criar ações mais efetivas no bairro, ensaiando no quintal da minha casa. Certa vez, recebi meus sobrinhos e alguns amigos, foi nesse dia que percebi que por meio do Rap poderia iniciar um projeto social, trabalhando valores de vida e a conscientização para se ter uma vida cidadã!
BW – Como é trabalhar com crianças num projeto social independente? Fale dos principais desafios?
Robertinho – É gratificante demais doar nossas vidas por uma causa como essa. Eu falo de projeto social porque além de fazer Rap, eu trago sempre informações para esses jovens, capacitações de pessoas voluntárias, pessoas de teatro, de oratória, pessoas de outros elementos da Cultura Hip-Hop, do Breaking, do Graffiti, do DJ, então, o que eu posso agregar de conhecimento na vida deles eu faço. Hoje, nós pagamos do próprio bolso cursos de computação para alguns meninos. Então, tudo que é possível eu faço em nós por nós. É gratificante demais semear coisas boas! Na esperança que virão muitos frutos para que eles cresçam e multipliquem tudo que estão aprendendo. A maior dificuldade é a falta de apoio financeiro, porque para gravar música, para produzir beat, para gravar clipe e para ir nos eventos para cantar fora, tudo precisa de dinheiro. E às vezes não temos condição, não temos uma van. Então, o principal desafio é a falta de apoio financeiro e de ter uma estrutura melhor, ter uma aparelhagem de som e eu preciso ter um trabalho para sobreviver e ainda arrumo tempo para poder estar com os meninos. Eu gostaria de poder trabalhar integralmente com eles, mas por enquanto não tem condições.
“Família UniVersos” nasceu na periferia de São José do Rio Preto, interior de SP
BW – Quantas crianças estão envolvidas nesse projeto, qual a faixa etária e como funcionam as oficinas? O que você ensina exatamente nelas?
Robertinho – Hoje, o projeto conta com 15 meninos e mais 3 que já são jovens adultos, então, ao todo, são 18 e uma menina que já conhece o nosso trabalho. E a mãe dela falou que ela queria participar, então, ela vai começar a vir, porém, depois que passar a pandemia. A faixa etária é de 8 a 20 anos. Eu compartilho a minha experiência desde 2004, compartilho com eles de como eu crio as músicas, de como criar as rimas, de como cantar no ritmo certo, no compasso, na métrica e no flow e também estudar a cultura de que eles fazem parte. Então, dentro do grupo “UniVersos” nasceu a oficina e funciona no quintal de casa e quem desejar chegar é só colar, logo depois que passar o problema do coronavírus. Além de eu ensinar Rap, eu ensino os valores da vida. Acreditar em Deus, valorizar a família, estudar, trabalhar, ser luz por onde passar. O mundo precisa de pessoas que enxerguem a vida de uma forma diferente. Por isso a frase que é o lema do nosso grupo “Que a nossa vida, seja vida, na vida de outras pessoas”.
BW – Parque Cidadania, local onde há violência e tráfico de drogas, foi o local onde você começou esse trabalho. Que estratégia você desenvolveu para manter as crianças longe da vida do crime?
Robertinho – Sim, realmente Parque Cidadania é onde eu moro e onde eles moram e o índice de criminalidade é grande. Muitos chegam sem limites dentro da família deles, da educação que eles não tiveram, então, precisamos ensinar limites e regras. Não é fácil mas, graças a Deus, tem dado certo. Temos várias lutas mas fazemos a nossa parte. E a estratégia que todo educador deve ter é olhar essas crianças e esses jovens de uma forma que eles nunca foram olhados. É enxergar dentro deles e descobrir o talento, o dom o que cada um tem de melhor, qual a aptidão de cada aluno, extraindo de dentro deles o que têm de melhor. Olhar de uma forma especial para que eles se sintam especiais. E sempre mostro as consequências das escolhas. Mostrando o porquê é bom escolher, trabalhar, estudar e respeitar o próximo e não escolher o crime. E acima de tudo, de dar amor e os fazendo se sentir importantes.
BW – Explique como chegou no nome “UniVersos”? A ideia foi sua?
Robertinho – Eu não tinha nenhum nome, eu ia cantar com os meninos. Então, era Robertinho e os meninos do Rap. Pensando muito, estudando sobre nomes, orando, aí eu estava no carro curtindo o som e me veio esse nome de unir versos, unir rimas e o mundo, em todo o mundo. Então eu falei: que legal, tem duplo sentido essa palavra. E chegamos no nome “UniVersos” e o que significa é unir versos, unir rimas e cada ser humano é um universo dentro de si, vários sonhos, várias lutas, várias tristezas e várias alegrias, várias vontades. É um universo dentro de nós! Então somos a “Família UniVersos”!
BW – No ano passado, os meninos ganharam o prêmio “Nelson Seixas”, projeto que investiu cerca de R$ 1 milhão em todas as categorias premiadas de artistas residentes em Rio Preto e dava direito a gravação de um CD. Mas você conseguiu, além do CD, gravar um clipe. Nos conte: como foi tudo isso?
Robertinho – Sim, no ano passado e retrasado nós ganhamos o prêmio “Nelson Seixas”. Em 2018, nós ganhamos a gravação do CD e 2019 foi o lançamento do CD, o show de lançamento, a circulação do CD. A gravação do clipe foi o seguinte: na verdade, a premiação foi a minha história, quem ganhou foi o Robertinho e na minha história eu falo que eu fundei um grupo e coloquei os meninos todos para gravar, eu ganhei R$ 15.000,00 e investi no clipe.
Robertinho investiu todo o dinheiro do prêmio na gravação do vídeo clipe com as crianças
BW – A música vencedora do prêmio foi “Eu Acredito”. De quem é a autoria e como foi feita? Como foi dirigir todas as vozes dessas crianças?
Robertinho – A música “Eu acredito”, eu coloquei o título do projeto, que é eu acredito que dias melhores virão, porque dentro da minha história entra o “Família UniVersos” e nessa primeira música dos meninos, que se chama “Eu acredito”, nós elaboramos juntos na oficina. Eu estimulo eles a pensar, peço para eles anotem no caderno o que têm de melhorar, as palavras foram extraídas de dentro deles, eles foram anotando e fomos colocando as palavras uma rimando com a outra e então a música nasceu em conjunto. Por ser a primeira música, teve muita opinião minha, mas hoje já temos meninos que criam sozinhos, mas eu sempre procuro caminhar com eles e dirigir todas as vozes é trabalhoso, mas graças a Deus, pelo talento dos meninos, fluiu bem, mas eu fui bem exigente com eles.
BW – Verdade que o clipe chegou a ter mais de 1 milhão de visualizações e, ainda, foi compartilhado pelo Edi Rock dos “Racionais MC’s”? Como você e as crianças se sentiram com tudo isso?
Robertinho – Sim, a música ultrapassou esse número! Mas no Facebook, várias páginas foram postando, aí o Edi Rock postou também e repercutiu bastante. A página “Raplandia” postou. Só nessa página, eu tenho os prints, nessa página foram 945 mil, depois do Edi Rock 195 mil, a página Rap Nacional, Realidade Cruel, tudo 200 mil, então, no Facebook repercutiu muito e quando o Edi Rock postou foi muito importante, todos sabem a importância dos “Racionais” na cena. Então, ter esse apoio e o olhar do Edi Rock voltado para a nossa música foi algo muito importante para nós! Isso nos incentiva e aumenta cada vez mais o nosso compromisso. Ficamos muito felizes.
A realização de um sonho: cantar na São Bento, berço do Hip-Hop no Brasil
BW – Ano passado vocês estiveram se apresentando na São Bento, que é o templo do Hip-Hop em São Paulo. Como foi essa experiência?
Robertinho – Foi um sonho realizado! Eu sempre falava para os meninos sobre a São Bento, falava da importância de conhecer a história do Hip-Hop, sabendo que o Rap é um elemento da Cultura Hip-Hop, então, temos que conhecer todos os elementos, passei documentários para eles falando da 24 de Maio e da São Bento, o marco zero do Hip-Hop, depois, eu passei vários vídeos, nós já sabíamos da importância e da responsabilidade de cantar naquele lugar e então tivemos o convite e a oportunidade. Alguns amigos viabilizaram as vans e fomos bem abraçados e pisar nesse território sagrado do Hip-Hop foi um sonho realizado. Lá foi onde tudo começou no Brasil.
BW – Em abril, vocês lançaram o vídeo clipe de seu primeiro single de 2020, “Foi Assim”, com produção do DJ e produtor musical paulistano Caíque, que já realizou trabalho com MV Bill, Rashid, Haikass e Projota. Como aconteceu esse encontro entre vocês? E como foi a gravação?
Robertinho – A primeira música de 2020 foi com o DJ Caíque, ele viu nosso vídeo clipe na internet e aí mandou mensagem parabenizando e pediu para saber mais do projeto e ele me explicou a forma que trabalhava, que ele só gravava o que gostava e onde via alguma coisa e aí ele decidiu gravar com os meninos, mandou os beats, eu escolhi, nós gravamos as vozes aqui e mandamos para ele. No estúdio, ele mixou e masterizou, finalizou a música em São Paulo. E aí ele decidiu gravar um clipe, porque a música era muito boa. Ele arcou com as despesas do clipe e nós fomos para São Paulo, eu corri para conseguir ajuda e consegui uma van para ir para São Paulo. Chegamos em São Paulo, gravamos o clipe e lançou no canal dele. E para mim o Caíque é dos maiores produtores de Rap do Brasil foi uma grande conquista para nós.
Capa do CD “Periferia é Terra Fértil”
BW – Fale sobre o disco já lançado, que se chama “Periferia é Terra Fértil” e sobre a experiência com as plataformas de streaming de músicas?
Robertinho – Esse disco é um sonho! Era um sonho ter um CD gravado, original! Eu estendi esse sonho para os meninos, mesmo que as pessoas hoje em dia não use mais o CD físico, foi uma forma de presentear os amigos e os familiares. Tendo um CD em mãos também para vender e para divulgar mais o trabalho e a experiência foi sensacional, de poder lembrar de toda a caminhada, de todas as músicas construídas e concretizar tudo foi um sonho. E o nome “Periferia é Terra Fértil” foi porque as pessoas falam muito mal da periferia, mas tem muito mais coisas boas do que ruins. Coisas ruins tem em todos os lugares! E nós citamos na música que os maiores cantores, os maiores jogadores de futebol, nasceram na periferia. A periferia tem muitos nomes valiosos! Então, terra fértil, porque se saber semear vai dar muitos bons frutos, é necessário dar oportunidade para a periferia, existe todo um sistema que nos oprime, que nos joga só os restos, mas quando temos boas oportunidades a coisa vira e dá muitos frutos! Estou aprendendo a mexer nas plataformas, então, a experiência é muito nova ainda, mas a música tem que chegar nas pessoas, isso é que é importante.
BW – Parece que esse ano tem mais músicas para serem lançadas ainda, correto? Fale delas e também do novo single “Covid-19”?
Robertinho – Sim, tem algumas músicas prontas para serem lançadas, infelizmente, ainda não temos condições de pagar o estúdio, então, eu estou vendendo camisetas para levantar dinheiro. Temos umas 4 músicas para lançar. A situação complicou um pouco por causa da pandemia. Sobre a música “Covid-19” foi assim: uma ideia em cima da hora, cada um escreveu na sua casa e depois todos nos encontramos de máscaras e construímos juntos a música e foi importante lançar essa música da Covid, porque tem crianças e adolescentes falando sobre esse assunto e consequentemente nós fizemos a nossa parte, saiu pelo “Trilha Sonora do Gueto”, lá no canal e todos gostaram da música. Foi sensacional conseguir a tempo lançar uma música sobre esse assunto.
“Família UniVersos” gravou o single “Covid-19” durante a pandemia do novo coronavírus
BW – Neste período de pandemia, como você tem trabalhado e orientado as crianças?
Robertinho – Neste momento de pandemia está bem complicado, estamos evitando reunir com os meninos, mas tem horas que não tem como. Nós temos um grupo de WhatsApp e eu sempre troco ideia por lá, sempre os estimulando a continuarem criando, estudando, pensando e quando nos encontramos trocamos ideia, mas temos evitado o contato. Tudo faço pelo WhatsApp. Nos encontramos uma vez a cada duas semanas presencialmente.
BW – O Rap salva? O que você diria para crianças que estão neste momento no mundo do crime?
Robertinho – O Rap salva, com certeza! Deus deu um dom para cada pessoa, um dom que pode ser desenvolvido, então, tem meninos que já estão mais desenvolvidos para fazer Rap, outros ainda não então trabalhando, se descobre, como é maravilhosa essa cultura e desta forma o Rap vai salvando. Deus usa esse instrumento, cada mensagem que construímos, ela faz sentido primeiro dentro de nós, depois cantamos, as pessoas se identificam, esse alguém manifesta que a música fez bem a vida dela, então, nos sentimos úteis. Ou seja, temos uma missão! E cada vez mais seguimos esse caminho, o que nos afasta do crime e para todos os meninos que se encontram no crime, nas drogas eu digo: Eu já passei por isso! Eu consegui acordar a tempo, é gostoso você se envolver no crime, nas drogas, mas chega uma hora que as consequências vão aparecer e tudo nessa vida tem consequências, boas ou ruins. Se você escolhe drogas, crime e as fitas loucas, as consequências ruins chegam, as tristezas na família, o caixão e a polícia. Então eu pergunto: Até quando vai valer a pena? O fruto vai ser de paz ou de medo e dor? Então, não compensa! A vida é valiosa demais para se perder dessa forma! Então eu falo o agora ou o eterno? Quer ficar sofrendo ou viver uma vida com paz interior? O crime não compensa!
BW – Quais são os planos da “Família UniVersos” para o futuro?
Robertinho – Os planos são concluir essas participações, eu quero conseguir estruturar o nosso projeto de uma forma que tenhamos patrocínio para conseguir praticar mais. O sonho é ter um “Instituto UniVersos” para conseguir realmente conviver com os meninos, formá-los e eles cuidarem de outras crianças que ainda vão surgir, ter vários outros cursos, atividades. Um lugar onde vamos poder todos os dias trabalhar e se reunir. Condições de gravar nossas músicas e fazer nossas apresentações e viver dos shows para impactar mais vidas.
“Família Universos” diante da fachada da lendária Estação São Bento do Metrô, ao fundo o Mosteiro de São Bento
Fotos: Arquivo Pessoal
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Não se pode afirmar que talento é algo hereditário, mas no caso de Samuel Locatelli, conhecido na cena como B-Boy Samukinha, o amor pela Cultura Hip-Hop veio de berço e corre junto com o sangue nas veias.
Filho do B-Boy Sandro e da B-Girl Sátila, ambos de Goiânia, ele desde cedo desenvolveu o gosto e o amor pelo Breaking e tem se destacado nos últimos anos como um dos grandes nomes da nova geração.
Samukinha começou a dançar com apenas 4 anos e não parou mais. Seus movimentos cheios de personalidade e acrobáticos o fazem se destacar nos eventos por onde passa, ano passado foi um dos ganhadores do “Quando as Ruas Chamam”, em Brasília.
Ele faz parte da “Bairro Feliz Crew” e da “Dream Kids Brazil”. Fora das batalhas é um menino doce, cheio de vida, que gosta de brincar, apegado à família, onde o pai é sua referência e seu herói, pessoa em que Samuka se inspira.
Ele também tem sonhos, um deles realizou quando esteve em São Paulo, que foi dançar Breaking dentro do Metrô paulista, outro sonho é competir fora do país.
O Portal Breaking World teve um grande papo com esse menino que quebra tudo nas rodas. Confira:
BW – No seu caso, o breaking é algo de família. Sandro é B-Boy e Sátila é B-Girl, como surgiu o amor pelo Breaking e pela Cultura Hip-Hop?
Samukinha – Sim, meus pais se conheceram por meio do Breaking e desde pequeno meu pai sempre me ensinou, então, nunca mais parei de dançar. Isso é minha base.
B-Boy Samukinha começou cedo no Breaking, inspirado nos pais.
BW – Com quantos anos você começou a dançar Breaking? Quem são suas referências?
Samukinha – Comecei a dançar desde bem pequeno, por volta dos 3 e 4 anos, meu pai sempre foi minha inspiração e minha referência.
BW – No início surgiu de você a vontade de dançar?
Samukinha – Sim, desde o início sempre tive vontade de aprender a dançar.
BW – Quantas horas e dias por semana você treina? Como são os treinos aí em Goiânia?
Samukinha – Treino 3 vezes por semana, 3 horas por treino, temos um grupo de dança e sempre estamos juntos. É bem legal!
BW – Com quantos anos você começou a competir?
Samukinha – Minha primeira batalha foi aos 5 anos.
B-Boy Samukinha faz parte da “BF Crew” e da “Dream Kids Brazil”
BW – No Breaking tiveram movimentos mais difíceis de aprender do que outros? Quais foram?
Samukinha – Sim, sempre tem movimentos mais complexos, por exemplo, o flare, tive mais dificuldades neste movimento.
BW – Fale sobre os eventos aí em Goiânia e no resto do país que já competiu e sobre aqueles que você ganhou?
Samukinha – Goiânia tem bastante eventos grandes, já participei de vários e também já tive várias vitórias, não só em Goiânia, como também em outras cidades, competindo nas categorias infantil e adulto, sempre que aparecem eventos eu procuro participar para ter experiência para poder competir fora do país.
BW – Como você divide seu tempo entre estudo e dança? Na escola as pessoas pedem para você dançar?
Samukinha – Estudo em tempo integral e sempre treino no horário noturno. Consigo conciliar bem e sempre que tem eventos na escola participo com minha dança, não só na minha escola, como também em outras.
Além do Breaking, Samukinha participa de eventos em escolas e propagandas na TV.
BW – É verdade que você já participou de propagandas na TV? Fale sobre isso?
Samukinha – Sim, já fiz comerciais e participei de shows de talentos de programa de TV. E foi uma experiência ótima para meu desenvolvimento e crescimento no Breaking.
BW – Você fica nervoso quando vai competir? Como você se sente?
Samukinha – Fico nervoso, mas, porém, fico focado, procuro não me distrair e quando termino de batalhar procuro ficar mais tranquilo.
BW – Fale um pouco da sua crew aí em Goiânia e da sua outra crew que reúne crianças de vários estados do Brasil, a “Dream Kids Brazil”?
Samukinha – Tenho uma crew em Goiânia chamada “BF Crew” que significa “Bairro Feliz Crew”, sempre estamos juntos nas batalhas, nos eventos e nas apresentações, nos tornamos uma família que um apoia o outro, e também participo de outra crew a “Dream Kids Brazil”, que tenho a oportunidade de representar o Brasil lá fora e também estamos nos tornando uma família.
BW – É verdade que a “Dream Kids Brazil” estava planejando competir fora do país esse ano quando estourou a pandemia? Como você se sentiu em relação a isso?
Samukinha – Sim, nossa crew, a “Dream Kids Brazil”, estava planejando sair para competições internacionais, porém, teve um imprevisto com essa pandemia, mas não fiquei triste, pois tudo tem seu tempo.
BW – Normalmente em Goiânia, em vários eventos, você já rachou várias vezes com o Ferrugem, que é um outro grande B-Boy da nova geração. Também já rolou uns desafios! Fale sobre isso!
Samukinha – Fui desafiado pelo B-Boy Ferrugem e isso é bom, pois faz parte de ser B-Boy e ser desafiado por alguém que dança muito é um privilégio.
BW – Agora, no momento de pandemia, você chegou a participar de eventos on-line, correto? Nos conte sua experiência e o que pensa desse novo modelo de campeonatos?
Samukinha – Sim, participei de eventos on-line, não cheguei a ganhar o evento, mas foi uma experiência bacana, porém, não tem a mesma emoção de um campeonato presencial, mas foi boa a experiência.
BW – O que significa o Breaking para você?
Samukinha – O Breaking é a essência da minha vida, faz parte de mim, da minha família e do que eu sou.
B-Boy Samukinha faz parte de uma geração nova mas que sempre lembra da essência do Hip-Hop.
BW – Como você vê a participação da nova geração do Breaking nos grandes campeonatos?
Samukinha – Vejo a nova geração nos campeonatos como um início de um sonho, novos B-Boys irão continuar essa cultura, que não pode parar, sempre me sinto apoiado por todos.
BW – Ano passado, você esteve em São Paulo e visitou a São Bento, que é o templo da Cultura Hip-Hop, como foi essa experiência?
Samukinha – Me senti honrado por ter conhecido a São Bento, pois lá foi o berço do Breaking, onde tudo começou e tive a oportunidade de dançar com vários B-Boys “Old School”.
BW – Quais são seus sonhos para o futuro?
Samukinha – Meu sonho para o futuro é me tornar um homem de bem, quero me especializar em dança, me tornar um grande profissional da dança e também competir fora do país, representar o meu Brasil.
Fotos: Arquivo Pessoal
Samukinha no racha de Breaking
Samukinha e família
Samukinha e família.
B-Boy Samukinha se inspirou no pai e na mãe.
B-Boy Samukinha
B-Boy Samukinha: tem talento na arena de Breaking.
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“No passado nunca se via um campeonato Kids ou um clipe de Rap com criança, creio que hoje está bem mais acessível para a nova geração e elas estão cada vez mais inseridos na cultura”. (B-Boy Thyaguin)
Ele é um pernambucano que vive em São Paulo e se destaca não só no Breaking e no Graffiti, mas principalmente no trabalho que faz junto às crianças do bairro de Perus.
Na última semana, a conversa foi com o B-Boy Thyaguin, que a convite do secretário de Cultura está à frente do projeto “Artistas Que Inspiram – Território Perus”, que é uma iniciativa do “Núcleo de Ação Cultural do CEU Perus” e busca divulgar os artistas e moradores do bairro, dando a eles visibilidade e voz.
Thyaguin reconhece que trabalhar com crianças é um desafio e é o idealizador do “Bomba Kids”, grupo formado pelas crianças de Perus que frequentam o CEU.
Veja a conversa na íntegra:
BW – Fale sobre suas origens. Onde nasceu e como foi sua infância?
Thyaguin – Nasci em São Paulo, porém, fui criado em Araripina, cidade do interior do sertão pernambucano. Tive uma infância normal, com muito apoio por parte da minha mãe em relação as coisas que sempre gostei, que foi a arte e cultura.
BW – Quando começou a ter contato com a dança e com a Cultura Hip-Hop?
Thyaguin – Em 2006, frequentava a “Igreja Universal”, onde um pastor fazia o moinho de vento (Windmill), aquilo me impressionou pois já fazia capoeira há mais ou menos uns 7 anos, daí por diante comecei a me aprofundar nesse universo, andando no estilo, usando umas roupas largas, bombeta e bandana (risos), porém, se intensificou através do meu primeiro contato com o Breaking, de uma apresentação de um grupo da cidade de Ouricuri (PE), chamado “DRS B-Boys”, na escola em que estudava.
B-Boy Thyaguin e sua quebrada
BW – Com quem aprendeu a dançar? Pessoas te influenciaram?
Thyaguin – Ahh…! Na minha vida tive vários professores, isso posso afirmar, muitos contribuíram para o meu aprendizado, um dos primeiros foi o Robson B-Boy Cachorra da Mulesta, o Júnior Baladeira e o falecido B-Boy Randall. Essas foram pessoas muito importantes no meu desenvolvimento com a dança, sou muito grato por todo o ensinamento.
BW – Você já ganhou vários eventos, fale um pouco da sua caminhada na dança e por que eventos passou?
Thyaguin – A dança para mim foi ganhando uma nova perspectiva com o passar dos tempos, antes era muito focado em estar participando das batalhas e estar sempre presente nos eventos, conquistando títulos, porém, com o passar do tempo, fui focando na minha evolução pessoal e familiar, mas tenho grandes memórias de batalhas incríveis que participei, uma das que mais me traz boas recordações foi a vez que fui convidado pela equipe da “Battle Of The Year” em Salvador, na Bahia, para estar entre os “Top 16”, ano em que conheci o Storm pessoalmente. Para mim foi inesquecível, pois no início o DVD que eu tinha era o Storm ensinando alguns fundamentos dos Footworks, que faço até hoje, daí passa alguns anos e você está lado a lado com o cara, até porque ele deu uma atenção para a galera e se mostrou muito humilde em compartilhar seus conhecimentos. Ah, sim, conquistei muitos títulos. Vou citar alguns:
– Campeão “América Latina Battle Of The Year 2014” (BOTY), evento que me deu a oportunidade de participar em um dos maiores campeonatos mundiais na Alemanha, representando o Brasil;
– Campeão “CT Battle B-Boys 1vs1 2015”;
– 1° Lugar Eliminatória “Circuito Arena Caieiras 1 vs 1”;
– Bi-Campeão “Battle SP 1vs1” 2017/2019;
– 1° Lugar “BBS 1vs1 em Bodocó PE 1vs1”;
– Campeão Eliminatória “B-Boy In Shangai 1vs1”;
– Campeão “Breaking Circuito Fábricas de Cultura 1vs1”;
– Campeão “Street Roots 2019”;
– Campeão “Boom Breaking 2018”;
– 3° Lugar “Edacra Exú-PE 1vs 1”;
– 2° Lugar “Ginga B-Boys e B-Girls em Recife-PE”;
– 2° Lugar “Brasil Super Battle em Brasília-DF”;
– 3° Lugar “Battle Brazil Eliminatória Battle Of The Year” (BOTY) – Vaga para final do mundial na França 1vs1;
– Campeão “Fest Battle em Minas Gerais 2016”;
– Campeão “The Killers Jova Battle 2017 SP”;
– 2° Lugar “Aniversário da Street Son 25 anos”.
B-Boy Thyaguin tem uma grande trajetória no Breaking
BW – Thyaguin, você tem um estilo diferente no Breaking. Fale da importância de se construir uma própria identidade na dança e como conseguir isso.
Thyaguin – Sim, ouço muito que tenho um estilo diferente, acredito que pelo meio cultural em que vivo e minhas pesquisas individuais, pois não me limito a apenas uma linhagem, sigo na procura por conhecimento e vertentes de distintos movimentos culturais, etnias e costumes de outros povos. Acho que essa é a chave, buscar ir além dos seus limites, claro, respeitando até onde você consegue, mas não se prendendo muito ao que o povo fala que é impossível, tudo é questão de força de vontade, se você quer, você consegue. E construir uma identidade na dança é essencial, como aquela frase: “todos os outros já existem, seja você mesmo, seja o diferencial”.
BW – E nos conte sobre o projeto “Artistas que Inspiram – Território Perus”, como surgiu o convite para participar desse projeto?
Thyaguin – O projeto “Artistas que Inspiram” é uma iniciativa do “Núcleo de Ação Cultural do CEU Perus” e busca divulgar os artistas e moradores do bairro, dando a eles visibilidade e voz. O convite surgiu através do novo secretário de cultura Nilton Moraes.
BW – Como é trabalhar com crianças e quais são os principais desafios? Como trabalha com elas na hora de passar conhecimento?
Thyaguin – Trabalhar com as crianças é um desafio a ser enfrentado diariamente, pois você tem que estar ali pronto pra ouvir e levar pra eles o melhor de você, são emoções e sentimentos compartilhados, é uma grande responsabilidade. Normalmente, trabalhamos sempre com temas específicos, dirigidos pela coordenadoria, procurando levá-los à realidade do lugar onde vivem e a importância da participação e envolvimento desde jovem na política pública.
BW – Fale sobre os talentos que você vem descobrindo e trabalhando com eles no bairro de Perus.
Thyaguin – Estou com um projeto em parceria com o “CCA Perus”, meu local de trabalho e que sou muito apoiado pela minha gerente Rosângela Azevedo e minha assistente técnica Elizabeth Guimarães, e daí lancei a proposta de criarmos um grupo de dança com os usuários do “CCA”, os mesmos já se familiarizaram com a prática, inclusive me acompanharam em alguns eventos, de onde surgiu a vontade deles também de montar uma Crew, denominada “Bomba Kids”.
Thyaguin e a “Bomba Kids”
BW – O trabalho é feito com o apoio das famílias? O que é necessário para participar do projeto? A partir de que idade as crianças podem participar?
Thyaguin – O “CCA” é “Centro para Crianças e Adolescentes” e a demanda é encaminhada e/ou validada pelo “CRAS – Centro de Referência de Assistência Social” de abrangência. O projeto tem como objetivo geral oferecer proteção social à criança e adolescente em situação de vulnerabilidade e risco, por meio do desenvolvimento de suas potencialidades, bem como favorecer aquisições para a conquista da autonomia, protagonismo e cidadania, mediante o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários. O desenvolvimento de atividades é feito com crianças e adolescentes de 6 a 14 anos.
BW – Além do Breaking, você também é atuante no Graffiti. Fale sobre essa arte? E quando você começou a se interessar por ela?
Thyaguin – Na verdade, desenho desde criança e Graffiti só me interessei a partir do ano de 2015, que comecei a praticar e aplicar as técnicas na parede.
BW – Você ensina Graffiti também?
Thyaguin – Sim.
Breaking ou Graffiti? Melhor dois do que um!
BW – Conversando, você falou da importância de dar voz à nova geração. Como você vê a nova geração do Breaking, ela tem tido voz?
Thyaguin – Creio que dar voz à nova geração é abrir espaços onde elas possam se expressar, seja com Dança, Graffiti, Rap, DJ ou qualquer outro tipo de manifestação artística cultural. Bom, pelo menos quando comecei a dançar e até há alguns anos após, quase nunca se via um campeonato Kids ou nunca um clipe de Rap com crianças cantando, e por aí vai, creio que hoje está bem mais acessível para a nova geração e elas estão cada vez mais inseridas nesse meio.
BW – Na sua opinião, os eventos que existem atualmente valorizam a nova geração?
Thyaguin – Alguns sim.
BW – Você também está à frente do evento Colisão Cypher. Fale sobre esse evento?
Thyaguin – Então, esse evento surgiu da vontade de querer fazer algo realmente voltado à nova geração, principalmente dar acesso aos meus alunos e algumas crianças que curtem a Cultura Hip-Hop, porém, não têm recursos para estar se deslocando para os eventos que acontecem em outros lugares de São Paulo.
BW – Com a pandemia, vários eventos foram cancelados. E no lugar surgiram os eventos on-line. O que você acha sobre esses eventos e sobre essa nova realidade enfrentada pelos B-Boys e B-Girls de todo o mundo?
Thyaguin – Bom, eu acho que diante de tudo que aconteceu, a única maneira é se adaptar, mas não curto muito não, acho que não dá para transmitir a mesma energia que um evento presencial.
BW – O que significa o Breaking para você?
Thyaguin – Estilo de vida.
BW – Quais são seus planos para o futuro?
Thyaguin – Dar continuidade aos meus projetos, trabalhar, estudar a dar estabilidade e todo suporte possível para minha família.
Fotos: Arquivo Pessoal
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