Com curadoria de Kamau e presença de PK Freestyle, Clara Lima e Bob 13, a decisão do Red Bull FrancaMente acontece neste sábado (30)
Rimando até a final! Com os 16 finalistas já selecionados e a postos para duelos cheios de criatividade e improviso, chegou a hora da grande Final Nacional do Red Bull FrancaMente, um dos principais campeonatos de rima do país. Em sua terceira edição, o torneio tem como palco um local icônico da capital paulista: o Auditório Ibirapuera, projetado por Oscar Niemeyer. Em um clima que mistura muita cultura de rua, música e arte, grandes talentos nacionais do Rap se reunirão neste sábado (30), às 19h, em uma espécie de “ringue lírico” em busca do título nacional.
Aberto ao público e com entrada gratuita, o evento será comandado por Rashid, um dos mais importantes nomes do rap no Brasil que, de modo especial, retorna ao local que foi o seu berço na cultura Hip-Hop, porém, dessa vez, como apresentador.
Imagem: Red Bull Content Pool
“Vejo essa experiência como continuidade, uma forma de fortalecer ainda mais o elo entre minha geração de MC’s de batalha e a geração de agora – que é incrível. Simbolicamente, é como ver um ciclo se completando, já que um dia eu fui um desses talentos ali esperando minha vez de rimar”, relembra Rashid que, atualmente, conta com mais de 1 milhão de ouvintes mensais nas plataformas de áudio e acaba de lançar o single “Pílula Vermelha, Pílula Azul”, que inicia uma nova fase na carreira dele. “Quando a gente olha em volta e percebe a quantidade de artistas que foram revelados nas batalhas, fica fácil entender o tamanho da importância disso. Quanto mais estrutura nossos talentos tiverem, mais longe eles e elas chegarão”, finaliza.
Com curadoria de Kamau, o torneio ainda conta com um júri de peso e grandes referências da cena avaliarão os competidores: Bob13, Clara Lima, Slim Rimografia, Léo Cezário e Jupitter Paz. O cantor PK Freestyle comandará a apresentação do chaveamento, e a dupla Carol Anchieta e Mamuti ficará à frente da transmissão ao vivo do evento para o público que não puder comparecer presencialmente, por meio do Youtube.com/RedBullFrancaMente, e também no Tik Tok @redbullbr.
Imagem: Red Bull Content Pool
Reunindo talentos de norte a sul do Brasil, o evento, que conta com patrocínio do Spotify, passou por cidades como Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Salvador (BA), Fortaleza (CE) e São Paulo (SP), polos que foram sede das seletivas regionais da competição, de onde saíram 10 finalistas, que se juntarão aos wildcards – convites especiais que selecionam alguns nomes com base em desempenho e forte participação na cena – na grande Final.
O Red Bull FrancaMente é a versão em língua portuguesa do Red Bull Batalla, uma das maiores competições de Rap do mundo, que acontece em países de língua hispânica há mais de 15 anos e chega a receber mais de 17 mil inscritos por ano.
Imagem: Red Bull Content Pool
Confira os finalistas
Seletiva São Paulo:
Tubarão Teaga
Seletiva Salvador:
Gorete MCGomes
Seletiva Belo Horizonte:
Neo Martzinn
Seletiva Porto Alegre:
Nicolas Walter MC Cruel
Seletiva Fortaleza:
Tonhão Mandacaru
Wild Cards:
Bl4ck MC Yoga Fampa WinniT Jump Magrão
Imagem: Red Bull Content Pool
SERVIÇO
Red Bull FrancaMente
Data: 30 de abril de 2022
Horário: Abertura às 17h/ Início do show às 19h
Local: Auditório Ibirapuera – Av. Pedro Álvares Cabral, 0 – Ibirapuera, São Paulo – SP, 04094-050
Ingresso: Gratuito
Imagem em Destaque: Fábio Piva / Red Bull Content Pool
Vítima do descaso do sistema de saúde do Brasil, Dina Di partiu em 20 de março de 2010, depois de lutar 17 dias pela vida…
Viviane Lopes Matias, ou apenas Dina Di, nome artístico que escolheu por toda a vida, foi uma das divas do Rap nacional, ao lado de outras MC’s como Sharylaine, Rúbia e Cris SNJ.
Nascida em Campinas, ela era do grupo Visão de Rua e lançou sucessos como “Marcas da adolescência”, “Meu filho, Minhas Regras” e “Mente Engatilhada”. Começou na Cultura Hip-Hop com 16 anos, a artista, era brava, de personalidade forte. Usava roupas largas e boné, estilo comum usado por algumas mulheres do Rap nos anos 90, para diminuir os riscos de chamar atenção de forma sensual e dessa forma não serem respeitadas.
Foi por meio de um estilo bem masculino que Dina Di conquistou o espaço que pertencia às mulheres, mas que antes era ocupado por homens. Dina era MC e historiadora, nascida em Santos, entre todas as vozes femininas que se levantam, Dina Di é a mais forte, a que nunca foi esquecida, nem a morte a calou. “No passado, sem documentos, tentava provar num cartório que era ‘amásia’ para poder visitar o companheiro na cadeia. Ou, para fazer o videoclipe de “Mente Engatilhada”, foi pedir um tênis numa loja porque não tinha sapato. Tudo o que comia era arroz com feijão uma vez por dia.” – informações da Revista Época, publicada em 2002.
Por meio de sua voz, Dina Di questionava o sistema e denunciava questões sociais
Dina Di deu voz a grandes debates, como ser mulher, periférica, mãe e MC em um país que desde seus primórdios menospreza todo tipo de arte produzida pelas periferias.
As narrativas de Dina também denunciavam questões sociais e revelavam fases distintas de sua vida fora dos holofotes.
Uma das poucas aparições da diva na grande imprensa foi numa entrevista à Revista Época, em 2002. Ele confidenciou: “Tô vivendo de sonho, de subir no palco. Pegar trem, ônibus, perua e cantar para verem que eu não morri. Sobrevivi a tudo e estou ali. E depois descer e não ter nem dinheiro para comer um cachorro-quente”.
Além de citar as vezes em que foi parar na Febem, de quando começou a trabalhar para sobreviver, aos sete anos de idade e da vez que fugiu de casa aos treze, Dina Di deixou explícito como estava orgulhosa em estar vivendo seus sonhos e qual era o seu propósito no Hip-Hop.
Dina Di, Rúbia RPW e Lauren Priscila
Visão de Rua e o adeus à diva!
No grupo Visão de Rua, ao lado de Lauren, Tum e DJ O.G, Dina Di lançou sua primeira música, em 1994, intitulada “Confidências de uma presidiária”.
É um relato da rotina no sistema carcerário feminino. Depois de ser detida e conhecer a realidade nas prisões, Dina Di usou a música como ferramenta de transformação social, a fim de compartilhar com outras mulheres formas mais otimistas de viver.
Na entrevista, ela contou à Época que levava seus CDs para as cadeias porque queria que suas “irmãs de cela” soubessem que podiam contar com ela. “Uma prima minha perdeu o filho dentro da prisão. Foi abortando a criança durante a noite, sem socorro. Quando a mulherada ouve as minhas músicas, sabe que não está sozinha”, destacou.
Em 1998, o grupo lançou seu primeiro álbum, o Herança do Vício(1998) e três anos mais tarde criou o segundo disco Ruas de Sangue (2001), que a fez ganhar o Prêmio Hutúz na categoria “melhor grupo feminino”. Em 2003, o Visão de Rua, que já havia se consolidado e conquistado um espaço importante na cena do Rap nacional, lançou o emblemático clipe A Noiva do Thock, que concorreu em três categorias no Hutúz. Em 2007, o grupo se dedicou ao seu último álbum, O Poder nas Mãos (2007).
Mulher, periférica, mãe e MC: Dina Di é sem dúvida uma das vozes mais fortes do Rap feminino brasileiro
Em 2008, Dina foi indicada novamente ao prêmio Hutúz como melhor álbum no ano, com “O poder nas mãos” e, na categoria “Grupo ou Artista Solo”; em 2009, foi indicada a categoria “Melhores Grupos ou Artistas Solo Feminino da década”, ganhando o troféu.
Dois anos depois, no dia 20 de março, depois de lutar 17 dias pela vida, Dina Di faleceu. Aos 34 anos, a artista contraiu uma infecção hospitalar após o parto de sua segunda filha, tendo a vida e carreira interrompidas. Após a repercussão da morte de Dina, a rapper Negra Li, uma de suas companheiras de profissão e amiga pessoal, disse que naquele dia o Rap havia se calado.
“Esse pessoal novo está vindo com muita ostentação, não é o que aprendemos na Cultura Hip-Hop” (Sara Cipri)
O Hip-Hop é uma ferramenta de modificação de vidas, de construção de trabalho de base e massificação. Não é de hoje que escutamos que o Hip-Hop salva!
Diante da necessidade que o ser humano tem de ser alguém e construir algo, o Hip-Hop com seus elementos pode ser um meio para este fim. Vários processos revolucionários no mundo se deram a partir dessa bandeira de luta.
O Rap é um dos elementos dessa cultura, sendo a voz que não se cala, que resiste atráves do tempo e das gerações.
O Portal Breaking World essa semana conversou com a rapper Sara Cipri, que com apenas 15 anos nos conta que é a nova geração da velha escola, ela acaba de lançar a musica “Recado Para Os Moleques” onde fala sobre a antiga e a nova escola, critica a ostentação e enaltece a verdadeira essência.
Confira a entrevista abaixo:
BW: Quantos anos você tem? Onde você nasceu? Queria que nos contasse um pouco sobre sua vida em família?
Sara: Eu tenho 15 anos, nasci em São Paulo, numa periferia do extremo sul e sou de uma família tradicional e contei sempre com o apoio dos meus pais no que faço e no meu trabalho junto à cultura.
Sara Cipri e o Rapper Thaíde
BW: Seu pai e sua mãe já tinham alguma ligação com a Cultura Hip-Hop ou você foi a primeira da família a se envolver? E como se deu esse interesse? Você tinha algumas referências?
Sara: É uma história bem curiosa, eu estava no centro da cidade com os meus pais, eu deveria ter uns 3 anos e aí eu vi um telão que passava pessoas dançando Breaking e eu nunca tinha visto aquilo e cheguei em casa fiquei com aquilo na cabeça. E eu perguntei ao meu pai o que era aquilo que eu tinha visto no telão. E meu pai me explicou que era uma cultura chamada Hip-Hop, que educava e que inclusive ele tinha vindo dessa cultura e aí, foi ali o meu primeiro contato, ele começou a me passar os conhecimentos desde essa época, quando eu tinha 3 anos e não parou até hoje! Minhas referências a partir dali foram o Nelson Triunfo, o MC Jack, foi realmente o pessoal ali da São Bento, Old School mesmo!
BW: Quando você se apaixonou de fato pelo Rap? Quando e onde você aprendeu a rimar? Você chegou a participar de batalhas de rima?
Sara: Um tempo depois do primeiro contato, eu comecei a participar de um projeto que era para tirar crianças da rua, dando uma oportunidade a eles e nesse projeto tinha todos os elementos e nós fomos nos encaixando onde nós sentíamos mais afinidade e no começo eu fiquei meio perdida pois eu gostava de tudo (risos) mas eu me encontrei foi na rima mesmo e foi algo muito rápido, eu me identifiquei imediatamente. Poder passar mensagens através do Rap para mim não tinha nada melhor! E referente às batalhas dentro desse projeto do Hip-Hop nas quebradas, no bairro de Parelheiros, nós tinhamos as batalhas dentro do projeto, então, tinha campeonatos, mas batalhas fora do projeto eu participei da Batalha do Grajaú, Rap City também, mas eu me identifiquei mesmo em escrever, eu participo de batalhas, mas eu gosto é de escrever.
Sara Cipri e Nelson Triunfo, o “Nelsão”
BW: Você falou que gosta de apresentar a nova geração para a geração mais antiga. Como é isso?
Sara: Na verdade às vezes as pessoas acham que é algo bem complexo, mas na verdade não é. É algo bem simples de entender, eu sou a nova geração da velha escola, então, no caso eu sou a continuação do legado que eles deixaram, eu continuo trilhando os mesmos caminhos que eles passaram, os mesmos ensinamentos, é a mesma coisa só que hoje, então quando eu coloco nas minhas letras ou quando eu vou apresentar o meu trabalho para alguém, eu sempre gosto de falar que eu sou a nova geração da velha escola, porque é um trabalho que não para por aqui e eu estou aqui para continuar! Inclusive uma vez o MC Jack, num comentário, disse algo muito sábio que eu sempre me lembro como um lema: o pessoal novo que está chegando vai tanto atrás, que vai chegar uma hora que vai bater no que é resistência, no que é base, no que é verdadeiramente a Cultura Hip-Hop, que é onde tudo começou!”.
BW: Como você acha que os mais antigos do Rap veem quem está chegando agora?
Sara: Olha, no meu caso eu sempre fui bem recebida. Tenho uma grande afinidade com o Nelson Triunfo, entre outros diversos que foram pioneiros no Rap. Então, eu acho que eles apoiam.
Sara Cipri vai abrindo caminhos e escrevendo sua história no Rap
BW: É difícil nos dias de hoje conquistar o próprio espaço? Ter o próprio estilo? Fale sobre suas composições?
Sara: Sim, é bem complicado fazer um nome e adquirir um reconhecimento! Mas são lutas que valem a pena, porque lá na frente vem um resultado incrível e sobre as minhas composições, geralmente eu gosto de passar uma mensagem, principalmente para os jovens, porque muitos passam por situações que não sabem lidar e o Rap ajuda as pessoas passarem pelos problemas, passa mensagem de paz, de tranquilidade e além disso o Rap educa, ele mostra uma saída quando parece que não existe. E aí aparece o Rap como uma chama acesa, mostrando que ainda resta uma saída. Então, nas minhas músicas, minhas composições, eu tento passar isso para as pessoas.
BW: O fato de ser mulher já te criou alguma situação delicada dentro do Rap? Como você vê as mulheres dentro da cena?
Sara: Realmente, as mulheres no passado tiveram várias barreiras para hoje podermos conquistar o nosso espaço. Mas hoje as mulheres estão cada vez mais se igualando aos homens e no Rap também não é diferente, eu acho que em todo esse tempo estamos bem representadas. Eu tenho como referência, por exemplo, a Negra Li, a Cris da CNJ, entre outras diversas que podemos olhar e tomar como espelho, eu nunca passei por nenhum tipo de preconceito, eu acho que hoje o negócio está mais tranquilo para dividir o mesmo espaço com os homens.
Além de cantar, a MC também participa de batalhas de rimas
BW: O que é para você ser da resistência? Ao que você resiste?
Sara: Bom, quando eu falo que eu sou a resistência, o que eu quero dizer é a resistência de defender uma ideologia mesmo mantendo a essência do Rap. Pois quando ele surgiu na década de 80, ele veio com a intenção de mostrar uma saida. Essa molecadinha nova que está entrando na cena estão tentando mudar as coisas, vindo com um linguajar diferente, então, a minha resistência é para manter as raízes do Rap e de toda a cultura viva, que continue educando e salvando vidas!
BW: Sara, verdade que você ensina crianças da comunidade? Nos fale desse trabalho que você realiza?
Sara: Sim, eu tenho um trabalho em Parelheiros na comunidade, onde eu moro e temos duas salas, uma em cada associação, são duas associações e uma creche e trabalhamos com crianças que foram abandonadas na rua, que não tinham um rumo e muitas dessas crianças enfrentam dificuldades dentro de casa com os pais, alguns os pais são separados, existem diversos cenários que acompanhamos e nosso foco é mante-los no caminho certo, estudando e resgatando todos eles.
Em Parelheiros com as crianças dos projetos sociais
BW: Você é meio que uma referência para eles?
Sara: Sim e eu fico muito feliz de poder servir de espelho para eles e sempre eu os incentivo a estudar, a se dedicarem buscando um futuro melhor. O projeto sempre vai além da sala de aula! O Rap e o Hip-Hop é isso!
BW: Você é um novo talento diante de muitos outros que já estão na estrada tem muito tempo! Você é uma menina, tem 15 anos, quais são seus planos para o futuro?
Sara: O que eu planejo é seguir carreira aprimorando as minhas letras, estar evoluindo a cada dia e também da mesma forma o projeto que ele venha a subir mais e conquistar mais coisas. O meu objetivo é aprimorar o que já tenho e o que existe!
BW: O que você tem feito nesse tempo de pandemia? Como tem se cuidado?
Sara: No momento, demos uma pausa no projeto por conta da pandemia estamos cumprindo a quarentena, evitando ao máximo sair de casa e os meus trabalhos estão sendo mais pelas redes sociais. Aproveito aqui em primeira mão para dizer que estou lançando nas plataformas digitais uma nova música, que fala exatamente sobre a nova geração para mostrar para eles o que realmente é a essência da Cultura Hip-hop. Esse pessoal novo está vindo com muita ostentação, não é o que aprendemos na Cultura Hip-Hop, vêm até com coisas que atingem as mulheres e o Rap relata a verdade da periferia, é uma coisa que toda a família pode ouvir e a minha música foi feita exatamente para essas pessoas, para eles acordarem, porque na verdade tudo isso não nos representa, o nome da musica é “Recado pros Mulekes”
No Troféu Arte em Movimento, o reconhecimento e a felicidade pela indicação
BW: Recentemente você foi premiada no Troféu Arte em Movimento. Comente?
Sara: Eu fiquei muito feliz pela indicação, por poder participar daquela premiação, foi algo incrivel aquilo, foi a materialização do nosso reconhecimento, de cada uma ali, eu com os meus 10 anos de carreira alcançando objetivos e todos ali sendo reconhecidos.
BW: Para finalizar, o que significa o Hip-Hop na sua vida? Deixe uma mensagem para os nossos leitores.
Sara: Eu nem tenho palavras, o Hip-Hop, para descrever, tamanha a grandeza que ele tem na minha vida, Hip-Hop é o ar que eu respiro, tudo que eu olho ao meu redor tem Hip-Hop e tudo que eu sei e sou veio através do Hip-Hop, eu sou muito grata a toda essa cultura incrível que eu nem sei o que seria de mim sem essa cultura e para os jovens, os leitores do portal, eu digo para não desistirem dos seus sonhos, dos seus objetivos e para perseverarem, continuarem lutando, aprendendo, estudando, porque uma hora o reconhecimento chega e vou estar lá aplaudindo você!
Fotos: Arquivo Pessoal / Nós no Rolê (Mõnica Senna)
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Um carro estacionado, segundo a polícia, de forma irregular, foi o estopim para uma confusão que terminou com a prisão do cantor MC Salvador da Rima, na tarde deste sábado (27) na zona leste de São Paulo.
Em vídeos que estão circulando pela internet, o artista e um amigo aparecem sendo rendidos por PMs e depois agredidos com mata-leão e chutes.
Tudo começou porque um dos policiais multou o carro que estava estacionado em frente à casa de Salvador.
Ao questionar o motivo da multa, o artista teria discutido com um policial, que deu voz de prisão por desobediência.
Testemunhas contaram, ainda, que a esposa do cantor também foi agredida.
O vídeo, publicado no Instagram do MC Jeh da 6, amigo de Salvador, mostra o MC retirado da própria residência por PMs, já com a camisa rasgada.
Durante a detenção, ele é chutado, imobilizado e enforcado.
A prisão aconteceu por volta das 12h, mas, Salvador só chegou à 67º DP por volta das 13h40, com escoriações no corpo.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) disse que já está apurando o caso.
O rapper Salvador da Rima é autor de hits como “Vergonha Pra Mídia” e “Outfit Valioso”, que contam com mais de 200 milhões de visualizações no YouTube.
Foto: Reprodução
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Para quem não sabe, antes de ser reconhecido como um dos melhores rappers da história, Tupac Shakur dançava no grupo “Digital Underground”, que foi um grupo de Rap de Oakland, Califórnia, fundado em 1987 por Gregory, Tupac Shakur e Jacobs, conhecido como “Shock-G”.
Shock-G passou a maior parte de sua juventude em Nova York, sendo fortemente influenciado pelo Funk dos anos 1970, então, começou a se envolver com música criando um estilo de Rap na West Side (Costa Oeste).
O grupo foi formado para prestar uma homenagem aos ativistas sociais do “Black Panthers” (Panteras Negras), que tinha todas as ligações com a família de Tupac.
B-Boy Tupac dançando na “Digital Underground”
A mãe de Tupac, Afeni Shakur, fazia parte deste famoso grupo político, um movimento que lutava contra o preconceito aos afro-americanos. Afeni estava grávida de Tupac quando foi presa. Seu padrasto, Mutulu Shakur, foi sentenciado a 60 anos de cadeia por roubar um carro e matar a vítima. Isso teve um grande impacto na vida Tupac, que cresceu sem a figura paterna ao seu lado. Nas ruas, os únicos modelos em que Tupac podia se espelhar eram os traficantes e cafetões.
No final da década de 1980, o “Digital Underground” alcança um grande sucesso com o álbum “Sex Packets”, que chega a ganhar Disco de Platina e a receber comentários positivos da crítica. Tupac também ajudava a carregar equipamentos e algumas vezes teve a chance de cantar com o grupo. Ele se tornou dançarino aos 19 anos, quando o grupo conseguiu o primeiro sucesso com “The Humpty Dance”, em 1990. A faixa chegou ao 11º lugar na parada “Hot 100” da “Billboard”, além do primeiro lugar no chart de Rap da revista.
Dono de uma carreira meteórica e de um talento único que iria impactar o mundo para sempre, suas primeiras letras eram notáveis e revelaram a tendência para sua personalidade violenta. Em uma música que fez parte da trilha sonora do filme “Nothing But Trouble” chamada “Same Song”, Tupac conheceu o sucesso pela primeira vez e não parou mais! Em 1995, o Rapper foi acusado de abusar sexualmente de uma mulher em um hotel.
Talentoso e polêmico, Tupac se tornaria uma lenda do Rap em muito pouco tempo.
Segundo Pac, a mulher, que ele havia conhecido em uma boate, teria feito sexo oral nele em plena pista de dança e teria ido com ele para um hotel por livre e espontânea vontade. Shakur disse que tudo não passou de uma armação. Em fevereiro do mesmo ano, devido a tal fato, Tupac foi sentenciado a quatro anos e meio de prisão por estupro, embora tivesse negado veementemente. Pouco depois do ocorrido, Tupac havia levado cinco tiros em um assalto ocorrido em um estúdio de Nova York. Tupac deu informações em detalhes sobre o ocorrido em uma entrevista para “Vibe”. O astro começou a cumprir sua pena no presídio de Clinton.
Pouco depois, seu multiplatinado “Me against the world” é lançado. Tupac entra para a história como o único artista a ter um álbum em primeiro nas paradas estando preso. “Este sempre será meu álbum favorito”, disse ele a uma entrevista. Enquanto os guardas provocavam na cadeia dizendo que Tupac não era mais o mesmo, ele ria e dizia: “Meu álbum é número 1 no país inteiro e apenas bateu Bruce Springsteen no topo da Billboard”. Após quase onze meses na prisão, Tupac foi liberado, logo depois de ter feito um acordo com Suge Knight, o cabeça do “Death Row Records”. Suge pagou a fiança de 1.4 milhões de dólares. Em troca, o artista deveria lançar 3 álbuns pela sua gravadora. Imediatamente após sair da prisão, Tupac começou a trabalhar em um novo álbum. Em fevereiro de 1996, ele lança seu quarto álbum, “All eyes on me”, o primeiro álbum duplo da história do Rap. O sucesso foi tremendo e vendeu mais de 9 milhões de cópias e é considerado por muitos o melhor álbum do gênero. Em meio a tanto sucesso, Tupac foi assassinado em 1996, quando saía de uma luta de seu amigo Mike Tyson.
Tupac com Mike Tyson um pouco antes de sua trágica morte.
Logo após sua morte, a “Death Row” lança o álbum “The Don Killuminati”, com o pseudônimo de “Makavell”. A capa traz um 2Pac crucificado, com uma coroa de espinhos na cabeça e um mapa das principais gangues do país. Em janeiro de 1997, a “Gramercy Pictures” lança “Gridlock’d”, um filme em que Tupac interpreta um viciado em drogas e que foi bem aceito pela crítica, recebendo inúmeros elogios. Seu último filme, “Gang Related”, seria lançado meses depois. Antes de morrer, Tupac deixou centenas de músicas gravadas na época de “Death Row”. A maioria foi lançada em álbuns póstumos como “Better Dayz”, “Until the end of time”, “Loyal to the game” e em seu último póstumo “Pac’s Life”. Tupac é o Rapper que mais vendeu álbuns na história. Sua morte até hoje continua a ser motivo de discussão, não só pela forma que foi mas principalmente no mundo das grandes gravadoras onde o artista vende mais discos morto do que vivo.
Sim, a história é estranha no entanto representativa de um dos nomes mais fortes do que chamamos de “Gangsta Rap”. Tupac era considerado um terrorista como também um dos mais promissores poetas do Hip-Hop. Tupac, que era do signo de gêmeos, tanto foi considerado um B-Boy machista como um talentoso ator. E o Rap? O Rap era sua arte, sua obra prima, o milagre poético que o mundo conheceu!
Fotos: Reprodução
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