Essa semana, completou 24 anos que Christopher George Latore Wallace, também chamado de Biggie Smalls, Big Poppa e Frank White, mais conhecido como The Notorious B.I.G. (Business Instead of Game) foi assassinado.
The Notorious B.I.G. foi uma das grandes lendas do Rap nos EUA. Nasceu em Bed-Stuy, Brooklyn, New York. Ex-traficante de drogas em Bedford-Stuyvesant, Brooklyn. Abandonou sua vida criminal, lançando o aclamado álbum “Ready To Die”, em 1994, se tornando a principal figura do Rap da Costa Leste dos EUA, que tanto rivalizava com a Costa Oeste, que na época era liderada pelo Rapper Tupac Shakur.
Notorious B.I.G. e Tupac tentavam realizar o que parecia impossível: uma união de amizade entre os Rappers da Costa Leste e a Oeste, mas quando Tupac sofre um atentado dentro da gravadora de Notorious as coisas mudam e este passa a ver Notorious como um inimigo. Essa rixa tornou-se ainda mais acirrada quando dois produtores — Dr. Dre, de Los Angeles e Puff Daddy, de Nova York — começaram a disputar espaço nas paradas de sucesso. Tupac e Big eram seus principais pupilos, que depois do ocorrido viviam trocando farpas, ameaças e provocações. Até que 2Pac foi assassinado na saída de uma luta de Mike Tyson, em Las Vegas.
Tupac Shakur e The Notorious B.I.G.
A morte mexeu com a cena em todo o país e em fevereiro do ano seguinte, Rappers das duas costas se juntaram para oficializar a paz — Nova York sendo representada por Puff Daddy e Los Angeles por Snoop Dogg. Mas as brigas ainda continuaram em outras ocasiões públicas e, no dia 9 de março de 1997, na saída de um evento de lançamento de seu disco mais recente, a picape que transportava Biggie parou ao lado de um carro cujo motorista abaixou o vidro e descarregou sua pistola. Notorious B.I.G. levou quatro tiros e morreu em menos de uma hora.
Dias depois, o funeral de Biggie reuniu centenas de Rappers em Manhattan, entre eles nomes como o grupo Run-DMC, a Rapper Queen Latifah e Flavor Flav, do Public Enemy. Seu amigo e produtor o homenageou naquele mesmo ano, ao lançar a música “I’ll Be Missing You”, o maior sucesso de Puff Daddy até hoje.
Passado um pouco mais de duas décadas depois da morte de Notorius B.I.G a Netflix aposta num documentário sobre sua carreira meteórica. No mês de fevereiro, foi divulgado o primeiro trailer do documentário “Notorious BIG – A Lenda do Hip-Hop”. De acordo com as informações do SPIN, o documentário levou quatro anos para ser concluído e é o primeiro filme sobre o Rapper a ser aprovado pelo espólio. A mãe dele, Voletta Wallace e o colaborador Sean “Puff Daddy” Combs, ajudaram a produzir e participaram das entrevistas exclusivas.
Fotos: Reprodução
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Para quem não sabe, antes de ser reconhecido como um dos melhores rappers da história, Tupac Shakur dançava no grupo “Digital Underground”, que foi um grupo de Rap de Oakland, Califórnia, fundado em 1987 por Gregory, Tupac Shakur e Jacobs, conhecido como “Shock-G”.
Shock-G passou a maior parte de sua juventude em Nova York, sendo fortemente influenciado pelo Funk dos anos 1970, então, começou a se envolver com música criando um estilo de Rap na West Side (Costa Oeste).
O grupo foi formado para prestar uma homenagem aos ativistas sociais do “Black Panthers” (Panteras Negras), que tinha todas as ligações com a família de Tupac.
B-Boy Tupac dançando na “Digital Underground”
A mãe de Tupac, Afeni Shakur, fazia parte deste famoso grupo político, um movimento que lutava contra o preconceito aos afro-americanos. Afeni estava grávida de Tupac quando foi presa. Seu padrasto, Mutulu Shakur, foi sentenciado a 60 anos de cadeia por roubar um carro e matar a vítima. Isso teve um grande impacto na vida Tupac, que cresceu sem a figura paterna ao seu lado. Nas ruas, os únicos modelos em que Tupac podia se espelhar eram os traficantes e cafetões.
No final da década de 1980, o “Digital Underground” alcança um grande sucesso com o álbum “Sex Packets”, que chega a ganhar Disco de Platina e a receber comentários positivos da crítica. Tupac também ajudava a carregar equipamentos e algumas vezes teve a chance de cantar com o grupo. Ele se tornou dançarino aos 19 anos, quando o grupo conseguiu o primeiro sucesso com “The Humpty Dance”, em 1990. A faixa chegou ao 11º lugar na parada “Hot 100” da “Billboard”, além do primeiro lugar no chart de Rap da revista.
Dono de uma carreira meteórica e de um talento único que iria impactar o mundo para sempre, suas primeiras letras eram notáveis e revelaram a tendência para sua personalidade violenta. Em uma música que fez parte da trilha sonora do filme “Nothing But Trouble” chamada “Same Song”, Tupac conheceu o sucesso pela primeira vez e não parou mais! Em 1995, o Rapper foi acusado de abusar sexualmente de uma mulher em um hotel.
Talentoso e polêmico, Tupac se tornaria uma lenda do Rap em muito pouco tempo.
Segundo Pac, a mulher, que ele havia conhecido em uma boate, teria feito sexo oral nele em plena pista de dança e teria ido com ele para um hotel por livre e espontânea vontade. Shakur disse que tudo não passou de uma armação. Em fevereiro do mesmo ano, devido a tal fato, Tupac foi sentenciado a quatro anos e meio de prisão por estupro, embora tivesse negado veementemente. Pouco depois do ocorrido, Tupac havia levado cinco tiros em um assalto ocorrido em um estúdio de Nova York. Tupac deu informações em detalhes sobre o ocorrido em uma entrevista para “Vibe”. O astro começou a cumprir sua pena no presídio de Clinton.
Pouco depois, seu multiplatinado “Me against the world” é lançado. Tupac entra para a história como o único artista a ter um álbum em primeiro nas paradas estando preso. “Este sempre será meu álbum favorito”, disse ele a uma entrevista. Enquanto os guardas provocavam na cadeia dizendo que Tupac não era mais o mesmo, ele ria e dizia: “Meu álbum é número 1 no país inteiro e apenas bateu Bruce Springsteen no topo da Billboard”. Após quase onze meses na prisão, Tupac foi liberado, logo depois de ter feito um acordo com Suge Knight, o cabeça do “Death Row Records”. Suge pagou a fiança de 1.4 milhões de dólares. Em troca, o artista deveria lançar 3 álbuns pela sua gravadora. Imediatamente após sair da prisão, Tupac começou a trabalhar em um novo álbum. Em fevereiro de 1996, ele lança seu quarto álbum, “All eyes on me”, o primeiro álbum duplo da história do Rap. O sucesso foi tremendo e vendeu mais de 9 milhões de cópias e é considerado por muitos o melhor álbum do gênero. Em meio a tanto sucesso, Tupac foi assassinado em 1996, quando saía de uma luta de seu amigo Mike Tyson.
Tupac com Mike Tyson um pouco antes de sua trágica morte.
Logo após sua morte, a “Death Row” lança o álbum “The Don Killuminati”, com o pseudônimo de “Makavell”. A capa traz um 2Pac crucificado, com uma coroa de espinhos na cabeça e um mapa das principais gangues do país. Em janeiro de 1997, a “Gramercy Pictures” lança “Gridlock’d”, um filme em que Tupac interpreta um viciado em drogas e que foi bem aceito pela crítica, recebendo inúmeros elogios. Seu último filme, “Gang Related”, seria lançado meses depois. Antes de morrer, Tupac deixou centenas de músicas gravadas na época de “Death Row”. A maioria foi lançada em álbuns póstumos como “Better Dayz”, “Until the end of time”, “Loyal to the game” e em seu último póstumo “Pac’s Life”. Tupac é o Rapper que mais vendeu álbuns na história. Sua morte até hoje continua a ser motivo de discussão, não só pela forma que foi mas principalmente no mundo das grandes gravadoras onde o artista vende mais discos morto do que vivo.
Sim, a história é estranha no entanto representativa de um dos nomes mais fortes do que chamamos de “Gangsta Rap”. Tupac era considerado um terrorista como também um dos mais promissores poetas do Hip-Hop. Tupac, que era do signo de gêmeos, tanto foi considerado um B-Boy machista como um talentoso ator. E o Rap? O Rap era sua arte, sua obra prima, o milagre poético que o mundo conheceu!
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“O Rap é um dicionário da vida. Ele te dá uma visão ampla de tudo. É sentimento e lógica.” (MC Ryan)
“Se você ama essa cultura, como eu amo essa cultura, diga Hip-Hop, Hip-Hop” ou “Cachorro sapeca mijou no hidrante, o que vocês querem ver? Sangue!”. São com essas frases que começam as “Batalhas de MC’s” no litoral de São Paulo. Um encontro de todos, do antigo com o novo, fazendo uma verdadeira renovação cultural. Mas desde cedo aprendem que o Hip-Hop não é moda e que é necessário ter personalidade e criatividade, fazendo as próprias rimas. As decoradas não são bem-vindas. A cada dia a nova geração chega e acontece com mais força, escrevendo assim seu nome na história.
Mostrar a nova geração da Cultura Hip-Hop, esse também é um dos compromissos do Portal Breaking World, afinal, eles são o futuro e a continuidade da cultura. Nesta matéria, conversamos com o MC Ryan, da cidade de Itanhaém, que foi visto por muito tempo como o menorzinho das Batalhas de MC’s, mas hoje o menino com 15 anos mostra nessa entrevista que ser MC é muito além de segurar um microfone: é necessário ter conhecimento, flow, uma boa métrica, se afastar das drogas, ter sonhos e saber onde deseja chegar. Se liga na entrevista:
BW – Ryan, queria que você falasse um pouco de você e da sua família.
MC Ryan – Eu sou o Ryan da Silva, na rima MC Ryan, tenho 15 anos, moro no litoral de São Paulo, em Itanhaém. Sou filho de uma enfermeira e a profissão do meu pai não sei, pois não tive convivência com ele. Tenho uma irmã chamada Tamires que é técnica em enfermagem.
BW – Nos conte quando e como surgiu o interesse pela rima que é feita por MC’s?
MC Ryan – Bom, a minha família tem diversos gostos musicais, mas Rap quem escutava era minha irmã e meu tio, mas o interesse surgiu realmente quando eu tinha 13 anos, eu ia numa praça e lá rolava Batalha de MC’s. Aqui, nessa época, em Itanhaém, tinha o Big Mike que estava rimando aqui na Cabuçu, aí eu vi aquilo e gostei muito. Cheguei em casa e comecei a pesquisar sobre o assunto, sobre Batalhas de MC’s, foi aí que eu comecei a ver uns garotos da minha idade, o Thiago, o Leozinho, tudo novinho, rimando, aí eu comecei a assistir muita batalha e me espelhei nisso. Eu queria fazer aquilo também. Até que no meio do ano eu já estava fazendo “freestyle” e comecei a rimar na internet por meio de um programa que várias pessoas, de várias batalhas, que até vários MC’s que são famosos começaram lá, e que se chama “Radical”. Aí eu comecei a batalhar, os caras falavam que eu batalhava bem. Mas o primeiro contato que eu tive com uma batalha de fato, ao vivo e em cores, fora do mundo virtual, foi na “Batalha do Secreto”, que acontecia sexta-feira, mas que eu por ser menor de idade tinha muitos problemas por causa do horário, minha mãe ficava preocupada de eu voltar tarde para casa. Mas, mesmo assim, teve um dia que eu fui lá, batalhei e ganhei! Sendo essa a primeira vez que fui campeão numa batalha de rima.
BW – Como você aprendeu a rimar? Rimar não é algo fácil, a pessoa tem que ter a resposta certa na hora certa e pensar muito rápido. Alguém te ajudou nisso ou te ensinou?
MC Ryan – Bom, eu não vou dizer que aprendi de primeira, eu tive muita dificuldade no começo. Eu era um tipo de MC que mandava muito suporte, falava várias vezes “Tá ligado”, “Mano”, mas eu já me sentia chocado pelo simples fato de estar ali rimando, já me sentia feliz. Mas realmente não era fácil, eu tive muita dificuldade no começo de encaixar as rimas no beat, de ter a métrica certa e conseguir pensar numa resposta, mas quando você está rimando e está batendo de frente com um outro MC, parece que sua mente fica automática, o cara manda um ataque e você já tem a resposta. Eu não tive muita ajuda de ninguém. Me lembro que eu conheci o Chad, mas nessa época eu já sabia rimar e ele também sabia. A minha primeira batalha depois que eu ganhei a do Secreto foi eu vs Chad MC, ele me levou para batalhar, mas antes pediu que eu mostrasse o que eu sabia. Então, nós rimamos, os amigos dele gostaram e aí ele me levou em outras batalhas e disse que eu era cria dele (risos), aí eu fui aos poucos me destacando. Mas ajuda de MC’s eu nunca tive, eu sempre fui muito independente. Eu colocava o beat em casa e ia encaixando palavra por palavra.
BW – Alguns MC’s falam que leem dicionário para poder aumentar o vocabulário. Você faz isso?
MC Ryan – Eu não leio muito dicionário não. Mas ajuda, muita gente usa. Eu comecei a batalhar em 2018, nessa época o povo já falava que eu rimava bem. Falavam que eu deveria continuar e aí eu fui me aprofundando nisso.
BW – Onde você mora sempre participou das principais batalhas da cidade. Me fale dessas batalhas? E das principais dificuldades enfrentadas por MC’s que moram em cidades pequenas?
MC Ryan – As principais que eu conheço eram: A “Batalha da Praça”, “Batalha da Consciência”, “Batalha do Secreto”, “Batalha da Pista” e a “Batalha do Quadrado”. Nessa última, vários MC’s conhecidos já encostaram lá. Sobre as dificuldades de morar numa cidade pequena, bate às vezes um desânimo. Mas não só por ser pequena, mas muitas vezes pela falta de apoio das pessoas, da família, tem muita gente que acha que Rap não é futuro, que não dá dinheiro. E realmente, em cidade pequena não rende muito, aqui tem poucos eventos, nenhum apoio, mas no meu caso eu pretendo sair de Itanhaém, ir para outros estados, aqui tem bastante dificuldade. Na caminhada de MC’s você é desmotivado até mesmo por outros MC’s que acompanham o seu progresso, por exemplo, eu fui muito desmotivado pela minha idade, em 2018 eu comecei a me destacar, o povo já falava: “é o menorzinho das batalhas”. Eu já era conhecido e por causa disso gerou um conflito de outros MC’s comigo. Muitas pessoas chegavam a falar que eu ganhava por causa da minha torcida, mas não era por isso, eu me esforçava bastante, ficava rimando por horas, rimando em aplicativos, só para fazer o melhor na batalha.
MC Ryan campeão da “Batalha da Praça”, em Itanhaém (2019)
BW – Você falou de apoio. A sua família apoiava sua arte ou não?
MC Ryan – Minha família é um caso complicado (risos). Nem sempre eles me apoiaram, começaram mais me apoiar agora. Minha mãe no início olhava meio torto para mim. Eu nasci em São Paulo, morava numa favela, em São Paulo as coisas eram bem diferentes, tinha gente desde pequena indo para o lado errado das coisas e a minha mãe veio para Itanhaém por causa disso. Ela queria uma vida melhor e mais segura para a gente. Ela falava que eu tinha que estudar, que Rap não dava futuro para ninguém, que isso deveria ser um hobby para mim. Mas, na minha visão, nunca foi assim, eu sempre enxerguei o Rap como uma forma de se expressar, eu sou uma pessoa muito complicada, eu reflito muito sobre várias coisas, sobre eu mesmo. Mas agora ela fica feliz por mim, acha que é uma coisa bacana de se fazer porque ela me vê feliz, tanto que no evento do “Prêmio Sabotage” que eu me inscrevi esse ano, ela estava me apoiando. Ela hoje me diz que eu tenho que mostrar a todos o meu trabalho de uma forma diferenciada. Minha avó me apoia muito, às vezes ela muda de lado (risos), mas ela tem alguns motivos e no final das contas eu sei que ela quer o melhor pra mim. Mas quando eu pegar mais fama eu vou lançar uns sons.
BW – Já se sentiu preterido por ser criança?
MC Ryan – Sim, quando existe uma criança numa batalha, normalmente as pessoas não olham como MC e vão te olhar como criança. Mas eu vou falar… Eu nunca rimei decorada numa batalha, sempre improvisei e me esforcei, o meu freestyle sempre foi muito agressivo. Mas sempre teve muito preconceito. Tiveram várias batalhas que eu arranquei grito e aí uma torcida veio falar que eu ganhei as pessoas porque era criança. E isso desmotiva quem é novo! Eu acho esse negócio de preconceito pela idade muito errado!
BW – Nas batalhas existe uma divisão entre batalha de tema e de sangue. De qual você gosta mais?
MC Ryan – De conteúdo de batalha entre conhecimento e sangue eu prefiro sangue, porque conhecimento é basicamente para você testar sua cultura, o que você sabe. A batalha de sangue já é bate volta a pessoa rima com o que desejar, tem “gastação”, eu sou mais de sangue pois é mais liberado.
BW – Nas batalhas rola de tudo, às vezes xingamentos a familiares e outras coisas. Já aconteceu, depois da batalha, de ficar aquele “climão”? Ou quando termina a batalha acaba tudo e as coisas voltam ao normal?
MC Ryan – Sobre os desentendimentos nas batalhas, realmente tem MC’s que um esculacha a família do outro e isso gera brigas. Antes eu era um garoto que falava muito de pederastia, mas com o passar do tempo comecei a usar mais ideologia. Na verdade, eu não era pederasta, apenas rimava em cima do assunto que outros estavam rimando. Mas esse clima depende muito da energia da plateia. Os MC’s também julgam muito o outro pela classe social, às vezes alguns me chamavam de boy, mas ninguém sabe do meu passado, não sabem do esforço que eu tenho que fazer para ser alguém na vida, que minha mãe teve. Minha mãe levantava todos os dias às 3 horas da madrugada para ir trabalhar em São Paulo, mesmo morando aqui no litoral. Hoje, por exemplo, ela foi num dia e só volta no outro. Isso é perigoso e exaustivo, ela é uma grande batalhadora, uma guerreira e eu a amo demais! E por classe social eles nem sabem que eu morava dentro de uma favela e não conhecem a minha história. Mas não ligo para isso!
BW – Na sua opinião, o que é necessário para um MC ser considerado bom?
MC Ryan – Muitos acham que a gastação é uma forma de freestyle, mas eu não concordo não. A essência de um bom MC é ele ter um bom conteúdo nas batalhas. Não ficar falando de pai, de mãe, ter uma mente aberta, ter poesia na cabeça, ter pensamento grande, tem que ser esforçado, tem que ser competitivo e tem que ter amor pelo que faz.
BW – No meio das batalhas rola muita droga? Como você faz para fugir disso?
MC Ryan – Olha, para mim nunca fez sentido as drogas. Eu sempre tive cabeça, desde pequeno eu já tinha uma noção do que eram as drogas. Noção do que era certo ou errado. Tanto que minha mãe não me deixava ir nas batalhas, às vezes, por medo. Pelo simples fato da pessoa usar droga ela já é horrível, está se autodestruindo e desses eu mantenho distância, tendo plena consciência de que aquilo não é certo. Eu nunca tive atração por droga nas batalhas, diversas vezes já trombei com vários MC’s que estavam drogados e muita gente bêbada e isso atrapalha na batalha, algumas vezes chegam pessoas embriagadas atrapalhando e um amigo, o Dodô, que era o responsável pela batalha tomava atitude, dava bronca, mas muitas situações as pessoas não respeitam, às vezes você está batalhando e o cara joga bafo na sua cara de maconha, isso é o cúmulo da falta de respeito ou coisa assim e isso gera conflito. Minha mãe embaçava muitas vezes de eu ir em batalhas por isso, ela sabia que no centro, de sexta-feira, tinha muita gente embriagada, muitas drogas e ela tinha medo do que poderia acontecer. Mas muitas vezes eu insisti e fui. Mas tem que ter cabeça para sair fora dessas coisas!
BW – Entre os MC’s famosos, qual você mais se identifica? E você falou que estava gravando alguma coisa em estúdio, pode falar sobre isso?
MC Ryan – Hoje em dia têm bastante MC’s que eu acho que não tem muito conteúdo, mas que chama a atenção da galera. Mas tem dois que mais me identifico: um é o Dudu MC, ele tem um ótimo flow, conteúdo, a métrica como ele manda as rimas, ele tem toda uma habilidade, aquilo surge naturalmente e o outro é o Thiago MC, que agora foi mais para o Trap, mas gosto muito dele. Assistindo ele batalhando e o Dudu são inspiração! Inclusive muitas pessoas veem semelhança entre eu e o Thiago. Sobre as gravações, eu tenho gravado algumas coisas pelo celular, usando aplicativos profissionais que são usados em estúdios, tem masterização e outros recursos. Eu estou querendo aprender mais sobre esses aplicativos e lançar algumas coisas. Nessa quarentena tenho feito isso.
BW – Quais são seus planos e sonhos para o futuro?
MC Ryan – Meus planos para o futuro é viajar para o Espírito Santo e ir na batalha do “Oh Shit”, em Registro, e lançar um som no estúdio! E se tornar um MC conhecido! E eu ainda quero, quem sabe, lançar um Trap com o Dudu. Esse moleque é muito bom! Ah também quero ser um jogador profissional de “FreeFire” (risos).
BW: O que significa o Rap na sua vida?
MC Ryan – Essa pergunta foi impactante (risos). O Rap é a vida, é o sentimento para mim, é a lógica de tudo. Ele diferencia aquilo que eu vivo nas convivências, no passado. Ele é aquilo que contraria todo o julgamento, o preconceito, o racismo, ele diferencia tudo, é o modo de você viver a vida com mais respeito. Ele é um dicionário da vida. Ele te dá uma visão ampla que temos que ter em relação às pessoas que estão à nossa volta. Existem pessoas que são muito preconceituosas! Esse negócio de preconceito de idade ou qualquer outro tipo de preconceito, uma pessoa que pensa assim, não sabe o que é Rap. O Rap é onde somos todos iguais!
Fotos: Arquivo Pessoal
MC Dodô e MC Ryan na final da "Batalha da Consciência"
MC Ryan na "Batalha da Consciência"
MC Ryan duelando com MC Bob Leal na "Batalha da Consciência"
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No último sábado (11), morreu em Atlanta (EUA) o Rapper americano Lil Marlo (30). O Departamento de Polícia afirmou à Revista Billboard que agentes atenderam a uma chamada envolvendo um acidente de carro, aproximadamente às 23h30. No local, encontraram o motorista do veículo, um homem baleado e já sem vida… Um porta-voz da polícia disse à publicação que as investigações já começaram e que, neste momento, as equipes acreditam que a vítima foi alvo de um atentado planejado. Marlo era contratado da mesma gravadora que outros Rappers famosos de Atlanta, como Lil Yachty, Migos, Lil Baby e City Girls. Seus últimos lançamentos saíram em fevereiro. Ele aparece na coletânea da gravadora “Quality Control”: “Control the Streets”. O Rapper deixa quatro filhos: Kemora, Rihanna, Marlo e Rudy.
Foto: Reprodução
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Já passou algum dia rouco? Com certeza, em algum momento da sua vida, você sentiu a importância da nossa fala, pois é por meio dela que nos comunicamos com o mundo e as pessoas e transmitimos nossas vontades, emoções e nossa personalidade.
Cuidar da voz é como um exercício muscular, ela precisa estar fortalecida para aguentar as variações do dia a dia. Para você Cantor, Rapper, MC, DJ ou Palestrante, ficar rouco constantemente, dificuldades ao falar, estar sempre com a garganta coçando, são sinais de que algo não está bem.
Inimigos da voz: pigarrear, com o objetivo de retirar as secreções das pregas irá destruir as mesmas. Dica: beba muita água.
Café e cigarro: No café, o teor elevado da cafeína e sua alta temperatura desidratam as cordas vocais e o cigarro provoca acidez no estômago, refluxo e sensação de dor ao falar.
Bebidas alcoólicas e voz não combinam! Aquela expressão “vou tomar aquela bebida forte pra dar uma aquecida na voz” é o pior dos absurdos! A bebida alcoólica provoca irritação no trato vocal, diminui o controle da voz, causa irritação nos tecidos da laringe, as bebidas destiladas causam danos ainda maiores a saúde vocal. Dica: fique longe desse veneno.
Ar condicionado! Devido às mudanças climáticas nos últimos tempos, a concentração nos grandes centros urbanos e trabalhos em salas, reuniões e agrupamento de muitas pessoas, faz com que sejam instalados aparelhos de ar condicionado, para gerar a sensação de conforto e bem-estar às pessoas.
O ar condicionado é na verdade o local onde pode existir um agrupamento de bactérias, fungos, ácaros e amebas, podendo assim causar para pessoas alérgicas asma, tosse, chiado, rinite alérgica, espirros, coriza e obstrução nasal, tudo que a voz e a fala não podem ter.
Recado especial aos Rappers e MC’s: cuidem bem do seu aparelho respiratório, bebam muita água durante o dia, comam uma maçã antes da sua apresentação. Façam um chá com a fruta romã: é fenomenal. Façam um gargarejo, irá fazer muito bem e proteger contra possível rouquidão!
Cantem e espantem todos os males da vida: esse é o melhor remédio!
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