Depois de uma grande polêmica em torno do novo clipe de Gabriel O Pensador, “Patriota Comunista”, que teve algumas imagens gravadas no Cemitério Parque dos Buritis, em Uberlândia, ele em sua rede social falou: “Comecei a carreira sendo censurado e censurando a censura. Venci a hipocrisia e os aproveitadores de plantão mais de uma vez. Tentaram me intimidar novamente com duas notificações hoje e tentativa de censura prévia. Muito barulho, mas sem fundamento. O clipe de Patriota Comunista foi gravado num cemitério muito criterioso e sério, escolhido justamente porque queríamos retratar com respeito e beleza os temas da letra da música, que incluem o respeito à morte e a vida”.
O clipe entrou nas plataformas digitais essa semana e já pode ser visualizado. Confira abaixo:
Patriota Comunista - Gabriel O Pensador
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Série sobre o Hip-Hop em SP, idealizada por OsGêmeos, estreou na última quinta-feira no YouTube da Pinacoteca de São Paulo
A Pinacoteca de São Paulo lançou semana passada uma série audiovisual chamada “Segredos”, idealizada pelos gêmeos Gustavo e Otávio Pandolfo, que contam a história do Hip-Hop brasileiro por meio das lembranças dos artistas que fizeram parte dessa efervescência, desde 1980. A série foi dividida em quatro episódios e vai ser disponibilizada no YouTube da Pinacoteca (https://www.youtube com/user/MuseuPinacoteca) todas as quintas, às 20h.
A cada episódio, OsGêmeos recebem convidados diferentes que fazem parte do movimento para relembrar a trajetória de cada um e contá-la às novas gerações. Desta maneira, pretendem demonstrar como o Hip-Hop se transformou em uma das manifestações artísticas e culturais mais relevantes no Brasil, sendo determinante na vida dos que fizeram e fazem parte dele, não apenas por introduzi-los ao Rap, ao Breaking e ao Graffiti, mas pelas amizades que surgiram nos eventos da São Bento, berço do movimento em São Paulo, e que continuam até hoje.
Os encontros acontecem no vagão de um trem, imaginado pelos artistas e montado no ateliê dos dois. Declararam numa entrevista para o Estadão: “É uma cápsula do tempo que nos leva de volta à década de 80 para reviver a nossa história e a dos nossos amigos, que é a própria história do Hip-Hop”, conta Gustavo. Dentro desta máquina do tempo se revela, por exemplo, que o DJ KL Jay, do Racionais MC’s, foi dançarino de Breaking nos anos 1980. Os próprios irmãos, conhecidos no mundo inteiro graças ao Graffiti, contam que dançaram Breaking e cantaram Rap. “Todo mundo fazia um pouco de tudo”, diz Otávio.
Gustavo e Otávio Pandolfo, mundialmente conhecidos como “OsGêmeos”
A ideia de documentar a história do movimento é antiga, mas fazer isso por meio de uma série documental surgiu durante a montagem da exposição “OsGêmeos: Segredos”, no ano 2020. A exposição pretendia, inicialmente, fazer oficinas de Hip-Hop com jovens para incentivar a arte, mas a ideia foi abortada após o surgimento da pandemia do coronavírus. Foi aí que a série surgiu. O resultado é visto de uma maneira tão positiva pelos artistas que eles contam que “é só o começo de uma grande história”, mas não revelam o que têm em mente. O futuro promete revelar segredos…
Segundo Jochen Volz, o diretor-geral da Pinacoteca, a intenção é que o documentário também tenha uma finalidade educadora e possa servir para fomentar aulas, oficinas e debates. “O documentário foi montado de maneira bastante didática para ser visto por todos os públicos e para que os jovens, estudantes, possam aprender sobre a história do Hip-Hop e dos seus próprios artistas”, afirma Volz.
Segundo os irmãos, as entrevistas do documentário foram feitas sem um roteiro. Com improviso, histórias que não conheciam, mesmo com mais de 35 anos de amizade com a maioria dos entrevistados, foram reveladas por meio do relato de convidados como: Thaíde, KL Jay, Erick Jay, Edi Rock, Rooneyoyo e Nelson Triunfo.
Fotos: Divulgação Pinacoteca/OsGêmeos
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Um garoto do Paraná, de apenas 12 anos, emocionou a toda a produção de um programa de rádio ao vivo na Rádio Exclusiva FM, estamos falando de José Lucas de Oliveira, mas no mundo artístico ele é o MC JLO. O menino participou do Programa Ação Teen, em São Paulo e começou a chorar ao vivo, contando o sonho que tinha e que estava sendo realizado, de cantar sua música de autoria própria, ao vivo, depois de uma longa trajetória que começou no Paraná, chegando até São Paulo.
Ele sonha em ser um dos grandes nomes do Rap nacional. Suas músicas têm uma proposta de consciência, com ousadia. Filho de uma ativista cultural, produtora, capoeirista e apresentadora do Programa Conexão das Periferias, o menino é muito incentivado por sua mãe. Eles foram acolhidos pelos The Rap Monster’s, que de cara já colocou o garoto no projeto do Coletivo, além de ter sua participação na música “Gente Da Gente” do Coletivo, o garoto gravou uma música na MB Produções, que vai fazer parte do CD dos The Rap Monster’s.
E é claro que o Portal Breaking World, que adora conhecer e ver o que a nova geração anda fazendo, não podia deixar de conversar com JLO. Confira a entrevista:
BW: Qual o real nome do MC JLO? Quantos anos tem? Onde mora e como é sua vida em família?
JLO: José Lucas de Oliveira Machado tem 12 anos, atualmente moro no Jabaquara, Zona Sul de SP. Minha vida é um pouco “puxada”, pois tenho muitas coisas para fazer: estudar, ensaiar Hip-Hop, treinar capoeira e brincar (risos).
O papel da mãe como apoiadora e incentivadora é muito importante na carreira do MC
BW: Está em que série? Na escola seus amigos pedem para cantar?
JLO: Eu estou no 6° ano da escola pública estadual Rui Barbosa, da cidade de Guarapuava, no Paraná. Agora com a pandemia, as aulas são on-line. Mas, antes os professores e os colegas sempre me pediam para cantar.
BW: Teve alguém na família que cantava? Quem são suas referências no Rap nacional?
JLO: “Escuto Rap desde a barriga da minha mãe”. Inspirações e referências são minha mãe, meu irmão, o artista plástico Olli, MC Caverinha, Djonga, Edi Rock, 7minutos e Hot e Oreia, Face da Morte…
BW: Quando começou a rimar e escrever músicas? Quando teve o primeiro contato com o Rap e com toda a Cultura Hip-Hop?
JLO: Comecei a escrever em 2020, mas o meu contato com tudo foi desde a barriga da minha mãe.
MC JLO na Rádio Exclusiva FM, em São Paulo: sonho realizado
BW: Verdade que era um sonho cantar numa rádio? Nos conte como foi essa experiência aqui em São Paulo.
JLO: Foi demais! Eu não imaginava que iria tão rapidamente participar de entrevistas em rádios e TVs. Foi uma experiência nova, bem difícil, mas maravilhosa!
BW: Fale sobre a música de sua autoria, que cantou, sobre o que fala?
JLO: Minha primeira composição foi em homenagem à minha mãe e a todas as mães do mundo. A música se chama “Você é um Príncipe”. E a segunda, fala sobre a nova realidade diante da pandemia para um pré-adolescente. Se chama “Novo normal”.
BW: Você participa também de batalhas de rimas?
JLO: Sim, a última foi no ano passado
BW: O que tem feito nesse tempo de pandemia?
JLO: Estou estudando on-line e participando de alguns eventos on-line também.
BW: Fale um pouco dos seus projetos, dos seus sonhos para o futuro?
JLO: Meus projetos são continuar no The Rap Monster’s e no Cultuarte Capoeira. Também fui convidado a participar do Canto pela Paz. Sonho é ser rico e poder ajudar as pessoas com a minha arte.
BW: Deixe um recado para os leitores do Portal Breaking World?
JLO: Peço para que me acompanhem e assistam as lives que estou participando. E, por favor, usem máscara e álcool até a vacina sair para todos e acabar a pandemia.
A amizade de Rose MC & Ellypretoriginal, do Grupo DMN, vem de longa data, desde os anos 90. Muitos shows juntos, troca de ideias, ações sociais, festas em família.
Rose fez a arte de um dos primeiros logotipos do DMN, arte-final para camisetas e capa de LP. Naquela época, era comum os grupos da mesma região se ajudarem muito. Ambos da Zona Leste, o DMN já tinha uma projeção, com vários discos gravados, mas sempre levava os amigos nos corres e eventos onde estavam inseridos e, entre eles, a amiga Rose MC.
O DJ Slick tocou na festa junina na E.E. Luiz Antônio Fragoso em 1993, onde Rose era professora. O DMN teve muitas mudanças, mas a amizade com todos os componentes do grupo continua até hoje. Em 2015, Rose iniciou o projeto Hip-Hop on The Spot, na ONG internacional iEARN (International Education and Resource Networt). Todas as músicas do projeto foram produzidas por Ellypretoriginal, e os vídeos estão disponíveis no YouTube.
Neste trabalho de Hip-Hop e Educação (que teve início em 1988), a parceria e apoio dos irmãos da Cultura de Rua foi muito importante. Sendo funcionária pública, Rose não poderia acessar as políticas públicas, contando sempre com o apoio e incentivo dos amigos dos 4 elementos. Com a correria do trampo como assessora na DRE Penha, Rose não conseguia focar no trabalho solo.
Em 2018, Rose aposentou-se e decidiu fazer o tão sonhado disco solo, com a produção musical e artística de Elly. Após vários encontros, troca de ideias, os beats ficaram prontos, no segundo semestre de 2019. Com a cara, a coragem e sem apoio financeiro, Rose inicia o processo de criação das letras, edição de Lyric Videos e divulgação. Hoje vivemos na era do streaming, onde se torna possível o lançamento independente, com muita dedicação, planejamento e aprendizado nos tutoriais da vida…
Rose lança uma música a cada quinzena e no final de 10 músicas o CD solo estará pronto! O 1° single foi: Aqui na Zona Leste, o 2° Passaporte e o 3° Flores da Primavera. O próximo lançamento será no dia 28 de maio, com o single De lá pra cá. Na noite precedente ao lançamento, Rose MC & Elly sempre realizam uma “live” pela página do Facebook do SP Hip-Hop All Stars, pois estão juntos neste projeto com o DJ Heliobranco e vários amigos da Old School.
Para produção das músicas, Rose escolheu alguns estilos: G Funky, Boom-Bap… Elly sugeriu um Trap… aos poucos as rimas foram saindo do papel. No momento de colocar a voz no estúdio, rolou uma experiência em mudar os tons, o flow e a leitura vocal… Hoje, Rose descobriu muitos espaços na região vocal por meio da orientação do seu produtor musical Elly: “vibrato, drives, melismas, vocalise… não é o The Voice (risos) é o Rap aprendendo a explorar as diversas levadas que fazem as músicas dos gringos ficarem tão da hora!”. E com esta experiência, Rose realiza seu sonho em ter um trabalho solo e dá um rumo à sua carreira, onde aprende a explorar o melhor do seu talento, se atualiza e está na pista como True School, atemporal, atrevida e verdadeira.
Foto: Arquivo Pessoal
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Vítima do descaso do sistema de saúde do Brasil, Dina Di partiu em 20 de março de 2010, depois de lutar 17 dias pela vida…
Viviane Lopes Matias, ou apenas Dina Di, nome artístico que escolheu por toda a vida, foi uma das divas do Rap nacional, ao lado de outras MC’s como Sharylaine, Rúbia e Cris SNJ.
Nascida em Campinas, ela era do grupo Visão de Rua e lançou sucessos como “Marcas da adolescência”, “Meu filho, Minhas Regras” e “Mente Engatilhada”. Começou na Cultura Hip-Hop com 16 anos, a artista, era brava, de personalidade forte. Usava roupas largas e boné, estilo comum usado por algumas mulheres do Rap nos anos 90, para diminuir os riscos de chamar atenção de forma sensual e dessa forma não serem respeitadas.
Foi por meio de um estilo bem masculino que Dina Di conquistou o espaço que pertencia às mulheres, mas que antes era ocupado por homens. Dina era MC e historiadora, nascida em Santos, entre todas as vozes femininas que se levantam, Dina Di é a mais forte, a que nunca foi esquecida, nem a morte a calou. “No passado, sem documentos, tentava provar num cartório que era ‘amásia’ para poder visitar o companheiro na cadeia. Ou, para fazer o videoclipe de “Mente Engatilhada”, foi pedir um tênis numa loja porque não tinha sapato. Tudo o que comia era arroz com feijão uma vez por dia.” – informações da Revista Época, publicada em 2002.
Por meio de sua voz, Dina Di questionava o sistema e denunciava questões sociais
Dina Di deu voz a grandes debates, como ser mulher, periférica, mãe e MC em um país que desde seus primórdios menospreza todo tipo de arte produzida pelas periferias.
As narrativas de Dina também denunciavam questões sociais e revelavam fases distintas de sua vida fora dos holofotes.
Uma das poucas aparições da diva na grande imprensa foi numa entrevista à Revista Época, em 2002. Ele confidenciou: “Tô vivendo de sonho, de subir no palco. Pegar trem, ônibus, perua e cantar para verem que eu não morri. Sobrevivi a tudo e estou ali. E depois descer e não ter nem dinheiro para comer um cachorro-quente”.
Além de citar as vezes em que foi parar na Febem, de quando começou a trabalhar para sobreviver, aos sete anos de idade e da vez que fugiu de casa aos treze, Dina Di deixou explícito como estava orgulhosa em estar vivendo seus sonhos e qual era o seu propósito no Hip-Hop.
Dina Di, Rúbia RPW e Lauren Priscila
Visão de Rua e o adeus à diva!
No grupo Visão de Rua, ao lado de Lauren, Tum e DJ O.G, Dina Di lançou sua primeira música, em 1994, intitulada “Confidências de uma presidiária”.
É um relato da rotina no sistema carcerário feminino. Depois de ser detida e conhecer a realidade nas prisões, Dina Di usou a música como ferramenta de transformação social, a fim de compartilhar com outras mulheres formas mais otimistas de viver.
Na entrevista, ela contou à Época que levava seus CDs para as cadeias porque queria que suas “irmãs de cela” soubessem que podiam contar com ela. “Uma prima minha perdeu o filho dentro da prisão. Foi abortando a criança durante a noite, sem socorro. Quando a mulherada ouve as minhas músicas, sabe que não está sozinha”, destacou.
Em 1998, o grupo lançou seu primeiro álbum, o Herança do Vício(1998) e três anos mais tarde criou o segundo disco Ruas de Sangue (2001), que a fez ganhar o Prêmio Hutúz na categoria “melhor grupo feminino”. Em 2003, o Visão de Rua, que já havia se consolidado e conquistado um espaço importante na cena do Rap nacional, lançou o emblemático clipe A Noiva do Thock, que concorreu em três categorias no Hutúz. Em 2007, o grupo se dedicou ao seu último álbum, O Poder nas Mãos (2007).
Mulher, periférica, mãe e MC: Dina Di é sem dúvida uma das vozes mais fortes do Rap feminino brasileiro
Em 2008, Dina foi indicada novamente ao prêmio Hutúz como melhor álbum no ano, com “O poder nas mãos” e, na categoria “Grupo ou Artista Solo”; em 2009, foi indicada a categoria “Melhores Grupos ou Artistas Solo Feminino da década”, ganhando o troféu.
Dois anos depois, no dia 20 de março, depois de lutar 17 dias pela vida, Dina Di faleceu. Aos 34 anos, a artista contraiu uma infecção hospitalar após o parto de sua segunda filha, tendo a vida e carreira interrompidas. Após a repercussão da morte de Dina, a rapper Negra Li, uma de suas companheiras de profissão e amiga pessoal, disse que naquele dia o Rap havia se calado.
Essa semana, completou 24 anos que Christopher George Latore Wallace, também chamado de Biggie Smalls, Big Poppa e Frank White, mais conhecido como The Notorious B.I.G. (Business Instead of Game) foi assassinado.
The Notorious B.I.G. foi uma das grandes lendas do Rap nos EUA. Nasceu em Bed-Stuy, Brooklyn, New York. Ex-traficante de drogas em Bedford-Stuyvesant, Brooklyn. Abandonou sua vida criminal, lançando o aclamado álbum “Ready To Die”, em 1994, se tornando a principal figura do Rap da Costa Leste dos EUA, que tanto rivalizava com a Costa Oeste, que na época era liderada pelo Rapper Tupac Shakur.
Notorious B.I.G. e Tupac tentavam realizar o que parecia impossível: uma união de amizade entre os Rappers da Costa Leste e a Oeste, mas quando Tupac sofre um atentado dentro da gravadora de Notorious as coisas mudam e este passa a ver Notorious como um inimigo. Essa rixa tornou-se ainda mais acirrada quando dois produtores — Dr. Dre, de Los Angeles e Puff Daddy, de Nova York — começaram a disputar espaço nas paradas de sucesso. Tupac e Big eram seus principais pupilos, que depois do ocorrido viviam trocando farpas, ameaças e provocações. Até que 2Pac foi assassinado na saída de uma luta de Mike Tyson, em Las Vegas.
Tupac Shakur e The Notorious B.I.G.
A morte mexeu com a cena em todo o país e em fevereiro do ano seguinte, Rappers das duas costas se juntaram para oficializar a paz — Nova York sendo representada por Puff Daddy e Los Angeles por Snoop Dogg. Mas as brigas ainda continuaram em outras ocasiões públicas e, no dia 9 de março de 1997, na saída de um evento de lançamento de seu disco mais recente, a picape que transportava Biggie parou ao lado de um carro cujo motorista abaixou o vidro e descarregou sua pistola. Notorious B.I.G. levou quatro tiros e morreu em menos de uma hora.
Dias depois, o funeral de Biggie reuniu centenas de Rappers em Manhattan, entre eles nomes como o grupo Run-DMC, a Rapper Queen Latifah e Flavor Flav, do Public Enemy. Seu amigo e produtor o homenageou naquele mesmo ano, ao lançar a música “I’ll Be Missing You”, o maior sucesso de Puff Daddy até hoje.
Passado um pouco mais de duas décadas depois da morte de Notorius B.I.G a Netflix aposta num documentário sobre sua carreira meteórica. No mês de fevereiro, foi divulgado o primeiro trailer do documentário “Notorious BIG – A Lenda do Hip-Hop”. De acordo com as informações do SPIN, o documentário levou quatro anos para ser concluído e é o primeiro filme sobre o Rapper a ser aprovado pelo espólio. A mãe dele, Voletta Wallace e o colaborador Sean “Puff Daddy” Combs, ajudaram a produzir e participaram das entrevistas exclusivas.
Fotos: Reprodução
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“Esse pessoal novo está vindo com muita ostentação, não é o que aprendemos na Cultura Hip-Hop” (Sara Cipri)
O Hip-Hop é uma ferramenta de modificação de vidas, de construção de trabalho de base e massificação. Não é de hoje que escutamos que o Hip-Hop salva!
Diante da necessidade que o ser humano tem de ser alguém e construir algo, o Hip-Hop com seus elementos pode ser um meio para este fim. Vários processos revolucionários no mundo se deram a partir dessa bandeira de luta.
O Rap é um dos elementos dessa cultura, sendo a voz que não se cala, que resiste atráves do tempo e das gerações.
O Portal Breaking World essa semana conversou com a rapper Sara Cipri, que com apenas 15 anos nos conta que é a nova geração da velha escola, ela acaba de lançar a musica “Recado Para Os Moleques” onde fala sobre a antiga e a nova escola, critica a ostentação e enaltece a verdadeira essência.
Confira a entrevista abaixo:
BW: Quantos anos você tem? Onde você nasceu? Queria que nos contasse um pouco sobre sua vida em família?
Sara: Eu tenho 15 anos, nasci em São Paulo, numa periferia do extremo sul e sou de uma família tradicional e contei sempre com o apoio dos meus pais no que faço e no meu trabalho junto à cultura.
Sara Cipri e o Rapper Thaíde
BW: Seu pai e sua mãe já tinham alguma ligação com a Cultura Hip-Hop ou você foi a primeira da família a se envolver? E como se deu esse interesse? Você tinha algumas referências?
Sara: É uma história bem curiosa, eu estava no centro da cidade com os meus pais, eu deveria ter uns 3 anos e aí eu vi um telão que passava pessoas dançando Breaking e eu nunca tinha visto aquilo e cheguei em casa fiquei com aquilo na cabeça. E eu perguntei ao meu pai o que era aquilo que eu tinha visto no telão. E meu pai me explicou que era uma cultura chamada Hip-Hop, que educava e que inclusive ele tinha vindo dessa cultura e aí, foi ali o meu primeiro contato, ele começou a me passar os conhecimentos desde essa época, quando eu tinha 3 anos e não parou até hoje! Minhas referências a partir dali foram o Nelson Triunfo, o MC Jack, foi realmente o pessoal ali da São Bento, Old School mesmo!
BW: Quando você se apaixonou de fato pelo Rap? Quando e onde você aprendeu a rimar? Você chegou a participar de batalhas de rima?
Sara: Um tempo depois do primeiro contato, eu comecei a participar de um projeto que era para tirar crianças da rua, dando uma oportunidade a eles e nesse projeto tinha todos os elementos e nós fomos nos encaixando onde nós sentíamos mais afinidade e no começo eu fiquei meio perdida pois eu gostava de tudo (risos) mas eu me encontrei foi na rima mesmo e foi algo muito rápido, eu me identifiquei imediatamente. Poder passar mensagens através do Rap para mim não tinha nada melhor! E referente às batalhas dentro desse projeto do Hip-Hop nas quebradas, no bairro de Parelheiros, nós tinhamos as batalhas dentro do projeto, então, tinha campeonatos, mas batalhas fora do projeto eu participei da Batalha do Grajaú, Rap City também, mas eu me identifiquei mesmo em escrever, eu participo de batalhas, mas eu gosto é de escrever.
Sara Cipri e Nelson Triunfo, o “Nelsão”
BW: Você falou que gosta de apresentar a nova geração para a geração mais antiga. Como é isso?
Sara: Na verdade às vezes as pessoas acham que é algo bem complexo, mas na verdade não é. É algo bem simples de entender, eu sou a nova geração da velha escola, então, no caso eu sou a continuação do legado que eles deixaram, eu continuo trilhando os mesmos caminhos que eles passaram, os mesmos ensinamentos, é a mesma coisa só que hoje, então quando eu coloco nas minhas letras ou quando eu vou apresentar o meu trabalho para alguém, eu sempre gosto de falar que eu sou a nova geração da velha escola, porque é um trabalho que não para por aqui e eu estou aqui para continuar! Inclusive uma vez o MC Jack, num comentário, disse algo muito sábio que eu sempre me lembro como um lema: o pessoal novo que está chegando vai tanto atrás, que vai chegar uma hora que vai bater no que é resistência, no que é base, no que é verdadeiramente a Cultura Hip-Hop, que é onde tudo começou!”.
BW: Como você acha que os mais antigos do Rap veem quem está chegando agora?
Sara: Olha, no meu caso eu sempre fui bem recebida. Tenho uma grande afinidade com o Nelson Triunfo, entre outros diversos que foram pioneiros no Rap. Então, eu acho que eles apoiam.
Sara Cipri vai abrindo caminhos e escrevendo sua história no Rap
BW: É difícil nos dias de hoje conquistar o próprio espaço? Ter o próprio estilo? Fale sobre suas composições?
Sara: Sim, é bem complicado fazer um nome e adquirir um reconhecimento! Mas são lutas que valem a pena, porque lá na frente vem um resultado incrível e sobre as minhas composições, geralmente eu gosto de passar uma mensagem, principalmente para os jovens, porque muitos passam por situações que não sabem lidar e o Rap ajuda as pessoas passarem pelos problemas, passa mensagem de paz, de tranquilidade e além disso o Rap educa, ele mostra uma saída quando parece que não existe. E aí aparece o Rap como uma chama acesa, mostrando que ainda resta uma saída. Então, nas minhas músicas, minhas composições, eu tento passar isso para as pessoas.
BW: O fato de ser mulher já te criou alguma situação delicada dentro do Rap? Como você vê as mulheres dentro da cena?
Sara: Realmente, as mulheres no passado tiveram várias barreiras para hoje podermos conquistar o nosso espaço. Mas hoje as mulheres estão cada vez mais se igualando aos homens e no Rap também não é diferente, eu acho que em todo esse tempo estamos bem representadas. Eu tenho como referência, por exemplo, a Negra Li, a Cris da CNJ, entre outras diversas que podemos olhar e tomar como espelho, eu nunca passei por nenhum tipo de preconceito, eu acho que hoje o negócio está mais tranquilo para dividir o mesmo espaço com os homens.
Além de cantar, a MC também participa de batalhas de rimas
BW: O que é para você ser da resistência? Ao que você resiste?
Sara: Bom, quando eu falo que eu sou a resistência, o que eu quero dizer é a resistência de defender uma ideologia mesmo mantendo a essência do Rap. Pois quando ele surgiu na década de 80, ele veio com a intenção de mostrar uma saida. Essa molecadinha nova que está entrando na cena estão tentando mudar as coisas, vindo com um linguajar diferente, então, a minha resistência é para manter as raízes do Rap e de toda a cultura viva, que continue educando e salvando vidas!
BW: Sara, verdade que você ensina crianças da comunidade? Nos fale desse trabalho que você realiza?
Sara: Sim, eu tenho um trabalho em Parelheiros na comunidade, onde eu moro e temos duas salas, uma em cada associação, são duas associações e uma creche e trabalhamos com crianças que foram abandonadas na rua, que não tinham um rumo e muitas dessas crianças enfrentam dificuldades dentro de casa com os pais, alguns os pais são separados, existem diversos cenários que acompanhamos e nosso foco é mante-los no caminho certo, estudando e resgatando todos eles.
Em Parelheiros com as crianças dos projetos sociais
BW: Você é meio que uma referência para eles?
Sara: Sim e eu fico muito feliz de poder servir de espelho para eles e sempre eu os incentivo a estudar, a se dedicarem buscando um futuro melhor. O projeto sempre vai além da sala de aula! O Rap e o Hip-Hop é isso!
BW: Você é um novo talento diante de muitos outros que já estão na estrada tem muito tempo! Você é uma menina, tem 15 anos, quais são seus planos para o futuro?
Sara: O que eu planejo é seguir carreira aprimorando as minhas letras, estar evoluindo a cada dia e também da mesma forma o projeto que ele venha a subir mais e conquistar mais coisas. O meu objetivo é aprimorar o que já tenho e o que existe!
BW: O que você tem feito nesse tempo de pandemia? Como tem se cuidado?
Sara: No momento, demos uma pausa no projeto por conta da pandemia estamos cumprindo a quarentena, evitando ao máximo sair de casa e os meus trabalhos estão sendo mais pelas redes sociais. Aproveito aqui em primeira mão para dizer que estou lançando nas plataformas digitais uma nova música, que fala exatamente sobre a nova geração para mostrar para eles o que realmente é a essência da Cultura Hip-hop. Esse pessoal novo está vindo com muita ostentação, não é o que aprendemos na Cultura Hip-Hop, vêm até com coisas que atingem as mulheres e o Rap relata a verdade da periferia, é uma coisa que toda a família pode ouvir e a minha música foi feita exatamente para essas pessoas, para eles acordarem, porque na verdade tudo isso não nos representa, o nome da musica é “Recado pros Mulekes”
No Troféu Arte em Movimento, o reconhecimento e a felicidade pela indicação
BW: Recentemente você foi premiada no Troféu Arte em Movimento. Comente?
Sara: Eu fiquei muito feliz pela indicação, por poder participar daquela premiação, foi algo incrivel aquilo, foi a materialização do nosso reconhecimento, de cada uma ali, eu com os meus 10 anos de carreira alcançando objetivos e todos ali sendo reconhecidos.
BW: Para finalizar, o que significa o Hip-Hop na sua vida? Deixe uma mensagem para os nossos leitores.
Sara: Eu nem tenho palavras, o Hip-Hop, para descrever, tamanha a grandeza que ele tem na minha vida, Hip-Hop é o ar que eu respiro, tudo que eu olho ao meu redor tem Hip-Hop e tudo que eu sei e sou veio através do Hip-Hop, eu sou muito grata a toda essa cultura incrível que eu nem sei o que seria de mim sem essa cultura e para os jovens, os leitores do portal, eu digo para não desistirem dos seus sonhos, dos seus objetivos e para perseverarem, continuarem lutando, aprendendo, estudando, porque uma hora o reconhecimento chega e vou estar lá aplaudindo você!
Fotos: Arquivo Pessoal / Nós no Rolê (Mõnica Senna)
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Um carro estacionado, segundo a polícia, de forma irregular, foi o estopim para uma confusão que terminou com a prisão do cantor MC Salvador da Rima, na tarde deste sábado (27) na zona leste de São Paulo.
Em vídeos que estão circulando pela internet, o artista e um amigo aparecem sendo rendidos por PMs e depois agredidos com mata-leão e chutes.
Tudo começou porque um dos policiais multou o carro que estava estacionado em frente à casa de Salvador.
Ao questionar o motivo da multa, o artista teria discutido com um policial, que deu voz de prisão por desobediência.
Testemunhas contaram, ainda, que a esposa do cantor também foi agredida.
O vídeo, publicado no Instagram do MC Jeh da 6, amigo de Salvador, mostra o MC retirado da própria residência por PMs, já com a camisa rasgada.
Durante a detenção, ele é chutado, imobilizado e enforcado.
A prisão aconteceu por volta das 12h, mas, Salvador só chegou à 67º DP por volta das 13h40, com escoriações no corpo.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) disse que já está apurando o caso.
O rapper Salvador da Rima é autor de hits como “Vergonha Pra Mídia” e “Outfit Valioso”, que contam com mais de 200 milhões de visualizações no YouTube.
Foto: Reprodução
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Letra de RAP emociona e fala do amor e da relação entre pai e filho
Para quem segue e curte o trabalho do B-Boy e MC Lucas Lameu, conhecido como Churcks MC, ele lançou esse mês mais uma música e dessa vez emociona fazendo uma homenagem ao próprio filho Davi, de 4 anos, que vive no Macapá com a mãe.
Churcks mora em São Paulo e o tempo que passa com o filho considera algo sagrado. A música se chama “Jogador Caro”.
Nessa composição, fala do amor entre pai e filho, incentivando os homens a prestar mais atenção e valorizar essa relação. A produção foi uma parceria entre Churcks MC e Mix Matheus, sendo dirigido por por Will Aleixo.
São de Churcks MC as palavras: “Essa letra fala do amor, fala de sonhos, sonho de menino que quer ser jogador de futebol. Mostro que sempre estarei com ele, independente da distância e da circunstância nosso vínculo será eterno”.
O Portal Breaking World, que acompanha o trabalho de Lucas Lameu tem a honra de mostrar aos leitores o vídeo desse novo sucesso:
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Ela nasceu na Vila Carrão, zona leste de São Paulo, filha de artesã e de um metalúrgico que também era maestro e trombonista. Teve contato bem cedo com a arte e a música, mas aprendeu a dançar Breaking com amigos nos bailes. Foi num concurso durante uma matinê que, sendo a única mulher do grupo, recebeu o apelido de “Mina do Breaking”.
Estamos falando da pioneira Rose MC, que também é B-Girl.
Ela, no início dos anos 90, começou a fazer Rap, gravou músicas em coletâneas, fez inúmeras participações, se formou professora de artes, deu aulas em escolas públicas e viajou o mundo desenvolvendo projetos que mesclavam Hip-Hop e pedagogia.
Entre um compromisso e outro, Rose aceitou conversar com o Portal Breaking World. Veja a história de vida dessa “Diva do Hip-Hop”:
BW: Queria que você falasse um pouco da sua infância, onde nasceu e cresceu? E como era sua vida em família?
Rose MC: Eu nasci na Vila Carrão, Zona Leste e logo mudamos para a Vila Aricanduva, onde morei durante toda a infância e adolescência. Minha mãe Tânia era costureira e artesã e meu pai Joaquim era metalúrgico e músico (maestro e trombonista). Cresci em um ambiente musical. Meu pai foi trabalhar como torneiro mecânico, mas continuou com a Orquestra Sul América de São Paulo, onde era maestro e tocava trombone. Os ensaios eram em minha casa e eu sempre o acompanhava nas apresentações, ajudando nos bastidores ou dançando no cantinho do palco.
Filha de maestro, a música sempre esteve presente na vida de Rose MC
BW: Quando e onde teve contato pela primeira vez com a Cultura Hip-Hop? O que mais a fascinou nessa cultura?
Rose MC: Eu frequentava a danceteria TOCO, aqui na Vila Matilde. Aprendi a dançar o “breaking”, que a gente chamava de “robozinho” com colegas do baile. Realizaram um concurso de dança na matiné. Fui convidada pelos meus amigos Luis Break e Sidney para um grupo de dança onde eu era a única mulher. Concorremos ao som do Black Juniors: “Mas que linda estás” e ganhamos! Ganhei o apelido de “mina do breaking” pelo DJ Iraí Campos e passei a ser conhecida pelo bairro. O que mais me fascinou foi o fato de ser diferente, inovador, dançar no alto ou no chão, e a disponibilidade de quem sabia os passos ensinava aos que estavam iniciando e queriam aprender.
BW: Primeiro B-Girl e depois MC, como sua família e a sociedade que estava à sua volta via isso? Você sofreu algum tipo de discriminação por caminhar numa cena onde a grande maioria eram homens?
Rose MC: No início meus pais não gostaram muito… Meu pai falou: “agora você mudou de nome e de sobrenome?”, porque eu assumi o nome de rua, de “Rose MC”. Ele queria que eu estudasse música, me deu um caderno com as notas musicais. Depois passou a me orientar, principalmente sobre contrato de gravadora, a experiência dele no meio foi fundamental para que eu não assinasse nada sem ler. Minha mãe não gostava do estilo, depois passou a costurar minhas roupas de show. Era difícil e caro o acesso ao estilo de se vestir do Hip-Hop. Eu levava as fotos e ela costurava. Assim, pude me sentir uma Salt n Pepa, Queen Latifah, etc. Na verdade eu tive muita sorte quanto à aceitação e apoio masculino. O Doctor MC’s me apadrinhou em 1992, Thaíde & DJ Hum me convidaram para participar da faixa “A entrevista” do LP Brava Gente, em 1994. Mas também passei muito perrengue, indo a eventos e era deixada para cantar no final ou nem cantava, como muitos grupos iniciantes que não tinham disco gravado. Pelos flyers da época, podemos constatar que a participação feminina era muito pequena. Consegui espaço com muita insistência: às vezes cordial e outras metendo o pé na porta.
BW: No Breaking você tinha referências? Alguém te ensinou a dançar?
Rose MC: Minha fase como B-Girl foi aqui no bairro. Aprendi a dançar com o Luis Break e o Sidney (do grupo que eu participei na TOCO). Quando vi na TV os grupos Electric Boogies e o Black Juniors, tive a dimensão de que aquela dança que eu fazia no bairro estava em outros lugares do Brasil. Vale lembrar que não tinha rede social e nosso único canal de comunicação era a TV aberta. Minhas referências da época eram: o Luís Break e o Nelson Triunfo (que estava aqui na reinauguração da TOCO na Praça da Conquista).
Ganhou do DJ Iraí Campos o apelido de “Mina do Breaking”
BW: Dançar Breaking era algo fácil para você ou tinham movimentos mais difíceis? Quais eram seus movimentos favoritos?
Rose MC: Não foi algo fácil aprender a dançar Breaking. Só treinava durante o baile com os amigos e não havia vídeos para treinar em casa. Os meus movimentos favoritos eram de “robozinho”, lembrando que ainda não havia aqui no Brasil as definições de Popping, Locking e Freestyle.
BW: Como foi ser B-Girl nos dias que você começou? Quais eram os principais desafios enfrentados pelas mulheres naquela época? Aconteciam muitos problemas? Muito assédio? Como esses problemas eram resolvidos?
Rose MC: Na verdade, eu acho que tive muita sorte em ter amigos no baile que eu frequentava aqui no bairro, que me acolheram nos treinos, me ensinaram várias coreografias, me respeitaram como mulher e como iniciante no Breaking. Não sofri assédio, ao contrário, tive muito apoio e incentivo. Depois do concurso, passei a ser respeitada por todos e sempre era solicitada para entrar na roda. Também participei de um grupo de dublagens (o meu “breaking” era um diferencial) fomos em diversas casas noturnas fazer shows como a Pop Corn Disco Club e outras. As minhas amigas não gostavam deste estilo de dança, portanto não se dispunham a treinar e aprender.
BW: Fale um pouco da sua caminhada junto a crew que fazia parte. Era tudo tranquilo ou às vezes rolava aquela treta?
Rose MC: Era muito tranquilo. A gente contava os dias para chegar logo o domingo, para ir ao baile e treinar. Na Toco Dance Club, só na matiné o DJ Iraí Campos tocava as músicas perfeitas para dançar o Breaking. Claro que um queria aparecer com um passo diferente… a gente criava as coreografias em casa para ir ao baile dançar na roda e juntar os amigos e ensinar o que aprendeu. A treta era para os meninos disputarem a roda. Como eu era a única mulher minha entrada sempre estava garantida.
Depois do Breaking, veio o Rap, onde assumiu o nome “Rose MC”
BW: O Filme “Beat Street” foi um marco na sua vida? Comente isso…
Rose MC: Este filme mudou a minha vida! Pudemos ver na tela o nosso sonho materializado. Ir ao cinema várias vezes foi emocionante, desafiador e inesquecível. Eu ia sozinha, assistia a várias seções e nos intervalos, o pessoal ficava dançando no hall até a próxima seção. Ali eu vi os B-Boys e B-Girls treinando o que tinham acabado de ver no filme. Para os jovens de hoje é meio surreal esta experiência, tipo: por que eles não assistiam ao vídeo em casa para treinar? Porque não havia esta possibilidade! Enquanto o filme esteve nas telas, nem me lembro quantas vezes fui assistir, às vezes com meus amigos, outras sozinha. Vi algumas mulheres dançando nos cantos, mas não tive coragem de puxar conversa, timidez da época.
BW: De repente MC, quando surgiu o amor pelo Rap? Alguma vez teve que escolher entre o Breaking ou o Rap?
Rose MC: Em 1988 eu decidi ir à Universidade. Não havia políticas públicas, abri mão dos rolês para se dedicar totalmente aos estudos. Nos finais de semana eu trabalhava em um buffet porque o meu salário só dava para pagar a mensalidade, com isto parei com os treinos e apresentações de dança. Mas, em 1992, a sala de teatro da Faculdade entrou em uma reforma interminável e nós estávamos perdendo muitas aulas. As reclamações não eram ouvidas. Escrevi um Rap, comprei um instrumental na Galeria do Rock e pedi para cantar no intervalo. Me cederam o som, microfone… Fiz a denúncia, protestei através da música e todos ficaram sabendo do problema… Em 15 dias a sala estava pronta e nossas aulas retornaram. Ao término do curso reencontrei meu amigo DJ Smokey Dee (Doctor MC’s), que morava aqui na Vila Matilde, contei o ocorrido, e cantei o Rap para ele. A partir daí o grupo me incentivou, passei a frequentar os ensaios do grupo, abri o show deles no Clube House, em Santo André. Fui convidada pelo Carlinhos Kaskatas para participar da primeira coletânea só com mulheres: “Sociedade Alternativa – Elas por Elas”, onde canto duas músicas: “Paixão Bandida” e “Exemplo de Mulher” (lançado em 1994). Eu já havia parado com os treinos, então decidi investir no elemento Rap.
BW: Fale um pouco da sua caminhada como B-Girl, dos principais eventos que participou e também da sua carreira como MC?
Rose MC: Como B-Girl o principal evento foi no concurso de Dança da TOCO Dance Club, onde meu grupo foi campeão e eu ganhei o apelido do DJ Iraí Campos: “a mina do breaking”. Como MC eu tive vários momentos importantes mas vou citar só 3: fui uma das MCs do 1º Encontro Nacional de Hip-Hop na Estação São Bento do Metrô, em março de 1993, organizado pelo Geledés (Instituto da Mulher Negra) e São Bento Força Break. Participei da música “A Entrevista” do LP Brava Gente de Thaíde & DJ Hum (1994), Cantei na Conferência Internacional da Ong IEARN (International Education and Resource Network), em Puerto Madryn, Argentina (2014). Ali nasceu meu projeto de Hip-Hop e Educação: “Hip-Hop On The Spot”.
Rose destaca a importância da São Bento para o Hip-Hop brasileiro
BW: Rose, fale sobre a importância da São Bento para todos que amam e respeitam a Cultura Hip-Hop?
Rose MC: A São Bento é onde conheci a verdadeira essência de ser um “hip-hopper”. Ali as pessoas se reuniam para treinar, trocar experiências, marcar shows, trocar materiais de estudo sobre o Hip-Hop mundial. Neste solo sagrado pude conhecer pessoas como o B-Boy Banks, que deixou o seu legado de luta e resistência. A volta dos encontros da São Bento foram imprescindíveis para que pudéssemos dar continuidade a este espírito de amizade e respeito a todos os elementos. E agora é um local de encontro “True School”, onde a “Old School” e a “New School” se unem em prol da união verdadeira no Hip-Hop.
BW: Você é uma das autoras do livro “Perifeminas”. Nos conte sobre ele, sobre o assunto que aborda e sobre as vivências que teve para escrevê-lo?
Rose MC: Eu estava estagnada com minha participação aos eventos de Hip-Hop e em 2012 a Lunna, presidente da FNMH2 (Frente Nacional de Mulheres no Hip-Hop) me convidou para participar do livro. Tivemos encontros com formações e uma troca entre mulheres, que eu defino como um divisor de águas na minha vida. Foi emocionante reencontrar as mulheres da década de 90 e conhecer as mulheres que estavam iniciando na Cultura. A partir daí voltei à cena, retornei com tudo na carreira de MC. Eu escolhi escrever uma crônica sobre a história da minha vida na música. Outras autoras escolheram poesia, conto ou letra de música.
BW: Rose você é uma das pioneiras do Hip-Hop brasileiro e abriu caminho para muitas mulheres. Faça um paralelo entre a participação das mulheres na Cultura Hip-Hop na sua época e nos dias de hoje. O que mudou para melhor e para pior na sua opinião?
Rose MC: O machismo no Rap continua presente, mas hoje as mulheres têm mais liberdade para se vestir, serem femininas e a temática na composição das letras é diversificada. Na década de 90, as mulheres não podiam escolher o produtor musical ou opinar sobre o beat escolhido pela gravadora. Eu não pude nem escolher a minha foto que saiu na capa do disco. Melhorou a facilidade ao acesso para gravar uma música. Os valores são mais acessíveis e as gravadoras não dominam mais o mercado. Um artista pode viver de stream, direcionar a sua carreira, fazer a própria divulgação, etc. A única coisa que continua igual é a dificuldade em dividir o espaço. Ainda tentam colocar só uma mulher, seja B-Girl, MC, Grafiteira ou DJ, para justificar a participação feminina. Queremos igualdade e equidade.
“Queremos igualdade e equidade”. Para Rose as mulheres ainda precisam de mais espaço na cena.
BW: Como você vê a nova geração feminina do Breaking e das rimas? Se pudesse deixar um recado para eles, o que falaria?
Rose MC: Eu fico extremamente feliz em ver as mulheres quebrando tudo, tanto nas batalhas de Breaking, como nas rimas das MCs. É bom demais ver isto acontecer depois de 35 anos que eu iniciei como B-Girl. Temos muitas mulheres guerreiras e talentosas dentro da Cultura de Rua. O meu recado é: continuem esta luta, vocês não estão sozinhas, quando uma menina ganha um prêmio, ela carrega todas as mulheres nesta vitória! É muito treino, muito ensaio, mas o resultado sempre vem. Não desista dos teus sonhos!
BW: O que significa a Cultura Hip-Hop na sua vida?
Rose MC: O Hip-Hop é a oportunidade que eu tive para realizar os meus sonhos, direcionar meu talento e criatividade, ter amigos de verdade há mais de 30 anos e ser feliz.
BW: Nos conte como tem sido a experiência de, junto com Rúbia e Sharylaine, fazer as lives das Clássicas?
Rose MC: É incrível unir as experiências de três mulheres guerreiras e criar um canal de troca de conhecimento através das Lives. O nosso encontro semanal nos fortalece pela nossa amizade e pelo nosso compromisso como “hip-hoppers”, para além do elemento Rap.
BW: O que você tem feito nesses meses de pandemia?
Rose MC: Eu tenho seguido o isolamento social, só saio para coisas inadiáveis. Estou organizando a casa, compondo, gravando as músicas do meu CD solo, lendo muitas coisas, prestigiando os amigos nas Lives e assistindo a filmes e séries. Estou mudando a alimentação (tentando ser mais saudável) e fazendo exercícios pelo YouTube (aulas de Hip-Hop de baixo impacto).
BW: Defina a Rose MC em um único parágrafo.
Rose MC: Uma mulher guerreira, bem-humorada, feliz, positiva, que luta diariamente pela paz mundial.
BW: Deixe um recado para os nossos leitores.
Rose MC: Espero que o Hip-Hop te traga emoções fortes, amigos verdadeiros e conquistas importantes. Ele pode ser a ferramenta que falta para que você atinja a felicidade na tua vida. Paz nas quebradas e Hip-Hop na veia!
Fotos: Arquivo Pessoal
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