Hoje vamos falar sobre a importância de ser dinâmico e porquê essa palavra é muito significativa dentro do Breaking.
Primeiro de tudo, o que significa dinâmica?
Se formos pesquisar a fundo vamos encontrar uma variedade de significados relacionados sobre o tema, então, vamos resumir e associar com o Breaking.
Dinâmica é caracterizada por contínuas mudanças, atividades e progresso. Geralmente, quando começamos a praticar Breaking nos identificamos com o que é mais atrativo, por exemplo, muitos B-Boys/B-Girls gostam mais de Top Rock/Footwork, outros já se identificam mais com Power Moves/Tricks e também têm outros que se identificam com as duas coisas ao mesmo tempo e etc…
Com o passar dos anos, ser bom nisso ou naquilo não é suficiente para alcançar um nível internacional, tem que ir muito mais a fundo em todos os aspectos. Estive viajando pelo mundo por alguns anos e comecei a tomar conhecimento sobre muitas concepções que eu nunca ouvi falar quando estava no Brasil e isso me fez perceber o porquê sempre foi difícil para a maioria de nós, brasileiros, ganhar as competições mundiais mais importantes.
A resposta está relacionada ao que acreditamos, somos um povo muito intuitivo e dançar pra gente está relacionado mais com a alma do que qualquer outra coisa, gostamos de expressar de dentro pra fora e fazemos isso naturalmente, porém, muitos de nós não abordamos o Breaking de uma forma mais científica.
Apenas dançar com essa energia de latino que temos não é o suficiente.
Por isso, esse tema sobre dinâmica é muito importante para que a gente melhore em outros pontos que precisamos, para finalmente chegarmos e mostrarmos a nossa essência por completo e, assim, não ficarmos sempre um passo atrás nos eventos internacionais.
Os estrangeiros estão sempre um passo à frente porque eles abordam todos os temas, como musicalidade, técnicas, criatividade, estratégias, competitividade, surpresas, personalidade e muitas outras janelas, está tudo relacionado à dinâmica. Eles estão sempre mudando, se adaptando a novas formas e concepções, sempre em progresso. Nós, brasileiros, precisamos aprender a analisar o Breaking de uma forma mais crítica. Futuramente, vou estar escrevendo sobre cada um dos artigos citados abaixo:
Você sabe o que significa:
Dinâmica de espaço e direções?
Dinâmica de níveis?
Dinâmica de ritmos?
Dinâmica de treinos?
Dinâmica de desconforto e criatividade?
Dinâmica de ambiente?
Dinâmica musical?
Dinâmica de aprendizagem?
Dinâmica de tamanho?
Todos esses temas têm se tornado parte da minha nova pesquisa, tenho aprendido com vários renomados nomes na cena mundial. Gostaria de compartilhar com todos para que vocês, da nova geração, possam evoluir muito mais.
Até o próximo artigo!
Foto: Reprodução
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Ele é de Brazlândia, cidade satélite de Brasília e começou a dançar Breaking com 13 anos. Não teve uma infância fácil, escondido do pai e da mãe, usava um pedaço do colchão para colocar na touca de giro, para não machucar a cabeça na hora de fazer o Head Spin.
O menino cresceu e evoluiu rápido, sendo o ganhador da Batalha Final em 2009, evento tradicional de Breaking que abriu portas para sua carreira na dança, mas foi com 22 anos que ficou conhecido mundialmente, sendo um dos finalistas da mundial do evento “Red Bull BC One”, realizado no Rio de Janeiro (RJ) em dezembro de 2012, o que o fez ser notícia em toda a grande imprensa brasileira. Na ocasião, Klesio batalhou com o Mounir, da França e foi considerado um dos 8 melhores B-Boys do mundo. Ele ainda foi o vencedor do reality show “Vai Dançar”, da Multishow.
Passados 9 anos, o Portal Breaking World foi atrás desse B-Boy brasileiro que tira o fôlego de qualquer pessoa que o vê dançando. Klesio hoje vive na Polônia, que é um país do Leste Europeu, na costa do Mar Báltico, conhecido por sua arquitetura medieval e pela herança judaica. O B-Boy coleciona títulos de vários campeonatos em diversos países, onde sempre foi reconhecido e respeitado. Exemplo foi o Just Battle, na China, em 2018, onde foi mais uma vez campeão. Klesio falou na entrevista sobre a infância, sobre família, sobre bullying, sobre valorização na dança, sobre Olimpíadas, sobre eventos híbridos e on-line, falou sobre tempo de pandemia e sobre o futuro! Vamos à entrevista!
BW: Queria que você falasse seu nome completo, sua idade e nos contasse um pouco da sua infância, da sua vida em família na Brazlândia. Que recordações tem desse tempo?
Klesio: Eu me chamo Kleson Silva Moreira, tenho 31 anos. Tive uma infância bastante oscilante, muitos momentos bons e ruins. Cresci em um lar com uma família cristã protestante e dominante. Tenho recordações boas e ruins.
O mundo do crime passou bem perto, mas o Breaking motivou o B-Boy a seguir o caminho do bem
BW: Como era o Klesio criança, em casa e na escola? Verdade que você teve problemas de bullying e que quase entrou para o mundo do crime? Como superou isso?
Klesio: Sendo honesto, eu odiava estudar e brigava bastante na escola, só conseguia me encaixar com arte, educação física. Bullying era parte da minha rotina quando estava na escola, acontecia porque eu não andava bem cuidado, todos os alunos tinham boas roupas e eu não estava autorizado a usar roupas novas pra ir à escola porque minha mãe me proibia, na mente dela roupas novas eram somente para ocasiões especiais, então andava com roupas rasgadas, tênis rasgado e eu sofria muito preconceito com isso por parte dos alunos. Recebia nomes como: passa fome, lixão, soldado da guerra, etc… Sim, quase que meu destino foi outro, na época eu tinha 12 anos e andava com uns caras estranhos do meu bairro, já cheguei até a carregar malotes de drogas como aviãozinho pra eles, mas isso foi pouco antes de conhecer a dança, quando conheci o Breaking, coloquei toda minha energia dentro disso e consequentemente mudou minha perspectiva.
BW: Quando teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop? E com o elemento Breaking? Onde deu os primeiros passos?
Klesio: Meu primeiro contato com a Cultura Hip-Hop foi por meio do Breaking, me lembro vividamente no dia em que eu estava na sala de aula e quando a professora saiu, eu vi alguns alunos afastando as cadeiras, formando um espaço vazio na sala, então eu vi eles fazendo movimentos no chão, muito difícil de entender e fui pego fortemente por essa arte. Meus primeiros passos foram na minha cidade, dentro do meu quintal, nos horários em que meus pais estavam no trabalho, claro.
BW: Tiveram pessoas que te inspiraram e que foram referências para você na dança?
Klesio: Sim, primeiro de tudo, aqueles alunos da escola que eu vi dançar, depois veio meu professor, finado Gordin (Black Spin Breakers) e ao longo da minha carreira tive muitas outras influências.
Mesmo sofrendo preconceito de parte da família, Klesio seguiu em frente
BW: Como sua família via o Breaking na sua vida? Eles te apoiaram? Verdade que sua mãe descobriu que você dançava quando deu falta de um pedaço do colchão? Nos conte isso?
Klesio: Como citado, minha família sempre foi protestante e a Cultura Hip-Hop sempre foi algo marcante nos bairros, naquela época as pessoas não tinham informação, então essa cultura foi sempre associada como algo criminoso na minha área. Minha família não me apoiou no início e eles viam essa arte como a porta de entrada para as drogas e o crime, chegou até ser irônico. Teve várias ocasiões em que minha mãe encontrava evidências de que eu estava praticando essa dança. Ela encontrava os colchões rasgados por baixo pois eu retirava esses pedaços para fazer um chapéu de giro de cabeça. Ela encontrava a cerâmica de casa riscada e ouvia depoimentos de vizinhos que me viam dançando na rua. Foi uma guerra por causa dessa arte. Fiquei um mês em cárcere privado pelos meus pais. Não tinha como, eu dava meu jeito. Era uma paixão muito forte pela música, pelo estilo e pelos movimentos.
BW: Houve movimentos difíceis de aprender ou todos foram fáceis? Na sua dança tem algum movimento que é a sua marca registrada?
Klesio: Todo começo tem suas dificuldades, foi muito difícil de aprender porque não tive incentivo de ninguém. Eu olhava aqueles garotos fazendo os movimentos e tentava copiar quando chegava em casa. Sim, na dança tenho minhas próprias características e movimentos, só que a minha principal inspiração é a música.
BW: Quando começou a competir? Fale um pouco dos principais eventos que participou aqui no Brasil e se teve algum que foi especial ou que teve aquela treta…
Klesio: Comecei a competir na minha cidade na categoria de iniciantes, depois comecei a competir em Brasília nos níveis mais difíceis, na minha época a DF Zulu, QDM, Floor Riders, Black Spin, The Brooklyn, etc… eram grupos fortemente renomados. Fiz parte do grupo QDM (Quebra de Movimento), foi uma das escolas mais importante em minha carreira, por causa do mesmo eu tive a oportunidade de viajar competindo nacionalmente. Meu primeiro importante evento foi a Batalha Final 2009, onde conquistei o título de campeão, foi a porta de entrada para uma nova era em minha carreira. Fiquei bastante conhecido no Brasil por causa desse evento.
E o quase-soldado virou um guerreiro levando o Breaking brasileiro para vários países
BW: Quando de fato começou a viver da dança?
Klesio: Comecei a viver da dança desde 2007 quando fui instrutor de Breaking em um projeto social da minha cidade. Logo depois, fiz parte de outro projeto, nesse período eu não era conhecido ainda e não tinha certeza de nada. Eu quase entrei pro exército nessa época, eu estava na fila já escolhido para raspar a cabeça, quando minha intuição pediu pra eu desistir e continuar com a dança. E até hoje vivo por meio da arte por causa das escolhas que fiz nessa época.
BW: Verdade que você foi vencedor do reality show “Vai Dançar”, da Multishow? Como surgiu o convite para participar e como foi nos bastidores?
Klesio: Sim, a produtora entrou em contato comigo através do Facebook, fazendo o convite. Eu estava muito tranquilo nessa competição, pois eu sabia da premiação, mas não quis pensar sobre, porque eu não queria colocar meu espírito sob pressão. Criar expectativas durante uma competição não é recomendável. Durante o reality show eu estava pensando em uma só coisa “pensar em ser o melhor pra mim mesmo o resto é consequência” foi como um mantra que me levou a ser o vencedor do reality.
BW: Em 2012, você foi para as quartas de finais com o Mounir, na Red Bull BC One, que foi no Rio de Janeiro, correto? Ficando entre os 8 melhores B-Boys do mundo! Fale sobre essa experiência e sobre o que sentiu.
Klesio: Sim, correto! Red Bull BC One foi uma experiência incrível de todos os eventos que já participei na minha vida. A adrenalina de ser responsável por representar o seu país em um mundial é inexplicável, porém, me senti prejudicado pois o calor naquele lugar estava insuportável, eu estava suando muito e por causa disso escorreguei na minha entrada contra o Mounir. Eu imagino que se o evento tivesse sido climatizado talvez não teria escorregado em um movimento simples e ter perdido a competição, eu estava muito confiante.
Em 2012 Klesio participou do mundial representando o Brasil e ficou entre os 8 melhores B-Boys do mundo
BW: Quando e porque você decidiu sair do Brasil? Foi difícil tomar essa decisão? Onde você mora atualmente?
Klesio: Sendo sincero, foram vários fatores que me fizeram mudar de país. Primeiro que é difícil viver da dança no Brasil e também me senti desvalorizado dentro da minha própria comunidade, principalmente depois da Red Bull. Eu me senti perseguido, muitas vezes vi em redes sociais certos indivíduos fazendo vídeos, me difamando, vi que as pessoas estavam torcendo contra mim, me senti oprimido em chegar nos lugares e sentir uma energia totalmente contra a minha dança, sem nenhuma razão. Nunca consegui entender se foi por causa do meu crescimento e isso criou um ciúme, não sei. Não foi só comigo, aconteceu com outros participantes também. Hoje eu moro na Polônia, na Europa.
BW: Conte um pouco da sua experiência morando no exterior e por quais países passou. Houve tempos difíceis?
Klesio: A experiência de morar no exterior está sendo como uma escola para minha vida pessoal e profissional. Já visitei vários países, estive em contato com várias culturas diferentes. Eu me sinto bastante respeitado pelos dançarinos em diversos países, especialmente na Ásia, eu admiro muito os dançarinos desse continente, pois eles são muito receptivos e amáveis. O nível de educação é inexplicável. Chega um momento na vida, que nem tudo é somente dançar e ganhar. Tem muitas outras coisas que te agregam e enriquecem o seu intelecto, vindo de outras culturas. Tem o lado difícil também, fuso horário, comida, estresse com agentes de imigração nos aeroportos com interrogações tipo: o que você veio fazer aqui? Cadê o dinheiro pra se manter? Você é criminoso no seu país? Muito choque de culturas. Quando você viaja bastante, você vai estar suscetível a todo o tipo de situação como essa. Graças a Deus sempre deu tudo certo.
BW: Em 2018, você foi campeão do The Just Battle, na China. Nos conte como foi esse evento? Mesmo em competições pesadas e que necessitam de uma grande concentração, você consegue se divertir?
Klesio: O sentimento que eu tive na Batalha Just Battle foi a mesma sensação que eu tive anos atrás, no reality show “Vai Dançar”. Eu vi a premiação o quanto seria e vi que o favorito da batalha era o lendário B-Boy Physics, imediatamente eu tirei essas duas coisas da minha mente e foquei em mim, nas minhas habilidades, na minha intuição. Eu sabia que a luta maior seria comigo mesmo, então, praticamente o mesmo mantra “foca dentro de você com confiança e o resto é consequência” sempre estava comigo. Às vezes, em uma competição, o ego é importantíssimo, não é errado ser arrogante no momento da batalha, é um mecanismo de defesa que impõe respeito e insegurança no seu oponente, não é agressão verbal ou física, é como você olha seu adversário e como você o trata usando sua aura, então, toda vez que eu pisei naquele palco eu trazia esse ranço, essa raiva, principalmente, quando eu batalhei contra os melhores desta competição. Consequentemente, Campeão.
O foco de dar o melhor de si mesmo sem temer os adversários tem sido a receita de sucesso de Klesio
BW: Morando fora do país, chegou a trabalhar em espetáculos ou fazer parte de companhias de dança?
Klesio: Sim, faço muitos espetáculos artísticos na Alemanha.
BW: Fale um pouco de suas rotinas de treino e de como se prepara para participar das competições?
Klesio: Atualmente, eu estou começando do zero. Eu sempre estive um passo atrás de ganhar as competições mais importantes do mundo por causa do nível, que vem ficando cada vez mais absurdo e quem não se adianta fica pra trás. Hoje estou me reeducando sobre muitas coisas no Breaking para se tornar a melhor versão de mim mesmo. Nunca fui muito criativo em termos de movimentos, então, minha prioridade é totalmente inovar. Procuro referências que possam me ajudar, o B-Boy Storm tem sido um grande mentor em novas concepções que preciso desenvolver. Eu treino quase todos os dias, 3 horas aproximadamente. Meus treinos são bem estudados e focados. No momento não estou competindo por causa da pandemia.
BW: Recentemente, o Breaking se tornou uma modalidade olímpica. O que acha sobre isso?
Klesio: Eu acho uma excelente ideia que o Breaking faça parte das Olimpíadas, pois é uma oportunidade para fazer o mesmo ser mais reconhecido profissionalmente dentro da sociedade. Porém, não devemos esquecer que o Breaking é uma dança com muita essência. Breaking é arte e intuição conectada com a música e espero que não se torne uma dança superficial, onde só os movimentos é o que importa e pronto.
Aproveitar o tempo de pandemia para treinar forte e estar pronto para o retorno das competições
BW: O que tem feito nesse tempo de pandemia? Como está a situação no país que mora?
Klesio: Durante esse tempo, tenho focado na minha evolução como pessoa e profissional. A situação está bem mais controlada do que antes. A economia do país segue adiante, mas sempre com restrições. E aqui as pessoas levam a sério, todos usam máscaras nas ruas e ambientes privados. Espero que em breve tudo volte ao normal em todo o mundo.
A expectativa de Klesio é que volte tudo ao normal para que ele possa continuar levando sua arte além-mar
BW: O que acha dos eventos on-line ou híbridos de Breaking? Seria uma tendência para o futuro?
Klesio: Sendo honesto, pra mim é estranho que eventos se tornem on-line, não tenho nada contra e entendo que é a única maneira de manter o Breaking vivo, mas eu sinto saudades da muvuca das competições.
BW: Quais são seus planos para o futuro? Tem planos de retornar ao Brasil?
Klesio: É muito provável que em breve eu vá focar nos estudos, quero cursar Letras por aqui na Europa e futuramente cursar Ciências Forenses. Todo mundo precisa de um plano B, pois viver do Breaking é uma coisa muito incerta. Eu gostaria de voltar ao Brasil e poder ajudar o cenário da dança, para que a nova geração de B-Boys e B-Girls evoluam e conquistem mais espaço nacionalmente e internacionalmente. Têm muitos estudos dentro do Breaking que a maioria de nós, brasileiros, desconhece. Vamos ver se futuramente isso possa se concretizar.
BW: Que mensagem você deixaria para a nova geração de B-Boys e B-Girls que vão ler essa entrevista e para todos que mesmo de longe acompanham seu trabalho?
Klesio: O recado que eu deixo é que se eduquem o máximo que puderem, tudo em sua volta oferece uma oportunidade de aprendizado. Seja lá o que você for fazer, faça com paciência, não se apresse por nada. Nunca esqueça que todos nós precisamos de um plano B, nunca conte somente com dança. Aprenda inglês.
Fotos: Arquivo Pessoal
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B-Girl Itsa bate papo com o educador Eduardo Valladares sobre escolhas para o futuro, profissão e coragem para seguir por caminhos não convencionais, nesta quinta-feira às 19h, no perfil de instagram @eduvlld
Campeã nacional de Breaking, integrante do Cirque du Soleil e nome com grande potencial olímpico para 2024, a artista de dança Itsa bate um papo especial, nesta quinta-feira (11), às 19h, com Eduardo Valladares, profissional com mais de duas décadas de experiência na área de educação e vulnerabilidade, TEDx & SXSWEdu speaker e criador da metodologia Guia do Estudo Perfeito na plataforma Descomplica.
Uma das protagonistas da série “Until 18 – O Momento da Decisão”, produzida pela Red Bull TV, Itsa irá detalhar no papo com Eduardo como foi a fase em que decidiu seguir seu caminho no mundo da dança e não em uma carreira convencional. A partir do tema ‘Eu sou as escolhas que eu faço’, a dupla passará durante a conversa por assuntos relacionados à coragem, educação nas suas mais variadas formas, mercado profissional, quebra de paradigmas e escolha de futuro. Para acompanhar a live, basta acessar o Instagram do Eduardo: @eduvlld.
Fotos: Divulgação Red Bull
B-Girl Itsa foi campeã brasileira de Breaking na Red Bull BC One Camp Brazil, em 2019
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Ele nasceu no bairro do Tatuapé, mas sua infância foi na Vila Curuçá, em São Miguel Paulista. Seu sonho, como a maioria dos meninos brasileiros, era ser jogador de futebol, sempre incentivado pela família. Começou a jogar com apenas 4 anos. Depois, conheceu a capoeira, onde no primeiro dia se identificou, sentindo-se em casa e livre. Durante anos, jogava futebol e fazia capoeira. Mas foi em 2006, com apenas 12 anos, que mergulhou de corpo e alma no Breaking. Sua evolução foi rápida! Foi o futebol e a capoeira que lhe deram a base para tudo, confessa que sem eles não teria a dedicação e foco que tem hoje. Foram nessas artes que aprendeu a ser persistente, paciente e dedicado. Os primeiros passos de Breaking deu na própria sala da casa onde morava, vendo um DVD da Red Bull BC One, onde tentava copiar os movimentos, o pai também tinha coleção de discos em casa, cresceu escutando alguns clássicos do Hip-Hop, a música sempre foi presente em sua vida. O menino ganhou idade, conquistou seu espaço, aprendeu a dançar no meio da pressão e sobreviver às críticas, resolveu viver sua própria vida, da sua forma e aprendeu que o segredo sempre foi focar no presente, no agora, plantar as sementes para colher no futuro com muita paciência e dedicação. Recebeu influência de grandes nomes do Breaking e caminhou alguns anos lado a lado com o inesquecível B-Boy Kokada, esse foi um amigo que se tornou irmão. Sim, estamos falando do B-Boy Lukas Galante, o Portal Breaking World teve o prazer de conseguir conversar com ele, entre um compromisso e outro, nuns horários bem doidos e conhecer boa parte da sua história de vida, que apresentamos com exclusividade para vocês. Confira a entrevista!
BW: Luka, nos fale onde e quando nasceu, nos conte um pouco sobre sua infância, adolescência e família. O que gostava de fazer? E que lembranças memoráveis você tem dessa época? Foi uma infância tranquila e feliz ou houve dificuldades?
Luka: Nasci em São Paulo, no bairro do Tatuapé, no dia 21 de fevereiro de 1994. Cresci na Vila Curuçá, em São Miguel Paulista. Eu sempre tive o apoio dos meus pais, desde pequeno meu sonho era ser jogador de futebol. Foi onde comecei a praticar em uma escolinha do bairro, por volta dos 4 anos de idade. Nessa mesma época, meu pai queria que eu praticasse Ginástica Olímpica, acredito que a ideia dele era proporcionar opções para eu poder praticar e me identificar com alguma arte. Lembro que ele foi atrás, mas não tinha nenhum espaço ou ginásio que ensinasse na região em que morava. Foi aí que surgiu a ideia da Capoeira. Morávamos a um minuto de uma academia e lá eles tinham aulas. Meus pais tiveram interesse e me levaram para fazer uma aula e ver como eu me sentia. Eu me senti livre e me identifiquei demais com a Capoeira, desde a primeira aula. Capoeira duas vezes na semana e futebol todos os sábados. Com o tempo, passei a treinar futebol quase todas as manhãs. Fiquei anos praticando e conciliando as duas atividades. Eu tive uma infância feliz, nunca faltou nada pra mim.
Luka e Neguin (campeão mundial da Red Bull BC One). Em comum: a Capoeira
BW: Futebol no Curuçá Society pela manhã e Capoeira à tarde: quando surgiu tudo isso e até onde você foi? Fale da sua relação especificamente com a Capoeira e de todo o benefício que isso trouxe à sua vida e à sua dança?
Luka: Pratiquei as duas atividades por um bom tempo. No futebol eu fiquei firme até uns 14 anos de idade, tentei virar profissional. Eu comecei a praticar Breaking no final de 2006, eu tinha 12 anos de idade. Na época, eu mergulhei no Breaking, minha evolução foi rápida pelo fato de saber alguns movimentos parecidos da Capoeira. Eu me inspirei tanto no Breaking, que a energia que eu sentia na aula ou na roda de Capoeira fazia eu tentar uns movimentos a mais no meu estilo de jogo. Meu corpo se interessava mais pelos floreios, mortais, pulos de mão. Foi quando meu instrutor Marcelo Lampanche conversou com meus pais e depois comigo. Ele sabia que eu estava aprendendo e super inspirado no Breaking, mas estava tirando um pouco o meu foco da Capoeira. Ele conversou e deu a ideia de eu seguir firme somente no Breaking. Sem a formação de vida que eu aprendi não só na Capoeira mas no futebol também, eu não teria a dedicação e foco que eu tenho hoje. Foram nessas artes que eu aprendi a ser persistente, paciente e dedicado. Me ensinou que nada cai do céu, você tem que ir atrás, treinar e se dedicar se quiser atingir um nível bom. Fora os valores que você leva para a vida, como história, música, respeito e valor em fazer aquilo que você ama.
BW: Quando você teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop? E com o Breaking? Teve algum mentor ou pessoas que te inspiraram na dança?
Luka: Desde criança, meu pai tinha coleção de discos em casa, eu cresci escutando alguns clássicos do Hip-Hop, a música sempre foi presente. Antes do Breaking eu já tirava algumas batalhas de saltos mortais na escola, tinham sempre uns moleques que gostavam de rachar para ver quem fazia melhor. Depois, eu tive influências que me levaram a praticar o Breaking. No final de 2006, eu vi uma reportagem de TV sobre a Red Bull BC One mundial, em São Paulo. Quando eu vi o nome da competição, procurei saber mais. Lembro que achei o DVD da BC ONE 2005 na Galeria do Rock, em São Paulo. Pedi para o meu pai e ele comprou. Assistia o DVD todos os dias e tentava copiar os movimentos na sala de casa. Tinha o DVD acústico do Marcelo D2 também, onde me inspirei muito no Pelézinho e o Chaveirinho. O Pelé foi uma grande referência pra mim, me marcou porque o vi na BC One e na performance para o D2. A partir disso, acabei conhecendo uma galera que praticava no Centro Cultural do Itaim Paulista, bem próximo da minha casa. Foi onde comecei a receber ajuda e conheci algumas lendas da zona leste de São Paulo: Cidinho, Júnior Favela, Careca, Dan… Esses foram os primeiros caras que me ajudaram a desenvolver a minha dança e acabaram sendo grandes mentores e influências para mim.
BW: Onde você deu os primeiros passos e fez os primeiros movimentos de Breaking? Quando você decidiu realmente que era o Breaking que você queria para a sua vida?
Luka: Na sala de casa! Consegui aprender com facilidade, alguns movimentos que já fazia desde criança foram base para aprender depois no Breaking. A minha evolução começou na época do Centro Cultural. Não teve momento de decidir se o Breaking era algo que deveria seguir… tudo aconteceu naturalmente, acredito que foi fruto de toda a dedicação e persistência. Eu fui plantando sementes dia após dia e esse processo sempre foi presente na minha vida, não só no Breaking. Tudo o que eu visualizo e quero, eu aplico as sementes e atitudes necessárias para a colheita no futuro. O segredo é focar no presente, no agora. O futuro ainda não chegou. Você só pode atuar no agora. O futuro é consequência do presente. Quando você ama o que faz, já está decidido e tudo trabalha para você naturalmente.
Treinar na sala vendo o DVD da Red Bull BC One: o início de uma grande jornada como B-Boy
BW: Normalmente, a maioria dos B-Boys e B-Girls não têm o apoio da família na dança. No seu caso, como isso aconteceu? Seu pai e sua mãe parecem muito presentes e incentivadores da sua dança. Nos conte como foi essa relação Breaking e família?
Luka: Sempre presente. Não só no Breaking, em todas as atividades que participei. Esse apoio é fundamental, imagine quantos talentos e sonhos seriam realizados se as crianças tivessem o apoio de suas famílias. O problema é que os pais fazem pelos filhos aquilo que eles acham que seria o melhor caminho da vida… A profissão ideal, algo que vai te proporcionar conforto e dinheiro. Mas não reparam na energia e amor, naquilo que a criança ou jovem quer seguir como carreira. Eu acredito que muitos jovens são reprimidos nessa questão, de seguir a sua vontade e intuição e acabam desistindo de seus sonhos por não ter aquele apoio e conexão com aqueles que estão do seu lado todos os dias. Por isso a importância de ter a família lado a lado, te apoiando em cada passo. O investimento no apoio, sendo assim os pais se aproximam e passam a entender a vontade do jovem. No meu caso, foi isso que aconteceu. Eu tive fases, Capoeira, Futebol, Basquete… sempre fui apoiado, mas segui a natureza do meu talento na dança. Na escola, sempre fui um bom aluno, mas nada me cativava e eu me questionava… O que vou ser quando crescer? Eu gostava de me movimentar, não importava a atividade. E na dança eu percebi bem novo que era uma arte vista como sem futuro, na opinião de muitas pessoas próximas de mim. Mas, graças ao meu próprio apoio, da minha família e das pessoas que acreditavam em mim, eu segui meu coração e vivo do Breaking.
BW: No aprendizado do Breaking houve movimentos mais difíceis para aprender? Ou tudo foi bem tranquilo para você?
Luka: Eu sempre tive facilidade para aprender qualquer movimento. Acho que isso faz parte do meu estilo diversificado. Principalmente atualmente, eu sinto que tudo é possível. Eu consegui perceber certa facilidade bem cedo no Breaking. Como eu tinha facilidade, eu tive inspiração para aprender tudo. Cada um do meu círculo de treino tinha algo especial e eu fui extraindo as técnicas de cada um. Kokada, Careca… lendas do Power Move, estavam lado a lado comigo. O Cidinho e outros caras nos saltos mortais. Jack, Allan e os outros meninos me ajudaram nos tricks e transições, na minha época da Biohazard Crew. B-Boy Fatal na influência de dinâmica, velocidade, Top Rock, Footwork e espírito de batalha. Eu fui aplicando as minhas idéias e trabalhei todos os fundamentos. Lógico que eu tenho minhas dificuldades, todos nós temos… mas como eu sempre estou ativo e treinando, o processo de aprendizagem acaba sendo mais rápido. Eu tenho muito o que aprender e melhorar e sempre será assim, no Breaking e na vida. Influências diferentes, gostos e ideias… que continue fluindo e criando.
BW: Em que ano você começou a competir e participar de eventos? Imagino que foram muitos eventos até hoje que você participou, mas teve algum que te marcou de uma forma diferente? Nos conte?
Luka: Em 2007 foi o ano do meu primeiro evento. Lembro que foi um evento em Mauá, SP. Depois desse evento, comecei a competir com frequência com a minha Crew, Biohazard, na época. Foi aí que comecei a minha história. A Biohazard foi a primeira Crew criada por mim e os outros meninos da época. Dois eventos marcaram bastante, a BOTY (Battle Of The Year) Brasil, em 2010, onde ganhamos a vaga para a BOTY Internacional, sonho que eu tinha, de viajar com meus parceiros e ver o nível mundial de perto. E o segundo evento, a minha participação na BC One Camp 2007, em Amsterdam. O Camp me marcou muito, faziam 3 anos que não competia, já estava morando aqui nos Estados Unidos. Comprei o vôo para a BC One na Holanda e fui com a ideia de curtir com minha Crew (Tsunami) e competir no 3 versus 3, no Camp. Me marcou porque não sabia o que esperar da minha performance e da energia da batalha depois de alguns anos.
Bio All Stars e Luka
BW: E quando você começou de fato a viver da dança? Como foi isso? E que mudanças foram necessárias ocorrer na sua vida, na sua rotina para que isso fosse possível?
Luka: A minha rotina sempre foi treino, me preparar ao máximo para as oportunidades e também o jeito que eu transmitia a minha energia em cada sessão e trabalho que participava. Acho que essa rotina de treinos intensos e acreditar na minha dança ajudaram na minha formação e oportunidades de trabalho. No Brasil eu já vivia da dança, mas não tinha um retorno necessário para poder caminhar com as minhas próprias pernas. Eu dava aulas, participava de shows, TV e os eventos de Breaking. Mas minha vida mudou quando recebi a proposta do Cirque Du Soleil, em 2014. Foi a base para eu poder viver só da minha dança. A mudança necessária não foi fácil, sair da casa dos meus pais e morar fora do país. Mas foi onde mudou e marcou de fato a minha carreira. Na época eu tinha 20 anos, estava viajando e competindo, mas percebi que não estava gerando nenhum retorno financeiro, mesmo dando workshops, viajando pelo Brasil e fazendo shows… eu não tinha nada fixo e nenhum apoio. Tudo mudou quando vim para os EUA.
BW: Quando você foi a primeira vez para fora do país? O que sentiu? Quais as diferenças que sentiu entre o Breaking que aprendeu aqui e o que era feito lá fora?
Luka: Em 2010, BOTY Internacional. Eu Tinha 16 anos. O sentimento era incrível. Tinha todo o lance da cultura de um país diferente, a curiosidade de um lugar diferente, a comida, o visual. Sempre acompanhava a cena internacional pelos vídeos, foi a minha inspiração diária. Estar presente pela primeira vez e ver B-Boys e B-Girls que assistia através dos videos pessoalmente foi especial. Me mostrou oportunidade futura, porque consegui ver meu próprio potencial se eu trabalhasse e confiasse no meu Breaking. A diferença pra mim foi a dinâmica e criatividade, principalmente nas Cyphers e backstage. Mesmo eu sendo novo na época, lembro que consegui entender uma diferença. A energia que nós Brasileiros transmitimos, tem muita história. Não precisamos de movimentos complicados e dinâmicos, a nossa energia já era dinâmica, sendo assim, movimentos que talvez para a cena internacional seriam básicos e visto várias vezes… Nós do Brasil tínhamos um jeito único de dançar e apresentar esses movimentos, com uma dinâmica diferenciada. Um sentimento diferente e história de vida.
BW: Quando participou a primeira vez da Red Bull BC One? E quais foram suas impressões e sentimentos naquele momento?
Luka: Em 2018, final mundial em Zurich, na Suíça. Significou demais! Um sonho desde quando comecei a minha jornada no Breaking e aos 12 anos de idade. Principalmente pelo fato de ser convidado direto e por tudo o que passei para chegar até lá. Cheguei a me questionar se chegaria a pisar um dia no palco da BC One, pela mudança de vida que tive e por deixar a competição de lado por alguns anos. Mas tudo acontece no tempo certo e talvez do jeito que você nem imaginou. O momento marcante pra mim de toda a história foi comprar a passagem de vôo para o meu pai me encontrar lá na Suíça, logo depois que recebi o convite. Foi a primeira intuição que tive, quando acabei de ler o convite. O sentimento era retribuir e ele poder ver eu subindo no palco do evento que me fez começar a dançar e que ele acompanhava. Eu perdi a batalha, mas ganhei no meu objetivo interno, meu pai assistiu ao vivo. Minha missão foi cumprida naquela noite. Queria poder levar todo mundo que me apoiou, se pudesse, como forma de gratidão. A minha impressão foi diferente daquilo que tinha em mente. No sentimento passa um filme, antes de chamar o seu nome passam várias cenas em 5 segundos na mente, de toda a sua trajetória, mas rapidamente você volta para o foco antes da batalha e se sente presente. É realmente incrível! Uma energia totalmente diferente de qualquer outro evento.
A realização do sonho que começou com 12 anos de idade: participar da Red Bull BC One
BW: Em que ano você passou a fazer parte da Tsunami All Stars? Como era conviver com a Crew?
Luka: Em 2017, foi quando oficializou. Mesmo convivendo com o Kokada na época, entre 2009 e 2012, eu era bem novo ainda, ele me convidava para treinar de vez em quando com a Tsunami, foi onde comecei a conhecer todos da Crew. Mesmo com o calendário de cada um do grupo e por alguns morarem em outras cidades, quando tinha algum evento ou show eu lembro que eles faziam o máximo para estarem juntos e poder trabalhar ideias e criar. Eu acompanhava de vez em quando o processo. Na época, eu tinha meu grupo Biohazard e quando o Kokada estava junto a BioAllstars. Em 2011, dois dias antes da Tsunami viajar para um campeonato na Polônia (Warsaw Challenge), o Pelé teve um problema de visto e não pôde viajar com o grupo, foi quando eu recebi o convite para cobrir a vaga dele e batalhar internacionalmente pela primeira vez com a Tsunami. Naquela época nada foi oficializado, mesmo eu estando envolvido em alguns projetos e eventos. Em 2017 foi quando oficializamos.
BW: Você teve uma grande amizade com o B-Boy Kokada, comente sobre esse tempo… Que lembranças você tem dele?
Luka: O que marca são os momentos fora do Breaking. Eu digo isso porque o “ego” que criamos na cena, na verdade, não é a sua verdadeira essência como pessoa. O Kokada me fez perceber isso. Ele não era o cara que todos achavam que ele era. A nossa relação era de irmãos, consegui entender quem ele era fora da imagem de ranço e lenda do Power Move que ele tinha. Foi um tempo de grande aprendizado e visão. Ele me mostrou visão para o futuro e que a chave para conquistar qualquer objetivo seria somente através de paciência e dedicação. Época também de aprender a lidar com a pressão, ou você gostava do Kokada ou você o odiava. Eu tive essa influência através dele. Já chegamos a dançar com todo mundo vaiando, a música virou vaia e xingamento. Todo mundo contra. Foi onde comecei a evoluir. Essa era a imagem criada por ele, onde todos nós, eu e os outros meninos do grupo, abraçamos e seguimos juntos. Tudo isso marcou a nossa história e também a nossa amizade. Eu aprendi com ele que independente do que acham, continue sempre fazendo o seu. Continue acreditando e lutando, ninguém faz por você. Ele acreditou em uma nova geração e hoje eu ainda continuo aqui, vivendo a vida da minha maneira, dentro e fora da cena. Foi esse o aprendizado na nossa relação, viva a sua história à sua maneira, seja único.
BW: Quando surgiu o Cirque du Soleil na sua vida? Nos fale sobre a experiência e a vida de quem atua num circo? Alguma vez teve que escolher entre o circo e os eventos de Breaking?
Luka: Em 2014, foi quando assinei o contrato e vim para o Cirque. O mais gratificante é você poder viver e respirar aquilo que ama. No Cirque eu tive essa oportunidade, de poder acordar todos os dias e fazer o que mais amo. Treinar, dançar e inspirar as pessoas. No show, todos nós artistas, através da sua especialidade, inspiramos o público a viver a vida com amor e que tudo vai melhorar. O show é dos Beatles, se chama LOVE. Tem uma história e uma mensagem em cada música e ato. Na verdade, no Cirque você tem muita liberdade, tudo no começo é rotina de treino e ensaios, mas com o tempo tudo se torna natural, o volume de ensaios diminui por você repetir os atos várias vezes. Sendo assim, mais tempo livre para treinar meu Breaking e meu físico. Como profissional, eu acredito que eu tenho que estar pronto, meu corpo é o meu investimento, por isso sempre estou treinando e aprimorando minhas técnicas e espírito. O Cirque me deu essa estrutura, tratamento físico, preparação e performance. A escolha na época foi o Cirque, mas isso não tirou a minha vontade de competir e aparecer nos eventos. O ritmo de batalha você acaba perdendo um pouco e isso é natural. Mas mesmo participando poucas vezes em eventos nos últimos 6 anos, eu me mantenho criativo e em forma. Cada experiência me traz um aprendizado. Eu volto para o meu treino com ideias e absorvo a energia que tenho que trazer de volta para melhorar no próximo evento. Sempre que tiver a oportunidade de aparecer e se eu estiver livre, eu irei e expressarei minha dança.
B-Boy Kokada e Luka: uma relação entre irmãos com a lenda do Power Move
BW: Vamos falar do ano de 2018 e daquela batalha com o B-Boy Issei na Red Bull BC One. Quanto tempo antes você se preparou para aquele evento? O que de fato aconteceu? Como você se sentiu quando inesperadamente o seu sapato saiu? Aquilo te atrapalhou? Houve muitas cobranças após aquela situação? Na época, você chegou a escrever tipo um desabafo no seu Facebook, dizendo que voltaria! Olhando toda essa situação 3 anos depois, o que você aprendeu com tudo isso? E o que diria às pessoas que foram rápidas nas críticas e nas cobranças?
Luka: O que aconteceu foi o que todos viram. O melhor que pôde acontecer pra mim naquele dia. O meu lance é que eu sinto o que aconteceu no momento, como competidor e ser humano. Mas eu não me importo com o que aconteceu. Sendo assim, não carreguei frustração. Isso é algo profundo e poderoso se você souber aceitar. Não precisa de entendimento. Você absorve e usa aquilo como uma grande experiência e aprendizado para seguir evoluindo na sua dança e sua vida. Quando você se frustra e luta contra algo que já passou e aconteceu, você cria uma negatividade. Por que o resultado desejado não veio, porque você achou que merecia ter ganhado por tudo aquilo que você se dedicou e treinou para chegar ali. Foram 6 meses de preparação. Claro que na hora eu senti o peso, quando aconteceu, eu sabia que no primeiro round eu me sai muito bem e que tinha um arsenal forte para sair bem nos últimos dois. Foi quando o tênis saiu e eu não pude pensar com rapidez e usar aquilo ao meu favor. Eu tinha o terceiro round que poderia decidir a batalha. Mas não foi o que eu pensei no momento presente. Eu me deixei abalar. A única cobrança, se teve, foi comigo mesmo, o barulho externo não é barulho no meu interno. Cobrança externa não importa, você é o seu templo. Disse que voltaria porque a vida continua, outras oportunidades surgem. E eu sabia que continuaria minha jornada que pode me levar de volta se eu tiver que voltar. Eu aprendi a deixar fluir, sem expectativa criada pela mente, focar em mim e na minha positividade, que vai ser expressada através da minha dança, resultado é resultado. Alguns ajustes na minha maneira de treinar e preparar também. No final do dia, a mensagem que fica é que eu fiz o melhor que pude com todo o meu poder do momento. E a história continua… sou grato a tudo e a todos.
BW: Luka, nos conte um pouco sobre suas atuais rotinas de treinos de Breaking. Como divide o seu tempo? O que tem feito nesse período de pandemia? Em que país você está? Como é viver longe da família e do seu país? Como você trabalha o seu emocional?
Luka: Treino 5 vezes na semana e descanso dois. Nesses dois dias de descanso, eu relaxo com alongamento, para recuperar meu corpo e estar bem para a rotina nos próximos 5 dias. Treino fisico na manhã duas vezes na semana, com o meu preparador e Breaking à tarde, todos os dias. Essa é minha rotina diária. Ultimamente, tenho tocado e venho estudando o DeeJay também. Nesse período de pandemia, tenho focado mais em mim e nas coisas que amo fazer. Eu estou em casa, nos Estados Unidos. Bate muita saudade de casa e da minha família no Brasil, mas tento focar minha atenção no que venho vivendo atualmente e isso me ajuda a manter o pé no chão, mas não é fácil ficar longe. É assim que trabalho o emocional, foco no agora. Atenção totalmente no presente, em qualquer atividade ou situação que eu estiver faço o melhor que posso. Esse modo de pensar me traz confiança, se eu estiver completamente presente no agora, tudo o que vier no futuro será próspero. Projetos, planos e objetivos são criados aqui no agora e o que tiver de ser será. Eu sou o criador da minha realidade.
No Cirque Du Soleil, com Paul McCartney, no show LOVE em homenagem aos Beatles
BW: Recentemente, o Breaking entrou para os Jogos Olímpicos. O que acha sobre isso? Como você vê o Brasil e seus B-Boys e B-Girls nessa realidade? Estamos preparados para disputar medalhas olímpicas? Como anda esse assunto no país que você está?
Luka: Grande conquista para a arte do Breaking, grandes oportunidades para aqueles que estiverem preparados. A realidade é que o Brasil tem um potencial enorme, muitos talentos no país. Agora, vai depender de como tudo será planejado e organizado. Talento e vontade eu sei que não vão faltar, eu acredito e visualizo a medalha para o país. Eu vejo o assunto bastante nas redes sociais, aqui nos EUA até pela questão da pandemia eu não escuto falar muito pessoalmente. É hora de começar a se estruturar, passo a passo, construir e se dedicar para colher bons frutos. O tempo passa rápido e eu espero que aqueles que estiverem envolvidos tenham boas intenções e planos para apoiar a cena e os dançarinos.
BW: Luka, quais são seus planos para o futuro? O que significa o Breaking na sua vida? Se pudesse voltar no tempo, mudaria alguma coisa?
Luka: Continuar experienciando o que a vida me oferecer, as oportunidades irão surgir como sempre surgiram, abraçar e viver. Eu vou estar preparado e vou fazer o melhor com o meu espirito e consciência. Ultimamente não venho planejando muito, o que eu faço é manter minha energia e espírito em paz. Isso me traz inspiração e harmonia no meu treino e dia-a-dia.
Treinar para estar pronto e aproveitar as oportunidades que a vida traz
BW: Que conselhos você daria para a nova geração do Breaking? Como devem se preparar? O que devem buscar? E o que não devem fazer?
Luka: Não preparem somente o corpo e movimento, trabalhem a mente e procurem construir uma base. Hoje as oportunidades estão aí. O Breaking vem fazendo parte de empresas e eventos grandes, procurem se valorizar e entender o business por trás dos eventos e trabalhos. Como se comportar, aprender a falar outras línguas, principalmente o inglês. Se hoje o B-Boy brasileiro tem uma oportunidade, tem que saber conversar e negociar. Muitos da nova geração têm o sonho de viver de eventos e batalha, mas não podem esquecer que temos outros caminhos e oportunidades para viver e se expressar através da dança. Cada dia mais estamos evoluindo, o mundo está em constante crescimento, novos talentos e oportunidades. Precisamos acompanhar esse processo de mudança. Quem acompanhar essa evolução não só do movimento mas da cultura em si, são aqueles que irão colher bons frutos. A nossa ação precisa ser aplicada no nosso momento presente, no agora. Não adianta querer ser um bom B-Boy ou B-Girl, ser campeão, fazer parte de grandes eventos e projetos, se não estiver preparando e vivendo o dia-a-dia. Não vamos esquecer o poder de cura e mudança de vida que a nossa dança pode trazer na vida das pessoas, como inspiração. Quando dançar, mostre o seu espírito em sua maneira única. Não coloque rótulos na sua dança, pois dançar é infinito e cada movimento é uma nota na música. Repare que quando você dança de mente livre, você entra na zona e em uma dimensão diferente. Essa é sua essência e verdade. Busquem isso e sigam a sua jornada, sem olhar pra trás. O que passou, passou. Continuem evoluindo, estudando e vivendo.
BW: Você parece ser um cara que reflete muito sobre as coisas, sobre a vida. Quem é o Luka hoje? O que aprendeu em todos esses anos de dança, qual foi a maior das lições?
Luka: Eu aprendi que tudo passa. Eu não sei quem eu sou. Só sei que sou uma consciência vivendo experiências e aprendendo com elas. O Lucas de hoje não é o Lucas amanhã. Tudo é uma constante evolução, precisamos entender que o mundo pede uma versão diferente de nós em diferentes situações e capítulos da vida. A dança é isso, se adaptar. Quando a música toca, nada mais importa. Somente aquele momento, nada mais existe. Eu acho que venho entendendo isso, focar minha atenção na música que toca no momento e na minha vida. A maior das lições não existe, todos os dias pra mim é a minha maior lição e eu agradeço por todas elas. Eu larguei mão daquilo que eu acho que eu deveria ser ou fazer na cena, pois eu acredito que eu já sou, a dança já me completa. Eu não preciso que algo aconteça ou que eu ganhe algum evento para me sentir completo e feliz. Eu comecei a dançar anos atrás, feliz, sem querer nada em troca. Tudo já está em mim. Eu vou continuar minha jornada, vou continuar participando dos eventos, a minha maior competição é comigo mesmo, todos os outros B-Boys que competem, são parceiros que ajudam na minha evolução. Ganhar ou perder, não existe. Todos nós ganhamos e por isso eu continuo motivado a continuar. A cultura, em primeiro lugar, surgiu através da alegria que conectou e reuniu. Por isso o amor pelas Cyphers, não tem julgamento. Somente alegria e uma grande festa.
Fotos: Arquivo Pessoal
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“O acordo ressalta o compromisso do WDSF em dar à comunidade do Breaking as melhores plataformas possíveis para mostrar seus talentos, ao mesmo tempo que ajuda a impulsionar seu desenvolvimento em todo o mundo” (Shawn Tay)
A World DanceSport Federation (WDSF) anunciou a assinatura de uma parceria de quatro anos com a Red Bull GmbH.A aproximação visa promover o desenvolvimento do Breaking em sua jornada olímpica, incluindo o lançamento do “WDSF Breaking for Gold World Tour” que começa em 2021.
A colaboração pretende criar grupos de trabalho dedicados, envolvendo a comunidade do Breaking e a introdução de projetos de desenvolvimento projetados para crescer o Breaking globalmente, com foco particular nos países em desenvolvimento e aqueles com pouca ou nenhuma experiência anterior com o Breaking competitivo.
Mais detalhes vão ser anunciados nas próximas semanas, conforme a evolução da parceria. “O acordo ressalta o compromisso do WDSF em dar à comunidade do Breaking as melhores plataformas possíveis para mostrar seus talentos, ao mesmo tempo que ajuda a impulsionar seu desenvolvimento em todo o mundo”, disse o presidente do WDSF Shawn Tay. “Com a experiência, o know-how e a rede que a Red Bull e a WDSF trazem para a mesa, estamos entusiasmados com o futuro do Breaking como parte do Movimento Olímpico.”
O Comitê Olímpico Internacional (COI) incluiu oficialmente o Breaking no programa de esportes para os Jogos Olímpicos de Paris 2024, isso aconteceu em dezembro de 2020, após sua estreia bem recebida nos Jogos Olímpicos da Juventude em Buenos Aires 2018. Em 2019, o WDSF World Breaking Championships foi realizado com sucesso em Nanjing, China, com a próxima edição marcada para acontecer neste verão, se a pandemia permitir.
Apesar da pandemia, o Breaking continua crescendo e sua popularidade vem aumentando, sendo incluido nos programas dos Jogos Asiáticos e Jogos Mundiais de 2022 e nos Jogos Olímpicos da Juventude de 2026, entre outros.
Foto: Divulgação Red Bull
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É B-Girl/B-Boy e sonha em competir fora do país, ser reconhecido na cena do Breaking e/ou viver dessa arte? Porém, tem atitudes/comportamento de amador!
Irei abordar alguns assuntos para você se tornar um artista e/ou atleta de destaque e boa postura.
Antes de tudo, tenha em mente que para se alcançar bons resultados, o principal protagonista é você mesmo.
O artista/atleta é uma figura pública que, muitas vezes, é tido como referência, um exemplo a ser seguido. Dessa forma, é essencial que a imagem pessoal seja pensada e trabalhada de acordo com a essência da B-Girl/B-Boy e alinhada com as expectativas do seu público-alvo, dessa forma vai alavancar ainda mais o seu sucesso.
Extremamente positivo manter-se ativo na internet, mas com preferências aos conteúdos relacionados ao Breaking, não se envolver em polêmicas que não englobem seu nome diretamente.
Tome muito cuidado com suas postagens nas rede-sociais, com publicações fumando cigarro, maconha, bebidas alcoólicas e gestos obscenos em fotos e até mesmo nas batalhas. Isso deixa uma imagem negativa, em se falando de um futuro patrocínio, nenhuma empresa vai associar a marca dela a uma pessoa com imagem negativa.
Ter cuidado com a integridade física, convívio social e desempenho nos treinos é algo muito levado em consideração, pois a partir do momento em que a B-Girl/B-Boy preserva sua saúde e preza por bons hábitos pessoais, familiares, físicos e sociais, sua dança também tende a ser mais valorizada e, com certeza, trará bons resultados.
Hora de mudar algumas atitudes:
Em um evento, sendo ele para competir ou curtir uma cypher, procure não usar as mesmas roupas e calçados de treino. O artista/atleta tem que ter uma boa imagem visual. Como você quer ganhar um patrocínio se não se veste bem? Ser uma excelente B-Girl/B-Boy e o visual horrível, isso desperta uma imagem “negativa” para os olhares da imprensa e de um futuro patrocinador.
Sei que muitos não têm condições de comprar roupas de qualidade ou caras. Porém, é possível se vestir bem usando o básico mesmo, basta você pesquisar e começar a ter um olhar para esse assunto. Além de você ter seu estilo de dançar, procure criar o seu estilo visual também, muitas B-Girls e B-Boys se vestem muito bem, mas seguindo uma tendência de alguma B-Girl ou B-Boy que estão na elite e acabam se tornando só mais um que copiou o estilo do outro e está seguindo uma moda.
Higiene: ir limpo para o evento, reuniões, entrevistas, etc. Ter cuidado com cheiro, seja ruim ou com muito perfume; tenha muito cuidado com hálito, pergunte para alguém que você tem intimidade, se seu hálito está OK. Imagina você conversar com um futuro patrocinador e/ou autoridades e estar suado, fedendo e com mau hálito? Tu perderá uma grande oportunidade… Veja bem, não estou generalizando, são alguns cuidados para que não passe por constrangimentos futuros, tenha cuidado com isso na vida pessoal e profissional.
Não chegue atrasado aos eventos! Pontualidade em qualquer parte do mundo é apreciada e bem vista.
Vamos falar sobre o emocional
A vida das B-Girls/B-Boys que competem, sendo ela profissional ou amador, é feita de vitórias e derrotas. Com isso, é preciso ter equilíbrio emocional para saber lidar com todas as situações. Assim, o artista/atleta não sofrerá demais diante de uma derrota e não desenvolverá espírito arrogante nas vitórias.
Como não é uma tarefa fácil amadurecer sozinho, você pode procurar um profissional para te ajudar nesse acompanhamento. Vale ressaltar que a própria mente é um grande obstáculo. Se você sofre de ansiedade pré-evento, procure se abrir para alguém que se sinta confortável em falar. E se tiver condições, procure um especialista em psicologia do esporte, esse profissional entende como os fatores psicológicos influenciam o desempenho físico, rendimento e de que forma a participação nessas atividades melhora o desenvolvimento emocional, a saúde e o bem-estar da dançarina(o)/atleta nesse ambiente e muito mais…
Tome muito cuidado quando se “perde” uma batalha, algumas pessoas saem reclamando das(os) juradas(os) ou até mesmo querem tirar satisfação chamando-o para batalhar. Uma falta de respeito para com o profissional que está concentrado(a) trabalhando e com o corpo frio, com grande risco de causar uma lesão. Será muito mais produtivo se você questionar quais foram os pontos “fracos” que fizeram com que “perdesse” naquele momento, pergunte não somente para o jurado que não votou em você e sim para todos. Estou ciente que muitos(as) jurados(as) votam para o amiguinho(a): isso também é uma falta de profissionalismo e respeito. Se você foi para um evento e soube com antecedência quem seriam os(as) jurados(as) e aceitou competir, então, saiba que você aceitou ser avaliado. Se você foi campeão(ã) ou até mesmo se sentiu bem em ter participado, questione os(as) jurados(as) sobre seu desempenho, para assim você ter um foco no que precisa melhorar mais.
O ponto principal é que você se avalie, assista com calma suas sessions e a do oponente, veja o que acertou e o que errou, faça o mesmo com as sessions do outro, tire suas conclusões. Ao invés de sair falando mal do(a) jurado(a) e/ou evento, em um outro momento procure entrar em contato com os (as) jurados(as), mostre seu levantamento, você irá aprender muito com isso e ensinar também.
Condicionamento físico
O condicionamento físico é mais um passo importantíssimo para se tornar um bom artista/atleta profissional e ou de alto nível. É preciso ter preparo e condicionamento ideal para conquistar resultados esperados. Com todos os movimentos limpos, treinos aeróbicos e exercícios específicos, você consegue chegar à forma ideal. Muitas B-Girls/B-Boys ainda têm certo preconceito para com o condicionamento físico, pois até alguns anos atrás aqui no Brasil pouco se falava nesse assunto, na Ásia e Europa já se faz esse trabalho há anos.
Tome muito cuidado e não saia por aí fazendo exercícios errados, como exemplo, alguns B-Boys fazendo Power Moves com pesinhos nas pernas, isso poderá causar uma séria lesão. Busque orientações, temos muitos profissionais de Educação Física no Breaking, troque uma ideia, peça orientações básicas. Outro ponto fundamental é a quantidade de horas de sono, procure entrar em uma rotina de dormir entre 6 a 8 horas, nosso corpo é uma máquina e precisa de descanso. Comece a incluir no seu treino corrida ou natação para melhorar sua resistência aeróbia, você vai sentir uma enorme diferença na sua resistência. Treinos específicos, como crossfit, musculação, entre outros, vai ajudar a melhorar sua resistência Anaeróbia. Não irei me aprofundar nesses assuntos por serem amplos (Em breve iremos falar especificamente sobre as resistências Aeróbia e Anaeróbia para um melhor entendimento)
Marketing pessoal
O marketing pessoal envolve um conjunto de esforços a serem promovidos por meio de bons hábitos, novas posturas e trabalhos com foco em resultados para desenvolvimento de uma boa imagem sustentável e próspera no universo social e empresarial.
Atentar-se às redes sociais: para toda ação, há uma reação. Muitas vezes, principalmente após derrotas ou desempenhos abaixo do esperado, o artista/atleta está sujeito a críticas, como qualquer outro profissional. Se você realmente “perdeu”, não fez a autoavaliação, vai passar a ser visto como a mina/mano que só sabe reclamar e nada de dançar.
Da mesma forma, como a rede social é uma oportunidade para estreitar relações com os fãs e amigas (os), pode ser também o caminho para discussões e polêmicas desnecessárias. Evitar debates é uma alternativa viável e necessária. E promover a imagem por meio de ações que favoreçam e preservem a sua integridade devem ser prioridade, pensando inclusive nas relações com patrocinadores, apoiadores e produtores.
Faça sessões de fotos e vídeos, quando for possível valorize profissionais da cena. Faça um portfólio, em algum momento você vai usá-lo; vídeos curtos treinando, dançando e poste em suas redes sociais. Lembre-se: “Quem não é visto, não é lembrado!”.
Algo que no mundo do Breaking é vago, é referente a assessoria de imprensa, hoje em dia se tornou essencial ter uma para cuidar da sua imagem, receber orientações do que fazer publicamente e do que não fazer, um nome leva anos para ser criado e se tornar respeitado, no entanto, pode ser destruído em segundos. Por isso, todo cuidado é pouco! É importante fazer um trabalho para alavancar sua carreira, evitando situações negativas. É o profissional da assessoria de imprensa que é a ponte entre você e a imprensa;
Gere mídia espontânea: Com o trabalho de produção e divulgação de releases, sugestão de pautas e coletivas. A assessoria de imprensa oferece informação de qualidade aos jornalistas, cavando boas oportunidades para seus clientes na mídia e também administra problemas de imagem quando necessário, cobrando junto aos veículos correções e direito de resposta. Não confunda divulgadores com um assessor de imprensa. O assessor de imprensa é um jornalista formado, que se torna responsável por tudo que é relativo à sua imagem. Não é simplesmente alguém que vai fazer publicações em suas redes sociais. É importante que tudo que vá para a imprensa seja revisado, pois quem vai receber não é da cena, mas sim alguém que trabalha dia e noite com textos e notícias.
Planejamento
Estabelecer um plano de carreira: traçar etapas e segui-las. A partir do momento que é traçado um planejamento da carreira, enumerando etapas pelas quais você precisa passar para se solidificar no meio artístico/esportivo e agarrar grandes oportunidades, consequentemente, poderá se concentrar melhor em sua evolução e constante aprimoramento, agregando inclusive valor no seu currículo e assim despertando interesse de novos patrocinadores, produtores de eventos e apoiadores.
Faça um planejamento a curto, médio e longo prazo. Por exemplo: em 6 meses, o que pretende fazer? Quais movimentos pretende aprender, participar em quais eventos? Faça isso traçando metas de 6 meses, 12 meses e 24 meses ou mais. Mas planeje suas metas e objetivos…
Alimentação
O trabalho da Nutrição auxilia o artista/atleta e o praticante de exercícios na criação de uma rotina mais saudável e eficiente. Bom, em termos de resposta física à mudança alimentar, o acompanhamento nutricional é capaz de melhorar a formação de energia, aumentando o rendimento e, principalmente, ajudando na recuperação muscular e dos estoques de energia para que o B-Boy e B-Girl possam cumprir as sessões de treino e competições sem prejuízos de desempenho e de saúde.
Muitos assuntos abordados aqui, são amplos para falar por completo, a ideia desse artigo é para mostrar o que devemos melhorar para termos ótimos resultados no mundo do Breaking e até mesmo para a vida. Procure um profissional da área que pretende melhorar a sua vida de artista ou atleta, se não tem condições de pagar um profissional, converse, ofereça uma parceria, assim como ele tem algo a oferecer, você também tem…
Fotos: Reprodução
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O nome que consta na certidão de nascimento é Alex José Gomes Eduardo, ele não poderia ser mais brasileiro. Nasceu numa família alegre de sambistas e capoeiristas em São José do Rio Preto, interior de São Paulo.
Da infância guarda boas lembranças das feijoadas e dos churrascos em família. Criado pela avó, matriarca da família, o menino que não tinha tênis, mas que desde pequeno já mostrava habilidades diferentes e muito especiais, a famosa estrelinha no meio da testa que alguns carregam para esse mundo, filho de mestre de capoeira era bom nos movimentos do corpo e também no futebol, por isso recebeu o apelido de “Pelezinho”, mas seu destino não foi escrito num campo de futebol e nem jogando capoeira mas sim nas ruas.
As rodas que frequentava eram outras, as de Breaking, onde sua grandeza foi reconhecida e conquistada, sendo ponte para o resto do mundo.
Numa entrevista super especial e exclusiva ao Portal Breaking World, B-Boy Pelezinho, que esta semana se posicionou sobre o assunto “Breaking nas Olimpíadas”, contou sua história de vida, suas experiências, conquistas no Breaking, falou sobre a pandemia, sobre amigos que sente saudades, sobre o futuro e mostrou sua preocupação com a nova geração de B-Boys e B-Girls.
Hoje fora das competições, porém comprometido com o Breaking pelo resto da vida, ele sempre lembra: “O Breaking mudou a minha vida e pode mudar de muitas pessoas”.
Com vocês: Pelezinhoooooooo!
BW: Você é de São José do Rio Preto, correto? Queria que você nos contasse: como foi sua infância, sua adolescência e sua vida em família? Que lembranças boas guarda dessa época? Foi uma vida tranquila ou difícil?
Pelezinho: Sim, eu sou de São José do Rio Preto, nascido e criado lá. Eu venho de uma família de sambistas e capoeiristas, eu lembro que, principalmente nos finais de semana, nós tínhamos aquele momento familiar, que tinha música, almoço, churrasco, feijoada. Na infância era bem tranquilo! A minha avó é que era a matriarca da família, ela cuidava de todos! Eu fui criado pela minha avó. Mas a minha família sempre foi aquela família animada! Tenho boas recordações!
Oriundo de uma família de sambistas e capoeiristas, Pelezinho encontrou-se no Breaking e incorporou movimentos da Capoeira na dança, criando um estilo próprio que ganhou o mundo e influenciou gerações de B-Boys e B-Girls
BW: E na adolescência, como foi? Quando e como teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop? O que te chamou atenção nessa cultura?
Pelezinho: Na adolescência, foi um pouquinho mais complicado. Eu saí de casa cedo, era muito jovem e eu conheci o Breaking por meio de um amigo, ele esta numa Cypher aqui no centro da cidade e, na verdade, eu achei que fosse uma roda de capoeira e quando cheguei vi que era uma roda de Breaking e eu fiquei encantado com aquilo. Logo depois, ele fez uma performance na minha escola e foi quando ele me convidou, disse que eu tinha uma facilidade para dançar, a minha família era do samba, então, achava que eu teria muita facilidade. E me fez um convite para treinar na casa dele, isso foi em 1995 ou 1996. E desde então, eu tenho uma história dentro do Breaking.
BW: Com que idade você saiu de São José do Rio Preto? O que sentiu quando chegou em São Paulo?
Pelezinho: Na verdade, eu só sai da casa da minha avó quando eu fui para São Paulo. Na primeira vez foi para um evento de dança, foi aquele choque com a cidade grande, de conhecer mais a galera da dança, porque eu só ficava no interior. Mas quando eu cheguei no evento achei incrível, quando eu vi todas as Crews de São Paulo reunidas. Me lembro que quando os caras chegavam, eles já chegavam batalhando e eu pensei: “puxa, vou voltar para casa e treinar muito, pois eu não quero mais que esses caras fiquem me zoando na dança não…”.
BW: Mas quando houve aquela decisão mesmo em relação ao Breaking? Tipo: “É isso que eu quero para a minha vida”? Porque afinal, você cresceu no meio do samba e da capoeira e também era bom no futebol, daí o nome Pelezinho. Mas quando ficou claro que era o Breaking?
Pelezinho: Em relação ao futebol, foram os amigos do meu bairro que me deram esse apelido na época da escola, porque eu não era o craque e tal (risos), mas jogava bem. E o Breaking eu peguei gosto pela dança, pelos treinos e era algo incrível que eu estava vivendo, eu gostava muito de praticar. As informações já estavam começando a chegar de alguns eventos, surgia alguns convites e comecei a gostar muito do que eu estava vivendo.
Pelezinho em uma de suas viagens para Lima, no Peru: a preocupação da avó virou orgulho em ver o neto saindo do interior de São Paulo e ganhando o mundo
BW: Você teve apoio da família quando decidiu se dedicar à dança?
Pelezinho: Naquela época, minha avó não tinha informação, ela estava meio preocupada de eu ficar pela rua, ficar dançando no coreto da cidade com uns caras… Então, eu não tive um apoio, demorou um tempo para que ela entendesse o que eu estava fazendo, mas natural, às vezes eram costumes daquela época, estamos falando de 1995, não existia informação direito como se tem hoje. Realmente ela se preocupou, achando que eu iria por um caminho errado, mau. Mas eu insisti muito e hoje ela fala: “Meu neto é um exemplo!”.
BW: Fale da relação da Capoeira e do Breaking na sua vida. Um completou o outro?
Pelezinho: A relação minha com a Capoeira foi dentro de casa, né? Meu tio era mestre de Capoeira, meu pai era mestre de Capoeira e eles tinham a academia deles e tal e eu fui influenciado, porque eu nasci naquele meio. No meio das músicas, no meio da Capoeira… E eu acredito que a Capoeira tem muita ligação com o Breaking, vários movimentos são semelhantes, tem musicalidade e quando eu comecei a dançar Breaking, realmente alguns movimentos do Breaking foi muito fácil de aprender graças à Capoeira. Eu tive bastante facilidade para aprender o Breaking, claro que teve alguns movimentos que tinham uma dificuldade a mais, porém, falando de equilíbrio, de firmeza, de movimentação de giro, para mim foi mais fácil, então, resumindo, eu fui influenciado pelo meu pai e pelo meu tio, eu só pratiquei a Capoeira por um determinado tempo, eu não peguei corda, não segui da forma que tinha que ser, mas eu tenho um baita respeito pela Capoeira e ela foi fundamental na minha adolescência.
BW: Houve pessoas na dança que o ensinaram e o ajudaram e que também foram inspiração e referência para você? Parece que teve um B-Boy que você admirava muito e tinha o desejo de um dia conhecê-lo pessoalmente. Quem era? E de que país ele é? Esse encontro já aconteceu?
Pelezinho: Ah, sim! Eu falo que no Breaking eu tive essas pessoas, primeiro o amigo que me convidou para praticar na casa dele, depois umas outras pessoas da época, que hoje já nem praticam mais, mas eu tenho, sim. Quando eu vi esse cara dançando, ele se chama B-Boy Remind, um dos fundadores da Style Elements Crew, da Califórnia. Quando esse cara apareceu para nós nos eventos nos Estados Unidos, o Battle of the Year, foi um dos primeiros vídeos que eu vi dele, eu vi o estilo dele dançando e eu acredito que ele mudou todo o cenário da dança, principalmente no Breaking pois ele introduziu um estilo mais carismático, envolvendo alguns passos de House e eu gostei muito disso. E eu tenho um sonho de conhecê-lo. Até hoje eu viajei o mundo e não tive a chance de conhecê-lo, conheci alguns membros da Crew dele, mas ainda não o conheci. E um dia ainda eu vou conhecê-lo, se Deus quiser!
O apelido foi dado pelos amigos do bairro onde morava: a intimidade com a ‘pelota’ foi deixada para trás quando o B-Boy descobriu o prazer de dançar
BW: Quando começou a participar e ganhar eventos de Breaking? Que eventos foram especiais para você, antes da Red Bull, é claro? Que conquistas foram memoráveis?
Pelezinho: Eu participei de muitos eventos na minha vida! Mas, um dos que eu mais gostei, foi um que era relacionado a esportes radicais, ele foi feito dentro do Ibirapuera e eu fui campeão do 1vs1, tiveram outros eventos que eu não ganhei, mas foram muito legais. Uma vez eu estava de jurado na Batalha Final e aí eu fiz uma batalha muito memorável. Estava eu e Chaveirinho, nós batalhamos por um bom tempo dentro do evento e aí, depois, nós acabamos fazendo vários trabalhos pelo Brasil, a gente era meio que inimigo antes do BC One, mas claro, o maior reconhecimento internacional foi o Red Bull BC One de 2005.
BW: Sim, falando do ano de 2005, como chegou na final mundial da Red Bull, que aconteceu na Alemanha? Como foi aquela sua primeira viagem para fora do país e o que sentiu naqueles minutos que teve que representar o Brasil numa terra tão distante e diferente?
Pelezinho: Quando eu fui convidado pela Red Bull BC One, eu não tinha noção do que poderia acontecer… Claro que alguns B-Boys que estavam ali eu já via pela fita k-7, pelos DVD´s que já estavam rolando, então, tinha B-Boys que eu admirava, o Lilou já estava despontando na Europa e quando eu cheguei na semifinal, pra mim foi uma batalha apenas, só que eu só fui entender a proporção do que aconteceu comigo quando eu retornei para o Brasil, depois da repercussão que teve e a vivência que eu tive lá na Alemanha, em 2005, foi incrível, pois era tudo novidade pra mim, então, foi a primeira vez que eu saí para fora do país, um evento como aquele, era a segunda edição dele, deu um ‘boom’ na dança… Então, pra mim, foi muita experiência, aqueles 5 dias que eu fiquei em Berlim foi só aprendizado, uma bagagem incrível para poder entender o que poderia vir logo em seguida. Na final mundial em 2006, no Brasil, eu já estava classificado nesse período, eu fui conhecido mundialmente mesmo eu não sendo o campeão, porque na época ainda existia primeiro, segundo, terceiro e quarto lugar. Esses quatro eram classificados automaticamente para o próximo ano, então pra mim foi incrível!
BW: Falando ainda de 2005, como foi batalhar com o B-Boy italiano Cico?
Pelezinho: Então, a minha primeira batalha foi com o Cico, um cara que estava se destacando muito pelos Power Moves que ele vinha fazendo e, principalmente, o Giro de Mão, ali foi uma grande pressão. Como foi a primeira batalha minha, num palco daquele, numa estrutura daquela, pra mim ali foi difícil de verdade! Depois que eu passei do Cico, fui passando… aí eu cheguei na semifinal com o Hong 10, ali eu já estava mais confortável, mas ao mesmo tempo, né [sic], tive alguns errinhos, acabei esquecendo um movimento. O Hong 10 ganhou de mim naquela noite e ele fez a final com o Lilou.
Pelezinho, Lilou, Menno, Hong 10, Wing e Lil Zoo durante turnê da Red Bull BC One All Stars em Meknes, Marros (Maio, 2018)
BW: O que sentiu e como foi a sensação de ter chegado tão perto de vencer o mundial? Fale da repercussão de ser o primeiro brasileiro a participar de uma final mundial? Isso fez diferença na sua vida?
Pelezinho: Eu, naquela época, na hora que eu perdi, eu falei: “Nossa! Puxa! Eu quase fui para a final!”. Então, deu aquela frustradinha no momento, mas na verdade, como tinha terceiro e quarto, eu nem pensei muito! Eu só fui pensar mais quando retornei ao Brasil, realmente passou um tempo até a galera descobrir, porque naquela época as informações não chegavam como hoje, que você pode ver ao vivo, demorava um tempinho para chegar as informações dos eventos. O You Tube estava começando, pelo menos para nós aqui do Brasil, aí depois que a galera descobriu, saiu o DVD, aí a repercussão foi uma loucura! A prova disso que até hoje as pessoas lembram, pessoas que não são da dança, pessoas que me encontram na rua, sempre tem um que lembra e fala que assistiu o DVD da Red Bull BC One.
BW: Pelezinho, depois você já viajou para muitos países pelo mundo. A ginga do B-Boy e da B-Girl do Brasil é um diferencial? O que os gringos esperam ver quando tem um B-Boy brasileiro ou uma B-Girl do Brasil numa competição?
Pelezinho: Desde quando os brasileiros começaram a competir no circuito europeu e, principalmente, nesse período de 2005 pra cá, é natural os gringos verem algo diferente, então, eu cheguei com um pouco mais de movimentos acrobáticos, misturando tudo com Power Move, enfim! Aí depois apareceu Neguin, então a galera sempre espera que o brasileiro chegue com um movimento diferente, mas o mais importante é cada dançarino ter o seu próprio estilo, a galera tem que pensar que o nosso passaporte é brasileiro, temos que mostrar o nosso cotidiano… É o que eu falo, a dança já foi criada pelos caras lá de fora, já tinham movimentos criados, é necessário cada um mostrar de onde vem, qual é o seu estilo de dança, a sua marca, então isso é importante.
BW: Como foi sua entrada na Tsunami All Stars e na Red Bull BC One All Stars? Fale da sua experiência dentro dessas Crews?
Pelezinho: Então, sobre a Tsunami All Stars, na verdade, nós a criamos porque na época teve um evento em São Paulo e nós queríamos batalhar e nesse período, Kokada estava sem Crew, eu estava em show com Marcelo D2, Katatau também estava praticamente sem Crew e aí nós participamos de um campeonato em São Paulo. E o Aranha era próximo de nós, porque quando o Chaveiro viajava, o Aranha cobria ou vice-versa, na época do show com Marcelo D2. Aí nós entramos em cinco no campeonato e ganhamos! E depois ficou aquela história que sempre que nós nos encontrávamos em São Paulo, dançávamos juntos e tal, aí o Katatau dançava com o Chaveiro em alguns lugares, o Aranha junto e aí nós só reunimos a Crew quando teve o convite para disputar o R16 na Coreia, quando chegou o convite dos coreanos que eram os ‘managers’ e aí foi quando o Neguin já estava próximo do Katatau, eu convidei o White e o Chuchu e montamos a Crew, aumentamos a Crew e aí participamos do R16, ficamos entre os finalistas e foi esse processo na criação da Tsunami. E o Red Bull BC One All Stars eu participei de duas turnês pela Red Bull Internacional para levar o que o Red Bull BC One estava fazendo, então, fizemos Austrália (2008), Índia (2009) e dali surgiu uma ideia, começamos a conversar com uma manager e aí demos a ideia de criar um time dentro da Red Bull e então criamos o Projeto Red Bull All Stars. Eu ajudei a criar esse projeto, eu, o Lilou e a manager e hoje está aí um dos melhores times que tem no mundo, onde estão os melhores dançarinos do mundo. Atualmente, eu não estou no time para competição, porque eu já sai do circuito de competição já tem um tempo, mas o time está aí, eu ajudei a criar e tenho muito orgulho disso.
Pelezinho e a Tsunami All Stars
BW: Falando um pouco mais sobre quem fazia parte da Tsunami, queria que você falasse de sua proximidade ao Kokada, que era alguém que, sem dúvida, escreveu uma história de muito valor no Breaking e tinha uma personalidade muito singular, deixando um enorme vazio quando partiu aos 35 anos, vítima de uma meningite, em 2012.
Pelezinho: Falar do Kokada pra mim é prazeroso! Porque nós vimemos juntos um período de conquistas, vou lembrar do Kokada lá atrás, quando eu fui para são Paulo a primeira vez, o Kokada já era já o grande B-Boy Kokada junto com o Careca da Detroit Breakers. O Kokada já fazia shows, ele era famoso pelo Brasil todo! E quando eu tive a oportunidade de conhecê-lo, de virar amigo dele e surgiu a história de montarmos a Tsunami, eu o chamava de “mentor”, porque era ele que cuidava das coisas da Crew e, assim, nós vivemos muitas coisas! Kokada teve a sorte de viajar também e de competir, mas no período que ele estava fazendo as coisas não existia muita informação, naquela época então, o momento que o cara estava não existia o contato do Brasil com o pessoal de fora, então, alguns gringos começaram a vir para o Brasil e justamente nesse momento nós estávamos juntos realizando sonhos, mesmo sendo de cidades diferentes. O Kokada foi incrível! O legado que ele deixou está ai e ninguém nunca vai esquecer! Ele era mesmo difícil, era um cara mais complicado (risos), ele tinha o jeitão dele, o gênio dele sempre foi forte, só que nós nos entendíamos muito bem quanto viveu conosco. Mas ele vive em nossos corações! E ele era uma baita de uma pessoa! Até hoje ele faz muita falta! E eu acredito que nos sonhos dele eu o ajudei também, tanto que a primeira viagem dele internacional para o evento R16 fomos eu, ele, Chaveiro, Katatau, Aranha, o Neguin e fizemos parte de uma geração, mas Kokada veio primeiro que nós e é isso! Muita saudade!
BW: Voltando um pouco no tempo, Pelezinho, numa outra entrevista você falou que quando começou a dançar não tinha um tênis… Décadas depois, você foi convidado para assinar um tênis junto com o Sandro Dias e, na ocasião, você falou que queria ver o Breaking e o Skate nas Olimpíadas de Paris 2024. Hoje, creio que você tenha vários tênis e o Breaking está nas Olimpíadas. Se sente realizado?
Pelezinho: Verdade, eu não tinha tênis para dançar, passei por essa dificuldade! Eram tempos bem diferentes! Mas quando eu recebi o convite do Sandro Dias para poder participar do projeto que ele estava iniciando, que ele queria ir pelo lado da cultura, da dança e ele me convidou para fazer a Colab, puxa, eu nunca imaginei isso na minha vida e aí foi quando eu falei numa entrevista que passou um filme na minha cabeça, quando ele me ligou para me convidar, ele era o dono da marca e eu aceitei na hora. Ele tinha um sócio, mas eu aceitei na hora! Hoje eu tenho um tênis assinado, modelo 1, já tem um projeto do modelo 2, já era para ter saído ano passado. Sim, graças a Deus hoje eu tenho muitos tênis (risos) e sobre as Olimpíadas é uma coisa que nós não imaginávamos que pudesse acontecer, ter o Breaking nas Olimpíadas. Eu sou a favor! Eu acho que está aí, já está concretizado, eu acredito que é mais uma porta se abrindo dentro do cenário da dança mundial, muitas pessoas terão oportunidades. Eu sei que aqui no Brasil têm acontecido muitas conversas, mas as coisas negativas devemos deixar para trás e pegar as coisas positivas das pessoas que têm o mesmo interesse, que isso possa trazer mais informação para quem não tem e isso vai agregar muito para a nova geração. Eu costumo falar para a galera que não é porque eu não tive lá atrás que eu deva embarreirar a nova geração, eu sou a favor mesmo do Breaking nas Olimpíadas e fiquei muito feliz!
Sandro Dias (Mineirinho) e Pelezinho lançam linha de tênis com sua assinatura: grande conquista para o menino que não tinha tênis para dançar
BW: Falando sobre as Olimpíadas e sobre toda a discussão em volta desse assunto, fale sobre suas impressões sobre esse elemento do Hip-Hop virar um esporte olímpico. Na sua opinião, estamos preparados para viver isso? Normalmente atletas olímpicos levam anos se preparando para uma participação numa Olimpíada. E nós, como estamos? Ao seu ver, temos B-Boys e B-Girls brasileiros prontos e bem preparados para brigar por uma medalha olímpica?
Pelezinho: Espero que com toda essa situação que está acontecendo, que o Brasil possa ter representante em 2024, porque já não teve nos Jogos da Juventude, espero que as pessoas se organizem, fazendo a sua parte e quem estiver no comando que faça de verdade, que pense no Breaking, na dança Breaking e não no próprio bolso. Pelo amor de Deus! Estamos em 2021, estamos dentro de uma pandemia, muitas coisas mudaram, muitas não serão mais a mesma coisa! Então, por favor! Precisamos fazer de verdade e principalmente para a nova geração! Olha, sendo bem sincero sobre o que vem acontecendo no Brasil, eu ando observando, não tenho participado de muitos bate-papos que estão tendo pelas redes sociais, só participei de duas que eu achei interessante e no meu olhar, o Brasil já está começando atrasado, porque eu já vou entrar: desde os Jogos da Juventude e dos simulados que tiveram na China e o Brasil não estava ali como convidado, então, estamos começando tarde, porque precisamos preparar, tem que ter mesmo toda uma estrutura, eu sei que as pessoas vão fazer do modo deles. Mas preparados na parte de dança: Sim! Temos B-Boys e B-Girls que possam disputar medalhas para o Brasil, mas tudo depende de toda a estrutura e logística que será montada aqui no Brasil, de como será, se vai convidar os B-Boys e as B-Girls direto ou se vai fazer etapas. Então, dando uma resumida, eu acho que já estamos atrás dos outros países: o Japão já tem o time pronto, a Holanda praticamente também, a França, EUA, a China… E o Brasil ainda não está! Quem estiver na frente tem que fazer de verdade! E resolver tudo o mais rápido possível, porque esse ano já descartamos praticamente, então, só sobra 2023 e 2024. Porque até o processo todo ser feito com a estrutura… Estou falando da minha visão como dançarino e como produtor e criador de eventos. Essa é a minha opinião!
Pelezinho: “Precisamos fazer de verdade e principalmente para a nova geração!”
BW: Verdade que você se posicionou sobre o assunto e agora faz parte da Confederação Brasileira de Breaking (CBRB). Você gostaria de falar sobre isso?
Pelezinho: Eu tive uma conversa com o Rooneyoyo e juntamente com o HP, estamos nos posicionando para participar junto com o Rooneyoyo, porque eu acho que juntos podemos conduzir coisas melhores para a nova geração.
BW: Falando sobre sua experiência como jurado… Hoje em dia, Pelezinho, você participa de muitos eventos. O que você gosta de ver numa batalha e o que você acha inaceitável na mesma?
Pelezinho: Sobre as batalhas, como jurado eu gosto de ver aqueles B-Boys e B-Girls que mostram movimentos, que sejam completos: musicalidade, criatividade, movimentos básicos. Mas eu gosto sempre daqueles dançarinos que percebemos aquela vontade de competir, que vai lá, que expressa a dança dele, que mostra movimentos surpreendentes sem errar, porque tem movimentos que jurado pega erros. Enfim, eu gosto dos completos no Breaking! Gosto de ver movimentos diferentes e interessantes para julgar, porque o nível da batalha fica avançado. E coisa que eu detesto ver é a má vontade de alguns dançarinos quando estão em competição, tem dançarino que parece que não está a fim… Aí eu pergunto: “Por que participou, então? Por que se inscreveu?” E outra coisa é essa história de questionar jurado, no passado já questionei também, só que eu acho desnecessário hoje em dia, de tanta informação que temos, nós precisamos respeitar os jurados que estão sentados ali, porque têm uma bagagem, então vamos respeitar. As pessoas precisam entender que numa competição estão sujeitos a serem julgados, então, vai lá, treina e seja o mais transparente possível para o jurado e mostra o porquê quer ser campeão!
BW: Com a pandemia e todo o isolamento necessário, o que você tem feito? O que acha das batalhas on-line? É uma tendência?
Pelezinho: Sobre a pandemia, eu acredito que foi um aprendizado para várias pessoas, estamos nela ainda! Nesse período eu tive que me reinventar, me readaptar a essa realidade que estamos vivendo. Sobre as batalhas on-line, claro que não é a mesma coisa, não é a mesma energia, de estar ali na Cypher, naquele calor todo, mas é um meio de manter a galera em atividade, em competição, até mesmo dando suporte para eles, porque teve alguns eventos on-line bacanas! Pela produção, pelo o que fizeram e acabou ajudando vários B-Boys e B-Girls, então, eu sei que isso pode continuar. Alguns eventos vão manter on-line e a pandemia é uma coisa muito triste, que ninguém imaginou que ia passar nesse plano de vida, mas ela é um aprendizado para muitas pessoas e quem não se adaptar, nem imagino o que vai fazer da vida.
Pelezinho acredita que a pandemia foi um período de aprendizado para várias pessoas: reinventar, readaptar, continuar…
BW: Você tem uma frase célebre: “O Breaking salvou a minha vida”. Comente a importância do Breaking como ferramenta de transformação.
Pelezinho: Sobre o que eu falo do Breaking ter mudado a minha vida, realmente ele mudou, ele fez uma transformação tremenda! Eu fiz coisas que eu jamais imaginei que eu iria fazer! Por meio da minha dança, eu viajei praticamente o mundo todo e sou uma pessoa conhecida através do Breaking. Financeiramente foi bom pra mim, consegui ter algumas coisas, mas o que eu mais falo é que nada disso teria acontecido se não fosse a minha vontade, a determinação que eu tive e toda a história que eu tenho há mais de 20 anos dentro do Breaking. Então, quem quer alguma coisa, principalmente dentro do Breaking, a galera nova, da nova geração, que vocês têm tudo, rápida informação, eventos, então aproveitem, porque na minha época que eu comecei a dançar nós não tínhamos nada disso! Aproveitem as oportunidades! Porque as poucas que eu tive aproveitei todas! E corri muito atrás! E foi nisso que o Breaking mudou a minha vida e pode mudar de outras pessoas também.
BW: Hoje quem é o Pelezinho? Você pensa em um dia parar de dançar?
Pelezinho: Pelezinho hoje é essa pessoa aí que a galera está vendo, que o Breaking deu uma visão de transformação e também de ajudar, porque o que venho fazendo hoje em dia é ajudar a cena, principalmente o Breaking. E sobre parar de dançar, eu não me vejo parando, como vou parar algo que amo fazer? É natural com o tempo desconectar algumas coisas, eu não me vejo competindo mais, mas eu adquiri uma bagagem que posso ajudar a nova geração aqui no Brasil.
BW: Para finalizar essa entrevista, que conselhos você daria para a nova geração de B-Boys e de B-Girls?
Pelezinho: Respeitem as oportunidades que vocês têm agora, se desejam competir, treinem para isso e aproveitem as oportunidades, que façam isso de verdade! Para aqueles que desejam uma vida de atleta, principalmente agora que têm vários eventos, Olimpíadas: se preparem! Nunca esqueçam que a nossa dança é uma cultura e se você desejar, pode viver como um dançarino atleta também, você pode se dedicar, você pode praticar, você pode se proteger. Se eu tivesse a mentalidade que eu tenho hoje, com certeza eu teria competido por mais tempo, eu também poderia ter evitado algumas lesões, porque é natural, somos seres humanos e não somos máquinas e, devido alguns anos repetindo movimentos, é natural ter um desgaste, só que de alguns anos para cá, já podemos proteger isso, então, vá atrás de uma pessoa que possa te dar uma educação física como dançarino, para que você possa ter sua vida como dançarino e, se desejar, como atleta também. Respeitem e aproveitem o que vocês têm hoje, pois tudo está mais fácil!
Fotos: Arquivo Pessoal / Red Bull Content Pool (Fabio Piva, Yassine Alaoui, Dimitri Crusz) Vídeos gentilmente cedidos pela Red Bull
Pelezinho comemora seus 20 anos de dança
B-Boys Pelezinho, Lil G e Kokada no projeto "B-Boys In Motion" - 2011
Pelezinho: #RespeitaOBreaking
Pelezinho além de B-Boy é MC, jurado e produtor
Pelezinho e o tênis com sua assinatura
Neguin e Pelezinho: geração de vencedores
Pelezinho, Lilou e Neguin
Red Bull BC One All Stars
"Mister" Kokada, Lilou e Pelezinho
Tsunami All Stars
Pelezinho
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Itsa revive trajetória na série e fase em que optou pela dança como profissão
Apaixonada por dança desde criança, Isabela Rocha, hoje conhecida como a B-Girl Itsa, não imaginava que sua paixão pelo Breaking viraria, de fato, uma profissão. Ela mostrava talento vencendo batalhas locais de dança e chamava a atenção de muita gente com seu gingado único, mas sua família sonhava mesmo em vê-la em um emprego estável e tradicional.
Quebrando preconceitos e barreiras, apostou todas as fichas na dança, tornando-se campeã brasileira de Breaking, bailarina na mais famosa companhia do mundo, o Cirque du Soleil, e sendo postulante do país nos Jogos Olímpicos, em Paris-2024. As nuances desse momento-chave na vida de Itsa são tema de um dos episódios da segunda temporada de “Until 18 – O Momento de Decisão”, disponível gratuitamente pela Red Bull TV, por meio do link www.redbull.com.br/until18.
“Quando comecei a dançar, descobri que posso ter atitude, posso ser quem eu quero ser”, afirma Itsa. “Ter a minha história nessa série, que foge de padrões e estereótipos, é bem importante para a sociedade, inclusive para as próximas gerações saberem que podem buscar o lugar e a posição (profissional, ideológica, artística) que quiserem. Todos temos o direito de criar e expressar a arte que sentimos e vivemos”, finaliza.
Ao longo do episódio, Itsa narra os seus dramas, dificuldades, batalhas diárias e, principalmente, o momento simbólico em que lutou pelo seu sonho e alcançou seus objetivos, transformando-se em artista do Cirque du Soleil e sendo uma das expoentes do Breaking no país, modalidade que estreará no maior evento multiesportivo do mundo, em Paris, no ano de 2024.
Além da mineira, outros personagens também contam as suas histórias na série ‘Until 18 – O Momento da Decisão’, como a vitoriosa e jovem skatista Yndiara Asp; o youtuber Flakes Power; o comentarista de games Gustavo Melão; o ciclista campeão mundial Henrique Avancini e a tricampeã mundial de Kitesurf Bruna Kajiya. O conceito do projeto é brasileiro e foi dirigido por Isadora Canela e Hugo Haddad.
B-Girl Itsa foi campeã brasileira de Breaking na Red Bull BC One, em 2019 e é bailarina do Cirque du Soleil
Sobre a série
A série “Until 18 – O Momento de Decisão” reúne atletas, artistas e personalidades de destaque em profissões pouco comuns para relembrar como eles lidaram com as decisões profissionais no final da adolescência e desbravaram um novo caminho na passagem para a vida adulta. Na temporada de estreia, a história da cantora Tássia Reis, do skatista Sandro Dias e do atleta de e-sports Yoda, entre outros. A recém-lançada segunda temporada já está disponível na Red Bull TV, com relatos de nomes como a skatista Yndiara Asp, do ciclista Henrique Avancini e da dançarina de Breaking Itsa.
Sobre a Red Bull TV
A Red Bull TV é um canal global de entretenimento digital com programação disponível a qualquer hora e em qualquer lugar. Combinando eventos ao vivo, uma extensa biblioteca On Demand e os melhores momentos de eventos que incluem esportes, festivais de música, séries originais, longas-metragens e documentários. A Red Bull TV oferece uma experiência de visualização envolvente pelo site redbull.tv, assim como em seu aplicativo ou via Smart TV.
Fotos: Divulgação Red Bull TV
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Planejamento, disciplina, foco e estratégia são fundamentais na vida de quem deseja ser um campeão, garante B-Boy Bart
Ele nasceu no Ceará, quando criança teve contato com muitos movimentos por meio do Kung Fu e da Capoeira. Aprendeu também a ter disciplina e flexibilidade desde cedo. Mas foram os pulos feitos na areia improvisada que pedia aos vizinhos que o fizeram se aproximar do Breaking.
Mateus Melo (22), conhecido como B-Boy Bart, hoje é um dos nomes mais cogitados para representar o Breaking brasileiro nas Olimpíadas de Paris, em 2024.
Ele compara a dança a um grande jogo de xadrez e afirma que, além de ter um corpo preparado, é necessário ter estratégias, planejar ações para se chegar no objetivo que se deseja.
O Portal Breaking World teve o prazer de conversar com ele na primeira semana do ano de 2021. E olha, aperte os cintos pois esse B-Boy não dança, ele voa! Fique por dentro do que rolou nessa conversa:
BW: Queria que você falasse um pouco da sua infância, onde e como foi? Como era o Mateus criança?
B-Boy Bart: Eu sempre me movimentei muito quando criança! Tive muito contato com os movimentos. Fui muito influenciado pelo meu pai, que era do Kung Fu e também pela Capoeira. Dessa época, eu ganhei a disciplina e a flexibilidade. Conheci a Capoeira foi na curiosidade mesmo. Fiquei num grupo chamado Zumbi por menos de 1 ano. Aí eu entrei em outro grupo, porquê a minha vontade era pular e nesse outro grupo eu conheci pessoas que pulavam muito. Quando começava a passar cordas, essas coisas, eu saía pois não era o meu foco.
O menino que começou dando os primeiros saltos no “areião” ganhou o mundo com seu talento
BW: Quando você teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop? Como surgiu o Breaking na sua vida?
B-Boy Bart: Eu e alguns meninos da minha idade jogávamos sempre futebol e teve um dia, um iluminado que apareceu, um bêbado e ele disse que ia mostrar umas coisas que nós não sabíamos fazer e deu um mortal! Lógico que, como ele estava muito bêbado, caiu, mas depois daquilo nós falamos: “Nossa, é isso!”. Aí começamos pegar areia de um canto e de outro, de um vizinho aqui, de outro ali, para poder treinar mortal. Eu deveria ter uns 10 anos. Tudo isso aconteceu em Fortaleza. Passado algum tempo, eu me mudei. Meu pai ficou desempregado, nós vendemos a casa, fomos morar em outro bairro perto da Serrinha e lá, quando eu cheguei, eu não estudava, devido a problemas com papéis e tal… E, na verdade, eu também não queria naquela época. Então, eu e meus irmãos ficamos sem estudar um tempo. Meu irmão sempre existiu e esteve presente na minha vida! No mortal, na capoeira, em todos os momentos. E aí, chamei ele e disse que deveríamos ir atrás, naquele bairro, de algum lugar que tivesse Breaking, pois não poderíamos ficar parados. Então, descobrimos o “Programa Escola Aberta”, foi ali que tudo começou. Era como se abrisse a escola no final de semana, jovens e crianças podiam ter contato não só com o Breaking, mas com o Totó (Pebolim) e várias brincadeiras de criança. Eu ia pelo Breaking mesmo. Mas eu ia olhar. Eu sempre fui assim, de olhar primeiro, de observar, ver como é a movimentação, treino em casa e depois fazia fora. Mas foi após o meu filho nascer e eu me ver sem estrutura que realmente eu vi que aquilo era pra mim. Eu sempre tive disciplina, desde cedo e quando meu filho nasceu eu vi que precisava fazer alguma coisa, então, foquei no que eu mais gostava, que era dançar. E, em 2015, comecei a participar de muitos eventos, o primeiro evento foi o “Intime”, da Igreja Bola de Neve, “1vs1”, que dava vaga para um outro evento em Exu, em Pernambuco, com tudo pago. Eu ganhei e fui para lá. E isso foi muito marcante, a primeira vez que participei, ganhei e fui para uma outra cidade que ganhei também. Então, eu vi que era isso mesmo que eu deveria escolher na minha vida. Em 2015, eu saí ganhando todos os eventos. Eu tinha apenas 16 anos.
BW: Houve pessoas que foram referências para você na dança? Alguém te ensinou a dançar Breaking?
B-Boy Bart: Que me ensinou a dançar, não. Existiram aquelas pessoas que me davam um toque, falavam de um movimento… Agora, um treinador, não! Inspiração? Desde 2005, o Pelezinho foi um furacão que aconteceu.
BW: Como sua família via a sua relação com o Breaking? Você teve apoio da família?
B-Boy Bart: No começo, não tanto. Para eles, eram só pulos. Eles não tinham noção no que ia dar tudo isso. Só tiveram quando eu comecei a competir e ganhar! Mas, também, eles não falavam nada, mas para eles era perda de tempo.
A influência do Kung Fu e da Capoeira foram fundamentais para a criação do estilo próprio de dança do B-Boy Bart
BW: No tempo de aprendizado do Breaking houve dificuldades ou movimentos mais difíceis de aprender? Quais? Como foi a sua preparação para chegar onde chegou?
B-Boy Bart: Tiveram momentos que realmente foram mais chatos, principalmente nos freezes. Toda pessoa que dança Breaking tem um lado mais forte, no meu caso, foi fazer os movimentos nos dois lados. Para passar de um lado que era mais forte para o outro foi trabalhoso, porque até eu poderia ficar torto fazendo os movimentos só de um lado. Essa transição de aprender fazer as coisas para os dois lados foi muito chata, mas necessária. Tipo Chair, doía muito! Na hora do treino eu não sentia, mas depois doía muito! Mas eu precisava chegar no meu objetivo.
BW: Em outras danças é bem normal escutar os dançarinos falando de dor aqui e dor ali. Meio que faz parte da vida do dançarino… Como você vê isso?
B-Boy Bart: Sim, a dor caminha junto e faz parte da vida de quem dança. Sempre que um B-Boy ou uma B-Girl ganha um evento, você vai ver depois: parece que houve um esgotamento. Toda hora tem dor e tem que dançar sempre mais do que dança. É real! É necessário superar os limites para ser campeão! A dor significa muitas vezes que você está chegando perto dos seus objetivos!
BW: A maioria dos seus movimentos são de impacto, de poder. Como você prepara o seu corpo para isso?
B-Boy Bart: Eu treino normalmente com a galera do meu grupo e também treino com a galera de outros grupos. Mas penso que o que me diferencia é que eu já chego no treino treinado. E saio do treino ainda tem mais um pouquinho de treino. O Breaking é o meu estilo de vida. Eu acordo cedo, faço alongamento. Dia sim, outro não, eu corro. Eu sou vegetariano, comecei com vegano três anos atrás. Antes dos eventos, fazer a dieta vegana ajuda muito! A diferença no rendimento é muito rápida, esse tipo de comida traz leveza, mais explosão, define muito mais a musculatura. Mas de vez em quando podemos sair um pouco disso e comer coisas boas, merecemos isso (risos). Mas nunca antes de evento.
Bart e Leony se tornaram grandes amigos e têm representado o Brasil em diversos torneios internacionais
BW: Em 2018, você foi campeão brasileiro do Red Bull BC One, nos conte o que você sentiu naquele momento que saiu o resultado? Passou um filme na cabeça? Para você já era algo esperado?
B-Boy Bart: Esperado não era, mas eu tinha uma intuição que poderia acontecer e quando aconteceu, eu falei: “Caramba eu vou para Zurique!”, e pensei, “vamos ver o que é o Breaking do outro lado do mundo”. Naqueles dias, a Europa estava com muito Breaking! Para mim, batalhar com outras pessoas, até com a dança maior que a minha, me levou para um outro nível. Foi algo empolgante demais! Eu treinei com eles, eu comi com eles e o Leony estava lá comigo, me motivando, naquele evento ele foi Top 16. Então, ele falava: “Vamos lá, falta mais um!”. Ele é um cara muito amigo, humilde e ele fez eu me sentir mais seguro, porque eu estava em outro país, só tinha ele, então, ele me dava força. Tinha também Pelezinho e Neguin, mas não estavam perto, não tinha como ter uma conexão.
BW: Bart, você tem a experiência de ser dançarino da internacional Flying Steps. Como foi sua entrada na companhia? Fale um pouco do tempo junto com os outros dançarinos, dos ensaios, dos espetáculos antes da pandemia e o que você faz para atingir o seu melhor desempenho.
B-Boy Bart: Sim, eu trabalho com eles e com uma outra da Alemanha. Quando comecei, eu já cheguei chegando, tinha 45 shows para fazer. Nesse mundo, tem uma séria de coisas, tinha uma orquestra tocando ao vivo, tinha bonecos gigantescos, tivemos 1 mês e meio para criar tudo. Era de segunda a sábado, de 8h até 19h ensaiando. Nesse tempo, eu não falava muito inglês, mas depois de 1 semana, eu me virei e ainda eu morava com três deles, então, nós só pensávamos na dança, no espetáculo e no que íamos fazer. E isso me ensinou muito a ser regrado, a ter paciência com processos de montar movimentos. Eu consegui trazer isso também para o meu Breaking. Pra mim também! Eu estava treinando para batalhas futuras e estava mesclando tudo. A experiência foi muito boa! Foram 45 espetáculos e muito ensaio. Foi um grande aprendizado, único na minha vida, que guardo até hoje.
BW: Você falou que muita coisa você levou para o seu Breaking. Qual a importância de diversificar movimentos, de buscar algo novo e trazer coisas diferentes para as sessions?
B-Boy Bart: É muito importante você ter um arsenal gigantesco de movimentos. Porque você mostra confiança, atitude e personalidade na dança. Hoje já se olha a execução dos movimentos nos eventos. Com a possibilidade de você colocar tudo que traz na dança, você chega mais perto do ser original, mostrando variações.
Na Europa, 45 shows, ensaios e muita experiência (na foto o espetáculo com a Flying Steps)
BW: Em 2019, você participou do mundial da Red Bull em Mumbai, na Índia, junto com mais 2 brasileiros. No seu caso, você foi convidado pela organização a entrar diretamente na decisão, como um dos finalistas ‘wildcards’ do evento. Como foi sua participação? Nos fale sobre o resultado e suas impressões.
B-Boy Bart: Três semanas antes desse evento, eu tinha participado de um outro na Bélgica e eu já sabia que estaria no Top 16 da Red Bull em Mumbai, em 2019. E eu tinha que destruir na Bélgica para eu chegar em Mumbai. E foi o que aconteceu, eu cheguei na final na Bélgica e foi totalmente gratificante, muita gente assistiu e aquilo levantou o meu astral. E cheguei na Red Bull mais tranquilo, estava tudo muito fresco na minha cabeça, por mais que a pressão seja muito, mais muito grande mesmo… a pressão psicológica é muito alta, mas eu me senti bem. Cheguei lá, perdi para o Killa Kolya na semifinal, no ano de 2018 eu ganhei dele. Então, eu cheguei na semifinal achando que ia para a final, pois eu já tinha ganhado dele. Eu perdi, mas nós estamos ainda no 1 a 1 (risos). Ainda tem muita coisa pela frente na próxima para ganhar!
BW: E falando de tempo… Que tempo sobra para sua família? Você tem filho! Como administra tudo isso?
B-Boy Bart: É um mix de coisas! Nem todos os dias são iguais e fazemos o estilo brasileiro mesmo (risos). Eu tento estar com a minha família e ao mesmo tempo treinar. Meu filho tem 5 anos e é bem tranquilo. Deus mandou a criança perfeita para mim! (risos). Quando ele vê que cheguei de viagem, sempre vem “papai, trouxe alguma coisa para mim?”, ele já pratica alguma coisa de capoeira, mas no tempo dele…
BW: Bart, muitos B-Boys e B-Girls brasileiros não vivem da dança. Que conselhos você pode dar para quem pretende viver da dança?
B-Boy Bart: Planejamento. Planejamento é tudo! Saber o que você vai fazer, como você vai ganhar dinheiro e manter o foco. Tem que participar de eventos, afinal, eventos são vitrines. Você tem que batalhar. Planejar o seu ano tipo um ano antes. É algo fundamental!
Em 2018, Bart chegou na semifinal da Red Bull BC One, na Índia, disputando com Killa Kolya uma vaga na final
BW: O que você tem feito em todo esse tempo de pandemia? Como tem treinado? Como acha que será o “novo normal” da vida de um B-Boy ou de uma B-Girl pós-pandemia?
B-Boy Bart: Eu tento fugir da depressão, tento me manter feliz. Estou no Brasil, em Fortaleza, morando com a minha noiva, continuo treinando dia após dia, colocando minha mente em outras coisas, como redes sociais, YouTube, navegando e estudando áudio visual, cuidando da minha casa e treinando mortal.
BW: Sim, falando sobre o mortal, é verdade que os gringos quando veem os brasileiros dançando, eles aguardam o mortal? Como uma marca nossa?
B-Boy Bart: Eu acho que é porquê temos muitos B-Boys capoeiristas. Isso é Brasil! Eles já esperam por causa disso, seja como Pelezinho, Neguin ou Bart. Eles sabem que com nós é mais embaixo (risos).
BW: Muito tem se falado de Breaking nas Olimpíadas. O que você acha sobre isso? Algumas pessoas criticam e falam da possibilidade de se perder a essência da cultura por ser, agora, também um esporte. Como você vê isso?
B-Boy Bart: Eu vejo como uma evolução, na verdade, não acho que seja positivo e nem negativo, é somente algo do mercado. Isso já vem acontecendo tem muito tempo. O R16, todos esses eventos que tem, são em ritmo de Olimpíada, de ranking. Existe o ranking de B-Boys tem muito tempo. A Olimpíada entrou para apimentar ainda mais a competição. Acho que nada vai mudar… Como no futebol existem pessoas que jogam pelada e existem pessoas que jogam nos mundiais. Então, acho que vai melhorar muita coisa!
Para Bart, os brasileiros são fortes candidatos a medalhas nas Olimpíadas de Paris 2024
BW: Como você imagina que será para um B-Boy ou uma B-Girl dançar numa Olimpíada? Como a nova geração deve se preparar para isso?
B-Boy Bart: Aqui nós somos ainda muito samba. Estamos ainda presos em algumas perguntas: tem isso? Tem aquilo? Tem incentivo? O pessoal lá fora está se preparando, enquanto aqui temos que ser competidor e também ensinar, talvez isso aconteça com a nova geração… Será que respondi essa pergunta?!?
BW: Bart, seu nome tem sido lembrado o tempo todo na imprensa e nas grandes mídias. Então, vou direto ao ponto: Você se sente preparado para representar o Brasil numa Olimpíada e trazer uma medalha para casa?
B-Boy Bart: Estou sim! (risos). Eu venho me preparando para isso. Vejo o Breaking como um jogo de xadrez, tem que usar a cabeça e muita estratégia. O momento conta muito! Mesmo que eu não tenha treinado no dia anterior, eu não fico mais do que uma semana sem treinar. Nas oportunidades, precisamos estar “okay” e eu estou preparado!
BW: Na sua opinião, temos mais brasileiros preparados para o pódio?
B-Boy Bart: Sim, temos! O Brasil é potente no Breaking, todo brasileiro tem uma chavezinha que mostra algo a mais.
Foco, concentração, determinação, planejamento: “Estou pronto para as Olimpíadas!”
BW: Quais são seus planos para o futuro?
B-Boy Bart: Praticar Breaking, participar de eventos, voltar a fazer shows na Europa e me manter preparado para as Olimpíadas! O meu foco agora é esse! Estou rezando para que tudo volte ao normal.
BW: Que mensagem você deixaria para os B-Boys, B-Girls do Brasil? E o que você diria para a nova geração do Breaking que o tem como uma grande referência?
B-Boy Bart: Nossa, que pergunta! Preciso pensar… Complicado inspirar as pessoas… Penso que o Breaking deva ser passado para a nova geração, quanto mais passado, mais vamos fortalecer o Brasil. Mas aconselho que tenham planejamento, que sejam persistentes e teimosos, sempre treinar além do que já existe e do que se vê: é isso!
Fotos: Arquivo Pessoal
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Neste sábado (28), a cidade de Salzbug, na Áustria, será palco da final do mais importante campeonato de Breaking do mundo, o Red Bull BC One. As maiores estrelas desse estilo (que está cotado para fazer parte dos Jogos Olímpicos Paris 2024) disputarão o troféu mundial em batalhas que serão transmitidas ao vivo pela Red Bull TV, a partir das 16h (horário de Brasília), pelo link www.redbull.com.br/bcone. Quem comanda a exibição em português é o rapper Thaíde, um dos ícones do movimento Hip-Hop no Brasil, com comentários de B-Boy Endrigo e B-Girl Miwa.
A final mundial do Red Bull BC One vai coroar dois vencedores, um B-Boy e uma B-Girl. Neste ano, oito dos melhores B-Boys e oito das melhores B-Girls do planeta foram convidados para testar habilidades de alto nível em emocionantes batalhas 1×1. As B-Girls são: Madmax (Bélgica), Sina (Áustria), Kastet (Rússia), Sunny (EUA), Jilou (Alemanha), Mess (Rússia), Kami (França) e Ayane (Japão). Os B-Boys que disputarão o título são: Killa Koya (Cazaquistão), Lil Zoo (Marrocos), Pac Pac (França), Vero (Coréia do Sul), Philip (EUA), Alkolil (Russia), Kid Karam (Reino Unido) e Shigekix (Japão).
Para vencer seus oponentes, cada dançarino tem que ter movimentos precisos e estar afiado, pontual e ritmicamente afinado com a música.
Conheça os convidados da transmissão em Português
Thaíde é um dos pioneiros do Hip-Hop no Brasil e há quase 40 anos ajuda a divulgar a cultura com suas músicas e apresentando programas como o “Yo! MTV Raps” (MTV), “Manos & Minas” (TV Cultura) e “Metro Black” (Rádio Metropolitana), além de ser um dos fundadores da Back Spin, um dos grupos mais antigos de Breaking do País.
B-Boy Endrigo foi um dos jovens diretamente influenciados por Thaide e ajuda a manter o Brasil no topo do Breaking mundial. Parte da Tsunami All-Stars, uma das principais crews do País, ele compete frequentemente em torneios internacionais e há quase duas décadas busca fomentar a educação por meio da dança.
B-Girl Miwa: foi uma das primeiras breakers brasileiras a ganhar reconhecimento no exterior. Campeã das competições “Sudaka 2007” (Chile), “El Rey del Seven 2 Smoke 2009” (Venezuela) e “KB Battle Original Flavor 2013” (Israel), Miwa também levou pra casa o terceiro lugar na “Eurobattle 2008″.
Sobre o Red Bull BC One
Desde que foi criado, em 2004, o Red Bull BC One se estabeleceu como uma das mais relevantes competições da cena de Breaking 1×1 do mundo, sendo palco para inúmeros dançarinos, caso dos brasileiros Pelezinho (que já disputou quatro edições do mundial) e Neguin, único latino-americano a conquistar o cinturão de campeão. Todos os anos, milhares de dançarinos disputam as finais nacionais por uma vaga no campeonato mundial, que já passou por diversos países, como Alemanha, Brasil, África do Sul, França, EUA, Japão e Rússia, entre outros.
Fotos: Divulgação
O rapper Thaíde vai comandar a transmissão em Português
B-Girl Madmax (Bélgica) foi campeã da Red Bull E-Battle e é uma das postulantes ao título de campeã mundial em 2020
B-Girl Miwa (que também é colunista da Breaking World) vai comentar o evento, junto com B-Boy Endrigo
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