A semana começou com chuva e quem chegou ao Rio de Janeiro com a intenção de conhecer o famoso “Rio 40°”, participando de um dos campeonatos de breaking mais famosos do Rio de Janeiro e ainda pegar aquela corzinha nas praias cariocas, teve que refazer os planos. Mas, ainda bem, que esse ano o Breaking do Verão não foi na Praia de Copacabana, mas na Fundição Progresso, repetindo a mesma localização do ano de 2025.
O evento começou na quinta-feira (22) com o “Petrobrás Breaking Day”, que foi uma ação social realizada dentro do Breaking do Verão destinada a receber mais de 120 crianças e jovens de projetos sociais patrocinados pela Petrobrás. O evento teve workshop de breaking com Abgrow, B-Boy Kapu e B-Girl Savaz. Houve uma apresentação de Slam e um bate-papo com a galera nova sobre Conscientização e Legado.
Na sexta-feira (23), as portas foram abertas para B-Boys e B-Girls acima de 18 anos de todo o Brasil que puderam participar de uma seletiva para a Prova de Fogo, novidade criada em 2026 que, no final, foi disputada pelos 12 melhores na Cypher Rio com os vencedores das eliminatórias regionais (Belém, Brasília, Porto Alegre e Recife) realizadas anteriormente. Os três melhores B-Boys e B-Girls da Prova de Fogo se juntaram aos 13 breakers que já tinham sido convidados, como um wildcard pelo Breaking do Verão, para a disputa do Mundial.
Segundo o Breaking do Verão, o critério usado pelo curador do evento, B-Boy Pelezinho, para o convite desses b-boys e b-girls que foram direto para o Mundial, incluiu os que sempre participam do evento, ganhadores de outras edições e nomes que estão se destacando. Os ganhadores da Prova de Fogo na sexta-feira foram B-Girl Lua e B-Boy Jazz que, além de se classificarem para o Mundial, levaram cada um R$ 2.000,00 para casa.
Não podemos esquecer também que nos palcos do Breaking do Verão esse ano houve uma transição de gerações com participação de B-Boys novos na idade, mas bem conhecidos na cena, como B-Boy Richard e B-Boy Eagle, que participaram da Seletiva da Prova de Fogo, ambos de São Paulo. E ainda houve a presença marcante de B-Boys e B-Girls que fazem parte da Seleção Brasileira de Breaking Youth que, mesmo não tendo idade ainda para competir no evento carioca, prestigiaram a competição e alguns até competiram na Batalha de Crew 5 vs 5. Destaque para B-Boy Samukinha, que é de Goiânia e que chegou na Final do 5 vs 5 junto com sua crew Bairro Feliz; B-Girl Angel do Brasil, que está em primeiro lugar no ranking esportivo oficial paulista e que foi para torcer pelo irmão, que participou da seletiva da Prova de Fogo e , sendo um dos grandes nomes do breaking da nova geração brasileira; e B-Girl Keké, que junto com a Flow Queens também brilhou e foi vista no 5 vs 5. Esses estavam no Breaking do Verão, garantindo que o breaking está mais vivo do que nunca e que o presente já chegou, novo na idade, mas gigante na dança, já é uma realidade, e que o futuro vem com tudo!
No sábado (24), aconteceu a Batalha de Crews 5 vs 5apresentada pela Sprite. A crew Campeã foi The Big Players e ganhou R$ 5.000,00.
No domingo (25), aconteceu o Campeonato Mundial, reunindo muitos nomes internacionais, como B-Girl Kastet, a única bicampeã do Breaking do Verão; B-Girl Vavi, que foi campeã do Breaking do Verão 2025; B-Boy Bumblebee e B-Boy Nord Diamond, todos russos; B-Boy Judas (Argentina); DJibril (Bélgica); Damani (França); B-Girl Swami (México); B-Girl Stefani (Inglaterra); B-Girl Pela (Venezuela); B-Girl Syssy (França) e B-Boy Hiro10 (Japão), que agitaram o palco do Breaking do Verão. Do Brasil, nomes como B-Boy Samuka, B-Boy Perninha, B-Boy Allef, B-Boy Leony, B-Boy Jazz, B-Boy Rato EVN, B-Girl Toquinha, B-Girl Mini Japa, B-Girl Nathana, B-Girl Lívia, B-Girl Karolzinha, entre outros, completaram a festa.
Mas um dos momentos mais esperados da Competição Mundial, sem dúvida, foi a batalha entre Leony e Bumblebee, que teve um sentido de revanche depois que, em 2022, o russo, que tinha acabado de ganhar as Olimpíadas da Juventude, foi eliminado no Breaking do Verão pelo brasileiro e saiu do evento bem aborrecido. Agora, em 2026, Bumblebee volta mais maduro, venceu Leony e chega à final do Breaking do Verão contra o japonês Hiro10, que já tinha ficado em 2º lugar em 2025 e, desta vez, levou a melhor numa batalha épica, mostrando que o topo dos pódios cada vez mais pertence a quem é completo!
No feminino, a grande campeã foi a B-Girl Stefani da Inglaterra.
Alguns colegas da imprensa escreveram “que o Amor venceu!”.
Verdade! Hiro10 e B-Girl Stefani formam um belo casal e conquistaram o lugar mais alto no pódio. Cada um ganhou R$ 20.000,00. O breaking e o amor os uniu! Parabéns a eles!
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Ele é de Brazlândia, cidade satélite de Brasília e começou a dançar Breaking com 13 anos. Não teve uma infância fácil, escondido do pai e da mãe, usava um pedaço do colchão para colocar na touca de giro, para não machucar a cabeça na hora de fazer o Head Spin.
O menino cresceu e evoluiu rápido, sendo o ganhador da Batalha Final em 2009, evento tradicional de Breaking que abriu portas para sua carreira na dança, mas foi com 22 anos que ficou conhecido mundialmente, sendo um dos finalistas da mundial do evento “Red Bull BC One”, realizado no Rio de Janeiro (RJ) em dezembro de 2012, o que o fez ser notícia em toda a grande imprensa brasileira. Na ocasião, Klesio batalhou com o Mounir, da França e foi considerado um dos 8 melhores B-Boys do mundo. Ele ainda foi o vencedor do reality show “Vai Dançar”, da Multishow.
Passados 9 anos, o Portal Breaking World foi atrás desse B-Boy brasileiro que tira o fôlego de qualquer pessoa que o vê dançando. Klesio hoje vive na Polônia, que é um país do Leste Europeu, na costa do Mar Báltico, conhecido por sua arquitetura medieval e pela herança judaica. O B-Boy coleciona títulos de vários campeonatos em diversos países, onde sempre foi reconhecido e respeitado. Exemplo foi o Just Battle, na China, em 2018, onde foi mais uma vez campeão. Klesio falou na entrevista sobre a infância, sobre família, sobre bullying, sobre valorização na dança, sobre Olimpíadas, sobre eventos híbridos e on-line, falou sobre tempo de pandemia e sobre o futuro! Vamos à entrevista!
BW: Queria que você falasse seu nome completo, sua idade e nos contasse um pouco da sua infância, da sua vida em família na Brazlândia. Que recordações tem desse tempo?
Klesio: Eu me chamo Kleson Silva Moreira, tenho 31 anos. Tive uma infância bastante oscilante, muitos momentos bons e ruins. Cresci em um lar com uma família cristã protestante e dominante. Tenho recordações boas e ruins.
O mundo do crime passou bem perto, mas o Breaking motivou o B-Boy a seguir o caminho do bem
BW: Como era o Klesio criança, em casa e na escola? Verdade que você teve problemas de bullying e que quase entrou para o mundo do crime? Como superou isso?
Klesio: Sendo honesto, eu odiava estudar e brigava bastante na escola, só conseguia me encaixar com arte, educação física. Bullying era parte da minha rotina quando estava na escola, acontecia porque eu não andava bem cuidado, todos os alunos tinham boas roupas e eu não estava autorizado a usar roupas novas pra ir à escola porque minha mãe me proibia, na mente dela roupas novas eram somente para ocasiões especiais, então andava com roupas rasgadas, tênis rasgado e eu sofria muito preconceito com isso por parte dos alunos. Recebia nomes como: passa fome, lixão, soldado da guerra, etc… Sim, quase que meu destino foi outro, na época eu tinha 12 anos e andava com uns caras estranhos do meu bairro, já cheguei até a carregar malotes de drogas como aviãozinho pra eles, mas isso foi pouco antes de conhecer a dança, quando conheci o Breaking, coloquei toda minha energia dentro disso e consequentemente mudou minha perspectiva.
BW: Quando teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop? E com o elemento Breaking? Onde deu os primeiros passos?
Klesio: Meu primeiro contato com a Cultura Hip-Hop foi por meio do Breaking, me lembro vividamente no dia em que eu estava na sala de aula e quando a professora saiu, eu vi alguns alunos afastando as cadeiras, formando um espaço vazio na sala, então eu vi eles fazendo movimentos no chão, muito difícil de entender e fui pego fortemente por essa arte. Meus primeiros passos foram na minha cidade, dentro do meu quintal, nos horários em que meus pais estavam no trabalho, claro.
BW: Tiveram pessoas que te inspiraram e que foram referências para você na dança?
Klesio: Sim, primeiro de tudo, aqueles alunos da escola que eu vi dançar, depois veio meu professor, finado Gordin (Black Spin Breakers) e ao longo da minha carreira tive muitas outras influências.
Mesmo sofrendo preconceito de parte da família, Klesio seguiu em frente
BW: Como sua família via o Breaking na sua vida? Eles te apoiaram? Verdade que sua mãe descobriu que você dançava quando deu falta de um pedaço do colchão? Nos conte isso?
Klesio: Como citado, minha família sempre foi protestante e a Cultura Hip-Hop sempre foi algo marcante nos bairros, naquela época as pessoas não tinham informação, então essa cultura foi sempre associada como algo criminoso na minha área. Minha família não me apoiou no início e eles viam essa arte como a porta de entrada para as drogas e o crime, chegou até ser irônico. Teve várias ocasiões em que minha mãe encontrava evidências de que eu estava praticando essa dança. Ela encontrava os colchões rasgados por baixo pois eu retirava esses pedaços para fazer um chapéu de giro de cabeça. Ela encontrava a cerâmica de casa riscada e ouvia depoimentos de vizinhos que me viam dançando na rua. Foi uma guerra por causa dessa arte. Fiquei um mês em cárcere privado pelos meus pais. Não tinha como, eu dava meu jeito. Era uma paixão muito forte pela música, pelo estilo e pelos movimentos.
BW: Houve movimentos difíceis de aprender ou todos foram fáceis? Na sua dança tem algum movimento que é a sua marca registrada?
Klesio: Todo começo tem suas dificuldades, foi muito difícil de aprender porque não tive incentivo de ninguém. Eu olhava aqueles garotos fazendo os movimentos e tentava copiar quando chegava em casa. Sim, na dança tenho minhas próprias características e movimentos, só que a minha principal inspiração é a música.
BW: Quando começou a competir? Fale um pouco dos principais eventos que participou aqui no Brasil e se teve algum que foi especial ou que teve aquela treta…
Klesio: Comecei a competir na minha cidade na categoria de iniciantes, depois comecei a competir em Brasília nos níveis mais difíceis, na minha época a DF Zulu, QDM, Floor Riders, Black Spin, The Brooklyn, etc… eram grupos fortemente renomados. Fiz parte do grupo QDM (Quebra de Movimento), foi uma das escolas mais importante em minha carreira, por causa do mesmo eu tive a oportunidade de viajar competindo nacionalmente. Meu primeiro importante evento foi a Batalha Final 2009, onde conquistei o título de campeão, foi a porta de entrada para uma nova era em minha carreira. Fiquei bastante conhecido no Brasil por causa desse evento.
E o quase-soldado virou um guerreiro levando o Breaking brasileiro para vários países
BW: Quando de fato começou a viver da dança?
Klesio: Comecei a viver da dança desde 2007 quando fui instrutor de Breaking em um projeto social da minha cidade. Logo depois, fiz parte de outro projeto, nesse período eu não era conhecido ainda e não tinha certeza de nada. Eu quase entrei pro exército nessa época, eu estava na fila já escolhido para raspar a cabeça, quando minha intuição pediu pra eu desistir e continuar com a dança. E até hoje vivo por meio da arte por causa das escolhas que fiz nessa época.
BW: Verdade que você foi vencedor do reality show “Vai Dançar”, da Multishow? Como surgiu o convite para participar e como foi nos bastidores?
Klesio: Sim, a produtora entrou em contato comigo através do Facebook, fazendo o convite. Eu estava muito tranquilo nessa competição, pois eu sabia da premiação, mas não quis pensar sobre, porque eu não queria colocar meu espírito sob pressão. Criar expectativas durante uma competição não é recomendável. Durante o reality show eu estava pensando em uma só coisa “pensar em ser o melhor pra mim mesmo o resto é consequência” foi como um mantra que me levou a ser o vencedor do reality.
BW: Em 2012, você foi para as quartas de finais com o Mounir, na Red Bull BC One, que foi no Rio de Janeiro, correto? Ficando entre os 8 melhores B-Boys do mundo! Fale sobre essa experiência e sobre o que sentiu.
Klesio: Sim, correto! Red Bull BC One foi uma experiência incrível de todos os eventos que já participei na minha vida. A adrenalina de ser responsável por representar o seu país em um mundial é inexplicável, porém, me senti prejudicado pois o calor naquele lugar estava insuportável, eu estava suando muito e por causa disso escorreguei na minha entrada contra o Mounir. Eu imagino que se o evento tivesse sido climatizado talvez não teria escorregado em um movimento simples e ter perdido a competição, eu estava muito confiante.
Em 2012 Klesio participou do mundial representando o Brasil e ficou entre os 8 melhores B-Boys do mundo
BW: Quando e porque você decidiu sair do Brasil? Foi difícil tomar essa decisão? Onde você mora atualmente?
Klesio: Sendo sincero, foram vários fatores que me fizeram mudar de país. Primeiro que é difícil viver da dança no Brasil e também me senti desvalorizado dentro da minha própria comunidade, principalmente depois da Red Bull. Eu me senti perseguido, muitas vezes vi em redes sociais certos indivíduos fazendo vídeos, me difamando, vi que as pessoas estavam torcendo contra mim, me senti oprimido em chegar nos lugares e sentir uma energia totalmente contra a minha dança, sem nenhuma razão. Nunca consegui entender se foi por causa do meu crescimento e isso criou um ciúme, não sei. Não foi só comigo, aconteceu com outros participantes também. Hoje eu moro na Polônia, na Europa.
BW: Conte um pouco da sua experiência morando no exterior e por quais países passou. Houve tempos difíceis?
Klesio: A experiência de morar no exterior está sendo como uma escola para minha vida pessoal e profissional. Já visitei vários países, estive em contato com várias culturas diferentes. Eu me sinto bastante respeitado pelos dançarinos em diversos países, especialmente na Ásia, eu admiro muito os dançarinos desse continente, pois eles são muito receptivos e amáveis. O nível de educação é inexplicável. Chega um momento na vida, que nem tudo é somente dançar e ganhar. Tem muitas outras coisas que te agregam e enriquecem o seu intelecto, vindo de outras culturas. Tem o lado difícil também, fuso horário, comida, estresse com agentes de imigração nos aeroportos com interrogações tipo: o que você veio fazer aqui? Cadê o dinheiro pra se manter? Você é criminoso no seu país? Muito choque de culturas. Quando você viaja bastante, você vai estar suscetível a todo o tipo de situação como essa. Graças a Deus sempre deu tudo certo.
BW: Em 2018, você foi campeão do The Just Battle, na China. Nos conte como foi esse evento? Mesmo em competições pesadas e que necessitam de uma grande concentração, você consegue se divertir?
Klesio: O sentimento que eu tive na Batalha Just Battle foi a mesma sensação que eu tive anos atrás, no reality show “Vai Dançar”. Eu vi a premiação o quanto seria e vi que o favorito da batalha era o lendário B-Boy Physics, imediatamente eu tirei essas duas coisas da minha mente e foquei em mim, nas minhas habilidades, na minha intuição. Eu sabia que a luta maior seria comigo mesmo, então, praticamente o mesmo mantra “foca dentro de você com confiança e o resto é consequência” sempre estava comigo. Às vezes, em uma competição, o ego é importantíssimo, não é errado ser arrogante no momento da batalha, é um mecanismo de defesa que impõe respeito e insegurança no seu oponente, não é agressão verbal ou física, é como você olha seu adversário e como você o trata usando sua aura, então, toda vez que eu pisei naquele palco eu trazia esse ranço, essa raiva, principalmente, quando eu batalhei contra os melhores desta competição. Consequentemente, Campeão.
O foco de dar o melhor de si mesmo sem temer os adversários tem sido a receita de sucesso de Klesio
BW: Morando fora do país, chegou a trabalhar em espetáculos ou fazer parte de companhias de dança?
Klesio: Sim, faço muitos espetáculos artísticos na Alemanha.
BW: Fale um pouco de suas rotinas de treino e de como se prepara para participar das competições?
Klesio: Atualmente, eu estou começando do zero. Eu sempre estive um passo atrás de ganhar as competições mais importantes do mundo por causa do nível, que vem ficando cada vez mais absurdo e quem não se adianta fica pra trás. Hoje estou me reeducando sobre muitas coisas no Breaking para se tornar a melhor versão de mim mesmo. Nunca fui muito criativo em termos de movimentos, então, minha prioridade é totalmente inovar. Procuro referências que possam me ajudar, o B-Boy Storm tem sido um grande mentor em novas concepções que preciso desenvolver. Eu treino quase todos os dias, 3 horas aproximadamente. Meus treinos são bem estudados e focados. No momento não estou competindo por causa da pandemia.
BW: Recentemente, o Breaking se tornou uma modalidade olímpica. O que acha sobre isso?
Klesio: Eu acho uma excelente ideia que o Breaking faça parte das Olimpíadas, pois é uma oportunidade para fazer o mesmo ser mais reconhecido profissionalmente dentro da sociedade. Porém, não devemos esquecer que o Breaking é uma dança com muita essência. Breaking é arte e intuição conectada com a música e espero que não se torne uma dança superficial, onde só os movimentos é o que importa e pronto.
Aproveitar o tempo de pandemia para treinar forte e estar pronto para o retorno das competições
BW: O que tem feito nesse tempo de pandemia? Como está a situação no país que mora?
Klesio: Durante esse tempo, tenho focado na minha evolução como pessoa e profissional. A situação está bem mais controlada do que antes. A economia do país segue adiante, mas sempre com restrições. E aqui as pessoas levam a sério, todos usam máscaras nas ruas e ambientes privados. Espero que em breve tudo volte ao normal em todo o mundo.
A expectativa de Klesio é que volte tudo ao normal para que ele possa continuar levando sua arte além-mar
BW: O que acha dos eventos on-line ou híbridos de Breaking? Seria uma tendência para o futuro?
Klesio: Sendo honesto, pra mim é estranho que eventos se tornem on-line, não tenho nada contra e entendo que é a única maneira de manter o Breaking vivo, mas eu sinto saudades da muvuca das competições.
BW: Quais são seus planos para o futuro? Tem planos de retornar ao Brasil?
Klesio: É muito provável que em breve eu vá focar nos estudos, quero cursar Letras por aqui na Europa e futuramente cursar Ciências Forenses. Todo mundo precisa de um plano B, pois viver do Breaking é uma coisa muito incerta. Eu gostaria de voltar ao Brasil e poder ajudar o cenário da dança, para que a nova geração de B-Boys e B-Girls evoluam e conquistem mais espaço nacionalmente e internacionalmente. Têm muitos estudos dentro do Breaking que a maioria de nós, brasileiros, desconhece. Vamos ver se futuramente isso possa se concretizar.
BW: Que mensagem você deixaria para a nova geração de B-Boys e B-Girls que vão ler essa entrevista e para todos que mesmo de longe acompanham seu trabalho?
Klesio: O recado que eu deixo é que se eduquem o máximo que puderem, tudo em sua volta oferece uma oportunidade de aprendizado. Seja lá o que você for fazer, faça com paciência, não se apresse por nada. Nunca esqueça que todos nós precisamos de um plano B, nunca conte somente com dança. Aprenda inglês.
Fotos: Arquivo Pessoal
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Médicos alertam que a nova variante é mais grave, rápida e letal entre jovens: “É preciso parar os eventos presenciais!”
O estado de São Paulo registrou nesta semana 61.064 óbitos e 2.093.924 casos confirmados durante toda a pandemia. Entre o total de casos diagnosticados de Covid-19, 1.852.904 pessoas estão recuperadas, sendo que 229.822 foram internadas e tiveram alta hospitalar.
As taxas de ocupação dos leitos de UTI são de 70% só na Grande São Paulo e 69,7% no Estado. O número de pacientes internados é de 14.809, sendo 8.042 em enfermaria e 6.767 em unidades de terapia intensiva, conforme dados desta semana. Hoje, os 645 municípios têm pelo menos uma pessoa infectada, sendo 625 com um ou mais óbitos. Em todo o país são 10.869.227 casos, 9.647.550 recuperados e 262.770 mortes. Em todo o mundo são 116.463.253 casos, 65.805.310 recuperados e 2.586.760 mortes.
Mesmo com o início da vacinação, os números ainda são alarmantes! O Brasil registrou 1.498 novas mortes por Covid-19 ontem (06), com uma média de 1.455 óbitos pela doença nos últimos sete dias, após bater o recorde de mortes por Covid-19 em um intervalo de 24 horas por dois dias consecutivos, o patamar mais alto desde o início da pandemia, foram registradas 10.183 mortes nos últimos sete dias, com isso, a média móvel de óbitos bateu um novo recorde pelo oitavo dia seguido!
Somente na cidade de São Paulo, já são 6 hospitais com 100% de ocupação de leitos de UTI para Covid-19, a taxa geral de ocupação na capital paulista chegou a 77% ontem, sendo que a rede privada varia de 80% a 99% dos leitos de UTI ocupados.
Um ano de pandemia e o país continua batendo novos recordes de mortes
Diante dessa realidade, um dos segmentos mais afetados pela Covid-19 foi o mercado de eventos. O setor registrou prejuízo de R$ 270 bilhões com a pandemia do novo coronavírus, entre março e dezembro do ano passado. As perdas levaram ao desemprego de 3 milhões de pessoas. O segmento representa 13% do Produto Interno Bruto (PIB) e tem 60 mil empresas que dependem diretamente da realização de eventos para funcionar, além de 2 milhões de microempresários. A solução? A retomada, sem dúvida, é algo desejado por organizadores de eventos para amenizar os prejuízos, no entanto, como pensar no retorno quando a Covid-19 ainda é a grande vilã do mundo e desafia a humanidade?
A vacina chegou, mas o isolamento social ainda é uma das medidas preventivas para conter a aglomeração de pessoas e, assim, evitar a proliferação do novo coronavírus. E aí perguntamos: Como será o futuro dos eventos? Quando, com segurança, será possível retornar? Será que podemos voltar aos eventos presenciais ou teremos um futuro de eventos híbridos e on-line?
A verdade é que o futuro dos eventos está sendo construído agora, baseado em experiências do que dá certo e do que não dá! Muitas respostas ainda não existem! Mas se adaptar pode significar a sobrevivência dos negócios!
Analisando essa difícil situação, o Portal Breaking World, que é voltado para a Cultura Hip-Hop e para os seus elementos, resolveu procurar e escutar a opinião de alguns organizadores de eventos reconhecidos e de credibilidade no Breaking que acontecem no nosso país e saber o que pensam e o que andam fazendo…
Começamos conversando com o produtor de eventos Alan Jhone, mais conhecido como B-Boy Papel, de Brasília. Nascido e criado em Ceilândia, formado em Marketing, ele desde 2012 organiza o Quando as Ruas Chamam, sendo um dos grandes eventos expressivos da Cultura Hip-Hop no Brasil, um catalisador e formador de B-Boys e B-Girls, o evento reúne a nova geração e também os mais conhecidos dançarinos do país em suas competições. Ele explica que, em Brasília, a situação em relação à Covid-19 continua complicada, com alto índice de contaminação e de mortes, sendo que Ceilândia é onde tem o maior número de infectados e mortes no Distrito Federal. Um dos motivos é o fato de ser a maior população entre as regiões administrativas do DF, sendo mais de 500.000 pessoas, sem falar nos problemas com a saúde e a falta de leitos para os doentes. São dele as palavras: “A situação ficou séria aqui em Brasília, mas no meu caso, depois que eu organizei toda a parte de pós-produção em 2019, eu peguei o tempo livre e me dediquei em estudos, para fazer algumas provas e como eu já tinha o projeto que seria realizado em 2020 devidamente aprovado, tudo muito certinho, eu já estava com a edição do festival garantida, então, tive liberdade para focar em alguns estudos e olha, eu dei muita sorte, pois não tive nenhum prejuízo financeiro relacionado a essa edição de 2020, porque eu não tinha começado o processo de produção do evento. Eu tinha o planejamento de começar os preparativos no mês de maio de 2020 e aí nos deparamos com a situação da pandemia que estourou em todos os lugares. No estudo pra mim foi complicado, pois eu tive que me distanciar das aulas presenciais e acabou me atrapalhando nisso, mas, felizmente, com os prejuízos relacionados ao evento eu não tive. Mas corremos sérios riscos, tenho a certeza que muitos parceiros de outros projetos estavam com eventos em andamento e tiveram prejuízos gigantescos. Agora é tempo de reinventar, eu continuo me dedicando aos estudos, conseguimos nos movimentar e apresentar a 7ª edição do festival, que foi devidamente aprovada, com a pontuação máxima no edital que ele concorreu, então, nós temos garantido para o futuro mais duas edições do festival. Mesmo no meio da pandemia não deixamos de olhar com carinho por ele e conseguimos mais essa vitória de ter duas edições garantidas! Inclusive, estamos divulgando isso em primeira mão para o Portal Breaking World. Ultimamente, além de estudar, eu tenho cuidado da minha mãe que faz parte do grupo de risco e tenho refletido muito sobre o futuro, porque nós que somos da cultura sempre temos uma vida instável, sem muita garantia, então, eu penso que nós da cultura precisamos pensar mais em como atingir essa estabilidade, para não ter mais esses baques que tivemos, por exemplo, com a pandemia e também venho pensando muito nas alternativas para o futuro, eu sou um cara proativo, inquieto, gosto de pensar longe. Até o momento não temos a intenção de realizar o Quando As Ruas Chamam numa edição on-line, isso fugiria muito do evento. Eu acho que o negócio é esperar e voltar quando for possível com chave de ouro, recebendo todos, creio que o formato on-line seria muito complicado. O Quando As Ruas Chamam tem um lance de encontro de pessoas que vêm de várias quebradas e que podem trocar experiências e nós queremos que isso seja presencial, estamos com uma energia para produzir uma festa linda no momento seguro! O momento ainda é bastante delicado, os índices de infectados ainda são altíssimos, eu penso que as pessoas que precisam fazer seus eventos e aquelas que não podem esperar, devem buscar fazer da forma mais segura possível, cuidando dos nossos com responsabilidade para que nenhum irmão pegue esse vírus maldito. Planos para o futuro é ver alguns outros projetos que eu tenho guardado saírem do papel, como tem sido muito gratificante ver o Quando as Ruas Chamam”, conclui.
Da cidade do poder para o sul do país, procuramos o Pedrinho Festa, organizador da Battle In The Cypher, que é um dos eventos de Hip-Hop mais tradicionais da América Do Sul e já tem 12 edições. O Battle In The Cypher recebe dançarinos de até 10 países diferentes por edição e anualmente tem pré-edições em países como Uruguai, Paraguai e Argentina, além de outras regiões do país. O evento tem uma programação de diversas atividades que não apenas focam numa premiação, mas sim numa construção dentro da cultura Hip-Hop. A maior importância dele se dá pelo formato que prioriza todos os elementos do Hip-Hop. Pedrinho Festa conta: “A última edição foi a edição on-line, em 2020, fora isso tivemos a edição dos 10 anos, em 2019… E sim, logo após ela, já começamos a projetar o ano posterior, tanto que tínhamos organizado edições em 2020 na Paraíba, Santa Catarina, Uruguai e Paraguai antes da pandemia, o evento já estava extremamente estruturado com diversas pré-edições realizadas, passagens compradas, datas, patrocínios, etc., já marcados. Estávamos com um projeto de captação em Mecenato aprovado, que expirou o prazo devido a pandemia. Apesar de termos tido alguns gastos, não tivemos o orçamento comprometido, pois conseguimos reverter muitos de nossos gastos, como de passagens. A nossa principal atitude foi buscar realizar de maneira on-line, mas que tivesse da mesma forma a cara do evento. Até mesmo para poder contratar os mesmos profissionais que estavam no evento e de alguma forma foram impactados com os cancelamentos de datas em 2020. Então, o fizemos de maneira on-line, mas buscamos um formato estilo festival, mantendo as atividades do BITC como a festa Hasta La Cypher, o Graffiti, os workshops e palestras, a batalha de DJs… O Battle nunca foi só uma batalha, o nosso grande desafio foi levar essa essência para o mundo digital. Em 2021, o evento tem data para acontecer: de 29 de março a 4 de abril. Será físico, ainda estamos aguardando para saber se será com público reduzido ou apenas com participantes. Resolvemos fazer agora, pois conseguimos passar um projeto importante de incentivo, com apenas 4 meses de realização e sabemos que muitas pessoas da nossa cultura estão precisando trabalhar, inclusive por isso buscamos contratar um grande número de artistas e trabalhadores da cultura Hip-Hop! Tempos difíceis, mais fácil sentar e lamentar. Sabe aquela gana de fazer a parada acontecer? Bom, a gente tem ela desde algum tempo… Às vezes, passa um filme na cabeça, de como tudo era e mesmo assim acontecia, as pessoas, no fim é tudo sobre energia, sobre as pessoas, sobre o que podemos proporcionar para as coisas serem melhores. Battle In The Cypher nunca foi só um evento, é um ideal, é um compromisso, uma retribuição. É o que somos!”.
De Bento Gonçalves direto para o Rio de Janeiro, a conversa foi com a carioca Sabrina Vaz, mais conhecida como B-Girl Savaz, uma das diretoras do evento Tropical Battle, que acontece presencialmente nos próximos dias 6 e 7 de março, realizado de forma independente, tem o apoio da comunidade Cantagalo-Pavão-Pavãozinho, onde a dança é uma importante ferramenta de transformação social. A ideia do evento nasceu em 2015, dentro de uma Crew só de mulheres, na verdade a primeira Crew de mulheres do Rio de Janeiro, que é a Manifesto B-Girls Crew, que sempre foram protagonistas de ações ligadas ao Hip-Hop carioca. Hoje, a Manifesto B-Girls Crew não existe mas a amizade entre as meninas continua! O Tropical Battle é um evento muito importante para o Rio de Janeiro, porque tem o objetivo de trazer a essência do Breaking carioca, que segundo ela não é muito identificado no Rio. Savaz conta: “Desde então, nós temos visto que influenciamos a cena com a valorização do B-Boy e da B-Girl, com premiações altas, todas as edições foram memoráveis. Até o Tropical Beneficente que fizemos para ajudar a B-Girl Branca na compra de uma cadeira de rodas ou patrocínio para as meninas irem para outros eventos, todas as edições foram especiais, a última que fizemos, em 2020, um pouco antes da pandemia, foi especial, nessa edição tivemos alguns percalços, mas aprendemos, não tivemos nem um pós-produção, porque estava tudo muito corrido, terminamos o evento e já estourou uma pandemia. Nem acreditávamos que ia rolar a edição de 2021, foi um momento de repensar a vida, o evento nunca teve patrocínio, foi do nosso bolso, as meninas foram fazer trem e metrô para ganhar dinheiro para fazer o evento, eu tive que pagar muitas contas do meu bolso. Mas Deus tem provido as coisas e está aí a edição de 2021, depois que estourou a pandemia, em 2020, nós ficamos aliviados por ter conseguido fazer um pouco antes a edição de 2020 e não estávamos comprometidos com a edição de 2021, porque nós não temos verba. Então, foi graças a Lei Aldir Blanc que está sendo possível realizar a edição de 2021, os prejuízos que eu tive em 2020 foram mais pessoal, porque nós não estávamos muito bem organizados, eu precisei tirar dinheiro do meu bolso e quando recebemos a grana da Aldir Blanc, deu para pensar na edição de 2021. Sobre se reinventar, nós nunca encaramos o evento como algo profissional ou um empreendimento. Agora que o evento está começando a ser feito por uma equipe específica, estamos começando a olhar para o evento com um olhar de empreendedorismo, nós estamos precisando nos organizar, sendo um divisor de águas. Tenho escrito editais. Não gostamos de eventos on-line, acreditamos que se perde muita coisa, já tem gente fazendo eventos on-line, se perde muito o “flevo” [sic] mas as nossas eliminatórias estão sendo on-line, quando pensamos no evento achávamos que tudo estaria bem melhor, já conversamos com a equipe que se for necessário cancelar o evento faremos. Todos os eventos aqui no Rio de Janeiro estão acontecendo, estamos providenciando os protocolos de segurança, o purificador de ar para grandes espaços, álcool, mascaras, tudo… como estamos fazendo por um edital do governo, temos com que arcar, então, precisamos apenas ver se vamos conseguir manter as datas por causa da pandemia ou não. Os cuidados não são suficientes, estamos tomando alguns cuidados aprovados pela lei, mas não é suficiente, mas uma coisa que tem me dado paz nesse momento é que tem muita gente que está precisando desse trabalho. Colocamos uma premiação alta, as atividades são gratuitas e as inscrições são R$5,00. Nossos planos para o futuro é fazer um planejamento que o Tropical Battle aconteça todos os anos. O Breaking é algo bastante resistente, ele vai continuar! Estamos acostumados a treinar sozinhos! Acredito que os eventos on-line vão morrer e só ficarão no on-line os grandes eventos que também vão fazer. O Breaking é vida!”.
Saindo da Cidade Maravilhosa e chegando em São Paulo, no coração cultural do Brasil, falamos com um dos pioneiros de eventos de Breaking no Brasil. Rooneyoyo, que é o criador da Batalha Final, evento que nasceu das festas da B-Boys Battle Party, que eram mensais quando Rooney ainda tinha loja na Galeria do Rock/Hip-Hop, no centro da cidade. A primeira Batalha Final foi em 1999, com 26 grupos, com shows e batalhas de grupo, era um evento itinerante e anual. Como B-Boy e Rapper, ele queria ver as coisas acontecendo e ninguém fazia nada, então chamou o DJ Ninja e falou que queria fazer festas mensais para tocar os discos e reunir os amigos, foi aí que tudo começou e virou o que é hoje. Ele fala: “Nossa última edição foi em 2019, foi espetacular, no aniversário de 20 anos, com 7 eventos, 1 a cada 15 dias, fizemos dentro das favelas e dentro do Shopping, utilizando as modalidades que viriam a se tornar olímpicas, com as regras e piso, som, tempo, tudo como se fosse lá, me diverti e fizemos um trabalho lindo, com uma equipe maravilhosa. Na verdade, eu já tinha programado eventos até 2028, como fazemos isso todos os anos, temos um modus operandi bem organizado, buscar recurso, reestruturamos o que temos e colocamos o evento na rua. É logico que sempre mudamos algo, para nos atualizar, mas nossa metodologia vem funcionando tem alguns anos, pois nossa equipe, repito, é ótima! Com a chegada da pandemia, cancelar foi um terror, muitos contratos cancelados, foi frustrante, mas temos que entender que a saúde de todos ainda é mais importante, eventos fazemos aos montes. Era hora de salvar vidas e proteger, foi o que pensamos. Estávamos com o conceito de 2020 pronto, artes prontas, apoios e patrocínios, tudo arranjado. Já estava comprometido financeiramente para a edição de 2020, investimos antecipadamente para adiantar nosso cronograma e deixar tudo no jeito para dedicarmos e focarmos em atender os competidores. Para que todos entendam, nos 20 anos da BF, durante o evento, eu tive um sonho e começamos a desenvolver as artes para a edição de 2020. Financeiramente tivemos prejuízos, ficamos praticamente 5 meses sem trabalho, depois, entrou umas coisas on-line e parou. Então, nos reunimos virtualmente e pensamos que não adiantava correr riscos, hoje, como presidente da Confederação Brasileira de Breaking [CBRB] não poderia colocar os breakers e produção em risco. Atualmente, paramos tudo, estamos trabalhando virtualmente e produzindo conteúdo para, quando estivermos livres para executar eventos, estarmos muito mais prontos que antes. Estamos em luto diário, com familiares e amigos falecendo, um após o outro, então decidimos não fazer nada muito barulhento, estamos lidando com a perda e pensando no futuro. Não estamos felizes, mas temos que seguir em frente e honrar os que ficaram no caminho. Para fazer eventos como tenho visto alguns por aí não me agrada e penso que a falta de estrutura e conceito desmotiva os que levam isso com amor e carinho, muito à sério, então, estamos aguardando o tempo certo para podermos fazer algo para deixar a marca. Conseguimos fazer isso com o DMC Brasil 2020, que foi um sucesso on-line. Com a Batalha Final, não tivemos apoio, então, estamos aguardando o que virá com esta vacina. O momento é incerto, governo irresponsável e alguns indo na onda… e o resultado está visível, triste e calamitoso. Com falta de leitos em hospitais, falta de oxigênio e cemitérios lotados. Sobre a volta de alguns eventos nesse momento, sou suspeito para falar, pois também sou produtor de eventos, não é porque optamos por não fazer que quem faz on-line está errado, só não gosto de alguns conceitos, mas presencial, não concordo e acho uma irresponsabilidade de quem faz e de quem participa. Não é momento para isso! Tenho visto muitos eventos on-line e presenciais com nenhuma segurança de fato, então, a resposta é não, continuo achando uma irresponsabilidade social. O Hip-Hop salva vidas e não leva elas para a tumba!”.
Outro grande evento organizado pelos produtores culturais B-Boy Dunda e B-Girl Lana, o Breaking Combate, em São Paulo, concorda com Rooneyoyo e faz coro, são deles as palavras: “Ainda não é o momento de realizar eventos presenciais. As medidas de distanciamento social devem ser respeitadas até que as atividades presenciais voltem a ser liberadas. Cabe a nós, cidadãos, respeitarmos as normas sanitárias e buscarmos formas alternativas de entrega cultural para a população. O uso de máscara, álcool em gel e lavagem das mãos não são suficientes para proteger as pessoas em meio a grandes aglomerações e, por isso, os eventos presenciais devem ser evitados. O Breaking Combate é uma celebração da cultura Hip-Hop, com foco principal na dança Breaking. Proporciona intercâmbio cultural entre os adeptos da cultura Hip-Hop a sua primeira edição foi em 2009. Nas duas primeiras edições, o evento chamava-se “Carapicuíba Battle”, porém, devido à grande dificuldade de realizar qualquer ação voltada para a cultura Hip-Hop na cidade de Carapicuíba, modificamos o nome do evento para “Breaking Combate” para assim podermos realizá-lo em outros locais”. Eles lembram: “Todas as edições foram especiais, porém, um destaque maior para a edição de 2013, que foi a primeira que trouxemos jurados internacionais, workshops, viagem totalmente paga como premiação dos vencedores e a oportunidade de poderem representar o Brasil em eventos internacionais. Foi realmente incrível receber em nosso evento B-Boys e B-Girls de todo o Brasil e também de alguns países estrangeiros e ter cobertura da mídia televisiva. A última edição aconteceu em 2017. Na ocasião, já prevíamos não realizar as edições de 2018 e 2019 por estarmos focados em outros projetos. O planejamento era retornar com o Breaking Combate 2020, mas, como todos sabemos, a pandemia chegou e todos os planos foram cancelados. Quando a pandemia teve início estávamos na fase de planejamento do evento e, por sorte, não tivemos prejuízos financeiros. O projeto da 6ª edição do Breaking Combate já estava aprovado e sendo planejado, com previsão para acontecer em agosto de 2020, quando estourou a pandemia e tudo foi cancelado. Foi assustador, mas entendemos que, com uma pandemia acontecendo, qualquer evento cultural ou esportivo deixa de ser prioridade. O lado bom das situações adversas é justamente sermos forçados a pensar fora da caixa e nos adaptar à nova realidade. Na produção de eventos não é diferente. A impossibilidade de realizar eventos presenciais e necessidade de evitar aglomerações, abriu um leque de novas oportunidades e formatos a serem explorados. Sobre o futuro, desejamos realizar a 6ª edição do Breaking Combate em 2021, após a liberação dos eventos presenciais ou semipresenciais pelas autoridades sanitárias. Optamos por aguardar e, no momento certo, realizaremos o evento da melhor forma possível, sem expor os artistas e público a riscos”, finalizam.
Ainda em São Paulo, fomos conversar com Thiago Vieira, que é B-Boy há 14 anos e arte-educador formado em Educação Física. Integrante da Crew Guetto Freak desde 2012, Thiago faz produção cultural desde o mesmo período, porém, mais sazonal. No conhecido evento Breaking Ibira, ele foi integrar a produção a partir de 2018, o evento já tem 6 anos, idealizado pelo B-Boy Mion. Foi ele quem fez as primeiras batalhas, cyphers e marcava treinos também. Na primeira batalha que Thiago foi, recebeu o convite para ser jurado, em 2014 mesmo. “E era ali no entorno do MAM (Museu de Arte Moderna), aí em determinado momento houve o contato das educadoras do museu e a partir daí começaram a abrir o espaço e oferecer estrutura de som, etc. Naquele momento, no parque, rolava muito os famosos rolezinhos…”, Thiago conta, “Sempre que realizávamos uma edição, logo em seguida fazíamos uma reunião para fazer uma avaliação e pensar numa próxima, mas no geral todas as edições foram pensadas no início do ano e, dependendo da situação, poderiam mudar de posição no cronograma ou não, na última edição de 2019, que foi a batalha de crews, nós encerramos e fomos para um rodízio de comida japonesa (risos), fomos comemorar e os planos para o ano de 2020 ficaram para janeiro. Num ano normal, a primeira edição é em março. Quando foi anunciada a pandemia, nós estávamos com quase tudo pronto pra primeira edição do ano, poucos dias depois cancelamos e ai não teve o que fazer naquele momento, só parar e avisar o público. O Breaking Ibira tem parceria com o MAM, as atividades deles pararam e consequentemente as nossas também, houve um prejuízo financeiro, principalmente para a equipe que trabalha, que sempre fecha muito com a gente e do dia pra noite perderam parte dos rendimentos, depois de um tempo, como não parecia que a coisa ia se normalizar tão cedo, passamos a nos reunir para encontrarmos uma solução, mas não foi possível fazer muita coisa, algo que tenho dito com relação a pandemia é que os trabalhadores da cultura foram os primeiros a pararem e provavelmente serão os últimos a voltarem, a sociedade não vê cultura como essencial, mesmo que assista séries e filmes todo dia, trabalhe ouvindo música e dance quando está feliz. Discutimos bastante sobre novas possibilidades, primeiro, fizemos um workshop on-line e depois fizemos a batalha, o objetivo inicial era gravarmos e depois lançar on-line, mas no fim, a melhor ideia foi o Mini Doc Breaking Ibira 6 Anos e ficamos muito satisfeitos com o resultado! Eu fui bastante afetado pela pandemia, 80% de todos os meus rendimentos foram afetados, bem complicado, mas não senti que devia entrar em pânico, aproveitei para estudar e fiz muito isso e graças ao “tempo” que tive, concluí outra graduação e já tenho outros projetos em mente, nesse sentido a pandemia ajudou a clarear os pontos onde tem que focar para manter estabilidade, não que ela seja real, não se pode ser estável sempre, mas é possível se planejar. A edição de novembro inicialmente seria on-line, mas seria gravada e os B-Boys batalhando no presencial, nas batalhas onde cada dançarino ou dançarina responde de casa, a gente observou bastante o que estava rolando e não sentimos que estava desenvolvendo bem, pois tem várias limitações, uma delas é a qualidade da conexão, a outra é que uma batalha de Breaking on-line perde um fator que é importantíssimo, que é a energia trocada, para mim é como uma luta de MMA on-line, numa batalha de Breaking você que está lá sente, o público sente, a intenção, a energia do B-Boy ou da B-Girl, se está com vontade de botar fogo, se está com medo, indiferente, arrogante… e o B-Boy ou a B-Girl que responde é diretamente afetado por essa energia e ele pode responder! É isso que deixa a batalha interessante. Então, nós fizemos uma edição em novembro, presencial, num momento em que os números da pandemia tinham caído muito, mas mesmo assim foi complicado, teve gente que tirou a máscara, se abraçou… no calor da batalha a galera esquece… eu particularmente não julgo, tem gente que anda de ônibus ou trem lotado todo santo dia, como dizer para ela que a única medida de distanciamento social possível é justamente o lazer dela? Não posso falar nada dela, mas nós, Breaking Ibira, não faremos presencial ainda, não vamos incentivar ninguém a se arriscar… pela nossa experiência, vimos que era difícil a galera manter 100% dos cuidados, não dava para contar com isso, particularmente, até acho que as medidas juntas são relativamente efetivas, mas não acho que serão seguidas. É difícil estabelecer parâmetros dentro de uma situação tão incerta, no geral o plano principal é voltar… mas quando tiver menos risco, sendo início de ano, pensar em como queremos continuar é fundamental, temos muito mais limitações agora e sabemos o que não queremos, temos uma ideia do que queremos. Batalhas? Sem público, on-line, sim, mas quem está batalhando tem que estar frente a frente apenas com uma imagem de qualidade, sem aqueles cortes de conexão que acabam com a experiência. No momento, estamos mais propensos a dar continuidade ao Mini Doc Breaking Ibira. Acredito que a vida será mais on-line, estudar será mais on-line, trabalhar será mais on-line; alguns eventos que tiverem sucesso nas lives vão permanecer no formato, mas vai sobreviver e permanecer aqueles que tiverem uma estrutura excelente, internet de altíssima velocidade, equipe rápida e eficiente; e as situações mistas, eventos transmitidos mas que também têm público presente e a questão da inserção do termo esporte ou “esportivização” [sic] vai estar cada vez mais em discussão, talvez isso afete os eventos, mas ainda não dá para falar. Sair ou não pra treinar, eu não estou indo treinar, mas sei que treinar pode ser parte da sobrevivência, da paz interior, portanto, não o julgo se estiver no corre, mas lembre-se de manter o distanciamento, se possível treine só com sua Crew ou, melhor ainda, só com um amigo ou amiga. Que Deus nos proteja e que venham dias melhores pra todos nós!”.
Eventos presenciais, híbridos ou on-line? Qual a solução?
Então, o que podemos esperar do futuro? E o que temos de concreto?
Então, o futuro dos eventos será on-line?
Para alguns profissionais do ramo de eventos, talvez o futuro será compósito. Trabalhar de forma mais ampla a experiência dos eventos. O fato é que não existe uma receita de bolo.
Um dos novos produtos em tempos de pandemia é o evento híbrido. Combinando atividades presenciais, para um público reduzido e streaming, com possibilidade de transmissão ao vivo para milhares de pessoas, o formato configura uma tendência. “Diante dos desafios do setor, os eventos híbridos tornaram-se a melhor alternativa para o momento atual”, afirma Marceli Oliveira em uma entrevista recentemente publicada. Superintendente do complexo Expo D. Pedro, um dos maiores espaços multiuso para eventos do interior de São Paulo, ela garante que os eventos híbridos vêm transformando a interação do público. Não mais em grandes espaços, mas acomodado em estúdios e salas menores, com todo o protocolo de segurança contra o novo coronavírus, o participante tem a oportunidade de experienciar presencialmente o evento. A transmissão por streaming permite que se participe remotamente.
Outra vantagem do novo formato é sua capacidade para atender de pequenos a grandes eventos. A infraestrutura dedicada a este formato permite se adequar ao número de participantes e às necessidades de cada evento. “O evento híbrido foi uma forma que o setor encontrou de se reinventar para apresentar novas soluções para as necessidades do cliente”.
Na agenda 2020 do Complexo, 30% dos eventos presenciais migraram para híbridos, destaca Marceli Oliveira. “Este fato nos surpreendeu de forma muito positiva”, afirma. Os presenciais, de acordo com a superintendente, mantêm-se de forma linear e crescente para os próximos anos. “Mas os eventos híbridos conquistaram seu lugar como produto em nosso portfólio, investimos em soluções e infraestrutura. Internet de qualidade é prioridade, completa. Se adaptar é a palavra dos próximos dias meses ou até anos!”.
Um alento neste momento de crise a Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc (Lei nº 14.017, de 29 de junho de 2020) que repassou mais de R$ 3 bilhões de recursos federais para ações emergenciais do setor cultural em estados e municípios. Segundo a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, “foram repassados no estado um total de R$ 264,5 milhões para 4.095 projetos culturais aprovados e contratados nas 25 linhas do ProAC Editais LAB. Com isso, em 2020, foram concluídas as etapas necessárias para assegurar a destinação por meio da Lei Aldir Blanc, de R$ 272.165.500,00 ao setor cultural e criativo de São Paulo. Ao todo, o Governo do Estado recebeu R$ 281.838.497,67 do Governo Federal, sendo R$ 264.155.074,63 relativos à cota original do Estado e R$ 17.683.423,04 relativos à reversão de valores não utilizados por municípios. O índice de execução, portanto, foi de 100% do valor recebido inicialmente e de 96,9% do total recebido”.
Após a polêmica gerada com o setor cultural depois do anúncio da suspensão do ProAC Expresso ICMS e a criação de uma nova linha de editais denominada ProAC Expresso ICMS, a assessoria de imprensa da secretaria informou que “sobre o incentivo fiscal por fomento direto, o Governo do Estado de São Paulo vai substituir o ProAC Expresso ICMS (programa de incentivo fiscal à cultura) por um programa de fomento direto a projetos culturais com recursos orçamentários, o ProAC Expresso Direto, mantendo o mesmo valor (R$ 100 milhões) e adotando normas e procedimentos semelhantes. Não haverá perda para o setor cultural e criativo. A medida valerá para 2021, 2022 e 2023 e foi tomada para enfrentar o déficit fiscal gerado pela crise da pandemia do coronavírus. O decreto orçamentário com este valor será publicado em breve. Posteriormente sairá o regulamento do novo ProAC Expresso Direto, a ser elaborado pela Comissão de Análise de Projetos (CAP) da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, que será a instância de análise e seleção de projetos. Será feita uma consulta pública para que a sociedade civil possa enviar contribuições. Os proponentes que tiverem projetos selecionados receberão os recursos diretamente. Com isso, o Governo do Estado de São Paulo reafirma seu compromisso com a valorização da cultura e o estímulo ao desenvolvimento do setor cultural e criativo. O ProAC Expresso Editais e o Programa Juntos Pela Cultura serão mantidos e também terão em 2021 recursos em patamar semelhante ao de 2020”.
O Portal Breaking World indagou sobre as perspectivas da pasta para o setor cultural em 2021, principalmente no que diz respeito ao cenário pós-imunização. São do Secretário de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, Sérgio Sá Leitão, as palavras: “Para 2021, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa trabalhará para a manutenção, o aperfeiçoamento e a ampliação do trabalho realizado pelas instituições culturais do ecossistema de cultura do Governo do Estado de São Paulo, que conta com cerca de sessenta instituições, espaços culturais e corpos artísticos como os Museus, Fábricas de Cultura, Oficinas Culturais, OSESP, Cia de Dança SP, Sala São Paulo, Teatro Sérgio Cardoso, entre outras. Além disso, teremos o ProAC Expresso Direto, o ProAC Expresso Editais e o Juntos pela Cultura, programas de fomento, que em 2019 tiveram um valor recorde, batido em 2020 e que esperamos bater em 2021, até porque é um investimento público que se tornou ainda mais fundamental diante do quadro da crise. E temos algumas novidades previstas como a criação de três novas Fábricas de Cultura, em Ribeirão Preto, em Heliópolis, na capital e em Iguape, na região do Vale do Ribeira, parte do programa Vale do Futuro; a reabertura do Museu da Língua Portuguesa e seguimos a todo vapor com o restauro e a ampliação do Museu do Ipiranga que será reaberto para a população em setembro de 2022. Sobre a retomada das atividades culturais, continuaremos seguindo todas as exigências, orientações e protocolos preconizados pela Organização Mundial da Saúde e pelo Centro de Contingência da Covid-19 do Governo do Estado de São Paulo. Este ano, tudo que faremos será on-line e, na medida das possibilidades, presencial. Afinal de contas, a pandemia continua aí e precisamos continuar tomando todos os cuidados até que haja a vacinação em massa da população. Mas este ano, a previsão é que todas as nossas atividades, os nossos programas e ações passem a ser híbridos: presenciais e on-line.”, conclui.
Para Zé Renato, produtor cultural que participa dos Fóruns Emergenciais Municipal e Estadual de São Paulo e integrou o grupo de trabalho da sociedade civil para implementação da Lei Aldir Blanc junto à secretaria de cultural da capital paulista, a Lei Aldir Blanc foi importante para que as pessoas tenham algum recurso, mesmo que parco, para sobreviver nestes tempos de pandemia. Ele explana: “Ao mesmo tempo que chegou em pessoas que nunca tiveram oportunidade ou acesso, ainda teve processos de inscrições complexos, mecanismos de comunicação com a sociedade falhos ou inexistentes, e não fosse a organização da sociedade civil no sentido de realizar uma busca ativa e tutoriais de saneamento de dúvidas, o impacto seria ainda menor do que foi. Seria melhor se os governos tivessem ouvido a sociedade civil na criação de inscrições simplificadas, sem burocracia, com ampla divulgação e pontos de apoio para inscrição e atendimento de um número muito maior de contemplados, com valores menores, melhor distribuídos. Tudo isto era possível, mostramos caminhos, e o poder público se negou a ouvir, na maior parte de seus aspectos. Ao mesmo tempo que, cotidianamente, recebemos mensagens de agradecimentos de coletividades que só conseguiram por causa das ações coletivas que a sociedade civil realizou e que terão acesso, neste momento, aos recursos, muitos deles pela primeira vez na vida”, para o produtor, os critérios utilizados para seleção dos projetos foram “frágeis, quando se pensa num auxilio emergencial. Na implementação da lei, na maior parte dos lugares, levou-se para a Lei Emergencial de Auxílio imediato a mesma lógica meritocrática dos editais concorrenciais usados habitualmente pelo poder público. Poderia ser mais simples e ousado, como por exemplo, a partir de um cadastro comprovando atuação na área a pessoa receber um recurso emergencial e ponto. Qualquer coisa além disso, no momento pandêmico, mostra-se concorrencial”, conclui.
Sobre a retomada pós-pandemia, Zé Renato declara: “Acho muito difícil voltarmos a uma possibilidade de atuação regular no ano de 2021, face o recrudescimento da pandemia e a péssima gestão da crise realizada pelo governo brasileiro. Para a sobrevivência do setor cultural ainda dependeremos do uso da verba da lei emergencial, que na maior parte dos lugares foram pagas apenas no final do ano ou estão sendo pagas no começo deste, e da ampliação desse tipo de ação, seja por nova aplicação de recursos do Fundo Nacional de Cultura, na atuação de Estados e Municípios em legislações próprias de auxilio emergencial e outras ações do gênero, pois neste ano não teremos uma atuação regular dos nossos pares”. Sobre os eventos on-line, o produtor opina: “Eu acho que chegaram para ficar, terão seu espaço, mesmo que não prioritário, como aconteceu em 2020. Ainda que tenha sido do ponto de vista estético bastante questionável os resultados, em minha opinião, pois na maioria das vezes apresentou-se coisas adaptadas e não criadas para o modelo on-line, ao longo do ano acabaram aparecendo algumas iniciativas que apontaram para uma “criação para este modo de troca”, com resultados interessantes. Por isso, acho que ainda teremos um caminho a percorrer até entender que tipo de ações podem ser para este modo on-line e o que tem potência para este canal. Acho que será assunto para anos ainda.”, finaliza.
Para os infectologistas e médicos que estão na linha de frente de combate a Covid-19, só existe uma forma de deter esse vírus, que é respeitando o isolamento social. Explicam: “Eventos têm alto potencial de transmissão da Covid-19. Entram na categoria conhecida como “super spreader”, ou supertransmissores. Ao longo da pandemia, cientistas se debruçaram sobre o fenômeno dos indivíduos ou eventos que têm um papel decisivo em espalhar a doença”. Dr. Joaquim Keller, que no passado era B-Boy, explana: “Cada vez que um evento acontece, mesmo com todos os cuidados recomendados, temos uma explosão de novos casos. Precisamos parar agora para prosseguir lá na frente. Acho que alguns organizadores de eventos deveriam pensar sobre suas responsabilidades nisso tudo, pensar em algumas coisas, como melhor que dar uma oportunidade para o próximo pagar as contas é garantir que ele esteja vivo no futuro. Estamos lidando com novas variantes que não conhecemos, mas que sabemos que são mais graves, rápidas e letais entre jovens, não temos mais espaços nos hospitais e nas UTIs, sejam públicos ou privados. Sem falar nos jovens assintomáticos que estão espalhando as variantes! Quando uma pessoa resolve fazer um evento, uma festa ou aglomerar, ela se torna responsável por cada vida ali presente. A pergunta é: queremos ser responsáveis pela morte dos nossos amigos e irmãos? Se o Hip-Hop é vida, porquê estamos caminhando para a morte? Que consciência estamos tendo em relação a esse assunto? As vacinas chegaram, mas ainda temos apenas 3% da população brasileira vacinada! A minha opinião é que reflitam, se cuidem e cuidem do próximo. E permaneçam vivos!”.
Observação: No dia do fechamento dessa matéria, recebemos a informação que os organizadores do Battle In The Cypher, que acontece de 29 de março a 4 de abril, optaram por realizar o evento no formato virtual. A decisão foi de fazer um encontro mais seguro, diante do contexto atual da pandemia pelo coronavírus no Rio Grande do Sul e no Brasil. No Rio de Janeiro, o evento Tropical Battle, que está acontecendo nesse momento, devido ao Decreto 48.573 cancelou os workshops presenciais, a tradicional Cypher no Arpoador e a batalha de iniciantes acontece no domingo, junto com a principal. Apenas competidores poderão estar presentes no local, acompanhantes não poderão entrar e nem público expectador.
Fotos: Arquivo Pessoal / Reprodução
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