Hoje vamos falar sobre a importância de ser dinâmico e porquê essa palavra é muito significativa dentro do Breaking.
Primeiro de tudo, o que significa dinâmica?
Se formos pesquisar a fundo vamos encontrar uma variedade de significados relacionados sobre o tema, então, vamos resumir e associar com o Breaking.
Dinâmica é caracterizada por contínuas mudanças, atividades e progresso. Geralmente, quando começamos a praticar Breaking nos identificamos com o que é mais atrativo, por exemplo, muitos B-Boys/B-Girls gostam mais de Top Rock/Footwork, outros já se identificam mais com Power Moves/Tricks e também têm outros que se identificam com as duas coisas ao mesmo tempo e etc…
Com o passar dos anos, ser bom nisso ou naquilo não é suficiente para alcançar um nível internacional, tem que ir muito mais a fundo em todos os aspectos. Estive viajando pelo mundo por alguns anos e comecei a tomar conhecimento sobre muitas concepções que eu nunca ouvi falar quando estava no Brasil e isso me fez perceber o porquê sempre foi difícil para a maioria de nós, brasileiros, ganhar as competições mundiais mais importantes.
A resposta está relacionada ao que acreditamos, somos um povo muito intuitivo e dançar pra gente está relacionado mais com a alma do que qualquer outra coisa, gostamos de expressar de dentro pra fora e fazemos isso naturalmente, porém, muitos de nós não abordamos o Breaking de uma forma mais científica.
Apenas dançar com essa energia de latino que temos não é o suficiente.
Por isso, esse tema sobre dinâmica é muito importante para que a gente melhore em outros pontos que precisamos, para finalmente chegarmos e mostrarmos a nossa essência por completo e, assim, não ficarmos sempre um passo atrás nos eventos internacionais.
Os estrangeiros estão sempre um passo à frente porque eles abordam todos os temas, como musicalidade, técnicas, criatividade, estratégias, competitividade, surpresas, personalidade e muitas outras janelas, está tudo relacionado à dinâmica. Eles estão sempre mudando, se adaptando a novas formas e concepções, sempre em progresso. Nós, brasileiros, precisamos aprender a analisar o Breaking de uma forma mais crítica. Futuramente, vou estar escrevendo sobre cada um dos artigos citados abaixo:
Você sabe o que significa:
Dinâmica de espaço e direções?
Dinâmica de níveis?
Dinâmica de ritmos?
Dinâmica de treinos?
Dinâmica de desconforto e criatividade?
Dinâmica de ambiente?
Dinâmica musical?
Dinâmica de aprendizagem?
Dinâmica de tamanho?
Todos esses temas têm se tornado parte da minha nova pesquisa, tenho aprendido com vários renomados nomes na cena mundial. Gostaria de compartilhar com todos para que vocês, da nova geração, possam evoluir muito mais.
Até o próximo artigo!
Foto: Reprodução
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Iniciar o ano de 2021 conversando com o futuro do Breaking brasileiro não tem preço!
Ele, com apenas 15 anos, já esteve em Portugal, na França e no Chile. Foi Tri-Campeão Brazil Batlle Pro e também premiado no Dance Summer Camp, em Portugal.
“O Breaking é vida!”, garante B-Boy Marcin, da Dream Kids Brazil. E tem sido por meio desse elemento da Cultura Hip-Hop que o menino, que perdeu recentemente a mãe vítima da Covid-19, tira forças para seguir em frente, para treinar e lutar por seus sonhos e objetivos.
Veja a entrevista:
BW: Queria que você falasse seu nome completo e idade. Nos conte um pouco da sua infância e da sua vida em família. Que lembranças tem dessa época? Como era o Marcin criança?
Marcin: Meu nome é Marcio Vinícius Nunes de Souza, tenho 15 anos. Bom, eu sempre fui uma criança muito agitada, não parava quieto com nada, toda hora estava correndo, pulando ou fazendo alguma bagunça.
De menino agitado a B-Boy focado: “Breaking é vida!” para a nova geração brasileira
BW: Quando teve o primeiro contato com a Cultura Hip- Hop? Quando viu pela primeira vez o Breaking e pensou que aquilo era para você?
Marcin: Desde pequeno sempre gostei de dançar e me inspirava no Michael Jackson, mas o primeiro contato mesmo foi quando eu vi o filme “Se ela dança, eu danço”, todas as sagas, sendo 1, 2, 3 dos filmes e, daí, eu me apaixonei, sempre ficava tentando imitar as coreografias deles, mas nunca conseguia. Então, um dia, minha irmã que fazia Breaking na época me viu dançando (ou pelo menos tentando dançar – risos) e falou para minha mãe que precisava me colocar numa aula de dança e que ela sabia onde tinha essa dança, no caso o Breaking. Foi quando conheci o professor Thiago, pai de Sonek e daí foi, desde os 6 anos de idade até hoje nunca mais parei.
BW: Quem te ensinou os primeiros movimentos? Nos fale um pouco de suas referências no Breaking?
Marcin: O professor Thiago me ensinou os primeiros movimentos, os mais básicos como: Top Rock, Footwork, Freeze e Power Moves.
BW: Quando começou a competir? Em que ano?
Marcin: Minha primeira competição foi em 2014, tinha 9 anos de idade e fui campeão em meu primeiro campeonato.
B-Boy Marcin e B-Boy Sonek: dupla de campeões do Breaking Kids brasileiro
BW: Quais foram os principais eventos que participou e ganhou?
Marcin: Esse ponto foi automático. Foram Rival vs Rival, na Seven To Smoke, Brazil Battle Pro, onde fui campeão 3 vezes seguidas e Vibe das Ruas. Fiquei em segundo no mundial.
BW: Você já foi para fora do Brasil, correto? Para onde foi? Onde competiu? Nos conte sua experiência fora do Brasil…
Marcin: Sim. Fui para Portugal, França e Chile. Em Portugal, competi no evento “Dance Summer Camp”, que sinceramente foi uma das melhores experiências da minha vida e o melhor evento que já fui até então, competi na França, Lille Battle Pro 2018, que também foi um baita evento e no Chile, no Sur Breakers. Bom, pra mim aconteceu tudo muito rápido, não me falaram que eu iria viajar pro exterior e que eu iria competir, fui ganhando campeonato, no caso o Battle Pro, daí surgiu um convite do produtor do Sur Breakers no Chile e graças a Deus ocorreu tudo bem nessas viagens e espero voltar lá algum dia e agradeço o meu treinador Dunda, que sempre me ajuda e que me levou pra essas viagens.
BW: No seu aprendizado existiram movimentos que foram mais difíceis de aprender? Ou todos foram fáceis?
Marcin:Sempre aprendi as coisas muito rápido, sinceramente sou muito ágil e tal, mas não vou falar que todos os movimentos que eu aprendi foram fáceis, óbvio tem movimentos que eu tenho mais facilidade e outros não. Então, tudo depende da agilidade e garra da pessoa pra aprender os movimentos.
B-Boy Marcin e o treinador da Dream Kids Brazil, Eder Devesa (Dunda) em Portugal
BW: Nos conte quando começou a treinar com o B-Boy Dunda e como é até hoje essa relação?
Marcin: Conheci o Eder no final de 2012, quando tinha 7 anos de idade, após um ano de eu ter começado a dançar. E dessa época em diante, viramos tio e sobrinho, amo esse cara!
BW: Como foi a sensação de ganhar fora do Brasil? Que idade você tinha? Que sentimento você tem quando vai competir?
Marcin: Como foi minha primeira viagem eu sinceramente não esperava que iria chegar tão longe, foi incrível demais ganhar este evento!
BW: O que você acha dos eventos de Breaking que acontecem no Brasil comparados aos que acontecem lá fora?
Marcin: Sinceramente, eu acho os eventos muito ralos, porque primeiro no Brasil é muito difícil tu ganhar um apoio pra fazer um evento de Breaking, já lá fora, eles têm tudo, no caso eles vivem do Breaking.
Treinar e treinar e treinar, na certeza de ser um eterno aprendiz…
BW: O que acha do Breaking ter virado uma modalidade olímpica? Você gostaria de ir para as Olimpíadas?
Marcin: Acho que o Breaking vai ficar mais conhecido, é óbvio que eu quero ir para as Olimpíadas e acho que qualquer B-Boy atleta almeja isso. Vou fazer de tudo para ir, creio que cada treino ou cada gota de suor minha não será em vão.
BW: Como são seus treinos atualmente? Quantas vezes por semana treina? E quantas horas?
Marcin: Treino todos os dias da semana, das 14h às 16:30 e corro terça e quinta, descansando sexta-feira e treinando sábados e domingos também.
BW: Como é ser B-Boy no Catalão? Tem outros B-Boys? Onde você treina? Recebe algum apoio?
Marcin:Ser B-Boy em Catalão é dificil, porque ninguém sabe quem é você. Tem, sim! No caso, B-Boy Sonek e alguns iniciantes, treino em casa e aos sábados e domingos em um lago que tem aqui perto de casa e nunca recebi nenhum apoio da cidade.
Os irmãos-amigos: uma longa amizade e parceria na vida e no Breaking
BW: Você e o B-Boy Sonek são da mesma Crew? Vocês parecem ser muito amigos, nos fale sobre essa amizade…
Marcin: Sim, somos da Dream Kids Brazil, junto com o Eagle e a Angel de São Paulo e o Samukinha de Goiânia. Bom, digamos que eu e Sonek somos irmãos, crescemos juntos, batalhamos juntos e sempre foi assim, sempre estivemos juntos!
BW:Esse ano foi um ano bem difícil… Você perdeu sua mãe com Covid-19. Como ficou sua vida depois disso tudo e o que te deu força para continuar? Que papel sua mãe tinha na sua vida?
Marcin: Simplesmente o Breaking me deu força, é onde eu me mantenho calmo e onde eu consigo me manter no foco e no controle de tudo. Minha mãe, sinceramente, era a única que me apoiava em tudo…
BW:Se pudesse falar algo sobre ela ou para ela o que falaria?
Marcin: Falaria que sinto saudade e sinto muita falta dela.
BW: Quais são seus planos para o futuro?
Marcin: Meus planos para o futuro são trabalhar bem a minha imagem e ano que vem ir em todos os eventos possíveis. Mas o objetivo é tentar ficar fora do Brasil para sempre.
BW: Que mensagem deixaria para os leitores do Portal Breaking World?
Marcin: Não importa a dificuldade ou problema, se tem um sonho nunca desista dele, continue firme, por mais que pareça que o mundo vai desabar… Um dia terá resultados e saiba que nunca será fácil, mas não desista!
Continuar firme, nunca desistir e ter a certeza que o futuro do Breaking no Brasil será brilhante
Fotos: Arquivo Pessoal
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Optar por sair de suas cidades no Brasil, de se afastar do aconchego da família e dos amigos para viver da profissão em outros país ou, até mesmo, para participarem de competições ou darem aula, é uma decisão difícil de se tomar, mas que tem se tornado cada vez mais comum nos últimos anos.
Um movimento lento mas constante, tem levado muitos dançarinos brasileiros de Breaking a deixar o país para investir na carreira profissional de B-Boys e B-Girls em diferentes países da Europa.
Fugindo do preconceito e da falta de perspectivas, eles cruzam o Oceano Atlântico em busca de novas oportunidades. Apesar de não existirem estatísticas oficiais que contabilizem o número destes brasileiros que vivem da dança no exterior, basta uma conversa com pessoas do meio para perceber que são muitos os que tomam essa decisão,
Essa semana conversamos com a B-Girl Paola, que junto com seu esposo B-Boy Kid Guma e o filho ainda pequeno, prepararam as malas e desembarcaram em Paris, na França.
Ela conta: “Dar um futuro melhor pro meu filho, uma qualidade de vida melhor me fez sair do Brasil”. A B-Girl confessa que sente falta de tudo e todos, menos das compras no Brasil, ela lembra que “na França com 50 euros é possível comprar bastante coisa e ainda voltar com dinheiro na bolsa”.
Confira a entrevista na íntegra que a B-Girl Paola deu ao Portal Breaking World:
BW – Queria que você falasse um pouco da sua história, onde nasceu e como foi a sua infância?
B-Girl Paola – Oi galera, meu nome é Paola, mais conhecida como B-Girl Paola, atualmente eu tenho 25 anos de idade, nasci em São Paulo, a minha infância foi com muita dificuldade, minha mãe muito trabalhadora, a minha irmã ajudou a criar a gente, nós éramos em 5 irmãos, mas éramos muito felizes, minhas brincadeiras eram jogar futebol, vôlei, empinar pipa, guerra de mamonas, carrinho de rolimã, virar estrelinhas, sempre gostei muito de me movimentar.
B-Girl Paola saiu do Brasil em busca de novas oportunidades na França
BW – Quando teve o primeiro contato com o Breaking? Como sua família reagiu quando você demonstrou o interesse de ser uma B-Girl? Com quem aprendeu a dançar Breaking?
B-Girl Paola – Comecei a dançar Breaking por meio de um projeto da “Escola da Família”, há 9 anos atrás. Minha família sempre me apoiou na minha carreira da dança. Minha mãe e meus irmãos sempre tiveram orgulho de mim; minha mãe, minha rainha, sempre me motivava a evoluir, a melhorar minha dança, mas no caminho encontrei pessoas que testavam a minha fé, dizendo que dançar era coisa de gente que não tinha o que fazer, que a dança não tinha futuro, pessoas que me aconselharam a parar de treinar certos movimentos no Breaking porque era coisa de homem, então, eu segui em frente e provei o contrário.
BW – Conte um pouco da sua caminhada como B-Girl no tempo que morou no Brasil. Que eventos participou aqui e fora?
B-Girl Paola – Por meio do Breaking eu tive oportunidades de trabalhar com pessoas reconhecidas na cena e fazer clips com Guizmo e Flash Zoom, na França e comerciais … Alguns trabalhos com Rashid, Nelson Triunfo, Mr. Kokada, já participei de eventos mas por enquanto nenhum fora, aguardo ansiosamente pelo primeiro “Camp” aqui fora.
BW – O Breaking é praticado por muitos homens, alguma vez se sentiu discriminada por ser mulher? Ou desrespeitada?
B-Girl Paola – Já me senti desvalorizada, porque a cena muitas vezes é machista e não percebe ou se percebe não quer mudar… Premiações menores, pressão por parte dos B-Boys para você entrar na cypher ou rachar contra outra B-Girl, ser comparada com homem (risos), desculpe, isso me faz rir.
BW – Acha que no Brasil os eventos valorizam as mulheres da cena? O que na sua opinião poderia ser diferente?
B-Girl Paola – Alguns eventos no Brasil foram feitos para B-Girls, mas poucos, né? Então, a maioria dos eventos não tem uma estrutura cabível ou não quer ter também o trabalho, eu acho, porque não reconhecem a força da B-Girl, o que desmotiva muitas meninas a continuarem… Uma estrutura justa em ambas as partes seria o certo!
BW – Você é casada com um B-Boy. Algumas B-Girls que são casadas com B-Boys relatam que sempre foram conhecidas como a mulher do B-Boy “Fulano” ou “Ciclano” e não por sua própria história ou por seu próprio nome na dança. Alguma vez você sentiu isso?
B-Girl Paola – Interessante essa pergunta, porque eu fui num campeonato uma vez e um B-Boy me apresentou para os amigos dele assim: “essa daqui é a esposa do Kid Guma”, eu mal esperei ele terminar de falar e já disse: “esposa do Kid Guma, não! B-Girl Paola! Não me apresente sobrepondo um homem para me fazer mais forte. Eu realmente não preciso, eu sou!”. Então, se você é B-Girl e um B-Boy ou qualquer outra pessoa te apresentar como “a esposa do Fulano”, você se impõe na hora e se apresenta como você se considera!
Esposa do Kid Guma, não! B-Girl Paola!
BW – Você já sofreu algum tipo de assédio dentro de eventos? O que você acha sobre esse assunto que muitas B-Girls relatam? Que conselhos daria?
B-Girl Paola – Todas as mulheres de alguma forma já sofreram assédio, o mal do homem é pensar que é superior. Essa é uma coisa que eu nunca vou entender, essa superioridade que os homens inverteram a respeito de si próprios.
BW – O que a fez sair do Brasil e se mudar para a França? O que foi para você ser B-Girl no Brasil?
B-Girl Paola – O que me fez mudar foi dar um futuro melhor pro meu filho, uma qualidade de vida melhor e também conhecer outras culturas, outras línguas. Ser B-Girl no Brasil é de certo modo normal, porque eu nasci aí enfrentando tudo para conseguir continuar, depois que eu vim para a França, eu percebi o quanto é difícil ser B-Girl no Brasil. Digo pela estrutura, pela qualidade de vida, acaba sendo muitas vezes cansativo porque além de ser B-Girl tem gente que é mãe, pai, que é obrigado a tomar rumos diferentes da dança.
BW – Como tem sido a vida de B-Girl em outra terra, ainda mais em tempo de Covid-19? E que desafios tem enfrentado?
B-Girl Paola – Quando eu cheguei na França, deu um mês e começou a Covid, então, todos os eventos foram cancelados. Viemos com Apolo, então, tivermos o triplo do cuidado. Como ficamos parados, deu uma desanimada, estava longe de amigos, em outro país e em quarentena. Ainda assim, no meio da Covid, consegui fazer um trabalho com um Rapper famoso aqui na França, o Guizmo. Agora que a pandemia passou por aqui e voltou tudo ao normal, estamos de volta com projetos, trabalhos e diversão.
BW – Você tem um filho pequeno, como consegue fazer todas as coisas? Ser B-Girl, ser esposa, ser mãe?
B-Girl Paola – Para ser B-Girl mesmo (digo treinar, sempre ir nos campeonatos, sair) a primeira palavra é força! Tem que ter força de vontade, não é fácil ser mãe, imagine treinar e ainda ser esposa, são duas pessoas diferentes que tenho que conviver e para cada uma delas…
Mãe e esposa, Paola concilia a vida pessoal com o amor pelo Breaking e dança profissionalmente
BW – Na França você tem amizades com outras B-Girls?
B-Girl Paola – Tenho amizade com algumas B-Girls da América Latina que moram aqui e tenho falado com algumas que me inspiram.
BW – Como você analisa o nível em termos de competição das B-Girls brasileiras e as restantes de outras partes do mundo? Estamos num bom nível ou falta alguma coisa para termos boas representantes?
B-Girl Paola – O nível de B-Girls no Brasil é ótimo, só precisa de mais oportunidades para B-Girls mostrarem seu profissionalismo.
BW – O que significa o Breaking na sua vida? Já deu tempo de sentir saudade do Brasil? O que sente mais saudade e o que não sente falta?
B-Girl Paola – Significa liberdade, amor e paz. Significa manter o equilíbrio comigo mesma, significa identidade! Sim, deu tempo de sentir muita saudade de casa (risos) mas tenho meus objetivos, tenho uma vida cujo futuro depende de mim que é meu filho. Sinto falta de tudo e todos “menos de fazer compras (risos), aqui com 50 euros você compra bastante e ainda sobra”.
BW – O que tem feito na França? Quais são seus planos para o futuro?
B-Girl Paola – Passei pelo período da quarentena aqui, agora que acabou a quarentena, já posso participar de campeonatos e dar aulas. No futuro, quero ajudar as B-Girls que têm o sonho de competir fora, dar a elas um acesso.
BW – Que conselho você daria para as B-Girls da nova geração?
B-Girl Paola – Se estiver cansada pare, se dê um tempo, mas não desista, continue em movimento, sempre em movimento.
Fotos: Arquivo Pessoal
Paula está ansiosa em participar de um "Camp" na Europa
B-Girl Paola
B-Girl Paola passou a quarentena em Paris e agora se adapta ao "novo normal" europeu
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Ele é de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, já participou e ganhou diversos eventos nacionais de Breaking e também representou o Brasil em muitos campeonatos internacionais.
É B-Boy, produtor cultural, youtuber, professor e faz parte da “Natural Effects”, que é uma crew da Dinamarca. Estamos falando de Matheus Barbosa Lopes, na cena conhecido como B-Boy Kid Guma.
Estava com saudade dele? Nós também! Atualmente morando em Paris, na França, junto com a família, Kid conversou com o Portal Breaking World e contou um pouco da sua história, das suas ideias, experiências e o motivo que o levou a sair do país.
Veja a entrevista:
BW – Queria que você falasse um pouco da sua infância… Onde nasceu e quando teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop?
Kid Guma – Nasci na cidade de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, cerca de cinco horas da capital. Meu primeiro contato com o Hip-Hop foi em 2003, com o B-Boy Ailton, legendário B-Boy da cidade. Ailton também era grafiteiro e por meio dele, da “Notoy Crew”, tive um contato real com a Cultura Hip-Hop.
Há mais de 15 anos dançando Breaking, B-Boy Kid Guma foi destaque em eventos nacionais e internacionais
BW – Com que idade começou a dançar e com quem aprendeu Breaking? E em que condições? Nessa época, você tinha algumas referências na dança?
Kid Guma – Ailton Silva era um dos B-Boys mais respeitados do interior paulista, além de ter uma alta qualidade de dança, ver ele dançando sempre me impressionava. Eu ia sempre no seu estúdio de tatuagem e ali aprendi os passos básicos da dança. Nesta época eu tinha 18 anos, minha referência era a turma de amigos.
BW – Dentro de casa você teve apoio da sua família?
Kid Guma – Não, nunca tive, a maioria das minhas escolhas não eram respeitadas.
BW – O que significa o Breaking na sua vida?
Kid Guma – Difícil dizer, são tantas coisas, o Breaking me tornou o que sou hoje, me deu condições de viver uma vida melhor, me deu liberdade e possibilidades, como temos um governo que não dá a mínima para pessoas de baixa renda, não investe no futuro das crianças, o Breaking me deu uma via alternativa a tudo isso.
BW – Em que ano começou a participar de Campeonatos de Breaking? Qual foi o primeiro que participou?
Kid Guma – Quando comecei em 2003/2004, tinham muitos B-Boys e B-Girls na minha cidade e eles sempre organizavam “cyphers” e campeonatos dentro das escolas, não era nada como nós vemos hoje em dia, era uma caixa de som, às vezes um microfone e pau na tábua e em um desses eu tive minha primeira experiência.
Kid Guma é B-Boy, produtor cultural, youtuber e professor.
BW – Fale um pouco da sua caminhada como B-Boy aqui no Brasil e do trabalho que realizava aqui?
Kid Guma – Como B-Boy eu participei de centenas de campeonatos pelo Brasil, tornando uma referência profissional da dança (B-Boying). Fui convidado a ensinar Breaking e julgar competições em todo o Brasil, ajudei a desenvolver eventos de Breaking em festivais famosos no Brasil, como “João Rock 2019”, “Forró da Lua Cheia” e dou suporte para pessoas que necessitam de ajuda profissional relacionados a Cultura Hip-Hop, desenvolvo um trabalho de educação com a dança, no qual compartilho informações de forma gratuita por meio da rede. Desenvolvi uma pesquisa sobre as principais lesões dentro do Breaking, que fornece dados importantes na prevenção, cabe ressaltar que fui o primeiro a realizar uma pesquisa assim no Brasil.
BW – Quais foram os principais eventos que participou e ganhou no Brasil e fora? Na sua visão, quais são os maiores desafios dos B-Boys e das B-Girls brasileiras?
Kid Guma – Me destaquei entre dançarinos dentro e fora do Brasil, sendo o primeiro brasileiro a ganhar a “Batalha do Month”, tradicional evento de Breaking em Copenhage (Dinamarca) e tomar o segundo lugar no evento do mundial “Floor Wars”, no mesmo país. Outras aparências minhas foram notáveis fora do país, como: “Hustlen Freeze”, na cidade de Shenzhen (China), “Break The Floor”, em Cannes (França), “Hotmilk”, em Angers (França), “Groove Move”, em Genebra (Suíça). Já no Brasil, me destaquei na “Batalha Final 2009”, “Circle Prinz 2006”, “Urbanos Beat e Boty 2008”.
BW – Falando sobre o grande desafio dos B-Boys e B-Girls, o Brasil é um país que não dá suporte e acesso para nossos artistas, temos que entender isso.
Kid Guma – Você abre a porta da sua casa, tem traficantes, lixo, esgoto a céu aberto, ônibus lotado, talvez a pessoa que está lendo acha isso tudo normal, mas não se dá conta de como o meio influencia. Após entender isso, você tem que abordar toda essa questão de uma perspectiva positiva de melhora, ou melhor, de superação, como posso superar tudo isso e continuar dançando? Ou melhor, vivendo? Você terá que lidar com as dificuldades políticas e de acesso à cultura, superar toda a pressão que o país carrega e focar na sua carreira como dançarino. É possível? Se você acreditar, é possível. Tentar encontrar um meio de sair dessa negatividade e focar em fazer coisas positivas, pensar diferente das pessoas que só reclamam e não fazem nada para melhorar. Conhecimento é a chave para sair de tudo isso.
BW – É possível viver da dança aqui no Brasil?
Kid Guma – Sim, é possível, porém muito difícil, a pessoa que quer viver da dança tem que pensar diferente, ser profissional, entender a parte burocrática, projetos e linguagens que as instituições que trabalham com a cultura usam, não é só ser um bom Breaker, você deve entender isso, eu sei que tem muito B-Boy e B-Girl melhor do que eu, mas que não cresce na dança com eu cresci, porque não entendeu isso ainda.
Kid Guma sente falta das batalhas nas “cyphers” no Brasil.
BW – O que acha dos eventos brasileiros de Breaking e de seus organizadores? Já se sentiu injustiçado alguma vez? O que poderia melhorar?
Kid Guma – Eu gostava muito dos eventos brasileiros na época de 2006 até 2013, eles eram mais reais, o foco não era sempre ganhar um campeonato, mas sim uma batalha na “cypher” que, às vezes, durava o evento todo. Isso sim que eu gosto, talvez ficar em primeiro lugar te dá um orgulho sim, mas isso não é tudo, não pode ser tudo na vida do Breaking, você tem que saber o valor da dança fora da competição. Creio que um grande passo para melhorar os eventos de Breaking são os workshops, uma grande forma de você sair ganhando do campeonato sem competir com ninguém e podendo usar esse conhecimento ao longo da sua carreira. Outra coisa é pensar no público que assiste, incluir o público na vibe do evento, como que a pessoa vai apreciar a dança se ela não consegue ver? Precisamos pensar nisso também. Sobre ser injustiçado, já me senti sim, porque existem alguns pessoas que não sabem dividir as coisas e muitos jurados despreparados, que votam somente em seus amigos, isso causa um enorme problema dentro dos campeonatos, pois as pessoas perdem o gosto de ir em eventos, mas independente disso sei meu valor como dançarino.
BW – No “YouTube” você tem um canal, fale sobre ele e tudo que apresenta lá.
Kid Guma – Sim, eu uso meu canal no YouTube para compartilhar informações com a galera do Hip-Hop, foi a maneira que eu encontrei para ajudar as pessoas se profissionalizarem e evoluir na dança. Lá eu ensino sobre currículo artístico, sobre conceito na dança, como ganhar dinheiro para viajar, alimentação e recuperação, são pontos importantes para o crescimento de cada dançarino.
BW – O que o levou a sair do Brasil? E porque escolheu a França? O que é ser B-Boy na França? Pretende voltar algum dia?
Kid Guma – Eu gostaria de dar um futuro melhor para meu filho e minha esposa, não quero que ele passe por tudo que passei no Brasil. Eu até tinha uma vida estabilizada aí, com casa, amigos e trabalhos com a arte, mas eu percebi que por mais que me esforçava não era o suficiente, então, decidi mudar e ver como funcionava aqui. Escolhi a França porque tenho alguns amigos aqui que poderiam me ajudar, essa é minha terceira vez aqui e então pensei que seria um bom começo.
BW – A sua chegada na França foi meio tumultuada? Você chegou a postar uns vídeos falando de alguns problemas. O que aconteceu de fato?
Kid Guma – Na verdade, a França enfrenta vários problemas de racismo com imigrantes e pessoas de baixa renda, especialmente se você não fala francês e um casal conhecido meu veio para cá e tiveram sua bolsa com passaporte roubados, fomos a estação de polícia e a polícia foi extremamente racista, não deixaram a gente entrar e ainda pediram nossa identidade. Esse foi um caso. O problema também são pessoas oportunistas que se aproximam da gente com interesse, acham que vai chegar aqui a primeira vez e vão ficar ricos, famosos e conseguir tudo fácil. Acabam por voltar para o Brasil, frustrados.
B-Boy Kid Guma e família moram em Paris, na França.
BW – Como os brasileiros são vistos e tratados aí? Existem muitos B-Boys e B-Girls irregulares na França?
Kid Guma – De modo geral, todos gostam muito dos brasileiros, mas isso depende muito se você fala o idioma e se tem condições financeiras. A França é uma grande potência na cena Breaking, pois o governo investe pesado na cultura aqui, mas comparado a antes o número de dançarinos vem diminuindo, a cena é bem forte, mas reduziu um pouco.
BW – Como está a sua situação atualmente? No que está trabalhando e como está desenvolvendo a sua vida no Breaking?
Kid Guma – No momento, estou trabalhando com “freelancer” no Breaking, estou em um projeto com a “Associação VNR” onde ministro aulas, também realizo aulas particulares, participações em clipes de cantores famosos e street show.
BW – Como foi e está sendo esse momento de adaptação e pandemia na França para você e sua família? Nos conte os detalhes. Do que você sente falta do Brasil e do que você não sente falta?
Kid Guma – A França é um país muito lindo, muitos pontos históricos conhecidos por todo mundo, especialmente aqui aonde eu vivo, em Paris, porém, os franceses são muito frios, não sorriem, sempre estão muito ocupados, não conversam muito, não querem se envolver em nada, não recebem bem pessoas de fora. Isso que eu sinto falta do Brasil, não existe povo mais carismático que o brasileiro, feliz, alegre, com sorriso no rosto, não dá para entender porque os franceses são assim, o governo dá tudo que eles precisam e ainda sim são sempre mal humorados. Agora já me adaptei legal, conheço bem Paris, estou aprendendo um pouco do francês, as coisas estão caminhando. A questão da pandemia foi uma surpresa para todos, nunca vivemos um confinamento, quando o Presidente Macron decretou a quarentena, vimos que o negócio era sério. Eles foram bem adiantados comparado ao Brasil, ao ver que o número de infectados estava crescendo, pararam imediatamente o país, fechando escolas, universidades, reduziram o número de trem e metrôs, colocaram álcool em gel nas ruas, todos os lugares e lojas só era permitida a entrada com máscara, as únicas coisas que abriam eram os supermercados, eles também criaram um certificado, que você deveria preencher toda vez que fosse para a rua, sem ele você era multado em até 300 euros. Mas o meu confinamento, foi um dos melhores eu acho, pois uma associação me convidou a morar em sua sede bem no começo e a sede era bem na frente do Louvre, no centro de Paris, na janela do meu quarto eu via o museu mais famoso do mundo, para mim isso foi incrível, jamais pensei que moraria em um lugar assim. O que eu não sinto falta do Brasil são dos políticos e da política brasileira e da falta de incentivo e exploração do trabalhador, do preço da comida.
BW – Vi que você preparou alguns cursos on-line, nos conte um pouco sobre isso?
Kid Guma – Sim, aí no Brasil fui pioneiro em produzir cursos on-line de Breaking. São 3 cursos, o abordagem mental, power footwork e Breaking workshop, que são mais para iniciantes. São cursos fundamentais para a evolução mental e física dos dançarinos, ali compartilho vários conhecimentos que obtive em batalhas, viagem e vivência com diversos B-Boys e B-Girls de renome mundial e pelo preço que coloquei lá é um presente que as pessoas não deveriam deixar passar.
Kid Guma conta um pouco de sua realidade em outro país durante a pandemia
BW – Com a pandemia, entramos numa realidade de eventos on-line, battles on-line. O que você acha sobre isso? É uma tendência?
Kid Guma – Os eventos on-line já existiam antes da pandemia, por exemplo, eu estou em parceria com o pessoal da “Formelles”, que foram os primeiros a criar batalha on-line no Instagram, creio que foi a maneira de manter a cultura viva, produzindo essas batalhas on-line, mas se você leva isso para o contexto de inclusão, não são todas as pessoas que têm internet ou uma boa conexão e as pessoas que não têm não podem participar, mas de modo geral eu não curto muito, mas entendo que foi uma solução, espero que seja só nesse período, que os eventos reais voltem a acontecer.
BW – Na sua opinião, como será o futuro para o Breaking? Que novas realidades B-Boys e B-Girls terão que se adaptar?
Kid Guma – Eu vou te dizer uma coisa, apesar de estarmos no século XXI, com todas essas coisas, internet e eventos mega grandes, o Breaking está reduzindo, as pessoas estão parando de dançar, se você comparar com a época de 2006 a 2010, os eventos eram bem mais cheios, agora com essas coisas de “superstar” e todo essa porcaria, todo jovem que começa quer ser um “superstar do Breaking”, não conseguindo, se frustra e os responsáveis de tudo isso são os organizadores de eventos e os B-Boys e B-Girls que estão envolvidos somente pelo dinheiro, com essas instituições que estão matando o Breaking aos poucos, podemos viver um grande retrocesso na cultura.
BW – O Breaking foi indicado como mais uma modalidade Olímpica. O que acha sobre essa realidade tão polêmica e discutida? É algo positivo ou não?
Kid Guma – Sim, é positivo, mas depende de quem está lá e segundo denúncias da B-Girl Hurricane, que abandonou seu cargo na “Federação Francesa de Breaking”, já existem casos de corrupção, então, vamos manter o pé no chão e ver: para quem vai ser bom isso? Creio que em modo de visibilidade, reconhecimento, melhore um pouco, algumas empresas também vão querer investir, teremos mais professores, médicos, etc., isso pode levar o Breaking a outro nível.
BW – Como esse assunto é visto pelos B-Boys aí na França?
Kid Guma – As pessoas que conversei sobre isso têm uma visão positiva, veem uma possibilidade de crescimento, porém existem pessoas que não concordam com a ideia.
Kid Guma sente falta do carisma e do swing brasileiro.
BW – Que diferenças você observa entre o Breaking que é feito aqui e o Breaking que é feito aí? Diferenças nos treinos, na disciplina, no foco? Fale sobre isso.
Kid Guma – Bom, nos treinos vejo que os breakers aqui levam mais a sério, eles estudam, fazem workshop, pagam professores particulares e treinam bastante, já no Brasil as pessoas não fazem questão de escutar uma opinião diferente, querem treinar do jeito deles para sempre e isso causa um certo bloqueio na evolução, claro que existem pessoas dedicadas e que têm compromisso, mas a grande maioria não leva muito a sério. Se queremos evoluir seriedade é a chave! Porém, os brasileiros têm mais o swing, o ritmo e a simpatia, os europeus são bastante técnicos, executam muito bem, mas para mim, às vezes, parecem robôs (risos).
BW – Que mensagem você gostaria de deixar para todos aqui do Brasil e para quem deseja uma carreira como B-Boy ou B-Girl no exterior?
Kid Guma – “Se tudo que você faz é visto com diferença, você não deve desanimar, pois o nascer do sol é um espetáculo tremendo e a maioria das pessoas estão apenas dormindo!”. Quero dizer que acreditem no que fazem, estudem, leiam livros, não percam seu tempo, busquem crescer, planejem suas carreiras e as coisas vão se sair bem. Eu tinha tudo para desistir, perdi meus pais cedo quando era adolescente, aos 15 anos fui morar com minha tia, me envolvi com o Hip-Hop com meus 18 anos e hoje estou morando na França. Eu sei que é difícil, especialmente com as condições políticas do Brasil, mas é preciso superar tudo isso para alcançar o sucesso. Somente quando os homens enfrentam o verdadeiro perigo, aprendem transformar vitória em derrota. A dança sempre será um diferencial na sua vida.
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