Nos próximos dias 25, 28 de setembro e 7 de outubro, o grupo Funk Fockers apresenta um espetáculo de Breaking, que vai ser transmitido ao vivo . “Rotina” é o nome desse trabalho e leva a cultura Hip-Hop das ruas para o palco, misturando coreografia e audiovisual, sempre buscando novos horizontes dentro da cena.
“Existem poucos espetáculos de Breaking no país. Conseguimos de forma inédita a contemplação no edital ProAC, concorrendo com grandes companhias de dança de diversos segmentos como o balé e contemporâneo, nos permitindo colocar em prática as nossas ideias e apresentar uma obra criativa em uma narrativa atual e otimista”, comenta Allan Lopes (Mixa), diretor, B-Boy e coreógrafo. O espectador irá acompanhar o dia a dia de três entregadores de aplicativo que se preparam para curtir a primeira festa de Hip-Hop pós-pandemia.
O projeto conta com a colaboração da Fuligem Comunicação e Arte, um coletivo de artistas audiovisuais.
Imagem: Renato Prado
Conheça os artistas:
Allan Barbosa Lopes (Mixa): diretor artístico, coreógrafo , intérprete e B-Boy, no cenário Hip-Hop há quase 20 anos. É um dos fundadores da Funk Fockers, crew que foi criada em 2008. Passando por França, Dinamarca, Alemanha, Chile, Argentina, Estados Unidos e Colômbia, conquistou alguns títulos individuais e em grupo.
Bruno Siles (Onnurb): coreógrafo e intérprete, também é membro fundador do grupo Funk Fockers e dançarino de Breaking há 19 anos. Participou de competições nacionais e internacionais em vários países como Suíça, França, México e Singapura.
Thiago Antonio Alves (Thiaguin): coreógrafo e intérprete, integrante do grupo Funk Fockers, dançarino de Breaking há 18 anos, participou de um dos maiores campeonatos do mundo – The Notorious IBE, na Holanda, em 2011, como convidado especial.
Igor Goforit: DJ, MC, produtor e beatmaker desde 2000.
O projeto Rotina é realizado pela Fuligem Comunicação e Arte, Funk Fockers Crew e Governo do Estado de São Paulo, por meio do edital ProAC 03/2020 e conta com o patrocínio da Nest Panos, apoio da Strutura Contábil e Me Ghusta e produção da Oriri Agência Cultural.
Imagem: Renato Prado
Serviço:
Rotina Espetáculo de Breaking com Funk Fockers Crew 50min de duração On-line (Gratuito)
Confira o local das transmissões:
25/09/2021 às 19h Site: nestpanos.com YouTube: https://youtube.com/c/NestPanos
30/09/2021 às 19h YouTube – https://youtube.com/c/SUJO https://youtube.com/c/Funkfockers Instagram: https://instagram.com/funkfockers
Em sua 18ª edição, um dos mais tradicionais torneios mundiais de Breaking retorna ao Brasil depois de um ano sem acontecer por causa da pandemia. Com inscrições abertas a partir desta segunda (30), o Red Bull BC One reunirá os mais talentosos dançarinos para mais uma disputa de alto nível. As inscrições podem ser feitas por meio do site www.redbull.com.br/bcone. Para conectar os mais talentosos dançarinos do país, o evento conta com seletivas regionais, as chamadas “Cyphers” – que, neste ano, não permitirão a presença de público – nas cidades de São Paulo (SP), Fortaleza (CE), Curitiba (PR) e Brasília (DF). Os 16 B-Boys e 16 B-Girls que se destacarem nesta primeira fase se enfrentarão na Final Nacional, visando à uma vaga por categoria na etapa mundial do evento, que ocorre na Polônia, em novembro. A disputa deste ano, que conta com a participação de mais de 30 países, marca a primeira edição após a entrada oficial da modalidade no maior evento multiesportivo do mundo: as Olimpíadas. No júri da etapa nacional, conhecidos nomes avaliarão os dançarinos brasileiros, como o B-Boy Pelezinho, lenda do Breaking e figura presente na cena há mais de 20 anos; o B-Boy Neguin, colecionador de diferentes títulos mundiais; e a veterana B-Girl FabGirl. O Portal Breaking World não poderia deixar de falar sobre esse grande evento e para sabermos detalhes convidamos o B-Boy Pelezinho para mais uma animada conversa sobre a 18ª edição da Red Bull, os principais detalhes e dicas para quem pretende participar, falamos sobre Cyphers regionais, o nacional e o evento mundial, sobre o Breaking nas Olimpíadas e o recente interesse de novas marcas nesse elemento do Hip-Hop e, também, olhamos para o futuro falando da nova geração. Bom, vamos a mais essa entrevista que está show porque esse ano, segundo o Pelé, “o chão vai estalar e o bagulho será louco na BC One”.
BW: Pelezinho, o Campeonato da Red Bull BC One chega a 18ª edição. E num tempo de Pandemia! Fale um pouco da preparação desta edição, dos cuidados que estão sendo tomados e como vai acontecer em todos os estados e na final nacional e mundial… Afinal, foi um ano sem acontecer no Brasil…
Pelezinho: Sim, é a 18ª Red Bull BC One, é uma vida né? Ficamos um ano sem ter o evento devido a pandemia, mas esse ano, graças a Deus, vamos ter a oportunidade de ter a Red Bull BC One Cypher Brazil. Sim, estamos tendo todos os cuidados, em todas as cyphers os dançarinos que estiverem inscritos serão testados para Covid-19. Serão só os dançarinos, jurados, DJ’s e MC ́s e a galera que vai estar trabalhando, então, serão pouquíssimas pessoas e na parte internacional eu também acredito que será isso na final mundial. Só os dançarinos e o pessoal envolvido. Lá na Polônia, eu acredito que, por ser um país menor, a situação está controlada, pode até ter algumas pessoas assistindo, mas aqui no Brasil serão só dançarinos, DJ’s, MC’s e profissionais envolvidos.
BW: Na sua opinião, qual o nível de competidores esperado nesse evento? Pois se por um lado houve tempo para treinar, por outro houve várias dificuldades, falta de espaço, locais fechados antes usados para treinos, ausência do contato humano em outros eventos, alguns tiveram Covid-19, outros deixaram de treinar por medo de contrair a doença…
Pelezinho: Nesse tempo de pandemia foi complicado para a galera que vive da dança, que depende de eventos, de projetos, de competições, eu sei que foi difícil para muitos e ainda teve pessoas que perderam familiares, aqueles que pegaram o vírus, foi complicadíssimo. Mas teve um lado bom dessa parte, a galera teve tempo para pensar, tempo para entender o que estamos vivendo mesmo que com dificuldades. Eu acredito que muitos tiveram a possibilidade de praticar solo para poder entender alguns movimentos que eles não estavam fazendo ou que eles estavam criando uma transição, então tem esse lado e também justamente por ter ficado tanto tempo sem evento… Teve eventos on-line, mas sem dúvida é diferente! E agora com o Red Bull BC One, eu acredito que os dançarinos vão pegar todo esse tempo, toda essa energia contida e vão jogar nessas batalhas que vão ter. Então, eu acredito que o nível será alto este ano!
BW: Que exigências vão existir por parte da Red Bull para os que vão participar da Cypher e depois da nacional e do mundial? Você já falou dos testes mas serão exigidos cartão de vacina? Uso de máscaras?
Pelezinho: Em relação a competição aqui no Brasil, quem fizer o teste e estiver okay, dança! Quem der positivo, volta para casa! Vai ter um local especifico onde vai ficar a galera que vai participar e vai ser separado as meninas e depois, os meninos, para não ter aglomeração. Vai ter que usar mascara no local onde eles estiverem, mas na hora da batalha não, a não ser se o dançarino desejar usar. Em relação a Polônia, acredito que até lá alguns dançarinos já estejam com as duas doses da vacina e não terá problema.
BW: Em que local será a Cypher São Paulo?
Pelezinho: Nesse momento eu ainda não sei onde será a Cypher São Paulo. Mas logo mais já teremos as informações e as pessoas devem ficar de olho! Agora, vamos seguir com as Cyphers Fortaleza, Brasília e Curitiba.
BW: Novamente como jurado. Fale um pouco do seu critério de julgamento e os pontos que leva em consideração na hora de avaliar a performance de um dançarino? No meio do Breaking fala-se de tudo e muitas vezes de todos a afirmação que “Quando o Pelé não gosta de alguém, essa pessoa não entra!”, como você se sente quando escuta coisas assim? Que recado você daria para as pessoas que pensam assim?
Pelezinho: Você viu, né? Mais uma vez como jurado! É muita responsabilidade todos esses anos, então, eu acredito que estou fazendo um bom trabalho para ser jurado por tantos anos! Sobre os critérios, todos sabem que é musicalidade, criatividade, os movimentos bem executados, mostrando algo bonito para os jurados. São três cabeças pensando diferente, mais ao mesmo tempo, focados na dança Breaking, então, cada um sabe o que tem que fazer. O mais importante é ir lá e mostrar o porquê você está ali e o porquê você quer ser campeão, então, ganha! Quando as pessoas falam que o Pelé é isso ou aquilo: gente! Eu não sou o dono da Red Bull, eu sou só uma pessoa que tenho uma história dentro da empresa, eu fui o primeiro dançarino [brasileiro] a competir na Red Bull 2005, de lá para cá, eu tenho um contrato com a Red Bull desde 2006, então, eu fiz muitas coisas e venho fazendo ainda. Eu não sou dono da BC One e é chato quando as pessoas pensam dessa maneira, acham que eu mando em alguma coisa, mas na verdade eu procuro o melhor para a dança no Brasil, eu procuro ajudar da melhor forma e quando tem o período que vai acontecer o Red Bull BC One, procuramos as melhores situações para poder realizar o evento, porquê o evento é para dançarinos e dançarinas e, frisando mais uma vez, eu não sou o dono da Red Bull. E o mais importante de tudo isso é o respeito e a consideração que a empresa Red Bull tem por mim.
BW: No passado, você organizou uma edição da Red Bull “Under My Wing”, focado nos jovens, existe o desejo de fazer novamente, já que a nova geração em todo o mundo cada vez está chegando mais nova e com toda força? Nas Olimpíadas, por exemplo, no Skate tivemos um pódio com nossa Rayssa e mais duas meninas que tinham menos do que 17 anos. E no Breaking também se levanta uma nova geração forte, com pouca idade, sim, mas com muito talento, vigorosa em todo o mundo, seria o momento de olhar para o futuro e fazer uma nova edição?
Pelezinho: Sobre o Red Bull Under My Wing, poxa, eu lembro até hoje, foi um dos projetos mais incríveis que eu tive a possibilidade de participar, de ajudar a criar um formato um pouco amplo, porque na época ele era voltado só para workshop e aí eu lembro que, quando chegou o projeto, chegou o convite, eu achei interessante acrescentar mais coisas, na época, porque realmente descobrimos novos talentos e 16 jovens talentos e aquilo foi incrível, foi de onde saiu o Leony, praticamente até então o Leony nunca tinha saído de Belém, ele era do Projeto Curumim e eu gostaria muito, mas muito mesmo, que tivesse uma nova edição aqui no Brasil. Poderia ser com o Neguin, pegando a história do Leony, mas o importante era ter novamente e principalmente agora, num momento como esse de Breaking nas Olimpíadas, dentro de uma pandemia, entender tudo o que essa garotada nova está passando, está vivendo, eu gostaria muito que voltasse esse projeto. Na época, só foi o Lilou que tinha feito. O que foi feito aqui comigo no Brasil foi mais amplo, eu lembro que quando eu peguei, falei: será que eu posso trazer para a minha cidade? Mostrar para eles onde tudo começou? Mostrar a minha parte dentro do Breaking? Foi um baita projeto!
BW: Depois de Tóquio, das Paralimpíadas, o foco agora é Paris 2024. E o Breaking é a bola da vez! O que você acha de outras marcas e outros energéticos neste momento estarem se aproximando da Cultura Hip-Hop e do elemento Breaking? Como a Red Bull vê isso?
Pelezinho: Sobre as Olimpíadas de Paris, já estão aí, são praticamente 3 anos. Já deu para perceber que eles vão focar bastante no Breaking, até devido as transições que eles estão querendo, que é mais a garotada, os jovens e queira ou não, na hora que a galera que não está acostumada com o Breaking ver aqueles movimentos que a gente faz, que consegue ver o mundo de ponta-cabeça (sic), o mundo girando, será demais! Desde o início, quando eu recebi as informações, eu sempre fui a favor do Breaking nas Olimpíadas, portas vão se abrir, como você mesmo, em relação às marcas. Poxa, é importante, né? Eu sei que agora vai abrir aquele leque grandão, as pessoas oportunistas para poder mostrar suas empresas, que eu que tenho mais de 20 anos dançando penso: Por quê essas marcas não poderiam ter chegado antes? Mas tudo bem, está tudo certo! A cena da dança agradece! Eles estão chegando agora! E sobre as marcas de energéticos, a Red Bull praticamente é a pioneira! Porque vem desde 2001 voltada ao Breaking! Só espero que isso tudo dure, né? Que não seja apenas uma onda! Uma pequena onda! Espero que seja uma grande onda e consiga carregar muitas pessoas. E como algumas pessoas sabem, até dançarinos que são patrocinados por outra marca de energético competem na Red Bull BC One, então, quem defende seu patrocínio a galera da Red Bull não implica, respeita, será que nos outros eventos aí se tiver eles vão também respeitar? Então, já fica essa ideia minha aí para a galera que está chegando agora de outros energéticos pensar… Respeita nossa história! Respeita nossa Cultura!
BW: Na final mundial na Polônia teremos B-Boys e B-Girls brasileiros convidados diretos a participar?
Pelezinho: Sobre o campeonato mundial eu não tenho a informação se terá algum brasileiro convidado direto, mas quem sabe né? A Red Bull sempre gosta de fazer aquele suspense e é até bom, porque a galera fica toda elétrica. Mas esse ano aqui no Brasil o bicho vai pegar! Na final nacional eu tenho certeza que o coro vai comer! (risos).
BW: A Cypher São Paulo acontece no dia 2/10 e a final nacional no dia 3/10. Olhando a proximidade das datas, isso não interfere no rendimento dos dançarinos?
Pelezinho: Cypher São Paulo dia 2 de outubro, onde vai ter aquela galera, os inscritos e no dia 3 de outubro, no dia seguinte, a final nacional. Então, quem passou, quem sem classificou, quem veio de outras Cyphers classificados, eu não vejo problema nenhum de quem está em São Paulo participar num dia e depois no outro e outra, o lado bom, serão dois dias ali e aquela adrenalina e tal. Para quem não lembra, o Leony saiu do Brasil, foi para o Japão, chegou num baita fuso horário, ganhou lá de todos os B-Boys que tinha, não dormiu direito, adrenalina estava a milhão, foi para o evento versus Taisuki, abriu o evento, fez as três entradas dele, não ganhou do Taisuki, agora, para e pensa, eu nunca escutei ele falar que estava cansado… Só uma dica que eu dou para a galera: aproveita esses dois dias, principalmente quem estiver participando da eliminatória São Paulo, se motiva nesse dia, não vem falar que está cansado, cai para dentro!
BW: Que recado você mandaria, que dicas você daria para todos que já se inscreveram ou que ainda vão se inscrever nesta 18ª edição?
Pelezinho: A dica que eu dou para quem se inscreveu ou que ainda vai se inscrever para participar das Cyphers regionais e a nacional: galera, aproveita esse momento que a gente tem, de realizar o Red Bull BC One esse ano! Muitas pessoas têm o sonho de participar desse evento. Faça por você e faça pela sua história, se é isso que você quer, então faça de verdade! Porque talvez você pegou a vaga de uma pessoa que estava querendo muito participar, essa é a minha dica. Com certeza, muitas pessoas vão ficar de fora por não ter conseguido fazer a inscrição a tempo por causa da pandemia!
“É como se fosse um nascimento, é necessário conectar com cada arte, muitas vezes precisamos criá-la mentalmente para facilitar o desenvolvimento. Eu particularmente acho muito interessante quando posso ir mexendo e mexendo até deixar a escultura de um jeito que me traga uma satisfação…”. Essas são as palavras do escultor e também B-Boy Patrício Cordeiro, que também é licenciado em Artes Visuais e Arquitetura Urbanística. O Portal Breaking World encomendou uma escultura de um menino que chamamos “B-Boy Eagle e o Flare”, essa estátua foi feita em três meses por Patrício e atualmente está na Casa de Cultura Urbana Street House, em São Paulo. A escultura mostra todo o esplendor e perfeição desse artista, que faz parte da grande família Hip-Hop brasileira. Confira a entrevista:
BW: Queria que você nos falasse um pouco sobre a sua história. Nome completo, idade, cidade onde nasceu e vida em família.
Patrício: Sou Patrício Cordeiro Silva, escultor, licenciado em Artes Visuais e Arquiteto Urbanista, comecei em um projeto social chamado Escola de Arte Sacra, junto com mais alguns amigos. Desde então não parei mais, me tornei arte-educador, comecei a ministrar oficinas em diversos lugares e sempre buscando maneiras de ampliar os horizontes.
BW: Como conheceu e se interessou pela Cultura Hip-Hop? Por que elementos já passou?
Patrício: Eu tive contato com o Hip-Hop na cidade de Santana de Parnaíba, era muito forte o movimento lá, na época, o termo movimento era bem comum de ser usado, a cultura urbana era muito forte lá, eu já praticava capoeira e quando eu ia para a escola via sempre B-Boys treinando, o que me chamou muita atenção, o Hip-Hop me ajudou muito no sentido de me sentir mais realizado, como se eu fizesse parte de algo muito bom eu tinha muito orgulho em fazer parte em ser do Hip-Hop. Quando mudei pra Pirapora eu já ouvia muito Rap, já fazia uns grafites e apesar de me aprofundar muito na questão de conhecer a respeito de todos os elementos eu acabei optando pelo Breaking. Comecei treinar com mais alguns amigos e montamos um grupo o Conexão B-Boys, nós treinávamos muito power move era o que mais gostávamos, na cidade a cultura Hip-Hop teve um ápice grande, muitos jovens treinavam e a gente se encontrava sempre aos domingos no Baile pra Rachar. Meu interesse mesmo foi porque o Hip-Hop elevou muito minha autoestima, eu sou de família humilde, eu posso dizer que continuo sendo do Hip-Hop, eu amo essa cultura.
BW: Verdade que no passado você chegou a ser B-Boy? Fale um pouco da sua relação com a Detroit Breakers? E sobre sua amizade com Danzinho e os outros nomes da Crew?
Patrício: Na verdade eu continuo sendo B-Boy, não treino com a mesma frequência mas sempre que dá tento fazer um treininho, a paixão pelo Breaking é muito grande, sempre que tenho oportunidade eu danço, é difícil deixar de ser B-Boy, o ser B-Boy é um estilo de vida, você adquire vários hábitos que leva pra vida, na antiga com meus amigos a gente treinava muito tempo, às vezes mais que seis horas por dia, éramos fascinados de verdade, sonhávamos em aprender cada movimento o Breaking realmente precisa muito empenho, nossa rotina era fazer escultura, escola e treino, o Matéria Rima era um grupo que desenvolvia um trabalho muito forte de Hip-Hop em Barueri, então, para buscar mais conhecimento nós íamos pra lá, foi onde conheci o Guinho e Danzinho feras no Power Move, logo após, o Matéria Rima veio pra Pirapora, fazer um trabalho na Delegacia e começamos a frequentar, foi um baita projeto que acolheu muitos jovens, com o Matéria Rima na cidade o Hip-Hop ficou mais divulgado, os jovens conheceram melhor os fundamentos, na Detroit eu fiz mais trabalhos de escultura mesmo, minha ligação é mais com o Danzinho, ele sempre pegou trabalhos comigo, então, temos uma parceria, sempre que fiz eventos por aqui o Danzinho sempre fortaleceu e vice-versa. Eu conheço os integrantes antigos de vídeo mesmo, como Careca e Kokada, que admiro!
BW: Quando você começou especificamente a fazer esculturas e peças de arte? Onde e com quem aprendeu?
Patrício: Eu estava em um projeto da Guarda Mirim, trabalhava cuidando de carro aos finais de Semana e nesse mesmo Projeto iniciou um curso de escultura, eu fui porque meus amigos foram e também por gostar de aprender coisas novas, esse projeto ficou muito conhecido, o Escultor Murilo Sá foi nosso mestre, com ele aprendi muito e no mesmo projeto dei aula por mais de 10 anos. O objetivo da Escola de Arte Sacra era realmente esse, que a gente aprendesse e tivéssemos uma fonte de renda, Pirapora vem muito turista religioso, hoje eu faço menos arte Sacra, diversifiquei bastante meu trabalho.
BW: Verdade que você tem um ateliê e dá aulas? Onde fica? Nos conte sobre o seu trabalho e sua rotina!
Patrício: Eu tenho alguns locais onde produzo e atualmente tenho um ateliê pequeno, mas ainda não é do jeito que pretendo, logo realizo esse sonho, as aulas durante a pandemia eu parei, mas meu forte eram as aulas e encomendas. Como em 2020 tivemos essa fase pandêmica, consegui um trabalho em um ateliê em Indaiatuba onde produzo esculturas para decoração. Paralelo a esse trabalho eu sigo com as encomendas, as aulas me ensinaram muito a me relacionar com as pessoas e muitas outras coisas, os meus alunos me ajudaram muito e sempre estão me incentivando, eu tinha alunos particulares e grupos em projetos de Prefeitura, já puder passar um pouco do que aprendi para muitas pessoas, é muito gratificante compartilhar o conhecimento, pretendo voltar com as aulas em breve quando eu tiver um espaço bacana. Atualmente, minha maior rotina é meu trabalho, estou muito focado, eu trabalho durante o dia e à noite nas encomendas, estou sempre nas esculturas, nessa pandemia fiquei recluso somente a fazer meu trabalho, quando possível treino em casa. É importante tirar mais horas para lazer e se dedicar a outras coisas, logo incremento melhor essa rotina!
BW: Fale um pouco sobre as peças mais curiosas que já esculpiu. E também sobre as mais difíceis… Quanto tempo em média se leva para fazer uma escultura?
Patrício: Meu trabalho é muito diversificado, mas geralmente as pessoas pedem coisas não tão diferentes, não consigo dizer uma muito curiosa, já teve umas bem elaboradas, metade rosto do esposo e metade do rosto esposa, com pés e mãos ligados a um coração através de fios, essa achei interessante, a mais difícil estou fazendo agora, ela tem 2 metros, ela é difícil por conta da estrutura e do movimento que necessita ter, ela ficará exposta no Trianon MASP, é um trabalho que mostrará um pouco do meu trabalho. O tempo de cada escultura depende bastante, algumas são bem rápidas, é como se fosse um nascimento, a gente precisa se conectar com ela, muitas vezes precisamos já criar ela mentalmente para facilitar o desenvolvimento. Eu, particularmente, acho muito interessante quando posso ir mexendo e mexendo até deixar a escultura de um jeito que me traga uma satisfação, mas ultimamente estou sempre com o prazo curto, as pessoas começaram a me pedir mais trabalho, antes quase não tinha… uma peça de 30 cm é possível fazer em 1 mês dependendo da complexidade.
BW: Que materiais são mais fáceis de trabalhar e que materiais são mais difíceis?
Patrício: Atualmente muitos escultores usam clay, eu prefiro e gosto de usar argila, eu posso dizer que tenho uma certa intimidade com a argila, a partir da argila é possível reproduzir e fazer em diversos materiais, em mármore e pedra eu acredito ser mais complexo, pela questão que necessita ser tudo mais técnico, porém, facilita quando o escultor já desenvolve o protótipo antes em um material mais maleável, a questão da dificuldade nos materiais eu diria que seriam os mais rígidos, madeira, pedra e mármore, até porque não utilizo a técnica, mas tem gente que domina e acha não tão difícil.
BW: Recentemente você fez uma escultura de um menino B-Boy fazendo o movimento Flare para a Casa de Cultura Urbana Street House, de São Paulo. Nos conte como foi feito essa peça do princípio até os retoques finais… Quanto tempo levou para ficar pronta? Quais foram as maiores dificuldades nessa peça? Fale sobre o que achou do resultado final…
Patrício: Essa Escultura foi um desafio, eu levei mais que o tempo esperado por conta de outros trabalhos, eu usei argila para modelar e o mais difícil foi o equilíbrio, a peça se sustenta em apenas uma mão, eu usei uma referência, mesmo assim não foi o objetivo deixar igual, após a modelagem eu tirei o molde em gesso, dividi a peça em vários pedaços, fundi com fibra de vidro e novamente juntei todas as partes, fiz todos os retoques e pintei, eu levei cerca de 3 meses, mas não trabalhei todos os dias, sempre à noite e final de semana. Referente ao resultado final eu sempre acho que poderia ter ficado melhor, cada peça me faz querer que tenha sido melhor, eu acredito que as pessoas gostaram, fiquei bem feliz em fazer!
BW: Fale o que você acha sobre a valorização dos artistas no Brasil, que dificuldades você tem como artista e como tem vivido nesse tempo de pandemia…
Patrício: Ser artista é um caminho longo e que você precisa ter coragem pra seguir, não só no Brasil, em muitos outros países têm muitas dificuldades para o artista, eu acredito que no Brasil está melhorando, eu acredito muito no que faço, eu tenho conseguido bons resultados com a minha arte, mas já passei fases bem difíceis, nunca deixei de acreditar, a pandemia no sentido de trabalho foi muito bom, a demanda aumentou demais, precisei recusar alguns serviços, torço que continue assim!
BW: Quais são seus planos para o futuro e que mensagem gostaria de deixar para os leitores do Portal Breaking World?
Patrício: Busco evoluir em todos os aspectos da minha vida e expandir muito mais meu trabalho, ensinar às crianças e jovens para que possam conhecer mais sobre arte e quem sabe até se tornarem escultores. Eu só posso agradecer ao Portal Breaking World pela oportunidade de falar um pouco sobre meu trabalho, fico muito feliz, ainda mais por ser um veículo que fortalece muito o Breaking, muito grato e desejo que vocês continuem firmes e fortes com esse trabalho de divulgação da cena Breaking, divulgando os talentosos B-Boys e B-Girls, enfim o Hip-Hop!
Depois de uma grande polêmica em torno do novo clipe de Gabriel O Pensador, “Patriota Comunista”, que teve algumas imagens gravadas no Cemitério Parque dos Buritis, em Uberlândia, ele em sua rede social falou: “Comecei a carreira sendo censurado e censurando a censura. Venci a hipocrisia e os aproveitadores de plantão mais de uma vez. Tentaram me intimidar novamente com duas notificações hoje e tentativa de censura prévia. Muito barulho, mas sem fundamento. O clipe de Patriota Comunista foi gravado num cemitério muito criterioso e sério, escolhido justamente porque queríamos retratar com respeito e beleza os temas da letra da música, que incluem o respeito à morte e a vida”.
O clipe entrou nas plataformas digitais essa semana e já pode ser visualizado. Confira abaixo:
Patriota Comunista - Gabriel O Pensador
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Ela nasceu em Brasília, no Distrito Federal, no meio de artistas. Na infância jogava futebol, subia em árvores, brincava de pique-esconde. Não era raro dentro de casa os saraus que sua mãe fazia. Nesses eventos bem vivos na memória, ela tinha a oportunidade de conhecer e conviver com outros artistas, o que a influenciou desde pequena. Além disso, conviveu com o circo, com o teatro e com a música. O primeiro contato com a Cultura Hip-Hop foi por meio da irmã, que cantava Rap, o Breaking veio depois de um evento e de ser orientada pelo B-Boy Katatal.
Sim, estamos falando da Maia, a B-Girl que participou de várias batalhas na Europa em 2019 e 2020. Em 2019, esteve no “Festival I Love Hip-Hop”, na Holanda, participou da batalha de B-Girl 1×1 e foi convidada para a batalha de crew junto com a equipe do B-Girl Session (B-Girl Pauline, B-Girl Vanessa, B-Girl Bo, B-Girl Chica e B-Girl Camine). Com isso, participou da “Outbreak’, “Festival Free Spirit” e chegou na final do “The Notorious IBE” na Top Rock Battle. Em 2020, esteve em Praga no “The Legits Blast”, antes da pandemia, e no mesmo ano conseguiu conhecer o evento “Concrete Jam” na Suíça e o “Queen Of The Floor” na Dinamarca. Agora, neste último mês, no Brasil, participou do Breaking Street Battles, em São Paulo, onde foi a campeã na categoria B-Girls. A mina é braba! Vamos conhecê-la um pouco mais?
BW: Queria que você nos contasse onde nasceu, em que cidade cresceu e que lembranças tem da infância e da vida em família…
Maia: Eu nasci e cresci em Brasília, no Distrito Federal. Na minha infância, me lembro de jogar muito futebol, brincar de pique-esconde e subir em árvores, além disso, por fazer parte de uma família com muitos artistas, sempre tive muito contato com circo, teatro e música através do trabalho do meu pai e irmãos e, também, assistindo a outros artistas que se apresentavam nos saraus que minha mãe fazia em casa.
BW: Quando teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop? E o Breaking como surgiu na sua vida? Alguém na sua família dançava?
Maia: Meu primeiro contato com a Cultura Hip-Hop foi através da minha irmã que canta Rap, já tinha visto ela cantando algumas vezes na infância, mas teve um dia que ela me deu um CD com gravações de músicas dela e outro com músicas do Racionais MC’s e, nessa época, eu ouvia muito esses dois CDs. Depois disso, na adolescência, o Breaking começou a aparecer na minha vida através de lugares que eu frequentava e que tinham pessoas dançando, amigos que dançavam também e eu sempre achei muito incrível, tiveram até algumas vezes que fui em treinos para aprender, mas sempre sentia que não me ensinavam muita coisa. Daí tiveram dois acontecimentos que realmente fizeram a diferença, um deles foi um evento de Breaking 2×2 que aconteceu no meu bairro e que havia uma dupla de B-Girls muito maravilhosa, e poder assisti-las batalhando me inspirou profundamente, o outro fator foi ter conhecido, pouco tempo depois, o B-Boy Katatal, um grande amigo e principal responsável pela minha iniciação no Breaking, foi ele quem acreditou em mim e me deu base para seguir dançando.
BW: Alguém te ensinou a dançar Breaking? Você teve referências dentro da dança?
Maia: Quem me ensinou a dançar Breaking, primeiramente, foi o B-Boy Katatal, em 2010. Nessa época, minhas principais referências eram aqueles que eu via dançando no treino, no Encontro de B-Boys e B-Girls do Conic e em eventos aqui em Brasília mesmo.
BW: Como mulher, dançando Breaking, sofreu algum tipo de preconceito? Como sua família e as pessoas que estavam à sua volta viram sua ligação com a Cultura Hip-Hop e com o elemento Breaking?
Maia: Como mulher dançando Breaking não me lembro de sofrer preconceito na família ou nos lugares onde frequentava, pelo contrário, eu conhecia muita gente que curtia Hip-Hop, inclusive vizinhos. Minha família também recebeu bem e meu pai até já foi em alguns eventos aqui em Brasília assistir as batalhas.
BW: No Breaking houve movimentos mais difíceis de aprender? Quais você teve mais facilidade e mais dificuldade?
Maia: O mais difícil no Breaking para mim foi encontrar a minha personalidade dentro dos movimentos, foi um processo longo, muito particular e que continua em desenvolvimento, acredito que a gente dança aquilo que somos, e vendo dessa maneira me percebo nessa mutação e evolução enquanto pessoa e B-Girl todo o tempo. Em questão de movimentações específicas, acho que tive e tenho ainda algum tipo de facilidade para os movimentos, tudo vai depender também do que é o meu foco no momento, talvez para alguns freezes e footworks preciso de um pouco mais de dedicação, e os movimentos que tive mais facilidade, principalmente no começo, foram aqueles de maior flexibilidade.
BW: Como normalmente é sua rotina de treinos?
Maia: Treino sempre pelas manhãs, dia sim e dia não.
BW: Em que ano começou a competir? Houve eventos que foram especiais? Pode falar um pouco sobre eles…
Maia: Minha primeira competição foi em 2011 junto com a crew da qual eu fazia parte na época, depois disso competi poucas vezes até que, em 2015, fui morar em São Paulo, lembro que depois de pouco tempo que havia chegando lá, fui participar da minha primeira batalha e ganhei e naquele momento foi muito significativo para mim e para o caminho que eu estava buscando com a minha mudança para aquela nova cidade. Na minha opinião, todos os eventos são especiais de alguma maneira, porque sempre aprendo e vivo momentos especiais através da Cultura, alguns me marcaram de maneiras diferentes, um deles foi o “Battle In The Cypher” que pra mim é um dos melhores eventos do mundo por ter fortemente esse compromisso com a Cultura Hip-Hop, oferecendo uma programação de muito conteúdo, vivências e informação, para além da competição de Breaking; e outro evento foi o “Queen Of The Floor” na Dinamarca em 2020, porque eu tive a oportunidade de viver e ser parte de um momento histórico, ganhando a primeira batalha de B-Girls do país, foi uma experiência incrível, e nessa viagem também tive a oportunidade de conhecer muitas B-Girls e B-Boys que eu respeito e admiro, como o casal B-Girl Karen e B-Boy Katatal, e também B-Boy Machine, B-Boy Blanka, B-Girl Paulina e B-Boy Zoopreme.
BW: Se divertir, curtir, competir, ganhar e perder como você administra todos esses sentimentos na hora que entra numa battle?
Maia: Acho que o que me ajuda a administrar meus sentimentos na hora de entrar numa batalha é me conectar com o meu propósito naquele momento, porque independente do resultado, o que eu realmente avalio comigo mesma, depois, é se realmente consegui atingir aquilo que eu gostaria, e que nem sempre está no resultado de quem julga.
BW: Você faz parte do grupo “Rede B-Girls do Brasil”, nos fale da importância desse grupo para as meninas do Breaking.
Maia: Acredito muito na força que é esse grupo e essa rede de contato entre as B-Girls do Brasil, porque mesmo sabendo que somos minoria dentro da Cultura, através do grupo nos enxergamos muitas e nos sentimos parte, nos identificamos com as histórias umas das outras, compartilhamos assuntos do universo B-Girling que, na grande parte dos lugares que frequentamos, não temos esse espaço de troca e tudo isso fortalece muito a cena das mulheres no Breaking, pois através da Rede podemos incentivar a iniciação e permanência de muitas B-Girls dentro da Cultura.
BW: Você já competiu fora do país, nos conte suas experiências?
Maia: Sim, participei de batalhas na Europa em 2019 e 2020, e também agora em 2021 de forma on-line. Em 2019, estive no “Festival I Love Hip-Hop”, na Holanda, onde pude participar da batalha de B-Girl 1×1 e ainda fui convidada para a batalha de crew junto com a equipe do B-Girl Session (B-Girl Pauline, B-Girl Vanessa, B-Girl Bo, B-Girl Chica e B-Girl Camine). Nesse mesmo ano participei da “Outbreak’, “Festival Free Spirit” e cheguei na final do “The Notorious IBE” na Top Rock Battle, foi super especial e na final me lembro de ver todas as B-Girls do público atrás de mim me apoiando. Em 2020, estive em Praga no “The Legits Blast”, antes da pandemia, e no mesmo ano ainda consegui conhecer o evento “Concrete Jam” na Suíça, evento muito bom e produzido no meio de um parque e o “Queen Of The Floor” na Dinamarca.
BW: Breaking nas Olimpíadas… O que você pensa sobre isso?
Maia: Para mim, o Breaking nas Olimpíadas ainda é um caminho desconhecido, mas, por enquanto, tenho tentado ver como mais uma oportunidade de visibilidade para a cena e mais um possível caminho a seguir através do formato “competições”. Minha insegurança está em não saber como a nossa cultura será apresentada nesse espaço olímpico, pois não entendo o Breaking como um esporte e sei o quanto somos potentes enquanto Cultura Hip-Hop e apenas não desejo que isso seja perdido ou diminuído a competições.
BW: O que você tem feito na pandemia?
Maia: Tenho trabalhado muito de forma on-line, escrevendo e realizando projetos para editais, montando trabalhos no formato de audiovisual, treinando, estudando bastante e produzindo mensalmente o “Encontro On-line de B-Girls do Brasil”, espaço de troca e acolhimento de B-Girls.
BW: Recentemente, você participou do “Breaking Street Battle” em São Paulo, passando por várias meninas e foi a ganhadora. O que achou do evento?
Maia: O evento foi bem legal e teve um formato diferente dos eventos on-line que têm acontecido nos últimos tempos, gostei da proposta de montar uma batalha através de vídeos já pré-prontos e ir montando as chaves através de sorteio e votação ao vivo.
BW: Quais são seus planos para o futuro?
Maia: No momento, confesso que tem sido difícil fazer muitos planos futuros, mas tenho estudado e treinado bastante para melhorar cada dia mais a minha dança e meu fazer artístico, estou com projetos de desenvolvimento de um espetáculo solo e planos também de viajar para fora novamente, assim que possível.
BW: Deixe um recado para os leitores da Breaking World?
Maia: Seja incrível, se olhe com carinho e respeito e saiba enxergar suas fraquezas e suas potências, se alimente bem, faça as coisas por você, seja sensível para o mundo, passe menos tempo no celular e viva o presente das coisas, assuma seus erros e aprenda com eles, olhe mais para si e o mais importante, não deixe de sonhar jamais, tudo é possível e impossível a gente só vai saber se tentar fazer acontecer e, na maior parte das vezes, o caminho do sonho vale muito mais do que chegar lá.
Série sobre o Hip-Hop em SP, idealizada por OsGêmeos, estreou na última quinta-feira no YouTube da Pinacoteca de São Paulo
A Pinacoteca de São Paulo lançou semana passada uma série audiovisual chamada “Segredos”, idealizada pelos gêmeos Gustavo e Otávio Pandolfo, que contam a história do Hip-Hop brasileiro por meio das lembranças dos artistas que fizeram parte dessa efervescência, desde 1980. A série foi dividida em quatro episódios e vai ser disponibilizada no YouTube da Pinacoteca (https://www.youtube com/user/MuseuPinacoteca) todas as quintas, às 20h.
A cada episódio, OsGêmeos recebem convidados diferentes que fazem parte do movimento para relembrar a trajetória de cada um e contá-la às novas gerações. Desta maneira, pretendem demonstrar como o Hip-Hop se transformou em uma das manifestações artísticas e culturais mais relevantes no Brasil, sendo determinante na vida dos que fizeram e fazem parte dele, não apenas por introduzi-los ao Rap, ao Breaking e ao Graffiti, mas pelas amizades que surgiram nos eventos da São Bento, berço do movimento em São Paulo, e que continuam até hoje.
Os encontros acontecem no vagão de um trem, imaginado pelos artistas e montado no ateliê dos dois. Declararam numa entrevista para o Estadão: “É uma cápsula do tempo que nos leva de volta à década de 80 para reviver a nossa história e a dos nossos amigos, que é a própria história do Hip-Hop”, conta Gustavo. Dentro desta máquina do tempo se revela, por exemplo, que o DJ KL Jay, do Racionais MC’s, foi dançarino de Breaking nos anos 1980. Os próprios irmãos, conhecidos no mundo inteiro graças ao Graffiti, contam que dançaram Breaking e cantaram Rap. “Todo mundo fazia um pouco de tudo”, diz Otávio.
Gustavo e Otávio Pandolfo, mundialmente conhecidos como “OsGêmeos”
A ideia de documentar a história do movimento é antiga, mas fazer isso por meio de uma série documental surgiu durante a montagem da exposição “OsGêmeos: Segredos”, no ano 2020. A exposição pretendia, inicialmente, fazer oficinas de Hip-Hop com jovens para incentivar a arte, mas a ideia foi abortada após o surgimento da pandemia do coronavírus. Foi aí que a série surgiu. O resultado é visto de uma maneira tão positiva pelos artistas que eles contam que “é só o começo de uma grande história”, mas não revelam o que têm em mente. O futuro promete revelar segredos…
Segundo Jochen Volz, o diretor-geral da Pinacoteca, a intenção é que o documentário também tenha uma finalidade educadora e possa servir para fomentar aulas, oficinas e debates. “O documentário foi montado de maneira bastante didática para ser visto por todos os públicos e para que os jovens, estudantes, possam aprender sobre a história do Hip-Hop e dos seus próprios artistas”, afirma Volz.
Segundo os irmãos, as entrevistas do documentário foram feitas sem um roteiro. Com improviso, histórias que não conheciam, mesmo com mais de 35 anos de amizade com a maioria dos entrevistados, foram reveladas por meio do relato de convidados como: Thaíde, KL Jay, Erick Jay, Edi Rock, Rooneyoyo e Nelson Triunfo.
Fotos: Divulgação Pinacoteca/OsGêmeos
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Ela nasceu na cidade de Nagoya, Aichi, no Japão. Começou a dançar Breaking com 8 anos, hoje com 10, sonha em pisar nos grandes palcos olímpicos e se tornar a melhor B-Girl do mundo. Tem participado de vários eventos mundiais on-line erecentemente esteve no evento brasileiro “Expo Hip-Hop On-Line”, organizado pela Street House – Casa de Cultura Urbana, junto com crianças dos EUA, Venezuela e Brasil, onde numa final pesada contra um brasileiro foi a grande campeã. Noa ainda não esteve presencialmente no Brasil, mas espera algum dia poder conhecer, dançar com os breakers brasileiros e fazer novos amigos da sua geração. Confira a entrevista:
BW: Gostaria que você nos contasse um pouco sobre sua vida no Japão. Em qual cidade você nasceu? Onde você mora? Você tem irmãos?
Noa: Eu nasci em Nagoya, Aichi, Japão. Agora eu moro na cidade vizinha. Eu tenho uma irmã mais velha.
Apoiada pela família, a B-Girl sonha alto: quer ser a melhor do mundo
BW: Ser uma B-Girl no Japão é algo bem aceito pela sociedade? Você tem todo o apoio de sua família?
Noa: É aceitável, mas o Breaking ainda não é tão famoso quanto o futebol ou o beisebol. Professores e amigos ficam surpresos quando digo que sou B-Girl. Espero que o Breaking se torne mais conhecido algum dia. Tenho o apoio de toda minha família. Sempre sou grata por isso.
BW: Quando você teve seu primeiro contato com a Cultura Hip-Hop? Quando você começou a dançar Breaking?
Noa: Eu tinha 5 anos quando tive o primeiro contato com a cultura. Naquela época, minha irmã começou a aprender Hip-Hop. Depois disso, aos sete anos, comecei a aprender também no mesmo estúdio que minha irmã. Comecei no Breaking aos oito anos.
BW: Alguém te ensinou a dançar Breaking? Alguém na sua família dança? No mundo do Breaking, quem são suas referências?
Noa: Foi B-Boy Kan quem me ensinou a dançar. Ele tem um ótimo Footwork, personalidade e carisma. Graças a ele me apaixonei pela dança. Se meu mentor não fosse ele, não haveria uma B-Girl Noa agora. Eu realmente aprecio ele. Conhecê-lo foi o começo da minha vida de B-Girl. Na minha família, só minha irmã dança um pouco. Meus pais não têm experiência em dança.
BW: No mundo do Breaking, quem são suas referências?
Noa: A primeira B-Girl que vi quando não conhecia a palavra “B-Girl” foi Ami. Foi ela quem ganhou o Red Bull BC One. Naquele momento pensei: Eu quero ser como ela! Torne-se uma B-Girl! Tomei uma decisão forte. Estou com saudades de B-Girl Ami & Ayu e B-Boy Katsu1. Ela é uma saudade e uma meta para mim. Eu também admiro Ayu. Eu amo Footwork. Seu Footwork é criativo e original. E Ami e Ayu são elegantes e fofas. Eu também quero ser assim. O B-Boy Katsu1 é incrível. Ele me ensina a alegria de dançar e a alegria de tocar além de dançar. Ele é um B-Boy muito famoso e tem amigos em todo o mundo. Mesmo assim, ele me chama de “amiga”. Estou muito feliz com isso. E sua dança tem alma. Conheci uma dança calorosa graças a ele. É tão grande para mim. Acho que cresci quando o conheci. Eu quero ser como ele algum dia. Como dançarina e como pessoa. Eu o respeito muito.
Ela é o carisma em pessoa e tem conquistado o mundo nas batalhas on-line
BW: Como é a sua rotina de treinamento, quantas horas por dia você treina?
Noa: Pratico em casa cerca de duas horas todos os dias. E eu tenho aulas todos os sábados. Essa é minha rotina.
BW: Existe algum movimento que você mais gosta de fazer? E outros que você acha mais difíceis? Você teve dificuldade com algum movimento específico?
Noa: Eu gosto de Footwork. Recentemente, consegui fazer Atracks (Halo), mas foi difícil para mim. Tenho praticado principalmente Footwork até agora, então gostaria de aprender mais sobre movimentos de Power Move. E eu gostaria de poder fazer meu próprio movimento especial com originalidade!
BW: Como você divide o tempo entre o estudo e a dança? Como tem sido sua vida neste período de pandemia?
Noa: Esta é uma pergunta muito difícil para mim. Porque não gosto muito de estudar. Mas não posso praticar a menos que termine meu dever de casa. Então, me apresso para fazer minha lição de casa todos os dias. O tempo de pandemia aumentou o tempo para dançar em casa. Os eventos presenciais foram cancelados, então, busquei participar de muitas batalhas on-line. Graças a isso, conheci muitas pessoas. Mas eu odeio pandemias porque há muitas notícias tristes. Espero que a pandemia acabe em breve e que as pessoas em todo o mundo possam se sentir à vontade.
BW:Você participou de vários eventos on-line. Participou do E-Fise na França em 2020, agora do World Kidz Breaking Championship e da Expo Hip-Hop no Brasil. Conte-nos como é participar de vários eventos ao redor do mundo, agora on-line?
Noa: Cada batalha teve uma grande experiência. A primeira batalha on-line no exterior da qual participei foi o Breakfree Worldwide. Fiquei emocionada ao mostrar minha dança para estrangeiros pela primeira vez. Como resultado, perdi no segundo turno, mas os grandes B-Boys organizadores me elogiaram. Além disso, um estrangeiro que não me conhecia antes deu-me boas dicas. E eu me tornei amigo de Katsu1 nessa época. Isso me deixou muito feliz e me deu confiança. Depois disso, comecei a querer participar cada vez mais das batalhas mundiais, eu me divirto muito porque posso batalhar com dançarinos que eu normalmente não seria capaz e com dançarinos estrangeiros!
BW: Nos campeonatos de Breaking, o tempo todo, B-Boys e B-Girls ganham e perdem. Como você se prepara emocionalmente para isso?
Noa: Claro que é muito frustrante perder. Na verdade, às vezes chorei na frente de todos. Mas depois disso, entendi que poderia ganhar da próxima vez! O espírito de competir eu tenho. Outros dizem: “Gosto do seu estilo”. Sinto-me encorajada pelas palavras. Mesmo se eu perder a batalha, ficaria muito feliz se alguém se lembrasse de mim pela minha dança memorável. E eu quero ser a melhor B-Girl do mundo algum dia, então eu continuarei treinando e participando de desafios!
B-Girl Noa foi a campeã da Breaking Street Battles, categoria International Breaking Kids, no dia 12 de junho (ontem)
BW: O que você acha do Breaking ter entrado nos Jogos Olímpicos?
Noa: Quero que muitas pessoas conheçam meu Breaking e sonho pelo grande palco das Olimpíadas. Mas preciso saber mais sobre o Breaking na história e também quero o valorizar como cultura.
BW: Quais são seus planos e sonhos para o futuro?
Noa: Meu sonho é ser a melhor B-Girl do mundo. E fazer muitos amigos em todo o mundo.
BW: Esse ano as Olimpíadas estão programadas para acontecer no Japão. Mas em função da pandemia muitas ideias diferentes surgiram na imprensa. É verdade que muitos japoneses são contra o evento acontecer este ano? Conte-nos como estão as coisas por aí? Como está a pandemia no Japão?
Noa: Essa é uma pergunta muito difícil. Não sei o que dizer, mas acho que alguns japoneses são a favor das Olimpíadas e outros são contra. Mas eu entendo ambas as opiniões. Se eu fosse uma atleta olímpica, gostaria que fosse realizado. Mas se minha família tem uma doença crônica e eles podem morrer se forem infectados, eu teria medo de participar. O Japão agora está tentando conter a pandemia. As vacinas estão sendo aplicadas. Mas muitas pessoas ainda são infectadas todos os dias. Parece que muitas vão morrer porque o hospital está cheio e não tem mais leitos. Ninguém ao meu redor foi infectado ainda. Por favor, não infecte ninguém. Quero que meus entes queridos continuem saudáveis. Espero sinceramente que não haja mais pandemias em todo o mundo.
BW: Que mensagem você deixaria para B-Boys e B-Girls brasileiros?
Noa: Olá, B-Boys e B-Girls brasileiros. Sou a B-Girl Noa do Japão. Se algum dia eu puder ir ao Brasil, gostaria de dançar com vocês. E eu quero que vocês sejam meus amigos. Estou ansiosa para vê-los algum dia. Vamos dar o nosso melhor um ao outro, tomara que esse dia chegue logo e se cuidem!
Fotos: Arquivo Pessoal
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Nosso corpo é uma máquina, de infinitas possibilidades, veias, artérias, litros e litros de sangue; que percorrem o caminho certo, sem falhas.
Um cérebro que HD nenhum no mundo chega aos pés, somos dotados de algo único, um sentimento chamado saudade e o amor, o único caminho para se encontrar a tão sonhada paz.
Ao longo de nossa breve vida, sofremos muitas mutações, aprendemos a falar, a andar, nosso corpo vai mudando gradativamente, tanto os meninos e as meninas, até nos tornarmos homens e mulheres adultos.
O nosso foco de hoje é a mudança de voz que ocorre na adolescência, em maior escala para os meninos; continue a leitura e vou te explicar como isso funciona, quem são os responsáveis por essa metamorfose vocal e ambulante, garanto a vocês que não é o saudoso Raul Seixas.
Essa mudança ocorre devido ao crescimento da laringe, onde os músculos vocais estão localizados, as chamadas “pregas vocais”.
Com o crescimento da laringe, as mudanças acontecem, pois com o seu crescimento os músculos vocais esticam e na passagem do ar, vindo dos pulmões e passagem pela laringe, a voz passa a ser reproduzida de forma mais grave.
Os hormônios são responsáveis por muitas transformações em nosso corpo e organismo. Na adolescência, então, faz grandes mudanças na voz dos meninos e meninas.
Para as meninas em menor intensidade, mas para os meninos, na maioria das vezes trazem a voz um tom mais grave, graças a testosterona e, nas meninas, a produção de estrógeno e progesterona.
Estudos e pesquisas realizadas por uma série de otorrinolaringologistas (especialistas em ouvido, nariz e garganta) atestam e comprovam essas mudanças.
O mais interessante de tudo isso é que, quando crianças, temos as vozes em tom semelhante; meninos e meninas. E durante a velhice, voltamos a essa semelhança; pois ocorre uma queda na produção de hormônios e, por isso, fica difícil distinguir a voz de um senhor ou senhora ao telefone.
A certeza de tudo isso é: do pó viemos, ao pó retornaremos, não importa sua cor, se mora numa mansão ou favela, se sua voz é grave ou aguda, o que devemos guardar nessa vida são as boas amizades, amar ao próximo e cantar; pois quem canta, continua a expulsar os males dessa vida.
Ah! Quer um ótimo exemplo de voz grave até o talo?
Escute o monstro Barry White, de preferência a canção que amo: “Just the way we are”.
Ame e respeite as pessoas do jeito que elas são, a grande verdade é: somos todos iguais.
Foto: Reprodução
Barry White - Just the way we are
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Seguindo o cronograma do que foi citado na última publicação, hoje vamos falar de um dos temas referentes ao desenvolvimento da dinâmica no Breaking (Níveis).
Níveis são graus de subida e descida trabalhando simultaneamente, partindo de um ponto X.
Explicando: Geralmente, quando aprendemos a dançar Breaking, sempre seguimos uma linha explicada por terceiros, que são começo, meio e fim. Começo: Top Rock. Meio: Footwork. Fim: Freezes, Stances, Power Moves. Pelo menos, para mim, foi ensinado dessa forma pelos meus primeiros mentores. Durante os anos em que estive viajando e melhorando meu inglês, eu percebi que é muito mais aprofundado do que simplesmente: começo, meio e fim.
Os níveis são um desses aprofundamentos, são fundamentais e trazem muito mais dinâmica e imprevisibilidade dentro dos 3 estágios citados acima e, também, quebra essa regra cronológica. Os níveis consistem em uma constante mudança entre movimentos de cima e baixo, temos 4 níveis que devemos explorar:
Nível Baixo: toda movimentação onde envolve as costas, cabeça, peito, ombros, quadril e pernas colado ao piso.
Nível Médio: Footwork, alguns movimentos como Turtles, Flares, Chair/ Air-Chairs, Halos, etc.
Nível Alto: movimentos no topo, que podem ser um 1990, Air-Flare, Top Rock, movimentos influenciados pelas artes marciais, etc.
Nível Aéreo: todo tipo de movimento que explora o ar, saltos mortais, por exemplo, etc.
Esses são os 4 níveis definidos isoladamente acima, no entanto, a parte mais interessante ainda está por vir. O desafio agora é explorar os níveis simultaneamente, de cima para baixo, de baixo para cima. Por exemplo: que tipo de combinação você pode fazer entre o nível baixo e o nível aéreo?
Como você faria Back Rocks para um salto mortal? Como você faria Baby Mills com transições indo para o Air Flare, para o Footwork e finaliza com um salto mortal? É como se você batesse todos os ingredientes em um liquidificador e a música seria o ingrediente principal, adicionado para fazer tudo por completo.
Os B-Boys / B-Girls mais influentes do mundo estão sempre abordando esse tema nos workshops. Meu primeiro contato com essa concepção de níveis veio por meio do B-Boy Lego- Flipside Kings. Eu enviei um vídeo do meu treino para ele analisar e ele percebeu que eu só estava explorando o nível médio, então, foi explicado para mim sobre a importância de mudar todos os níveis intensamente.
Esse tipo de concepção leva tempo para amadurecer, pois é difícil dançar de uma forma sutil quando você está em constante conflito com a gravidade. Eu ainda estou trabalhando nisso, pois essa é minha zona desconfortável. Você, talvez, deve estar se perguntando “como é que eu treino níveis”? Vou falar o ritmo que funciona pra mim… faço esse tipo de treino no ritmo lento e com músicas mais lentas e sempre prestando atenção onde devo respirar corretamente; sempre estou tentando aprender algo novo que venha de outros elementos, Capoeira, Kung Fu, Ballet, etc… Muita gente não sabe como fazer esses tipos de treino e muitos desanimam pela complexidade que é desenvolver os níveis, então, se você almeja chegar em lugares altos com dança, você precisa ser disciplinado e evoluir suas fraquezas. No Brasil, temos alguns B-Boys que usam bem os níveis: Neguin, Kekeu, Ratin, Bart, etc. No campo internacional, têm vários: Menno, Kleju, Victor, Ami, Kate, Ayumi, etc.
Vale destacar que isso não é um artigo onde eu incentivo que nós, brasileiros, devemos dançar como os estrangeiros, temos a nossa própria essência, mas esses conhecimentos expressados aqui são métodos universais que cada um de nós temos que desenvolver dentro das nossas próprias características. “Tudo que te traz desconforto é onde está a sua fraqueza”… bons treinos!
Fotos: Divulgação / Little Shao
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Mais de um ano se passou desde que a cidade entrou em estado de alerta e foi decretado o primeiro lockdown por conta da pandemia do coronavírus, que ainda iria tomar proporções inimagináveis.
Já esperávamos ter resultados negativos comparados a outros países mais desenvolvidos, pelo nosso histórico de governo, mas não tínhamos parado para pensar no quanto isso poderia nos afetar: no trabalho, nas relações pessoais, nas finanças e na saúde.
Ninguém estava preparado para isso, muito menos a nossa cultura, que, em tempos normais já sobrevivia com muita dificuldade. Não tínhamos ideia de quanto tempo isso iria durar e nem sabíamos o quanto um evento presencial faria falta.
Estar a 300 metros do local do evento, já ouvir o som de longe e, com a proximidade, sentir adrenalina, ansiedade e sentimento de alegria por estar presente no evento, tão esperado, por você e por muitos. Pensado e organizado por um grupo de pessoas, que há meses planejam esse acontecimento, contratam pessoas, empregam parentes, abrem espaço para os pequenos empreendedores vender seus “panos”, seus produtos, gerando renda para várias famílias. Situações tão normais no dia a dia que nunca paramos para refletir a importância deles. Rever amigos, ver inimigos, dançar, conversar, observar o tênis do colega, a jaqueta style que o outro está usando, as novas tatuagens daquele outro B-Boy, aquele casal de B-Boy/B-Girl que está sempre junto… passar raiva com os jurados desqualificados, o evento que não valoriza o DJ e tocou as músicas de uma mixtape baixada da internet pelo pen drive… mesmo dos piores eventos sentimos falta.
Isso, infelizmente, tem desencadeado uma série de preocupações com a saúde psicológica e física dos nossos colegas.
Sem eventos para ir, lugares para treinar, sem poder viajar, muitos têm passado os dias e noites presos à uma das drogas mais prejudiciais para a nossa saúde: a internet.
Com a ociosidade, veio a ansiedade. E com a ansiedade, a falta de empatia. Ah, a tal falta de empatia que mais nos separou do que em qualquer outro momento da história.
Todos já com os nervos à flor da pele, muitos desempregados, outros que perderam familiares ou amigos para a Covid-19, devastados, com o psicológico abalado, aí veio o anúncio: O BREAKING FOI OFICIALMENTE CONFIRMADO PARA AS OLIMPÍADAS DE 2024.
Alguns ficaram felizes, encontraram nesse anúncio um pouco de esperança e motivação. Outros, ficaram indignados com o fato do Breaking ser incluído em uma modalidade esportiva. Não precisa ser gênio para saber qual foi o resultado disso, muita discussão e mais falta de empatia tomou conta das redes sociais.
Oportunistas se fizeram presentes imediatamente, mesmo aqueles que tinham se declarado contra o Breaking nas Olimpíadas, brigaram por postos de poder para liderar o comitê representativo nacional.
Enquanto estes brigam sem nem saber por quem ou por quê, os números no país continuam crescentes e a previsão de retomada cada vez mais distante.
Antes de sermos artistas, somos seres humanos, somos seres humanos, SOMOS SERES HUMANOS. Precisamos ter mais HUMANIDADE, mais EMPATIA e mais CONSCIÊNCIA da REALIDADE que estamos vivenciando.
Amamos o Breaking, vivemos o Breaking, mas há questões mais emergentes que precisam da nossa energia e do nosso tempo, de todos que estão saudáveis e podem ajudar. O futuro está à frente, o presente é HOJE, e hoje muitas pessoas precisam de ajuda – ajuda para comer, ajuda para superar uma depressão, ajuda para enfrentar crises familiares, ajuda para se levantar.
Sejamos mais humanos e menos egoístas.
Assisti uma série recentemente de dança e uma frase se destacou “por mais que estejamos todos competindo uns com os outros, tenhamos nossas diferenças, sejamos inimigos, ainda estes são os únicos que me entendem, porque eles vivem o que eu vivo e sabem das dores, das dificuldades, da luta”. É isso, no fim, estamos todos no mesmo barco, somos iguais.
O que você tem feito por você nesse último ano? E, o que você tem feito pelos outros nesse último ano?
Que não percamos nunca nossa essência e que sempre nos lembremos da nossa história, da nossa cultura, que prega PAZ, AMOR, UNIÃO E DIVERSÃO.
This is Hip-Hop!
Fotos: Reprodução
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