No último final de semana, aconteceu no bairro do Jabaquara, em São Paulo, mais uma edição do Troféu Arte em Movimento, organizado pelo artista plástico José Pereira de Souza, mas conhecido como Zep.
O evento, mesmo num dia chuvoso, teve sucesso de público e reuniu diferentes gerações de artistas da Cultura Hip-Hop.
As mulheres estiveram em peso, só em São Paulo foram mais de 100 homenageadas, entre elas: Rúbia, Rose MC,Kika Maida, B-Girl Cris, a grafiteira Mel Zabunov, B-Girl Angel do Brasil e a rapper mirim Sara Cipri. A lista foi escolhida por nomes bem conhecidos e respeitados na cena como Robson Melancia, Monica Senna, Nego Mario e King Nino Brown.
Entre os homens, nomes como B-Boy Amendoim, o fotógrafo The Sarará, B-Boy Danzinho, o grafiteiro Minu e Dj Ninja receberam a premiação. Estava na casa, ou seja, em casa, também, a crew Jabaquara Breakers.
O evento, que está em sua sétima edição, este ano contou com uma novidade: 5 premiados internacionais selecionados pela apresentadora espanhola Margarita Espino, que é jornalista e apresentadora na Espanha e que foi convidada para indicar 5 artistas do Brasil para receber o prêmio.
O Portal Breaking World esteve no evento e registrou os melhores momentos, confira:
Nos próximos dias 30 e 31 de outubro, em São Paulo, acontece no bairro de Jabaquara a 7ª edição do Troféu Arte em Movimento, onde vários artistas de destaque da Cultura Hip-Hop foram lembrados e indicados por Robson Melancia, Monica Senna, Nego Mario e King Nino Brown para receberem o troféu.
A premiação, que é organizada pelo artista plástico José Pereira de Souza, mas conhecido como Zep, acontece todo ano e é o maior prêmio de artistas independentes da Cultura Hip-Hop do Brasil.
Nesta edição, as mulheres estão em peso. A previsão é que em todas as entregas nos Estados, o número chegue a 400 mulheres. Só em São Paulo, serão 100 mulheres homenageadas. Nomes como Kika Maida, Rose MC, Rúbia, B-Girl Angel do Brasil, a grafiteira Mel Zabunov, Sara Cipri, DJ Deise Miranda, B-Girl Cris, B-Girl Sah, Catarina Zola, entre outras, estão na lista das homenageadas. Entre os homens: o grafiteiro Minu, DJ Ninja, B-Boy Danzinho, Pretinho Black, B-Boy Amendoim, o fotógrafo The Sarara, Marboy, entre muitos outros vão ser reconhecidos com a premiação.
Este ano o Troféu Arte em Movimento conta com uma novidade: 5 premiados internacionais selecionados pela apresentadora espanhola Margarita Espino, que é jornalista e apresentadora na Espanha e que foi convidada para indicar 5 artistas do Brasil que vão receber o 1° Troféu Arte em Movimento Internacional oficial. Esse será o ponto de partida para a internacionalização do Arte em Movimento em alguns países fisicamente, em 2022.
O Portal Breaking World, que ano passado foi homenageado com a premiação, vai cobrir mais esse evento e vai mostrar os melhores momentos.
Quer saber o que rolou? Fique ligado na nossa rede social e na nossa página.
Serviço: Data: 30 e 31 de outubro de 2021 Horário: a partir das 14h Local: Galpão Cultural Endereço: Av. Barro Branco, 776 – Jabaquara
Na última semana, o Portal Breaking World foi convidado pela Red Bull BC One para cobrir mais uma edição de um dos maiores festivais de Breaking do país, já na sua 18ª edição. Aceitamos o convite e agora dividimos com vocês, leitores, toda a correria desse evento tão esperado por B-Boys e B-Girls.
O festival da Red Bull BC One e seu filtro passou pelas cidades de Fortaleza (CE), Brasília (DF) e Curitiba (PR). Durante todas as disputas, os critérios avaliados pelos jurados Pelezinho, FabGirl e Neguin foram: criatividade, originalidade, dinâmica, combinações de movimentos e musicalidade – que significa dançar em cima da ‘quebra’ da música, o que traduz o nome desse elemento da Cultura Hip-Hop.
No último sábado (2), a festa foi em São Paulo e a decisão também. O evento começou com a testagem de Covid-19 em todos os dançarinos e profissionais envolvidos, nossa equipe também foi testada pelo laboratório Hilab Life, que trabalhou intensamente no local, depois do resultado do teste negativado, entramos na Red Bull Station. O clima era de animação e dava para sentir de longe a energia de cada B-Boy e B-Girl, que depois de meses isolados tiveram a oportunidade de voltar ao convívio social.
Alguns chegaram de longe para participar do evento, como foi o caso do B-Boy Russo, da Crew 021, que veio do Rio de Janeiro direto para São Paulo ou do B-Boy Luizin de Ipatinga, que também é responsável pelo Portal Cultura Urbana e viajou quase 13 horas para participar do evento. São dele as palavras: “O evento é um dos mais conhecidos, está bem organizado e a vibe está ótima. Valeu todo o tempo de viagem”.
A competição começou com os filtros das B-Girls e conversamos com algumas delas:
B-Girl Loirinha, de Fortaleza: “Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a Deus por me dar força de correr atrás dos meus objetivos. A Red Bull está top, está legal o evento. Graças a Deus eu fui classificada, fiquei no Top 8. É isso aí, galera, vale participar e todos que puder compartilhem a cultura!”
B-Girl Keka: “A preparação para a Red Bull BC One esse ano foi difícil, porque eu ainda estou lesionada, eu lesionei o tendão, mas mesmo assim eu não parei. Continuo fazendo o que mais amo que é dançar Breaking e não vou parar, mas da próxima vez vou me preparar mais”, perguntamos sobre um climão que rolou na batalha de Keka com a B-Girl Jeizzy, ela respondeu: “Se você quer respeito, então dê respeito, quando as pessoas desrespeitam então precisamos cobrar…”.
B-Girl Marcelina, de Campinas: “Salve pessoal, é a primeira vez que eu estou batalhando na Red Bull numa batalha de B-Girls! Eu treino desde 2016, não passei no filtro, mas a experiência está sendo muito boa. Eu gosto muito de Power Move, foi muito bom conhecer outras B-Girls aqui e trocar experiências com elas e com os B-Boys também.”
Os jurados também opinaram sobre o evento e sobre as batalhas de B-Girls:
B-Boy Pelezinho comentou: “Olha, se a eliminatória Cypher São Paulo estava nessa vibe, nessa energia, as meninas com sangue nos olhos, estou imaginando como será na final nacional… Parabéns paras as meninas, devem ir para cima mesmo!”. FabGirl também acrescentou: “Foi incrível, depois de tanto tempo de pandemia, é como se as pessoas estivessem com muita fome de Breaking, muito entusiasmo de dançar, de se expressar, está sendo lindo e para mim uma experiência única, é isso! Só amor!”
Também conversamos com os B-Boys e veja o que eles falaram:
B-Boy Ruddy: “Eu não participo da Cypher São Paulo, mas no domingo participo do nacional como convidado! Bom, eu vim daquela forma, representando o interior de São Paulo. Aquele jeitinho maroto de ser, sendo ridículo e único, quebrando técnica todo o tempo. Obrigado ao Portal também pela informação, que também salva vidas! Quanto mais falar do Breaking, mais pessoas são alcançadas e isso é bom.”
B-Boy Suco: “Salve a todos! Eu sou o B-Boy Suco, do Hip-Hop Educa, satisfação de estar aqui na Red Bull BC One. O evento está bom! Sobre o Hip-Hop Educa, continuamos com os trabalhos sociais, amanhã mesmo tem um evento lá em Mauá. O mês de outubro todo será dedicado às crianças e continuaremos o trabalho!”
B-Boy Alan Jackass: “Esse ano foi incrível, passamos por muitas coisas, perdas na família, com a volta da Red Bull estou feliz por estar aqui, ver os amigos, treinei bastante, mas aqui o chão está difícil pois escorrega e não ajuda quem é Power Move! Fora isso, o evento está ótimo! Tudo tranquilo. Esse ano tive Covid, foi minha mãe que cuidou de mim, eu fiquei com o pulmão 50% comprometido, eles queriam me internar, mas eu fiquei com medo de chegar lá e ser entubado e morrer, então, fugi do hospital. Afinal, temos visto tantas mortes! Nunca esperamos que as coisas aconteçam conosco, achamos que somos fortes e aprendemos que temos que nos cuidar mais! Hoje mesmo, aqui, fizemos o teste e acho que está tudo tranquilo, todo mundo que está aqui não tem nada! Então, me sinto bem!”
Rooneyoyo (De São Paulo, Presidente da Confederação Brasileira de Breaking – CBRB): “Estamos aqui prestigiando o evento da Red Bull BC One. Acabamos de ver os filtros e logo saberemos os nomes que vão competir amanhã! O evento está muito bom e desejamos sucesso a todos os competidores!”
B-Boy Amendoim: “Eu, um tiozão, participei hoje da Red Bull BC One. Eu bagacei, a galera curtiu a entrada (risos), agora vamos ver os resultados! A energia de encontrar todos novamente foi algo muito louco! A galera veio para mostrar o peso, para mostrar que treinou e que estava preparado, foi um filtro muito difícil e os 16 nomes que vão sair serão B-Boys muito bons! Quem treinou e quem estava preparado! A batalha de B-Girl também foi boa e estamos na expectativa!
Enquanto o programa olímpico, que engloba o Breaking a partir de 2024, busca um diálogo mais aberto com a nova geração, lembrando que em Tóquio, em outros esportes urbanos como o Skate foram eles que ocuparam os pódios, no festival da Red Bull BC One a presença da nova geração ainda aconteceu de uma forma discreta! Alguns, que são inclusive destaques em eventos internacionais representando o Brasil, não puderam participar por causa da idade, lembrando que a idade mínima para se inscrever na Red Bull BC One é 16 anos. Mas conversamos com o B-Boy Marcin (16) da Dream Kids Brazil, que mora em Catalão (GO) e com o B-Boy Richard, de São Paulo (16), ambos representaram essa nova geração no evento. Marcin nos contou: “Foi uma experiência muito boa, fiz o meu melhor no filtro! Quem conhece a minha história sabe que não foi fácil nesses últimos anos, perdi minha mãe com Covid, mas dei a volta por cima, continuo treinando e evoluindo!”
Richard também falou: “Estive na eliminatória em Brasília e agora em São Paulo foi muito bom, gostei muito da energia! A minha viagem para Brasília foi de doideira, fui sozinho e foi muito bom! Agradeço a todos que me acolheram e me ajudaram.”
O primeiro dia da Red Bull BC One em São Paulo foi um sucesso! E a vibe estava incrível! E os destaques entre os que passaram no filtro foram B-Girl Jeizzy e B-Boy Training, entre outros nomes que também foram para a final.
Domingo chegou e com ele a decisão da final nacional, onde numa grande festa foram escolhidos os melhores breakers quem vão representar o Brasil na Last Chance Cypher, evento que vale vaga na Final Mundial, marcada para dias 5 e 6 de novembro de 2021, em Gdansk, na Polônia. A tarde foi marcada pelas eliminatórias femininas e masculinas. A primeira competição foi entre as 16 melhores B-Girls, em duelos 1×1 elas se enfrentaram numa disputa que não foi somente entre B-Girls e B-Boys mas claramente entre marcas. Itsa e Nathana, duas mineiras, uma de Belo Horizonte e outra de Uberlândia, brigaram pelo título, mas o primeiro lugar ficou com Itsa, que foi campeã na última Red Bull BC One Brazil em 2019 e que esse ano com muita tranquilidade, técnica, fluidez e Power Moves, mais uma vez garantiu seu lugar na BC One Mundial derrotando a B-Girl Nathana, patrocinada pela Everlast, marca que recentemente montou um time de B-Boys e B-Girls e vem tentando se fixar no setor, porém, sem muito sucesso. A noite foi de Itsa, a bicampeã, que recentemente também perdeu seus avós com Covid e, muito emocionada, fez um discurso que comoveu a todos que assistiram.
No masculino, o goiano Alexandre Duarte, conhecido como B-Boy Xandin, de Anápolis, da Rock Niggaz Crew, garantiu o primeiro lugar contra o B-Boy Kapu, da 021 Crew, do Rio de Janeiro.
A competição foi cheia de emoção e aconteceu em alto nível. O evento pela primeira vez teve transmissão ao vivo pela SporTV, com narração de Renata Silveira e como comentaristas B-Boy Aranha, da Tsunami All Stars e B-Girl Sandra Kelly. O Portal Breaking World, no domingo, também transmitiu ao vivo a competição! Essa foi a primeira edição após a entrada oficial do Breaking nos Jogos Olímpicos. Agradecemos a Red Bull BC One o convite e a atenção dada ao Portal Breaking World!
São Paulo sediará etapa decisiva do Red Bull BC One e 32 dançarinos disputarão vagas para o Mundial, que acontece na Polônia
Com quase vinte anos de tradição e grandes talentos do mundo inteiro conectados, o Red Bull BC One, principal competição de Breaking 1×1 do planeta, volta ao Brasil em 2021. E, neste domingo (3), os melhores B-Boys e B-Girls do país se enfrentarão em batalhas emocionantes visando à Final Mundial em novembro, na Polônia, onde um vencedor de cada categoria (masculina e feminina) competirá com artistas de todos os cantos do globo em busca do grande título mundial. Os interessados em mergulhar na modalidade poderão acompanhar a Final Nacional por meio da transmissão ao vivo no Youtube.com/RedBullBCOne e no canal SporTV, a partir das 17h (horário de Brasília).
A competição deste ano, que ocorre em mais de 30 países além do Brasil, marca a primeira edição após a entrada oficial da modalidade no maior evento multiesportivo do mundo, e possibilitará que o público conheça alguns dos principais nomes da cena. No júri, grandes referências avaliarão os dançarinos brasileiros, como o B-Boy Pelezinho, lenda do Breaking e figura presente na cena há mais de 20 anos; o B-Boy Neguin, colecionador de diferentes títulos mundiais; e a B-Girl FabGil, dançarina, coreógrafa, pesquisadora e fundadora do BSBGirls, considerado o primeiro grupo de Breaking de Brasília formado apenas por mulheres.
“Todos os participantes selecionados a partir das qualificatórias são perfis com muita potência e, tecnicamente, são os que estão mais preparados. Vamos ter um belíssimo show de talentos e garra nessa final. Estamos há tanto tempo sem eventos que estão todos com gana, famintos por Breaking. Estou contando os segundos para a grande final”, conta FabGirl.
Com qualificatórias regionais – ou Cyphers, como são chamadas no universo do Breaking – o evento já passou pelas cidades de Fortaleza (CE), Brasília (DF) e Curitiba (PR). Entre os finalistas destas localidades, há dançarinos que viajaram mais de 800 km para mostrarem todo o seu talento. Neste sábado (2), ocorre a última seletiva, em São Paulo. Durante todas as disputas, os critérios avaliados pelos jurados são: criatividade, originalidade, dinâmica, combinações de movimentos e musicalidade – que significa dançar em cima da ‘quebra’ da música, o que traduz o nome da modalidade.
“Em cada Estado que passamos eu pude perceber, por meio do Breaking, a riqueza de toda uma cultura local expressa em diferentes corporeidades e de diferentes contextos. É incrível como nosso país é diverso e como cada região tem um traço ou característica muito particular. Tudo isso me inspira demais e me faz pensar em como somos potentes, que o mundo precisa ver esse Brasil. O Brasil é lindo demais!”, finaliza FabGirl.
O Red Bull BC One é a maior competição individual do mundo entre B-Boys e B-Girls. Criado em 2004, o evento de Breaking é realizado em diversos países, onde a cada ano milhares de dançarinos competem em batalhas regionais, as chamadas Cyphers. Após essa primeira fase, os melhores 16 B-Boys e 16 B-Girls se enfrentam na final nacional do evento que, neste ano, ocorre em outubro na cidade de São Paulo. Os vencedores dessa etapa (um de cada categoria) garantem uma vaga na final mundial, que acontece no dia 6 de novembro, em Gdansk, na Polônia. A grande decisão funciona no formato mata-mata, no qual os participantes dançam em frente a um painel formado por cinco jurados e têm suas habilidades avaliadas. Vale tudo para impressionar: técnica, criatividade e simpatia. Quem for melhor em todos os requisitos e conquistar os juízes, vence.
Nos próximos dias 25, 28 de setembro e 7 de outubro, o grupo Funk Fockers apresenta um espetáculo de Breaking, que vai ser transmitido ao vivo . “Rotina” é o nome desse trabalho e leva a cultura Hip-Hop das ruas para o palco, misturando coreografia e audiovisual, sempre buscando novos horizontes dentro da cena.
“Existem poucos espetáculos de Breaking no país. Conseguimos de forma inédita a contemplação no edital ProAC, concorrendo com grandes companhias de dança de diversos segmentos como o balé e contemporâneo, nos permitindo colocar em prática as nossas ideias e apresentar uma obra criativa em uma narrativa atual e otimista”, comenta Allan Lopes (Mixa), diretor, B-Boy e coreógrafo. O espectador irá acompanhar o dia a dia de três entregadores de aplicativo que se preparam para curtir a primeira festa de Hip-Hop pós-pandemia.
O projeto conta com a colaboração da Fuligem Comunicação e Arte, um coletivo de artistas audiovisuais.
Imagem: Renato Prado
Conheça os artistas:
Allan Barbosa Lopes (Mixa): diretor artístico, coreógrafo , intérprete e B-Boy, no cenário Hip-Hop há quase 20 anos. É um dos fundadores da Funk Fockers, crew que foi criada em 2008. Passando por França, Dinamarca, Alemanha, Chile, Argentina, Estados Unidos e Colômbia, conquistou alguns títulos individuais e em grupo.
Bruno Siles (Onnurb): coreógrafo e intérprete, também é membro fundador do grupo Funk Fockers e dançarino de Breaking há 19 anos. Participou de competições nacionais e internacionais em vários países como Suíça, França, México e Singapura.
Thiago Antonio Alves (Thiaguin): coreógrafo e intérprete, integrante do grupo Funk Fockers, dançarino de Breaking há 18 anos, participou de um dos maiores campeonatos do mundo – The Notorious IBE, na Holanda, em 2011, como convidado especial.
Igor Goforit: DJ, MC, produtor e beatmaker desde 2000.
O projeto Rotina é realizado pela Fuligem Comunicação e Arte, Funk Fockers Crew e Governo do Estado de São Paulo, por meio do edital ProAC 03/2020 e conta com o patrocínio da Nest Panos, apoio da Strutura Contábil e Me Ghusta e produção da Oriri Agência Cultural.
Imagem: Renato Prado
Serviço:
Rotina Espetáculo de Breaking com Funk Fockers Crew 50min de duração On-line (Gratuito)
Confira o local das transmissões:
25/09/2021 às 19h Site: nestpanos.com YouTube: https://youtube.com/c/NestPanos
30/09/2021 às 19h YouTube – https://youtube.com/c/SUJO https://youtube.com/c/Funkfockers Instagram: https://instagram.com/funkfockers
Em sua 18ª edição, um dos mais tradicionais torneios mundiais de Breaking retorna ao Brasil depois de um ano sem acontecer por causa da pandemia. Com inscrições abertas a partir desta segunda (30), o Red Bull BC One reunirá os mais talentosos dançarinos para mais uma disputa de alto nível. As inscrições podem ser feitas por meio do site www.redbull.com.br/bcone. Para conectar os mais talentosos dançarinos do país, o evento conta com seletivas regionais, as chamadas “Cyphers” – que, neste ano, não permitirão a presença de público – nas cidades de São Paulo (SP), Fortaleza (CE), Curitiba (PR) e Brasília (DF). Os 16 B-Boys e 16 B-Girls que se destacarem nesta primeira fase se enfrentarão na Final Nacional, visando à uma vaga por categoria na etapa mundial do evento, que ocorre na Polônia, em novembro. A disputa deste ano, que conta com a participação de mais de 30 países, marca a primeira edição após a entrada oficial da modalidade no maior evento multiesportivo do mundo: as Olimpíadas. No júri da etapa nacional, conhecidos nomes avaliarão os dançarinos brasileiros, como o B-Boy Pelezinho, lenda do Breaking e figura presente na cena há mais de 20 anos; o B-Boy Neguin, colecionador de diferentes títulos mundiais; e a veterana B-Girl FabGirl. O Portal Breaking World não poderia deixar de falar sobre esse grande evento e para sabermos detalhes convidamos o B-Boy Pelezinho para mais uma animada conversa sobre a 18ª edição da Red Bull, os principais detalhes e dicas para quem pretende participar, falamos sobre Cyphers regionais, o nacional e o evento mundial, sobre o Breaking nas Olimpíadas e o recente interesse de novas marcas nesse elemento do Hip-Hop e, também, olhamos para o futuro falando da nova geração. Bom, vamos a mais essa entrevista que está show porque esse ano, segundo o Pelé, “o chão vai estalar e o bagulho será louco na BC One”.
BW: Pelezinho, o Campeonato da Red Bull BC One chega a 18ª edição. E num tempo de Pandemia! Fale um pouco da preparação desta edição, dos cuidados que estão sendo tomados e como vai acontecer em todos os estados e na final nacional e mundial… Afinal, foi um ano sem acontecer no Brasil…
Pelezinho: Sim, é a 18ª Red Bull BC One, é uma vida né? Ficamos um ano sem ter o evento devido a pandemia, mas esse ano, graças a Deus, vamos ter a oportunidade de ter a Red Bull BC One Cypher Brazil. Sim, estamos tendo todos os cuidados, em todas as cyphers os dançarinos que estiverem inscritos serão testados para Covid-19. Serão só os dançarinos, jurados, DJ’s e MC ́s e a galera que vai estar trabalhando, então, serão pouquíssimas pessoas e na parte internacional eu também acredito que será isso na final mundial. Só os dançarinos e o pessoal envolvido. Lá na Polônia, eu acredito que, por ser um país menor, a situação está controlada, pode até ter algumas pessoas assistindo, mas aqui no Brasil serão só dançarinos, DJ’s, MC’s e profissionais envolvidos.
BW: Na sua opinião, qual o nível de competidores esperado nesse evento? Pois se por um lado houve tempo para treinar, por outro houve várias dificuldades, falta de espaço, locais fechados antes usados para treinos, ausência do contato humano em outros eventos, alguns tiveram Covid-19, outros deixaram de treinar por medo de contrair a doença…
Pelezinho: Nesse tempo de pandemia foi complicado para a galera que vive da dança, que depende de eventos, de projetos, de competições, eu sei que foi difícil para muitos e ainda teve pessoas que perderam familiares, aqueles que pegaram o vírus, foi complicadíssimo. Mas teve um lado bom dessa parte, a galera teve tempo para pensar, tempo para entender o que estamos vivendo mesmo que com dificuldades. Eu acredito que muitos tiveram a possibilidade de praticar solo para poder entender alguns movimentos que eles não estavam fazendo ou que eles estavam criando uma transição, então tem esse lado e também justamente por ter ficado tanto tempo sem evento… Teve eventos on-line, mas sem dúvida é diferente! E agora com o Red Bull BC One, eu acredito que os dançarinos vão pegar todo esse tempo, toda essa energia contida e vão jogar nessas batalhas que vão ter. Então, eu acredito que o nível será alto este ano!
BW: Que exigências vão existir por parte da Red Bull para os que vão participar da Cypher e depois da nacional e do mundial? Você já falou dos testes mas serão exigidos cartão de vacina? Uso de máscaras?
Pelezinho: Em relação a competição aqui no Brasil, quem fizer o teste e estiver okay, dança! Quem der positivo, volta para casa! Vai ter um local especifico onde vai ficar a galera que vai participar e vai ser separado as meninas e depois, os meninos, para não ter aglomeração. Vai ter que usar mascara no local onde eles estiverem, mas na hora da batalha não, a não ser se o dançarino desejar usar. Em relação a Polônia, acredito que até lá alguns dançarinos já estejam com as duas doses da vacina e não terá problema.
BW: Em que local será a Cypher São Paulo?
Pelezinho: Nesse momento eu ainda não sei onde será a Cypher São Paulo. Mas logo mais já teremos as informações e as pessoas devem ficar de olho! Agora, vamos seguir com as Cyphers Fortaleza, Brasília e Curitiba.
BW: Novamente como jurado. Fale um pouco do seu critério de julgamento e os pontos que leva em consideração na hora de avaliar a performance de um dançarino? No meio do Breaking fala-se de tudo e muitas vezes de todos a afirmação que “Quando o Pelé não gosta de alguém, essa pessoa não entra!”, como você se sente quando escuta coisas assim? Que recado você daria para as pessoas que pensam assim?
Pelezinho: Você viu, né? Mais uma vez como jurado! É muita responsabilidade todos esses anos, então, eu acredito que estou fazendo um bom trabalho para ser jurado por tantos anos! Sobre os critérios, todos sabem que é musicalidade, criatividade, os movimentos bem executados, mostrando algo bonito para os jurados. São três cabeças pensando diferente, mais ao mesmo tempo, focados na dança Breaking, então, cada um sabe o que tem que fazer. O mais importante é ir lá e mostrar o porquê você está ali e o porquê você quer ser campeão, então, ganha! Quando as pessoas falam que o Pelé é isso ou aquilo: gente! Eu não sou o dono da Red Bull, eu sou só uma pessoa que tenho uma história dentro da empresa, eu fui o primeiro dançarino [brasileiro] a competir na Red Bull 2005, de lá para cá, eu tenho um contrato com a Red Bull desde 2006, então, eu fiz muitas coisas e venho fazendo ainda. Eu não sou dono da BC One e é chato quando as pessoas pensam dessa maneira, acham que eu mando em alguma coisa, mas na verdade eu procuro o melhor para a dança no Brasil, eu procuro ajudar da melhor forma e quando tem o período que vai acontecer o Red Bull BC One, procuramos as melhores situações para poder realizar o evento, porquê o evento é para dançarinos e dançarinas e, frisando mais uma vez, eu não sou o dono da Red Bull. E o mais importante de tudo isso é o respeito e a consideração que a empresa Red Bull tem por mim.
BW: No passado, você organizou uma edição da Red Bull “Under My Wing”, focado nos jovens, existe o desejo de fazer novamente, já que a nova geração em todo o mundo cada vez está chegando mais nova e com toda força? Nas Olimpíadas, por exemplo, no Skate tivemos um pódio com nossa Rayssa e mais duas meninas que tinham menos do que 17 anos. E no Breaking também se levanta uma nova geração forte, com pouca idade, sim, mas com muito talento, vigorosa em todo o mundo, seria o momento de olhar para o futuro e fazer uma nova edição?
Pelezinho: Sobre o Red Bull Under My Wing, poxa, eu lembro até hoje, foi um dos projetos mais incríveis que eu tive a possibilidade de participar, de ajudar a criar um formato um pouco amplo, porque na época ele era voltado só para workshop e aí eu lembro que, quando chegou o projeto, chegou o convite, eu achei interessante acrescentar mais coisas, na época, porque realmente descobrimos novos talentos e 16 jovens talentos e aquilo foi incrível, foi de onde saiu o Leony, praticamente até então o Leony nunca tinha saído de Belém, ele era do Projeto Curumim e eu gostaria muito, mas muito mesmo, que tivesse uma nova edição aqui no Brasil. Poderia ser com o Neguin, pegando a história do Leony, mas o importante era ter novamente e principalmente agora, num momento como esse de Breaking nas Olimpíadas, dentro de uma pandemia, entender tudo o que essa garotada nova está passando, está vivendo, eu gostaria muito que voltasse esse projeto. Na época, só foi o Lilou que tinha feito. O que foi feito aqui comigo no Brasil foi mais amplo, eu lembro que quando eu peguei, falei: será que eu posso trazer para a minha cidade? Mostrar para eles onde tudo começou? Mostrar a minha parte dentro do Breaking? Foi um baita projeto!
BW: Depois de Tóquio, das Paralimpíadas, o foco agora é Paris 2024. E o Breaking é a bola da vez! O que você acha de outras marcas e outros energéticos neste momento estarem se aproximando da Cultura Hip-Hop e do elemento Breaking? Como a Red Bull vê isso?
Pelezinho: Sobre as Olimpíadas de Paris, já estão aí, são praticamente 3 anos. Já deu para perceber que eles vão focar bastante no Breaking, até devido as transições que eles estão querendo, que é mais a garotada, os jovens e queira ou não, na hora que a galera que não está acostumada com o Breaking ver aqueles movimentos que a gente faz, que consegue ver o mundo de ponta-cabeça (sic), o mundo girando, será demais! Desde o início, quando eu recebi as informações, eu sempre fui a favor do Breaking nas Olimpíadas, portas vão se abrir, como você mesmo, em relação às marcas. Poxa, é importante, né? Eu sei que agora vai abrir aquele leque grandão, as pessoas oportunistas para poder mostrar suas empresas, que eu que tenho mais de 20 anos dançando penso: Por quê essas marcas não poderiam ter chegado antes? Mas tudo bem, está tudo certo! A cena da dança agradece! Eles estão chegando agora! E sobre as marcas de energéticos, a Red Bull praticamente é a pioneira! Porque vem desde 2001 voltada ao Breaking! Só espero que isso tudo dure, né? Que não seja apenas uma onda! Uma pequena onda! Espero que seja uma grande onda e consiga carregar muitas pessoas. E como algumas pessoas sabem, até dançarinos que são patrocinados por outra marca de energético competem na Red Bull BC One, então, quem defende seu patrocínio a galera da Red Bull não implica, respeita, será que nos outros eventos aí se tiver eles vão também respeitar? Então, já fica essa ideia minha aí para a galera que está chegando agora de outros energéticos pensar… Respeita nossa história! Respeita nossa Cultura!
BW: Na final mundial na Polônia teremos B-Boys e B-Girls brasileiros convidados diretos a participar?
Pelezinho: Sobre o campeonato mundial eu não tenho a informação se terá algum brasileiro convidado direto, mas quem sabe né? A Red Bull sempre gosta de fazer aquele suspense e é até bom, porque a galera fica toda elétrica. Mas esse ano aqui no Brasil o bicho vai pegar! Na final nacional eu tenho certeza que o coro vai comer! (risos).
BW: A Cypher São Paulo acontece no dia 2/10 e a final nacional no dia 3/10. Olhando a proximidade das datas, isso não interfere no rendimento dos dançarinos?
Pelezinho: Cypher São Paulo dia 2 de outubro, onde vai ter aquela galera, os inscritos e no dia 3 de outubro, no dia seguinte, a final nacional. Então, quem passou, quem sem classificou, quem veio de outras Cyphers classificados, eu não vejo problema nenhum de quem está em São Paulo participar num dia e depois no outro e outra, o lado bom, serão dois dias ali e aquela adrenalina e tal. Para quem não lembra, o Leony saiu do Brasil, foi para o Japão, chegou num baita fuso horário, ganhou lá de todos os B-Boys que tinha, não dormiu direito, adrenalina estava a milhão, foi para o evento versus Taisuki, abriu o evento, fez as três entradas dele, não ganhou do Taisuki, agora, para e pensa, eu nunca escutei ele falar que estava cansado… Só uma dica que eu dou para a galera: aproveita esses dois dias, principalmente quem estiver participando da eliminatória São Paulo, se motiva nesse dia, não vem falar que está cansado, cai para dentro!
BW: Que recado você mandaria, que dicas você daria para todos que já se inscreveram ou que ainda vão se inscrever nesta 18ª edição?
Pelezinho: A dica que eu dou para quem se inscreveu ou que ainda vai se inscrever para participar das Cyphers regionais e a nacional: galera, aproveita esse momento que a gente tem, de realizar o Red Bull BC One esse ano! Muitas pessoas têm o sonho de participar desse evento. Faça por você e faça pela sua história, se é isso que você quer, então faça de verdade! Porque talvez você pegou a vaga de uma pessoa que estava querendo muito participar, essa é a minha dica. Com certeza, muitas pessoas vão ficar de fora por não ter conseguido fazer a inscrição a tempo por causa da pandemia!
Ele nasceu em Pernambuco, na cidade de Palmares, mas foi em São Paulo, na Zona Leste, que conheceu e se envolveu com a Cultura Hip-Hop. Estamos falando de Luiz Paulo Roberto de Oliveira, o conhecido B-Boy e MC Lula da Gang Style Crew. Ele também é o fundador do Coletivo Hip-Hop no Vagão.
Com 29 anos, sendo 17 no Hip-Hop, Lula já passou por quase todos os elementos da Cultura de Rua. Casado com Tayná Rodrigues Rosa, que é uma das maiores incentivadoras de sua arte e do seu trabalho, Lula essa semana lançou mais um vídeo que deu o que falar, chamado “8 Jurados que você não pode contratar para o seu evento!”. Confira o bate-papo animado e descontraído que tivemos com esse mano, que também é um grande talento da cena. Viva os nossos! Viva o Hip-Hop brasileiro!
BW: Lula, queria que você me falasse seu nome de batismo, sua idade, onde nasceu e que lembranças você tem da sua infância?
Lula: Meu nome é Luis Paulo Roberto de Oliveira, tenho 29 anos, nasci em Pernambuco, em Palmares. Saí de lá e vim para São Matheus com 3 anos de idade, lembranças que eu tenho da minha infância é em São Matheus, as brincadeiras de criança no meio das vielas, os corre-corres de polícia e ladrão, muito futebol, jogava muita bola, trabalhava muito na sucata com os meus primos, algo que foi marcante também na minha vida. Passei por muitas enchentes, isso me marcou muito também na infância, isso acontecia muito na favela e muitas vezes ficávamos com o rodo na mão, tirando as águas e isso me marcou muito na infância.
BW: Quando e com que idade você teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop?
Lula: Eu tive contato com a Cultura Hip-Hop em 2001, escutava nos CD´s do Chris Brown entre outros, assistia DVD´s, vídeo clipes, o meu primeiro contato foi com o Rap, segundo contato foi com o Graffiti, onde tive a oportunidade de ter umas aulas na escola mesmo, na Escola da Família e bem mais para frente foi a dança. Mas, antes de tudo mesmo eu tinha os meus tios que escutavam muito Rap nacional, os irmãos da minha mãe e os irmãos do meu pai e eu era muito fascinado pelo Rap mesmo. Eu via o programa da MTV onde passava muitos clipes e eu comecei a dançar Popping dentro de casa e depois eu fui treinar Breaking na Escola da Família quando eu estava em Guaianases já.
BW: Fale sobre sua relação com o Breaking: onde e com quem aprendeu? Nos conte um pouco sobre sua caminhada de B-Boy junto a Gang Style?
Lula: Na escola que eu estudava em Guaianases tinha aquele som no intervalo, aí tinha uma galera que dançava Breaking lá e eles treinavam Breaking no fim de semana na escola e essa época aí que tinha som no intervalo, tocava muito Rap e eles também faziam rodas e dançavam Breaking e Popping. Na época, eu cheguei dançando Popping, eles me viram dançar Popping no intervalo e me chamaram para ir no fim de semana lá na Escola Joaquim Eugenio que era onde eu estudava, escola “barracão”, bem conhecida naquela região, só que no primeiro dia que eu fui eles treinavam na sala de cima e embaixo tinha jogo de tabuleiro, vôlei, ping pong e jogo de dama e eu sempre gostei muito de jogo de dama, aí eu cheguei bem cedinho para procurar a sala onde tinha dança de rua, mas eu dei de cara com o pessoal jogando dama, xadrez e eu não resisti e fiquei por lá das 11h da manhã até as 16h jogando dama e eles desceram e me encontraram jogando dama e falaram: “Pô, nós chamamos você para dançar e chega aqui e fica jogando o dia todo…”. Aí eu subi, treinei apenas uma hora com eles e, no domingo, eu voltei e treinei o dia todo! Minha vivência com a Gang Style é muito legal pois caminhamos junto há muito tempo. Eu aprendi a dançar Breaking com eles. A Gang sempre fez parte da minha vida desde o começo mesmo. Mas foi em Guaianases onde nós já tínhamos um tempo de dança, na escola, que começou o lance com a Gang, cheguei lá tinha a galera, tinha o Douglas, o Linoo e o Júlio, que é o Jab, nosso conhecido DJ e eles gostaram muito de mim. O Douglas me pegou para treinar bem mais forte e minha experiência com a Gang foi linda porquê dessa época que treinamos juntos eu entrei no grupo, aí para frente teve muita competição. Eu era um moleque, só competidor mesmo e em todos os lugares que eu ia representava a Gang, me apresentei em palcos de quermesse, festas de rua que eram Festas Black e campeonatos. Chegou uma época em que os campeonatos ocupavam muito o meu tempo e eu ficava apenas competindo!
BW: Quando você começou a ser MC de batalhas de Breaking? Fale dos principais eventos que participou como MC…
Lula: A minha primeira participação como MC eu colei num evento que era All Style e na época era para outro MC da Gang participar, mas ele não foi e eu fui no lugar dele, apresentei rapidinho umas três batalhas, me identifiquei muito com isso, a galera gostou muito do meu trabalho como MC pela minha forma diferenciada de trabalhar, pela forma de animar, de ser bem feliz, comunicativo e tiveram eventos muito legais que eu gostei de apresentar. Eu quero que essa pandemia acabe logo para voltar tudo! Os oficiais foram Arena Caieiras, que eu sou o MC oficial de lá, o Favos Battle, que é um dos primeiros eventos que eu apresentei próximo ao Parque Villa Lobos, a Batalha Final, evento que eu gostei demais do meu destaque como MC, o Breaking Ibira e eu apresentei um campeonato chamado Criança Esperança, que foi uma Seven7Smoke, sendo bem legal, eu aprendi muito nesse dia e a competição da Gang Style que é a Batalha das Gangues. E eu pretendo ver a questão das Olimpíadas, parece que vai ter espaço para os MC’s.
BW: Quais são as principais características que um bom MC tem que ter durante uma batalha? O que um MC não pode fazer numa batalha?
Lula: Nossa, é muito legal essa pergunta! Pra mim as principais características de um bom MC, que ele tem que ter na batalha é comunicação, a espiritualidade de ter um espírito bem alegre para animar a festa diante de várias situações que podem acontecer, a batalha pode não estar muito boa, o público pode não estar muito bom e o MC tem que ter foco e confiança e muita felicidade para conseguir reverter a situação… e o que o MC não pode? Ele não pode aceitar certas posturas de B-Boys, como já aconteceu em várias batalhas, tipo gestos obscenos para B-Girls, segundo, ofensas e xingamentos. Numa situação dessa eu paro a batalha e troco uma ideia. E posturas de B-Boys e B-Girls que não aceitam perder e alguns dão até vexames, que acabam desrespeitando jurados, organização e pra mim isso está na mão do MC de corrigir essas posturas.
BW: Queria que você falasse sobre o vídeo que gravou sobre as “8 características insuportáveis dos jurados de Breaking”. Como surgiu a ideia de fazer esse vídeo? Foi baseado nas suas experiências nos diversos eventos?
Lula: Esse vídeo aí eu escrevi um pouco sobre ele, fui lembrando de coisas que eu passei… Porque eu sou competidor há muitos anos, tem um bom tempo que sou MC, eu defendo muito os DJ’s e existe algumas posturas de jurados que eu trabalhei, com vários deles também sendo jurado e fui me lembrando e já sofri também com atitudes erradas dos jurados. O MC sofre com alguns jurados que querem falar mais que o MC e muitas vezes tira a paciência e o brilho dos MC´s que estão trabalhando. Então, eu escrevi um pouco dessas atitudes, mas o vídeo foi freestyle, eu parei, pensei nas atitudes e fui muito “eu mesmo”, não copio ninguém, algo que destacou muito no meu vídeo que a galera falou foi a minha personalidade, eu mostrei o que eu sou. O carisma que eu tenho e que levo na dança, nas batalhas e também como ator que sou. Eu marquei e segui as posturas que eu tinha separado de cada jurado, o resto foi na hora! Eu criei na hora, sem roteiro, sem filtro, sem nada. O lugar que eu gravei é do lado da minha casa, no quintal e achei muito legal o ângulo. E vem mais partes por aí, aguardem!
BW: Fale um pouco sobre cada uma dessas oito características. Você já foi vítima de alguns deles?
Lula: Que da hora essa pergunta (risos). Primeiro é aquele jurado que fala muito quando está rolando as batalhas, o jurado fica falando mal da dança de um ou de outro competidor para influenciar a opinião do outro jurado. Ele fica cutucando os outros jurados para direcionar o voto deles. Segundo, são aqueles que vão virado da balada, o competidor treina para aquele evento e o jurado dorme na hora de julgar no meio das batalhas, não dava atenção, sem compromisso. Ir à balada tudo bem, agora dormir no trabalho não rola. Terceiro, são aqueles que perturbam o MC, que querem ser jurados e apresentar o evento junto. Quarto, são aqueles que comem no meio da batalha, eles olham tanto para os alimentos que perdem a batalha, acabam dando voto errado, perdendo os detalhes. A pior coisa para um competidor é ele estar dançando e os jurados não prestarem atenção e, vamos falar a verdade, vamos deixar para comer depois! Tem hora para isso, normalmente é quando o jurado chega e não na hora da batalha. Quinto, é o que enche o saco do DJ, ele quer ser jurado, ser MC e DJ e tem jurado muito chato, que quer se envolver em outras áreas que não são a dele. Já basta alguns competidores que ficam pedindo para trocar de músicas. Quando tem um cara da crew dele dançando ele quer que o DJ toque a música que o mano vai estourar. Sexto é o sabichão, é aquele que fica batendo o braço falando que tudo é roubado, copiado e isso deixa o competidor irritado com as posturas inadequadas. O sétimo é aquele que só empata, pra mim não existe empate, eles cansam os B-Boys e as B-Girls os fazendo repetir várias vezes e, por último, o espertinho, que eu já passei por isso também, fui a campeonatos que jurados não querem votar quando tem a crew dele participando e na minha opinião isso é super errado, o competidor se inscreve ali sabendo quem vai estar julgando e o jurado tem que julgar todo mundo que for competir, não tem essa que é da própria crew ou não, só que no vídeo eu fui mais além e contei algo que eu já passei, do jurado não querer julgar, mas quando chegou na final ele foi lá e votou, pois estava valendo dinheiro, viagem para fora do país, então, aí ele vai votar e no final eu fui bem original, saí gritando (risos): “Vai pagar a pizza e o litrão! Litrão! Litrão!”.
BW: Como você acha que os jurados deveriam ser escolhidos pelos eventos?
Lula: Eu acho que deveriam ser escolhidos jurados que estão sempre na ativa, participando frequentemente de eventos, estudando e se atualizando na Cultura Hip-Hop, porque colocar jurado que está muito tempo afastado de evento e de competição é embaçado. Ele precisa entender o que o competidor está fazendo, se copiou recentemente alguém, outra coisa, tem que ter dignidade, ser justo quando tiver B-Boys da sua própria crew competindo. Você vê se o jurado é digno nessa hora, se a crew dele perde na batalha e aí ele vai lá e dá o voto a favor deles, se ele age assim é um jurado que você não precisa chamá-lo depois…
BW: No final você fala dos “jurados espertinhos”, têm muitos desses por aí? Aqueles que colocam a crew toda na premiação?
Lula: Têm muitos jurados espertinhos! E o pior de tudo é que existem muitas estratégias de esperteza! Tipo, no vídeo eu só coloquei um exemplo sobre as pilantragens que alguns jurados fazem em eventos. Falo da questão do amigo, ele perdeu a batalha mas ele é meu amigo, então, vou votar nele. Tem a questão do espertinho que o jurado sabe que muitas coisas que o cara fez foram erradas e ele passa por cima. Tem a questão do roubado, uma coisa é você praticar os fundamentos que você vê outros dançarinos fazerem, isso não é roubado! Outra coisa, aí sim, é você roubar a identidade daquele B-Boy ou daquela B-Girl. Exemplo: todo mundo faz aqueles Footworks das videoaulas dos caras lá de fora, isso não é roubar e sim se inspirar. Outra coisa é você roubar identidade, movimentos que só aquele dançarino faz. E que todo mundo sabe que é dele! Isso mata de verdade!
BW: Como foi a reação das pessoas diante do vídeo? Alguém criticou ou foram mais elogios?
Lula: Diante o vídeo só recebi elogios e até agora nenhuma crítica. Todo mundo gostou. As reações foram risadas e depois o pior: que é verdade! Até recebi um pedido de workshop de como fazer um vídeo desse e isso me impressionou! Mas eu estou super aberto para críticas também!
BW: Pretende gravar mais vídeos? Se sim, já tem algum tema em mente?
Lula: Pretendo gravar muito mais vídeos! Estou aberto para receber sugestões de temas. Agora, o próximo é surpresa! Convido a todos para me acompanharem nas redes sociais.
BW: Deixe uma mensagem para os leitores do Portal Breaking World?
Lula: Salve, leitores do Portal Breaking World, aqui vão alguns conselhos: B-Boys e B-Girls, espero que vocês peguem esse vídeo que eu fiz agora e pensem um pouquinho, muitas pessoas se identificaram com o vídeo e com as situações que eu falei. Primeiramente, eu peço que possamos valorizar mais os nossos DJ’s, porque sem eles não tem festa, nossos MC’s, respeitem os nossos jurados e nossos jurados, respeitem nossos competidores também! É algo recíproco! Os DJ´s vêm sofrendo muito! E galera, vocês que pensam em fazer vídeos do mesmo jeito ou outros vídeos, procurem ser no máximo originais e respeitosos, tá bom? Muito respeito pelo o que você vai fazer ali, para não ter uma postura errada, preconceituosa, racista, homofóbica, precisamos ter muito cuidado para não soar isso, de resto, vamos lutar para fazer o povo brasileiro sorrir, porque o meu foco é esse num momento tão difícil de pandemia e de perdas de pessoas que amamos e o momento que todo mundo está preso dentro de casa, morrendo de saudades dos eventos. Então, vamos usar a tecnologia para fazer o próximo sorrir, esse é o melhor remédio. E, por fim, boas energias atraem boas energias e más energias atraem más energias. Obrigado, Portal Breaking World, estou muito feliz de fazer parte disso!
Confira o vídeo de MC Lula
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Depois de uma grande polêmica em torno do novo clipe de Gabriel O Pensador, “Patriota Comunista”, que teve algumas imagens gravadas no Cemitério Parque dos Buritis, em Uberlândia, ele em sua rede social falou: “Comecei a carreira sendo censurado e censurando a censura. Venci a hipocrisia e os aproveitadores de plantão mais de uma vez. Tentaram me intimidar novamente com duas notificações hoje e tentativa de censura prévia. Muito barulho, mas sem fundamento. O clipe de Patriota Comunista foi gravado num cemitério muito criterioso e sério, escolhido justamente porque queríamos retratar com respeito e beleza os temas da letra da música, que incluem o respeito à morte e a vida”.
O clipe entrou nas plataformas digitais essa semana e já pode ser visualizado. Confira abaixo:
Patriota Comunista - Gabriel O Pensador
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As batalhas virtuais do campeonato da Red Bull BC One acontecem, neste sábado (26), com transmissão ao vivo, o brasileiro B-Boy Bart que recentemente conversou com o Portal Breaking World disputará contra outros 7 B-Boys de diferentes locais do planeta em busca de uma vaga para a final mundial do evento, que acontece na Polônia, em novembro.
Quem quiser conhecer mais sobre a dinâmica do torneio e como funcionam as competições 1×1 de breaking, vale acompanhar todas as emoções ao vivo, a partir das 13h (horário de Brasília), por meio da Red Bull TV e dos canais oficiais do evento no Facebook e YouTube.
E ainda:
Follow the Steps:Que tal uma viagem ao redor do mundo com uma das equipes de Breaking mais famosas de todos os tempos? Quatro vezes campeões mundiais da modalidade, os Flying Steps protagonizam esta série de seis episódios, em que a crew europeia mostra todas as suas habilidades e seu estilo único, deixando sua marca em locais como Estados Unidos, Áustria e até em alto mar, a bordo de um cruzeiro.
Dance Como: Fortemente ligada às raízes brasileiras, a série de quatro episódios vai além do Breaking e acompanha as trajetórias de dançarinos periféricos que superaram desafios e tornaram-se referência em seus estilos. A produção conta com a participação de grandes nomes nacionais da cena de cultura urbana.
ABC… do Red Bull BC One:Décimo episódio da série “ABC do…”, a produção de 25 minutos acompanha toda a trajetória do maior campeonato de Breaking 1×1 do mundo, desde sua fundação até todas as lendas que passaram pelo evento em seus 17 anos de história. O episódio ainda funciona como uma espécie de aula, já que apresenta todos os diferentes elementos e movimentos que compõem uma dança de Breaking.
Foto: ® Dean Tream Red Bull
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Série sobre o Hip-Hop em SP, idealizada por OsGêmeos, estreou na última quinta-feira no YouTube da Pinacoteca de São Paulo
A Pinacoteca de São Paulo lançou semana passada uma série audiovisual chamada “Segredos”, idealizada pelos gêmeos Gustavo e Otávio Pandolfo, que contam a história do Hip-Hop brasileiro por meio das lembranças dos artistas que fizeram parte dessa efervescência, desde 1980. A série foi dividida em quatro episódios e vai ser disponibilizada no YouTube da Pinacoteca (https://www.youtube com/user/MuseuPinacoteca) todas as quintas, às 20h.
A cada episódio, OsGêmeos recebem convidados diferentes que fazem parte do movimento para relembrar a trajetória de cada um e contá-la às novas gerações. Desta maneira, pretendem demonstrar como o Hip-Hop se transformou em uma das manifestações artísticas e culturais mais relevantes no Brasil, sendo determinante na vida dos que fizeram e fazem parte dele, não apenas por introduzi-los ao Rap, ao Breaking e ao Graffiti, mas pelas amizades que surgiram nos eventos da São Bento, berço do movimento em São Paulo, e que continuam até hoje.
Os encontros acontecem no vagão de um trem, imaginado pelos artistas e montado no ateliê dos dois. Declararam numa entrevista para o Estadão: “É uma cápsula do tempo que nos leva de volta à década de 80 para reviver a nossa história e a dos nossos amigos, que é a própria história do Hip-Hop”, conta Gustavo. Dentro desta máquina do tempo se revela, por exemplo, que o DJ KL Jay, do Racionais MC’s, foi dançarino de Breaking nos anos 1980. Os próprios irmãos, conhecidos no mundo inteiro graças ao Graffiti, contam que dançaram Breaking e cantaram Rap. “Todo mundo fazia um pouco de tudo”, diz Otávio.
Gustavo e Otávio Pandolfo, mundialmente conhecidos como “OsGêmeos”
A ideia de documentar a história do movimento é antiga, mas fazer isso por meio de uma série documental surgiu durante a montagem da exposição “OsGêmeos: Segredos”, no ano 2020. A exposição pretendia, inicialmente, fazer oficinas de Hip-Hop com jovens para incentivar a arte, mas a ideia foi abortada após o surgimento da pandemia do coronavírus. Foi aí que a série surgiu. O resultado é visto de uma maneira tão positiva pelos artistas que eles contam que “é só o começo de uma grande história”, mas não revelam o que têm em mente. O futuro promete revelar segredos…
Segundo Jochen Volz, o diretor-geral da Pinacoteca, a intenção é que o documentário também tenha uma finalidade educadora e possa servir para fomentar aulas, oficinas e debates. “O documentário foi montado de maneira bastante didática para ser visto por todos os públicos e para que os jovens, estudantes, possam aprender sobre a história do Hip-Hop e dos seus próprios artistas”, afirma Volz.
Segundo os irmãos, as entrevistas do documentário foram feitas sem um roteiro. Com improviso, histórias que não conheciam, mesmo com mais de 35 anos de amizade com a maioria dos entrevistados, foram reveladas por meio do relato de convidados como: Thaíde, KL Jay, Erick Jay, Edi Rock, Rooneyoyo e Nelson Triunfo.
Fotos: Divulgação Pinacoteca/OsGêmeos
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