Aconteceu no último domingo, em Rio Claro, mais uma edição da Batalha da Amizade que se repete desde 2002, organizada por Luiz Zangão Cruz, mais conhecido como B-Boy Índio. O evento, que já é tradicional e bem conhecido na cena, reuniu B-Boys, B-Girls e MC´s de varios localidades do Brasil, que participaram da Batalha de MC e da Batalha de Breaking 1vs1.
Para quem desconhece, o trabalho da Casa da Amizade vai bem além dos eventos. Índio o ano inteiro desenvolve trabalhos sociais, como distribuição de marmitas, de roupas e resgate de jovens envolvidos com drogas. Além disso, na Casa da Amizade ainda têm as aulas que ensinam sobre alguns elementos da Cultura Hip-Hop como o Rap, o Graffiti e o Breaking. Também ensinam Street Dance!
Esse ano, o evento teve um gosto especial de liberdade após todas as restrições vividas por todos com a pandemia! Na Batalha de MC´s, nomes como Mendz, Shawlin, Bigode e Caldas se enfrentaram, mas a final foi pesada entre o paulistano de apenas 14 anos, Eagle e o jovem HZ, que foi o ganhador da noite e levou R$ 500,00 para casa.
No Breaking, B-Boys e B-Girls de gerações diferentes batalharam valendo uma premiação de R$ 1.000,00. No filtro, passaram 16 nomes que competiram entre si e foram julgados pelo B-Boy Brunão, jurado dessa Batalha. A final foi entre B-Boy Kley e B-Boy Sinistro, que foi o Campeão. Esteve presente visitando o evento o Secretário de Cultura de Rio Claro, Dalberto Christofoletti.
Secretário de Cultura de Rio Claro, Dalberto Christofoletti compareceu a Batalha da Amizade, que foi realizada com recursos da Lei Aldir Blanc.
O Portal Breaking World marcou presença e conversou com o B-Boy Índio sobre o clima cultural e familiar do evento, ele que falou: “Em todos esses anos eu vi muitas atitudes erradas, falta de união dentro do Hip-Hop e na vida em geral. Muita gente falando mal do próprio irmão da cultura, o sistema maltratando seres humanos, então, eu vi que poderia fazer algo diferente que trouxesse mais amor e oportunidades para as pessoas e a Batalha da Amizade é exatamente isso!”.
O evento foi um sucesso e ano que vem o Portal Breaking World já deixa confirmada a presença!
Fotos: Breaking World
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“Eu trombava com eles, alguns apontavam o dedo na minha cara pra rachar, isso só me fortaleceu, me deu mais ânimo de treinar a cada dia, e lutei para ser a melhor mulher a dançar o Power Move no Brasil naquela época!” (B-Girl Beth)
Década de 90, o dance dava lugar a música eletrônica, mas tinham aqueles que mergulharam na música Black, foi o caso de Elisabeth Prado, mulher preta, nascida em Osasco, filha de pais separados, por algum tempo foi criada por um tio no Rio de Janeiro, mas logo voltou para São Paulo com a mãe, onde cresceu e se tornou a conhecida B-Girl Beth Power Move. Ela pensava: “Se aquele cara consegue fazer determinados movimentos, porquê não vou conseguir?”. Ela conta que foi essa forma de ver as coisas, mantendo a cabeça sempre aberta, que facilitou o aprendizado dos mais difíceis movimentos do Power Move, o que a tornou muito conhecida. Engravidou, perdeu um filho, engravidou novamente, sofreu discriminação dentro da própria cultura, mas não ligou, seguiu em frente… O Portal Breaking World teve a honra de conversar com essa diva brasileira do Power Move, que teve muita história para contar e conselhos para dar… Gostou da introdução? Então confira a entrevista:
BW: Queria que você falasse seu nome completo, idade e nos contasse um pouco sobre suas origens, sua infância e juventude?
B-Girl Beth: Meu nome é Elisabeth Prado, tenho 42 anos. Nasci em Osasco. Mas desde os 3 anos de idade fui criada no Rio de Janeiro pelo meu tio, depois que minha mãe se separou do meu pai. Ela precisou trabalhar e para isso meu tio cuidou de mim até os 7 anos e meio, depois disso, minha mãe foi me buscar e me trouxe para São Paulo, desde então fui levando minha infância… Na minha época, as crianças brincavam na rua sem problemas, eu brinquei de muitas coisas na época… pipa, pião, bolinha de gude, taco, corda, amarelinha, elástico, pedrinha, dominó, entre outros… Logo fui crescendo e comecei a gostar de vôlei… Neste período, eu gostava muito de fazer Educação Física na escola, eu pedia para a professora deixar eu fazer todas as aulas só para jogar e ela deixava! Os anos foram passando e quando a professora foi trocada na escola a outra que entrou começou a formar um time de vôlei para participar de campeonatos… Logo eu consegui uma posição no time e participei 2 anos da Copa Danapi, era um campeonato entre colégios de todos os lugares de São Paulo e a abertura dos jogos aconteciam no Ginásio do Ibirapuera. Não recordo muito o ano, mas já era no início da minha adolescência… Comecei também a ir paras baladas, aos 14 anos, nessa época fui apresentada para as músicas de Dance, quando o baile inteiro dançava o mesmo passinho, era muito legal.
Ser B-Girl nunca é fácil, B-Girl Power Move, menos ainda…
BW: Quando teve contato pela primeira vez com a Cultura Hip-Hop? O que te atraiu nessa Cultura? Você tinha apoio da sua família?
B-Girl Beth: Naquela época, o Dance mudou para música eletrônica e eu fui deixando de gostar e comecei a ouvir música Black e acabei gostando muito! Fui levada para o Projeto Radial e desde então lá virou minha segunda casa, sempre que eu ia lá tinha uns caras dançando Breaking e eu nem sabia que dança era aquela… Mas eu via eles fazendo uns movimentos no chão e eu lembro que comentava com uma amiga que tinha gente limpando o chão do baile (risos) até que pela primeira vez vi uma mulher fazendo moinho de vento e achei muito interessante ela dançando, isso foi no ano de 1996.
BW: E o Breaking? Quando e como começou na sua vida? Existiram pessoas que te ensinaram os movimentos ou você aprendeu sozinha?
B-Girl Beth: Foi a partir daí que veio o interesse pela Cultura Hip-Hop. Passei uns meses treinando, conhecia pessoas que me ensinaram, até que houve um período da minha vida que minha mãe me proibiu de dançar por causa de um namorado que eu tive na época. Ele disse a minha mãe que só tinha eu no meio dos homens e que me proibisse, ele era muito ciumento, não gostava quando eu saia pra treinar, foi quando conheci uma B-Girl e a levei em casa pra apresentar a minha mãe, depois disso minha mãe não ligou para isso… Porém, tive muita dificuldade de locomoção para ir aos lugares pois eu não trabalhava na época, minha vida era escola e treino… Escola e treino… O Breaking? Ele começou a partir do momento em que vi a primeira mulher fazer movimentos de moinho de vento… Depois, fui correndo atrás de lugares que as pessoas dançavam, essa dança na qual me identifiquei, quando ouvi falar da Estação de Metrô São Bento e que os encontros aconteciam aos sábados, aquele canteiro de flores que tem lá era um palquinho e tinha pessoas de vários lugares de São Paulo e do interior também… Conheci as primeiras pessoas e eles me ensinavam os movimentos e quanto mais me aprofundava mais eu gostava, cada vez o corpo exigia mais, fui seguindo o caminho. Uma noite na balada uma dançarina mulher (era assim que eu a identificava na época não sabia que o nome era B-Girl – risos), apontou o dedo na minha cara e jogou uns movimentos e na época eu estava começando e fiquei sem reação e outra pessoa entrou por mim… No dia seguinte, eu fui treinar pensando nela dia e noite e decidi que ia correr atrás. O tempo foi passando, comecei a ir para vários lugares onde aprendia a dançar, mas eu ia para um lugar treinar com uma galera e depois ia para outro com outras pessoas e alguns achavam que eu era uma espiã e levava e trazia os movimentos de um para o outro (risos). E nunca nem me veio isso na cabeça, eu nem tinha maturidade de fazer isso e passei por algumas rejeições, só porque eu queria dançar, mas quem via de fora não via isso…
BW: Como era ser B-Girl no seu tempo? E uma B-Girl que fazia movimentos de Power Move?
B-Girl Beth: A cada lugar que eu ia e via os caras dançando mais, eu pensava comigo, se aquele cara consegue fazer aquilo porquê comigo seria diferente? Então! Sempre tive uma cabeça aberta, isso facilitou que aprendesse com facilidade… No final, não teve revanche entre eu e a B-Girl pois ficamos amigas (risos)… Continuei a dançar, tive muito altos e baixos dentro da Cultura, com B-Boys muito bons no Power Move, quando eu estava nos bailes e eu trombava com eles era uma tirada apontando o dedo na minha cara pra rachar, isso só me fortaleceu, me deu mais ânimo de treinar a cada dia, de ser a melhor mulher a dançar o Power Move! Depois conheci outros estilos que têm dentro da Cultura como Aéreo, o famoso Robozinho, era assim que eu achava na época, Freestyle, Locking, Popping… E eu, vários B-Boys como os famosos pés-de-barro que faziam Power Move, diziam que eu tinha um talento desperdiçado e eu comecei a entender melhor, agora eu no mundo dos Powers Moves, independente dos contratempos, eu era respeitada, rachei na balada com alguns nomes e assim fui ficando conhecida cada vez mais… Dançar Power Move nunca foi fácil e na minha época também existia preconceito com quem era Power Move, tanto que se parar para pensar até hoje isso acontece, mesmo eu não estando mais na Cultura, apareceram várias B-Girls que foram feitos matérias, entrevistas com elas e eu nunca tive essa oportunidade de terem interesse de fazer algo do gênero comigo… Entre tudo isso que aconteceu isso nunca me abalou, só deixou eu cada vez mais forte dentro de mim…
B-Girl Beth agora
BW: Fale desse preconceito… Acontecia dentro da Cultura ou também existia na sociedade?
B-Girl Beth: O maior preconceito que tive mesmo foi dentro da Cultura Hip-Hop.
BW: Beth, houve movimentos mais difíceis de aprender? Qual você levou mais tempo? Como era seu preparo físico para executar esses movimentos?
B-Girl Beth: Os movimentos mais difíceis pra mim eram aqueles que eu estava começando a aprender. Eu não tinha muito recurso de preparo físico pra dançar, não me alimentava bem, naquela época eu pesava em torno de 45 kg, eu era leve, mas para alguns eu estava pesada para dançar, aí nós corríamos a famosa avenida imperador para emagrecer mais para os movimentos ficarem cada vez mais perfeitos. O moinho de vento eu demorei mais, o flare em um mês peguei, achei fácil, eu girava um pouco de cabeça, fazia algumas sequências dos Powers (risos) e assim ia.
BW: Fale um pouco do clima dos eventos que rolavam na sua época. Como eram? Verdade que você ganhou vários deles? Fale sobre os mais especiais que marcaram sua vida…
B-Girl Beth: Quase não tinham eventos… A galera se encontrava nos bailes Black, tinha um que no último sábado do mês era Flash Back, eu contava os dias para chegar essa data e ir ao baile… Muitas das vezes eu rachava nesse baile e acaba pegando movimentos diferentes na empolgação das músicas, eu mesmo só tive conhecimento dos eventos de Breaking no ano de 1999 em diante… antes disso, eram só os bailes e os encontros na São Bento. Quando comecei a ir aos encontros de Breaking era quando formavam as rodas, tinha aquelas separações como a roda dos B-Boys e outra dos “pés-de-barro”. Em 1999, eu participei pela primeira vez de um campeonato de Breaking, tive a oportunidade de ser chamada pra dançar num grupo chamado Style Crew.
Superação e determinação para superar desafios
BW: Nos conte sobre sua crew… Qual era e como vocês se relacionavam?
B-Girl Beth: Bom, a primeira crew que fiz parte foi a Detroit Breaks, nesta crew eu participei de um programa na TV, do Raul Gil, pelo dinheiro da premiação, na semifinal perdemos, mas foi legal essa experiência (risos). Depois que sai do grupo fiquei um tempo sozinha, sem grupo, sem ninguém, até ter a oportunidade de ser chamada na Style Crew… Quando comecei a aparecer em outros lugares… Meu relacionamento com grupo Detroit Breaks era confuso, pois tinham muitos desentendimentos com o que treinar.
BW: Hoje em dia, a nova geração de B-Girls, chegam cada dia mais cedo no Breaking e as B-Girls fora do país já mandam os Power Moves sem nenhuma dificuldade, mas, no entanto, quando olhamos a maioria das B-Girls brasileiras, entre 20 a 30 anos, poucas ou quase nenhuma se arriscam nesses movimentos… Na sua opinião, o que acontece? Que justificativas existem para isso? Algumas alegam que o corpo da mulher é diferente do corpo do homem… Quais suas impressões sobre esse assunto?
B-Girl Beth: Já na minha época, dava pra contar nos dedos quantas mulheres dançavam Breaking, eu mesma tinha em torno de 16 pra 17 anos eu acho, eram poucas B-Girls, não tinham a quantidade que tem hoje, mas quando ia em alguns eventos, quando eu já tinha parado de dançar, não me lembro de ver B-Girls dançando Power Move. A única justificativa que tenho para isso hoje em dia seria falta de força de vontade, porque para tudo na vida e só a pessoa se esforçar e também querer, eu pensei que não conseguiria até pelo fato de estar mais pesada do que antes, mas até isso não me impediu… Eu quando fiquei grávida fiquei muito debilitada, perdi meu primeiro filho com 6 meses de gestação, esperei 5 meses pra engravidar novamente e após acontecer isso eu fiquei deitada e sentada a minha gestação toda, para não perder o bebê, ganhei 20kg a mais, quase entrei em depressão por não me aceitar da forma que fiquei pós gestação, mas graças a Deus eu não desisti de mim e comecei a fazer atividades físicas, e hoje, aos 42 anos, me sinto bem melhor que antes… Basta querer! Lógico que com algumas limitações, porque pra treinar Power Move não é fácil, os movimentos exigem muito esforço, é uma dança bruta, e não se aprende a fazer os movimentos da noite para o dia… É mais demorado, podendo até demorar meses ou anos dependendo da pessoa. Mas eu consegui!
Treino forte e muita força de vontade: para B-Girl Beth tudo é possível
BW: Hoje em dia falamos de Breaking nas Olimpíadas! O que acha sobre isso? B-Boys e B-Girls vão virar atletas, na sua opinião o que muda? Como Personal como você analisa o preparo físico dos nossos breakers? Estamos preparados para batalhar no mesmo nível com os europeus e estrangeiros em geral?
B-Girl Beth: É positivo, é muito bom isso na minha opinião! Valorizar o Breaking como uma modalidade esportiva! Essa dança é muita intensa e exige muito preparo físico! A entrada do Breaking nas Olimpíadas e uma forma de ser valorizado na sociedade que antes nos criticava tanto, nos vendo como vagabundos. Mudamos de vagabundos para atletas de alto rendimento. Muitas crianças já começam cedo, a geração de hoje evolue mais rápido, tentando superar seus próprios limites na dança, virando atletas muita coisa muda, se antes a dança era por prazer e claro que tem campeonatos com premiações e tudo. Mas virando um esporte a ponto de virar uma modalidade nas Olimpíadas, um dos maiores campeonatos de competições do mundo juntando 99,9% dos esportes, estão reunidos num único evento é excelente, quem dera se eu não tivesse parado, ai se arrependimento matasse (risos), mas os dançarinos virando atletas a dança fica muito mais séria, tendo a maior das responsabilidades, porque estará representando seu país… A cobrança será muito maior… Agora como Personal, tendo esse olhar, vendo da transformação de uma dança para um esporte de alto padrão… Os dançarinos tem que ter além dos treinamentos de dança um preparo físico melhor, mais resistência e fôlego pra dançar, é muito bom começarem a pensar assim. Agora os níveis dos campeonatos que acontecem no Brasil têm que ser mais rígidos com os futuros atletas, têm que estudar mais os níveis dos atletas dos outros países, para não ficarem pra trás. Acredito que o Brasil tem que correr atrás para se preparar mais e chegar num ótimo nível. Torço pelo Brasil…
BW: Como você vê a cena atual principalmente para as mulheres? Hoje se fala muito de empoderamento feminino e se abriu o diálogo para discussões e denúncias de abusos sofridos pelas mulheres dentro da Cultura… Comente essa questão!
B-Girl Beth: Eu acredito que isso acontece em qualquer lugar desse mundo, tem países que são piores ainda, vivendo num mundo machista que só vê as meninas como um objetivo sexual, sendo que as mulheres têm a mesma capacidade que os homens, podem conseguir cargos importantes, tendo os mesmos direitos que os homens, a mulher sofre perante a sociedade, vemos empregos com mesmos cargos onde os homens ganham mais que as mulheres, acompanhamos muitos feminicídios, abusos, agressões, até mesmo com pessoas próximas de nós, e pouca coisa é feita a respeito desse assunto… E acredito que dentro da Cultura não seja diferente… É necessário ficar atento a tudo que vem acontecendo!
Olhar atento para as mulheres é uma necessidade, segundo a B-Girl Power Move
BW: Quem é a B-Girl Beth hoje? O que faz? No que acredita?
B-Girl Beth: Hoje eu sou uma mulher mais madura, com responsabilidades de mãe e com afazeres do dia a dia pro meu próprio sustento… Hoje eu sou Personal, amo o que faço, gosto de cuidar das pessoas, saí do Breaking e entrei pro mundo fitness, acabando virando uma profissão pra mim hoje… Me sinto muito bem fisicamente e mentalmente e muito feliz no que faço, embora tenho muitas conquistas a realizar ainda (risos).
BW: Que mensagens deixaria para as B-Girls que ainda estão atuantes na cena e para a nova geração?
B-Girl Beth: Minha mensagem para as B-Girls que ainda estão em cena é que não parem e continuem firmes e fortes como referência para as novas gerações… E para novas gerações que estão pegando o melhor momento do Breaking: aproveitem essa oportunidade agora que virou uma modalidade olímpica, aproveitem! Aproveitem o seu tempo e as oportunidades!
Fotos: Arquivo Pessoal
B-Girl Beth dançando em videoclipe:
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“O último brasileiro e sul-americano que ganhou o mundial da Red Bull BC One foi o B-Boy Neguin, há 11 anos.”
Aconteceu neste último final de semana, na quinta-feira (4), a Last Chance da Red Bull BC One e no sábado (6) a grande Final Mundial da Red Bull BC One. O evento aconteceu na Ergo Arena, em Gdańsk, na Polônia, onde os brasileiros B-Boy Xandin, de Anápolis, Goiás e a B-Girl Itsa, mineira que foi duas vezes ganhadora da Cypher Brasil (2019 e 2021), foram eliminados na primeira etapa (filtro). B-Boy Bart, que foi direto como wildcard (convidado) deixou o evento nas quartas de final. Ele declarou para uma equipe da TV Globo: “O plano que eu elaborei, não consegui executar aqui. Eu errei na terceira entrada, mas estou contente com o que eu fiz. Agora, é seguir em frente. Já estou pensando no que está por vir”.
No caso de Itsa e Bart, a situação foi quase um repeteco do que já tinha acontecido em 2019, antes da pandemia, em Mumbai, na Índia, evento onde B-Boy Menno se tornou o primeiro tricampeão do campeonato mundial de Breaking Red Bull BC One. Bart participou também da E-Battle em 2021, onde perdeu para o B-Boy Lee, da Holanda.
Vale lembrar que o primeiro B-Boy brasileiro a participar do mundial da Red Bull BC One foi o B-Boy Pelezinho, em 2005, em Berlim, Alemanha, mas a última vez que o Brasil trouxe para casa o cinturão do mundial da Red Bull BC One foi com o B-Boy Neguin, em 2010, em Tóquio, no Japão. Neguin até hoje é o único B-Boy brasileiro e latino-americano a conseguir esse feito, que já tem 11 anos!
Esse ano, o Last Chance foi a última etapa do evento de Breaking da Red Bull rumo à classificação para a final, que aconteceu no sábado (6), onde os melhores B-Boys e B-Girls do mundo se enfrentaram.
Da Last Chance, as 4 B-Girls que ganharam a vaga foram: Vavi, da Rússia, Ayumi, do Japão, Fenny, da França, e Stefani, do Reino Unido. Entre os B-Boys: Lee, dos Países Baixos, Nori, do Japão, Amir, do Cazaquistão e Johnny Fox, da Espanha garantiram seus lugares na final.
Para se qualificar para a Final Mundial do Red Bull BC One, competidores de mais de 60 eventos classificatórios em 30 países competiram pela oportunidade de representar sua nação ao lado de uma linha de 24 convidados curinga. Este ano, a Final Mundial do Red Bull BC One contou com uma lista completa das 16 meninas, foi a primeira vez desde o início do evento que isso acontece!
A lista final dos 16 primeiros da Final Mundial do Red Bull BC One incluiu: B-Boys Sunni (Reino Unido), Zoopreme (Dinamarca), Lagaet (França), Thomaz (Polônia), TawfiQ (Holanda), Xak (Espanha), Wild Jerry (Bielo-Rússia), Shigekix (Japão), Phil Wizard (Canadá), Flea Rock (EUA), Bart (Brasil), Gun (Rússia), Lee (Holanda), Nori (Japão) e Johnny Fox (Espanha).
Nas B-Girls foram: B-Girl Logistx (EUA), Sidi (Grécia), San Andrea (França), Madmax (Bélgica), Paulina (Polônia), Ami (Japão), Kastet (Rússia), Yell (Coreia do Sul), Ayumi (Japão), Fanny (França), Luma (Colômbia), Ram (Japão), Carito (Argentina), Nadia (Reino Unido) e Vavi (Rússia), que lutaram pelo título de campeã mundial.
Numa final emocionante, os grandes ganhadores da Red Bull BC One de 2021 foram: entre as mulheres, B-Girl Logistx dos EUA, ela derrotou a B-Girl Vavi, da Rússia, na final, para se tornar a mais jovem B-Girl a vencer o Mundial da Red Bull BC One, mostrando que não tem como negar que a nova geração tem pressa de chegar e conquistar os pódios mais altos do planeta. São de Logistx as palavras: “Isso é um sonho. Eu literalmente imaginei esse momento tantas vezes. Red Bull BC One é algo que sempre quis ganhar. Eu sinto que não é apenas o cinturão, não é apenas o título, mas o que eu sou, o que represento no chão, os valores e a moral. Obrigado a todos pela energia.”, conclui.
Seu nome de nascimento é Logan Edra, mais conhecida como Logistx, nasceu e foi criada na Califórnia. Ela é uma Red Bull BC One All Star, um membro da equipe do Underground Flow e do Breaking MIA. Como uma artista muito bem articulada, coreógrafa, ela partiu de Cyphers de rua para teatros lotados, televisão, telas e alguns dos palcos mais respeitados em todo o mundo. Logistx adora articular questões sociais e suas próprias emoções por meio de peças de dança. Uma grande conquista em sua carreira de sucesso veio quando ela ganhou o solo de Silverback Open B-Girl 2018. Naquela noite, ela derrotou Sarah Bee da França, duas vezes campeã solo B-Girl do Outbreak Europe, Kate, a então campeã mundial da Red Bull BC One, Ami e B-Girl Jilou, da Alemanha. Depois de sua vitória explosiva, a cena mundial de Breaking conheceu o poder dessa menina, de repente todos sabiam o nome de Logistx.
Ela também venceu a batalha júnior de Seven to Smoke no Radikal Forze Jam, de 2019, em Cingapura e apresentou sua peça solo, Pain is Reality, na Convenção Anual de Breaking, em Londres, Inglaterra. Ela, então, voltou para Los Angeles e no showcase de dança “Arena LA” apresentou a peça solo, Who You Are, que foi coreografada pelo vencedor do Emmy, B-Boy D-Trix. Após sua apresentação, Logistx realizou uma batalha de exibição contra o Red Bull BC One All Stars, com sua equipe Underground Flow e quando a batalha terminou, Ronnie pegou o microfone e disse a Logistx, na frente de todo o público, que o BC One All Stars queria convidá-la para se juntar a eles como seu mais novo e mais jovem membro da tripulação. Este ano é sua segunda aparição depois de 2019.
Entre os B-Boys, o grande ganhador foi o B-Boy Amir, que dominou a batalha contra Phil Wizard, um B-Boy canadense conhecido por seu estilo único, para se tornar o primeiro breaker do Cazaquistão a vencer a Final, ele daclarou: “Eu senti o poder em minha alma e em minha mente. E estou feliz por poder mostrar esse poder aqui, naquele palco”. Originário do Cazaquistão e agora morando na Rússia, Amir tem firmemente colocado seu nome no cenário internacional de última hora, desde a vitória da batalha solo Legits Blast Praga, em 2020, e depois em 2021 na Unbreakable Solo Battle. Com um estilo de Breaking extremamente imprevisível, musical e contundente, o cinturão do Mundial da Red Bull BC One foi dele!
A Red Bull BC One 2021 pós-pandemia foi um sucesso! O nível de dançarinos foi bem elevado! O evento é uma das maiores e mais prestigiadas competições de Breaking individual do mundo, reunindo todos os anos milhares de espectadores e telespectadores on-line.
O Portal Breaking World transmitiu ao vivo a Final Mundial e agradece mais uma vez a oportunidade de participar da cobertura desse grande evento!
No último final de semana, aconteceu no bairro do Jabaquara, em São Paulo, mais uma edição do Troféu Arte em Movimento, organizado pelo artista plástico José Pereira de Souza, mas conhecido como Zep.
O evento, mesmo num dia chuvoso, teve sucesso de público e reuniu diferentes gerações de artistas da Cultura Hip-Hop.
As mulheres estiveram em peso, só em São Paulo foram mais de 100 homenageadas, entre elas: Rúbia, Rose MC,Kika Maida, B-Girl Cris, a grafiteira Mel Zabunov, B-Girl Angel do Brasil e a rapper mirim Sara Cipri. A lista foi escolhida por nomes bem conhecidos e respeitados na cena como Robson Melancia, Monica Senna, Nego Mario e King Nino Brown.
Entre os homens, nomes como B-Boy Amendoim, o fotógrafo The Sarará, B-Boy Danzinho, o grafiteiro Minu e Dj Ninja receberam a premiação. Estava na casa, ou seja, em casa, também, a crew Jabaquara Breakers.
O evento, que está em sua sétima edição, este ano contou com uma novidade: 5 premiados internacionais selecionados pela apresentadora espanhola Margarita Espino, que é jornalista e apresentadora na Espanha e que foi convidada para indicar 5 artistas do Brasil para receber o prêmio.
O Portal Breaking World esteve no evento e registrou os melhores momentos, confira:
Nos próximos dias 30 e 31 de outubro, em São Paulo, acontece no bairro de Jabaquara a 7ª edição do Troféu Arte em Movimento, onde vários artistas de destaque da Cultura Hip-Hop foram lembrados e indicados por Robson Melancia, Monica Senna, Nego Mario e King Nino Brown para receberem o troféu.
A premiação, que é organizada pelo artista plástico José Pereira de Souza, mas conhecido como Zep, acontece todo ano e é o maior prêmio de artistas independentes da Cultura Hip-Hop do Brasil.
Nesta edição, as mulheres estão em peso. A previsão é que em todas as entregas nos Estados, o número chegue a 400 mulheres. Só em São Paulo, serão 100 mulheres homenageadas. Nomes como Kika Maida, Rose MC, Rúbia, B-Girl Angel do Brasil, a grafiteira Mel Zabunov, Sara Cipri, DJ Deise Miranda, B-Girl Cris, B-Girl Sah, Catarina Zola, entre outras, estão na lista das homenageadas. Entre os homens: o grafiteiro Minu, DJ Ninja, B-Boy Danzinho, Pretinho Black, B-Boy Amendoim, o fotógrafo The Sarara, Marboy, entre muitos outros vão ser reconhecidos com a premiação.
Este ano o Troféu Arte em Movimento conta com uma novidade: 5 premiados internacionais selecionados pela apresentadora espanhola Margarita Espino, que é jornalista e apresentadora na Espanha e que foi convidada para indicar 5 artistas do Brasil que vão receber o 1° Troféu Arte em Movimento Internacional oficial. Esse será o ponto de partida para a internacionalização do Arte em Movimento em alguns países fisicamente, em 2022.
O Portal Breaking World, que ano passado foi homenageado com a premiação, vai cobrir mais esse evento e vai mostrar os melhores momentos.
Quer saber o que rolou? Fique ligado na nossa rede social e na nossa página.
Serviço: Data: 30 e 31 de outubro de 2021 Horário: a partir das 14h Local: Galpão Cultural Endereço: Av. Barro Branco, 776 – Jabaquara
Na última semana, o Portal Breaking World foi convidado pela Red Bull BC One para cobrir mais uma edição de um dos maiores festivais de Breaking do país, já na sua 18ª edição. Aceitamos o convite e agora dividimos com vocês, leitores, toda a correria desse evento tão esperado por B-Boys e B-Girls.
O festival da Red Bull BC One e seu filtro passou pelas cidades de Fortaleza (CE), Brasília (DF) e Curitiba (PR). Durante todas as disputas, os critérios avaliados pelos jurados Pelezinho, FabGirl e Neguin foram: criatividade, originalidade, dinâmica, combinações de movimentos e musicalidade – que significa dançar em cima da ‘quebra’ da música, o que traduz o nome desse elemento da Cultura Hip-Hop.
No último sábado (2), a festa foi em São Paulo e a decisão também. O evento começou com a testagem de Covid-19 em todos os dançarinos e profissionais envolvidos, nossa equipe também foi testada pelo laboratório Hilab Life, que trabalhou intensamente no local, depois do resultado do teste negativado, entramos na Red Bull Station. O clima era de animação e dava para sentir de longe a energia de cada B-Boy e B-Girl, que depois de meses isolados tiveram a oportunidade de voltar ao convívio social.
Alguns chegaram de longe para participar do evento, como foi o caso do B-Boy Russo, da Crew 021, que veio do Rio de Janeiro direto para São Paulo ou do B-Boy Luizin de Ipatinga, que também é responsável pelo Portal Cultura Urbana e viajou quase 13 horas para participar do evento. São dele as palavras: “O evento é um dos mais conhecidos, está bem organizado e a vibe está ótima. Valeu todo o tempo de viagem”.
A competição começou com os filtros das B-Girls e conversamos com algumas delas:
B-Girl Loirinha, de Fortaleza: “Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a Deus por me dar força de correr atrás dos meus objetivos. A Red Bull está top, está legal o evento. Graças a Deus eu fui classificada, fiquei no Top 8. É isso aí, galera, vale participar e todos que puder compartilhem a cultura!”
B-Girl Keka: “A preparação para a Red Bull BC One esse ano foi difícil, porque eu ainda estou lesionada, eu lesionei o tendão, mas mesmo assim eu não parei. Continuo fazendo o que mais amo que é dançar Breaking e não vou parar, mas da próxima vez vou me preparar mais”, perguntamos sobre um climão que rolou na batalha de Keka com a B-Girl Jeizzy, ela respondeu: “Se você quer respeito, então dê respeito, quando as pessoas desrespeitam então precisamos cobrar…”.
B-Girl Marcelina, de Campinas: “Salve pessoal, é a primeira vez que eu estou batalhando na Red Bull numa batalha de B-Girls! Eu treino desde 2016, não passei no filtro, mas a experiência está sendo muito boa. Eu gosto muito de Power Move, foi muito bom conhecer outras B-Girls aqui e trocar experiências com elas e com os B-Boys também.”
Os jurados também opinaram sobre o evento e sobre as batalhas de B-Girls:
B-Boy Pelezinho comentou: “Olha, se a eliminatória Cypher São Paulo estava nessa vibe, nessa energia, as meninas com sangue nos olhos, estou imaginando como será na final nacional… Parabéns paras as meninas, devem ir para cima mesmo!”. FabGirl também acrescentou: “Foi incrível, depois de tanto tempo de pandemia, é como se as pessoas estivessem com muita fome de Breaking, muito entusiasmo de dançar, de se expressar, está sendo lindo e para mim uma experiência única, é isso! Só amor!”
Também conversamos com os B-Boys e veja o que eles falaram:
B-Boy Ruddy: “Eu não participo da Cypher São Paulo, mas no domingo participo do nacional como convidado! Bom, eu vim daquela forma, representando o interior de São Paulo. Aquele jeitinho maroto de ser, sendo ridículo e único, quebrando técnica todo o tempo. Obrigado ao Portal também pela informação, que também salva vidas! Quanto mais falar do Breaking, mais pessoas são alcançadas e isso é bom.”
B-Boy Suco: “Salve a todos! Eu sou o B-Boy Suco, do Hip-Hop Educa, satisfação de estar aqui na Red Bull BC One. O evento está bom! Sobre o Hip-Hop Educa, continuamos com os trabalhos sociais, amanhã mesmo tem um evento lá em Mauá. O mês de outubro todo será dedicado às crianças e continuaremos o trabalho!”
B-Boy Alan Jackass: “Esse ano foi incrível, passamos por muitas coisas, perdas na família, com a volta da Red Bull estou feliz por estar aqui, ver os amigos, treinei bastante, mas aqui o chão está difícil pois escorrega e não ajuda quem é Power Move! Fora isso, o evento está ótimo! Tudo tranquilo. Esse ano tive Covid, foi minha mãe que cuidou de mim, eu fiquei com o pulmão 50% comprometido, eles queriam me internar, mas eu fiquei com medo de chegar lá e ser entubado e morrer, então, fugi do hospital. Afinal, temos visto tantas mortes! Nunca esperamos que as coisas aconteçam conosco, achamos que somos fortes e aprendemos que temos que nos cuidar mais! Hoje mesmo, aqui, fizemos o teste e acho que está tudo tranquilo, todo mundo que está aqui não tem nada! Então, me sinto bem!”
Rooneyoyo (De São Paulo, Presidente da Confederação Brasileira de Breaking – CBRB): “Estamos aqui prestigiando o evento da Red Bull BC One. Acabamos de ver os filtros e logo saberemos os nomes que vão competir amanhã! O evento está muito bom e desejamos sucesso a todos os competidores!”
B-Boy Amendoim: “Eu, um tiozão, participei hoje da Red Bull BC One. Eu bagacei, a galera curtiu a entrada (risos), agora vamos ver os resultados! A energia de encontrar todos novamente foi algo muito louco! A galera veio para mostrar o peso, para mostrar que treinou e que estava preparado, foi um filtro muito difícil e os 16 nomes que vão sair serão B-Boys muito bons! Quem treinou e quem estava preparado! A batalha de B-Girl também foi boa e estamos na expectativa!
Enquanto o programa olímpico, que engloba o Breaking a partir de 2024, busca um diálogo mais aberto com a nova geração, lembrando que em Tóquio, em outros esportes urbanos como o Skate foram eles que ocuparam os pódios, no festival da Red Bull BC One a presença da nova geração ainda aconteceu de uma forma discreta! Alguns, que são inclusive destaques em eventos internacionais representando o Brasil, não puderam participar por causa da idade, lembrando que a idade mínima para se inscrever na Red Bull BC One é 16 anos. Mas conversamos com o B-Boy Marcin (16) da Dream Kids Brazil, que mora em Catalão (GO) e com o B-Boy Richard, de São Paulo (16), ambos representaram essa nova geração no evento. Marcin nos contou: “Foi uma experiência muito boa, fiz o meu melhor no filtro! Quem conhece a minha história sabe que não foi fácil nesses últimos anos, perdi minha mãe com Covid, mas dei a volta por cima, continuo treinando e evoluindo!”
Richard também falou: “Estive na eliminatória em Brasília e agora em São Paulo foi muito bom, gostei muito da energia! A minha viagem para Brasília foi de doideira, fui sozinho e foi muito bom! Agradeço a todos que me acolheram e me ajudaram.”
O primeiro dia da Red Bull BC One em São Paulo foi um sucesso! E a vibe estava incrível! E os destaques entre os que passaram no filtro foram B-Girl Jeizzy e B-Boy Training, entre outros nomes que também foram para a final.
Domingo chegou e com ele a decisão da final nacional, onde numa grande festa foram escolhidos os melhores breakers quem vão representar o Brasil na Last Chance Cypher, evento que vale vaga na Final Mundial, marcada para dias 5 e 6 de novembro de 2021, em Gdansk, na Polônia. A tarde foi marcada pelas eliminatórias femininas e masculinas. A primeira competição foi entre as 16 melhores B-Girls, em duelos 1×1 elas se enfrentaram numa disputa que não foi somente entre B-Girls e B-Boys mas claramente entre marcas. Itsa e Nathana, duas mineiras, uma de Belo Horizonte e outra de Uberlândia, brigaram pelo título, mas o primeiro lugar ficou com Itsa, que foi campeã na última Red Bull BC One Brazil em 2019 e que esse ano com muita tranquilidade, técnica, fluidez e Power Moves, mais uma vez garantiu seu lugar na BC One Mundial derrotando a B-Girl Nathana, patrocinada pela Everlast, marca que recentemente montou um time de B-Boys e B-Girls e vem tentando se fixar no setor, porém, sem muito sucesso. A noite foi de Itsa, a bicampeã, que recentemente também perdeu seus avós com Covid e, muito emocionada, fez um discurso que comoveu a todos que assistiram.
No masculino, o goiano Alexandre Duarte, conhecido como B-Boy Xandin, de Anápolis, da Rock Niggaz Crew, garantiu o primeiro lugar contra o B-Boy Kapu, da 021 Crew, do Rio de Janeiro.
A competição foi cheia de emoção e aconteceu em alto nível. O evento pela primeira vez teve transmissão ao vivo pela SporTV, com narração de Renata Silveira e como comentaristas B-Boy Aranha, da Tsunami All Stars e B-Girl Sandra Kelly. O Portal Breaking World, no domingo, também transmitiu ao vivo a competição! Essa foi a primeira edição após a entrada oficial do Breaking nos Jogos Olímpicos. Agradecemos a Red Bull BC One o convite e a atenção dada ao Portal Breaking World!
São Paulo sediará etapa decisiva do Red Bull BC One e 32 dançarinos disputarão vagas para o Mundial, que acontece na Polônia
Com quase vinte anos de tradição e grandes talentos do mundo inteiro conectados, o Red Bull BC One, principal competição de Breaking 1×1 do planeta, volta ao Brasil em 2021. E, neste domingo (3), os melhores B-Boys e B-Girls do país se enfrentarão em batalhas emocionantes visando à Final Mundial em novembro, na Polônia, onde um vencedor de cada categoria (masculina e feminina) competirá com artistas de todos os cantos do globo em busca do grande título mundial. Os interessados em mergulhar na modalidade poderão acompanhar a Final Nacional por meio da transmissão ao vivo no Youtube.com/RedBullBCOne e no canal SporTV, a partir das 17h (horário de Brasília).
A competição deste ano, que ocorre em mais de 30 países além do Brasil, marca a primeira edição após a entrada oficial da modalidade no maior evento multiesportivo do mundo, e possibilitará que o público conheça alguns dos principais nomes da cena. No júri, grandes referências avaliarão os dançarinos brasileiros, como o B-Boy Pelezinho, lenda do Breaking e figura presente na cena há mais de 20 anos; o B-Boy Neguin, colecionador de diferentes títulos mundiais; e a B-Girl FabGil, dançarina, coreógrafa, pesquisadora e fundadora do BSBGirls, considerado o primeiro grupo de Breaking de Brasília formado apenas por mulheres.
“Todos os participantes selecionados a partir das qualificatórias são perfis com muita potência e, tecnicamente, são os que estão mais preparados. Vamos ter um belíssimo show de talentos e garra nessa final. Estamos há tanto tempo sem eventos que estão todos com gana, famintos por Breaking. Estou contando os segundos para a grande final”, conta FabGirl.
Com qualificatórias regionais – ou Cyphers, como são chamadas no universo do Breaking – o evento já passou pelas cidades de Fortaleza (CE), Brasília (DF) e Curitiba (PR). Entre os finalistas destas localidades, há dançarinos que viajaram mais de 800 km para mostrarem todo o seu talento. Neste sábado (2), ocorre a última seletiva, em São Paulo. Durante todas as disputas, os critérios avaliados pelos jurados são: criatividade, originalidade, dinâmica, combinações de movimentos e musicalidade – que significa dançar em cima da ‘quebra’ da música, o que traduz o nome da modalidade.
“Em cada Estado que passamos eu pude perceber, por meio do Breaking, a riqueza de toda uma cultura local expressa em diferentes corporeidades e de diferentes contextos. É incrível como nosso país é diverso e como cada região tem um traço ou característica muito particular. Tudo isso me inspira demais e me faz pensar em como somos potentes, que o mundo precisa ver esse Brasil. O Brasil é lindo demais!”, finaliza FabGirl.
O Red Bull BC One é a maior competição individual do mundo entre B-Boys e B-Girls. Criado em 2004, o evento de Breaking é realizado em diversos países, onde a cada ano milhares de dançarinos competem em batalhas regionais, as chamadas Cyphers. Após essa primeira fase, os melhores 16 B-Boys e 16 B-Girls se enfrentam na final nacional do evento que, neste ano, ocorre em outubro na cidade de São Paulo. Os vencedores dessa etapa (um de cada categoria) garantem uma vaga na final mundial, que acontece no dia 6 de novembro, em Gdansk, na Polônia. A grande decisão funciona no formato mata-mata, no qual os participantes dançam em frente a um painel formado por cinco jurados e têm suas habilidades avaliadas. Vale tudo para impressionar: técnica, criatividade e simpatia. Quem for melhor em todos os requisitos e conquistar os juízes, vence.
Nos próximos dias 25, 28 de setembro e 7 de outubro, o grupo Funk Fockers apresenta um espetáculo de Breaking, que vai ser transmitido ao vivo . “Rotina” é o nome desse trabalho e leva a cultura Hip-Hop das ruas para o palco, misturando coreografia e audiovisual, sempre buscando novos horizontes dentro da cena.
“Existem poucos espetáculos de Breaking no país. Conseguimos de forma inédita a contemplação no edital ProAC, concorrendo com grandes companhias de dança de diversos segmentos como o balé e contemporâneo, nos permitindo colocar em prática as nossas ideias e apresentar uma obra criativa em uma narrativa atual e otimista”, comenta Allan Lopes (Mixa), diretor, B-Boy e coreógrafo. O espectador irá acompanhar o dia a dia de três entregadores de aplicativo que se preparam para curtir a primeira festa de Hip-Hop pós-pandemia.
O projeto conta com a colaboração da Fuligem Comunicação e Arte, um coletivo de artistas audiovisuais.
Imagem: Renato Prado
Conheça os artistas:
Allan Barbosa Lopes (Mixa): diretor artístico, coreógrafo , intérprete e B-Boy, no cenário Hip-Hop há quase 20 anos. É um dos fundadores da Funk Fockers, crew que foi criada em 2008. Passando por França, Dinamarca, Alemanha, Chile, Argentina, Estados Unidos e Colômbia, conquistou alguns títulos individuais e em grupo.
Bruno Siles (Onnurb): coreógrafo e intérprete, também é membro fundador do grupo Funk Fockers e dançarino de Breaking há 19 anos. Participou de competições nacionais e internacionais em vários países como Suíça, França, México e Singapura.
Thiago Antonio Alves (Thiaguin): coreógrafo e intérprete, integrante do grupo Funk Fockers, dançarino de Breaking há 18 anos, participou de um dos maiores campeonatos do mundo – The Notorious IBE, na Holanda, em 2011, como convidado especial.
Igor Goforit: DJ, MC, produtor e beatmaker desde 2000.
O projeto Rotina é realizado pela Fuligem Comunicação e Arte, Funk Fockers Crew e Governo do Estado de São Paulo, por meio do edital ProAC 03/2020 e conta com o patrocínio da Nest Panos, apoio da Strutura Contábil e Me Ghusta e produção da Oriri Agência Cultural.
Imagem: Renato Prado
Serviço:
Rotina Espetáculo de Breaking com Funk Fockers Crew 50min de duração On-line (Gratuito)
Confira o local das transmissões:
25/09/2021 às 19h Site: nestpanos.com YouTube: https://youtube.com/c/NestPanos
30/09/2021 às 19h YouTube – https://youtube.com/c/SUJO https://youtube.com/c/Funkfockers Instagram: https://instagram.com/funkfockers
Em sua 18ª edição, um dos mais tradicionais torneios mundiais de Breaking retorna ao Brasil depois de um ano sem acontecer por causa da pandemia. Com inscrições abertas a partir desta segunda (30), o Red Bull BC One reunirá os mais talentosos dançarinos para mais uma disputa de alto nível. As inscrições podem ser feitas por meio do site www.redbull.com.br/bcone. Para conectar os mais talentosos dançarinos do país, o evento conta com seletivas regionais, as chamadas “Cyphers” – que, neste ano, não permitirão a presença de público – nas cidades de São Paulo (SP), Fortaleza (CE), Curitiba (PR) e Brasília (DF). Os 16 B-Boys e 16 B-Girls que se destacarem nesta primeira fase se enfrentarão na Final Nacional, visando à uma vaga por categoria na etapa mundial do evento, que ocorre na Polônia, em novembro. A disputa deste ano, que conta com a participação de mais de 30 países, marca a primeira edição após a entrada oficial da modalidade no maior evento multiesportivo do mundo: as Olimpíadas. No júri da etapa nacional, conhecidos nomes avaliarão os dançarinos brasileiros, como o B-Boy Pelezinho, lenda do Breaking e figura presente na cena há mais de 20 anos; o B-Boy Neguin, colecionador de diferentes títulos mundiais; e a veterana B-Girl FabGirl. O Portal Breaking World não poderia deixar de falar sobre esse grande evento e para sabermos detalhes convidamos o B-Boy Pelezinho para mais uma animada conversa sobre a 18ª edição da Red Bull, os principais detalhes e dicas para quem pretende participar, falamos sobre Cyphers regionais, o nacional e o evento mundial, sobre o Breaking nas Olimpíadas e o recente interesse de novas marcas nesse elemento do Hip-Hop e, também, olhamos para o futuro falando da nova geração. Bom, vamos a mais essa entrevista que está show porque esse ano, segundo o Pelé, “o chão vai estalar e o bagulho será louco na BC One”.
BW: Pelezinho, o Campeonato da Red Bull BC One chega a 18ª edição. E num tempo de Pandemia! Fale um pouco da preparação desta edição, dos cuidados que estão sendo tomados e como vai acontecer em todos os estados e na final nacional e mundial… Afinal, foi um ano sem acontecer no Brasil…
Pelezinho: Sim, é a 18ª Red Bull BC One, é uma vida né? Ficamos um ano sem ter o evento devido a pandemia, mas esse ano, graças a Deus, vamos ter a oportunidade de ter a Red Bull BC One Cypher Brazil. Sim, estamos tendo todos os cuidados, em todas as cyphers os dançarinos que estiverem inscritos serão testados para Covid-19. Serão só os dançarinos, jurados, DJ’s e MC ́s e a galera que vai estar trabalhando, então, serão pouquíssimas pessoas e na parte internacional eu também acredito que será isso na final mundial. Só os dançarinos e o pessoal envolvido. Lá na Polônia, eu acredito que, por ser um país menor, a situação está controlada, pode até ter algumas pessoas assistindo, mas aqui no Brasil serão só dançarinos, DJ’s, MC’s e profissionais envolvidos.
BW: Na sua opinião, qual o nível de competidores esperado nesse evento? Pois se por um lado houve tempo para treinar, por outro houve várias dificuldades, falta de espaço, locais fechados antes usados para treinos, ausência do contato humano em outros eventos, alguns tiveram Covid-19, outros deixaram de treinar por medo de contrair a doença…
Pelezinho: Nesse tempo de pandemia foi complicado para a galera que vive da dança, que depende de eventos, de projetos, de competições, eu sei que foi difícil para muitos e ainda teve pessoas que perderam familiares, aqueles que pegaram o vírus, foi complicadíssimo. Mas teve um lado bom dessa parte, a galera teve tempo para pensar, tempo para entender o que estamos vivendo mesmo que com dificuldades. Eu acredito que muitos tiveram a possibilidade de praticar solo para poder entender alguns movimentos que eles não estavam fazendo ou que eles estavam criando uma transição, então tem esse lado e também justamente por ter ficado tanto tempo sem evento… Teve eventos on-line, mas sem dúvida é diferente! E agora com o Red Bull BC One, eu acredito que os dançarinos vão pegar todo esse tempo, toda essa energia contida e vão jogar nessas batalhas que vão ter. Então, eu acredito que o nível será alto este ano!
BW: Que exigências vão existir por parte da Red Bull para os que vão participar da Cypher e depois da nacional e do mundial? Você já falou dos testes mas serão exigidos cartão de vacina? Uso de máscaras?
Pelezinho: Em relação a competição aqui no Brasil, quem fizer o teste e estiver okay, dança! Quem der positivo, volta para casa! Vai ter um local especifico onde vai ficar a galera que vai participar e vai ser separado as meninas e depois, os meninos, para não ter aglomeração. Vai ter que usar mascara no local onde eles estiverem, mas na hora da batalha não, a não ser se o dançarino desejar usar. Em relação a Polônia, acredito que até lá alguns dançarinos já estejam com as duas doses da vacina e não terá problema.
BW: Em que local será a Cypher São Paulo?
Pelezinho: Nesse momento eu ainda não sei onde será a Cypher São Paulo. Mas logo mais já teremos as informações e as pessoas devem ficar de olho! Agora, vamos seguir com as Cyphers Fortaleza, Brasília e Curitiba.
BW: Novamente como jurado. Fale um pouco do seu critério de julgamento e os pontos que leva em consideração na hora de avaliar a performance de um dançarino? No meio do Breaking fala-se de tudo e muitas vezes de todos a afirmação que “Quando o Pelé não gosta de alguém, essa pessoa não entra!”, como você se sente quando escuta coisas assim? Que recado você daria para as pessoas que pensam assim?
Pelezinho: Você viu, né? Mais uma vez como jurado! É muita responsabilidade todos esses anos, então, eu acredito que estou fazendo um bom trabalho para ser jurado por tantos anos! Sobre os critérios, todos sabem que é musicalidade, criatividade, os movimentos bem executados, mostrando algo bonito para os jurados. São três cabeças pensando diferente, mais ao mesmo tempo, focados na dança Breaking, então, cada um sabe o que tem que fazer. O mais importante é ir lá e mostrar o porquê você está ali e o porquê você quer ser campeão, então, ganha! Quando as pessoas falam que o Pelé é isso ou aquilo: gente! Eu não sou o dono da Red Bull, eu sou só uma pessoa que tenho uma história dentro da empresa, eu fui o primeiro dançarino [brasileiro] a competir na Red Bull 2005, de lá para cá, eu tenho um contrato com a Red Bull desde 2006, então, eu fiz muitas coisas e venho fazendo ainda. Eu não sou dono da BC One e é chato quando as pessoas pensam dessa maneira, acham que eu mando em alguma coisa, mas na verdade eu procuro o melhor para a dança no Brasil, eu procuro ajudar da melhor forma e quando tem o período que vai acontecer o Red Bull BC One, procuramos as melhores situações para poder realizar o evento, porquê o evento é para dançarinos e dançarinas e, frisando mais uma vez, eu não sou o dono da Red Bull. E o mais importante de tudo isso é o respeito e a consideração que a empresa Red Bull tem por mim.
BW: No passado, você organizou uma edição da Red Bull “Under My Wing”, focado nos jovens, existe o desejo de fazer novamente, já que a nova geração em todo o mundo cada vez está chegando mais nova e com toda força? Nas Olimpíadas, por exemplo, no Skate tivemos um pódio com nossa Rayssa e mais duas meninas que tinham menos do que 17 anos. E no Breaking também se levanta uma nova geração forte, com pouca idade, sim, mas com muito talento, vigorosa em todo o mundo, seria o momento de olhar para o futuro e fazer uma nova edição?
Pelezinho: Sobre o Red Bull Under My Wing, poxa, eu lembro até hoje, foi um dos projetos mais incríveis que eu tive a possibilidade de participar, de ajudar a criar um formato um pouco amplo, porque na época ele era voltado só para workshop e aí eu lembro que, quando chegou o projeto, chegou o convite, eu achei interessante acrescentar mais coisas, na época, porque realmente descobrimos novos talentos e 16 jovens talentos e aquilo foi incrível, foi de onde saiu o Leony, praticamente até então o Leony nunca tinha saído de Belém, ele era do Projeto Curumim e eu gostaria muito, mas muito mesmo, que tivesse uma nova edição aqui no Brasil. Poderia ser com o Neguin, pegando a história do Leony, mas o importante era ter novamente e principalmente agora, num momento como esse de Breaking nas Olimpíadas, dentro de uma pandemia, entender tudo o que essa garotada nova está passando, está vivendo, eu gostaria muito que voltasse esse projeto. Na época, só foi o Lilou que tinha feito. O que foi feito aqui comigo no Brasil foi mais amplo, eu lembro que quando eu peguei, falei: será que eu posso trazer para a minha cidade? Mostrar para eles onde tudo começou? Mostrar a minha parte dentro do Breaking? Foi um baita projeto!
BW: Depois de Tóquio, das Paralimpíadas, o foco agora é Paris 2024. E o Breaking é a bola da vez! O que você acha de outras marcas e outros energéticos neste momento estarem se aproximando da Cultura Hip-Hop e do elemento Breaking? Como a Red Bull vê isso?
Pelezinho: Sobre as Olimpíadas de Paris, já estão aí, são praticamente 3 anos. Já deu para perceber que eles vão focar bastante no Breaking, até devido as transições que eles estão querendo, que é mais a garotada, os jovens e queira ou não, na hora que a galera que não está acostumada com o Breaking ver aqueles movimentos que a gente faz, que consegue ver o mundo de ponta-cabeça (sic), o mundo girando, será demais! Desde o início, quando eu recebi as informações, eu sempre fui a favor do Breaking nas Olimpíadas, portas vão se abrir, como você mesmo, em relação às marcas. Poxa, é importante, né? Eu sei que agora vai abrir aquele leque grandão, as pessoas oportunistas para poder mostrar suas empresas, que eu que tenho mais de 20 anos dançando penso: Por quê essas marcas não poderiam ter chegado antes? Mas tudo bem, está tudo certo! A cena da dança agradece! Eles estão chegando agora! E sobre as marcas de energéticos, a Red Bull praticamente é a pioneira! Porque vem desde 2001 voltada ao Breaking! Só espero que isso tudo dure, né? Que não seja apenas uma onda! Uma pequena onda! Espero que seja uma grande onda e consiga carregar muitas pessoas. E como algumas pessoas sabem, até dançarinos que são patrocinados por outra marca de energético competem na Red Bull BC One, então, quem defende seu patrocínio a galera da Red Bull não implica, respeita, será que nos outros eventos aí se tiver eles vão também respeitar? Então, já fica essa ideia minha aí para a galera que está chegando agora de outros energéticos pensar… Respeita nossa história! Respeita nossa Cultura!
BW: Na final mundial na Polônia teremos B-Boys e B-Girls brasileiros convidados diretos a participar?
Pelezinho: Sobre o campeonato mundial eu não tenho a informação se terá algum brasileiro convidado direto, mas quem sabe né? A Red Bull sempre gosta de fazer aquele suspense e é até bom, porque a galera fica toda elétrica. Mas esse ano aqui no Brasil o bicho vai pegar! Na final nacional eu tenho certeza que o coro vai comer! (risos).
BW: A Cypher São Paulo acontece no dia 2/10 e a final nacional no dia 3/10. Olhando a proximidade das datas, isso não interfere no rendimento dos dançarinos?
Pelezinho: Cypher São Paulo dia 2 de outubro, onde vai ter aquela galera, os inscritos e no dia 3 de outubro, no dia seguinte, a final nacional. Então, quem passou, quem sem classificou, quem veio de outras Cyphers classificados, eu não vejo problema nenhum de quem está em São Paulo participar num dia e depois no outro e outra, o lado bom, serão dois dias ali e aquela adrenalina e tal. Para quem não lembra, o Leony saiu do Brasil, foi para o Japão, chegou num baita fuso horário, ganhou lá de todos os B-Boys que tinha, não dormiu direito, adrenalina estava a milhão, foi para o evento versus Taisuki, abriu o evento, fez as três entradas dele, não ganhou do Taisuki, agora, para e pensa, eu nunca escutei ele falar que estava cansado… Só uma dica que eu dou para a galera: aproveita esses dois dias, principalmente quem estiver participando da eliminatória São Paulo, se motiva nesse dia, não vem falar que está cansado, cai para dentro!
BW: Que recado você mandaria, que dicas você daria para todos que já se inscreveram ou que ainda vão se inscrever nesta 18ª edição?
Pelezinho: A dica que eu dou para quem se inscreveu ou que ainda vai se inscrever para participar das Cyphers regionais e a nacional: galera, aproveita esse momento que a gente tem, de realizar o Red Bull BC One esse ano! Muitas pessoas têm o sonho de participar desse evento. Faça por você e faça pela sua história, se é isso que você quer, então faça de verdade! Porque talvez você pegou a vaga de uma pessoa que estava querendo muito participar, essa é a minha dica. Com certeza, muitas pessoas vão ficar de fora por não ter conseguido fazer a inscrição a tempo por causa da pandemia!
“É como se fosse um nascimento, é necessário conectar com cada arte, muitas vezes precisamos criá-la mentalmente para facilitar o desenvolvimento. Eu particularmente acho muito interessante quando posso ir mexendo e mexendo até deixar a escultura de um jeito que me traga uma satisfação…”. Essas são as palavras do escultor e também B-Boy Patrício Cordeiro, que também é licenciado em Artes Visuais e Arquitetura Urbanística. O Portal Breaking World encomendou uma escultura de um menino que chamamos “B-Boy Eagle e o Flare”, essa estátua foi feita em três meses por Patrício e atualmente está na Casa de Cultura Urbana Street House, em São Paulo. A escultura mostra todo o esplendor e perfeição desse artista, que faz parte da grande família Hip-Hop brasileira. Confira a entrevista:
BW: Queria que você nos falasse um pouco sobre a sua história. Nome completo, idade, cidade onde nasceu e vida em família.
Patrício: Sou Patrício Cordeiro Silva, escultor, licenciado em Artes Visuais e Arquiteto Urbanista, comecei em um projeto social chamado Escola de Arte Sacra, junto com mais alguns amigos. Desde então não parei mais, me tornei arte-educador, comecei a ministrar oficinas em diversos lugares e sempre buscando maneiras de ampliar os horizontes.
BW: Como conheceu e se interessou pela Cultura Hip-Hop? Por que elementos já passou?
Patrício: Eu tive contato com o Hip-Hop na cidade de Santana de Parnaíba, era muito forte o movimento lá, na época, o termo movimento era bem comum de ser usado, a cultura urbana era muito forte lá, eu já praticava capoeira e quando eu ia para a escola via sempre B-Boys treinando, o que me chamou muita atenção, o Hip-Hop me ajudou muito no sentido de me sentir mais realizado, como se eu fizesse parte de algo muito bom eu tinha muito orgulho em fazer parte em ser do Hip-Hop. Quando mudei pra Pirapora eu já ouvia muito Rap, já fazia uns grafites e apesar de me aprofundar muito na questão de conhecer a respeito de todos os elementos eu acabei optando pelo Breaking. Comecei treinar com mais alguns amigos e montamos um grupo o Conexão B-Boys, nós treinávamos muito power move era o que mais gostávamos, na cidade a cultura Hip-Hop teve um ápice grande, muitos jovens treinavam e a gente se encontrava sempre aos domingos no Baile pra Rachar. Meu interesse mesmo foi porque o Hip-Hop elevou muito minha autoestima, eu sou de família humilde, eu posso dizer que continuo sendo do Hip-Hop, eu amo essa cultura.
BW: Verdade que no passado você chegou a ser B-Boy? Fale um pouco da sua relação com a Detroit Breakers? E sobre sua amizade com Danzinho e os outros nomes da Crew?
Patrício: Na verdade eu continuo sendo B-Boy, não treino com a mesma frequência mas sempre que dá tento fazer um treininho, a paixão pelo Breaking é muito grande, sempre que tenho oportunidade eu danço, é difícil deixar de ser B-Boy, o ser B-Boy é um estilo de vida, você adquire vários hábitos que leva pra vida, na antiga com meus amigos a gente treinava muito tempo, às vezes mais que seis horas por dia, éramos fascinados de verdade, sonhávamos em aprender cada movimento o Breaking realmente precisa muito empenho, nossa rotina era fazer escultura, escola e treino, o Matéria Rima era um grupo que desenvolvia um trabalho muito forte de Hip-Hop em Barueri, então, para buscar mais conhecimento nós íamos pra lá, foi onde conheci o Guinho e Danzinho feras no Power Move, logo após, o Matéria Rima veio pra Pirapora, fazer um trabalho na Delegacia e começamos a frequentar, foi um baita projeto que acolheu muitos jovens, com o Matéria Rima na cidade o Hip-Hop ficou mais divulgado, os jovens conheceram melhor os fundamentos, na Detroit eu fiz mais trabalhos de escultura mesmo, minha ligação é mais com o Danzinho, ele sempre pegou trabalhos comigo, então, temos uma parceria, sempre que fiz eventos por aqui o Danzinho sempre fortaleceu e vice-versa. Eu conheço os integrantes antigos de vídeo mesmo, como Careca e Kokada, que admiro!
BW: Quando você começou especificamente a fazer esculturas e peças de arte? Onde e com quem aprendeu?
Patrício: Eu estava em um projeto da Guarda Mirim, trabalhava cuidando de carro aos finais de Semana e nesse mesmo Projeto iniciou um curso de escultura, eu fui porque meus amigos foram e também por gostar de aprender coisas novas, esse projeto ficou muito conhecido, o Escultor Murilo Sá foi nosso mestre, com ele aprendi muito e no mesmo projeto dei aula por mais de 10 anos. O objetivo da Escola de Arte Sacra era realmente esse, que a gente aprendesse e tivéssemos uma fonte de renda, Pirapora vem muito turista religioso, hoje eu faço menos arte Sacra, diversifiquei bastante meu trabalho.
BW: Verdade que você tem um ateliê e dá aulas? Onde fica? Nos conte sobre o seu trabalho e sua rotina!
Patrício: Eu tenho alguns locais onde produzo e atualmente tenho um ateliê pequeno, mas ainda não é do jeito que pretendo, logo realizo esse sonho, as aulas durante a pandemia eu parei, mas meu forte eram as aulas e encomendas. Como em 2020 tivemos essa fase pandêmica, consegui um trabalho em um ateliê em Indaiatuba onde produzo esculturas para decoração. Paralelo a esse trabalho eu sigo com as encomendas, as aulas me ensinaram muito a me relacionar com as pessoas e muitas outras coisas, os meus alunos me ajudaram muito e sempre estão me incentivando, eu tinha alunos particulares e grupos em projetos de Prefeitura, já puder passar um pouco do que aprendi para muitas pessoas, é muito gratificante compartilhar o conhecimento, pretendo voltar com as aulas em breve quando eu tiver um espaço bacana. Atualmente, minha maior rotina é meu trabalho, estou muito focado, eu trabalho durante o dia e à noite nas encomendas, estou sempre nas esculturas, nessa pandemia fiquei recluso somente a fazer meu trabalho, quando possível treino em casa. É importante tirar mais horas para lazer e se dedicar a outras coisas, logo incremento melhor essa rotina!
BW: Fale um pouco sobre as peças mais curiosas que já esculpiu. E também sobre as mais difíceis… Quanto tempo em média se leva para fazer uma escultura?
Patrício: Meu trabalho é muito diversificado, mas geralmente as pessoas pedem coisas não tão diferentes, não consigo dizer uma muito curiosa, já teve umas bem elaboradas, metade rosto do esposo e metade do rosto esposa, com pés e mãos ligados a um coração através de fios, essa achei interessante, a mais difícil estou fazendo agora, ela tem 2 metros, ela é difícil por conta da estrutura e do movimento que necessita ter, ela ficará exposta no Trianon MASP, é um trabalho que mostrará um pouco do meu trabalho. O tempo de cada escultura depende bastante, algumas são bem rápidas, é como se fosse um nascimento, a gente precisa se conectar com ela, muitas vezes precisamos já criar ela mentalmente para facilitar o desenvolvimento. Eu, particularmente, acho muito interessante quando posso ir mexendo e mexendo até deixar a escultura de um jeito que me traga uma satisfação, mas ultimamente estou sempre com o prazo curto, as pessoas começaram a me pedir mais trabalho, antes quase não tinha… uma peça de 30 cm é possível fazer em 1 mês dependendo da complexidade.
BW: Que materiais são mais fáceis de trabalhar e que materiais são mais difíceis?
Patrício: Atualmente muitos escultores usam clay, eu prefiro e gosto de usar argila, eu posso dizer que tenho uma certa intimidade com a argila, a partir da argila é possível reproduzir e fazer em diversos materiais, em mármore e pedra eu acredito ser mais complexo, pela questão que necessita ser tudo mais técnico, porém, facilita quando o escultor já desenvolve o protótipo antes em um material mais maleável, a questão da dificuldade nos materiais eu diria que seriam os mais rígidos, madeira, pedra e mármore, até porque não utilizo a técnica, mas tem gente que domina e acha não tão difícil.
BW: Recentemente você fez uma escultura de um menino B-Boy fazendo o movimento Flare para a Casa de Cultura Urbana Street House, de São Paulo. Nos conte como foi feito essa peça do princípio até os retoques finais… Quanto tempo levou para ficar pronta? Quais foram as maiores dificuldades nessa peça? Fale sobre o que achou do resultado final…
Patrício: Essa Escultura foi um desafio, eu levei mais que o tempo esperado por conta de outros trabalhos, eu usei argila para modelar e o mais difícil foi o equilíbrio, a peça se sustenta em apenas uma mão, eu usei uma referência, mesmo assim não foi o objetivo deixar igual, após a modelagem eu tirei o molde em gesso, dividi a peça em vários pedaços, fundi com fibra de vidro e novamente juntei todas as partes, fiz todos os retoques e pintei, eu levei cerca de 3 meses, mas não trabalhei todos os dias, sempre à noite e final de semana. Referente ao resultado final eu sempre acho que poderia ter ficado melhor, cada peça me faz querer que tenha sido melhor, eu acredito que as pessoas gostaram, fiquei bem feliz em fazer!
BW: Fale o que você acha sobre a valorização dos artistas no Brasil, que dificuldades você tem como artista e como tem vivido nesse tempo de pandemia…
Patrício: Ser artista é um caminho longo e que você precisa ter coragem pra seguir, não só no Brasil, em muitos outros países têm muitas dificuldades para o artista, eu acredito que no Brasil está melhorando, eu acredito muito no que faço, eu tenho conseguido bons resultados com a minha arte, mas já passei fases bem difíceis, nunca deixei de acreditar, a pandemia no sentido de trabalho foi muito bom, a demanda aumentou demais, precisei recusar alguns serviços, torço que continue assim!
BW: Quais são seus planos para o futuro e que mensagem gostaria de deixar para os leitores do Portal Breaking World?
Patrício: Busco evoluir em todos os aspectos da minha vida e expandir muito mais meu trabalho, ensinar às crianças e jovens para que possam conhecer mais sobre arte e quem sabe até se tornarem escultores. Eu só posso agradecer ao Portal Breaking World pela oportunidade de falar um pouco sobre meu trabalho, fico muito feliz, ainda mais por ser um veículo que fortalece muito o Breaking, muito grato e desejo que vocês continuem firmes e fortes com esse trabalho de divulgação da cena Breaking, divulgando os talentosos B-Boys e B-Girls, enfim o Hip-Hop!