Ele teve a infância no interior de São Paulo, na casa dos avós, mas foi na adolescência, em Minas Gerais, dentro de um Centro Olímpico, aos 13 anos, que se encantou pelo Breaking de vez e pelos movimentos Power Moves, que achava irados!
Estamos falando de Douglas Lima, também conhecido como B-Boy Pikira, que hoje é um dos principais B-Boys brasileiros que constantemente está presente em propagandas e comerciais publicitários. Confiram a entrevista:
BW: Queria que você nos contasse como foi sua infância. Em que local foi? Que lembranças você tem dessa época?
Pikira: Minha infância foi bem divertida (risos). Sempre fui um garoto bem alegre e brincalhão com todos, fui criado na casa dos meus avós no interior de São Paulo, junto de minha mãe, que foi minha mãe e meu pai ao mesmo tempo, venho de uma origem humilde, que nunca teve muita coisa, sabe? Mas, graças a Deus, nunca me faltou nada, principalmente educação e o carinho da minha família, que é o mais importante para mim, quando era criança eu gostava muito de jogar bola e andar de bicicleta na rua (risos). Que criança não gosta, né? (risos).
Pikira começou a dançar aos 13 anos e não parou mais
BW: Quando você teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop?
Pikira: Olha, quando eu comecei a dançar eu tinha 13 anos de idade, eu só fazia por amor mesmo e por achar irado aprender os movimentos giratórios, que no Breaking se chama de “Power Moves”, que são os movimentos com impacto maior na dança, porque usa muito a força e agilidade do corpo, eu aprendi a dançar quando fui morar em Minas Gerais, onde eu frequentava um Centro Olímpico para jogar bola, foi ali que eu vi uns meninos fazendo Power Moves e dançando com um Boombox no chão, bem no cantinho da quadra de Futsal, foi naquele momento que me aproximei e perguntei pra eles se podia ficar olhando eles dançarem, aí eles me olharam meio marrentos e responderam que podia (risos), foi naquele momento que me encantei com a dança e decidi fazer aquilo… Mas, sem pensar em viver da dança, nem virar um artista, foi só por amor e admiração pelos passos e movimentos que eram irados pra mim, foi aí, então, que perguntei para um dos meninos que se chamava Marcos, que eu queria aprender a dançar e se ele poderia me ensinar alguns passos daquela dança, foi aí que ele me explicou que se chamava Breaking e que era um dos elementos da Cultura Hip-Hop, depois desse dia, ele me ensinou o básico, que foi o Top Rock, Drop, Footwork e o Freeze. Isso foi somente em um dia (risos). Ele me passou os passos e foi embora, aí eu fui para casa, coloquei uma música do Black Eyed Peas, que eu gostava muito e comecei a treinar os passos que ele me ensinou, treinei muito! Até ficar rápido e leve, aí fui novamente no Centro Esportivo, no dia seguinte, para mostrar pra eles o quanto eu aprendi treinando sozinho em casa, mas aí eles não foram no Centro Esportivo nesse dia (risos), eu fiquei triste, mas não desisti e fiquei lá até fechar, aí batendo 8h da noite chega o Marcos, o menino que me passou os fundamentos da dança no Centro Esportivo, aí falei pra ele que treinei e que queria mostrar pra ele o quanto aprendi, aí fomos para dentro da quadra e mostrei pra ele e ele ficou surpreso com a minha agilidade e rapidez de aprender tão rápido o básico, foi aí que ele falou para ir todos os dias no Centro Esportivo que ele iria me ensinar novos passos, fiquei muito feliz e fui novamente no dia seguinte, debaixo de chuva (risos), com minha mãe brigando comigo e perguntando o que eu iria fazer no Centro Esportivo, na chuva (risos)… Até então, ela não sabia que eu estava dançando, aí fui na chuva e o menino não foi (risos), fiquei triste demais nesse dia porque eu realmente estava ansioso para aprender mais passos e treiná-los para mostrar pra eles que eu seria bom naquilo, foi aí que continuei indo nos dias seguintes e eles não apareciam mais, aí um belo dia eu fui para jogar bola e já tinha desistido de ir até lá e não achar eles no Centro Esportivo dançando, aí fui jogar bola e encontrei não só com eles, mas com uns 15 caras reunidos treinando Breaking no mesmo lugar, foi aí eu falei “Uaaaal, que irado!” (risos), fui lá olhar de perto e o menino que me ensinou os fundamentos falou pra eu fazer na roda, ali, pra todos verem (risos), aí tomei coragem e fiz e ainda arrisquei uns movimentos que eu vi no jogo de Vídeo Game, que eu tinha comprado de B-Boy na época, aí os mais velhos deles, que foi o que ensinou eles a dançarem, me chamou para ir em outro lugar aonde eles treinavam fechado o grupo todo, fiquei muito feliz no dia (risos), confesso que nem dormi direito (risos). Aí, no dia seguinte, fui no treino que era numa antiga prefeitura, em uma sala fechada, foi aí que comecei a treinar de verdade e aprender novos passos e movimentos olhando eles fazerem, depois disso, eu treinei bastante e aprendi muita coisa em pouco tempo de prática e aí eles me chamaram para entrar na crew, desde então eu não parei mais.
Perseverança e vontade marcaram a história de seu início com a dança Breaking
BW: Quando de fato se dedicou ao Breaking? Você teve referências na dança? Pessoas que te influenciaram?
Pikira: Desde que comecei a dançar eu me dedicava muito ao Breaking, mesmo sem pensar em viver daquilo. Eu simplesmente só queria praticar e aprender novos movimentos todos os dias, mas o dia em que eu realmente parei e falei “é, eu realmente quero ser muito bom no Breaking e viver disso como profissão”, foi quando eu vi o UK B-Boy Championship 2008, em que o apresentador era o Crazy Legs, um dos pioneiros da dança, nesse DVD, que eu tenho até hoje, eu vi os B-Boys recebendo premiação em dinheiro e ganhando vídeo games de premiação para o 1° lugar, aí eu achei irado! Foi aí que me dediquei mais e mais. Referência para mim na dança foram meus amigos mesmo, que dançavam muito na época e faziam movimentos que até hoje vi poucos B-Boys fazerem com tanta leveza e facilidade que nem eles.
BW: Como sua família viu sua ligação com a dança? Você teve apoio deles?
Pikira: No começo minha mãe tinha medo (risos) ela chegou a ir em vários treinos escondido de mim para ver se eu não estava usando drogas (risos). Ela achava que Hip-Hop era coisa de drogado, mas com o tempo ela foi conhecendo os meninos e foi ficando tranquila e percebendo que não era isso que ela pensava, mas ela não gostava mesmo assim (risos), mas não brigava comigo também.
BW: Aprender o Breaking foi algo fácil ou houve movimentos que foram mais difíceis?
Pikira: Eu aprendi tudo muito rápido e sempre tive facilidade em executar os movimentos.
Facilidade no aprendizado e talento natural para a dança
BW: Quando você começou a competir? Em que ano? Que eventos te marcaram mais e porquê?
Pikira: Meu primeiro campeonato foi em 2010, na minha cidade, em Minas Gerais, com minha crew, chegamos na final do campeonato (risos), fiquei muito feliz! O evento que mais me marcou foi o Chelles Battle Pro, em Goiânia, em 2013, aonde eu conheci o campeão mundial da Red Bull BC One que é B-Boy Lilou, da França, esse evento me marcou muito! Porque foi o primeiro campeonato de crew que valia vaga para fora do país e que ali estava de jurado o B-Boy Lilou e o primeiro Red Bull BC One Cypher que participei, em BH, na capital de Minas Gerais, foi lá aonde eu vi pela primeira vez os B-Boys que eram muito famosos, que era o B-Boy Pelezinho, B-Boy Aranha da Tsunami All Stars, que eram e são referência para muita gente até hoje, então, foi lá que eu me destaquei e cheguei na semifinal da Cypher da Red Bull e fiz amizade com o B-Boy Aranha, que hoje é meu grande amigo e que treina comigo diariamente.
BW: De onde surgiu o apelido Pikira? Tem algum significado?
Pikira: Meu apelido surgiu quando eu era criança, eu sempre gostei de liderar a molecada em tudo que fazíamos na infância e o apelido vem de um nome indígena que se chama Piquerobi, que é um Cacique líder de uma tribo indígena que se chama Inhanpuaçu, foi aí que tiram o nome de Pikira, que na época de criança erravam o nome e falavam Pikira (risos), aí ficou o apelido.
BW: Além da dança, você também foca muito seu trabalho na publicidade e na propaganda, correto? Fale sobre a importância do dançarino também trabalhar esse lado…
Pikira: Sim, além de dançarino de Breaking eu sou modelo e ator também, então, sobre importância eu acho isso muito de pessoa pra pessoa, sabe? Eu, particularmente, acho importante um B-Boy trabalhar com comerciais e publicidade de marcas, porque isso traz uma visibilidade muito boa para o dançarino que quer viver da dança, através disso ele pode arrumar patrocínios, ele vai ter contato com marcas grandes que podem querer organizar um evento de Breaking ou apoiar ele em alguma viagem para algum campeonato fora do Brasil, mas como eu falei antes, isso depende do objetivo de cada dançarino.
O B-Boy já participou de várias ações publicitárias
BW: Nos conte as principais propagandas que já participou?
Pikira: O primeiro comercial que eu quero falar é o da Casas Bahia, que eu fui o primeiro e único B-Boy a fazer a propaganda até hoje, no comercial eu fui o principal, fui chamado para dançar com os eletrodomésticos e no comercial eu faço um mortal para trás com um liquidificador na mão (risos). Para mim esse é o mais marcante porque Casas Bahia não tem nenhuma ligação com dança, mas lá estou eu representando os B-Boys com uma das marcas mais famosas do Brasil. E já fiz vários importantes, como comercial da TIM, Semp Toshiba, Oi, Venish, Renner, Riachuelo, Zara, entre outros.
BW: Na sua opinião, é possível viver da dança no Brasil?
Pikira: Depende de como o B-Boy ou B-Girl quer viver, se for de competição, no Brasil, eu acho impossível, porque além das premiações serem muito baixas, os breakers não vão ganhar sempre, na minha opinião! Agora, se viver da dança dando aulas de Breaking através de projetos e fazendo espetáculos e trabalhos com marcas, aí sim!
BW: Você já competiu fora do país? Ou teve experiências fora? Nos fale sobre isso…
Pikira: Infelizmente, não sai do país ainda. Quando eu ia sair, veio a pandemia (risos)… mas pretendo sair para competir e ver como é lá fora.
B-Boys Ruddy, Luan San e Pikira
BW: Em toda sua caminhada na dança nos fale sobre momentos que foram importantes e também momentos lamentáveis que se pudesse voltar no tempo tomaria outro caminho.
Pikira: Um momento muito importante na dança pra mim foi quando eu gravei uma série de dança com a banda internacional Black Eyed Peas, que se chama Freestyle Fridays e ainda fui convidado por eles a dançar no show deles no parque do Ibirapuera, em São Paulo, junto dos meus amigos da Tsunami All Stars, que são referência mundial, isso foi bem importante pra mim porque eu sempre fui fã das músicas deles desde criança e poder conhecê-los e trabalhar com eles foi simplesmente incrível, agora sobre lamentações eu sou um cara que não fica se lamentando ou arrependendo de coisas que fiz, sabe? Acho que a vida é feita de momentos bons e momentos ruins, então, cabe a você saber lidar com os momentos e agradecer pelos momentos ruins também, porque tudo na vida é aprendizado.
BW: Como tem sido esse tempo de pandemia? O que tem feito?
Pikira: Esse tempo eu tenho trabalhado normal, mas tive que me adaptar e investir em um bom celular para poder fazer minhas publicidades em casa por celular.
BW: O que acha sobre o fato do Breaking virar uma modalidade olímpica?
Pikira: Acho incrível! Porém, não estou muito por dentro, porque é tudo muito novo, mas tenho grandes expectativas que isso venha a agregar coisas boas para a cena do Breaking no mundo.
BW: Quais são seus planos para o futuro?
É difícil falar, pois sou muito cauteloso com meus planos (risos). Mas posso dizer que vou continuar a dançar até que eu não consiga mais me movimentar (risos), pretendo conquistar muita coisa ainda e ir com calma, sou muito novo ainda, tenho 24 anos, ainda tem muita coisa que quero viver, sabe? Mas sempre pensando no futuro, claro!
Fotos: Arquivo Pessoal / Daniel Favieri / Hugo Victor
O B-Boy também trabalha como modelo
Atuando em série da Netflix
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Um garoto do Paraná, de apenas 12 anos, emocionou a toda a produção de um programa de rádio ao vivo na Rádio Exclusiva FM, estamos falando de José Lucas de Oliveira, mas no mundo artístico ele é o MC JLO. O menino participou do Programa Ação Teen, em São Paulo e começou a chorar ao vivo, contando o sonho que tinha e que estava sendo realizado, de cantar sua música de autoria própria, ao vivo, depois de uma longa trajetória que começou no Paraná, chegando até São Paulo.
Ele sonha em ser um dos grandes nomes do Rap nacional. Suas músicas têm uma proposta de consciência, com ousadia. Filho de uma ativista cultural, produtora, capoeirista e apresentadora do Programa Conexão das Periferias, o menino é muito incentivado por sua mãe. Eles foram acolhidos pelos The Rap Monster’s, que de cara já colocou o garoto no projeto do Coletivo, além de ter sua participação na música “Gente Da Gente” do Coletivo, o garoto gravou uma música na MB Produções, que vai fazer parte do CD dos The Rap Monster’s.
E é claro que o Portal Breaking World, que adora conhecer e ver o que a nova geração anda fazendo, não podia deixar de conversar com JLO. Confira a entrevista:
BW: Qual o real nome do MC JLO? Quantos anos tem? Onde mora e como é sua vida em família?
JLO: José Lucas de Oliveira Machado tem 12 anos, atualmente moro no Jabaquara, Zona Sul de SP. Minha vida é um pouco “puxada”, pois tenho muitas coisas para fazer: estudar, ensaiar Hip-Hop, treinar capoeira e brincar (risos).
O papel da mãe como apoiadora e incentivadora é muito importante na carreira do MC
BW: Está em que série? Na escola seus amigos pedem para cantar?
JLO: Eu estou no 6° ano da escola pública estadual Rui Barbosa, da cidade de Guarapuava, no Paraná. Agora com a pandemia, as aulas são on-line. Mas, antes os professores e os colegas sempre me pediam para cantar.
BW: Teve alguém na família que cantava? Quem são suas referências no Rap nacional?
JLO: “Escuto Rap desde a barriga da minha mãe”. Inspirações e referências são minha mãe, meu irmão, o artista plástico Olli, MC Caverinha, Djonga, Edi Rock, 7minutos e Hot e Oreia, Face da Morte…
BW: Quando começou a rimar e escrever músicas? Quando teve o primeiro contato com o Rap e com toda a Cultura Hip-Hop?
JLO: Comecei a escrever em 2020, mas o meu contato com tudo foi desde a barriga da minha mãe.
MC JLO na Rádio Exclusiva FM, em São Paulo: sonho realizado
BW: Verdade que era um sonho cantar numa rádio? Nos conte como foi essa experiência aqui em São Paulo.
JLO: Foi demais! Eu não imaginava que iria tão rapidamente participar de entrevistas em rádios e TVs. Foi uma experiência nova, bem difícil, mas maravilhosa!
BW: Fale sobre a música de sua autoria, que cantou, sobre o que fala?
JLO: Minha primeira composição foi em homenagem à minha mãe e a todas as mães do mundo. A música se chama “Você é um Príncipe”. E a segunda, fala sobre a nova realidade diante da pandemia para um pré-adolescente. Se chama “Novo normal”.
BW: Você participa também de batalhas de rimas?
JLO: Sim, a última foi no ano passado
BW: O que tem feito nesse tempo de pandemia?
JLO: Estou estudando on-line e participando de alguns eventos on-line também.
BW: Fale um pouco dos seus projetos, dos seus sonhos para o futuro?
JLO: Meus projetos são continuar no The Rap Monster’s e no Cultuarte Capoeira. Também fui convidado a participar do Canto pela Paz. Sonho é ser rico e poder ajudar as pessoas com a minha arte.
BW: Deixe um recado para os leitores do Portal Breaking World?
JLO: Peço para que me acompanhem e assistam as lives que estou participando. E, por favor, usem máscara e álcool até a vacina sair para todos e acabar a pandemia.
Nosso corpo é uma máquina, de infinitas possibilidades, veias, artérias, litros e litros de sangue; que percorrem o caminho certo, sem falhas.
Um cérebro que HD nenhum no mundo chega aos pés, somos dotados de algo único, um sentimento chamado saudade e o amor, o único caminho para se encontrar a tão sonhada paz.
Ao longo de nossa breve vida, sofremos muitas mutações, aprendemos a falar, a andar, nosso corpo vai mudando gradativamente, tanto os meninos e as meninas, até nos tornarmos homens e mulheres adultos.
O nosso foco de hoje é a mudança de voz que ocorre na adolescência, em maior escala para os meninos; continue a leitura e vou te explicar como isso funciona, quem são os responsáveis por essa metamorfose vocal e ambulante, garanto a vocês que não é o saudoso Raul Seixas.
Essa mudança ocorre devido ao crescimento da laringe, onde os músculos vocais estão localizados, as chamadas “pregas vocais”.
Com o crescimento da laringe, as mudanças acontecem, pois com o seu crescimento os músculos vocais esticam e na passagem do ar, vindo dos pulmões e passagem pela laringe, a voz passa a ser reproduzida de forma mais grave.
Os hormônios são responsáveis por muitas transformações em nosso corpo e organismo. Na adolescência, então, faz grandes mudanças na voz dos meninos e meninas.
Para as meninas em menor intensidade, mas para os meninos, na maioria das vezes trazem a voz um tom mais grave, graças a testosterona e, nas meninas, a produção de estrógeno e progesterona.
Estudos e pesquisas realizadas por uma série de otorrinolaringologistas (especialistas em ouvido, nariz e garganta) atestam e comprovam essas mudanças.
O mais interessante de tudo isso é que, quando crianças, temos as vozes em tom semelhante; meninos e meninas. E durante a velhice, voltamos a essa semelhança; pois ocorre uma queda na produção de hormônios e, por isso, fica difícil distinguir a voz de um senhor ou senhora ao telefone.
A certeza de tudo isso é: do pó viemos, ao pó retornaremos, não importa sua cor, se mora numa mansão ou favela, se sua voz é grave ou aguda, o que devemos guardar nessa vida são as boas amizades, amar ao próximo e cantar; pois quem canta, continua a expulsar os males dessa vida.
Ah! Quer um ótimo exemplo de voz grave até o talo?
Escute o monstro Barry White, de preferência a canção que amo: “Just the way we are”.
Ame e respeite as pessoas do jeito que elas são, a grande verdade é: somos todos iguais.
Foto: Reprodução
Barry White - Just the way we are
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Seguindo o cronograma do que foi citado na última publicação, hoje vamos falar de um dos temas referentes ao desenvolvimento da dinâmica no Breaking (Níveis).
Níveis são graus de subida e descida trabalhando simultaneamente, partindo de um ponto X.
Explicando: Geralmente, quando aprendemos a dançar Breaking, sempre seguimos uma linha explicada por terceiros, que são começo, meio e fim. Começo: Top Rock. Meio: Footwork. Fim: Freezes, Stances, Power Moves. Pelo menos, para mim, foi ensinado dessa forma pelos meus primeiros mentores. Durante os anos em que estive viajando e melhorando meu inglês, eu percebi que é muito mais aprofundado do que simplesmente: começo, meio e fim.
Os níveis são um desses aprofundamentos, são fundamentais e trazem muito mais dinâmica e imprevisibilidade dentro dos 3 estágios citados acima e, também, quebra essa regra cronológica. Os níveis consistem em uma constante mudança entre movimentos de cima e baixo, temos 4 níveis que devemos explorar:
Nível Baixo: toda movimentação onde envolve as costas, cabeça, peito, ombros, quadril e pernas colado ao piso.
Nível Médio: Footwork, alguns movimentos como Turtles, Flares, Chair/ Air-Chairs, Halos, etc.
Nível Alto: movimentos no topo, que podem ser um 1990, Air-Flare, Top Rock, movimentos influenciados pelas artes marciais, etc.
Nível Aéreo: todo tipo de movimento que explora o ar, saltos mortais, por exemplo, etc.
Esses são os 4 níveis definidos isoladamente acima, no entanto, a parte mais interessante ainda está por vir. O desafio agora é explorar os níveis simultaneamente, de cima para baixo, de baixo para cima. Por exemplo: que tipo de combinação você pode fazer entre o nível baixo e o nível aéreo?
Como você faria Back Rocks para um salto mortal? Como você faria Baby Mills com transições indo para o Air Flare, para o Footwork e finaliza com um salto mortal? É como se você batesse todos os ingredientes em um liquidificador e a música seria o ingrediente principal, adicionado para fazer tudo por completo.
Os B-Boys / B-Girls mais influentes do mundo estão sempre abordando esse tema nos workshops. Meu primeiro contato com essa concepção de níveis veio por meio do B-Boy Lego- Flipside Kings. Eu enviei um vídeo do meu treino para ele analisar e ele percebeu que eu só estava explorando o nível médio, então, foi explicado para mim sobre a importância de mudar todos os níveis intensamente.
Esse tipo de concepção leva tempo para amadurecer, pois é difícil dançar de uma forma sutil quando você está em constante conflito com a gravidade. Eu ainda estou trabalhando nisso, pois essa é minha zona desconfortável. Você, talvez, deve estar se perguntando “como é que eu treino níveis”? Vou falar o ritmo que funciona pra mim… faço esse tipo de treino no ritmo lento e com músicas mais lentas e sempre prestando atenção onde devo respirar corretamente; sempre estou tentando aprender algo novo que venha de outros elementos, Capoeira, Kung Fu, Ballet, etc… Muita gente não sabe como fazer esses tipos de treino e muitos desanimam pela complexidade que é desenvolver os níveis, então, se você almeja chegar em lugares altos com dança, você precisa ser disciplinado e evoluir suas fraquezas. No Brasil, temos alguns B-Boys que usam bem os níveis: Neguin, Kekeu, Ratin, Bart, etc. No campo internacional, têm vários: Menno, Kleju, Victor, Ami, Kate, Ayumi, etc.
Vale destacar que isso não é um artigo onde eu incentivo que nós, brasileiros, devemos dançar como os estrangeiros, temos a nossa própria essência, mas esses conhecimentos expressados aqui são métodos universais que cada um de nós temos que desenvolver dentro das nossas próprias características. “Tudo que te traz desconforto é onde está a sua fraqueza”… bons treinos!
Fotos: Divulgação / Little Shao
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Mais de um ano se passou desde que a cidade entrou em estado de alerta e foi decretado o primeiro lockdown por conta da pandemia do coronavírus, que ainda iria tomar proporções inimagináveis.
Já esperávamos ter resultados negativos comparados a outros países mais desenvolvidos, pelo nosso histórico de governo, mas não tínhamos parado para pensar no quanto isso poderia nos afetar: no trabalho, nas relações pessoais, nas finanças e na saúde.
Ninguém estava preparado para isso, muito menos a nossa cultura, que, em tempos normais já sobrevivia com muita dificuldade. Não tínhamos ideia de quanto tempo isso iria durar e nem sabíamos o quanto um evento presencial faria falta.
Estar a 300 metros do local do evento, já ouvir o som de longe e, com a proximidade, sentir adrenalina, ansiedade e sentimento de alegria por estar presente no evento, tão esperado, por você e por muitos. Pensado e organizado por um grupo de pessoas, que há meses planejam esse acontecimento, contratam pessoas, empregam parentes, abrem espaço para os pequenos empreendedores vender seus “panos”, seus produtos, gerando renda para várias famílias. Situações tão normais no dia a dia que nunca paramos para refletir a importância deles. Rever amigos, ver inimigos, dançar, conversar, observar o tênis do colega, a jaqueta style que o outro está usando, as novas tatuagens daquele outro B-Boy, aquele casal de B-Boy/B-Girl que está sempre junto… passar raiva com os jurados desqualificados, o evento que não valoriza o DJ e tocou as músicas de uma mixtape baixada da internet pelo pen drive… mesmo dos piores eventos sentimos falta.
Isso, infelizmente, tem desencadeado uma série de preocupações com a saúde psicológica e física dos nossos colegas.
Sem eventos para ir, lugares para treinar, sem poder viajar, muitos têm passado os dias e noites presos à uma das drogas mais prejudiciais para a nossa saúde: a internet.
Com a ociosidade, veio a ansiedade. E com a ansiedade, a falta de empatia. Ah, a tal falta de empatia que mais nos separou do que em qualquer outro momento da história.
Todos já com os nervos à flor da pele, muitos desempregados, outros que perderam familiares ou amigos para a Covid-19, devastados, com o psicológico abalado, aí veio o anúncio: O BREAKING FOI OFICIALMENTE CONFIRMADO PARA AS OLIMPÍADAS DE 2024.
Alguns ficaram felizes, encontraram nesse anúncio um pouco de esperança e motivação. Outros, ficaram indignados com o fato do Breaking ser incluído em uma modalidade esportiva. Não precisa ser gênio para saber qual foi o resultado disso, muita discussão e mais falta de empatia tomou conta das redes sociais.
Oportunistas se fizeram presentes imediatamente, mesmo aqueles que tinham se declarado contra o Breaking nas Olimpíadas, brigaram por postos de poder para liderar o comitê representativo nacional.
Enquanto estes brigam sem nem saber por quem ou por quê, os números no país continuam crescentes e a previsão de retomada cada vez mais distante.
Antes de sermos artistas, somos seres humanos, somos seres humanos, SOMOS SERES HUMANOS. Precisamos ter mais HUMANIDADE, mais EMPATIA e mais CONSCIÊNCIA da REALIDADE que estamos vivenciando.
Amamos o Breaking, vivemos o Breaking, mas há questões mais emergentes que precisam da nossa energia e do nosso tempo, de todos que estão saudáveis e podem ajudar. O futuro está à frente, o presente é HOJE, e hoje muitas pessoas precisam de ajuda – ajuda para comer, ajuda para superar uma depressão, ajuda para enfrentar crises familiares, ajuda para se levantar.
Sejamos mais humanos e menos egoístas.
Assisti uma série recentemente de dança e uma frase se destacou “por mais que estejamos todos competindo uns com os outros, tenhamos nossas diferenças, sejamos inimigos, ainda estes são os únicos que me entendem, porque eles vivem o que eu vivo e sabem das dores, das dificuldades, da luta”. É isso, no fim, estamos todos no mesmo barco, somos iguais.
O que você tem feito por você nesse último ano? E, o que você tem feito pelos outros nesse último ano?
Que não percamos nunca nossa essência e que sempre nos lembremos da nossa história, da nossa cultura, que prega PAZ, AMOR, UNIÃO E DIVERSÃO.
This is Hip-Hop!
Fotos: Reprodução
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“Eu percebi que o Brasil não me oferecia muita coisa e resolvi me projetar para fora, onde a minha arte é mais valorizada! ” (B-Boy Neguin)
Ele é de Cascavel, Paraná, mas hoje mora em New York e se considera um mensageiro da Cultura Hip-Hop e da arte. Com 33 anos, é considerado um dos melhores B-Boys do mundo. Conhece mais de 141 países e já participou de mais de 100 campeonatos internacionais, sendo o único latino-americano e brasileiro a conquistar o cinturão de campeão da Red Bull BC One. Também coleciona outros títulos, destaque para: UBC Championship em Las Vegas, Unbreakable, Freestyle Session e Outbreak Europe. Foram vários mundiais 1 vs 1, onde foi o único brasileiro a alcançar esses títulos até hoje. Trabalhou com grandes nomes internacionais como Fergie, Gwen Stefani, Sean Paul, Justin Timberlake, Paul McCartney e Missy Elliot. Estamos falando de Fabiano Carvalho Lopes, mais conhecido na cena e no resto do mundo como Neguin. O nosso Neguin do Brasil! O Portal Breaking World bateu um papo com ele e hoje apresentamos com exclusividade para vocês:
BW: Queria que você falasse como foi sua infância. O que gostava de fazer quando criança e que lembranças tem dessa época? Foram tempos difíceis ou tranquilos?
Neguin: Minha história começa em Cascavel, no Paraná, eu comecei na capoeira aos três anos de idade. E, depois de 10 anos praticando capoeira, me interessei em aprender uma cultura diferente, então, eu despertei o interesse e comecei a praticar a Cultura Hip-Hop. Eu pratiquei todos os elementos da Cultura Hip-Hop, mas o que eu mais me destaquei foi o Breaking, devido eu já ter toda essa filosofia e conhecimento da capoeira. Então, eu mesclei as duas artes que englobam várias artes em uma só e a partir dali dei início a uma nova trajetória dentro da Capoeira e do Breaking, onde sou reconhecido mundialmente hoje. Mas, nesse período de criança, da infância, eu me envolvi também com outras atividades, o skate, o jiu-jitsu, sempre me envolvi com artes, pinturas. Sempre fui um menino voltado a aprender coisas novas que me inspiravam artisticamente. Sim, foram tempos difíceis devido ao nosso país não proporcionar apoio e nada, eu vim de família super humilde, que sempre apoiaram a minha arte, mas financeiramente sempre houve um obstáculo de viajar, ir para outros estados para poder competir, mas foi uma infância muito saudável, curti muito e ainda curto. Hoje estou com 33 anos, mas eu ainda me sinto aquele moleque de 13…
Mesclando capoeira e jiu-jitsu ao Breaking, ele se tornou um dançarino completo e conquistou o mundo
BW: Quando você disse: “É isso que eu quero para minha vida”? A capoeira, o jiu-jitsu vieram antes da paixão pela dança?
Neguin: Foi quando eu terminei o ensino médio e a capoeira e o jiu-jitsu chegaram antes do Breaking, sim. Eu terminei o ensino médio, comecei a trabalhar, eu teria a capacidade de ser um gerente numa empresa mas não foi isso que eu escolhi, pois a minha arte sempre falou mais forte e eu me joguei, peguei a primeira oportunidade e saí para fora do país, como competidor de Breaking e aproveitei essa oportunidade e me destaquei, a partir dali eu já fiz o meu cartão de visita, as pessoas identificaram o meu talento e eu comecei a viajar para outros países, em princípio para competir e, obviamente, eu comecei a ministrar palestras, workshops e tal, e surgiram outras coisas como Cirque du Soleil, comecei a trabalhar com a Madonna e minha carreira teve uma projeção rápida, ainda nos meus 19 e 20 anos.
BW: Verdade que você sofreu grandes influências dos seus irmãos que dançavam e faziam ensaios em casa? O que eles dançavam? Nos fale um pouco dessa convivência com os irmãos e como passou a entender a dinâmica da música e da dança?
Neguin: Sim, os meus irmãos dançavam o estilo deles de “club”, os “flashbacks” e foi minha irmã que me introduziu na capoeira. A minha família sempre me inspirou na arte, mas o estilo de dança deles era de passinho e tal, mas o que me influenciou bastante foram as músicas que eles escutavam na época. Escutavam flashbacks e as músicas mais clássicas e obviamente passando pelo Techno e música eletrônica. Eu cresci ouvindo música eletrônica e mesmo quando eu comecei a praticar o Breaking eu ia também nas festas raves, então, a música eletrônica sempre esteve presente dentro do meu estilo.
BW: Nos fale um pouco sobre inspirações… houve pessoas que te inspiraram na dança? Queria que você falasse também da fusão de Breaking, capoeira, movimentos acrobáticos, jiu-jitsu. No Breaking houve movimentos mais difíceis de aprender ou você sempre teve facilidade em todos?
Neguin: As inspirações, como qualquer arte que você aprende no início, lógico que tem várias inspirações, várias pessoas que são referência na modalidade, então, as minhas maiores inspirações foram vários dançarinos. Ken Swift, K-Mel, os membros da minha equipe, Pelezinho, antes de o conhecer eu já admirava bastante o trabalho dele e a minha mesclagem com a capoeira é um complemento, toda movimentação da capoeira introduzida no Breaking é uma característica minha e vice-versa e o Breaking sim, tem o grau de dificuldade mais difícil que a capoeira, mas um complementa o outro e a dedicação em cada movimento e cada etapa dentro do que você pratica acaba se adaptando e desenvolvendo uma movimentação nova. Enfim, um complementa o outro.
141 países, mais de 80 competições internacionais, vários títulos mundiais: este é o Neguin do Brasil!
BW: Fale dos principais eventos que participou e que foram especiais para você?
Neguin: Eu participei de mais de 100 campeonatos internacionais, eu sou o único latino-americano, o único brasileiro a ser campeão mundial do Red Bull BC One, eu sou o campeão de 2010, também ganhei outro mundial chamado UBC Championship, em Las Vegas e ainda Unbreakable, Freestyle Session e Outbreak Europe. Foram vários mundiais 1 vs 1, eu fui o único brasileiro a alcançar esses títulos. No Brasil, participei de vários também menores, mas o início da minha carreira como competidor já me destaquei mais nos eventos internacionais, então, uma vez que eu entrei no circuito internacional, as batalhas foram em todos os continentes e eu já viajei a 141 países e dentro desse número, pelo menos nuns 80 eu estive competindo.
BW: Neguin, viver da dança é um desafio? Recentemente vi um depoimento seu onde dizia que você conheceu o mundo através da dança e da Cultura Hip-Hop. Que dicas você dá para quem pretende viver da dança?
Neguin: Sempre será um desafio como artista ter obstáculos a serem enfrentados. Primeiramente, você tem que acreditar na sua arte, ser bom naquilo que você faz, se dedicar, porque nada na vida vem fácil, é muita dedicação, muita disciplina e é preciso ter foco, ser focado nessa arte e ver o que o mundo te oferece para facilitar esse espaço para você, no meu caso era sempre difícil, mas eu pensava “eu vou me preparar para quando rolar a oportunidade eu estar pronto, então, o que vou precisar? Vou precisar do e-mail? Vou! Vou precisar falar inglês? Opa, não falo inglês, então, vou praticar inglês, não vou ficar no Facebook falando com as garotinhas. Eu vou afiar o meu inglês para que eu esteja preparado para viajar para o exterior”. Então, é uma questão de preparação! Falar inglês, estudar a sua arte! Ter todo o conhecimento para investir na sua arte, no seu talento, aproveitando as oportunidades que virão e a partir dali ter o que chamamos de sucesso! Para chegar no sucesso, precisa valorizar a sua arte e estudar muito!
BW: Atualmente, onde você mora? Como foi sair da sua terra e viver em outro país, com outro idioma e outros costumes? Como foi essa transição e adaptação?
Neguin: Atualmente, eu moro em New York, essa cidade sempre foi a minha base, eu morei na Califórnia um tempo, mas atualmente eu moro em New York. Com as viagens que eu fazia como competidor, através das minhas viagens com a dança, com a capoeira e o jiu-jitsu, eu percebi que era o lugar que eu me identifico muito, é um local onde as oportunidades estão aqui para tentar! Tanto New York como São Paulo não é nada fácil, é o mesmo perrengue e a mesma correria, porém, eu sempre gostei da Cultura Hip-Hop e como nasceu lá e a Cultura House Dance no contexto geral, New York despertou essa minha possibilidade de viver lá, então, me projetei para viver naquele local e já tem 12 anos que moro lá. Não me lembro muito das dificuldades do início, mas olha, eu não olhei para trás não! Eu percebi que o Brasil não me oferecia muita coisa e resolvi me projetar para fora, onde a minha arte é mais valorizada!
A busca pela valorização de sua arte o levou para fora do Brasil
BW: Parece que você conseguiu rapidamente se conectar com as pessoas certas, trabalhando com celebridades como Madonna, Fergie, Gwen Stefani, Sean Paul, Justin Timberlake, Paul McCartney and Missy Elliot. Nos conta como tudo aconteceu?
Neguin: O meu talento sempre se destacou de uma certa forma, as redes sociais também, a internet facilita esse traslado, o network com as pessoas que eu conheci. Eu já estava morando em New York quando a Madonna assistiu um vídeo que mostraram para ela e ela ficou sabendo que eu estava em New York, ela foi no clube onde eu estava e falou: “eu quero ir lá ver quem é esse cara e vou conhecê-lo”. Na verdade, a Madonna foi até uma festa onde eu estava dançando em pessoa, você vê como em New York tem uma realidade bem diferente, a celebridade, a ícone da música pop chegou lá na festa, como uma cidadã comum, né? Ninguém olhou para ela como celebridade e a partir dali eu comecei a trabalhar com ela, aí a história vai muito mais a fundo. O meu network sempre foi voltado a estar em lugares e representar bem quem eu sou, representar a minha imagem, representar o Brasil, eu acho que isso reflete em todos os meios, seja num show, seja num vídeo. Seja na rede social.
BW: Falando especificamente da Madonna, nos conte sobre o tempo que dançou e trabalhou com a Rainha do Pop. Como foi essa oportunidade e o que lembra desse período?
Neguin: Eu conheci a Madonna em 2009, então, eu fiquei de 2009 até 2014, foram 5 anos, eu desenvolvi trabalhos com ela como performance, como coreógrafo nas turnês e acabei também ficando com ela! Eu tive um “affair” com ela também, durante um ano, poucas pessoas sabem disso, mas aconteceu, foi uma coisa bem saudável, um relacionamento saudável, teve toda a dinâmica, a gente ainda conversa, ultimamente pouco, faz muitos anos que não nos vemos, mas sempre trocamos ideia pela internet, mas foram 5 anos de trabalho e tive essa experiência muito legal.
Neguin e Madonna (ao centro): 5 anos de trabalho e 1 ano de “affair” com a Rainha do Pop
BW: E o Cirque du Soleil? Fale como surgiu o convite e como foi essa experiência?
Neguin: O Cirque du Soleil desenvolvo trabalhos com eles desde 2008, mas eu sempre trabalhei com eles num formato de fazer shows de viagens e turnês e não num lugar fixo em Las Vegas, então, sempre fiz shows em Andorra, na Europa, no México onde eles me chamavam. Aí eu ia fazia um mês, às vezes ou uma semana. Ou shows específicos numa reunião ou num evento, então, eu sempre trabalhei em turnê com o Cirque du Soleil. Isso aconteceu em 2010, 2014, 2016, ou seja, sempre estou fazendo shows com eles. Então, o meu relacionamento é desde 2008!
BW: Em 2010, como você mesmo falou, você foi o único latino-americano, único brasileiro a vencer o Red Bull BC One, que é um dos maiores campeonatos 1vs 1 do mundo. E as pessoas o têm como referência. O que na sua opinião foi determinante para esse sucesso?
Neguin: A diferença é nítida, se eu cheguei lá é porque eu sou autêntico através da minha arte de representar quem eu sou e o que eu aprendi, nesse caso, a capoeira misturando e tendo uma identidade específica, não sendo igual a todos. Eu não sou que nem o europeu, asiático ou americano. Eu tenho características brasileiras! Afrodescendente, toda a mistura que o Brasil nos oferece, então, isso caracterizou muito o meu estilo, o meu talento. E seu eu cheguei lá foi porquê eu busquei isso! Eu passei as dificuldades, superei todos os obstáculos e foquei naquilo, o foco e a disciplina ajudaram que eu alcançasse o que alcancei. Então, se eu consegui, qualquer um pode conseguir também! Basta ter esses princípios para ser autêntico, original e ter foco e força na disciplina!
Campeão da Red Bull BC One 2010: único latino-americano a conquistar o mais cobiçado título da categoria
BW: Bom, atualmente o assunto que mais se fala aqui no Brasil entre B-Boys e B-Girls é o fato do Breaking ter entrado para os Jogos Olímpicos. O que acha sobre isso? Na sua opinião temos B-Boys e B-Girls preparados para competir de igual para igual com outros países e trazer uma medalha olímpica para o Brasil? O que acha do nível dos nossos B-Boys e B-Girls atualmente?
Neguin: Essa é uma conquista extremamente importante, não que o Breaking precise das Olimpíadas, mas com certeza nessa nova plataforma, que são os jogos olímpicos, isso vai fazer com que as pessoas que não conhecem o Breaking vão ter uma visão de conhecer um pouco mais, então, isso veio para somar. Referente ao Brasil, somos um dos povos mais reconhecidos no circuito mundial, eu acredito que os brasileiros têm sim um grande potencial de trazer medalhas e representar mas vai ter que correr atrás, bastante, porque têm outros países que já são maiores potências, ter mais disciplina, ter mais apoio. Tipo a Rússia, a China e, então, para os brasileiros, acho que vão precisar continuar praticando e estudando, ter todo esse lado de ajuda, de tentar ajudar o país o melhor possível com toda a minha bagagem como competidor, mas é isso… As Olimpíadas eu apoio totalmente, porque o Breaking não é um esporte apenas, é uma cultura, mas também somos atletas, querendo ou não, então, seja um campeonato da Red Bull BC One, seja nas Olimpíadas ou numa batalha da esquina o Breaking vai estar presente em todas as plataformas e torcemos para que os brasileiros tenham grande destaque e nos representem bem e esperamos também que o Brasil apoie um pouco mais seus competidores, seus atletas! Vamos ver o que rola…
BW: Para finalizar, queria que falasse sobre o Programa da MTV “De férias com o Ex” que participou recentemente. Foi desafiador?
Neguin: A participação veio através de um convite logo em novembro, e eu resolvi participar porque eu não estou viajando muito, então, estou disponível e usei o programa como uma forma de experiência nova para mim e ao mesmo tempo representar o que eu faço dentro de um ambiente que é bem diferente do que eu faço, então, entrei lá como atleta e toda a minha vida, style, que tem esse lado de curtição, foi uma experiência muito boa para mim e vamos ver agora como vai ser, eles vão lançar essa semana, por ser um programa editado espero que a repercussão da minha imagem seja bem positiva e que tragam novos públicos e pessoas que não me conheciam e passem a me conhecer vendo o que faço artisticamente.
BW: Que mensagem você deixaria para todos os B-Boys e B-Girls que curtem o seu trabalho?
Neguin: A mensagem que eu deixaria é gratidão! Eu tento sempre inspirar essas pessoas e cada um ensina um (risos), então, eu acho que se eu posso inspirar milhares de pessoas, que as pessoas que se inspiram em mim possam fazer o mesmo! A minha mensagem é que estamos todos num mesmo barco, somos todos mensageiros da arte e da Cultura! Abraço a todos!
Fotos: Arquivo Pessoal
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Hoje vamos falar sobre a importância de ser dinâmico e porquê essa palavra é muito significativa dentro do Breaking.
Primeiro de tudo, o que significa dinâmica?
Se formos pesquisar a fundo vamos encontrar uma variedade de significados relacionados sobre o tema, então, vamos resumir e associar com o Breaking.
Dinâmica é caracterizada por contínuas mudanças, atividades e progresso. Geralmente, quando começamos a praticar Breaking nos identificamos com o que é mais atrativo, por exemplo, muitos B-Boys/B-Girls gostam mais de Top Rock/Footwork, outros já se identificam mais com Power Moves/Tricks e também têm outros que se identificam com as duas coisas ao mesmo tempo e etc…
Com o passar dos anos, ser bom nisso ou naquilo não é suficiente para alcançar um nível internacional, tem que ir muito mais a fundo em todos os aspectos. Estive viajando pelo mundo por alguns anos e comecei a tomar conhecimento sobre muitas concepções que eu nunca ouvi falar quando estava no Brasil e isso me fez perceber o porquê sempre foi difícil para a maioria de nós, brasileiros, ganhar as competições mundiais mais importantes.
A resposta está relacionada ao que acreditamos, somos um povo muito intuitivo e dançar pra gente está relacionado mais com a alma do que qualquer outra coisa, gostamos de expressar de dentro pra fora e fazemos isso naturalmente, porém, muitos de nós não abordamos o Breaking de uma forma mais científica.
Apenas dançar com essa energia de latino que temos não é o suficiente.
Por isso, esse tema sobre dinâmica é muito importante para que a gente melhore em outros pontos que precisamos, para finalmente chegarmos e mostrarmos a nossa essência por completo e, assim, não ficarmos sempre um passo atrás nos eventos internacionais.
Os estrangeiros estão sempre um passo à frente porque eles abordam todos os temas, como musicalidade, técnicas, criatividade, estratégias, competitividade, surpresas, personalidade e muitas outras janelas, está tudo relacionado à dinâmica. Eles estão sempre mudando, se adaptando a novas formas e concepções, sempre em progresso. Nós, brasileiros, precisamos aprender a analisar o Breaking de uma forma mais crítica. Futuramente, vou estar escrevendo sobre cada um dos artigos citados abaixo:
Você sabe o que significa:
Dinâmica de espaço e direções?
Dinâmica de níveis?
Dinâmica de ritmos?
Dinâmica de treinos?
Dinâmica de desconforto e criatividade?
Dinâmica de ambiente?
Dinâmica musical?
Dinâmica de aprendizagem?
Dinâmica de tamanho?
Todos esses temas têm se tornado parte da minha nova pesquisa, tenho aprendido com vários renomados nomes na cena mundial. Gostaria de compartilhar com todos para que vocês, da nova geração, possam evoluir muito mais.
Até o próximo artigo!
Foto: Reprodução
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Ele é de Brazlândia, cidade satélite de Brasília e começou a dançar Breaking com 13 anos. Não teve uma infância fácil, escondido do pai e da mãe, usava um pedaço do colchão para colocar na touca de giro, para não machucar a cabeça na hora de fazer o Head Spin.
O menino cresceu e evoluiu rápido, sendo o ganhador da Batalha Final em 2009, evento tradicional de Breaking que abriu portas para sua carreira na dança, mas foi com 22 anos que ficou conhecido mundialmente, sendo um dos finalistas da mundial do evento “Red Bull BC One”, realizado no Rio de Janeiro (RJ) em dezembro de 2012, o que o fez ser notícia em toda a grande imprensa brasileira. Na ocasião, Klesio batalhou com o Mounir, da França e foi considerado um dos 8 melhores B-Boys do mundo. Ele ainda foi o vencedor do reality show “Vai Dançar”, da Multishow.
Passados 9 anos, o Portal Breaking World foi atrás desse B-Boy brasileiro que tira o fôlego de qualquer pessoa que o vê dançando. Klesio hoje vive na Polônia, que é um país do Leste Europeu, na costa do Mar Báltico, conhecido por sua arquitetura medieval e pela herança judaica. O B-Boy coleciona títulos de vários campeonatos em diversos países, onde sempre foi reconhecido e respeitado. Exemplo foi o Just Battle, na China, em 2018, onde foi mais uma vez campeão. Klesio falou na entrevista sobre a infância, sobre família, sobre bullying, sobre valorização na dança, sobre Olimpíadas, sobre eventos híbridos e on-line, falou sobre tempo de pandemia e sobre o futuro! Vamos à entrevista!
BW: Queria que você falasse seu nome completo, sua idade e nos contasse um pouco da sua infância, da sua vida em família na Brazlândia. Que recordações tem desse tempo?
Klesio: Eu me chamo Kleson Silva Moreira, tenho 31 anos. Tive uma infância bastante oscilante, muitos momentos bons e ruins. Cresci em um lar com uma família cristã protestante e dominante. Tenho recordações boas e ruins.
O mundo do crime passou bem perto, mas o Breaking motivou o B-Boy a seguir o caminho do bem
BW: Como era o Klesio criança, em casa e na escola? Verdade que você teve problemas de bullying e que quase entrou para o mundo do crime? Como superou isso?
Klesio: Sendo honesto, eu odiava estudar e brigava bastante na escola, só conseguia me encaixar com arte, educação física. Bullying era parte da minha rotina quando estava na escola, acontecia porque eu não andava bem cuidado, todos os alunos tinham boas roupas e eu não estava autorizado a usar roupas novas pra ir à escola porque minha mãe me proibia, na mente dela roupas novas eram somente para ocasiões especiais, então andava com roupas rasgadas, tênis rasgado e eu sofria muito preconceito com isso por parte dos alunos. Recebia nomes como: passa fome, lixão, soldado da guerra, etc… Sim, quase que meu destino foi outro, na época eu tinha 12 anos e andava com uns caras estranhos do meu bairro, já cheguei até a carregar malotes de drogas como aviãozinho pra eles, mas isso foi pouco antes de conhecer a dança, quando conheci o Breaking, coloquei toda minha energia dentro disso e consequentemente mudou minha perspectiva.
BW: Quando teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop? E com o elemento Breaking? Onde deu os primeiros passos?
Klesio: Meu primeiro contato com a Cultura Hip-Hop foi por meio do Breaking, me lembro vividamente no dia em que eu estava na sala de aula e quando a professora saiu, eu vi alguns alunos afastando as cadeiras, formando um espaço vazio na sala, então eu vi eles fazendo movimentos no chão, muito difícil de entender e fui pego fortemente por essa arte. Meus primeiros passos foram na minha cidade, dentro do meu quintal, nos horários em que meus pais estavam no trabalho, claro.
BW: Tiveram pessoas que te inspiraram e que foram referências para você na dança?
Klesio: Sim, primeiro de tudo, aqueles alunos da escola que eu vi dançar, depois veio meu professor, finado Gordin (Black Spin Breakers) e ao longo da minha carreira tive muitas outras influências.
Mesmo sofrendo preconceito de parte da família, Klesio seguiu em frente
BW: Como sua família via o Breaking na sua vida? Eles te apoiaram? Verdade que sua mãe descobriu que você dançava quando deu falta de um pedaço do colchão? Nos conte isso?
Klesio: Como citado, minha família sempre foi protestante e a Cultura Hip-Hop sempre foi algo marcante nos bairros, naquela época as pessoas não tinham informação, então essa cultura foi sempre associada como algo criminoso na minha área. Minha família não me apoiou no início e eles viam essa arte como a porta de entrada para as drogas e o crime, chegou até ser irônico. Teve várias ocasiões em que minha mãe encontrava evidências de que eu estava praticando essa dança. Ela encontrava os colchões rasgados por baixo pois eu retirava esses pedaços para fazer um chapéu de giro de cabeça. Ela encontrava a cerâmica de casa riscada e ouvia depoimentos de vizinhos que me viam dançando na rua. Foi uma guerra por causa dessa arte. Fiquei um mês em cárcere privado pelos meus pais. Não tinha como, eu dava meu jeito. Era uma paixão muito forte pela música, pelo estilo e pelos movimentos.
BW: Houve movimentos difíceis de aprender ou todos foram fáceis? Na sua dança tem algum movimento que é a sua marca registrada?
Klesio: Todo começo tem suas dificuldades, foi muito difícil de aprender porque não tive incentivo de ninguém. Eu olhava aqueles garotos fazendo os movimentos e tentava copiar quando chegava em casa. Sim, na dança tenho minhas próprias características e movimentos, só que a minha principal inspiração é a música.
BW: Quando começou a competir? Fale um pouco dos principais eventos que participou aqui no Brasil e se teve algum que foi especial ou que teve aquela treta…
Klesio: Comecei a competir na minha cidade na categoria de iniciantes, depois comecei a competir em Brasília nos níveis mais difíceis, na minha época a DF Zulu, QDM, Floor Riders, Black Spin, The Brooklyn, etc… eram grupos fortemente renomados. Fiz parte do grupo QDM (Quebra de Movimento), foi uma das escolas mais importante em minha carreira, por causa do mesmo eu tive a oportunidade de viajar competindo nacionalmente. Meu primeiro importante evento foi a Batalha Final 2009, onde conquistei o título de campeão, foi a porta de entrada para uma nova era em minha carreira. Fiquei bastante conhecido no Brasil por causa desse evento.
E o quase-soldado virou um guerreiro levando o Breaking brasileiro para vários países
BW: Quando de fato começou a viver da dança?
Klesio: Comecei a viver da dança desde 2007 quando fui instrutor de Breaking em um projeto social da minha cidade. Logo depois, fiz parte de outro projeto, nesse período eu não era conhecido ainda e não tinha certeza de nada. Eu quase entrei pro exército nessa época, eu estava na fila já escolhido para raspar a cabeça, quando minha intuição pediu pra eu desistir e continuar com a dança. E até hoje vivo por meio da arte por causa das escolhas que fiz nessa época.
BW: Verdade que você foi vencedor do reality show “Vai Dançar”, da Multishow? Como surgiu o convite para participar e como foi nos bastidores?
Klesio: Sim, a produtora entrou em contato comigo através do Facebook, fazendo o convite. Eu estava muito tranquilo nessa competição, pois eu sabia da premiação, mas não quis pensar sobre, porque eu não queria colocar meu espírito sob pressão. Criar expectativas durante uma competição não é recomendável. Durante o reality show eu estava pensando em uma só coisa “pensar em ser o melhor pra mim mesmo o resto é consequência” foi como um mantra que me levou a ser o vencedor do reality.
BW: Em 2012, você foi para as quartas de finais com o Mounir, na Red Bull BC One, que foi no Rio de Janeiro, correto? Ficando entre os 8 melhores B-Boys do mundo! Fale sobre essa experiência e sobre o que sentiu.
Klesio: Sim, correto! Red Bull BC One foi uma experiência incrível de todos os eventos que já participei na minha vida. A adrenalina de ser responsável por representar o seu país em um mundial é inexplicável, porém, me senti prejudicado pois o calor naquele lugar estava insuportável, eu estava suando muito e por causa disso escorreguei na minha entrada contra o Mounir. Eu imagino que se o evento tivesse sido climatizado talvez não teria escorregado em um movimento simples e ter perdido a competição, eu estava muito confiante.
Em 2012 Klesio participou do mundial representando o Brasil e ficou entre os 8 melhores B-Boys do mundo
BW: Quando e porque você decidiu sair do Brasil? Foi difícil tomar essa decisão? Onde você mora atualmente?
Klesio: Sendo sincero, foram vários fatores que me fizeram mudar de país. Primeiro que é difícil viver da dança no Brasil e também me senti desvalorizado dentro da minha própria comunidade, principalmente depois da Red Bull. Eu me senti perseguido, muitas vezes vi em redes sociais certos indivíduos fazendo vídeos, me difamando, vi que as pessoas estavam torcendo contra mim, me senti oprimido em chegar nos lugares e sentir uma energia totalmente contra a minha dança, sem nenhuma razão. Nunca consegui entender se foi por causa do meu crescimento e isso criou um ciúme, não sei. Não foi só comigo, aconteceu com outros participantes também. Hoje eu moro na Polônia, na Europa.
BW: Conte um pouco da sua experiência morando no exterior e por quais países passou. Houve tempos difíceis?
Klesio: A experiência de morar no exterior está sendo como uma escola para minha vida pessoal e profissional. Já visitei vários países, estive em contato com várias culturas diferentes. Eu me sinto bastante respeitado pelos dançarinos em diversos países, especialmente na Ásia, eu admiro muito os dançarinos desse continente, pois eles são muito receptivos e amáveis. O nível de educação é inexplicável. Chega um momento na vida, que nem tudo é somente dançar e ganhar. Tem muitas outras coisas que te agregam e enriquecem o seu intelecto, vindo de outras culturas. Tem o lado difícil também, fuso horário, comida, estresse com agentes de imigração nos aeroportos com interrogações tipo: o que você veio fazer aqui? Cadê o dinheiro pra se manter? Você é criminoso no seu país? Muito choque de culturas. Quando você viaja bastante, você vai estar suscetível a todo o tipo de situação como essa. Graças a Deus sempre deu tudo certo.
BW: Em 2018, você foi campeão do The Just Battle, na China. Nos conte como foi esse evento? Mesmo em competições pesadas e que necessitam de uma grande concentração, você consegue se divertir?
Klesio: O sentimento que eu tive na Batalha Just Battle foi a mesma sensação que eu tive anos atrás, no reality show “Vai Dançar”. Eu vi a premiação o quanto seria e vi que o favorito da batalha era o lendário B-Boy Physics, imediatamente eu tirei essas duas coisas da minha mente e foquei em mim, nas minhas habilidades, na minha intuição. Eu sabia que a luta maior seria comigo mesmo, então, praticamente o mesmo mantra “foca dentro de você com confiança e o resto é consequência” sempre estava comigo. Às vezes, em uma competição, o ego é importantíssimo, não é errado ser arrogante no momento da batalha, é um mecanismo de defesa que impõe respeito e insegurança no seu oponente, não é agressão verbal ou física, é como você olha seu adversário e como você o trata usando sua aura, então, toda vez que eu pisei naquele palco eu trazia esse ranço, essa raiva, principalmente, quando eu batalhei contra os melhores desta competição. Consequentemente, Campeão.
O foco de dar o melhor de si mesmo sem temer os adversários tem sido a receita de sucesso de Klesio
BW: Morando fora do país, chegou a trabalhar em espetáculos ou fazer parte de companhias de dança?
Klesio: Sim, faço muitos espetáculos artísticos na Alemanha.
BW: Fale um pouco de suas rotinas de treino e de como se prepara para participar das competições?
Klesio: Atualmente, eu estou começando do zero. Eu sempre estive um passo atrás de ganhar as competições mais importantes do mundo por causa do nível, que vem ficando cada vez mais absurdo e quem não se adianta fica pra trás. Hoje estou me reeducando sobre muitas coisas no Breaking para se tornar a melhor versão de mim mesmo. Nunca fui muito criativo em termos de movimentos, então, minha prioridade é totalmente inovar. Procuro referências que possam me ajudar, o B-Boy Storm tem sido um grande mentor em novas concepções que preciso desenvolver. Eu treino quase todos os dias, 3 horas aproximadamente. Meus treinos são bem estudados e focados. No momento não estou competindo por causa da pandemia.
BW: Recentemente, o Breaking se tornou uma modalidade olímpica. O que acha sobre isso?
Klesio: Eu acho uma excelente ideia que o Breaking faça parte das Olimpíadas, pois é uma oportunidade para fazer o mesmo ser mais reconhecido profissionalmente dentro da sociedade. Porém, não devemos esquecer que o Breaking é uma dança com muita essência. Breaking é arte e intuição conectada com a música e espero que não se torne uma dança superficial, onde só os movimentos é o que importa e pronto.
Aproveitar o tempo de pandemia para treinar forte e estar pronto para o retorno das competições
BW: O que tem feito nesse tempo de pandemia? Como está a situação no país que mora?
Klesio: Durante esse tempo, tenho focado na minha evolução como pessoa e profissional. A situação está bem mais controlada do que antes. A economia do país segue adiante, mas sempre com restrições. E aqui as pessoas levam a sério, todos usam máscaras nas ruas e ambientes privados. Espero que em breve tudo volte ao normal em todo o mundo.
A expectativa de Klesio é que volte tudo ao normal para que ele possa continuar levando sua arte além-mar
BW: O que acha dos eventos on-line ou híbridos de Breaking? Seria uma tendência para o futuro?
Klesio: Sendo honesto, pra mim é estranho que eventos se tornem on-line, não tenho nada contra e entendo que é a única maneira de manter o Breaking vivo, mas eu sinto saudades da muvuca das competições.
BW: Quais são seus planos para o futuro? Tem planos de retornar ao Brasil?
Klesio: É muito provável que em breve eu vá focar nos estudos, quero cursar Letras por aqui na Europa e futuramente cursar Ciências Forenses. Todo mundo precisa de um plano B, pois viver do Breaking é uma coisa muito incerta. Eu gostaria de voltar ao Brasil e poder ajudar o cenário da dança, para que a nova geração de B-Boys e B-Girls evoluam e conquistem mais espaço nacionalmente e internacionalmente. Têm muitos estudos dentro do Breaking que a maioria de nós, brasileiros, desconhece. Vamos ver se futuramente isso possa se concretizar.
BW: Que mensagem você deixaria para a nova geração de B-Boys e B-Girls que vão ler essa entrevista e para todos que mesmo de longe acompanham seu trabalho?
Klesio: O recado que eu deixo é que se eduquem o máximo que puderem, tudo em sua volta oferece uma oportunidade de aprendizado. Seja lá o que você for fazer, faça com paciência, não se apresse por nada. Nunca esqueça que todos nós precisamos de um plano B, nunca conte somente com dança. Aprenda inglês.
Fotos: Arquivo Pessoal
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“Esse pessoal novo está vindo com muita ostentação, não é o que aprendemos na Cultura Hip-Hop” (Sara Cipri)
O Hip-Hop é uma ferramenta de modificação de vidas, de construção de trabalho de base e massificação. Não é de hoje que escutamos que o Hip-Hop salva!
Diante da necessidade que o ser humano tem de ser alguém e construir algo, o Hip-Hop com seus elementos pode ser um meio para este fim. Vários processos revolucionários no mundo se deram a partir dessa bandeira de luta.
O Rap é um dos elementos dessa cultura, sendo a voz que não se cala, que resiste atráves do tempo e das gerações.
O Portal Breaking World essa semana conversou com a rapper Sara Cipri, que com apenas 15 anos nos conta que é a nova geração da velha escola, ela acaba de lançar a musica “Recado Para Os Moleques” onde fala sobre a antiga e a nova escola, critica a ostentação e enaltece a verdadeira essência.
Confira a entrevista abaixo:
BW: Quantos anos você tem? Onde você nasceu? Queria que nos contasse um pouco sobre sua vida em família?
Sara: Eu tenho 15 anos, nasci em São Paulo, numa periferia do extremo sul e sou de uma família tradicional e contei sempre com o apoio dos meus pais no que faço e no meu trabalho junto à cultura.
Sara Cipri e o Rapper Thaíde
BW: Seu pai e sua mãe já tinham alguma ligação com a Cultura Hip-Hop ou você foi a primeira da família a se envolver? E como se deu esse interesse? Você tinha algumas referências?
Sara: É uma história bem curiosa, eu estava no centro da cidade com os meus pais, eu deveria ter uns 3 anos e aí eu vi um telão que passava pessoas dançando Breaking e eu nunca tinha visto aquilo e cheguei em casa fiquei com aquilo na cabeça. E eu perguntei ao meu pai o que era aquilo que eu tinha visto no telão. E meu pai me explicou que era uma cultura chamada Hip-Hop, que educava e que inclusive ele tinha vindo dessa cultura e aí, foi ali o meu primeiro contato, ele começou a me passar os conhecimentos desde essa época, quando eu tinha 3 anos e não parou até hoje! Minhas referências a partir dali foram o Nelson Triunfo, o MC Jack, foi realmente o pessoal ali da São Bento, Old School mesmo!
BW: Quando você se apaixonou de fato pelo Rap? Quando e onde você aprendeu a rimar? Você chegou a participar de batalhas de rima?
Sara: Um tempo depois do primeiro contato, eu comecei a participar de um projeto que era para tirar crianças da rua, dando uma oportunidade a eles e nesse projeto tinha todos os elementos e nós fomos nos encaixando onde nós sentíamos mais afinidade e no começo eu fiquei meio perdida pois eu gostava de tudo (risos) mas eu me encontrei foi na rima mesmo e foi algo muito rápido, eu me identifiquei imediatamente. Poder passar mensagens através do Rap para mim não tinha nada melhor! E referente às batalhas dentro desse projeto do Hip-Hop nas quebradas, no bairro de Parelheiros, nós tinhamos as batalhas dentro do projeto, então, tinha campeonatos, mas batalhas fora do projeto eu participei da Batalha do Grajaú, Rap City também, mas eu me identifiquei mesmo em escrever, eu participo de batalhas, mas eu gosto é de escrever.
Sara Cipri e Nelson Triunfo, o “Nelsão”
BW: Você falou que gosta de apresentar a nova geração para a geração mais antiga. Como é isso?
Sara: Na verdade às vezes as pessoas acham que é algo bem complexo, mas na verdade não é. É algo bem simples de entender, eu sou a nova geração da velha escola, então, no caso eu sou a continuação do legado que eles deixaram, eu continuo trilhando os mesmos caminhos que eles passaram, os mesmos ensinamentos, é a mesma coisa só que hoje, então quando eu coloco nas minhas letras ou quando eu vou apresentar o meu trabalho para alguém, eu sempre gosto de falar que eu sou a nova geração da velha escola, porque é um trabalho que não para por aqui e eu estou aqui para continuar! Inclusive uma vez o MC Jack, num comentário, disse algo muito sábio que eu sempre me lembro como um lema: o pessoal novo que está chegando vai tanto atrás, que vai chegar uma hora que vai bater no que é resistência, no que é base, no que é verdadeiramente a Cultura Hip-Hop, que é onde tudo começou!”.
BW: Como você acha que os mais antigos do Rap veem quem está chegando agora?
Sara: Olha, no meu caso eu sempre fui bem recebida. Tenho uma grande afinidade com o Nelson Triunfo, entre outros diversos que foram pioneiros no Rap. Então, eu acho que eles apoiam.
Sara Cipri vai abrindo caminhos e escrevendo sua história no Rap
BW: É difícil nos dias de hoje conquistar o próprio espaço? Ter o próprio estilo? Fale sobre suas composições?
Sara: Sim, é bem complicado fazer um nome e adquirir um reconhecimento! Mas são lutas que valem a pena, porque lá na frente vem um resultado incrível e sobre as minhas composições, geralmente eu gosto de passar uma mensagem, principalmente para os jovens, porque muitos passam por situações que não sabem lidar e o Rap ajuda as pessoas passarem pelos problemas, passa mensagem de paz, de tranquilidade e além disso o Rap educa, ele mostra uma saída quando parece que não existe. E aí aparece o Rap como uma chama acesa, mostrando que ainda resta uma saída. Então, nas minhas músicas, minhas composições, eu tento passar isso para as pessoas.
BW: O fato de ser mulher já te criou alguma situação delicada dentro do Rap? Como você vê as mulheres dentro da cena?
Sara: Realmente, as mulheres no passado tiveram várias barreiras para hoje podermos conquistar o nosso espaço. Mas hoje as mulheres estão cada vez mais se igualando aos homens e no Rap também não é diferente, eu acho que em todo esse tempo estamos bem representadas. Eu tenho como referência, por exemplo, a Negra Li, a Cris da CNJ, entre outras diversas que podemos olhar e tomar como espelho, eu nunca passei por nenhum tipo de preconceito, eu acho que hoje o negócio está mais tranquilo para dividir o mesmo espaço com os homens.
Além de cantar, a MC também participa de batalhas de rimas
BW: O que é para você ser da resistência? Ao que você resiste?
Sara: Bom, quando eu falo que eu sou a resistência, o que eu quero dizer é a resistência de defender uma ideologia mesmo mantendo a essência do Rap. Pois quando ele surgiu na década de 80, ele veio com a intenção de mostrar uma saida. Essa molecadinha nova que está entrando na cena estão tentando mudar as coisas, vindo com um linguajar diferente, então, a minha resistência é para manter as raízes do Rap e de toda a cultura viva, que continue educando e salvando vidas!
BW: Sara, verdade que você ensina crianças da comunidade? Nos fale desse trabalho que você realiza?
Sara: Sim, eu tenho um trabalho em Parelheiros na comunidade, onde eu moro e temos duas salas, uma em cada associação, são duas associações e uma creche e trabalhamos com crianças que foram abandonadas na rua, que não tinham um rumo e muitas dessas crianças enfrentam dificuldades dentro de casa com os pais, alguns os pais são separados, existem diversos cenários que acompanhamos e nosso foco é mante-los no caminho certo, estudando e resgatando todos eles.
Em Parelheiros com as crianças dos projetos sociais
BW: Você é meio que uma referência para eles?
Sara: Sim e eu fico muito feliz de poder servir de espelho para eles e sempre eu os incentivo a estudar, a se dedicarem buscando um futuro melhor. O projeto sempre vai além da sala de aula! O Rap e o Hip-Hop é isso!
BW: Você é um novo talento diante de muitos outros que já estão na estrada tem muito tempo! Você é uma menina, tem 15 anos, quais são seus planos para o futuro?
Sara: O que eu planejo é seguir carreira aprimorando as minhas letras, estar evoluindo a cada dia e também da mesma forma o projeto que ele venha a subir mais e conquistar mais coisas. O meu objetivo é aprimorar o que já tenho e o que existe!
BW: O que você tem feito nesse tempo de pandemia? Como tem se cuidado?
Sara: No momento, demos uma pausa no projeto por conta da pandemia estamos cumprindo a quarentena, evitando ao máximo sair de casa e os meus trabalhos estão sendo mais pelas redes sociais. Aproveito aqui em primeira mão para dizer que estou lançando nas plataformas digitais uma nova música, que fala exatamente sobre a nova geração para mostrar para eles o que realmente é a essência da Cultura Hip-hop. Esse pessoal novo está vindo com muita ostentação, não é o que aprendemos na Cultura Hip-Hop, vêm até com coisas que atingem as mulheres e o Rap relata a verdade da periferia, é uma coisa que toda a família pode ouvir e a minha música foi feita exatamente para essas pessoas, para eles acordarem, porque na verdade tudo isso não nos representa, o nome da musica é “Recado pros Mulekes”
No Troféu Arte em Movimento, o reconhecimento e a felicidade pela indicação
BW: Recentemente você foi premiada no Troféu Arte em Movimento. Comente?
Sara: Eu fiquei muito feliz pela indicação, por poder participar daquela premiação, foi algo incrivel aquilo, foi a materialização do nosso reconhecimento, de cada uma ali, eu com os meus 10 anos de carreira alcançando objetivos e todos ali sendo reconhecidos.
BW: Para finalizar, o que significa o Hip-Hop na sua vida? Deixe uma mensagem para os nossos leitores.
Sara: Eu nem tenho palavras, o Hip-Hop, para descrever, tamanha a grandeza que ele tem na minha vida, Hip-Hop é o ar que eu respiro, tudo que eu olho ao meu redor tem Hip-Hop e tudo que eu sei e sou veio através do Hip-Hop, eu sou muito grata a toda essa cultura incrível que eu nem sei o que seria de mim sem essa cultura e para os jovens, os leitores do portal, eu digo para não desistirem dos seus sonhos, dos seus objetivos e para perseverarem, continuarem lutando, aprendendo, estudando, porque uma hora o reconhecimento chega e vou estar lá aplaudindo você!
Fotos: Arquivo Pessoal / Nós no Rolê (Mõnica Senna)
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Ele nasceu no bairro do Tatuapé, mas sua infância foi na Vila Curuçá, em São Miguel Paulista. Seu sonho, como a maioria dos meninos brasileiros, era ser jogador de futebol, sempre incentivado pela família. Começou a jogar com apenas 4 anos. Depois, conheceu a capoeira, onde no primeiro dia se identificou, sentindo-se em casa e livre. Durante anos, jogava futebol e fazia capoeira. Mas foi em 2006, com apenas 12 anos, que mergulhou de corpo e alma no Breaking. Sua evolução foi rápida! Foi o futebol e a capoeira que lhe deram a base para tudo, confessa que sem eles não teria a dedicação e foco que tem hoje. Foram nessas artes que aprendeu a ser persistente, paciente e dedicado. Os primeiros passos de Breaking deu na própria sala da casa onde morava, vendo um DVD da Red Bull BC One, onde tentava copiar os movimentos, o pai também tinha coleção de discos em casa, cresceu escutando alguns clássicos do Hip-Hop, a música sempre foi presente em sua vida. O menino ganhou idade, conquistou seu espaço, aprendeu a dançar no meio da pressão e sobreviver às críticas, resolveu viver sua própria vida, da sua forma e aprendeu que o segredo sempre foi focar no presente, no agora, plantar as sementes para colher no futuro com muita paciência e dedicação. Recebeu influência de grandes nomes do Breaking e caminhou alguns anos lado a lado com o inesquecível B-Boy Kokada, esse foi um amigo que se tornou irmão. Sim, estamos falando do B-Boy Lukas Galante, o Portal Breaking World teve o prazer de conseguir conversar com ele, entre um compromisso e outro, nuns horários bem doidos e conhecer boa parte da sua história de vida, que apresentamos com exclusividade para vocês. Confira a entrevista!
BW: Luka, nos fale onde e quando nasceu, nos conte um pouco sobre sua infância, adolescência e família. O que gostava de fazer? E que lembranças memoráveis você tem dessa época? Foi uma infância tranquila e feliz ou houve dificuldades?
Luka: Nasci em São Paulo, no bairro do Tatuapé, no dia 21 de fevereiro de 1994. Cresci na Vila Curuçá, em São Miguel Paulista. Eu sempre tive o apoio dos meus pais, desde pequeno meu sonho era ser jogador de futebol. Foi onde comecei a praticar em uma escolinha do bairro, por volta dos 4 anos de idade. Nessa mesma época, meu pai queria que eu praticasse Ginástica Olímpica, acredito que a ideia dele era proporcionar opções para eu poder praticar e me identificar com alguma arte. Lembro que ele foi atrás, mas não tinha nenhum espaço ou ginásio que ensinasse na região em que morava. Foi aí que surgiu a ideia da Capoeira. Morávamos a um minuto de uma academia e lá eles tinham aulas. Meus pais tiveram interesse e me levaram para fazer uma aula e ver como eu me sentia. Eu me senti livre e me identifiquei demais com a Capoeira, desde a primeira aula. Capoeira duas vezes na semana e futebol todos os sábados. Com o tempo, passei a treinar futebol quase todas as manhãs. Fiquei anos praticando e conciliando as duas atividades. Eu tive uma infância feliz, nunca faltou nada pra mim.
Luka e Neguin (campeão mundial da Red Bull BC One). Em comum: a Capoeira
BW: Futebol no Curuçá Society pela manhã e Capoeira à tarde: quando surgiu tudo isso e até onde você foi? Fale da sua relação especificamente com a Capoeira e de todo o benefício que isso trouxe à sua vida e à sua dança?
Luka: Pratiquei as duas atividades por um bom tempo. No futebol eu fiquei firme até uns 14 anos de idade, tentei virar profissional. Eu comecei a praticar Breaking no final de 2006, eu tinha 12 anos de idade. Na época, eu mergulhei no Breaking, minha evolução foi rápida pelo fato de saber alguns movimentos parecidos da Capoeira. Eu me inspirei tanto no Breaking, que a energia que eu sentia na aula ou na roda de Capoeira fazia eu tentar uns movimentos a mais no meu estilo de jogo. Meu corpo se interessava mais pelos floreios, mortais, pulos de mão. Foi quando meu instrutor Marcelo Lampanche conversou com meus pais e depois comigo. Ele sabia que eu estava aprendendo e super inspirado no Breaking, mas estava tirando um pouco o meu foco da Capoeira. Ele conversou e deu a ideia de eu seguir firme somente no Breaking. Sem a formação de vida que eu aprendi não só na Capoeira mas no futebol também, eu não teria a dedicação e foco que eu tenho hoje. Foram nessas artes que eu aprendi a ser persistente, paciente e dedicado. Me ensinou que nada cai do céu, você tem que ir atrás, treinar e se dedicar se quiser atingir um nível bom. Fora os valores que você leva para a vida, como história, música, respeito e valor em fazer aquilo que você ama.
BW: Quando você teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop? E com o Breaking? Teve algum mentor ou pessoas que te inspiraram na dança?
Luka: Desde criança, meu pai tinha coleção de discos em casa, eu cresci escutando alguns clássicos do Hip-Hop, a música sempre foi presente. Antes do Breaking eu já tirava algumas batalhas de saltos mortais na escola, tinham sempre uns moleques que gostavam de rachar para ver quem fazia melhor. Depois, eu tive influências que me levaram a praticar o Breaking. No final de 2006, eu vi uma reportagem de TV sobre a Red Bull BC One mundial, em São Paulo. Quando eu vi o nome da competição, procurei saber mais. Lembro que achei o DVD da BC ONE 2005 na Galeria do Rock, em São Paulo. Pedi para o meu pai e ele comprou. Assistia o DVD todos os dias e tentava copiar os movimentos na sala de casa. Tinha o DVD acústico do Marcelo D2 também, onde me inspirei muito no Pelézinho e o Chaveirinho. O Pelé foi uma grande referência pra mim, me marcou porque o vi na BC One e na performance para o D2. A partir disso, acabei conhecendo uma galera que praticava no Centro Cultural do Itaim Paulista, bem próximo da minha casa. Foi onde comecei a receber ajuda e conheci algumas lendas da zona leste de São Paulo: Cidinho, Júnior Favela, Careca, Dan… Esses foram os primeiros caras que me ajudaram a desenvolver a minha dança e acabaram sendo grandes mentores e influências para mim.
BW: Onde você deu os primeiros passos e fez os primeiros movimentos de Breaking? Quando você decidiu realmente que era o Breaking que você queria para a sua vida?
Luka: Na sala de casa! Consegui aprender com facilidade, alguns movimentos que já fazia desde criança foram base para aprender depois no Breaking. A minha evolução começou na época do Centro Cultural. Não teve momento de decidir se o Breaking era algo que deveria seguir… tudo aconteceu naturalmente, acredito que foi fruto de toda a dedicação e persistência. Eu fui plantando sementes dia após dia e esse processo sempre foi presente na minha vida, não só no Breaking. Tudo o que eu visualizo e quero, eu aplico as sementes e atitudes necessárias para a colheita no futuro. O segredo é focar no presente, no agora. O futuro ainda não chegou. Você só pode atuar no agora. O futuro é consequência do presente. Quando você ama o que faz, já está decidido e tudo trabalha para você naturalmente.
Treinar na sala vendo o DVD da Red Bull BC One: o início de uma grande jornada como B-Boy
BW: Normalmente, a maioria dos B-Boys e B-Girls não têm o apoio da família na dança. No seu caso, como isso aconteceu? Seu pai e sua mãe parecem muito presentes e incentivadores da sua dança. Nos conte como foi essa relação Breaking e família?
Luka: Sempre presente. Não só no Breaking, em todas as atividades que participei. Esse apoio é fundamental, imagine quantos talentos e sonhos seriam realizados se as crianças tivessem o apoio de suas famílias. O problema é que os pais fazem pelos filhos aquilo que eles acham que seria o melhor caminho da vida… A profissão ideal, algo que vai te proporcionar conforto e dinheiro. Mas não reparam na energia e amor, naquilo que a criança ou jovem quer seguir como carreira. Eu acredito que muitos jovens são reprimidos nessa questão, de seguir a sua vontade e intuição e acabam desistindo de seus sonhos por não ter aquele apoio e conexão com aqueles que estão do seu lado todos os dias. Por isso a importância de ter a família lado a lado, te apoiando em cada passo. O investimento no apoio, sendo assim os pais se aproximam e passam a entender a vontade do jovem. No meu caso, foi isso que aconteceu. Eu tive fases, Capoeira, Futebol, Basquete… sempre fui apoiado, mas segui a natureza do meu talento na dança. Na escola, sempre fui um bom aluno, mas nada me cativava e eu me questionava… O que vou ser quando crescer? Eu gostava de me movimentar, não importava a atividade. E na dança eu percebi bem novo que era uma arte vista como sem futuro, na opinião de muitas pessoas próximas de mim. Mas, graças ao meu próprio apoio, da minha família e das pessoas que acreditavam em mim, eu segui meu coração e vivo do Breaking.
BW: No aprendizado do Breaking houve movimentos mais difíceis para aprender? Ou tudo foi bem tranquilo para você?
Luka: Eu sempre tive facilidade para aprender qualquer movimento. Acho que isso faz parte do meu estilo diversificado. Principalmente atualmente, eu sinto que tudo é possível. Eu consegui perceber certa facilidade bem cedo no Breaking. Como eu tinha facilidade, eu tive inspiração para aprender tudo. Cada um do meu círculo de treino tinha algo especial e eu fui extraindo as técnicas de cada um. Kokada, Careca… lendas do Power Move, estavam lado a lado comigo. O Cidinho e outros caras nos saltos mortais. Jack, Allan e os outros meninos me ajudaram nos tricks e transições, na minha época da Biohazard Crew. B-Boy Fatal na influência de dinâmica, velocidade, Top Rock, Footwork e espírito de batalha. Eu fui aplicando as minhas idéias e trabalhei todos os fundamentos. Lógico que eu tenho minhas dificuldades, todos nós temos… mas como eu sempre estou ativo e treinando, o processo de aprendizagem acaba sendo mais rápido. Eu tenho muito o que aprender e melhorar e sempre será assim, no Breaking e na vida. Influências diferentes, gostos e ideias… que continue fluindo e criando.
BW: Em que ano você começou a competir e participar de eventos? Imagino que foram muitos eventos até hoje que você participou, mas teve algum que te marcou de uma forma diferente? Nos conte?
Luka: Em 2007 foi o ano do meu primeiro evento. Lembro que foi um evento em Mauá, SP. Depois desse evento, comecei a competir com frequência com a minha Crew, Biohazard, na época. Foi aí que comecei a minha história. A Biohazard foi a primeira Crew criada por mim e os outros meninos da época. Dois eventos marcaram bastante, a BOTY (Battle Of The Year) Brasil, em 2010, onde ganhamos a vaga para a BOTY Internacional, sonho que eu tinha, de viajar com meus parceiros e ver o nível mundial de perto. E o segundo evento, a minha participação na BC One Camp 2007, em Amsterdam. O Camp me marcou muito, faziam 3 anos que não competia, já estava morando aqui nos Estados Unidos. Comprei o vôo para a BC One na Holanda e fui com a ideia de curtir com minha Crew (Tsunami) e competir no 3 versus 3, no Camp. Me marcou porque não sabia o que esperar da minha performance e da energia da batalha depois de alguns anos.
Bio All Stars e Luka
BW: E quando você começou de fato a viver da dança? Como foi isso? E que mudanças foram necessárias ocorrer na sua vida, na sua rotina para que isso fosse possível?
Luka: A minha rotina sempre foi treino, me preparar ao máximo para as oportunidades e também o jeito que eu transmitia a minha energia em cada sessão e trabalho que participava. Acho que essa rotina de treinos intensos e acreditar na minha dança ajudaram na minha formação e oportunidades de trabalho. No Brasil eu já vivia da dança, mas não tinha um retorno necessário para poder caminhar com as minhas próprias pernas. Eu dava aulas, participava de shows, TV e os eventos de Breaking. Mas minha vida mudou quando recebi a proposta do Cirque Du Soleil, em 2014. Foi a base para eu poder viver só da minha dança. A mudança necessária não foi fácil, sair da casa dos meus pais e morar fora do país. Mas foi onde mudou e marcou de fato a minha carreira. Na época eu tinha 20 anos, estava viajando e competindo, mas percebi que não estava gerando nenhum retorno financeiro, mesmo dando workshops, viajando pelo Brasil e fazendo shows… eu não tinha nada fixo e nenhum apoio. Tudo mudou quando vim para os EUA.
BW: Quando você foi a primeira vez para fora do país? O que sentiu? Quais as diferenças que sentiu entre o Breaking que aprendeu aqui e o que era feito lá fora?
Luka: Em 2010, BOTY Internacional. Eu Tinha 16 anos. O sentimento era incrível. Tinha todo o lance da cultura de um país diferente, a curiosidade de um lugar diferente, a comida, o visual. Sempre acompanhava a cena internacional pelos vídeos, foi a minha inspiração diária. Estar presente pela primeira vez e ver B-Boys e B-Girls que assistia através dos videos pessoalmente foi especial. Me mostrou oportunidade futura, porque consegui ver meu próprio potencial se eu trabalhasse e confiasse no meu Breaking. A diferença pra mim foi a dinâmica e criatividade, principalmente nas Cyphers e backstage. Mesmo eu sendo novo na época, lembro que consegui entender uma diferença. A energia que nós Brasileiros transmitimos, tem muita história. Não precisamos de movimentos complicados e dinâmicos, a nossa energia já era dinâmica, sendo assim, movimentos que talvez para a cena internacional seriam básicos e visto várias vezes… Nós do Brasil tínhamos um jeito único de dançar e apresentar esses movimentos, com uma dinâmica diferenciada. Um sentimento diferente e história de vida.
BW: Quando participou a primeira vez da Red Bull BC One? E quais foram suas impressões e sentimentos naquele momento?
Luka: Em 2018, final mundial em Zurich, na Suíça. Significou demais! Um sonho desde quando comecei a minha jornada no Breaking e aos 12 anos de idade. Principalmente pelo fato de ser convidado direto e por tudo o que passei para chegar até lá. Cheguei a me questionar se chegaria a pisar um dia no palco da BC One, pela mudança de vida que tive e por deixar a competição de lado por alguns anos. Mas tudo acontece no tempo certo e talvez do jeito que você nem imaginou. O momento marcante pra mim de toda a história foi comprar a passagem de vôo para o meu pai me encontrar lá na Suíça, logo depois que recebi o convite. Foi a primeira intuição que tive, quando acabei de ler o convite. O sentimento era retribuir e ele poder ver eu subindo no palco do evento que me fez começar a dançar e que ele acompanhava. Eu perdi a batalha, mas ganhei no meu objetivo interno, meu pai assistiu ao vivo. Minha missão foi cumprida naquela noite. Queria poder levar todo mundo que me apoiou, se pudesse, como forma de gratidão. A minha impressão foi diferente daquilo que tinha em mente. No sentimento passa um filme, antes de chamar o seu nome passam várias cenas em 5 segundos na mente, de toda a sua trajetória, mas rapidamente você volta para o foco antes da batalha e se sente presente. É realmente incrível! Uma energia totalmente diferente de qualquer outro evento.
A realização do sonho que começou com 12 anos de idade: participar da Red Bull BC One
BW: Em que ano você passou a fazer parte da Tsunami All Stars? Como era conviver com a Crew?
Luka: Em 2017, foi quando oficializou. Mesmo convivendo com o Kokada na época, entre 2009 e 2012, eu era bem novo ainda, ele me convidava para treinar de vez em quando com a Tsunami, foi onde comecei a conhecer todos da Crew. Mesmo com o calendário de cada um do grupo e por alguns morarem em outras cidades, quando tinha algum evento ou show eu lembro que eles faziam o máximo para estarem juntos e poder trabalhar ideias e criar. Eu acompanhava de vez em quando o processo. Na época, eu tinha meu grupo Biohazard e quando o Kokada estava junto a BioAllstars. Em 2011, dois dias antes da Tsunami viajar para um campeonato na Polônia (Warsaw Challenge), o Pelé teve um problema de visto e não pôde viajar com o grupo, foi quando eu recebi o convite para cobrir a vaga dele e batalhar internacionalmente pela primeira vez com a Tsunami. Naquela época nada foi oficializado, mesmo eu estando envolvido em alguns projetos e eventos. Em 2017 foi quando oficializamos.
BW: Você teve uma grande amizade com o B-Boy Kokada, comente sobre esse tempo… Que lembranças você tem dele?
Luka: O que marca são os momentos fora do Breaking. Eu digo isso porque o “ego” que criamos na cena, na verdade, não é a sua verdadeira essência como pessoa. O Kokada me fez perceber isso. Ele não era o cara que todos achavam que ele era. A nossa relação era de irmãos, consegui entender quem ele era fora da imagem de ranço e lenda do Power Move que ele tinha. Foi um tempo de grande aprendizado e visão. Ele me mostrou visão para o futuro e que a chave para conquistar qualquer objetivo seria somente através de paciência e dedicação. Época também de aprender a lidar com a pressão, ou você gostava do Kokada ou você o odiava. Eu tive essa influência através dele. Já chegamos a dançar com todo mundo vaiando, a música virou vaia e xingamento. Todo mundo contra. Foi onde comecei a evoluir. Essa era a imagem criada por ele, onde todos nós, eu e os outros meninos do grupo, abraçamos e seguimos juntos. Tudo isso marcou a nossa história e também a nossa amizade. Eu aprendi com ele que independente do que acham, continue sempre fazendo o seu. Continue acreditando e lutando, ninguém faz por você. Ele acreditou em uma nova geração e hoje eu ainda continuo aqui, vivendo a vida da minha maneira, dentro e fora da cena. Foi esse o aprendizado na nossa relação, viva a sua história à sua maneira, seja único.
BW: Quando surgiu o Cirque du Soleil na sua vida? Nos fale sobre a experiência e a vida de quem atua num circo? Alguma vez teve que escolher entre o circo e os eventos de Breaking?
Luka: Em 2014, foi quando assinei o contrato e vim para o Cirque. O mais gratificante é você poder viver e respirar aquilo que ama. No Cirque eu tive essa oportunidade, de poder acordar todos os dias e fazer o que mais amo. Treinar, dançar e inspirar as pessoas. No show, todos nós artistas, através da sua especialidade, inspiramos o público a viver a vida com amor e que tudo vai melhorar. O show é dos Beatles, se chama LOVE. Tem uma história e uma mensagem em cada música e ato. Na verdade, no Cirque você tem muita liberdade, tudo no começo é rotina de treino e ensaios, mas com o tempo tudo se torna natural, o volume de ensaios diminui por você repetir os atos várias vezes. Sendo assim, mais tempo livre para treinar meu Breaking e meu físico. Como profissional, eu acredito que eu tenho que estar pronto, meu corpo é o meu investimento, por isso sempre estou treinando e aprimorando minhas técnicas e espírito. O Cirque me deu essa estrutura, tratamento físico, preparação e performance. A escolha na época foi o Cirque, mas isso não tirou a minha vontade de competir e aparecer nos eventos. O ritmo de batalha você acaba perdendo um pouco e isso é natural. Mas mesmo participando poucas vezes em eventos nos últimos 6 anos, eu me mantenho criativo e em forma. Cada experiência me traz um aprendizado. Eu volto para o meu treino com ideias e absorvo a energia que tenho que trazer de volta para melhorar no próximo evento. Sempre que tiver a oportunidade de aparecer e se eu estiver livre, eu irei e expressarei minha dança.
B-Boy Kokada e Luka: uma relação entre irmãos com a lenda do Power Move
BW: Vamos falar do ano de 2018 e daquela batalha com o B-Boy Issei na Red Bull BC One. Quanto tempo antes você se preparou para aquele evento? O que de fato aconteceu? Como você se sentiu quando inesperadamente o seu sapato saiu? Aquilo te atrapalhou? Houve muitas cobranças após aquela situação? Na época, você chegou a escrever tipo um desabafo no seu Facebook, dizendo que voltaria! Olhando toda essa situação 3 anos depois, o que você aprendeu com tudo isso? E o que diria às pessoas que foram rápidas nas críticas e nas cobranças?
Luka: O que aconteceu foi o que todos viram. O melhor que pôde acontecer pra mim naquele dia. O meu lance é que eu sinto o que aconteceu no momento, como competidor e ser humano. Mas eu não me importo com o que aconteceu. Sendo assim, não carreguei frustração. Isso é algo profundo e poderoso se você souber aceitar. Não precisa de entendimento. Você absorve e usa aquilo como uma grande experiência e aprendizado para seguir evoluindo na sua dança e sua vida. Quando você se frustra e luta contra algo que já passou e aconteceu, você cria uma negatividade. Por que o resultado desejado não veio, porque você achou que merecia ter ganhado por tudo aquilo que você se dedicou e treinou para chegar ali. Foram 6 meses de preparação. Claro que na hora eu senti o peso, quando aconteceu, eu sabia que no primeiro round eu me sai muito bem e que tinha um arsenal forte para sair bem nos últimos dois. Foi quando o tênis saiu e eu não pude pensar com rapidez e usar aquilo ao meu favor. Eu tinha o terceiro round que poderia decidir a batalha. Mas não foi o que eu pensei no momento presente. Eu me deixei abalar. A única cobrança, se teve, foi comigo mesmo, o barulho externo não é barulho no meu interno. Cobrança externa não importa, você é o seu templo. Disse que voltaria porque a vida continua, outras oportunidades surgem. E eu sabia que continuaria minha jornada que pode me levar de volta se eu tiver que voltar. Eu aprendi a deixar fluir, sem expectativa criada pela mente, focar em mim e na minha positividade, que vai ser expressada através da minha dança, resultado é resultado. Alguns ajustes na minha maneira de treinar e preparar também. No final do dia, a mensagem que fica é que eu fiz o melhor que pude com todo o meu poder do momento. E a história continua… sou grato a tudo e a todos.
BW: Luka, nos conte um pouco sobre suas atuais rotinas de treinos de Breaking. Como divide o seu tempo? O que tem feito nesse período de pandemia? Em que país você está? Como é viver longe da família e do seu país? Como você trabalha o seu emocional?
Luka: Treino 5 vezes na semana e descanso dois. Nesses dois dias de descanso, eu relaxo com alongamento, para recuperar meu corpo e estar bem para a rotina nos próximos 5 dias. Treino fisico na manhã duas vezes na semana, com o meu preparador e Breaking à tarde, todos os dias. Essa é minha rotina diária. Ultimamente, tenho tocado e venho estudando o DeeJay também. Nesse período de pandemia, tenho focado mais em mim e nas coisas que amo fazer. Eu estou em casa, nos Estados Unidos. Bate muita saudade de casa e da minha família no Brasil, mas tento focar minha atenção no que venho vivendo atualmente e isso me ajuda a manter o pé no chão, mas não é fácil ficar longe. É assim que trabalho o emocional, foco no agora. Atenção totalmente no presente, em qualquer atividade ou situação que eu estiver faço o melhor que posso. Esse modo de pensar me traz confiança, se eu estiver completamente presente no agora, tudo o que vier no futuro será próspero. Projetos, planos e objetivos são criados aqui no agora e o que tiver de ser será. Eu sou o criador da minha realidade.
No Cirque Du Soleil, com Paul McCartney, no show LOVE em homenagem aos Beatles
BW: Recentemente, o Breaking entrou para os Jogos Olímpicos. O que acha sobre isso? Como você vê o Brasil e seus B-Boys e B-Girls nessa realidade? Estamos preparados para disputar medalhas olímpicas? Como anda esse assunto no país que você está?
Luka: Grande conquista para a arte do Breaking, grandes oportunidades para aqueles que estiverem preparados. A realidade é que o Brasil tem um potencial enorme, muitos talentos no país. Agora, vai depender de como tudo será planejado e organizado. Talento e vontade eu sei que não vão faltar, eu acredito e visualizo a medalha para o país. Eu vejo o assunto bastante nas redes sociais, aqui nos EUA até pela questão da pandemia eu não escuto falar muito pessoalmente. É hora de começar a se estruturar, passo a passo, construir e se dedicar para colher bons frutos. O tempo passa rápido e eu espero que aqueles que estiverem envolvidos tenham boas intenções e planos para apoiar a cena e os dançarinos.
BW: Luka, quais são seus planos para o futuro? O que significa o Breaking na sua vida? Se pudesse voltar no tempo, mudaria alguma coisa?
Luka: Continuar experienciando o que a vida me oferecer, as oportunidades irão surgir como sempre surgiram, abraçar e viver. Eu vou estar preparado e vou fazer o melhor com o meu espirito e consciência. Ultimamente não venho planejando muito, o que eu faço é manter minha energia e espírito em paz. Isso me traz inspiração e harmonia no meu treino e dia-a-dia.
Treinar para estar pronto e aproveitar as oportunidades que a vida traz
BW: Que conselhos você daria para a nova geração do Breaking? Como devem se preparar? O que devem buscar? E o que não devem fazer?
Luka: Não preparem somente o corpo e movimento, trabalhem a mente e procurem construir uma base. Hoje as oportunidades estão aí. O Breaking vem fazendo parte de empresas e eventos grandes, procurem se valorizar e entender o business por trás dos eventos e trabalhos. Como se comportar, aprender a falar outras línguas, principalmente o inglês. Se hoje o B-Boy brasileiro tem uma oportunidade, tem que saber conversar e negociar. Muitos da nova geração têm o sonho de viver de eventos e batalha, mas não podem esquecer que temos outros caminhos e oportunidades para viver e se expressar através da dança. Cada dia mais estamos evoluindo, o mundo está em constante crescimento, novos talentos e oportunidades. Precisamos acompanhar esse processo de mudança. Quem acompanhar essa evolução não só do movimento mas da cultura em si, são aqueles que irão colher bons frutos. A nossa ação precisa ser aplicada no nosso momento presente, no agora. Não adianta querer ser um bom B-Boy ou B-Girl, ser campeão, fazer parte de grandes eventos e projetos, se não estiver preparando e vivendo o dia-a-dia. Não vamos esquecer o poder de cura e mudança de vida que a nossa dança pode trazer na vida das pessoas, como inspiração. Quando dançar, mostre o seu espírito em sua maneira única. Não coloque rótulos na sua dança, pois dançar é infinito e cada movimento é uma nota na música. Repare que quando você dança de mente livre, você entra na zona e em uma dimensão diferente. Essa é sua essência e verdade. Busquem isso e sigam a sua jornada, sem olhar pra trás. O que passou, passou. Continuem evoluindo, estudando e vivendo.
BW: Você parece ser um cara que reflete muito sobre as coisas, sobre a vida. Quem é o Luka hoje? O que aprendeu em todos esses anos de dança, qual foi a maior das lições?
Luka: Eu aprendi que tudo passa. Eu não sei quem eu sou. Só sei que sou uma consciência vivendo experiências e aprendendo com elas. O Lucas de hoje não é o Lucas amanhã. Tudo é uma constante evolução, precisamos entender que o mundo pede uma versão diferente de nós em diferentes situações e capítulos da vida. A dança é isso, se adaptar. Quando a música toca, nada mais importa. Somente aquele momento, nada mais existe. Eu acho que venho entendendo isso, focar minha atenção na música que toca no momento e na minha vida. A maior das lições não existe, todos os dias pra mim é a minha maior lição e eu agradeço por todas elas. Eu larguei mão daquilo que eu acho que eu deveria ser ou fazer na cena, pois eu acredito que eu já sou, a dança já me completa. Eu não preciso que algo aconteça ou que eu ganhe algum evento para me sentir completo e feliz. Eu comecei a dançar anos atrás, feliz, sem querer nada em troca. Tudo já está em mim. Eu vou continuar minha jornada, vou continuar participando dos eventos, a minha maior competição é comigo mesmo, todos os outros B-Boys que competem, são parceiros que ajudam na minha evolução. Ganhar ou perder, não existe. Todos nós ganhamos e por isso eu continuo motivado a continuar. A cultura, em primeiro lugar, surgiu através da alegria que conectou e reuniu. Por isso o amor pelas Cyphers, não tem julgamento. Somente alegria e uma grande festa.
Fotos: Arquivo Pessoal
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