Aconteceu no último domingo, em Rio Claro, mais uma edição da Batalha da Amizade que se repete desde 2002, organizada por Luiz Zangão Cruz, mais conhecido como B-Boy Índio. O evento, que já é tradicional e bem conhecido na cena, reuniu B-Boys, B-Girls e MC´s de varios localidades do Brasil, que participaram da Batalha de MC e da Batalha de Breaking 1vs1.
Para quem desconhece, o trabalho da Casa da Amizade vai bem além dos eventos. Índio o ano inteiro desenvolve trabalhos sociais, como distribuição de marmitas, de roupas e resgate de jovens envolvidos com drogas. Além disso, na Casa da Amizade ainda têm as aulas que ensinam sobre alguns elementos da Cultura Hip-Hop como o Rap, o Graffiti e o Breaking. Também ensinam Street Dance!
Esse ano, o evento teve um gosto especial de liberdade após todas as restrições vividas por todos com a pandemia! Na Batalha de MC´s, nomes como Mendz, Shawlin, Bigode e Caldas se enfrentaram, mas a final foi pesada entre o paulistano de apenas 14 anos, Eagle e o jovem HZ, que foi o ganhador da noite e levou R$ 500,00 para casa.
No Breaking, B-Boys e B-Girls de gerações diferentes batalharam valendo uma premiação de R$ 1.000,00. No filtro, passaram 16 nomes que competiram entre si e foram julgados pelo B-Boy Brunão, jurado dessa Batalha. A final foi entre B-Boy Kley e B-Boy Sinistro, que foi o Campeão. Esteve presente visitando o evento o Secretário de Cultura de Rio Claro, Dalberto Christofoletti.
Secretário de Cultura de Rio Claro, Dalberto Christofoletti compareceu a Batalha da Amizade, que foi realizada com recursos da Lei Aldir Blanc.
O Portal Breaking World marcou presença e conversou com o B-Boy Índio sobre o clima cultural e familiar do evento, ele que falou: “Em todos esses anos eu vi muitas atitudes erradas, falta de união dentro do Hip-Hop e na vida em geral. Muita gente falando mal do próprio irmão da cultura, o sistema maltratando seres humanos, então, eu vi que poderia fazer algo diferente que trouxesse mais amor e oportunidades para as pessoas e a Batalha da Amizade é exatamente isso!”.
O evento foi um sucesso e ano que vem o Portal Breaking World já deixa confirmada a presença!
Fotos: Breaking World
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“O último brasileiro e sul-americano que ganhou o mundial da Red Bull BC One foi o B-Boy Neguin, há 11 anos.”
Aconteceu neste último final de semana, na quinta-feira (4), a Last Chance da Red Bull BC One e no sábado (6) a grande Final Mundial da Red Bull BC One. O evento aconteceu na Ergo Arena, em Gdańsk, na Polônia, onde os brasileiros B-Boy Xandin, de Anápolis, Goiás e a B-Girl Itsa, mineira que foi duas vezes ganhadora da Cypher Brasil (2019 e 2021), foram eliminados na primeira etapa (filtro). B-Boy Bart, que foi direto como wildcard (convidado) deixou o evento nas quartas de final. Ele declarou para uma equipe da TV Globo: “O plano que eu elaborei, não consegui executar aqui. Eu errei na terceira entrada, mas estou contente com o que eu fiz. Agora, é seguir em frente. Já estou pensando no que está por vir”.
No caso de Itsa e Bart, a situação foi quase um repeteco do que já tinha acontecido em 2019, antes da pandemia, em Mumbai, na Índia, evento onde B-Boy Menno se tornou o primeiro tricampeão do campeonato mundial de Breaking Red Bull BC One. Bart participou também da E-Battle em 2021, onde perdeu para o B-Boy Lee, da Holanda.
Vale lembrar que o primeiro B-Boy brasileiro a participar do mundial da Red Bull BC One foi o B-Boy Pelezinho, em 2005, em Berlim, Alemanha, mas a última vez que o Brasil trouxe para casa o cinturão do mundial da Red Bull BC One foi com o B-Boy Neguin, em 2010, em Tóquio, no Japão. Neguin até hoje é o único B-Boy brasileiro e latino-americano a conseguir esse feito, que já tem 11 anos!
Esse ano, o Last Chance foi a última etapa do evento de Breaking da Red Bull rumo à classificação para a final, que aconteceu no sábado (6), onde os melhores B-Boys e B-Girls do mundo se enfrentaram.
Da Last Chance, as 4 B-Girls que ganharam a vaga foram: Vavi, da Rússia, Ayumi, do Japão, Fenny, da França, e Stefani, do Reino Unido. Entre os B-Boys: Lee, dos Países Baixos, Nori, do Japão, Amir, do Cazaquistão e Johnny Fox, da Espanha garantiram seus lugares na final.
Para se qualificar para a Final Mundial do Red Bull BC One, competidores de mais de 60 eventos classificatórios em 30 países competiram pela oportunidade de representar sua nação ao lado de uma linha de 24 convidados curinga. Este ano, a Final Mundial do Red Bull BC One contou com uma lista completa das 16 meninas, foi a primeira vez desde o início do evento que isso acontece!
A lista final dos 16 primeiros da Final Mundial do Red Bull BC One incluiu: B-Boys Sunni (Reino Unido), Zoopreme (Dinamarca), Lagaet (França), Thomaz (Polônia), TawfiQ (Holanda), Xak (Espanha), Wild Jerry (Bielo-Rússia), Shigekix (Japão), Phil Wizard (Canadá), Flea Rock (EUA), Bart (Brasil), Gun (Rússia), Lee (Holanda), Nori (Japão) e Johnny Fox (Espanha).
Nas B-Girls foram: B-Girl Logistx (EUA), Sidi (Grécia), San Andrea (França), Madmax (Bélgica), Paulina (Polônia), Ami (Japão), Kastet (Rússia), Yell (Coreia do Sul), Ayumi (Japão), Fanny (França), Luma (Colômbia), Ram (Japão), Carito (Argentina), Nadia (Reino Unido) e Vavi (Rússia), que lutaram pelo título de campeã mundial.
Numa final emocionante, os grandes ganhadores da Red Bull BC One de 2021 foram: entre as mulheres, B-Girl Logistx dos EUA, ela derrotou a B-Girl Vavi, da Rússia, na final, para se tornar a mais jovem B-Girl a vencer o Mundial da Red Bull BC One, mostrando que não tem como negar que a nova geração tem pressa de chegar e conquistar os pódios mais altos do planeta. São de Logistx as palavras: “Isso é um sonho. Eu literalmente imaginei esse momento tantas vezes. Red Bull BC One é algo que sempre quis ganhar. Eu sinto que não é apenas o cinturão, não é apenas o título, mas o que eu sou, o que represento no chão, os valores e a moral. Obrigado a todos pela energia.”, conclui.
Seu nome de nascimento é Logan Edra, mais conhecida como Logistx, nasceu e foi criada na Califórnia. Ela é uma Red Bull BC One All Star, um membro da equipe do Underground Flow e do Breaking MIA. Como uma artista muito bem articulada, coreógrafa, ela partiu de Cyphers de rua para teatros lotados, televisão, telas e alguns dos palcos mais respeitados em todo o mundo. Logistx adora articular questões sociais e suas próprias emoções por meio de peças de dança. Uma grande conquista em sua carreira de sucesso veio quando ela ganhou o solo de Silverback Open B-Girl 2018. Naquela noite, ela derrotou Sarah Bee da França, duas vezes campeã solo B-Girl do Outbreak Europe, Kate, a então campeã mundial da Red Bull BC One, Ami e B-Girl Jilou, da Alemanha. Depois de sua vitória explosiva, a cena mundial de Breaking conheceu o poder dessa menina, de repente todos sabiam o nome de Logistx.
Ela também venceu a batalha júnior de Seven to Smoke no Radikal Forze Jam, de 2019, em Cingapura e apresentou sua peça solo, Pain is Reality, na Convenção Anual de Breaking, em Londres, Inglaterra. Ela, então, voltou para Los Angeles e no showcase de dança “Arena LA” apresentou a peça solo, Who You Are, que foi coreografada pelo vencedor do Emmy, B-Boy D-Trix. Após sua apresentação, Logistx realizou uma batalha de exibição contra o Red Bull BC One All Stars, com sua equipe Underground Flow e quando a batalha terminou, Ronnie pegou o microfone e disse a Logistx, na frente de todo o público, que o BC One All Stars queria convidá-la para se juntar a eles como seu mais novo e mais jovem membro da tripulação. Este ano é sua segunda aparição depois de 2019.
Entre os B-Boys, o grande ganhador foi o B-Boy Amir, que dominou a batalha contra Phil Wizard, um B-Boy canadense conhecido por seu estilo único, para se tornar o primeiro breaker do Cazaquistão a vencer a Final, ele daclarou: “Eu senti o poder em minha alma e em minha mente. E estou feliz por poder mostrar esse poder aqui, naquele palco”. Originário do Cazaquistão e agora morando na Rússia, Amir tem firmemente colocado seu nome no cenário internacional de última hora, desde a vitória da batalha solo Legits Blast Praga, em 2020, e depois em 2021 na Unbreakable Solo Battle. Com um estilo de Breaking extremamente imprevisível, musical e contundente, o cinturão do Mundial da Red Bull BC One foi dele!
A Red Bull BC One 2021 pós-pandemia foi um sucesso! O nível de dançarinos foi bem elevado! O evento é uma das maiores e mais prestigiadas competições de Breaking individual do mundo, reunindo todos os anos milhares de espectadores e telespectadores on-line.
O Portal Breaking World transmitiu ao vivo a Final Mundial e agradece mais uma vez a oportunidade de participar da cobertura desse grande evento!
Nos próximos dias 30 e 31 de outubro, em São Paulo, acontece no bairro de Jabaquara a 7ª edição do Troféu Arte em Movimento, onde vários artistas de destaque da Cultura Hip-Hop foram lembrados e indicados por Robson Melancia, Monica Senna, Nego Mario e King Nino Brown para receberem o troféu.
A premiação, que é organizada pelo artista plástico José Pereira de Souza, mas conhecido como Zep, acontece todo ano e é o maior prêmio de artistas independentes da Cultura Hip-Hop do Brasil.
Nesta edição, as mulheres estão em peso. A previsão é que em todas as entregas nos Estados, o número chegue a 400 mulheres. Só em São Paulo, serão 100 mulheres homenageadas. Nomes como Kika Maida, Rose MC, Rúbia, B-Girl Angel do Brasil, a grafiteira Mel Zabunov, Sara Cipri, DJ Deise Miranda, B-Girl Cris, B-Girl Sah, Catarina Zola, entre outras, estão na lista das homenageadas. Entre os homens: o grafiteiro Minu, DJ Ninja, B-Boy Danzinho, Pretinho Black, B-Boy Amendoim, o fotógrafo The Sarara, Marboy, entre muitos outros vão ser reconhecidos com a premiação.
Este ano o Troféu Arte em Movimento conta com uma novidade: 5 premiados internacionais selecionados pela apresentadora espanhola Margarita Espino, que é jornalista e apresentadora na Espanha e que foi convidada para indicar 5 artistas do Brasil que vão receber o 1° Troféu Arte em Movimento Internacional oficial. Esse será o ponto de partida para a internacionalização do Arte em Movimento em alguns países fisicamente, em 2022.
O Portal Breaking World, que ano passado foi homenageado com a premiação, vai cobrir mais esse evento e vai mostrar os melhores momentos.
Quer saber o que rolou? Fique ligado na nossa rede social e na nossa página.
Serviço: Data: 30 e 31 de outubro de 2021 Horário: a partir das 14h Local: Galpão Cultural Endereço: Av. Barro Branco, 776 – Jabaquara
Nos próximos dias 25, 28 de setembro e 7 de outubro, o grupo Funk Fockers apresenta um espetáculo de Breaking, que vai ser transmitido ao vivo . “Rotina” é o nome desse trabalho e leva a cultura Hip-Hop das ruas para o palco, misturando coreografia e audiovisual, sempre buscando novos horizontes dentro da cena.
“Existem poucos espetáculos de Breaking no país. Conseguimos de forma inédita a contemplação no edital ProAC, concorrendo com grandes companhias de dança de diversos segmentos como o balé e contemporâneo, nos permitindo colocar em prática as nossas ideias e apresentar uma obra criativa em uma narrativa atual e otimista”, comenta Allan Lopes (Mixa), diretor, B-Boy e coreógrafo. O espectador irá acompanhar o dia a dia de três entregadores de aplicativo que se preparam para curtir a primeira festa de Hip-Hop pós-pandemia.
O projeto conta com a colaboração da Fuligem Comunicação e Arte, um coletivo de artistas audiovisuais.
Imagem: Renato Prado
Conheça os artistas:
Allan Barbosa Lopes (Mixa): diretor artístico, coreógrafo , intérprete e B-Boy, no cenário Hip-Hop há quase 20 anos. É um dos fundadores da Funk Fockers, crew que foi criada em 2008. Passando por França, Dinamarca, Alemanha, Chile, Argentina, Estados Unidos e Colômbia, conquistou alguns títulos individuais e em grupo.
Bruno Siles (Onnurb): coreógrafo e intérprete, também é membro fundador do grupo Funk Fockers e dançarino de Breaking há 19 anos. Participou de competições nacionais e internacionais em vários países como Suíça, França, México e Singapura.
Thiago Antonio Alves (Thiaguin): coreógrafo e intérprete, integrante do grupo Funk Fockers, dançarino de Breaking há 18 anos, participou de um dos maiores campeonatos do mundo – The Notorious IBE, na Holanda, em 2011, como convidado especial.
Igor Goforit: DJ, MC, produtor e beatmaker desde 2000.
O projeto Rotina é realizado pela Fuligem Comunicação e Arte, Funk Fockers Crew e Governo do Estado de São Paulo, por meio do edital ProAC 03/2020 e conta com o patrocínio da Nest Panos, apoio da Strutura Contábil e Me Ghusta e produção da Oriri Agência Cultural.
Imagem: Renato Prado
Serviço:
Rotina Espetáculo de Breaking com Funk Fockers Crew 50min de duração On-line (Gratuito)
Confira o local das transmissões:
25/09/2021 às 19h Site: nestpanos.com YouTube: https://youtube.com/c/NestPanos
30/09/2021 às 19h YouTube – https://youtube.com/c/SUJO https://youtube.com/c/Funkfockers Instagram: https://instagram.com/funkfockers
Depois de uma grande polêmica em torno do novo clipe de Gabriel O Pensador, “Patriota Comunista”, que teve algumas imagens gravadas no Cemitério Parque dos Buritis, em Uberlândia, ele em sua rede social falou: “Comecei a carreira sendo censurado e censurando a censura. Venci a hipocrisia e os aproveitadores de plantão mais de uma vez. Tentaram me intimidar novamente com duas notificações hoje e tentativa de censura prévia. Muito barulho, mas sem fundamento. O clipe de Patriota Comunista foi gravado num cemitério muito criterioso e sério, escolhido justamente porque queríamos retratar com respeito e beleza os temas da letra da música, que incluem o respeito à morte e a vida”.
O clipe entrou nas plataformas digitais essa semana e já pode ser visualizado. Confira abaixo:
Patriota Comunista - Gabriel O Pensador
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Ela nasceu em Brasília, no Distrito Federal, no meio de artistas. Na infância jogava futebol, subia em árvores, brincava de pique-esconde. Não era raro dentro de casa os saraus que sua mãe fazia. Nesses eventos bem vivos na memória, ela tinha a oportunidade de conhecer e conviver com outros artistas, o que a influenciou desde pequena. Além disso, conviveu com o circo, com o teatro e com a música. O primeiro contato com a Cultura Hip-Hop foi por meio da irmã, que cantava Rap, o Breaking veio depois de um evento e de ser orientada pelo B-Boy Katatal.
Sim, estamos falando da Maia, a B-Girl que participou de várias batalhas na Europa em 2019 e 2020. Em 2019, esteve no “Festival I Love Hip-Hop”, na Holanda, participou da batalha de B-Girl 1×1 e foi convidada para a batalha de crew junto com a equipe do B-Girl Session (B-Girl Pauline, B-Girl Vanessa, B-Girl Bo, B-Girl Chica e B-Girl Camine). Com isso, participou da “Outbreak’, “Festival Free Spirit” e chegou na final do “The Notorious IBE” na Top Rock Battle. Em 2020, esteve em Praga no “The Legits Blast”, antes da pandemia, e no mesmo ano conseguiu conhecer o evento “Concrete Jam” na Suíça e o “Queen Of The Floor” na Dinamarca. Agora, neste último mês, no Brasil, participou do Breaking Street Battles, em São Paulo, onde foi a campeã na categoria B-Girls. A mina é braba! Vamos conhecê-la um pouco mais?
BW: Queria que você nos contasse onde nasceu, em que cidade cresceu e que lembranças tem da infância e da vida em família…
Maia: Eu nasci e cresci em Brasília, no Distrito Federal. Na minha infância, me lembro de jogar muito futebol, brincar de pique-esconde e subir em árvores, além disso, por fazer parte de uma família com muitos artistas, sempre tive muito contato com circo, teatro e música através do trabalho do meu pai e irmãos e, também, assistindo a outros artistas que se apresentavam nos saraus que minha mãe fazia em casa.
BW: Quando teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop? E o Breaking como surgiu na sua vida? Alguém na sua família dançava?
Maia: Meu primeiro contato com a Cultura Hip-Hop foi através da minha irmã que canta Rap, já tinha visto ela cantando algumas vezes na infância, mas teve um dia que ela me deu um CD com gravações de músicas dela e outro com músicas do Racionais MC’s e, nessa época, eu ouvia muito esses dois CDs. Depois disso, na adolescência, o Breaking começou a aparecer na minha vida através de lugares que eu frequentava e que tinham pessoas dançando, amigos que dançavam também e eu sempre achei muito incrível, tiveram até algumas vezes que fui em treinos para aprender, mas sempre sentia que não me ensinavam muita coisa. Daí tiveram dois acontecimentos que realmente fizeram a diferença, um deles foi um evento de Breaking 2×2 que aconteceu no meu bairro e que havia uma dupla de B-Girls muito maravilhosa, e poder assisti-las batalhando me inspirou profundamente, o outro fator foi ter conhecido, pouco tempo depois, o B-Boy Katatal, um grande amigo e principal responsável pela minha iniciação no Breaking, foi ele quem acreditou em mim e me deu base para seguir dançando.
BW: Alguém te ensinou a dançar Breaking? Você teve referências dentro da dança?
Maia: Quem me ensinou a dançar Breaking, primeiramente, foi o B-Boy Katatal, em 2010. Nessa época, minhas principais referências eram aqueles que eu via dançando no treino, no Encontro de B-Boys e B-Girls do Conic e em eventos aqui em Brasília mesmo.
BW: Como mulher, dançando Breaking, sofreu algum tipo de preconceito? Como sua família e as pessoas que estavam à sua volta viram sua ligação com a Cultura Hip-Hop e com o elemento Breaking?
Maia: Como mulher dançando Breaking não me lembro de sofrer preconceito na família ou nos lugares onde frequentava, pelo contrário, eu conhecia muita gente que curtia Hip-Hop, inclusive vizinhos. Minha família também recebeu bem e meu pai até já foi em alguns eventos aqui em Brasília assistir as batalhas.
BW: No Breaking houve movimentos mais difíceis de aprender? Quais você teve mais facilidade e mais dificuldade?
Maia: O mais difícil no Breaking para mim foi encontrar a minha personalidade dentro dos movimentos, foi um processo longo, muito particular e que continua em desenvolvimento, acredito que a gente dança aquilo que somos, e vendo dessa maneira me percebo nessa mutação e evolução enquanto pessoa e B-Girl todo o tempo. Em questão de movimentações específicas, acho que tive e tenho ainda algum tipo de facilidade para os movimentos, tudo vai depender também do que é o meu foco no momento, talvez para alguns freezes e footworks preciso de um pouco mais de dedicação, e os movimentos que tive mais facilidade, principalmente no começo, foram aqueles de maior flexibilidade.
BW: Como normalmente é sua rotina de treinos?
Maia: Treino sempre pelas manhãs, dia sim e dia não.
BW: Em que ano começou a competir? Houve eventos que foram especiais? Pode falar um pouco sobre eles…
Maia: Minha primeira competição foi em 2011 junto com a crew da qual eu fazia parte na época, depois disso competi poucas vezes até que, em 2015, fui morar em São Paulo, lembro que depois de pouco tempo que havia chegando lá, fui participar da minha primeira batalha e ganhei e naquele momento foi muito significativo para mim e para o caminho que eu estava buscando com a minha mudança para aquela nova cidade. Na minha opinião, todos os eventos são especiais de alguma maneira, porque sempre aprendo e vivo momentos especiais através da Cultura, alguns me marcaram de maneiras diferentes, um deles foi o “Battle In The Cypher” que pra mim é um dos melhores eventos do mundo por ter fortemente esse compromisso com a Cultura Hip-Hop, oferecendo uma programação de muito conteúdo, vivências e informação, para além da competição de Breaking; e outro evento foi o “Queen Of The Floor” na Dinamarca em 2020, porque eu tive a oportunidade de viver e ser parte de um momento histórico, ganhando a primeira batalha de B-Girls do país, foi uma experiência incrível, e nessa viagem também tive a oportunidade de conhecer muitas B-Girls e B-Boys que eu respeito e admiro, como o casal B-Girl Karen e B-Boy Katatal, e também B-Boy Machine, B-Boy Blanka, B-Girl Paulina e B-Boy Zoopreme.
BW: Se divertir, curtir, competir, ganhar e perder como você administra todos esses sentimentos na hora que entra numa battle?
Maia: Acho que o que me ajuda a administrar meus sentimentos na hora de entrar numa batalha é me conectar com o meu propósito naquele momento, porque independente do resultado, o que eu realmente avalio comigo mesma, depois, é se realmente consegui atingir aquilo que eu gostaria, e que nem sempre está no resultado de quem julga.
BW: Você faz parte do grupo “Rede B-Girls do Brasil”, nos fale da importância desse grupo para as meninas do Breaking.
Maia: Acredito muito na força que é esse grupo e essa rede de contato entre as B-Girls do Brasil, porque mesmo sabendo que somos minoria dentro da Cultura, através do grupo nos enxergamos muitas e nos sentimos parte, nos identificamos com as histórias umas das outras, compartilhamos assuntos do universo B-Girling que, na grande parte dos lugares que frequentamos, não temos esse espaço de troca e tudo isso fortalece muito a cena das mulheres no Breaking, pois através da Rede podemos incentivar a iniciação e permanência de muitas B-Girls dentro da Cultura.
BW: Você já competiu fora do país, nos conte suas experiências?
Maia: Sim, participei de batalhas na Europa em 2019 e 2020, e também agora em 2021 de forma on-line. Em 2019, estive no “Festival I Love Hip-Hop”, na Holanda, onde pude participar da batalha de B-Girl 1×1 e ainda fui convidada para a batalha de crew junto com a equipe do B-Girl Session (B-Girl Pauline, B-Girl Vanessa, B-Girl Bo, B-Girl Chica e B-Girl Camine). Nesse mesmo ano participei da “Outbreak’, “Festival Free Spirit” e cheguei na final do “The Notorious IBE” na Top Rock Battle, foi super especial e na final me lembro de ver todas as B-Girls do público atrás de mim me apoiando. Em 2020, estive em Praga no “The Legits Blast”, antes da pandemia, e no mesmo ano ainda consegui conhecer o evento “Concrete Jam” na Suíça, evento muito bom e produzido no meio de um parque e o “Queen Of The Floor” na Dinamarca.
BW: Breaking nas Olimpíadas… O que você pensa sobre isso?
Maia: Para mim, o Breaking nas Olimpíadas ainda é um caminho desconhecido, mas, por enquanto, tenho tentado ver como mais uma oportunidade de visibilidade para a cena e mais um possível caminho a seguir através do formato “competições”. Minha insegurança está em não saber como a nossa cultura será apresentada nesse espaço olímpico, pois não entendo o Breaking como um esporte e sei o quanto somos potentes enquanto Cultura Hip-Hop e apenas não desejo que isso seja perdido ou diminuído a competições.
BW: O que você tem feito na pandemia?
Maia: Tenho trabalhado muito de forma on-line, escrevendo e realizando projetos para editais, montando trabalhos no formato de audiovisual, treinando, estudando bastante e produzindo mensalmente o “Encontro On-line de B-Girls do Brasil”, espaço de troca e acolhimento de B-Girls.
BW: Recentemente, você participou do “Breaking Street Battle” em São Paulo, passando por várias meninas e foi a ganhadora. O que achou do evento?
Maia: O evento foi bem legal e teve um formato diferente dos eventos on-line que têm acontecido nos últimos tempos, gostei da proposta de montar uma batalha através de vídeos já pré-prontos e ir montando as chaves através de sorteio e votação ao vivo.
BW: Quais são seus planos para o futuro?
Maia: No momento, confesso que tem sido difícil fazer muitos planos futuros, mas tenho estudado e treinado bastante para melhorar cada dia mais a minha dança e meu fazer artístico, estou com projetos de desenvolvimento de um espetáculo solo e planos também de viajar para fora novamente, assim que possível.
BW: Deixe um recado para os leitores da Breaking World?
Maia: Seja incrível, se olhe com carinho e respeito e saiba enxergar suas fraquezas e suas potências, se alimente bem, faça as coisas por você, seja sensível para o mundo, passe menos tempo no celular e viva o presente das coisas, assuma seus erros e aprenda com eles, olhe mais para si e o mais importante, não deixe de sonhar jamais, tudo é possível e impossível a gente só vai saber se tentar fazer acontecer e, na maior parte das vezes, o caminho do sonho vale muito mais do que chegar lá.
Série sobre o Hip-Hop em SP, idealizada por OsGêmeos, estreou na última quinta-feira no YouTube da Pinacoteca de São Paulo
A Pinacoteca de São Paulo lançou semana passada uma série audiovisual chamada “Segredos”, idealizada pelos gêmeos Gustavo e Otávio Pandolfo, que contam a história do Hip-Hop brasileiro por meio das lembranças dos artistas que fizeram parte dessa efervescência, desde 1980. A série foi dividida em quatro episódios e vai ser disponibilizada no YouTube da Pinacoteca (https://www.youtube com/user/MuseuPinacoteca) todas as quintas, às 20h.
A cada episódio, OsGêmeos recebem convidados diferentes que fazem parte do movimento para relembrar a trajetória de cada um e contá-la às novas gerações. Desta maneira, pretendem demonstrar como o Hip-Hop se transformou em uma das manifestações artísticas e culturais mais relevantes no Brasil, sendo determinante na vida dos que fizeram e fazem parte dele, não apenas por introduzi-los ao Rap, ao Breaking e ao Graffiti, mas pelas amizades que surgiram nos eventos da São Bento, berço do movimento em São Paulo, e que continuam até hoje.
Os encontros acontecem no vagão de um trem, imaginado pelos artistas e montado no ateliê dos dois. Declararam numa entrevista para o Estadão: “É uma cápsula do tempo que nos leva de volta à década de 80 para reviver a nossa história e a dos nossos amigos, que é a própria história do Hip-Hop”, conta Gustavo. Dentro desta máquina do tempo se revela, por exemplo, que o DJ KL Jay, do Racionais MC’s, foi dançarino de Breaking nos anos 1980. Os próprios irmãos, conhecidos no mundo inteiro graças ao Graffiti, contam que dançaram Breaking e cantaram Rap. “Todo mundo fazia um pouco de tudo”, diz Otávio.
Gustavo e Otávio Pandolfo, mundialmente conhecidos como “OsGêmeos”
A ideia de documentar a história do movimento é antiga, mas fazer isso por meio de uma série documental surgiu durante a montagem da exposição “OsGêmeos: Segredos”, no ano 2020. A exposição pretendia, inicialmente, fazer oficinas de Hip-Hop com jovens para incentivar a arte, mas a ideia foi abortada após o surgimento da pandemia do coronavírus. Foi aí que a série surgiu. O resultado é visto de uma maneira tão positiva pelos artistas que eles contam que “é só o começo de uma grande história”, mas não revelam o que têm em mente. O futuro promete revelar segredos…
Segundo Jochen Volz, o diretor-geral da Pinacoteca, a intenção é que o documentário também tenha uma finalidade educadora e possa servir para fomentar aulas, oficinas e debates. “O documentário foi montado de maneira bastante didática para ser visto por todos os públicos e para que os jovens, estudantes, possam aprender sobre a história do Hip-Hop e dos seus próprios artistas”, afirma Volz.
Segundo os irmãos, as entrevistas do documentário foram feitas sem um roteiro. Com improviso, histórias que não conheciam, mesmo com mais de 35 anos de amizade com a maioria dos entrevistados, foram reveladas por meio do relato de convidados como: Thaíde, KL Jay, Erick Jay, Edi Rock, Rooneyoyo e Nelson Triunfo.
Fotos: Divulgação Pinacoteca/OsGêmeos
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Ele teve a infância no interior de São Paulo, na casa dos avós, mas foi na adolescência, em Minas Gerais, dentro de um Centro Olímpico, aos 13 anos, que se encantou pelo Breaking de vez e pelos movimentos Power Moves, que achava irados!
Estamos falando de Douglas Lima, também conhecido como B-Boy Pikira, que hoje é um dos principais B-Boys brasileiros que constantemente está presente em propagandas e comerciais publicitários. Confiram a entrevista:
BW: Queria que você nos contasse como foi sua infância. Em que local foi? Que lembranças você tem dessa época?
Pikira: Minha infância foi bem divertida (risos). Sempre fui um garoto bem alegre e brincalhão com todos, fui criado na casa dos meus avós no interior de São Paulo, junto de minha mãe, que foi minha mãe e meu pai ao mesmo tempo, venho de uma origem humilde, que nunca teve muita coisa, sabe? Mas, graças a Deus, nunca me faltou nada, principalmente educação e o carinho da minha família, que é o mais importante para mim, quando era criança eu gostava muito de jogar bola e andar de bicicleta na rua (risos). Que criança não gosta, né? (risos).
Pikira começou a dançar aos 13 anos e não parou mais
BW: Quando você teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop?
Pikira: Olha, quando eu comecei a dançar eu tinha 13 anos de idade, eu só fazia por amor mesmo e por achar irado aprender os movimentos giratórios, que no Breaking se chama de “Power Moves”, que são os movimentos com impacto maior na dança, porque usa muito a força e agilidade do corpo, eu aprendi a dançar quando fui morar em Minas Gerais, onde eu frequentava um Centro Olímpico para jogar bola, foi ali que eu vi uns meninos fazendo Power Moves e dançando com um Boombox no chão, bem no cantinho da quadra de Futsal, foi naquele momento que me aproximei e perguntei pra eles se podia ficar olhando eles dançarem, aí eles me olharam meio marrentos e responderam que podia (risos), foi naquele momento que me encantei com a dança e decidi fazer aquilo… Mas, sem pensar em viver da dança, nem virar um artista, foi só por amor e admiração pelos passos e movimentos que eram irados pra mim, foi aí, então, que perguntei para um dos meninos que se chamava Marcos, que eu queria aprender a dançar e se ele poderia me ensinar alguns passos daquela dança, foi aí que ele me explicou que se chamava Breaking e que era um dos elementos da Cultura Hip-Hop, depois desse dia, ele me ensinou o básico, que foi o Top Rock, Drop, Footwork e o Freeze. Isso foi somente em um dia (risos). Ele me passou os passos e foi embora, aí eu fui para casa, coloquei uma música do Black Eyed Peas, que eu gostava muito e comecei a treinar os passos que ele me ensinou, treinei muito! Até ficar rápido e leve, aí fui novamente no Centro Esportivo, no dia seguinte, para mostrar pra eles o quanto eu aprendi treinando sozinho em casa, mas aí eles não foram no Centro Esportivo nesse dia (risos), eu fiquei triste, mas não desisti e fiquei lá até fechar, aí batendo 8h da noite chega o Marcos, o menino que me passou os fundamentos da dança no Centro Esportivo, aí falei pra ele que treinei e que queria mostrar pra ele o quanto aprendi, aí fomos para dentro da quadra e mostrei pra ele e ele ficou surpreso com a minha agilidade e rapidez de aprender tão rápido o básico, foi aí que ele falou para ir todos os dias no Centro Esportivo que ele iria me ensinar novos passos, fiquei muito feliz e fui novamente no dia seguinte, debaixo de chuva (risos), com minha mãe brigando comigo e perguntando o que eu iria fazer no Centro Esportivo, na chuva (risos)… Até então, ela não sabia que eu estava dançando, aí fui na chuva e o menino não foi (risos), fiquei triste demais nesse dia porque eu realmente estava ansioso para aprender mais passos e treiná-los para mostrar pra eles que eu seria bom naquilo, foi aí que continuei indo nos dias seguintes e eles não apareciam mais, aí um belo dia eu fui para jogar bola e já tinha desistido de ir até lá e não achar eles no Centro Esportivo dançando, aí fui jogar bola e encontrei não só com eles, mas com uns 15 caras reunidos treinando Breaking no mesmo lugar, foi aí eu falei “Uaaaal, que irado!” (risos), fui lá olhar de perto e o menino que me ensinou os fundamentos falou pra eu fazer na roda, ali, pra todos verem (risos), aí tomei coragem e fiz e ainda arrisquei uns movimentos que eu vi no jogo de Vídeo Game, que eu tinha comprado de B-Boy na época, aí os mais velhos deles, que foi o que ensinou eles a dançarem, me chamou para ir em outro lugar aonde eles treinavam fechado o grupo todo, fiquei muito feliz no dia (risos), confesso que nem dormi direito (risos). Aí, no dia seguinte, fui no treino que era numa antiga prefeitura, em uma sala fechada, foi aí que comecei a treinar de verdade e aprender novos passos e movimentos olhando eles fazerem, depois disso, eu treinei bastante e aprendi muita coisa em pouco tempo de prática e aí eles me chamaram para entrar na crew, desde então eu não parei mais.
Perseverança e vontade marcaram a história de seu início com a dança Breaking
BW: Quando de fato se dedicou ao Breaking? Você teve referências na dança? Pessoas que te influenciaram?
Pikira: Desde que comecei a dançar eu me dedicava muito ao Breaking, mesmo sem pensar em viver daquilo. Eu simplesmente só queria praticar e aprender novos movimentos todos os dias, mas o dia em que eu realmente parei e falei “é, eu realmente quero ser muito bom no Breaking e viver disso como profissão”, foi quando eu vi o UK B-Boy Championship 2008, em que o apresentador era o Crazy Legs, um dos pioneiros da dança, nesse DVD, que eu tenho até hoje, eu vi os B-Boys recebendo premiação em dinheiro e ganhando vídeo games de premiação para o 1° lugar, aí eu achei irado! Foi aí que me dediquei mais e mais. Referência para mim na dança foram meus amigos mesmo, que dançavam muito na época e faziam movimentos que até hoje vi poucos B-Boys fazerem com tanta leveza e facilidade que nem eles.
BW: Como sua família viu sua ligação com a dança? Você teve apoio deles?
Pikira: No começo minha mãe tinha medo (risos) ela chegou a ir em vários treinos escondido de mim para ver se eu não estava usando drogas (risos). Ela achava que Hip-Hop era coisa de drogado, mas com o tempo ela foi conhecendo os meninos e foi ficando tranquila e percebendo que não era isso que ela pensava, mas ela não gostava mesmo assim (risos), mas não brigava comigo também.
BW: Aprender o Breaking foi algo fácil ou houve movimentos que foram mais difíceis?
Pikira: Eu aprendi tudo muito rápido e sempre tive facilidade em executar os movimentos.
Facilidade no aprendizado e talento natural para a dança
BW: Quando você começou a competir? Em que ano? Que eventos te marcaram mais e porquê?
Pikira: Meu primeiro campeonato foi em 2010, na minha cidade, em Minas Gerais, com minha crew, chegamos na final do campeonato (risos), fiquei muito feliz! O evento que mais me marcou foi o Chelles Battle Pro, em Goiânia, em 2013, aonde eu conheci o campeão mundial da Red Bull BC One que é B-Boy Lilou, da França, esse evento me marcou muito! Porque foi o primeiro campeonato de crew que valia vaga para fora do país e que ali estava de jurado o B-Boy Lilou e o primeiro Red Bull BC One Cypher que participei, em BH, na capital de Minas Gerais, foi lá aonde eu vi pela primeira vez os B-Boys que eram muito famosos, que era o B-Boy Pelezinho, B-Boy Aranha da Tsunami All Stars, que eram e são referência para muita gente até hoje, então, foi lá que eu me destaquei e cheguei na semifinal da Cypher da Red Bull e fiz amizade com o B-Boy Aranha, que hoje é meu grande amigo e que treina comigo diariamente.
BW: De onde surgiu o apelido Pikira? Tem algum significado?
Pikira: Meu apelido surgiu quando eu era criança, eu sempre gostei de liderar a molecada em tudo que fazíamos na infância e o apelido vem de um nome indígena que se chama Piquerobi, que é um Cacique líder de uma tribo indígena que se chama Inhanpuaçu, foi aí que tiram o nome de Pikira, que na época de criança erravam o nome e falavam Pikira (risos), aí ficou o apelido.
BW: Além da dança, você também foca muito seu trabalho na publicidade e na propaganda, correto? Fale sobre a importância do dançarino também trabalhar esse lado…
Pikira: Sim, além de dançarino de Breaking eu sou modelo e ator também, então, sobre importância eu acho isso muito de pessoa pra pessoa, sabe? Eu, particularmente, acho importante um B-Boy trabalhar com comerciais e publicidade de marcas, porque isso traz uma visibilidade muito boa para o dançarino que quer viver da dança, através disso ele pode arrumar patrocínios, ele vai ter contato com marcas grandes que podem querer organizar um evento de Breaking ou apoiar ele em alguma viagem para algum campeonato fora do Brasil, mas como eu falei antes, isso depende do objetivo de cada dançarino.
O B-Boy já participou de várias ações publicitárias
BW: Nos conte as principais propagandas que já participou?
Pikira: O primeiro comercial que eu quero falar é o da Casas Bahia, que eu fui o primeiro e único B-Boy a fazer a propaganda até hoje, no comercial eu fui o principal, fui chamado para dançar com os eletrodomésticos e no comercial eu faço um mortal para trás com um liquidificador na mão (risos). Para mim esse é o mais marcante porque Casas Bahia não tem nenhuma ligação com dança, mas lá estou eu representando os B-Boys com uma das marcas mais famosas do Brasil. E já fiz vários importantes, como comercial da TIM, Semp Toshiba, Oi, Venish, Renner, Riachuelo, Zara, entre outros.
BW: Na sua opinião, é possível viver da dança no Brasil?
Pikira: Depende de como o B-Boy ou B-Girl quer viver, se for de competição, no Brasil, eu acho impossível, porque além das premiações serem muito baixas, os breakers não vão ganhar sempre, na minha opinião! Agora, se viver da dança dando aulas de Breaking através de projetos e fazendo espetáculos e trabalhos com marcas, aí sim!
BW: Você já competiu fora do país? Ou teve experiências fora? Nos fale sobre isso…
Pikira: Infelizmente, não sai do país ainda. Quando eu ia sair, veio a pandemia (risos)… mas pretendo sair para competir e ver como é lá fora.
B-Boys Ruddy, Luan San e Pikira
BW: Em toda sua caminhada na dança nos fale sobre momentos que foram importantes e também momentos lamentáveis que se pudesse voltar no tempo tomaria outro caminho.
Pikira: Um momento muito importante na dança pra mim foi quando eu gravei uma série de dança com a banda internacional Black Eyed Peas, que se chama Freestyle Fridays e ainda fui convidado por eles a dançar no show deles no parque do Ibirapuera, em São Paulo, junto dos meus amigos da Tsunami All Stars, que são referência mundial, isso foi bem importante pra mim porque eu sempre fui fã das músicas deles desde criança e poder conhecê-los e trabalhar com eles foi simplesmente incrível, agora sobre lamentações eu sou um cara que não fica se lamentando ou arrependendo de coisas que fiz, sabe? Acho que a vida é feita de momentos bons e momentos ruins, então, cabe a você saber lidar com os momentos e agradecer pelos momentos ruins também, porque tudo na vida é aprendizado.
BW: Como tem sido esse tempo de pandemia? O que tem feito?
Pikira: Esse tempo eu tenho trabalhado normal, mas tive que me adaptar e investir em um bom celular para poder fazer minhas publicidades em casa por celular.
BW: O que acha sobre o fato do Breaking virar uma modalidade olímpica?
Pikira: Acho incrível! Porém, não estou muito por dentro, porque é tudo muito novo, mas tenho grandes expectativas que isso venha a agregar coisas boas para a cena do Breaking no mundo.
BW: Quais são seus planos para o futuro?
É difícil falar, pois sou muito cauteloso com meus planos (risos). Mas posso dizer que vou continuar a dançar até que eu não consiga mais me movimentar (risos), pretendo conquistar muita coisa ainda e ir com calma, sou muito novo ainda, tenho 24 anos, ainda tem muita coisa que quero viver, sabe? Mas sempre pensando no futuro, claro!
Fotos: Arquivo Pessoal / Daniel Favieri / Hugo Victor
O B-Boy também trabalha como modelo
Atuando em série da Netflix
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Um garoto do Paraná, de apenas 12 anos, emocionou a toda a produção de um programa de rádio ao vivo na Rádio Exclusiva FM, estamos falando de José Lucas de Oliveira, mas no mundo artístico ele é o MC JLO. O menino participou do Programa Ação Teen, em São Paulo e começou a chorar ao vivo, contando o sonho que tinha e que estava sendo realizado, de cantar sua música de autoria própria, ao vivo, depois de uma longa trajetória que começou no Paraná, chegando até São Paulo.
Ele sonha em ser um dos grandes nomes do Rap nacional. Suas músicas têm uma proposta de consciência, com ousadia. Filho de uma ativista cultural, produtora, capoeirista e apresentadora do Programa Conexão das Periferias, o menino é muito incentivado por sua mãe. Eles foram acolhidos pelos The Rap Monster’s, que de cara já colocou o garoto no projeto do Coletivo, além de ter sua participação na música “Gente Da Gente” do Coletivo, o garoto gravou uma música na MB Produções, que vai fazer parte do CD dos The Rap Monster’s.
E é claro que o Portal Breaking World, que adora conhecer e ver o que a nova geração anda fazendo, não podia deixar de conversar com JLO. Confira a entrevista:
BW: Qual o real nome do MC JLO? Quantos anos tem? Onde mora e como é sua vida em família?
JLO: José Lucas de Oliveira Machado tem 12 anos, atualmente moro no Jabaquara, Zona Sul de SP. Minha vida é um pouco “puxada”, pois tenho muitas coisas para fazer: estudar, ensaiar Hip-Hop, treinar capoeira e brincar (risos).
O papel da mãe como apoiadora e incentivadora é muito importante na carreira do MC
BW: Está em que série? Na escola seus amigos pedem para cantar?
JLO: Eu estou no 6° ano da escola pública estadual Rui Barbosa, da cidade de Guarapuava, no Paraná. Agora com a pandemia, as aulas são on-line. Mas, antes os professores e os colegas sempre me pediam para cantar.
BW: Teve alguém na família que cantava? Quem são suas referências no Rap nacional?
JLO: “Escuto Rap desde a barriga da minha mãe”. Inspirações e referências são minha mãe, meu irmão, o artista plástico Olli, MC Caverinha, Djonga, Edi Rock, 7minutos e Hot e Oreia, Face da Morte…
BW: Quando começou a rimar e escrever músicas? Quando teve o primeiro contato com o Rap e com toda a Cultura Hip-Hop?
JLO: Comecei a escrever em 2020, mas o meu contato com tudo foi desde a barriga da minha mãe.
MC JLO na Rádio Exclusiva FM, em São Paulo: sonho realizado
BW: Verdade que era um sonho cantar numa rádio? Nos conte como foi essa experiência aqui em São Paulo.
JLO: Foi demais! Eu não imaginava que iria tão rapidamente participar de entrevistas em rádios e TVs. Foi uma experiência nova, bem difícil, mas maravilhosa!
BW: Fale sobre a música de sua autoria, que cantou, sobre o que fala?
JLO: Minha primeira composição foi em homenagem à minha mãe e a todas as mães do mundo. A música se chama “Você é um Príncipe”. E a segunda, fala sobre a nova realidade diante da pandemia para um pré-adolescente. Se chama “Novo normal”.
BW: Você participa também de batalhas de rimas?
JLO: Sim, a última foi no ano passado
BW: O que tem feito nesse tempo de pandemia?
JLO: Estou estudando on-line e participando de alguns eventos on-line também.
BW: Fale um pouco dos seus projetos, dos seus sonhos para o futuro?
JLO: Meus projetos são continuar no The Rap Monster’s e no Cultuarte Capoeira. Também fui convidado a participar do Canto pela Paz. Sonho é ser rico e poder ajudar as pessoas com a minha arte.
BW: Deixe um recado para os leitores do Portal Breaking World?
JLO: Peço para que me acompanhem e assistam as lives que estou participando. E, por favor, usem máscara e álcool até a vacina sair para todos e acabar a pandemia.
“Nenhuma mulher ficará calada enquanto houver outras violentadas”.
Na última semana, na quinta-feira (22), uma denúncia sacudiu o mundo do Hip-Hop brasileiro: uma matéria na Record denunciava cenas explícitas de abusos cometidos por Francisco, mais conhecido como MC Fran, rapper de 46 anos, que até então era integrante do conhecido grupo Tribunal MC’s, formado em 1989, na Zona Leste da cidade de São Paulo. Fran mantinha um relacionamento escondido de 5 anos com a irmã da vítima e morava muito próximo da mãe e o outro irmão, o que teria facilitado os crimes. Os primeiros ataques teriam ocorrido durante uma viagem à praia e, depois, ele abusou da cunhada enquanto a sogra estava isolada por Covid.
O crime só foi descoberto após a jovem de 14 anos contar para a mãe os abusos que vinha sofrendo cometidos pelo rapper e, depois disso, a mulher instalou uma câmera de segurança no quarto da filha. O equipamento flagrou o momento em que o agressor toca na menina e a obriga sentar no seu colo, depois de alguns minutos é possível ver a menina chorando.
O caso do rapper foi destaque no programa Cidade Alerta, da Rede Record
Muitas provas constataram os fatos, como mensagens de WhatsApp onde Fran declarava estar apaixonado pela menina e disposto a largar sua mulher e ficar com a jovem, pressionando ela se entregar a ele.
Fran foi preso em São Paulo por 15 dias e depois foi libertado.
Crimes como esses acontecem todos os dias, a cada hora, no Brasil. O caso do rapper está longe de ser um caso isolado. São mais de 536 casos por hora no Brasil e quase a mesma proporção de mulheres que dizem ter sido vítimas de algum tipo de violência sexual. Todos esses dados remetem à violência doméstica: 76,4% das mulheres conheciam o autor da violência, a maior parte aconteceu dentro de casa.
Pesquisas revelam que a grande maioria das mulheres assassinadas no Brasil eram negras
Nos últimos 12 meses, 1,6 milhão de mulheres foram violentadas no Brasil, enquanto 22 milhões (37,1%) de brasileiras passaram por algum tipo de assédio sexual. Entre os casos de violência, 42% ocorreram no ambiente doméstico. Após sofrer uma violência, mais da metade das mulheres (52%) não denunciou o agressor ou procurou ajuda.
Os dados são de um levantamento do Datafolha, feito em fevereiro, encomendada pela ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), para avaliar o impacto da violência contra as mulheres no Brasil.
Com a pandemia e a determinação de medidas restritivas a situação agravou, mulheres e crianças ficaram mais vulneráveis. Com o fechamento das portas de instituições de ensino há mais de um ano, crianças e adolescentes ficaram longe de agentes fundamentais de sua rede de apoio, como educadores e colegas, o que tornou mais difícil a denúncia de abusos sexuais. O isolamento social aproximou ainda mais as mulheres de companheiros agressores. O índice de violência doméstica disparou em 2020, bem como o de feminicídios, que aumentaram cerca de 2% já no primeiro semestre do ano. Além dos assassinatos de mulheres por motivações de gênero, há outro tipo de feminicídio, paulatino, indireto e silencioso. Pesquisas mostram que grande parcela das vítimas de violência doméstica desenvolve problemas psicológicos e emocionais, como depressão e ansiedade, levando, por exemplo, ao suicídio.
A pandemia agravou ainda mais o quadro da violência doméstica e feminicídios
A violência doméstica também é a principal causa de quadros depressivos e de suicídio entre as mulheres, conforme o Boletim Epidemiológico de Tentativas e Óbitos por Suicídio no Brasil. Outra pesquisa mostra que a violência doméstica e o estupro são a sexta causa de morte em mulheres de 15 a 44 anos. Conforme os dados levantados, as mulheres negras constituem um subgrupo muito mais discriminado, sendo o principal alvo da violência. Segundo levantamento feito pelo G1 recentemente, 75% das mulheres assassinadas no Brasil, no primeiro semestre de 2020, eram negras. Outra aferição, feita pela Rede de Observatórios da Saúde, mostrou que as mulheres negras sofreram 73% dos casos de violência sexual no Brasil em 2017. Tudo isso revela as várias faces e nuances do machismo e do racismo, principalmente quando caminham juntos.
De acordo com o MMFDH (Ministério da Mulher, Família e dos Direitos Humanos), no início da pandemia da Covid-19, em março de 2020, quando ainda não haviam sido decretadas medidas rígidas, houve aumento de 45% de abusos sexuais contra crianças e adolescentes no Brasil em relação a 2019, quando 11.241 denúncias foram registradas pelo governo federal. No ano passado, o total subiu para 20.771.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, em sua maioria, os agressores são homens próximos, como parentes e vizinhos
Segundo dados da 4ª Delegacia de Polícia de Repressão à Pedofilia, de São Paulo, que possui uma DHPP (Divisão de Proteção à Pessoa), em 2020, os casos registrados aumentaram 56,8% em relação a 2019.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) relatou que “Um dos motivos da alta durante o isolamento social é a convivência do agressor no mesmo espaço em que a vítima, por mais tempo. Em sua maioria, os agressores são homens próximos, como parentes e vizinhos. ”
Durante a pandemia, a forma de denúncia mais recorrente tem sido por meio de familiares em que o menor confia ou pela percepção da mudança de comportamento da vítima, como foi o caso da menina de 14 anos assedia pelo MC Fran.
O caso recente causou total indignação dentro e fora da Cultura Hip-Hop e muitas pessoas se manifestaram nas redes sociais, como por exemplo, as pioneiras do Rap Nacional Rubia, Rose MC e Sharylaine, juntas elas comandam as Clássicas do Hip-Hop e diante da situação fizeram uma live especial para falar sobre o assunto. Criaram um manifesto contra a violência e o assédio às crianças e mulheres. Rubia abre a live falando que as pessoas não podem fazer de conta que situações como a do MC Fran não estão acontecendo. Ela lembra que está nessa luta junto às mulheres faz tempo. São dela as palavras: “As mulheres estão denunciando há três décadas o que alguns homens falam nos vídeos e acham da hora. Os homens que estão se manifestando ao nosso favor, são aqueles que ouviram as mulheres do Hip-Hop no passado, é preciso dar um passo adiante! Tem um ditado alemão que diz: “Se tem uma mesa com 10 pessoas, chega um nazista senta nessa mesa e nenhuma das pessoas se levanta, nós temos 11 nazistas sentados à mesa”. Então, se você vai fazer uma música, um graffiti, ou uma dança, vai discotecar junto com um assediador, com um estuprador, com um agressor de mulheres, se você compactua, chama ele para trabalhar junto, então você também é um agressor!”.
Rúbia, Sharylaine e Rose MC: as apresentadoras mandaram a letra em seu programa Clássicas do Hip-Hop, indignadas com a situação do assédio na cena
Sharylaine concorda com Rubia e continua dizendo: “Faz quase 30 anos que as mulheres da Cultura Hip-Hop vêm se movimentando contra o machismo, contra a violência sexual, contra o assédio dentro de uma cultura libertária, de luta, mas chegou num ponto que estamos no limite, hoje temos toda a tecnologia que nos aproxima, então, agora nada vai passar batido”. Ela afirma: “As ruas estão de olho. Se você é da Cultura Hip-Hop, você tem um compromisso social. Essa cultura não se levantou apenas com os homens, ela se levantou com homens e mulheres e isso tem que ser respeitado. Mulitas mulheres de todos os elementos sofreram e sofrem assédio, estupro, violência. E aí rapaziada? Vocês vão continuar assistindo e achando bonitinho? Passando pano para os manos? A cultura salva, mas vocês estão matando as mulheres! Que caminhos vamos seguir? Alguns homens se pronunciaram, muito bacana! Mas qual será a ação de fato? Precisamos de ação! Que vocês se reúnam, que discutam tudo que vem acontecendo, pois é recorrente. Não podemos admitir mais nem dentro e nem fora da cultura!”. Rose MC acrescenta: “Houve em todos esses anos mudanças, conseguimos que alguns grupos mudassem letras, que parassem de cantar algumas músicas ofensivas às mulheres, mas nesse momento precisamos de uma mudança bem maior, que é a de comportamento. Existe uma legislação, então, não podemos deixar continuar acontecendo estupro de vulneráveis, mulheres e menores”. Rose deixa um recado: “Preste atenção nos jovens dentro da sua casa, observem os sinais que esses meninos e meninas dão que algo está errado, é importante abrir os olhos e denunciar esses casos!”, conclui.
B-Girl Jillou contou sua história e inspirou muitas mulheres a denunciarem o assédio e os maus-tratos
O assédio é uma realidade e está espalhado por toda a sociedade! Não existe um lugar especifico para acontecer. Pode ser no transporte, no trabalho, em casa, nos eventos, no esporte, nas salas de aula, nas competições, nos treinos. Recentemente, no Breaking, um caso veio a conhecimento público relatado pela própria vítima, estamos falando da B-Girl Jillou. Num desabafo, ela escreveu em suas redes sociais: “Caros homens, em primeiro lugar, estou falando da minha perspectiva e não para mais ninguém! Algumas coisas para começar: pare de agir surpreso como se tudo isso não estivesse acontecendo. Ouça as mulheres! Como mulher, não acho que seja minha responsabilidade educar os homens sobre o comportamento deles, mas se acham que é difícil encontrar informações, irei compartilhar o que sei e ver quantos homens compartilham essas informações com seus irmãos e se dispõem a ter conversas desconfortáveis. Porque essa é a parte mais importante: converse com seu irmão, converse sobre suas experiências e fale o que você acha certo e o que você acha que é errado. Se você acha que seu irmão está fazendo algo que não está certo ou que talvez esteja perto de cruzar os limites, converse com ele. Conversas desconfortáveis são o que mais precisamos agora. Sentem-se juntos e questionem tudo o que sabem. Tenho de estar constantemente atento ao que escrevo, visto ou como me movo. Não consigo me alongar na prática sem pensar em qual direção minha bunda está voltada. Certa vez, eu estava esperando meu táxi na estação de trem e um grupo de três homens se aproximou de mim. Eles me perguntaram “Como você está?” E eu simplesmente iria embora. Como eles continuaram me seguindo, liguei para um amigo para não me sentir sozinha. Mas essas situações no meio da noite são altamente desconfortáveis e me deixam insegura. Ocorreu mais de uma vez que já disquei 110 (911) no meu celular e segurei o dedo no botão, pronto para ligar. Ouvi uma ótima frase da minha amiga Viola (com quem tenho muitas conversas desagradáveis) “Temos praticado ignorar à perfeição” e não poderia ser mais verdade. Assobios, homens olhando… me sinto objetificada diariamente. Levando todas essas experiências em consideração, eu esperaria que todo homem respeitasse nossa situação na cena do Hip-Hop. Sim, todos nós compartilhamos amor, paz e unidade, mas no final, é uma sala onde o gênero historicamente dominante é a maioria. O domínio histórico! Ah, como adoro quando falam “mas as mulheres também podem estuprar” ou “algumas mulheres pedem isso”. Em primeiro lugar, vamos atirar em alguns números (os EUA, por exemplo): 1 em cada 5 mulheres e 1 em 71 homens são vítimas de estupro na vida. 91% das vítimas de estupro são mulheres. Podemos, por favor, dar uma olhada na luta que as mulheres travaram nos últimos séculos? Se você não cresceu em um exército de mulheres guerreiras das amazonas, então você experimentou o mundo exatamente como eu. Assisti a filmes em que as mulheres mal tinham papéis principais e, se sim, tínhamos que ser salvos pelo herói masculino. E se você quiser saber mais sobre representação feminina, então pesquise o teste de Bechdel, a maioria dos meus filmes favoritos falham aqui. Ainda devo me vestir ou me mover de uma certa maneira para não atrair a atenção de um homem da maneira errada. Então, aqui está a minha pergunta: Por quê ensinamos as mulheres a evitar a violência sexual em vez dos homens a não praticá-la? As desculpas, as distrações: sinto muito, mas…. Sejamos realistas: o que eu li on-line não muda nada para aqueles que sofreram com as ações. Você culpa seus traumas ou circunstâncias em vez de se concentrar em suas próprias ações. Os opressores precisam entender que não podem se desculpar por si mesmos. Eu não me importo se você sofre de depressão, esteve “em um lugar muito escuro”, esteve sob a influência de álcool, se você não se lembrava como eu, suas ações são de sua responsabilidade. O bem supera o mal? Nada supera o mal, contanto que você não tenha admitido ainda e trabalhado consigo mesmo e com seu pessoal. Portanto, por mais que possamos respeitá-lo pelo seu trabalho, o respeito como pessoa deve ser conquistado novamente. A resposta a essa pergunta parece tão óbvia para mim, que eu nem quero perder meu tempo respondendo. Mas, conforme leio as últimas declarações, não parece tão óbvio para os outros. Um pedido de desculpas deve ser sincero e precisamos ver se você não está falando sobre você mesmo, mas se preocupa com a vítima. Sua reputação não deve ser uma questão de conversa, se suas desculpas forem honestas. Seu pedido de desculpas não é para você, mas para sua vítima. Assuma total responsabilidade! Você não pode simplesmente passar seu trauma para outra pessoa e usar seu trauma como desculpa. Vamos acabar em um círculo onde nos machucamos e, na pior das hipóteses, causamos depressões e suicídios. Como comunidade, precisamos ver o quadro completo. Podemos respeitar a própria contribuição, mas ainda não precisamos deles em posições de poder. Podemos tê-los para preservar a história, mas o envolvimento deve ser mantido baixo até vermos que o trabalho foi feito por conta própria e as vítimas tiveram tempo para se curar. Tenho vivido situações que me levam a uma posição muito desencadeadora neste momento. E perdi muitas noites de sono por causa desse assunto. Portanto, tenha misericórdia de mim dessa vez nos comentários.”
Amanda Baroni capitaneou, juntamente com a Rede B-Girls do Brasil, o Guia Antiassédio no Breaking
Baseado em vivências e relatos como esse, no Brasil B-Girls se uniram e criaram um grupo no WhatsApp chamado Rede B-Girls do Brasil e também escreveram um Manual Antiassédio. A iniciativa do guia foi da B-Girl Amanda Baroni (27), que mora no Complexo da Maré, em Nova Holanda, no Rio de Janeiro. Por causa do Breaking, Amanda entrou na fotografia e depois no jornalismo. Também é produtora e trabalha com áudio visual. Ela conta: “A motivação para fazer o guia veio do relato da B-Girl Jillou, do assédio que ela sofreu no meio do Breaking”. Amanda inicialmente fez uma matéria sobre o assédio dentro do Breaking, a partir do encontro que outra B-Girl chamada Maya organizou. Ela explana: “Foram encontros on-line e fiz um questionário, uma pesquisa com 47 B-Girls aqui do Brasil e daí colhemos muitas informações através da vivência de cada uma e assim nasceu o guia, através da constatação que o ambiente de treino e os eventos, as Jam, as Cyphers, eram os locais onde mais aconteciam assédios. Meninas relataram que foram tocadas nesses locais, foram sarradas, ofensas falando que eram “Maria B-Boy”. A ideia não era levantar apenas o problema, mas também instruir as pessoas a cometerem menos esses tipos de situações. O material foi feito em duas semanas através de pesquisa e colaboração das meninas, principalmente na revisão final. O primeiro material foi publicado em junho do ano passado, em português e ele também não estava registrado, foi um gatilho para que fôssemos além do assedio em si. Vimos o problema, onde ele estava, as causas e os possíveis caminhos para resolver. Esse é um dos tópicos do guia, de entender porquê que os homens são os que mais cometem esse tipo de crime e vimos como a nossa sociedade está doente mesmo. Eu li bastante outras pesquisas em outros portais de credibilidade, os homens são os que mais cometem, mas também são os que são mais pressionados em toda a vida, reprimidos emocionalmente eles vêm a conquista da mulher, é algo quase que social e quando são rejeitados pelas mulheres é visto como um fracasso, se eles não se sentem amados, eles querem tomar aquilo à força. Eles querem ter quase que uma certificação de masculinidade mesmo. E no meio do caminho acabei assistindo um documentário chamado “Silêncio dos Homens”, que fala exatamente isso. E foi bom porque mudou a minha relação com os homens à minha volta. Deu para ver como a criação dada a eles os afetam como adultos. Como distorcem a visão deles relacionadas a mulher. O guia foi traduzido para quatro idiomas no final de 2020, em novembro, foi quando eu comecei a conversar com a B-Girl Miwa, pois nós já tínhamos a intenção, assim que saiu o em português, de retornar o projeto algum tempo depois em outros idiomas, porque sabemos que isso acontece no mundo todo. Então, foi um processo de quase cinco meses. Eu publiquei em março, que era o mês das mulheres e depois fiquei sabendo que em abril era o mês do combate ao assédio. É possível evitar o assédio através da conscientização! E o guia tem esse objetivo! Ele foi registrado na CBL no meu nome e no nome das meninas que colaboraram. Foi disponibilizado para download gratuito, porque era algo comunitário em prol de uma causa importante”, conclui. Sobre o caso do MC Fran, Amanda opinou: “Eu vi a matéria em alguns veículos, houve também muito sensacionalismo, mas ele cometeu um erro grave e tem que ser responsabilizado por isso. Precisa de uma reabilitação mental”, finaliza.
Afrika Bambaataa, fundador do Zulu Nation
A verdade é que faz anos que não é incomum casos de assédio dentro da Cultura Hip-Hop. Na década de 80, Afrika Bambaataa, fundador do Zulu Nation e pioneiro do Hip-Hop, sofreu sérias acusações de ter abusado sexualmente de jovens. A história iniciou-se quando Ronald Savage lançou o livro “Impulse Urges and Fantasies” (Impulsos e Fantasias, em tradução livre) que inclui alegações tenebrosas sobre Bambaataa ter abusado sexualmente do autor quando ainda era menor de idade. Falando para o site New York Daily News, em um extenso relato divulgado no dia 9 de abril, Savage (também morador do Bronx/NY) deu detalhes sobre suas memórias daquela época. De acordo com Savage, o ícone do Hip-Hop abusou sexualmente dele quando tinha 15 anos de idade e isso deixou sérios problemas relacionados a sua intimidade que acarretaram em algumas tentativas de suicídio. “Eu quero que ele saiba o quanto ele danificou meu crescimento“, diz Savage ao Daily News, que na época fazia parte da Zulu Nation (organização internacional de Hip-Hop fundada na década de 1970). Afrika Bambaataa negou o assédio, declarou: “Quaisquer e todas as alegações de qualquer tipo de abuso sexual, essas alegações são infundadas e são uma tentativa covarde para manchar minha reputação e legado no Hip-Hop neste momento”.
Uma das grandes dificuldades de quem sofre o assédio ou violência é justamente sair da prisão psicológica do agressor
Anos depois, o pioneiro Crazy Legs também esteve no meio de um escândalo de assédio. Na ocasião, outro grande nome do Breaking, Ken Swift, escreveu no seu Instagram: “Eu cortei relações com Crazy Legs 23 anos atrás por causa de suas ações erradas. Eu pessoalmente sei tudo sobre as besteiras arrogantes, enganosas e egocêntricas do Crazy Legs, mas eu não estava ciente de suas ações e do impacto sobre todas essas mulheres e meninas em nossa comunidade e ler essas histórias é perturbador e nojento. Eu só posso imaginar a quantidade de trauma que ele causou a B-Girls e mulheres jovens em todo o mundo. A declaração pública que ele fez é um exemplo claro de quem ele realmente é, fazendo tudo sobre si mesmo sem nenhuma responsabilidade. Esta comunidade deve manter integridade e respeito por nossas artes e pelos outros. Não é disso que trata o legado da Cultura Hip-Hop e da dança de B-Boying / B-Girling. Esta é uma situação muito séria. Quero que todas as vítimas saibam que estou protegendo vocês e estou aqui para ajudar a curar nossa comunidade da maneira que puder. Não há como renunciar a ele, ele precisa ser expulso. Qualquer pessoa usar sua reputação ou fama / poder para assediar sexualmente mulheres é uma forma de abuso totalmente inaceitável. As mulheres afetadas por esse abuso têm medo de falar por causa da vergonha, reação e retaliação. Em qualquer comunidade, eu acredito que é uma questão de força em números e de nos unirmos e falarmos sobre esse comportamento, confrontando essas situações e expondo os perpetradores. Parece que esse abuso foi mais importante para Legs do que a responsabilidade de ser um líder comunitário, um pioneiro do Breaking, um atleta de uma grande corporação e das Olimpíadas. Crazy Legs não merece nenhuma dessas honras. Há responsabilidade por trás dessas oportunidades e privilégios que muitos nunca verão em sua vida. Toda a nossa comunidade de dança não deve tolerar ou mesmo tentar arranjar desculpas para ele”, concluiu.
O assédio também está presente em outras esferas da sociedade, não apenas nas áreas de vulnerabilidade social
No Brasil, os números de assédio são tão alarmantes que a Comissão Ajufe Mulheres – grupo da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) composto por magistradas e magistrados federais em Brasília – realizaram dos dias 3 a 6 de maio o curso “Assédio sexual: teoria e práticas de prevenção”. No primeiro dia, o debate foi com a cientista política Manoela Miklos. No segundo dia, o evento contou com a participação da advogada e fundadora da Bastet Compliance de Gênero, Mayra Cotta. O curso foi aberto para profissionais do Judiciário, mas também para pessoas interessadas no tema. “A construção para enfrentar e prevenir o assédio parte do reconhecimento de que este deve atuar no resgate dos ideais também dentro de sua própria estrutura interna. Para tanto, é preciso conhecer as características e fases do problema, a fim de se permitir a atuação especializada. O diálogo proposto pelo curso foi de grande valor cumprido o objetivo buscado pelo Comitê de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral e do Assédio Sexual e da Discriminação no Poder Judiciário”, explica a conselheira do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e coordenadora do Comitê, Tânia Reckziegel. Além disso, foi lançado a Cartilha “Política de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, Sexual e Discriminação”.
O assédio nos Esportes Olímpicos
Larry Nassar
Em 2018, uma das maiores sensações dos Jogos Olímpicos do Rio-2016, a ginasta Simone Biles revelou ter sido vítima de abuso sexual cometido por Larry Nassar, ex-médico da Federação de Ginástica dos Estados Unidos (a USA Gymnastics). Aos 20 anos, Simone tornou o crime público por meio de uma carta postada nas redes sociais. A ginasta campeã olímpica McKayla Maroney, por exemplo, revelou ter sido vítima do médico oito anos após ter sido molestada pela primeira vez, quando tinha apenas 13 anos. Também da seleção de ginástica dos Estados Unidos, a tricampeã olímpica Aly Raisman denunciou o médico em novembro de 2017. Foram pelo menos 140 vítimas de Nassar, entre ginastas, dançarinas, patinadoras artísticas e alunas atletas da Universidade do Michigan. As primeiras acusações de abuso sexual contra ele se tornaram públicas em setembro de 2016. O médico foi condenado a 60 anos de prisão em dezembro de 2017, por conta de posse de imagens de pornografia infantil. Em julho de 2017, confessou ser culpado por três acusações do mesmo motivo — ele estava preso desde dezembro de 2016 por causa da pornografia infantil. O medo é uma das respostas para os muitos fatores de as vítimas do médico Larry Nassar e tantas outras vítimas de abuso e violência sexual se manterem em silêncio. “Não tenho mais medo de contar a minha história”, escreveu Simone Biles, logo no primeiro parágrafo da carta em que tornou público o crime sofrido. A ginasta conquistou cinco medalhas na primeira Olimpíada que disputou, quatro delas de ouro. Ela declarou: “Por muito tempo, perguntei-me: Eu era tão ingênua? Foi culpa minha? Agora eu sei a resposta para essas perguntas. Não, não foi minha culpa. Não, eu não vou e não devo levar a culpa que pertence a Larry Nassar, USAG e outros”.
Fernando de Carvalho Lopes
O ex-treinador da Seleção Brasileira de Ginástica foi denunciado em abril de 2018, em reportagem do Fantástico, por mais de 40 ginastas por abusos sexuais entre 1999 e 2016. No processo, quatro vítimas, sendo duas menores de idade, tiveram seus relatos inseridos na ação penal. Fernando foi denunciado pelo Ministério Público por estupro de vulnerável e enquadrado no artigo 226, inciso II do Código Penal – agravante pela relação de poder em relação às vítimas. A pena para esse crime varia de 54 a 150 anos.
John Geddert
Em 2021, a morte do técnico John Geddert abalou a ginástica artística. O técnico de 63 anos, que foi encontrado morto, respondia a uma acusação de assédio sexual, 20 de tráfico humano, duas de agressão sexual e extorsão. Comandada por Geddert nas Olimpíadas de Londres 2012, a campeã olímpica Aly Raisman cobrou uma investigação independente sobre as denúncias de abusos na ginástica dos Estados Unidos. A ex-ginasta de 26 anos disparou contra a federação americana de ginástica (USA Gymnastics): “Me revira o estômago. Penso nos sobreviventes por aí. Gostaria que houvesse mais que eu pudesse dizer para aliviar a dor e o sofrimento. Por quê ainda não há investigação independente? Quantas crianças mais terão que sofrer? Para uma organização que afirmou nos últimos 15 anos que “a segurança do atleta é a prioridade número 1” é impossível imaginar um fracasso maior. Isso é e sempre foi maior do que John Geddert, Marvin Sharpe, Steve Penny e Larry Nassar” – postou Raisman em suas redes sociais. Dona de três ouros, duas pratas e um bronze nas Olimpíadas de Londres 2012 e Rio 2016, Aly foi uma das vítimas do ex-médico Larry Nassar no maior escândalo de abusos sexuais do esporte. Ela tem sido uma voz em defesa das sobreviventes. “Como menor de idade na seleção nacional, eu frequentemente tinha que viajar (sem meus pais) sob a supervisão da USA Gymnastics. Os adultos “responsáveis” incluíam John Geddert, Marvin Sharpe, Steve Penny e Larry Nassar. Respectivamente, os crimes pelos quais foram acusados incluem conduta sexual criminosa e extorsão, abuso sexual de crianças, evidências de destruição e agressão sexual”, disse Raisman.
Casos como esses citados acima motivaram, além das denúncias, algumas ações. Na Alemanha, ginastas começaram a usar uniformes para lutar contra o assédio e sexualização no esporte. A ginasta Sarah Voss participou do Campeonato Europeu de Ginástica Artística, em Basel, Suíça, com uma peça diferente no vestuário. No lugar do tradicional collant, a atleta usou um macacão cobrindo o corpo inteiro. A decisão de Sarah expressa um enfrentamento ao assédio sexual e hipersexualização contra as atletas da modalidade. Ela foi a primeira a utilizar o traje, servindo de inspiração para mais duas colegas de equipe. A vestimenta está dentro do que é permitido pelas normas da Federação Internacional de Ginástica. “Uma só peça com pernas compridas, do quadril até o tornozelo”, considera a instituição. No entanto, a escolha causou impacto, já que, antes de Sarah, atletas só tinham coberto as pernas em competições internacionais por motivações religiosas. A atleta foi apoiada pela federação de seu país, que concorda com a decisão das competidoras e se posiciona contra o assédio sexual. Em entrevista à emissora alemã ZDF, a ginasta afirmou: “Até agora não ousamos fazer isso. Pelas regras da federação internacional, calças compridas com collants são permitidas em competições, mas ninguém o fez. Em algum momento, nós, como seleção alemã, nos perguntamos: Por que não?”. Kim Bui e Elisabeth Seitz, também da equipe alemã, usaram o uniforme com calças na competição. Elisabeth disse que usar o collant foi uma preocupação a menos, porque ela se concentrou apenas no esporte e não se seu corpo estaria ou não à mostra.
Algumas considerações:
O assédio precisa ser denunciado
Certa vez, um autor desconhecido escreveu: “Nenhuma mulher ficará calada enquanto houver outras violentadas”. Ter essa consciência é o primeiro passo!
Mulheres: busquem informações na grande mídia, nos guias e cartilhas já escritos! Nas literaturas! Eduque filhos homens respeitando o sexo feminino, eles serão os homens do futuro!
Homens: se posicionem contra assediadores! Mães são violentadas, irmãs são violentadas, filhas são violentadas, então, é necessário ir muito além do que um apoio verbal!
Eventos: está na hora de pensar na segurança dos competidores e criar canais de denúncia, além de ter regras de expulsão para assediadores. Um evento sério, de credibilidade, não pode admitir determinadas atitudes!
Amparo legal para as vítimas
O apoio às vítimas de abuso e assédio sexual é um aspecto essencial para estimular as denúncias. No entanto, o Brasil ainda enfrenta uma série de obstáculos nesse quesito. O tratamento dado às vítimas durante o processo legal em crimes de estupro seria um desses problemas. Advogados de defesa, por exemplo, já teriam utilizado o histórico sexual ou de comportamento das vítimas para constrangê-las durante julgamentos. Dessa forma, a pergunta é: “A análise da conduta pessoal das vítimas deve ser proibida em julgamentos de estupro?”… Outro marco conquistado pelas vítimas de estupro foi o direito ao aborto legal, instituído no Código Penal de 1940. Embora alguns grupos conservadores articulem restrições a esse direito.
E, por fim, lembre-se: Você não está sozinha!
Pedir ajuda não é uma decisão fácil, mas pode ser a melhor maneira de salvar sua vida. Além das forças policiais e jurídicas, outros canais para denunciar a violência são os serviços telefônicos, a família, os grupos de mulheres, grupos de proteção (voltados para crianças e adolescentes vítimas de violência sexual) e o Disque 180, a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência. Procurem se informar como usar as redes sociais nesses casos, para o agressor não virar vítima! Faça sua voz ser ouvida e saiba que mexeu com uma, mexeu com todas! Vamos à luta!
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