Um garoto do Paraná, de apenas 12 anos, emocionou a toda a produção de um programa de rádio ao vivo na Rádio Exclusiva FM, estamos falando de José Lucas de Oliveira, mas no mundo artístico ele é o MC JLO. O menino participou do Programa Ação Teen, em São Paulo e começou a chorar ao vivo, contando o sonho que tinha e que estava sendo realizado, de cantar sua música de autoria própria, ao vivo, depois de uma longa trajetória que começou no Paraná, chegando até São Paulo.
Ele sonha em ser um dos grandes nomes do Rap nacional. Suas músicas têm uma proposta de consciência, com ousadia. Filho de uma ativista cultural, produtora, capoeirista e apresentadora do Programa Conexão das Periferias, o menino é muito incentivado por sua mãe. Eles foram acolhidos pelos The Rap Monster’s, que de cara já colocou o garoto no projeto do Coletivo, além de ter sua participação na música “Gente Da Gente” do Coletivo, o garoto gravou uma música na MB Produções, que vai fazer parte do CD dos The Rap Monster’s.
E é claro que o Portal Breaking World, que adora conhecer e ver o que a nova geração anda fazendo, não podia deixar de conversar com JLO. Confira a entrevista:
BW: Qual o real nome do MC JLO? Quantos anos tem? Onde mora e como é sua vida em família?
JLO: José Lucas de Oliveira Machado tem 12 anos, atualmente moro no Jabaquara, Zona Sul de SP. Minha vida é um pouco “puxada”, pois tenho muitas coisas para fazer: estudar, ensaiar Hip-Hop, treinar capoeira e brincar (risos).
O papel da mãe como apoiadora e incentivadora é muito importante na carreira do MC
BW: Está em que série? Na escola seus amigos pedem para cantar?
JLO: Eu estou no 6° ano da escola pública estadual Rui Barbosa, da cidade de Guarapuava, no Paraná. Agora com a pandemia, as aulas são on-line. Mas, antes os professores e os colegas sempre me pediam para cantar.
BW: Teve alguém na família que cantava? Quem são suas referências no Rap nacional?
JLO: “Escuto Rap desde a barriga da minha mãe”. Inspirações e referências são minha mãe, meu irmão, o artista plástico Olli, MC Caverinha, Djonga, Edi Rock, 7minutos e Hot e Oreia, Face da Morte…
BW: Quando começou a rimar e escrever músicas? Quando teve o primeiro contato com o Rap e com toda a Cultura Hip-Hop?
JLO: Comecei a escrever em 2020, mas o meu contato com tudo foi desde a barriga da minha mãe.
MC JLO na Rádio Exclusiva FM, em São Paulo: sonho realizado
BW: Verdade que era um sonho cantar numa rádio? Nos conte como foi essa experiência aqui em São Paulo.
JLO: Foi demais! Eu não imaginava que iria tão rapidamente participar de entrevistas em rádios e TVs. Foi uma experiência nova, bem difícil, mas maravilhosa!
BW: Fale sobre a música de sua autoria, que cantou, sobre o que fala?
JLO: Minha primeira composição foi em homenagem à minha mãe e a todas as mães do mundo. A música se chama “Você é um Príncipe”. E a segunda, fala sobre a nova realidade diante da pandemia para um pré-adolescente. Se chama “Novo normal”.
BW: Você participa também de batalhas de rimas?
JLO: Sim, a última foi no ano passado
BW: O que tem feito nesse tempo de pandemia?
JLO: Estou estudando on-line e participando de alguns eventos on-line também.
BW: Fale um pouco dos seus projetos, dos seus sonhos para o futuro?
JLO: Meus projetos são continuar no The Rap Monster’s e no Cultuarte Capoeira. Também fui convidado a participar do Canto pela Paz. Sonho é ser rico e poder ajudar as pessoas com a minha arte.
BW: Deixe um recado para os leitores do Portal Breaking World?
JLO: Peço para que me acompanhem e assistam as lives que estou participando. E, por favor, usem máscara e álcool até a vacina sair para todos e acabar a pandemia.
Médicos alertam que a nova variante é mais grave, rápida e letal entre jovens: “É preciso parar os eventos presenciais!”
O estado de São Paulo registrou nesta semana 61.064 óbitos e 2.093.924 casos confirmados durante toda a pandemia. Entre o total de casos diagnosticados de Covid-19, 1.852.904 pessoas estão recuperadas, sendo que 229.822 foram internadas e tiveram alta hospitalar.
As taxas de ocupação dos leitos de UTI são de 70% só na Grande São Paulo e 69,7% no Estado. O número de pacientes internados é de 14.809, sendo 8.042 em enfermaria e 6.767 em unidades de terapia intensiva, conforme dados desta semana. Hoje, os 645 municípios têm pelo menos uma pessoa infectada, sendo 625 com um ou mais óbitos. Em todo o país são 10.869.227 casos, 9.647.550 recuperados e 262.770 mortes. Em todo o mundo são 116.463.253 casos, 65.805.310 recuperados e 2.586.760 mortes.
Mesmo com o início da vacinação, os números ainda são alarmantes! O Brasil registrou 1.498 novas mortes por Covid-19 ontem (06), com uma média de 1.455 óbitos pela doença nos últimos sete dias, após bater o recorde de mortes por Covid-19 em um intervalo de 24 horas por dois dias consecutivos, o patamar mais alto desde o início da pandemia, foram registradas 10.183 mortes nos últimos sete dias, com isso, a média móvel de óbitos bateu um novo recorde pelo oitavo dia seguido!
Somente na cidade de São Paulo, já são 6 hospitais com 100% de ocupação de leitos de UTI para Covid-19, a taxa geral de ocupação na capital paulista chegou a 77% ontem, sendo que a rede privada varia de 80% a 99% dos leitos de UTI ocupados.
Um ano de pandemia e o país continua batendo novos recordes de mortes
Diante dessa realidade, um dos segmentos mais afetados pela Covid-19 foi o mercado de eventos. O setor registrou prejuízo de R$ 270 bilhões com a pandemia do novo coronavírus, entre março e dezembro do ano passado. As perdas levaram ao desemprego de 3 milhões de pessoas. O segmento representa 13% do Produto Interno Bruto (PIB) e tem 60 mil empresas que dependem diretamente da realização de eventos para funcionar, além de 2 milhões de microempresários. A solução? A retomada, sem dúvida, é algo desejado por organizadores de eventos para amenizar os prejuízos, no entanto, como pensar no retorno quando a Covid-19 ainda é a grande vilã do mundo e desafia a humanidade?
A vacina chegou, mas o isolamento social ainda é uma das medidas preventivas para conter a aglomeração de pessoas e, assim, evitar a proliferação do novo coronavírus. E aí perguntamos: Como será o futuro dos eventos? Quando, com segurança, será possível retornar? Será que podemos voltar aos eventos presenciais ou teremos um futuro de eventos híbridos e on-line?
A verdade é que o futuro dos eventos está sendo construído agora, baseado em experiências do que dá certo e do que não dá! Muitas respostas ainda não existem! Mas se adaptar pode significar a sobrevivência dos negócios!
Analisando essa difícil situação, o Portal Breaking World, que é voltado para a Cultura Hip-Hop e para os seus elementos, resolveu procurar e escutar a opinião de alguns organizadores de eventos reconhecidos e de credibilidade no Breaking que acontecem no nosso país e saber o que pensam e o que andam fazendo…
Começamos conversando com o produtor de eventos Alan Jhone, mais conhecido como B-Boy Papel, de Brasília. Nascido e criado em Ceilândia, formado em Marketing, ele desde 2012 organiza o Quando as Ruas Chamam, sendo um dos grandes eventos expressivos da Cultura Hip-Hop no Brasil, um catalisador e formador de B-Boys e B-Girls, o evento reúne a nova geração e também os mais conhecidos dançarinos do país em suas competições. Ele explica que, em Brasília, a situação em relação à Covid-19 continua complicada, com alto índice de contaminação e de mortes, sendo que Ceilândia é onde tem o maior número de infectados e mortes no Distrito Federal. Um dos motivos é o fato de ser a maior população entre as regiões administrativas do DF, sendo mais de 500.000 pessoas, sem falar nos problemas com a saúde e a falta de leitos para os doentes. São dele as palavras: “A situação ficou séria aqui em Brasília, mas no meu caso, depois que eu organizei toda a parte de pós-produção em 2019, eu peguei o tempo livre e me dediquei em estudos, para fazer algumas provas e como eu já tinha o projeto que seria realizado em 2020 devidamente aprovado, tudo muito certinho, eu já estava com a edição do festival garantida, então, tive liberdade para focar em alguns estudos e olha, eu dei muita sorte, pois não tive nenhum prejuízo financeiro relacionado a essa edição de 2020, porque eu não tinha começado o processo de produção do evento. Eu tinha o planejamento de começar os preparativos no mês de maio de 2020 e aí nos deparamos com a situação da pandemia que estourou em todos os lugares. No estudo pra mim foi complicado, pois eu tive que me distanciar das aulas presenciais e acabou me atrapalhando nisso, mas, felizmente, com os prejuízos relacionados ao evento eu não tive. Mas corremos sérios riscos, tenho a certeza que muitos parceiros de outros projetos estavam com eventos em andamento e tiveram prejuízos gigantescos. Agora é tempo de reinventar, eu continuo me dedicando aos estudos, conseguimos nos movimentar e apresentar a 7ª edição do festival, que foi devidamente aprovada, com a pontuação máxima no edital que ele concorreu, então, nós temos garantido para o futuro mais duas edições do festival. Mesmo no meio da pandemia não deixamos de olhar com carinho por ele e conseguimos mais essa vitória de ter duas edições garantidas! Inclusive, estamos divulgando isso em primeira mão para o Portal Breaking World. Ultimamente, além de estudar, eu tenho cuidado da minha mãe que faz parte do grupo de risco e tenho refletido muito sobre o futuro, porque nós que somos da cultura sempre temos uma vida instável, sem muita garantia, então, eu penso que nós da cultura precisamos pensar mais em como atingir essa estabilidade, para não ter mais esses baques que tivemos, por exemplo, com a pandemia e também venho pensando muito nas alternativas para o futuro, eu sou um cara proativo, inquieto, gosto de pensar longe. Até o momento não temos a intenção de realizar o Quando As Ruas Chamam numa edição on-line, isso fugiria muito do evento. Eu acho que o negócio é esperar e voltar quando for possível com chave de ouro, recebendo todos, creio que o formato on-line seria muito complicado. O Quando As Ruas Chamam tem um lance de encontro de pessoas que vêm de várias quebradas e que podem trocar experiências e nós queremos que isso seja presencial, estamos com uma energia para produzir uma festa linda no momento seguro! O momento ainda é bastante delicado, os índices de infectados ainda são altíssimos, eu penso que as pessoas que precisam fazer seus eventos e aquelas que não podem esperar, devem buscar fazer da forma mais segura possível, cuidando dos nossos com responsabilidade para que nenhum irmão pegue esse vírus maldito. Planos para o futuro é ver alguns outros projetos que eu tenho guardado saírem do papel, como tem sido muito gratificante ver o Quando as Ruas Chamam”, conclui.
Da cidade do poder para o sul do país, procuramos o Pedrinho Festa, organizador da Battle In The Cypher, que é um dos eventos de Hip-Hop mais tradicionais da América Do Sul e já tem 12 edições. O Battle In The Cypher recebe dançarinos de até 10 países diferentes por edição e anualmente tem pré-edições em países como Uruguai, Paraguai e Argentina, além de outras regiões do país. O evento tem uma programação de diversas atividades que não apenas focam numa premiação, mas sim numa construção dentro da cultura Hip-Hop. A maior importância dele se dá pelo formato que prioriza todos os elementos do Hip-Hop. Pedrinho Festa conta: “A última edição foi a edição on-line, em 2020, fora isso tivemos a edição dos 10 anos, em 2019… E sim, logo após ela, já começamos a projetar o ano posterior, tanto que tínhamos organizado edições em 2020 na Paraíba, Santa Catarina, Uruguai e Paraguai antes da pandemia, o evento já estava extremamente estruturado com diversas pré-edições realizadas, passagens compradas, datas, patrocínios, etc., já marcados. Estávamos com um projeto de captação em Mecenato aprovado, que expirou o prazo devido a pandemia. Apesar de termos tido alguns gastos, não tivemos o orçamento comprometido, pois conseguimos reverter muitos de nossos gastos, como de passagens. A nossa principal atitude foi buscar realizar de maneira on-line, mas que tivesse da mesma forma a cara do evento. Até mesmo para poder contratar os mesmos profissionais que estavam no evento e de alguma forma foram impactados com os cancelamentos de datas em 2020. Então, o fizemos de maneira on-line, mas buscamos um formato estilo festival, mantendo as atividades do BITC como a festa Hasta La Cypher, o Graffiti, os workshops e palestras, a batalha de DJs… O Battle nunca foi só uma batalha, o nosso grande desafio foi levar essa essência para o mundo digital. Em 2021, o evento tem data para acontecer: de 29 de março a 4 de abril. Será físico, ainda estamos aguardando para saber se será com público reduzido ou apenas com participantes. Resolvemos fazer agora, pois conseguimos passar um projeto importante de incentivo, com apenas 4 meses de realização e sabemos que muitas pessoas da nossa cultura estão precisando trabalhar, inclusive por isso buscamos contratar um grande número de artistas e trabalhadores da cultura Hip-Hop! Tempos difíceis, mais fácil sentar e lamentar. Sabe aquela gana de fazer a parada acontecer? Bom, a gente tem ela desde algum tempo… Às vezes, passa um filme na cabeça, de como tudo era e mesmo assim acontecia, as pessoas, no fim é tudo sobre energia, sobre as pessoas, sobre o que podemos proporcionar para as coisas serem melhores. Battle In The Cypher nunca foi só um evento, é um ideal, é um compromisso, uma retribuição. É o que somos!”.
De Bento Gonçalves direto para o Rio de Janeiro, a conversa foi com a carioca Sabrina Vaz, mais conhecida como B-Girl Savaz, uma das diretoras do evento Tropical Battle, que acontece presencialmente nos próximos dias 6 e 7 de março, realizado de forma independente, tem o apoio da comunidade Cantagalo-Pavão-Pavãozinho, onde a dança é uma importante ferramenta de transformação social. A ideia do evento nasceu em 2015, dentro de uma Crew só de mulheres, na verdade a primeira Crew de mulheres do Rio de Janeiro, que é a Manifesto B-Girls Crew, que sempre foram protagonistas de ações ligadas ao Hip-Hop carioca. Hoje, a Manifesto B-Girls Crew não existe mas a amizade entre as meninas continua! O Tropical Battle é um evento muito importante para o Rio de Janeiro, porque tem o objetivo de trazer a essência do Breaking carioca, que segundo ela não é muito identificado no Rio. Savaz conta: “Desde então, nós temos visto que influenciamos a cena com a valorização do B-Boy e da B-Girl, com premiações altas, todas as edições foram memoráveis. Até o Tropical Beneficente que fizemos para ajudar a B-Girl Branca na compra de uma cadeira de rodas ou patrocínio para as meninas irem para outros eventos, todas as edições foram especiais, a última que fizemos, em 2020, um pouco antes da pandemia, foi especial, nessa edição tivemos alguns percalços, mas aprendemos, não tivemos nem um pós-produção, porque estava tudo muito corrido, terminamos o evento e já estourou uma pandemia. Nem acreditávamos que ia rolar a edição de 2021, foi um momento de repensar a vida, o evento nunca teve patrocínio, foi do nosso bolso, as meninas foram fazer trem e metrô para ganhar dinheiro para fazer o evento, eu tive que pagar muitas contas do meu bolso. Mas Deus tem provido as coisas e está aí a edição de 2021, depois que estourou a pandemia, em 2020, nós ficamos aliviados por ter conseguido fazer um pouco antes a edição de 2020 e não estávamos comprometidos com a edição de 2021, porque nós não temos verba. Então, foi graças a Lei Aldir Blanc que está sendo possível realizar a edição de 2021, os prejuízos que eu tive em 2020 foram mais pessoal, porque nós não estávamos muito bem organizados, eu precisei tirar dinheiro do meu bolso e quando recebemos a grana da Aldir Blanc, deu para pensar na edição de 2021. Sobre se reinventar, nós nunca encaramos o evento como algo profissional ou um empreendimento. Agora que o evento está começando a ser feito por uma equipe específica, estamos começando a olhar para o evento com um olhar de empreendedorismo, nós estamos precisando nos organizar, sendo um divisor de águas. Tenho escrito editais. Não gostamos de eventos on-line, acreditamos que se perde muita coisa, já tem gente fazendo eventos on-line, se perde muito o “flevo” [sic] mas as nossas eliminatórias estão sendo on-line, quando pensamos no evento achávamos que tudo estaria bem melhor, já conversamos com a equipe que se for necessário cancelar o evento faremos. Todos os eventos aqui no Rio de Janeiro estão acontecendo, estamos providenciando os protocolos de segurança, o purificador de ar para grandes espaços, álcool, mascaras, tudo… como estamos fazendo por um edital do governo, temos com que arcar, então, precisamos apenas ver se vamos conseguir manter as datas por causa da pandemia ou não. Os cuidados não são suficientes, estamos tomando alguns cuidados aprovados pela lei, mas não é suficiente, mas uma coisa que tem me dado paz nesse momento é que tem muita gente que está precisando desse trabalho. Colocamos uma premiação alta, as atividades são gratuitas e as inscrições são R$5,00. Nossos planos para o futuro é fazer um planejamento que o Tropical Battle aconteça todos os anos. O Breaking é algo bastante resistente, ele vai continuar! Estamos acostumados a treinar sozinhos! Acredito que os eventos on-line vão morrer e só ficarão no on-line os grandes eventos que também vão fazer. O Breaking é vida!”.
Saindo da Cidade Maravilhosa e chegando em São Paulo, no coração cultural do Brasil, falamos com um dos pioneiros de eventos de Breaking no Brasil. Rooneyoyo, que é o criador da Batalha Final, evento que nasceu das festas da B-Boys Battle Party, que eram mensais quando Rooney ainda tinha loja na Galeria do Rock/Hip-Hop, no centro da cidade. A primeira Batalha Final foi em 1999, com 26 grupos, com shows e batalhas de grupo, era um evento itinerante e anual. Como B-Boy e Rapper, ele queria ver as coisas acontecendo e ninguém fazia nada, então chamou o DJ Ninja e falou que queria fazer festas mensais para tocar os discos e reunir os amigos, foi aí que tudo começou e virou o que é hoje. Ele fala: “Nossa última edição foi em 2019, foi espetacular, no aniversário de 20 anos, com 7 eventos, 1 a cada 15 dias, fizemos dentro das favelas e dentro do Shopping, utilizando as modalidades que viriam a se tornar olímpicas, com as regras e piso, som, tempo, tudo como se fosse lá, me diverti e fizemos um trabalho lindo, com uma equipe maravilhosa. Na verdade, eu já tinha programado eventos até 2028, como fazemos isso todos os anos, temos um modus operandi bem organizado, buscar recurso, reestruturamos o que temos e colocamos o evento na rua. É logico que sempre mudamos algo, para nos atualizar, mas nossa metodologia vem funcionando tem alguns anos, pois nossa equipe, repito, é ótima! Com a chegada da pandemia, cancelar foi um terror, muitos contratos cancelados, foi frustrante, mas temos que entender que a saúde de todos ainda é mais importante, eventos fazemos aos montes. Era hora de salvar vidas e proteger, foi o que pensamos. Estávamos com o conceito de 2020 pronto, artes prontas, apoios e patrocínios, tudo arranjado. Já estava comprometido financeiramente para a edição de 2020, investimos antecipadamente para adiantar nosso cronograma e deixar tudo no jeito para dedicarmos e focarmos em atender os competidores. Para que todos entendam, nos 20 anos da BF, durante o evento, eu tive um sonho e começamos a desenvolver as artes para a edição de 2020. Financeiramente tivemos prejuízos, ficamos praticamente 5 meses sem trabalho, depois, entrou umas coisas on-line e parou. Então, nos reunimos virtualmente e pensamos que não adiantava correr riscos, hoje, como presidente da Confederação Brasileira de Breaking [CBRB] não poderia colocar os breakers e produção em risco. Atualmente, paramos tudo, estamos trabalhando virtualmente e produzindo conteúdo para, quando estivermos livres para executar eventos, estarmos muito mais prontos que antes. Estamos em luto diário, com familiares e amigos falecendo, um após o outro, então decidimos não fazer nada muito barulhento, estamos lidando com a perda e pensando no futuro. Não estamos felizes, mas temos que seguir em frente e honrar os que ficaram no caminho. Para fazer eventos como tenho visto alguns por aí não me agrada e penso que a falta de estrutura e conceito desmotiva os que levam isso com amor e carinho, muito à sério, então, estamos aguardando o tempo certo para podermos fazer algo para deixar a marca. Conseguimos fazer isso com o DMC Brasil 2020, que foi um sucesso on-line. Com a Batalha Final, não tivemos apoio, então, estamos aguardando o que virá com esta vacina. O momento é incerto, governo irresponsável e alguns indo na onda… e o resultado está visível, triste e calamitoso. Com falta de leitos em hospitais, falta de oxigênio e cemitérios lotados. Sobre a volta de alguns eventos nesse momento, sou suspeito para falar, pois também sou produtor de eventos, não é porque optamos por não fazer que quem faz on-line está errado, só não gosto de alguns conceitos, mas presencial, não concordo e acho uma irresponsabilidade de quem faz e de quem participa. Não é momento para isso! Tenho visto muitos eventos on-line e presenciais com nenhuma segurança de fato, então, a resposta é não, continuo achando uma irresponsabilidade social. O Hip-Hop salva vidas e não leva elas para a tumba!”.
Outro grande evento organizado pelos produtores culturais B-Boy Dunda e B-Girl Lana, o Breaking Combate, em São Paulo, concorda com Rooneyoyo e faz coro, são deles as palavras: “Ainda não é o momento de realizar eventos presenciais. As medidas de distanciamento social devem ser respeitadas até que as atividades presenciais voltem a ser liberadas. Cabe a nós, cidadãos, respeitarmos as normas sanitárias e buscarmos formas alternativas de entrega cultural para a população. O uso de máscara, álcool em gel e lavagem das mãos não são suficientes para proteger as pessoas em meio a grandes aglomerações e, por isso, os eventos presenciais devem ser evitados. O Breaking Combate é uma celebração da cultura Hip-Hop, com foco principal na dança Breaking. Proporciona intercâmbio cultural entre os adeptos da cultura Hip-Hop a sua primeira edição foi em 2009. Nas duas primeiras edições, o evento chamava-se “Carapicuíba Battle”, porém, devido à grande dificuldade de realizar qualquer ação voltada para a cultura Hip-Hop na cidade de Carapicuíba, modificamos o nome do evento para “Breaking Combate” para assim podermos realizá-lo em outros locais”. Eles lembram: “Todas as edições foram especiais, porém, um destaque maior para a edição de 2013, que foi a primeira que trouxemos jurados internacionais, workshops, viagem totalmente paga como premiação dos vencedores e a oportunidade de poderem representar o Brasil em eventos internacionais. Foi realmente incrível receber em nosso evento B-Boys e B-Girls de todo o Brasil e também de alguns países estrangeiros e ter cobertura da mídia televisiva. A última edição aconteceu em 2017. Na ocasião, já prevíamos não realizar as edições de 2018 e 2019 por estarmos focados em outros projetos. O planejamento era retornar com o Breaking Combate 2020, mas, como todos sabemos, a pandemia chegou e todos os planos foram cancelados. Quando a pandemia teve início estávamos na fase de planejamento do evento e, por sorte, não tivemos prejuízos financeiros. O projeto da 6ª edição do Breaking Combate já estava aprovado e sendo planejado, com previsão para acontecer em agosto de 2020, quando estourou a pandemia e tudo foi cancelado. Foi assustador, mas entendemos que, com uma pandemia acontecendo, qualquer evento cultural ou esportivo deixa de ser prioridade. O lado bom das situações adversas é justamente sermos forçados a pensar fora da caixa e nos adaptar à nova realidade. Na produção de eventos não é diferente. A impossibilidade de realizar eventos presenciais e necessidade de evitar aglomerações, abriu um leque de novas oportunidades e formatos a serem explorados. Sobre o futuro, desejamos realizar a 6ª edição do Breaking Combate em 2021, após a liberação dos eventos presenciais ou semipresenciais pelas autoridades sanitárias. Optamos por aguardar e, no momento certo, realizaremos o evento da melhor forma possível, sem expor os artistas e público a riscos”, finalizam.
Ainda em São Paulo, fomos conversar com Thiago Vieira, que é B-Boy há 14 anos e arte-educador formado em Educação Física. Integrante da Crew Guetto Freak desde 2012, Thiago faz produção cultural desde o mesmo período, porém, mais sazonal. No conhecido evento Breaking Ibira, ele foi integrar a produção a partir de 2018, o evento já tem 6 anos, idealizado pelo B-Boy Mion. Foi ele quem fez as primeiras batalhas, cyphers e marcava treinos também. Na primeira batalha que Thiago foi, recebeu o convite para ser jurado, em 2014 mesmo. “E era ali no entorno do MAM (Museu de Arte Moderna), aí em determinado momento houve o contato das educadoras do museu e a partir daí começaram a abrir o espaço e oferecer estrutura de som, etc. Naquele momento, no parque, rolava muito os famosos rolezinhos…”, Thiago conta, “Sempre que realizávamos uma edição, logo em seguida fazíamos uma reunião para fazer uma avaliação e pensar numa próxima, mas no geral todas as edições foram pensadas no início do ano e, dependendo da situação, poderiam mudar de posição no cronograma ou não, na última edição de 2019, que foi a batalha de crews, nós encerramos e fomos para um rodízio de comida japonesa (risos), fomos comemorar e os planos para o ano de 2020 ficaram para janeiro. Num ano normal, a primeira edição é em março. Quando foi anunciada a pandemia, nós estávamos com quase tudo pronto pra primeira edição do ano, poucos dias depois cancelamos e ai não teve o que fazer naquele momento, só parar e avisar o público. O Breaking Ibira tem parceria com o MAM, as atividades deles pararam e consequentemente as nossas também, houve um prejuízo financeiro, principalmente para a equipe que trabalha, que sempre fecha muito com a gente e do dia pra noite perderam parte dos rendimentos, depois de um tempo, como não parecia que a coisa ia se normalizar tão cedo, passamos a nos reunir para encontrarmos uma solução, mas não foi possível fazer muita coisa, algo que tenho dito com relação a pandemia é que os trabalhadores da cultura foram os primeiros a pararem e provavelmente serão os últimos a voltarem, a sociedade não vê cultura como essencial, mesmo que assista séries e filmes todo dia, trabalhe ouvindo música e dance quando está feliz. Discutimos bastante sobre novas possibilidades, primeiro, fizemos um workshop on-line e depois fizemos a batalha, o objetivo inicial era gravarmos e depois lançar on-line, mas no fim, a melhor ideia foi o Mini Doc Breaking Ibira 6 Anos e ficamos muito satisfeitos com o resultado! Eu fui bastante afetado pela pandemia, 80% de todos os meus rendimentos foram afetados, bem complicado, mas não senti que devia entrar em pânico, aproveitei para estudar e fiz muito isso e graças ao “tempo” que tive, concluí outra graduação e já tenho outros projetos em mente, nesse sentido a pandemia ajudou a clarear os pontos onde tem que focar para manter estabilidade, não que ela seja real, não se pode ser estável sempre, mas é possível se planejar. A edição de novembro inicialmente seria on-line, mas seria gravada e os B-Boys batalhando no presencial, nas batalhas onde cada dançarino ou dançarina responde de casa, a gente observou bastante o que estava rolando e não sentimos que estava desenvolvendo bem, pois tem várias limitações, uma delas é a qualidade da conexão, a outra é que uma batalha de Breaking on-line perde um fator que é importantíssimo, que é a energia trocada, para mim é como uma luta de MMA on-line, numa batalha de Breaking você que está lá sente, o público sente, a intenção, a energia do B-Boy ou da B-Girl, se está com vontade de botar fogo, se está com medo, indiferente, arrogante… e o B-Boy ou a B-Girl que responde é diretamente afetado por essa energia e ele pode responder! É isso que deixa a batalha interessante. Então, nós fizemos uma edição em novembro, presencial, num momento em que os números da pandemia tinham caído muito, mas mesmo assim foi complicado, teve gente que tirou a máscara, se abraçou… no calor da batalha a galera esquece… eu particularmente não julgo, tem gente que anda de ônibus ou trem lotado todo santo dia, como dizer para ela que a única medida de distanciamento social possível é justamente o lazer dela? Não posso falar nada dela, mas nós, Breaking Ibira, não faremos presencial ainda, não vamos incentivar ninguém a se arriscar… pela nossa experiência, vimos que era difícil a galera manter 100% dos cuidados, não dava para contar com isso, particularmente, até acho que as medidas juntas são relativamente efetivas, mas não acho que serão seguidas. É difícil estabelecer parâmetros dentro de uma situação tão incerta, no geral o plano principal é voltar… mas quando tiver menos risco, sendo início de ano, pensar em como queremos continuar é fundamental, temos muito mais limitações agora e sabemos o que não queremos, temos uma ideia do que queremos. Batalhas? Sem público, on-line, sim, mas quem está batalhando tem que estar frente a frente apenas com uma imagem de qualidade, sem aqueles cortes de conexão que acabam com a experiência. No momento, estamos mais propensos a dar continuidade ao Mini Doc Breaking Ibira. Acredito que a vida será mais on-line, estudar será mais on-line, trabalhar será mais on-line; alguns eventos que tiverem sucesso nas lives vão permanecer no formato, mas vai sobreviver e permanecer aqueles que tiverem uma estrutura excelente, internet de altíssima velocidade, equipe rápida e eficiente; e as situações mistas, eventos transmitidos mas que também têm público presente e a questão da inserção do termo esporte ou “esportivização” [sic] vai estar cada vez mais em discussão, talvez isso afete os eventos, mas ainda não dá para falar. Sair ou não pra treinar, eu não estou indo treinar, mas sei que treinar pode ser parte da sobrevivência, da paz interior, portanto, não o julgo se estiver no corre, mas lembre-se de manter o distanciamento, se possível treine só com sua Crew ou, melhor ainda, só com um amigo ou amiga. Que Deus nos proteja e que venham dias melhores pra todos nós!”.
Eventos presenciais, híbridos ou on-line? Qual a solução?
Então, o que podemos esperar do futuro? E o que temos de concreto?
Então, o futuro dos eventos será on-line?
Para alguns profissionais do ramo de eventos, talvez o futuro será compósito. Trabalhar de forma mais ampla a experiência dos eventos. O fato é que não existe uma receita de bolo.
Um dos novos produtos em tempos de pandemia é o evento híbrido. Combinando atividades presenciais, para um público reduzido e streaming, com possibilidade de transmissão ao vivo para milhares de pessoas, o formato configura uma tendência. “Diante dos desafios do setor, os eventos híbridos tornaram-se a melhor alternativa para o momento atual”, afirma Marceli Oliveira em uma entrevista recentemente publicada. Superintendente do complexo Expo D. Pedro, um dos maiores espaços multiuso para eventos do interior de São Paulo, ela garante que os eventos híbridos vêm transformando a interação do público. Não mais em grandes espaços, mas acomodado em estúdios e salas menores, com todo o protocolo de segurança contra o novo coronavírus, o participante tem a oportunidade de experienciar presencialmente o evento. A transmissão por streaming permite que se participe remotamente.
Outra vantagem do novo formato é sua capacidade para atender de pequenos a grandes eventos. A infraestrutura dedicada a este formato permite se adequar ao número de participantes e às necessidades de cada evento. “O evento híbrido foi uma forma que o setor encontrou de se reinventar para apresentar novas soluções para as necessidades do cliente”.
Na agenda 2020 do Complexo, 30% dos eventos presenciais migraram para híbridos, destaca Marceli Oliveira. “Este fato nos surpreendeu de forma muito positiva”, afirma. Os presenciais, de acordo com a superintendente, mantêm-se de forma linear e crescente para os próximos anos. “Mas os eventos híbridos conquistaram seu lugar como produto em nosso portfólio, investimos em soluções e infraestrutura. Internet de qualidade é prioridade, completa. Se adaptar é a palavra dos próximos dias meses ou até anos!”.
Um alento neste momento de crise a Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc (Lei nº 14.017, de 29 de junho de 2020) que repassou mais de R$ 3 bilhões de recursos federais para ações emergenciais do setor cultural em estados e municípios. Segundo a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, “foram repassados no estado um total de R$ 264,5 milhões para 4.095 projetos culturais aprovados e contratados nas 25 linhas do ProAC Editais LAB. Com isso, em 2020, foram concluídas as etapas necessárias para assegurar a destinação por meio da Lei Aldir Blanc, de R$ 272.165.500,00 ao setor cultural e criativo de São Paulo. Ao todo, o Governo do Estado recebeu R$ 281.838.497,67 do Governo Federal, sendo R$ 264.155.074,63 relativos à cota original do Estado e R$ 17.683.423,04 relativos à reversão de valores não utilizados por municípios. O índice de execução, portanto, foi de 100% do valor recebido inicialmente e de 96,9% do total recebido”.
Após a polêmica gerada com o setor cultural depois do anúncio da suspensão do ProAC Expresso ICMS e a criação de uma nova linha de editais denominada ProAC Expresso ICMS, a assessoria de imprensa da secretaria informou que “sobre o incentivo fiscal por fomento direto, o Governo do Estado de São Paulo vai substituir o ProAC Expresso ICMS (programa de incentivo fiscal à cultura) por um programa de fomento direto a projetos culturais com recursos orçamentários, o ProAC Expresso Direto, mantendo o mesmo valor (R$ 100 milhões) e adotando normas e procedimentos semelhantes. Não haverá perda para o setor cultural e criativo. A medida valerá para 2021, 2022 e 2023 e foi tomada para enfrentar o déficit fiscal gerado pela crise da pandemia do coronavírus. O decreto orçamentário com este valor será publicado em breve. Posteriormente sairá o regulamento do novo ProAC Expresso Direto, a ser elaborado pela Comissão de Análise de Projetos (CAP) da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, que será a instância de análise e seleção de projetos. Será feita uma consulta pública para que a sociedade civil possa enviar contribuições. Os proponentes que tiverem projetos selecionados receberão os recursos diretamente. Com isso, o Governo do Estado de São Paulo reafirma seu compromisso com a valorização da cultura e o estímulo ao desenvolvimento do setor cultural e criativo. O ProAC Expresso Editais e o Programa Juntos Pela Cultura serão mantidos e também terão em 2021 recursos em patamar semelhante ao de 2020”.
O Portal Breaking World indagou sobre as perspectivas da pasta para o setor cultural em 2021, principalmente no que diz respeito ao cenário pós-imunização. São do Secretário de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, Sérgio Sá Leitão, as palavras: “Para 2021, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa trabalhará para a manutenção, o aperfeiçoamento e a ampliação do trabalho realizado pelas instituições culturais do ecossistema de cultura do Governo do Estado de São Paulo, que conta com cerca de sessenta instituições, espaços culturais e corpos artísticos como os Museus, Fábricas de Cultura, Oficinas Culturais, OSESP, Cia de Dança SP, Sala São Paulo, Teatro Sérgio Cardoso, entre outras. Além disso, teremos o ProAC Expresso Direto, o ProAC Expresso Editais e o Juntos pela Cultura, programas de fomento, que em 2019 tiveram um valor recorde, batido em 2020 e que esperamos bater em 2021, até porque é um investimento público que se tornou ainda mais fundamental diante do quadro da crise. E temos algumas novidades previstas como a criação de três novas Fábricas de Cultura, em Ribeirão Preto, em Heliópolis, na capital e em Iguape, na região do Vale do Ribeira, parte do programa Vale do Futuro; a reabertura do Museu da Língua Portuguesa e seguimos a todo vapor com o restauro e a ampliação do Museu do Ipiranga que será reaberto para a população em setembro de 2022. Sobre a retomada das atividades culturais, continuaremos seguindo todas as exigências, orientações e protocolos preconizados pela Organização Mundial da Saúde e pelo Centro de Contingência da Covid-19 do Governo do Estado de São Paulo. Este ano, tudo que faremos será on-line e, na medida das possibilidades, presencial. Afinal de contas, a pandemia continua aí e precisamos continuar tomando todos os cuidados até que haja a vacinação em massa da população. Mas este ano, a previsão é que todas as nossas atividades, os nossos programas e ações passem a ser híbridos: presenciais e on-line.”, conclui.
Para Zé Renato, produtor cultural que participa dos Fóruns Emergenciais Municipal e Estadual de São Paulo e integrou o grupo de trabalho da sociedade civil para implementação da Lei Aldir Blanc junto à secretaria de cultural da capital paulista, a Lei Aldir Blanc foi importante para que as pessoas tenham algum recurso, mesmo que parco, para sobreviver nestes tempos de pandemia. Ele explana: “Ao mesmo tempo que chegou em pessoas que nunca tiveram oportunidade ou acesso, ainda teve processos de inscrições complexos, mecanismos de comunicação com a sociedade falhos ou inexistentes, e não fosse a organização da sociedade civil no sentido de realizar uma busca ativa e tutoriais de saneamento de dúvidas, o impacto seria ainda menor do que foi. Seria melhor se os governos tivessem ouvido a sociedade civil na criação de inscrições simplificadas, sem burocracia, com ampla divulgação e pontos de apoio para inscrição e atendimento de um número muito maior de contemplados, com valores menores, melhor distribuídos. Tudo isto era possível, mostramos caminhos, e o poder público se negou a ouvir, na maior parte de seus aspectos. Ao mesmo tempo que, cotidianamente, recebemos mensagens de agradecimentos de coletividades que só conseguiram por causa das ações coletivas que a sociedade civil realizou e que terão acesso, neste momento, aos recursos, muitos deles pela primeira vez na vida”, para o produtor, os critérios utilizados para seleção dos projetos foram “frágeis, quando se pensa num auxilio emergencial. Na implementação da lei, na maior parte dos lugares, levou-se para a Lei Emergencial de Auxílio imediato a mesma lógica meritocrática dos editais concorrenciais usados habitualmente pelo poder público. Poderia ser mais simples e ousado, como por exemplo, a partir de um cadastro comprovando atuação na área a pessoa receber um recurso emergencial e ponto. Qualquer coisa além disso, no momento pandêmico, mostra-se concorrencial”, conclui.
Sobre a retomada pós-pandemia, Zé Renato declara: “Acho muito difícil voltarmos a uma possibilidade de atuação regular no ano de 2021, face o recrudescimento da pandemia e a péssima gestão da crise realizada pelo governo brasileiro. Para a sobrevivência do setor cultural ainda dependeremos do uso da verba da lei emergencial, que na maior parte dos lugares foram pagas apenas no final do ano ou estão sendo pagas no começo deste, e da ampliação desse tipo de ação, seja por nova aplicação de recursos do Fundo Nacional de Cultura, na atuação de Estados e Municípios em legislações próprias de auxilio emergencial e outras ações do gênero, pois neste ano não teremos uma atuação regular dos nossos pares”. Sobre os eventos on-line, o produtor opina: “Eu acho que chegaram para ficar, terão seu espaço, mesmo que não prioritário, como aconteceu em 2020. Ainda que tenha sido do ponto de vista estético bastante questionável os resultados, em minha opinião, pois na maioria das vezes apresentou-se coisas adaptadas e não criadas para o modelo on-line, ao longo do ano acabaram aparecendo algumas iniciativas que apontaram para uma “criação para este modo de troca”, com resultados interessantes. Por isso, acho que ainda teremos um caminho a percorrer até entender que tipo de ações podem ser para este modo on-line e o que tem potência para este canal. Acho que será assunto para anos ainda.”, finaliza.
Para os infectologistas e médicos que estão na linha de frente de combate a Covid-19, só existe uma forma de deter esse vírus, que é respeitando o isolamento social. Explicam: “Eventos têm alto potencial de transmissão da Covid-19. Entram na categoria conhecida como “super spreader”, ou supertransmissores. Ao longo da pandemia, cientistas se debruçaram sobre o fenômeno dos indivíduos ou eventos que têm um papel decisivo em espalhar a doença”. Dr. Joaquim Keller, que no passado era B-Boy, explana: “Cada vez que um evento acontece, mesmo com todos os cuidados recomendados, temos uma explosão de novos casos. Precisamos parar agora para prosseguir lá na frente. Acho que alguns organizadores de eventos deveriam pensar sobre suas responsabilidades nisso tudo, pensar em algumas coisas, como melhor que dar uma oportunidade para o próximo pagar as contas é garantir que ele esteja vivo no futuro. Estamos lidando com novas variantes que não conhecemos, mas que sabemos que são mais graves, rápidas e letais entre jovens, não temos mais espaços nos hospitais e nas UTIs, sejam públicos ou privados. Sem falar nos jovens assintomáticos que estão espalhando as variantes! Quando uma pessoa resolve fazer um evento, uma festa ou aglomerar, ela se torna responsável por cada vida ali presente. A pergunta é: queremos ser responsáveis pela morte dos nossos amigos e irmãos? Se o Hip-Hop é vida, porquê estamos caminhando para a morte? Que consciência estamos tendo em relação a esse assunto? As vacinas chegaram, mas ainda temos apenas 3% da população brasileira vacinada! A minha opinião é que reflitam, se cuidem e cuidem do próximo. E permaneçam vivos!”.
Observação: No dia do fechamento dessa matéria, recebemos a informação que os organizadores do Battle In The Cypher, que acontece de 29 de março a 4 de abril, optaram por realizar o evento no formato virtual. A decisão foi de fazer um encontro mais seguro, diante do contexto atual da pandemia pelo coronavírus no Rio Grande do Sul e no Brasil. No Rio de Janeiro, o evento Tropical Battle, que está acontecendo nesse momento, devido ao Decreto 48.573 cancelou os workshops presenciais, a tradicional Cypher no Arpoador e a batalha de iniciantes acontece no domingo, junto com a principal. Apenas competidores poderão estar presentes no local, acompanhantes não poderão entrar e nem público expectador.
Fotos: Arquivo Pessoal / Reprodução
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Mulheres da Cultura Hip-Hop participam da 2ª edição do Empowerment Day, contam suas vivências e refletem sobre alguns temas de empoderamento feminino.
Aconteceu no último dia 3, a gravação de mais uma edição do Empowerment Day, que vai ao ar no próximo dia 8 de março de 2021, no Dia Internacional da Mulher.
Idealizado pela Casa de Cultura Urbana Street House, de São Paulo, o evento que teve início no ano de 2020 e se tornou um marco quando o assunto é empoderamento feminino, esse ano aconteceu de uma forma híbrida devido a pandemia, seguindo os protocolos e as normas de segurança, como parte da semana “Street House Em Ação”, realizada com recursos da Lei Aldir Blanc por meio da Secretaria de Cultura do Município de São Paulo e do Governo Federal e apoio da CBRB – Confederação Brasileira de Breaking e do Breaking World.
As convidadas dessa edição foram:
Rose MC: Faz parte da cultura desde 1985, Rapper desde 1992, professora de Artes, umas das autoras do livro Perifeminas. Rose faz parte do coletivo Hip Hop All Stars e Clássicas do Hip-Hop.
B-Girl Bia: Beatriz Sena atua na cultura Hip-Hop desde 2012, através da conhecida Crew Street Son e do coletivo Multiforme. B-Girl, dançarina, professora de Educação Física, produtora de eventos e modelo publicitário.
Mel Zabunov: Ela veio de São Bernardo do Campo, formada em Teologia e Jornalismo Cultural. Mel Zabunov é uma vigorosa grafiteira. Resgata em seus trabalhos o empoderamento feminino e todas as suas nuances.
DJ Tati Laser: Ela sempre comanda a festa. Como o nome fala, a DJ Tati é super rápida, daí o apelido “laser”. Idealizadora do projeto As Minas Risca, Tati faz parte do coletivo Applebum DJS e da Hotstepper Crew. Ela ensina a arte dos toca-discos para crianças!
Luciana Mazza: Presente na cultura desde 1986, quando viajava do Rio de Janeiro onde morava para acompanhar e participar da efervescência da Cultura Hip-Hop em São Paulo. Ela é editora do Portal Breaking World, jornalista, cineasta, assessora de imprensa e mãe de B-Boy e de B-Girl.
Juntas, essas mulheres incríveis não se calaram, tomaram conta do bate-papo totalmente empoderadas e falaram sobre diversos temas como preconceito, discriminação, assédio, violência, sobre suas referências e sobre o legado que pretendem deixar para as próximas gerações femininas. Provando que o lugar das mulheres, é onde eles quiserem!
A roda de conversa foi mediada pelo jornalista Marcelo Rebello e a filmagem feita pelo fotógrafo e cinegrafista The Sarará. O evento será exibido na próxima segunda-feira a partir das 14h (horário de Brasília) e depois reprisado no Facebook, no Instagram e no canal de YouTube da Casa de Cultura Urbana Street House (@streethousebrasil).
Fotos: The Sarará / Street House
Mel Zabunov
DJ Tati Laser
B-Girl Bia
Rose MC
Luciana Mazza
The Sarará nos bastidores da gravação
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“Esse pessoal novo está vindo com muita ostentação, não é o que aprendemos na Cultura Hip-Hop” (Sara Cipri)
O Hip-Hop é uma ferramenta de modificação de vidas, de construção de trabalho de base e massificação. Não é de hoje que escutamos que o Hip-Hop salva!
Diante da necessidade que o ser humano tem de ser alguém e construir algo, o Hip-Hop com seus elementos pode ser um meio para este fim. Vários processos revolucionários no mundo se deram a partir dessa bandeira de luta.
O Rap é um dos elementos dessa cultura, sendo a voz que não se cala, que resiste atráves do tempo e das gerações.
O Portal Breaking World essa semana conversou com a rapper Sara Cipri, que com apenas 15 anos nos conta que é a nova geração da velha escola, ela acaba de lançar a musica “Recado Para Os Moleques” onde fala sobre a antiga e a nova escola, critica a ostentação e enaltece a verdadeira essência.
Confira a entrevista abaixo:
BW: Quantos anos você tem? Onde você nasceu? Queria que nos contasse um pouco sobre sua vida em família?
Sara: Eu tenho 15 anos, nasci em São Paulo, numa periferia do extremo sul e sou de uma família tradicional e contei sempre com o apoio dos meus pais no que faço e no meu trabalho junto à cultura.
Sara Cipri e o Rapper Thaíde
BW: Seu pai e sua mãe já tinham alguma ligação com a Cultura Hip-Hop ou você foi a primeira da família a se envolver? E como se deu esse interesse? Você tinha algumas referências?
Sara: É uma história bem curiosa, eu estava no centro da cidade com os meus pais, eu deveria ter uns 3 anos e aí eu vi um telão que passava pessoas dançando Breaking e eu nunca tinha visto aquilo e cheguei em casa fiquei com aquilo na cabeça. E eu perguntei ao meu pai o que era aquilo que eu tinha visto no telão. E meu pai me explicou que era uma cultura chamada Hip-Hop, que educava e que inclusive ele tinha vindo dessa cultura e aí, foi ali o meu primeiro contato, ele começou a me passar os conhecimentos desde essa época, quando eu tinha 3 anos e não parou até hoje! Minhas referências a partir dali foram o Nelson Triunfo, o MC Jack, foi realmente o pessoal ali da São Bento, Old School mesmo!
BW: Quando você se apaixonou de fato pelo Rap? Quando e onde você aprendeu a rimar? Você chegou a participar de batalhas de rima?
Sara: Um tempo depois do primeiro contato, eu comecei a participar de um projeto que era para tirar crianças da rua, dando uma oportunidade a eles e nesse projeto tinha todos os elementos e nós fomos nos encaixando onde nós sentíamos mais afinidade e no começo eu fiquei meio perdida pois eu gostava de tudo (risos) mas eu me encontrei foi na rima mesmo e foi algo muito rápido, eu me identifiquei imediatamente. Poder passar mensagens através do Rap para mim não tinha nada melhor! E referente às batalhas dentro desse projeto do Hip-Hop nas quebradas, no bairro de Parelheiros, nós tinhamos as batalhas dentro do projeto, então, tinha campeonatos, mas batalhas fora do projeto eu participei da Batalha do Grajaú, Rap City também, mas eu me identifiquei mesmo em escrever, eu participo de batalhas, mas eu gosto é de escrever.
Sara Cipri e Nelson Triunfo, o “Nelsão”
BW: Você falou que gosta de apresentar a nova geração para a geração mais antiga. Como é isso?
Sara: Na verdade às vezes as pessoas acham que é algo bem complexo, mas na verdade não é. É algo bem simples de entender, eu sou a nova geração da velha escola, então, no caso eu sou a continuação do legado que eles deixaram, eu continuo trilhando os mesmos caminhos que eles passaram, os mesmos ensinamentos, é a mesma coisa só que hoje, então quando eu coloco nas minhas letras ou quando eu vou apresentar o meu trabalho para alguém, eu sempre gosto de falar que eu sou a nova geração da velha escola, porque é um trabalho que não para por aqui e eu estou aqui para continuar! Inclusive uma vez o MC Jack, num comentário, disse algo muito sábio que eu sempre me lembro como um lema: o pessoal novo que está chegando vai tanto atrás, que vai chegar uma hora que vai bater no que é resistência, no que é base, no que é verdadeiramente a Cultura Hip-Hop, que é onde tudo começou!”.
BW: Como você acha que os mais antigos do Rap veem quem está chegando agora?
Sara: Olha, no meu caso eu sempre fui bem recebida. Tenho uma grande afinidade com o Nelson Triunfo, entre outros diversos que foram pioneiros no Rap. Então, eu acho que eles apoiam.
Sara Cipri vai abrindo caminhos e escrevendo sua história no Rap
BW: É difícil nos dias de hoje conquistar o próprio espaço? Ter o próprio estilo? Fale sobre suas composições?
Sara: Sim, é bem complicado fazer um nome e adquirir um reconhecimento! Mas são lutas que valem a pena, porque lá na frente vem um resultado incrível e sobre as minhas composições, geralmente eu gosto de passar uma mensagem, principalmente para os jovens, porque muitos passam por situações que não sabem lidar e o Rap ajuda as pessoas passarem pelos problemas, passa mensagem de paz, de tranquilidade e além disso o Rap educa, ele mostra uma saída quando parece que não existe. E aí aparece o Rap como uma chama acesa, mostrando que ainda resta uma saída. Então, nas minhas músicas, minhas composições, eu tento passar isso para as pessoas.
BW: O fato de ser mulher já te criou alguma situação delicada dentro do Rap? Como você vê as mulheres dentro da cena?
Sara: Realmente, as mulheres no passado tiveram várias barreiras para hoje podermos conquistar o nosso espaço. Mas hoje as mulheres estão cada vez mais se igualando aos homens e no Rap também não é diferente, eu acho que em todo esse tempo estamos bem representadas. Eu tenho como referência, por exemplo, a Negra Li, a Cris da CNJ, entre outras diversas que podemos olhar e tomar como espelho, eu nunca passei por nenhum tipo de preconceito, eu acho que hoje o negócio está mais tranquilo para dividir o mesmo espaço com os homens.
Além de cantar, a MC também participa de batalhas de rimas
BW: O que é para você ser da resistência? Ao que você resiste?
Sara: Bom, quando eu falo que eu sou a resistência, o que eu quero dizer é a resistência de defender uma ideologia mesmo mantendo a essência do Rap. Pois quando ele surgiu na década de 80, ele veio com a intenção de mostrar uma saida. Essa molecadinha nova que está entrando na cena estão tentando mudar as coisas, vindo com um linguajar diferente, então, a minha resistência é para manter as raízes do Rap e de toda a cultura viva, que continue educando e salvando vidas!
BW: Sara, verdade que você ensina crianças da comunidade? Nos fale desse trabalho que você realiza?
Sara: Sim, eu tenho um trabalho em Parelheiros na comunidade, onde eu moro e temos duas salas, uma em cada associação, são duas associações e uma creche e trabalhamos com crianças que foram abandonadas na rua, que não tinham um rumo e muitas dessas crianças enfrentam dificuldades dentro de casa com os pais, alguns os pais são separados, existem diversos cenários que acompanhamos e nosso foco é mante-los no caminho certo, estudando e resgatando todos eles.
Em Parelheiros com as crianças dos projetos sociais
BW: Você é meio que uma referência para eles?
Sara: Sim e eu fico muito feliz de poder servir de espelho para eles e sempre eu os incentivo a estudar, a se dedicarem buscando um futuro melhor. O projeto sempre vai além da sala de aula! O Rap e o Hip-Hop é isso!
BW: Você é um novo talento diante de muitos outros que já estão na estrada tem muito tempo! Você é uma menina, tem 15 anos, quais são seus planos para o futuro?
Sara: O que eu planejo é seguir carreira aprimorando as minhas letras, estar evoluindo a cada dia e também da mesma forma o projeto que ele venha a subir mais e conquistar mais coisas. O meu objetivo é aprimorar o que já tenho e o que existe!
BW: O que você tem feito nesse tempo de pandemia? Como tem se cuidado?
Sara: No momento, demos uma pausa no projeto por conta da pandemia estamos cumprindo a quarentena, evitando ao máximo sair de casa e os meus trabalhos estão sendo mais pelas redes sociais. Aproveito aqui em primeira mão para dizer que estou lançando nas plataformas digitais uma nova música, que fala exatamente sobre a nova geração para mostrar para eles o que realmente é a essência da Cultura Hip-hop. Esse pessoal novo está vindo com muita ostentação, não é o que aprendemos na Cultura Hip-Hop, vêm até com coisas que atingem as mulheres e o Rap relata a verdade da periferia, é uma coisa que toda a família pode ouvir e a minha música foi feita exatamente para essas pessoas, para eles acordarem, porque na verdade tudo isso não nos representa, o nome da musica é “Recado pros Mulekes”
No Troféu Arte em Movimento, o reconhecimento e a felicidade pela indicação
BW: Recentemente você foi premiada no Troféu Arte em Movimento. Comente?
Sara: Eu fiquei muito feliz pela indicação, por poder participar daquela premiação, foi algo incrivel aquilo, foi a materialização do nosso reconhecimento, de cada uma ali, eu com os meus 10 anos de carreira alcançando objetivos e todos ali sendo reconhecidos.
BW: Para finalizar, o que significa o Hip-Hop na sua vida? Deixe uma mensagem para os nossos leitores.
Sara: Eu nem tenho palavras, o Hip-Hop, para descrever, tamanha a grandeza que ele tem na minha vida, Hip-Hop é o ar que eu respiro, tudo que eu olho ao meu redor tem Hip-Hop e tudo que eu sei e sou veio através do Hip-Hop, eu sou muito grata a toda essa cultura incrível que eu nem sei o que seria de mim sem essa cultura e para os jovens, os leitores do portal, eu digo para não desistirem dos seus sonhos, dos seus objetivos e para perseverarem, continuarem lutando, aprendendo, estudando, porque uma hora o reconhecimento chega e vou estar lá aplaudindo você!
Fotos: Arquivo Pessoal / Nós no Rolê (Mõnica Senna)
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Esta semana comemoramos o “Dia do Rap Nacional”, graças à Lei 13.201/2008, o Portal Breaking World, comemora esse dia apresentando uma entrevista lendária feita por nossa editora com o MC e letrista W-Yo, do grupo “RPW”, em 2009.
Sem dúvida, o Rap brasileiro é um divisor de águas, seja pelas inovações musicais ou pela capacidade de dar voz às pessoas, mostrando sua visão de mundo sobre a realidade e se fazendo visível e atuante numa sociedade que insiste em negá-la e renegá-la ao silêncio.
O grupo “RPW” cumpriu sua missão e deixou um legado para a nova geração. Obrigada Rubia, DJ Paul e W-Yo pelo trabalho de vocês. Vamos em frente, viva o Rap Nacional!
Leia a matéria:
BW – O grupo “RPW” foi criado em 1991, correto? O que faziam antes da união? Já eram amigos? Conte um pouco da história de vocês. E quando tiveram o primeiro contato com a música?
W-Yo – Nascido e criado em “Sampa” mesmo, aos 13 anos já tocava bateria em uma banda de Thrash Metal, aliás, conheci a Black Music pelo Rock (B.B. King, Louis Armstrong, Chuck Berry e outros). Aos 15 anos, na extinta casa “Toco” (Zona Leste de São Paulo), um dia, ouvi e vi o vídeo clipe traduzido do “Public Enemy – Fight the Power”, foi o que precisava. Voltei pra vila lembrando o nome do grupo, depois, conheci “Racionais MC’s” (Holocausto Urbano) e disse: É isso que quero fazer! Já tinha o dom da rima e comecei a aprimorá-la enquanto saía para pichar, de 1987 a 1992, com meus amigos, fazia Raps com os nomes dos pichadores da época. Montei meu primeiro grupo, “Crime Perfeito” e comecei a me apresentar aqui no lado oeste, aí o produtor Fabio Macari me apresentou para a Rubia e comecei a dançar para ela, logo depois, como escrevia também, ela me deixou fazer alguns backings, até adquirir independência no grupo.
Rúbia, DJ Paul e W-Yo: “RPW” está na área!
BW – De quem foi a ideia de formar um grupo de Rap? Como era rimar nos anos 90? Tinha alguma diferença do que é feito hoje?
W-Yo – Sem dúvidas, o nosso primeiro hit (“Pule ou Empurre”), montamos junto com o Fabio Macari no meio da sala da minha mãe, deck de rolo, loops emendados com esmalte, quando com muita conversa o DJ Armando Martins (“Projeto Rap Brasil – Metrô FM”), começou a tocá-la. Lembro que íamos todos, cada um de um orelhão (de ficha… risos) ligar pra pedir a música, inventávamos nomes e bairros diferentes para que o som rolasse com frequência (risos e um gole na cerveja).
BW – Houve influências no trabalho de vocês? De quem ou de que grupos? O que vocês escutavam?
W-Yo – (Um gole) Sem dúvidas, RPW é original e criou o estilo “Bate-Cabeça” no Brasil pela diversidade de influências, cada um dos três veio e curtia uma época, então somamos tudo, minha contribuição veio com o Rock, Hardcore, Rap e Crossover. Como vivi a época Skate Punk no final dos anos 80, trouxe e incluí muitas influências de sons que curti e curto até hoje.
BW – No seu caso é verdade que foi pichador no passado? Que lembranças tem dessa época? Porque escolheu a sigla M.O.R.T. na época e como foi a mudança para W-Yo?
W-Yo – Legal! (risos) Então, na verdade comecei com esse vandalismo em meados de 1985/86, com canetão nos bancos de ônibus trabalhando como office-boy, depois, “evoluí” quando um amigo do colegial me levou para o “point”, na época era o Mc Donald’s do Borba Gato, lá comecei a sair para pichar com spray e me “profissionalizei” (risos). A sigla era uma música da minha banda “Madness Of Riot Testy” (cantávamos em inglês), tenho mais lembranças boas do que ruins, amigos até hoje, já com filhos e filhas como eu, na rua e madrugada aprendi muito as regras do jogo e a nota triste foi ir pra “Febem” e minha mãe me ver naqueles trajes, foi foda, jamais esquecerei. Daí, quando o W-Yo surgiu, comecei a conciliar as duas “pessoas”, sempre agradeci os pichadores, que são uma fatia grande do nosso público até hoje e tem muito pichador que me conhece mas não sabe que eu sou o W e muito rapper que pica e não sabe que eu era o M.O.R.T. (risos).
O grupo “RPW” sempre teve um grande público de praticantes do Skate
BW – O grupo teve importantes participações em grandes shows. Pode falar dessa época, dos principais eventos e baladas?
W-Yo – Poxa… (um gole)… Graças a Deus foram vários eventos e grandes shows, lembro de alguns: ser o primeiro grupo de Rap paulista a cantar no extinto “Olympia”, na abertura para o “Cypress Hill” na primeira vez que eles vieram para o Brasil, junto com o “Planet Hemp”. Ganhar o prêmio “DJ Sound Award’s 95” na categoria de melhor grupo de Rap nacional, onde uma atriz global (não lembro o nome… risos…) nos entregou o prêmio e nos divertimos muito nessa noite no “Tom Brasil”. O festival no campo de marte, “300 anos de Zumbi” com vários outros grupos. O clássico evento no extinto palco do Vale do Anhangabaú, onde caiu “mó chuva” quase no final. Participar da primeira edição do “GAS Festival” no palco Skate junto com a banda “Strike”. Cantar no “Mundial Brasileiro de Skate” no Ginásio do Ibirapuera, e assim vai…
BW – Vocês criaram o “Estilo Bate-Cabeça” no Rap Nacional, como foi isso? Explique esse estilo para quem não conhece. Receberam muitas críticas na época?
W-Yo – Sim, nós o criamos aqui no Brasil, isso foi devido a influência do grupo americano “Onyx”. Como já vim do Thrash Metal, acostumado com o fluxo entre público e artista, quando no Rap vi que na maioria das vezes, o que o MC falava, o público só confirmava, mas sem muito entusiasmo, daí pensei: Porque não fazer isso no Rap também?!? Aí quando vi o clipe da música “Slam” (“Onyx”), falei: é isso aí! Escrevi a letra de “Pule ou Empurre” no ônibus e cheguei no ensaio com base e tudo… risos… Apresentei pra Rubia e o Paul, no começo eles torceram o nariz, mas aí foram vendo que era o começo de uma nova tendência, aí começamos a fazê-la nos shows e a receptividade começou a fluir como eu queria, isso antes de gravá-la, em cima de base gringa mesmo. Demos o nome de “Bate-Cabeça” (todos pulando e se batendo no bom sentindo, mais com consciência, sem fazer disso uma briga) e a principal ideia é justamente fazer esse “funnyfluxo” divertido entre artista e público, dando chance a todos de curtirem o show, como se sentir bem. No começo houve várias críticas de resistência como: “Isso não faz parte do Hip-Hop”, “isso é só modinha, vai passar”, “o Rap não é brincadeira” e assim foi. Precisamos em uma época fazer um show com Thaíde e GOG no antigo “Santana Samba”, para apaziguar os bate-cabeças e os breakers, pois quando abria a roda, uns queriam moinho de vento e outros pular (risos). Na maioria dos shows também, tínhamos que pedir para quem fosse curtir, tomar cuidado com quem queria ficar de boa nos cantos para não dar briga, parecia manual de instrução (risos).
BW – Fale sobre a discografia do grupo, das músicas de trabalho e das participações especiais. Qual a música do “RPW” que foi mais conhecida e difundida nas rádios?
W-Yo – Orra! (dois goles grandes) Essa foi pesada heim!? (risos). “Coletânea Mov. Hip-Hop” (1992), “Pule Ou Empurre 12” (1993), “RPW… Está Na Área” (1996), “RPW Ao Vivo” (1996), “A Luta Continua, O Real Bate Cabeça” (2000) e “Talento Não Morre, Recicla” (2006). Essa é a discografia original, fora inúmeras outras coletâneas, muitos hits cravados desses álbuns e participações nas produções, como nas músicas, somam nomes de peso como: “Branco”, “Ugly C.I.”, banda “Ambulância”, banda “Calibre 12”, “DJ KLJay”, “Nill”, banda “Maguerbs”, “Thunder (ex P9)”, “DJ Cia”, “CCO” e algumas outras.
Reprodução da capa do CD “RPW… Está na Área!”, um clássico do Rap Nacional
BW – Como ficou a formação do grupo depois da saída do DJ Paul? Como foi a adaptação e aceitação do público?
W-Yo – Certo, na verdade eu e a Rubia optamos por duas formações do “RPW”, a primeira forma mecânica clássica, somando nós dois e um DJ contratado. Outra é com banda nos lugares e festivais que deem estrutura para isso, achamos interessante porque o “RPW” sempre tocou em festivais e campeonatos de Skate com outras bandas e as vezes a potência do som mecânico não chegava igual acústica e agora é de igual pra igual, essa formação de peso é: Oscar Cake na bateria (banda “Calibre 12”), Ricardo Q-Pam e Tobéx, respectivamente, guitarra e baixo (banda “DeCore”). Quanto ao público, num show de estreia dessa formação na casa Hangar 110 em São Paulo, curtiram e aprovaram, pois, sempre fizemos crossovers com bandas e usamos samples sujos com guitarras.
BW – Em uma entrevista, você falou sobre “A perda do respeito da hierarquia da história pelos jovens que estão começando”. Declarou: “Isso pode prejudicá-los no futuro e pôr em vão toda a correria que foi feita por nós lá atrás. Quem está chegando agora precisa de referências, o que não está acontecendo”. Acha que esse problema ainda ocorre? Como vê o Rap que é feito hoje? O que considera bom e ruim?
W-Yo – Sem dúvidas (gole), isso ainda ocorre, pois com a facilidade que a tecnologia moderna dá às pessoas que querem fazer Rap, a maioria faz um trabalho mal elaborado e sem qualidade, na ansiedade de ter “algo gravado” e também faz o jogo da gravadora monopolizadora (105FM) a “Telefônica do Rap”, vendendo às vezes até carro ou algo assim para tocar por um mês e nisso sem perceber, cai nos braços dos mercenários, não se importando com a base sólida da história, hoje o Rap está definhado, perdido. O que era o termômetro hoje não é mais nada, os interiores paulistas e outros estados um dia debochados por muitos, crescem (como nunca pararam) e mostra à nave mãe como se pode trabalhar de uma forma humilde e sem demagogia. Bom? A internet hoje conecta Rappers do mundo todo para fazer música e eu sou prova disso, com parcerias com China, Hungria, República Dominicana, Espanha e Alemanha. Ruim? A nova rapaziada chegar agora, sem referência nacional como nós dos anos 90 temos e com isso não conseguiram dar sequência na corrida, o bastão foi passado mas caiu no chão, tocar na rádio não é ser artista (lembro do Facção: “Artistas de um mundo que não existe…”). Enfim, o Rap em São Paulo está um lixo!
BW – No passado, “Urbania” era um lugar para fazer música e rever os amigos? Comente.
W-Yo – Nossa! (outro bom gole) “Muiiiiiiiiiiiito bom” sempre falar do “Urbania”, uma casa diferenciada dos anos 90 em SP, destinada a molecada Skatista, que curtiam um bom som alternativo e queriam extravasar no fim de tarde de domingo. Foi lá que nos apresentamos a primeira vez para Skatistas de verdade, antes de gravar a “Pule Ou Empurre”, lá criamos nossa personalidade musical e nosso público direto, o alternativo. E gravando o primeiro disco (“Pule Ou Empurre”), não pensamos duas vezes no local de lançamento, a Alva Footwear e a Dekton Skates, que nos patrocinavam na época, garantiram os cem primeiros fãs a entrar de graça no pico e podendo ainda fazer uma sessão no mini ramp ao lado do palco, foi uma tarde frenética e hoje temos contato direto com esse mesmo público nos campeonatos de Skate de todos segmentos, festas de marcas, lançamentos de DVD’s, revistas do gênero e inaugurações de pistas de skate.
Entre um gole e outro, W-Yo falou sobre o cenário do Rap na época do “RPW”
BW – Como você vê o movimento Hip-Hop? Acha que no caso do Rap ainda existe muito a se conquistar?
W-Yo – No caso do Brasil, sempre teremos muito a conquistar, estamos avançados até, mas o ego e o orgulho nos impede e muito de sermos muito mais fortes, nem temos noção disso.
BW – Fale sobre os clipes do grupo. Onde foram feitos e transmitidos.
W-Yo – O primeiro clipe oficial do grupo é a música “Pule Ou Empurre”, de 93, aí saíram também o “RPW Está na área”, para um programa esportivo de canal fechado e muitos outros independentes disponíveis no canal YouTube.
BW – Sobre um dos trabalhos de vocês, o que quiseram dizer com “Talento não morre, recicla”?
W-Yo – O título surgiu de uma conversa entre o grupo, e falávamos sobre a necessidade de se reciclar e renovar. Daí surgiu a frase e casou perfeitamente com o que queríamos transmitir ao nosso público. Que o talento é eterno e se renova. As participações foram do “Branco”, que somos fãs de carteirinha, na música “Estilo de Vida” e as produções dos DJ’s Cia e KLJay. Foi muito divertido e legal a gravação desse último álbum, pois tivemos experiências com produtores que nunca tínhamos trabalhado antes, estilos diferentes e amigos de longa data.
BW – Em todos esses anos, o que gostariam de esquecer para sempre?
W-Yo – Esquecer… hummm… Acredito que o estresse interno do grupo que tivemos no show de lançamento do disco “Sobrevivendo No Inferno” do “Racionais”, no “Ginásio do Corinthians”, onde o cronograma foi alterado de última hora e deixando o penúltimo bloco que eram “RPW”, “Doctor MC’s”, “Consciência Humana” e “GOG”, se não me engano, para último bloco após os shows de “Thaíde” e “Racionais”. Isso foi foda, tocar para umas 100 fiéis pessoas das 5.000 que estavam no local, com luz acesa e rapaziada desligando os cabos, afetou nosso psicológico e quase acabamos o grupo. Mas ainda bem que fomos fortes.
BW – Deixe um salve para os nossos leitores!
W-Yo – Quero agradecer ao nosso público fiel que sempre nos acompanhou, minha eterna gratidão! E pedir pras guerreiras e guerreiros do Hip-Hop que não abandonem a causa e nem deixem a cultura se perder. O futuro está nas mãos de vocês, eu em breve me aposento! Abraços! A toda equipe do portal pelo convite e atenção, importante esse trabalho continuar com personalidades da velha escola, assim os novos conseguem saber um pouco mais da história que foi feita e quem levou tapa na cara por eles, não peço amém, mais sim um pouco de respeito! A todos Skatistas, Pichadores, Grafiteiros, Tatuadores, Punks, Heavys, Darks, Surfistas, enfim, todos que direta ou indiretamente apoiam “RPW”. Aos fãs que a internet nos apresentou no mundo, como na Alemanha, Japão, China, Espanha, Hungria, Argentina, Austrália e Portugal… Qualquer dia estaremos por esses lados, U.B.C. até o fim… Abraços, beijos, muito sexo, cerveja, Skate, Rap e Hardcore, sempre!
Em 2017, depois de 25 anos de trabalho, o lendário grupo de “Bate-Cabeça” anunciou em sua “fanpage” o fim dos trabalhos, escreveram: “RPW é esse ciclo, que hoje se encerra, após 25 anos de trabalho em conjunto, companheirismo e muita vontade de mudar a vida das pessoas através da música. Se alcançamos o objetivo, não sabemos, mas com certeza a vida de Rubia, DJ Paul e W-Yo se transformaram graças a esse intenso e belo ciclo chamado RPW. E cada um levará a bagagem adquirida para seus projetos individuais daqui pra frente, sempre com muito respeito aos fãs e principalmente ao Hip-Hop, essa grande mãe que salvou e salva vidas pela arte e militância”.
Na semana do “Dia do Rap”, no ano de 2020, é uma honra para o Portal Breaking World republicar essa matéria feita por nossa editora, que na época era só uma repórter! Salve W-Yo e “RPW” pela oportunidade e vida longa ao Rap Nacional!
Fotos: Cristina Sininho Sá/Reprodução
"RPW" viajou por todo o país
W-Yo
W-Yo e Rubia
Rubia, W-Yo e DJ Paul
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Você já ouviu falar em assédio no Breaking? Provavelmente não, afinal, não falamos sobre esse e outros importantes temas relacionados a violências no Breaking.
Mas sim, eles existem e estão presentes nos eventos, nos treinos, na internet e em todo lugar.
Tudo começou após a publicação da renomada B-Girl alemã Jilou [na foto em destaque] publicar um desabafo em seu blog sobre os assédios sofridos ao longo de todos os anos na dança e afirmar: “Eu sei que não sou a única a passar por isso”.
A “Rede Bgirls do Brasil”, que hoje conta com mais de 150 mulheres de todo o país, discutiu o tema e descobriu por meio de trocas de experiências e de uma pesquisa realizada em junho de 2020 pela B-Girl do Rio de Janeiro Amanda Baroni, que a maioria delas já sofreu algum tipo de assédio no Breaking e, boa parte, não soube identificar no momento ocorrido e quando perceberam o ato, não souberam o que fazer. No total, 47 B-Girls de diversos estados do Brasil foram escutadas.
Com base nessas informações, ficou clara a necessidade urgente de criar um material de conscientização e orientação sobre o assédio. Surgiu então o “Guia Antiassédio no Breaking”, um manual didático, de fácil leitura, prático e compacto.
“Esse guia chegou num melhor momento, após décadas de violência na cena do Breaking, nós Mulheres, LGBTQI+ e outras pessoas, podem identificar as violências que sofreram e buscar ajuda e recursos para não silenciar a Cultura da Violência” – comenta Lucilene Santos (B-Girl Lu Afrobreak – arte educadora, pesquisadora e produtora cultural), ao se sentir contemplada, já que o estudo e todo o conteúdo foram dirigidos para todos.
B-Girl Lu Afrobreak
Em menos de uma semana da publicação do material, a repercussão foi muito além do esperado, graças às redes sociais e a união de B-Girls e B-Boys, que reconhecem a importância do tema e a necessidade de compartilhamento desse conteúdo.
Infeliz coincidência, na mesma semana da publicação, um membro de um importante grupo de Rap brasileiro foi acusado de assédio a uma menor de idade em São Paulo, o que trouxe o tema à tona, criando interesse de outros elementos do Hip-Hop em utilizar o guia para consulta.
No guia, além de esclarecimentos sobre todos os principais tipos de assédios, é possível encontrar informações para os B-Boys e público em geral sobre como evitar o assédio, para produtores culturais sobre o que podem fazer para colaborar para gerar uma mudança significativa e onde procurar ajuda, com links de instituições responsáveis de acolhimento em todo o território nacional.
“Nunca paramos para entender o porquê muitas meninas param de dançar, agora sabemos um dos motivos, um dos principais, na verdade” – comenta Amanda Baroni e ainda acrescenta: “A maior parte do assédio é reproduzida pelos B-Boys, mas é importante que as B-Girls saibam o que fazer e os B-Boys, por sua vez, entendam que são parte da solução para reverter esse quadro no Breaking”.
O coletivo prevê uma série de ações de conscientização e, inclusive, a tradução do guia em outros idiomas para compartilhamento em todo o mundo.
Fotos: Sueliton Lima, Reprodução (Imagem em Destaque)