Falta pouco! Campeonato Mundial de Breaking virtual chega aos últimos dias para inscrições no Brasil
De modo online, o Red Bull BC One E-Battle recebe inscrições para batalhas virtuais até esta sexta-feira (14)
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“Nenhuma mulher ficará calada enquanto houver outras violentadas”.
Na última semana, na quinta-feira (22), uma denúncia sacudiu o mundo do Hip-Hop brasileiro: uma matéria na Record denunciava cenas explícitas de abusos cometidos por Francisco, mais conhecido como MC Fran, rapper de 46 anos, que até então era integrante do conhecido grupo Tribunal MC’s, formado em 1989, na Zona Leste da cidade de São Paulo. Fran mantinha um relacionamento escondido de 5 anos com a irmã da vítima e morava muito próximo da mãe e o outro irmão, o que teria facilitado os crimes. Os primeiros ataques teriam ocorrido durante uma viagem à praia e, depois, ele abusou da cunhada enquanto a sogra estava isolada por Covid.
O crime só foi descoberto após a jovem de 14 anos contar para a mãe os abusos que vinha sofrendo cometidos pelo rapper e, depois disso, a mulher instalou uma câmera de segurança no quarto da filha. O equipamento flagrou o momento em que o agressor toca na menina e a obriga sentar no seu colo, depois de alguns minutos é possível ver a menina chorando.

Muitas provas constataram os fatos, como mensagens de WhatsApp onde Fran declarava estar apaixonado pela menina e disposto a largar sua mulher e ficar com a jovem, pressionando ela se entregar a ele.
Fran foi preso em São Paulo por 15 dias e depois foi libertado.
Crimes como esses acontecem todos os dias, a cada hora, no Brasil. O caso do rapper está longe de ser um caso isolado. São mais de 536 casos por hora no Brasil e quase a mesma proporção de mulheres que dizem ter sido vítimas de algum tipo de violência sexual. Todos esses dados remetem à violência doméstica: 76,4% das mulheres conheciam o autor da violência, a maior parte aconteceu dentro de casa.

Nos últimos 12 meses, 1,6 milhão de mulheres foram violentadas no Brasil, enquanto 22 milhões (37,1%) de brasileiras passaram por algum tipo de assédio sexual. Entre os casos de violência, 42% ocorreram no ambiente doméstico. Após sofrer uma violência, mais da metade das mulheres (52%) não denunciou o agressor ou procurou ajuda.
Os dados são de um levantamento do Datafolha, feito em fevereiro, encomendada pela ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), para avaliar o impacto da violência contra as mulheres no Brasil.
Com a pandemia e a determinação de medidas restritivas a situação agravou, mulheres e crianças ficaram mais vulneráveis. Com o fechamento das portas de instituições de ensino há mais de um ano, crianças e adolescentes ficaram longe de agentes fundamentais de sua rede de apoio, como educadores e colegas, o que tornou mais difícil a denúncia de abusos sexuais. O isolamento social aproximou ainda mais as mulheres de companheiros agressores. O índice de violência doméstica disparou em 2020, bem como o de feminicídios, que aumentaram cerca de 2% já no primeiro semestre do ano. Além dos assassinatos de mulheres por motivações de gênero, há outro tipo de feminicídio, paulatino, indireto e silencioso. Pesquisas mostram que grande parcela das vítimas de violência doméstica desenvolve problemas psicológicos e emocionais, como depressão e ansiedade, levando, por exemplo, ao suicídio.

A violência doméstica também é a principal causa de quadros depressivos e de suicídio entre as mulheres, conforme o Boletim Epidemiológico de Tentativas e Óbitos por Suicídio no Brasil. Outra pesquisa mostra que a violência doméstica e o estupro são a sexta causa de morte em mulheres de 15 a 44 anos. Conforme os dados levantados, as mulheres negras constituem um subgrupo muito mais discriminado, sendo o principal alvo da violência. Segundo levantamento feito pelo G1 recentemente, 75% das mulheres assassinadas no Brasil, no primeiro semestre de 2020, eram negras. Outra aferição, feita pela Rede de Observatórios da Saúde, mostrou que as mulheres negras sofreram 73% dos casos de violência sexual no Brasil em 2017. Tudo isso revela as várias faces e nuances do machismo e do racismo, principalmente quando caminham juntos.
De acordo com o MMFDH (Ministério da Mulher, Família e dos Direitos Humanos), no início da pandemia da Covid-19, em março de 2020, quando ainda não haviam sido decretadas medidas rígidas, houve aumento de 45% de abusos sexuais contra crianças e adolescentes no Brasil em relação a 2019, quando 11.241 denúncias foram registradas pelo governo federal. No ano passado, o total subiu para 20.771.

Segundo dados da 4ª Delegacia de Polícia de Repressão à Pedofilia, de São Paulo, que possui uma DHPP (Divisão de Proteção à Pessoa), em 2020, os casos registrados aumentaram 56,8% em relação a 2019.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) relatou que “Um dos motivos da alta durante o isolamento social é a convivência do agressor no mesmo espaço em que a vítima, por mais tempo. Em sua maioria, os agressores são homens próximos, como parentes e vizinhos. ”
Durante a pandemia, a forma de denúncia mais recorrente tem sido por meio de familiares em que o menor confia ou pela percepção da mudança de comportamento da vítima, como foi o caso da menina de 14 anos assedia pelo MC Fran.
O caso recente causou total indignação dentro e fora da Cultura Hip-Hop e muitas pessoas se manifestaram nas redes sociais, como por exemplo, as pioneiras do Rap Nacional Rubia, Rose MC e Sharylaine, juntas elas comandam as Clássicas do Hip-Hop e diante da situação fizeram uma live especial para falar sobre o assunto. Criaram um manifesto contra a violência e o assédio às crianças e mulheres. Rubia abre a live falando que as pessoas não podem fazer de conta que situações como a do MC Fran não estão acontecendo. Ela lembra que está nessa luta junto às mulheres faz tempo. São dela as palavras: “As mulheres estão denunciando há três décadas o que alguns homens falam nos vídeos e acham da hora. Os homens que estão se manifestando ao nosso favor, são aqueles que ouviram as mulheres do Hip-Hop no passado, é preciso dar um passo adiante! Tem um ditado alemão que diz: “Se tem uma mesa com 10 pessoas, chega um nazista senta nessa mesa e nenhuma das pessoas se levanta, nós temos 11 nazistas sentados à mesa”. Então, se você vai fazer uma música, um graffiti, ou uma dança, vai discotecar junto com um assediador, com um estuprador, com um agressor de mulheres, se você compactua, chama ele para trabalhar junto, então você também é um agressor!”.

Sharylaine concorda com Rubia e continua dizendo: “Faz quase 30 anos que as mulheres da Cultura Hip-Hop vêm se movimentando contra o machismo, contra a violência sexual, contra o assédio dentro de uma cultura libertária, de luta, mas chegou num ponto que estamos no limite, hoje temos toda a tecnologia que nos aproxima, então, agora nada vai passar batido”. Ela afirma: “As ruas estão de olho. Se você é da Cultura Hip-Hop, você tem um compromisso social. Essa cultura não se levantou apenas com os homens, ela se levantou com homens e mulheres e isso tem que ser respeitado. Mulitas mulheres de todos os elementos sofreram e sofrem assédio, estupro, violência. E aí rapaziada? Vocês vão continuar assistindo e achando bonitinho? Passando pano para os manos? A cultura salva, mas vocês estão matando as mulheres! Que caminhos vamos seguir? Alguns homens se pronunciaram, muito bacana! Mas qual será a ação de fato? Precisamos de ação! Que vocês se reúnam, que discutam tudo que vem acontecendo, pois é recorrente. Não podemos admitir mais nem dentro e nem fora da cultura!”. Rose MC acrescenta: “Houve em todos esses anos mudanças, conseguimos que alguns grupos mudassem letras, que parassem de cantar algumas músicas ofensivas às mulheres, mas nesse momento precisamos de uma mudança bem maior, que é a de comportamento. Existe uma legislação, então, não podemos deixar continuar acontecendo estupro de vulneráveis, mulheres e menores”. Rose deixa um recado: “Preste atenção nos jovens dentro da sua casa, observem os sinais que esses meninos e meninas dão que algo está errado, é importante abrir os olhos e denunciar esses casos!”, conclui.

O assédio é uma realidade e está espalhado por toda a sociedade! Não existe um lugar especifico para acontecer. Pode ser no transporte, no trabalho, em casa, nos eventos, no esporte, nas salas de aula, nas competições, nos treinos. Recentemente, no Breaking, um caso veio a conhecimento público relatado pela própria vítima, estamos falando da B-Girl Jillou. Num desabafo, ela escreveu em suas redes sociais: “Caros homens, em primeiro lugar, estou falando da minha perspectiva e não para mais ninguém! Algumas coisas para começar: pare de agir surpreso como se tudo isso não estivesse acontecendo. Ouça as mulheres! Como mulher, não acho que seja minha responsabilidade educar os homens sobre o comportamento deles, mas se acham que é difícil encontrar informações, irei compartilhar o que sei e ver quantos homens compartilham essas informações com seus irmãos e se dispõem a ter conversas desconfortáveis. Porque essa é a parte mais importante: converse com seu irmão, converse sobre suas experiências e fale o que você acha certo e o que você acha que é errado. Se você acha que seu irmão está fazendo algo que não está certo ou que talvez esteja perto de cruzar os limites, converse com ele. Conversas desconfortáveis são o que mais precisamos agora. Sentem-se juntos e questionem tudo o que sabem. Tenho de estar constantemente atento ao que escrevo, visto ou como me movo. Não consigo me alongar na prática sem pensar em qual direção minha bunda está voltada. Certa vez, eu estava esperando meu táxi na estação de trem e um grupo de três homens se aproximou de mim. Eles me perguntaram “Como você está?” E eu simplesmente iria embora. Como eles continuaram me seguindo, liguei para um amigo para não me sentir sozinha. Mas essas situações no meio da noite são altamente desconfortáveis e me deixam insegura. Ocorreu mais de uma vez que já disquei 110 (911) no meu celular e segurei o dedo no botão, pronto para ligar. Ouvi uma ótima frase da minha amiga Viola (com quem tenho muitas conversas desagradáveis) “Temos praticado ignorar à perfeição” e não poderia ser mais verdade. Assobios, homens olhando… me sinto objetificada diariamente. Levando todas essas experiências em consideração, eu esperaria que todo homem respeitasse nossa situação na cena do Hip-Hop. Sim, todos nós compartilhamos amor, paz e unidade, mas no final, é uma sala onde o gênero historicamente dominante é a maioria. O domínio histórico! Ah, como adoro quando falam “mas as mulheres também podem estuprar” ou “algumas mulheres pedem isso”. Em primeiro lugar, vamos atirar em alguns números (os EUA, por exemplo): 1 em cada 5 mulheres e 1 em 71 homens são vítimas de estupro na vida. 91% das vítimas de estupro são mulheres. Podemos, por favor, dar uma olhada na luta que as mulheres travaram nos últimos séculos? Se você não cresceu em um exército de mulheres guerreiras das amazonas, então você experimentou o mundo exatamente como eu. Assisti a filmes em que as mulheres mal tinham papéis principais e, se sim, tínhamos que ser salvos pelo herói masculino. E se você quiser saber mais sobre representação feminina, então pesquise o teste de Bechdel, a maioria dos meus filmes favoritos falham aqui. Ainda devo me vestir ou me mover de uma certa maneira para não atrair a atenção de um homem da maneira errada. Então, aqui está a minha pergunta: Por quê ensinamos as mulheres a evitar a violência sexual em vez dos homens a não praticá-la? As desculpas, as distrações: sinto muito, mas…. Sejamos realistas: o que eu li on-line não muda nada para aqueles que sofreram com as ações. Você culpa seus traumas ou circunstâncias em vez de se concentrar em suas próprias ações. Os opressores precisam entender que não podem se desculpar por si mesmos. Eu não me importo se você sofre de depressão, esteve “em um lugar muito escuro”, esteve sob a influência de álcool, se você não se lembrava como eu, suas ações são de sua responsabilidade. O bem supera o mal? Nada supera o mal, contanto que você não tenha admitido ainda e trabalhado consigo mesmo e com seu pessoal. Portanto, por mais que possamos respeitá-lo pelo seu trabalho, o respeito como pessoa deve ser conquistado novamente. A resposta a essa pergunta parece tão óbvia para mim, que eu nem quero perder meu tempo respondendo. Mas, conforme leio as últimas declarações, não parece tão óbvio para os outros. Um pedido de desculpas deve ser sincero e precisamos ver se você não está falando sobre você mesmo, mas se preocupa com a vítima. Sua reputação não deve ser uma questão de conversa, se suas desculpas forem honestas. Seu pedido de desculpas não é para você, mas para sua vítima. Assuma total responsabilidade! Você não pode simplesmente passar seu trauma para outra pessoa e usar seu trauma como desculpa. Vamos acabar em um círculo onde nos machucamos e, na pior das hipóteses, causamos depressões e suicídios. Como comunidade, precisamos ver o quadro completo. Podemos respeitar a própria contribuição, mas ainda não precisamos deles em posições de poder. Podemos tê-los para preservar a história, mas o envolvimento deve ser mantido baixo até vermos que o trabalho foi feito por conta própria e as vítimas tiveram tempo para se curar. Tenho vivido situações que me levam a uma posição muito desencadeadora neste momento. E perdi muitas noites de sono por causa desse assunto. Portanto, tenha misericórdia de mim dessa vez nos comentários.”

Baseado em vivências e relatos como esse, no Brasil B-Girls se uniram e criaram um grupo no WhatsApp chamado Rede B-Girls do Brasil e também escreveram um Manual Antiassédio. A iniciativa do guia foi da B-Girl Amanda Baroni (27), que mora no Complexo da Maré, em Nova Holanda, no Rio de Janeiro. Por causa do Breaking, Amanda entrou na fotografia e depois no jornalismo. Também é produtora e trabalha com áudio visual. Ela conta: “A motivação para fazer o guia veio do relato da B-Girl Jillou, do assédio que ela sofreu no meio do Breaking”. Amanda inicialmente fez uma matéria sobre o assédio dentro do Breaking, a partir do encontro que outra B-Girl chamada Maya organizou. Ela explana: “Foram encontros on-line e fiz um questionário, uma pesquisa com 47 B-Girls aqui do Brasil e daí colhemos muitas informações através da vivência de cada uma e assim nasceu o guia, através da constatação que o ambiente de treino e os eventos, as Jam, as Cyphers, eram os locais onde mais aconteciam assédios. Meninas relataram que foram tocadas nesses locais, foram sarradas, ofensas falando que eram “Maria B-Boy”. A ideia não era levantar apenas o problema, mas também instruir as pessoas a cometerem menos esses tipos de situações. O material foi feito em duas semanas através de pesquisa e colaboração das meninas, principalmente na revisão final. O primeiro material foi publicado em junho do ano passado, em português e ele também não estava registrado, foi um gatilho para que fôssemos além do assedio em si. Vimos o problema, onde ele estava, as causas e os possíveis caminhos para resolver. Esse é um dos tópicos do guia, de entender porquê que os homens são os que mais cometem esse tipo de crime e vimos como a nossa sociedade está doente mesmo. Eu li bastante outras pesquisas em outros portais de credibilidade, os homens são os que mais cometem, mas também são os que são mais pressionados em toda a vida, reprimidos emocionalmente eles vêm a conquista da mulher, é algo quase que social e quando são rejeitados pelas mulheres é visto como um fracasso, se eles não se sentem amados, eles querem tomar aquilo à força. Eles querem ter quase que uma certificação de masculinidade mesmo. E no meio do caminho acabei assistindo um documentário chamado “Silêncio dos Homens”, que fala exatamente isso. E foi bom porque mudou a minha relação com os homens à minha volta. Deu para ver como a criação dada a eles os afetam como adultos. Como distorcem a visão deles relacionadas a mulher. O guia foi traduzido para quatro idiomas no final de 2020, em novembro, foi quando eu comecei a conversar com a B-Girl Miwa, pois nós já tínhamos a intenção, assim que saiu o em português, de retornar o projeto algum tempo depois em outros idiomas, porque sabemos que isso acontece no mundo todo. Então, foi um processo de quase cinco meses. Eu publiquei em março, que era o mês das mulheres e depois fiquei sabendo que em abril era o mês do combate ao assédio. É possível evitar o assédio através da conscientização! E o guia tem esse objetivo! Ele foi registrado na CBL no meu nome e no nome das meninas que colaboraram. Foi disponibilizado para download gratuito, porque era algo comunitário em prol de uma causa importante”, conclui. Sobre o caso do MC Fran, Amanda opinou: “Eu vi a matéria em alguns veículos, houve também muito sensacionalismo, mas ele cometeu um erro grave e tem que ser responsabilizado por isso. Precisa de uma reabilitação mental”, finaliza.

A verdade é que faz anos que não é incomum casos de assédio dentro da Cultura Hip-Hop. Na década de 80, Afrika Bambaataa, fundador do Zulu Nation e pioneiro do Hip-Hop, sofreu sérias acusações de ter abusado sexualmente de jovens. A história iniciou-se quando Ronald Savage lançou o livro “Impulse Urges and Fantasies” (Impulsos e Fantasias, em tradução livre) que inclui alegações tenebrosas sobre Bambaataa ter abusado sexualmente do autor quando ainda era menor de idade. Falando para o site New York Daily News, em um extenso relato divulgado no dia 9 de abril, Savage (também morador do Bronx/NY) deu detalhes sobre suas memórias daquela época. De acordo com Savage, o ícone do Hip-Hop abusou sexualmente dele quando tinha 15 anos de idade e isso deixou sérios problemas relacionados a sua intimidade que acarretaram em algumas tentativas de suicídio. “Eu quero que ele saiba o quanto ele danificou meu crescimento“, diz Savage ao Daily News, que na época fazia parte da Zulu Nation (organização internacional de Hip-Hop fundada na década de 1970). Afrika Bambaataa negou o assédio, declarou: “Quaisquer e todas as alegações de qualquer tipo de abuso sexual, essas alegações são infundadas e são uma tentativa covarde para manchar minha reputação e legado no Hip-Hop neste momento”.

Anos depois, o pioneiro Crazy Legs também esteve no meio de um escândalo de assédio. Na ocasião, outro grande nome do Breaking, Ken Swift, escreveu no seu Instagram: “Eu cortei relações com Crazy Legs 23 anos atrás por causa de suas ações erradas. Eu pessoalmente sei tudo sobre as besteiras arrogantes, enganosas e egocêntricas do Crazy Legs, mas eu não estava ciente de suas ações e do impacto sobre todas essas mulheres e meninas em nossa comunidade e ler essas histórias é perturbador e nojento. Eu só posso imaginar a quantidade de trauma que ele causou a B-Girls e mulheres jovens em todo o mundo. A declaração pública que ele fez é um exemplo claro de quem ele realmente é, fazendo tudo sobre si mesmo sem nenhuma responsabilidade. Esta comunidade deve manter integridade e respeito por nossas artes e pelos outros. Não é disso que trata o legado da Cultura Hip-Hop e da dança de B-Boying / B-Girling. Esta é uma situação muito séria. Quero que todas as vítimas saibam que estou protegendo vocês e estou aqui para ajudar a curar nossa comunidade da maneira que puder. Não há como renunciar a ele, ele precisa ser expulso. Qualquer pessoa usar sua reputação ou fama / poder para assediar sexualmente mulheres é uma forma de abuso totalmente inaceitável. As mulheres afetadas por esse abuso têm medo de falar por causa da vergonha, reação e retaliação. Em qualquer comunidade, eu acredito que é uma questão de força em números e de nos unirmos e falarmos sobre esse comportamento, confrontando essas situações e expondo os perpetradores. Parece que esse abuso foi mais importante para Legs do que a responsabilidade de ser um líder comunitário, um pioneiro do Breaking, um atleta de uma grande corporação e das Olimpíadas. Crazy Legs não merece nenhuma dessas honras. Há responsabilidade por trás dessas oportunidades e privilégios que muitos nunca verão em sua vida. Toda a nossa comunidade de dança não deve tolerar ou mesmo tentar arranjar desculpas para ele”, concluiu.

No Brasil, os números de assédio são tão alarmantes que a Comissão Ajufe Mulheres – grupo da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) composto por magistradas e magistrados federais em Brasília – realizaram dos dias 3 a 6 de maio o curso “Assédio sexual: teoria e práticas de prevenção”. No primeiro dia, o debate foi com a cientista política Manoela Miklos. No segundo dia, o evento contou com a participação da advogada e fundadora da Bastet Compliance de Gênero, Mayra Cotta. O curso foi aberto para profissionais do Judiciário, mas também para pessoas interessadas no tema. “A construção para enfrentar e prevenir o assédio parte do reconhecimento de que este deve atuar no resgate dos ideais também dentro de sua própria estrutura interna. Para tanto, é preciso conhecer as características e fases do problema, a fim de se permitir a atuação especializada. O diálogo proposto pelo curso foi de grande valor cumprido o objetivo buscado pelo Comitê de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral e do Assédio Sexual e da Discriminação no Poder Judiciário”, explica a conselheira do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e coordenadora do Comitê, Tânia Reckziegel. Além disso, foi lançado a Cartilha “Política de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, Sexual e Discriminação”.
Em 2018, uma das maiores sensações dos Jogos Olímpicos do Rio-2016, a ginasta Simone Biles revelou ter sido vítima de abuso sexual cometido por Larry Nassar, ex-médico da Federação de Ginástica dos Estados Unidos (a USA Gymnastics). Aos 20 anos, Simone tornou o crime público por meio de uma carta postada nas redes sociais. A ginasta campeã olímpica McKayla Maroney, por exemplo, revelou ter sido vítima do médico oito anos após ter sido molestada pela primeira vez, quando tinha apenas 13 anos. Também da seleção de ginástica dos Estados Unidos, a tricampeã olímpica Aly Raisman denunciou o médico em novembro de 2017. Foram pelo menos 140 vítimas de Nassar, entre ginastas, dançarinas, patinadoras artísticas e alunas atletas da Universidade do Michigan. As primeiras acusações de abuso sexual contra ele se tornaram públicas em setembro de 2016. O médico foi condenado a 60 anos de prisão em dezembro de 2017, por conta de posse de imagens de pornografia infantil. Em julho de 2017, confessou ser culpado por três acusações do mesmo motivo — ele estava preso desde dezembro de 2016 por causa da pornografia infantil. O medo é uma das respostas para os muitos fatores de as vítimas do médico Larry Nassar e tantas outras vítimas de abuso e violência sexual se manterem em silêncio. “Não tenho mais medo de contar a minha história”, escreveu Simone Biles, logo no primeiro parágrafo da carta em que tornou público o crime sofrido. A ginasta conquistou cinco medalhas na primeira Olimpíada que disputou, quatro delas de ouro. Ela declarou: “Por muito tempo, perguntei-me: Eu era tão ingênua? Foi culpa minha? Agora eu sei a resposta para essas perguntas. Não, não foi minha culpa. Não, eu não vou e não devo levar a culpa que pertence a Larry Nassar, USAG e outros”.
O ex-treinador da Seleção Brasileira de Ginástica foi denunciado em abril de 2018, em reportagem do Fantástico, por mais de 40 ginastas por abusos sexuais entre 1999 e 2016. No processo, quatro vítimas, sendo duas menores de idade, tiveram seus relatos inseridos na ação penal. Fernando foi denunciado pelo Ministério Público por estupro de vulnerável e enquadrado no artigo 226, inciso II do Código Penal – agravante pela relação de poder em relação às vítimas. A pena para esse crime varia de 54 a 150 anos.
Em 2021, a morte do técnico John Geddert abalou a ginástica artística. O técnico de 63 anos, que foi encontrado morto, respondia a uma acusação de assédio sexual, 20 de tráfico humano, duas de agressão sexual e extorsão. Comandada por Geddert nas Olimpíadas de Londres 2012, a campeã olímpica Aly Raisman cobrou uma investigação independente sobre as denúncias de abusos na ginástica dos Estados Unidos. A ex-ginasta de 26 anos disparou contra a federação americana de ginástica (USA Gymnastics): “Me revira o estômago. Penso nos sobreviventes por aí. Gostaria que houvesse mais que eu pudesse dizer para aliviar a dor e o sofrimento. Por quê ainda não há investigação independente? Quantas crianças mais terão que sofrer? Para uma organização que afirmou nos últimos 15 anos que “a segurança do atleta é a prioridade número 1” é impossível imaginar um fracasso maior. Isso é e sempre foi maior do que John Geddert, Marvin Sharpe, Steve Penny e Larry Nassar” – postou Raisman em suas redes sociais. Dona de três ouros, duas pratas e um bronze nas Olimpíadas de Londres 2012 e Rio 2016, Aly foi uma das vítimas do ex-médico Larry Nassar no maior escândalo de abusos sexuais do esporte. Ela tem sido uma voz em defesa das sobreviventes. “Como menor de idade na seleção nacional, eu frequentemente tinha que viajar (sem meus pais) sob a supervisão da USA Gymnastics. Os adultos “responsáveis” incluíam John Geddert, Marvin Sharpe, Steve Penny e Larry Nassar. Respectivamente, os crimes pelos quais foram acusados incluem conduta sexual criminosa e extorsão, abuso sexual de crianças, evidências de destruição e agressão sexual”, disse Raisman.
Casos como esses citados acima motivaram, além das denúncias, algumas ações. Na Alemanha, ginastas começaram a usar uniformes para lutar contra o assédio e sexualização no esporte. A ginasta Sarah Voss participou do Campeonato Europeu de Ginástica Artística, em Basel, Suíça, com uma peça diferente no vestuário. No lugar do tradicional collant, a atleta usou um macacão cobrindo o corpo inteiro. A decisão de Sarah expressa um enfrentamento ao assédio sexual e hipersexualização contra as atletas da modalidade. Ela foi a primeira a utilizar o traje, servindo de inspiração para mais duas colegas de equipe. A vestimenta está dentro do que é permitido pelas normas da Federação Internacional de Ginástica. “Uma só peça com pernas compridas, do quadril até o tornozelo”, considera a instituição. No entanto, a escolha causou impacto, já que, antes de Sarah, atletas só tinham coberto as pernas em competições internacionais por motivações religiosas. A atleta foi apoiada pela federação de seu país, que concorda com a decisão das competidoras e se posiciona contra o assédio sexual. Em entrevista à emissora alemã ZDF, a ginasta afirmou: “Até agora não ousamos fazer isso. Pelas regras da federação internacional, calças compridas com collants são permitidas em competições, mas ninguém o fez. Em algum momento, nós, como seleção alemã, nos perguntamos: Por que não?”. Kim Bui e Elisabeth Seitz, também da equipe alemã, usaram o uniforme com calças na competição. Elisabeth disse que usar o collant foi uma preocupação a menos, porque ela se concentrou apenas no esporte e não se seu corpo estaria ou não à mostra.
Certa vez, um autor desconhecido escreveu: “Nenhuma mulher ficará calada enquanto houver outras violentadas”. Ter essa consciência é o primeiro passo!
Mulheres: busquem informações na grande mídia, nos guias e cartilhas já escritos! Nas literaturas! Eduque filhos homens respeitando o sexo feminino, eles serão os homens do futuro!
Homens: se posicionem contra assediadores! Mães são violentadas, irmãs são violentadas, filhas são violentadas, então, é necessário ir muito além do que um apoio verbal!
Eventos: está na hora de pensar na segurança dos competidores e criar canais de denúncia, além de ter regras de expulsão para assediadores. Um evento sério, de credibilidade, não pode admitir determinadas atitudes!
O apoio às vítimas de abuso e assédio sexual é um aspecto essencial para estimular as denúncias. No entanto, o Brasil ainda enfrenta uma série de obstáculos nesse quesito. O tratamento dado às vítimas durante o processo legal em crimes de estupro seria um desses problemas. Advogados de defesa, por exemplo, já teriam utilizado o histórico sexual ou de comportamento das vítimas para constrangê-las durante julgamentos. Dessa forma, a pergunta é: “A análise da conduta pessoal das vítimas deve ser proibida em julgamentos de estupro?”… Outro marco conquistado pelas vítimas de estupro foi o direito ao aborto legal, instituído no Código Penal de 1940. Embora alguns grupos conservadores articulem restrições a esse direito.
E, por fim, lembre-se: Você não está sozinha!
Pedir ajuda não é uma decisão fácil, mas pode ser a melhor maneira de salvar sua vida. Além das forças policiais e jurídicas, outros canais para denunciar a violência são os serviços telefônicos, a família, os grupos de mulheres, grupos de proteção (voltados para crianças e adolescentes vítimas de violência sexual) e o Disque 180, a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência. Procurem se informar como usar as redes sociais nesses casos, para o agressor não virar vítima! Faça sua voz ser ouvida e saiba que mexeu com uma, mexeu com todas! Vamos à luta!
Na última semana, o portal de noticias Breaking for Gold publicou em seu Instagram um comunicado da World Dance Sport Federation (WDSF) que lamentava o fato da Red Bull ter optado em não continuar as negociações para um acordo global.
Eles escreveram:
“Como Federação Internacionalmente Reconhecida a DanceSport, confiada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) para a organização e governança do Breaking nos Jogos Olímpicos Paris 2024, a Federação Mundial de DanceSport (WDSF) leva suas obrigações a sério.
Tendo realizado com sucesso os eventos de Breaking nos Jogos Olímpicos da Juventude em Buenos Aires 2018, os Jogos Urbanos Mundiais de 2019 em Budapeste e o WDSF World Breaking Championships 2019 em Nanjing, o WDSF recentemente voltou seu foco para preparar a melhor competição possível em Paris 2024, após o Breaking ter sido adicionado ao programa de esportes olímpicos em dezembro de 2020.
Com esse objetivo em mente, o WDSF conversou com a Red Bull em dezembro do ano passado, com a ideia de formar uma parceria em uma série de eventos decisivos na estrada para Paris 2024.
Infelizmente, as negociações em andamento com a Red Bull não resultaram na finalização de um contrato.
A Red Bull decidiu não continuar em negociações com o WDSF para um acordo global, uma decisão que o WDSF lamenta, mas respeita.
Como órgão regulador global do DanceSport, o WDSF é responsável por trabalhar no melhor interesse de todos os atletas do Breaking. O WDSF continuará a trabalhar diligentemente em nome de todos os Breakers em todo o mundo, com base em uma política de inclusão que é aberta a toda a comunidade do Breakers.
A este respeito, os órgãos membros do WDSF e do WDSF estão trabalhando em colaboração e diretamente com os principais membros da comunidade Breaking para garantir que a comunidade esteja totalmente engajada na jornada de sucesso para Paris 2024.
O WDSF agradece sinceramente os esforços feitos pela Red Bull e todas as partes intermediárias, independentemente do resultado. Agradecemos a Red Bull por seus esforços com a Breaking e permanecemos abertos a discussões sobre cooperação no futuro.”
O Festival “Tribo vs Tribo” está em sua 8ª edição e acontece numa versão on-line nesta semana. Contemplado por um edital de fomento a cultura, o Prêmio Feliciano Lana – Lei Aldir Blanc 2020 – Categoria Hip Hop, assinada pela empresa Nativos Crew Produções e pelo Produtor e artista amazonense, acadêmico de dança na UEA/ESAT Maykon Andrade, conhecido como B-Boy Mayking, o evento tem história.
Nasceu no ano de 2012, com o intuito de ser um evento propulsor para artistas das Danças Urbanas que queriam competir representado seus grupos e o estado em grandes festivais nacionais e internacionais fora do estado e que não tinham apoio financeiro. Logo o evento tornou-se um dos maiores da cidade em público desta cultura, tornando-se um evento que resgata e promove a dança Breaking na sua mais pura essência, buscando valorizar as heranças desta comunidade e o trabalho de base que é feito por pessoas que foram ou são protagonistas desse estilo na cidade e no mundo.
O festival Tribo vs Tribo eleva as minorias que trabalham em prol da continuidade desta dança, onde além da competição há o foco de manter um espaço festivo onde as raízes latinas e negras serão homenageadas em toda a festa, bem como dar visibilidade para a arte Hip-Hop englobando todos os eixos da cultura Hip-Hop (DJ, Graffiti, MC, Breaking).
E agora no dia 1 e 2 de maio de 2021:
O festival se consolida como um grande evento de sua geração por ser uma atividade que buscar dialogar e refletir sobre os problemas da sociedade com música, artes visuais e dança, debatendo sobre juventude, negritude, marginalidade e resistência por meio da arte, já revelou vários nomes do amazonas para grandes eventos no mundo.
Acontece nos próximos dias 1 e 2 de de maio de 2021, numa versão on-line, transmitida por meio da página Portal Hip-Hop AM. A programação pode ser conferida na página Nativos Crew Produções.
Começa no sábado (01) a partir das 10h30, onde terá a participação do Grafiteiro Raiz Campos, Exposição de Fotografias virtuais, oficinas de Breaking com Wilton Aragão (B-Boy Kboy) e Hip-Hop Dance com Neto Rodrigues, Bate Papo Hip-Hop com Adriano Art96 e B-Boy Deryo ambos da organização Movimento Hip-Hop Manaus, nos intervalos acontece a performance do grupo de “Rap Motiro Clã” e as Batalhas de MC’s, e na bancada de júri a presença confirmada de WMC e Mineiro, dois representantes do norte do Brasil que carregam uma grande bagagem de títulos locais, regionais e estaduais. E para comandar toda essa celebração o DJ Wkilla.
No domingo (02) as atividades começam às 13h com o Bate Papo Hip-Hop com Dirley Duarte (Maiko DMD) o fundador e organizador do Movimento Hip-Hop Manaus – MHM 1996, depois, as batalhas de grupo 2 vs 2 Breaking, tendo três nomes na banca julgadora Roxo Manaus/AM, Drika Manaus/AM e Machet Venezuela, e para modalidade de Hip-Hop Dance 1 vs 1, o jurado Neto Rodrigues. Nos intervalos, Cypher Externas, Exposição de Fotografias, Graffiti, Rap Lutero, Logan Beatbox, Dj Carapanã e Dj NC.
A inscrição é gratuita, as regras para a seleção das batalhas pode ser acompanhada pelas redes sociais e funcionará pelo instagram (@nativoscproducoes), cada participante deverá publicar um vídeo de 30 a 60 segundos e marcar @nativoscproducoes usando #tribovstribo onde acontecem os filtros para as modalidades.
O festival conta com a produção de Maykon Andrade, Karolyne Bastos, Mayara Andrade, Marcos de Assis, William Araújo , Chamel Flores, Drance Jesus e Dominique Bonfim (Domi)
Mais informações https://www.facebook.com/nativoscproducoes
Transmissão https://www.facebook.com/portalhiphopam
Fotos: Divulgação
Red Bull BC One E-Battle ocorre de forma on-line a partir desta quinta (29), e vencedores garantem vaga na final mundial do evento na Polônia
Há 17 anos sendo um dos principais eventos de dança do mundo, o Red Bull BC One está de volta em 2021. A competição abre suas inscrições das disputas on-line: as chamadas E-Battles. Essa é a primeira edição desde que a modalidade entrou oficialmente no programa olímpico de Paris-2024 e possibilitará que o público acompanhe o mais alto nível de disputa e conheça alguns dos principais nomes da cena.
Para 2021, o Red Bull BC One E-Battle funciona em um formato bem dinâmico: por meio de seu website, dançarinos de todo o mundo poderão se inscrever e mostrar suas habilidades, a partir desta quinta-feira (29). E, ainda, os vencedores de cada categoria (masculina e feminina) das batalhas on-line já garantirão uma vaga na final mundial de 2021, na Polônia.
“A E-Battle é muito importante para a cena do Breaking mundial, pois possibilita que dançarinos de países que não possuem qualificatórias mostrem o seu talento, de qualquer lugar que estiverem. Para quem tem vontade de participar, a dica que dou é: grave sua melhor entrada, não economize nos movimentos e mostre o por quê você deve ser selecionado – faça deste momento o melhor que puder”, compartilha o B-Boy Pelezinho, jurado da etapa nacional de Red Bull BC One.
As redes sociais do evento ainda contarão com uma programação que vai do Breaking ao Popping, por meio de workshops especiais. Entre os convidados, a brasileira Itsa, vencedora nacional da edição do evento em 2019, reunirá os apaixonados por dança em uma aula on-line de Breaking. Para conferir a programação completa, acesse: instagram.com/
Como se inscrever?
Os interessados devem acessar o site www.redbull.com/ebattle, realizar o cadastro e enviar seu vídeo de até um minuto. Todos os materiais passarão pela avaliação de grandes referências da cena, como o B-Boy holandês Menno, a B-Girl francesa Sarah Bee, e o B-Boy polandês Kleju. Para impressioná-los, os participantes devem ter em mente: originalidade, criatividade, musicalidade, técnica e performance são alguns critérios que serão levados em consideração. Ao final da análise, serão selecionados 16 dançarinos de cada categoria (masculina e feminina), que deverão enviar um novo vídeo. Após isso, 8 B-boys e 8 B-Girls avançam à última etapa e batalharão durante uma live global, que será transmitida por meio da Red Bull TV e canais oficiais do Red Bull BC One – e que revelará os dois grandes vencedores.
Fique de olho nas datas!
29/04 a 14/05: Inscrições
24/05: Anúncio dos 32 B-Boys e B-Girls classificados para novo envio de vídeo
08/06: Anúncio dos 16 B-Boys e B-Girls
26/06: Live – Top 8 B-Boys e B-Girls, Semi Final e Final
Novembro: Final Mundial
Fotos: Divulgação Red Bull
Nosso corpo é uma máquina, de infinitas possibilidades, veias, artérias, litros e litros de sangue; que percorrem o caminho certo, sem falhas.
Um cérebro que HD nenhum no mundo chega aos pés, somos dotados de algo único, um sentimento chamado saudade e o amor, o único caminho para se encontrar a tão sonhada paz.
Ao longo de nossa breve vida, sofremos muitas mutações, aprendemos a falar, a andar, nosso corpo vai mudando gradativamente, tanto os meninos e as meninas, até nos tornarmos homens e mulheres adultos.
O nosso foco de hoje é a mudança de voz que ocorre na adolescência, em maior escala para os meninos; continue a leitura e vou te explicar como isso funciona, quem são os responsáveis por essa metamorfose vocal e ambulante, garanto a vocês que não é o saudoso Raul Seixas.
Essa mudança ocorre devido ao crescimento da laringe, onde os músculos vocais estão localizados, as chamadas “pregas vocais”.
Com o crescimento da laringe, as mudanças acontecem, pois com o seu crescimento os músculos vocais esticam e na passagem do ar, vindo dos pulmões e passagem pela laringe, a voz passa a ser reproduzida de forma mais grave.
Os hormônios são responsáveis por muitas transformações em nosso corpo e organismo. Na adolescência, então, faz grandes mudanças na voz dos meninos e meninas.
Para as meninas em menor intensidade, mas para os meninos, na maioria das vezes trazem a voz um tom mais grave, graças a testosterona e, nas meninas, a produção de estrógeno e progesterona.
Estudos e pesquisas realizadas por uma série de otorrinolaringologistas (especialistas em ouvido, nariz e garganta) atestam e comprovam essas mudanças.
O mais interessante de tudo isso é que, quando crianças, temos as vozes em tom semelhante; meninos e meninas. E durante a velhice, voltamos a essa semelhança; pois ocorre uma queda na produção de hormônios e, por isso, fica difícil distinguir a voz de um senhor ou senhora ao telefone.
A certeza de tudo isso é: do pó viemos, ao pó retornaremos, não importa sua cor, se mora numa mansão ou favela, se sua voz é grave ou aguda, o que devemos guardar nessa vida são as boas amizades, amar ao próximo e cantar; pois quem canta, continua a expulsar os males dessa vida.
Ah! Quer um ótimo exemplo de voz grave até o talo?
Escute o monstro Barry White, de preferência a canção que amo: “Just the way we are”.
Ame e respeite as pessoas do jeito que elas são, a grande verdade é: somos todos iguais.
Foto: Reprodução
Seguindo o cronograma do que foi citado na última publicação, hoje vamos falar de um dos temas referentes ao desenvolvimento da dinâmica no Breaking (Níveis).
Níveis são graus de subida e descida trabalhando simultaneamente, partindo de um ponto X.
Explicando: Geralmente, quando aprendemos a dançar Breaking, sempre seguimos uma linha explicada por terceiros, que são começo, meio e fim. Começo: Top Rock. Meio: Footwork. Fim: Freezes, Stances, Power Moves. Pelo menos, para mim, foi ensinado dessa forma pelos meus primeiros mentores. Durante os anos em que estive viajando e melhorando meu inglês, eu percebi que é muito mais aprofundado do que simplesmente: começo, meio e fim.
Os níveis são um desses aprofundamentos, são fundamentais e trazem muito mais dinâmica e imprevisibilidade dentro dos 3 estágios citados acima e, também, quebra essa regra cronológica. Os níveis consistem em uma constante mudança entre movimentos de cima e baixo, temos 4 níveis que devemos explorar:
Nível Baixo: toda movimentação onde envolve as costas, cabeça, peito, ombros, quadril e pernas colado ao piso.
Nível Médio: Footwork, alguns movimentos como Turtles, Flares, Chair/ Air-Chairs, Halos, etc.
Nível Alto: movimentos no topo, que podem ser um 1990, Air-Flare, Top Rock, movimentos influenciados pelas artes marciais, etc.
Nível Aéreo: todo tipo de movimento que explora o ar, saltos mortais, por exemplo, etc.
Esses são os 4 níveis definidos isoladamente acima, no entanto, a parte mais interessante ainda está por vir. O desafio agora é explorar os níveis simultaneamente, de cima para baixo, de baixo para cima. Por exemplo: que tipo de combinação você pode fazer entre o nível baixo e o nível aéreo?

Como você faria Back Rocks para um salto mortal? Como você faria Baby Mills com transições indo para o Air Flare, para o Footwork e finaliza com um salto mortal? É como se você batesse todos os ingredientes em um liquidificador e a música seria o ingrediente principal, adicionado para fazer tudo por completo.
Os B-Boys / B-Girls mais influentes do mundo estão sempre abordando esse tema nos workshops. Meu primeiro contato com essa concepção de níveis veio por meio do B-Boy Lego- Flipside Kings. Eu enviei um vídeo do meu treino para ele analisar e ele percebeu que eu só estava explorando o nível médio, então, foi explicado para mim sobre a importância de mudar todos os níveis intensamente.
Esse tipo de concepção leva tempo para amadurecer, pois é difícil dançar de uma forma sutil quando você está em constante conflito com a gravidade. Eu ainda estou trabalhando nisso, pois essa é minha zona desconfortável. Você, talvez, deve estar se perguntando “como é que eu treino níveis”? Vou falar o ritmo que funciona pra mim… faço esse tipo de treino no ritmo lento e com músicas mais lentas e sempre prestando atenção onde devo respirar corretamente; sempre estou tentando aprender algo novo que venha de outros elementos, Capoeira, Kung Fu, Ballet, etc… Muita gente não sabe como fazer esses tipos de treino e muitos desanimam pela complexidade que é desenvolver os níveis, então, se você almeja chegar em lugares altos com dança, você precisa ser disciplinado e evoluir suas fraquezas. No Brasil, temos alguns B-Boys que usam bem os níveis: Neguin, Kekeu, Ratin, Bart, etc. No campo internacional, têm vários: Menno, Kleju, Victor, Ami, Kate, Ayumi, etc.
Vale destacar que isso não é um artigo onde eu incentivo que nós, brasileiros, devemos dançar como os estrangeiros, temos a nossa própria essência, mas esses conhecimentos expressados aqui são métodos universais que cada um de nós temos que desenvolver dentro das nossas próprias características. “Tudo que te traz desconforto é onde está a sua fraqueza”… bons treinos!
Fotos: Divulgação / Little Shao
Mais de um ano se passou desde que a cidade entrou em estado de alerta e foi decretado o primeiro lockdown por conta da pandemia do coronavírus, que ainda iria tomar proporções inimagináveis.
Já esperávamos ter resultados negativos comparados a outros países mais desenvolvidos, pelo nosso histórico de governo, mas não tínhamos parado para pensar no quanto isso poderia nos afetar: no trabalho, nas relações pessoais, nas finanças e na saúde.
Ninguém estava preparado para isso, muito menos a nossa cultura, que, em tempos normais já sobrevivia com muita dificuldade. Não tínhamos ideia de quanto tempo isso iria durar e nem sabíamos o quanto um evento presencial faria falta.
Estar a 300 metros do local do evento, já ouvir o som de longe e, com a proximidade, sentir adrenalina, ansiedade e sentimento de alegria por estar presente no evento, tão esperado, por você e por muitos. Pensado e organizado por um grupo de pessoas, que há meses planejam esse acontecimento, contratam pessoas, empregam parentes, abrem espaço para os pequenos empreendedores vender seus “panos”, seus produtos, gerando renda para várias famílias. Situações tão normais no dia a dia que nunca paramos para refletir a importância deles. Rever amigos, ver inimigos, dançar, conversar, observar o tênis do colega, a jaqueta style que o outro está usando, as novas tatuagens daquele outro B-Boy, aquele casal de B-Boy/B-Girl que está sempre junto… passar raiva com os jurados desqualificados, o evento que não valoriza o DJ e tocou as músicas de uma mixtape baixada da internet pelo pen drive… mesmo dos piores eventos sentimos falta.
Isso, infelizmente, tem desencadeado uma série de preocupações com a saúde psicológica e física dos nossos colegas.
Sem eventos para ir, lugares para treinar, sem poder viajar, muitos têm passado os dias e noites presos à uma das drogas mais prejudiciais para a nossa saúde: a internet.
Com a ociosidade, veio a ansiedade. E com a ansiedade, a falta de empatia. Ah, a tal falta de empatia que mais nos separou do que em qualquer outro momento da história.
Todos já com os nervos à flor da pele, muitos desempregados, outros que perderam familiares ou amigos para a Covid-19, devastados, com o psicológico abalado, aí veio o anúncio: O BREAKING FOI OFICIALMENTE CONFIRMADO PARA AS OLIMPÍADAS DE 2024.
Alguns ficaram felizes, encontraram nesse anúncio um pouco de esperança e motivação. Outros, ficaram indignados com o fato do Breaking ser incluído em uma modalidade esportiva. Não precisa ser gênio para saber qual foi o resultado disso, muita discussão e mais falta de empatia tomou conta das redes sociais.
Oportunistas se fizeram presentes imediatamente, mesmo aqueles que tinham se declarado contra o Breaking nas Olimpíadas, brigaram por postos de poder para liderar o comitê representativo nacional.
Enquanto estes brigam sem nem saber por quem ou por quê, os números no país continuam crescentes e a previsão de retomada cada vez mais distante.
Antes de sermos artistas, somos seres humanos, somos seres humanos, SOMOS SERES HUMANOS. Precisamos ter mais HUMANIDADE, mais EMPATIA e mais CONSCIÊNCIA da REALIDADE que estamos vivenciando.
Amamos o Breaking, vivemos o Breaking, mas há questões mais emergentes que precisam da nossa energia e do nosso tempo, de todos que estão saudáveis e podem ajudar. O futuro está à frente, o presente é HOJE, e hoje muitas pessoas precisam de ajuda – ajuda para comer, ajuda para superar uma depressão, ajuda para enfrentar crises familiares, ajuda para se levantar.
Sejamos mais humanos e menos egoístas.
Assisti uma série recentemente de dança e uma frase se destacou “por mais que estejamos todos competindo uns com os outros, tenhamos nossas diferenças, sejamos inimigos, ainda estes são os únicos que me entendem, porque eles vivem o que eu vivo e sabem das dores, das dificuldades, da luta”. É isso, no fim, estamos todos no mesmo barco, somos iguais.
O que você tem feito por você nesse último ano? E, o que você tem feito pelos outros nesse último ano?
Que não percamos nunca nossa essência e que sempre nos lembremos da nossa história, da nossa cultura, que prega PAZ, AMOR, UNIÃO E DIVERSÃO.
This is Hip-Hop!
Fotos: Reprodução
“Eu percebi que o Brasil não me oferecia muita coisa e resolvi me projetar para fora, onde a minha arte é mais valorizada! ” (B-Boy Neguin)
Ele é de Cascavel, Paraná, mas hoje mora em New York e se considera um mensageiro da Cultura Hip-Hop e da arte. Com 33 anos, é considerado um dos melhores B-Boys do mundo. Conhece mais de 141 países e já participou de mais de 100 campeonatos internacionais, sendo o único latino-americano e brasileiro a conquistar o cinturão de campeão da Red Bull BC One. Também coleciona outros títulos, destaque para: UBC Championship em Las Vegas, Unbreakable, Freestyle Session e Outbreak Europe. Foram vários mundiais 1 vs 1, onde foi o único brasileiro a alcançar esses títulos até hoje. Trabalhou com grandes nomes internacionais como Fergie, Gwen Stefani, Sean Paul, Justin Timberlake, Paul McCartney e Missy Elliot. Estamos falando de Fabiano Carvalho Lopes, mais conhecido na cena e no resto do mundo como Neguin. O nosso Neguin do Brasil! O Portal Breaking World bateu um papo com ele e hoje apresentamos com exclusividade para vocês:
BW: Queria que você falasse como foi sua infância. O que gostava de fazer quando criança e que lembranças tem dessa época? Foram tempos difíceis ou tranquilos?
Neguin: Minha história começa em Cascavel, no Paraná, eu comecei na capoeira aos três anos de idade. E, depois de 10 anos praticando capoeira, me interessei em aprender uma cultura diferente, então, eu despertei o interesse e comecei a praticar a Cultura Hip-Hop. Eu pratiquei todos os elementos da Cultura Hip-Hop, mas o que eu mais me destaquei foi o Breaking, devido eu já ter toda essa filosofia e conhecimento da capoeira. Então, eu mesclei as duas artes que englobam várias artes em uma só e a partir dali dei início a uma nova trajetória dentro da Capoeira e do Breaking, onde sou reconhecido mundialmente hoje. Mas, nesse período de criança, da infância, eu me envolvi também com outras atividades, o skate, o jiu-jitsu, sempre me envolvi com artes, pinturas. Sempre fui um menino voltado a aprender coisas novas que me inspiravam artisticamente. Sim, foram tempos difíceis devido ao nosso país não proporcionar apoio e nada, eu vim de família super humilde, que sempre apoiaram a minha arte, mas financeiramente sempre houve um obstáculo de viajar, ir para outros estados para poder competir, mas foi uma infância muito saudável, curti muito e ainda curto. Hoje estou com 33 anos, mas eu ainda me sinto aquele moleque de 13…

BW: Quando você disse: “É isso que eu quero para minha vida”? A capoeira, o jiu-jitsu vieram antes da paixão pela dança?
Neguin: Foi quando eu terminei o ensino médio e a capoeira e o jiu-jitsu chegaram antes do Breaking, sim. Eu terminei o ensino médio, comecei a trabalhar, eu teria a capacidade de ser um gerente numa empresa mas não foi isso que eu escolhi, pois a minha arte sempre falou mais forte e eu me joguei, peguei a primeira oportunidade e saí para fora do país, como competidor de Breaking e aproveitei essa oportunidade e me destaquei, a partir dali eu já fiz o meu cartão de visita, as pessoas identificaram o meu talento e eu comecei a viajar para outros países, em princípio para competir e, obviamente, eu comecei a ministrar palestras, workshops e tal, e surgiram outras coisas como Cirque du Soleil, comecei a trabalhar com a Madonna e minha carreira teve uma projeção rápida, ainda nos meus 19 e 20 anos.
BW: Verdade que você sofreu grandes influências dos seus irmãos que dançavam e faziam ensaios em casa? O que eles dançavam? Nos fale um pouco dessa convivência com os irmãos e como passou a entender a dinâmica da música e da dança?
Neguin: Sim, os meus irmãos dançavam o estilo deles de “club”, os “flashbacks” e foi minha irmã que me introduziu na capoeira. A minha família sempre me inspirou na arte, mas o estilo de dança deles era de passinho e tal, mas o que me influenciou bastante foram as músicas que eles escutavam na época. Escutavam flashbacks e as músicas mais clássicas e obviamente passando pelo Techno e música eletrônica. Eu cresci ouvindo música eletrônica e mesmo quando eu comecei a praticar o Breaking eu ia também nas festas raves, então, a música eletrônica sempre esteve presente dentro do meu estilo.
BW: Nos fale um pouco sobre inspirações… houve pessoas que te inspiraram na dança? Queria que você falasse também da fusão de Breaking, capoeira, movimentos acrobáticos, jiu-jitsu. No Breaking houve movimentos mais difíceis de aprender ou você sempre teve facilidade em todos?
Neguin: As inspirações, como qualquer arte que você aprende no início, lógico que tem várias inspirações, várias pessoas que são referência na modalidade, então, as minhas maiores inspirações foram vários dançarinos. Ken Swift, K-Mel, os membros da minha equipe, Pelezinho, antes de o conhecer eu já admirava bastante o trabalho dele e a minha mesclagem com a capoeira é um complemento, toda movimentação da capoeira introduzida no Breaking é uma característica minha e vice-versa e o Breaking sim, tem o grau de dificuldade mais difícil que a capoeira, mas um complementa o outro e a dedicação em cada movimento e cada etapa dentro do que você pratica acaba se adaptando e desenvolvendo uma movimentação nova. Enfim, um complementa o outro.

BW: Fale dos principais eventos que participou e que foram especiais para você?
Neguin: Eu participei de mais de 100 campeonatos internacionais, eu sou o único latino-americano, o único brasileiro a ser campeão mundial do Red Bull BC One, eu sou o campeão de 2010, também ganhei outro mundial chamado UBC Championship, em Las Vegas e ainda Unbreakable, Freestyle Session e Outbreak Europe. Foram vários mundiais 1 vs 1, eu fui o único brasileiro a alcançar esses títulos. No Brasil, participei de vários também menores, mas o início da minha carreira como competidor já me destaquei mais nos eventos internacionais, então, uma vez que eu entrei no circuito internacional, as batalhas foram em todos os continentes e eu já viajei a 141 países e dentro desse número, pelo menos nuns 80 eu estive competindo.
BW: Neguin, viver da dança é um desafio? Recentemente vi um depoimento seu onde dizia que você conheceu o mundo através da dança e da Cultura Hip-Hop. Que dicas você dá para quem pretende viver da dança?
Neguin: Sempre será um desafio como artista ter obstáculos a serem enfrentados. Primeiramente, você tem que acreditar na sua arte, ser bom naquilo que você faz, se dedicar, porque nada na vida vem fácil, é muita dedicação, muita disciplina e é preciso ter foco, ser focado nessa arte e ver o que o mundo te oferece para facilitar esse espaço para você, no meu caso era sempre difícil, mas eu pensava “eu vou me preparar para quando rolar a oportunidade eu estar pronto, então, o que vou precisar? Vou precisar do e-mail? Vou! Vou precisar falar inglês? Opa, não falo inglês, então, vou praticar inglês, não vou ficar no Facebook falando com as garotinhas. Eu vou afiar o meu inglês para que eu esteja preparado para viajar para o exterior”. Então, é uma questão de preparação! Falar inglês, estudar a sua arte! Ter todo o conhecimento para investir na sua arte, no seu talento, aproveitando as oportunidades que virão e a partir dali ter o que chamamos de sucesso! Para chegar no sucesso, precisa valorizar a sua arte e estudar muito!
BW: Atualmente, onde você mora? Como foi sair da sua terra e viver em outro país, com outro idioma e outros costumes? Como foi essa transição e adaptação?
Neguin: Atualmente, eu moro em New York, essa cidade sempre foi a minha base, eu morei na Califórnia um tempo, mas atualmente eu moro em New York. Com as viagens que eu fazia como competidor, através das minhas viagens com a dança, com a capoeira e o jiu-jitsu, eu percebi que era o lugar que eu me identifico muito, é um local onde as oportunidades estão aqui para tentar! Tanto New York como São Paulo não é nada fácil, é o mesmo perrengue e a mesma correria, porém, eu sempre gostei da Cultura Hip-Hop e como nasceu lá e a Cultura House Dance no contexto geral, New York despertou essa minha possibilidade de viver lá, então, me projetei para viver naquele local e já tem 12 anos que moro lá. Não me lembro muito das dificuldades do início, mas olha, eu não olhei para trás não! Eu percebi que o Brasil não me oferecia muita coisa e resolvi me projetar para fora, onde a minha arte é mais valorizada!

BW: Parece que você conseguiu rapidamente se conectar com as pessoas certas, trabalhando com celebridades como Madonna, Fergie, Gwen Stefani, Sean Paul, Justin Timberlake, Paul McCartney and Missy Elliot. Nos conta como tudo aconteceu?
Neguin: O meu talento sempre se destacou de uma certa forma, as redes sociais também, a internet facilita esse traslado, o network com as pessoas que eu conheci. Eu já estava morando em New York quando a Madonna assistiu um vídeo que mostraram para ela e ela ficou sabendo que eu estava em New York, ela foi no clube onde eu estava e falou: “eu quero ir lá ver quem é esse cara e vou conhecê-lo”. Na verdade, a Madonna foi até uma festa onde eu estava dançando em pessoa, você vê como em New York tem uma realidade bem diferente, a celebridade, a ícone da música pop chegou lá na festa, como uma cidadã comum, né? Ninguém olhou para ela como celebridade e a partir dali eu comecei a trabalhar com ela, aí a história vai muito mais a fundo. O meu network sempre foi voltado a estar em lugares e representar bem quem eu sou, representar a minha imagem, representar o Brasil, eu acho que isso reflete em todos os meios, seja num show, seja num vídeo. Seja na rede social.
BW: Falando especificamente da Madonna, nos conte sobre o tempo que dançou e trabalhou com a Rainha do Pop. Como foi essa oportunidade e o que lembra desse período?
Neguin: Eu conheci a Madonna em 2009, então, eu fiquei de 2009 até 2014, foram 5 anos, eu desenvolvi trabalhos com ela como performance, como coreógrafo nas turnês e acabei também ficando com ela! Eu tive um “affair” com ela também, durante um ano, poucas pessoas sabem disso, mas aconteceu, foi uma coisa bem saudável, um relacionamento saudável, teve toda a dinâmica, a gente ainda conversa, ultimamente pouco, faz muitos anos que não nos vemos, mas sempre trocamos ideia pela internet, mas foram 5 anos de trabalho e tive essa experiência muito legal.

BW: E o Cirque du Soleil? Fale como surgiu o convite e como foi essa experiência?
Neguin: O Cirque du Soleil desenvolvo trabalhos com eles desde 2008, mas eu sempre trabalhei com eles num formato de fazer shows de viagens e turnês e não num lugar fixo em Las Vegas, então, sempre fiz shows em Andorra, na Europa, no México onde eles me chamavam. Aí eu ia fazia um mês, às vezes ou uma semana. Ou shows específicos numa reunião ou num evento, então, eu sempre trabalhei em turnê com o Cirque du Soleil. Isso aconteceu em 2010, 2014, 2016, ou seja, sempre estou fazendo shows com eles. Então, o meu relacionamento é desde 2008!
BW: Em 2010, como você mesmo falou, você foi o único latino-americano, único brasileiro a vencer o Red Bull BC One, que é um dos maiores campeonatos 1vs 1 do mundo. E as pessoas o têm como referência. O que na sua opinião foi determinante para esse sucesso?
Neguin: A diferença é nítida, se eu cheguei lá é porque eu sou autêntico através da minha arte de representar quem eu sou e o que eu aprendi, nesse caso, a capoeira misturando e tendo uma identidade específica, não sendo igual a todos. Eu não sou que nem o europeu, asiático ou americano. Eu tenho características brasileiras! Afrodescendente, toda a mistura que o Brasil nos oferece, então, isso caracterizou muito o meu estilo, o meu talento. E seu eu cheguei lá foi porquê eu busquei isso! Eu passei as dificuldades, superei todos os obstáculos e foquei naquilo, o foco e a disciplina ajudaram que eu alcançasse o que alcancei. Então, se eu consegui, qualquer um pode conseguir também! Basta ter esses princípios para ser autêntico, original e ter foco e força na disciplina!

BW: Bom, atualmente o assunto que mais se fala aqui no Brasil entre B-Boys e B-Girls é o fato do Breaking ter entrado para os Jogos Olímpicos. O que acha sobre isso? Na sua opinião temos B-Boys e B-Girls preparados para competir de igual para igual com outros países e trazer uma medalha olímpica para o Brasil? O que acha do nível dos nossos B-Boys e B-Girls atualmente?
Neguin: Essa é uma conquista extremamente importante, não que o Breaking precise das Olimpíadas, mas com certeza nessa nova plataforma, que são os jogos olímpicos, isso vai fazer com que as pessoas que não conhecem o Breaking vão ter uma visão de conhecer um pouco mais, então, isso veio para somar. Referente ao Brasil, somos um dos povos mais reconhecidos no circuito mundial, eu acredito que os brasileiros têm sim um grande potencial de trazer medalhas e representar mas vai ter que correr atrás, bastante, porque têm outros países que já são maiores potências, ter mais disciplina, ter mais apoio. Tipo a Rússia, a China e, então, para os brasileiros, acho que vão precisar continuar praticando e estudando, ter todo esse lado de ajuda, de tentar ajudar o país o melhor possível com toda a minha bagagem como competidor, mas é isso… As Olimpíadas eu apoio totalmente, porque o Breaking não é um esporte apenas, é uma cultura, mas também somos atletas, querendo ou não, então, seja um campeonato da Red Bull BC One, seja nas Olimpíadas ou numa batalha da esquina o Breaking vai estar presente em todas as plataformas e torcemos para que os brasileiros tenham grande destaque e nos representem bem e esperamos também que o Brasil apoie um pouco mais seus competidores, seus atletas! Vamos ver o que rola…
BW: Para finalizar, queria que falasse sobre o Programa da MTV “De férias com o Ex” que participou recentemente. Foi desafiador?
Neguin: A participação veio através de um convite logo em novembro, e eu resolvi participar porque eu não estou viajando muito, então, estou disponível e usei o programa como uma forma de experiência nova para mim e ao mesmo tempo representar o que eu faço dentro de um ambiente que é bem diferente do que eu faço, então, entrei lá como atleta e toda a minha vida, style, que tem esse lado de curtição, foi uma experiência muito boa para mim e vamos ver agora como vai ser, eles vão lançar essa semana, por ser um programa editado espero que a repercussão da minha imagem seja bem positiva e que tragam novos públicos e pessoas que não me conheciam e passem a me conhecer vendo o que faço artisticamente.
BW: Que mensagem você deixaria para todos os B-Boys e B-Girls que curtem o seu trabalho?
Neguin: A mensagem que eu deixaria é gratidão! Eu tento sempre inspirar essas pessoas e cada um ensina um (risos), então, eu acho que se eu posso inspirar milhares de pessoas, que as pessoas que se inspiram em mim possam fazer o mesmo! A minha mensagem é que estamos todos num mesmo barco, somos todos mensageiros da arte e da Cultura! Abraço a todos!
Fotos: Arquivo Pessoal
Hoje é comemorado o Dia do Breaking, em São Paulo, o dia foi criado pelo vereador Milton Ferreira (Podemos) em 2017, por meio da PL 253, promulgada a Lei 16.753, de 13/11/2017.
Mas o Breaking vem muito antes disso… é um elemento da Cultura Hip-Hop que nasceu no Bronx, em Nova Iorque, com os fundadores da dança, na década de 70. Era algo que aparecia nas festas. A palavra “B-Boying” significa a manifestação corporal do Hip-Hop. Não eram só os pés, mãos em movimento, eram usadas todas as partes do corpo. Cabeça, pescoço, mas intelecto e também caráter.
O Breaking nunca foi moda, mas uma arte legítima!
Os B-Boys comiam, bebiam, respiravam e pensavam “B-Boying”. Toda vez que se escutava “Sex Machine”, “Just Begun”, “Apache”, que era hino, era possível ver a música ser sentida nos corpos, fazendo esses meninos dançarem, tratava-se de algo mágico, que apenas a música e sua energia faz com as pessoas. Na verdade, foi a música que fez desenvolver todos os estilos e movimentos. O Breaking é Hip-Hop puro!
Ken Swift uma vez disse: “O Breaking começou com uns poucos irmãos e irmãs que não se importavam com o que as pessoas pensariam de seus movimentos”. Eram meninos sem dinheiro, que moravam nos guetos, no meio do ambiente urbano. Nas festas, a pessoa entrava fazendo pose, depois descia ao chão. E se os movimentos fossem bons, se formava uma roda em volta para que outro pudesse também entrar e desafiar o mano na dança. A palavra B-Boy veio de Kool Herc, deveria ter representado o Bronx, na verdade era “Breaking Boys”. Quando a galera estava “Breaking” nas festas, significava que estavam procurando confusão, eram “Breaking Boys” e “Breaking Girls”. Breaking vem da terminologia de rua. A pergunta: “Por que você está Breaking?”, significava “Por que você está fazendo coisas fora do normal?”. Estar zangado era estar “Breaking”, ou seja, nos dias de hoje seria “estar bravo, estar chutando o balde!”. Essa se tornou uma expressão oficial quando Kool Herc usou. Os B-Boys eram “os meninos que quebravam” e as B-Girls eram “as meninas que quebravam”, não tinha nenhuma ligação e não veio dos breaks no disco, como muitos pensam. Esses meninos e meninas desciam até o chão e giravam, foram os primeiros a fazer isso. Alguns chegavam nas festas com charutos e casacos compridos: eles arrebentavam! Dançavam em cima de cimento.
Desde a criação do Breaking, a dança possibilitou que muitos jovens se distanciassem da violência, juntando-se em Crews para dançar e trocar vivências. Quando chegou ao Brasil na década de 1980, não foi diferente. Muitos encontraram no Breaking motivações e objetivos para tocar a vida! Muitos saíram da droga e da marginalidade graças ao Breaking! O Breaking sempre representou vida! 51 anos depois do início do movimento, muita coisa mudou sim, no dia 4 de dezembro de 2020, o Comitê Olímpico Internacional (COI) confirmou a inclusão do Breaking no programa dos Jogos Olímpicos de Paris-2024. Novos ventos parecem soprar nas rodas de Breaking, mas a essência deve continuar!
O Portal Breaking World, para comemorar esse dia, destaca nesta matéria com orgulho alguns nomes de B-Boys e B-Girls que levaram no passado e continuam levando o nome do nosso país para os quatro cantos do mundo. Desejamos a todos os B-Boys e B-Girls de todas as gerações muita luz e muita dança! Confiram:
Pelezinho: O nome que consta na certidão de nascimento é Alex José Gomes Eduardo, ele não poderia ser mais brasileiro. Nasceu numa família alegre de sambistas e capoeiristas em São José do Rio Preto, interior de São Paulo. Da infância guarda boas lembranças das feijoadas e dos churrascos em família. Criado pela avó, matriarca da família, o menino que não tinha tênis, mas que desde pequeno já mostrava habilidades diferentes e muito especiais, a famosa estrelinha no meio da testa que alguns carregam para esse mundo, filho de mestre de capoeira era bom nos movimentos do corpo e também no futebol, por isso recebeu o apelido de “Pelezinho”, mas seu destino não foi escrito num campo de futebol e nem jogando capoeira, mas sim nas ruas. As rodas que frequentava eram outras, as de Breaking, onde sua grandeza foi reconhecida e conquistada, sendo ponte para o resto do mundo. Foi o primeiro brasileiro a participar da competição que em poucos anos se firmaria como uma das maiores de Breaking do planeta, o Red Bull BC One. Pelezinho agarrou firme a chance e teve seu talento reconhecido internacionalmente. Hoje, é membro da Red Bull BC One All Stars, equipe internacional composta por artistas e dançarinos que representam os melhores da cena. Atualmente fora das competições, continua comprometido com o Breaking pelo resto da vida, ele sempre lembra: “O Breaking mudou a minha vida e pode mudar de muitas pessoas”.
Kokada: Maurício Araújo de Souza, conhecido na cena Hip-Hop como B-Boy Kokada morreu aos 35 anos, no dia 21 de dezembro de 2012. Um dos mais talentosos B-Boys que o Brasil já teve. “Mr. Kokada”, como também era conhecido, começou a dançar em 1993 na Estação São Bento, participou de vários campeonatos nacionais e internacionais. Durante os 16 anos atuando na cena B-Boying, ficou conhecido não só no Brasil, como também em todo o mundo. Kokada também era MC e integrante da Tsunami All Stars Crew. Conhecido como “Mestre do Power Move Brasileiro”, Kokada possui um currículo invejável e era considerado o primeiro B-Boy a ganhar fama mundial antes do YouTube, além de ser lembrado por sua habilidade de realizar movimentos para ambos os lados, cujo grau de dificuldade o tornava ainda mais único. De personalidade forte, impactou a cena com a sua presença.
Neguin: Neguin nasceu e foi criado no Paraná. Durante sua infância, foi influenciado pela capoeira, música e artes e acabou apaixonado pela dança. Atualmente, além de fazer parte do time da Red Bull BC One All-Stars, ele é o único latino-americano com o título de campeão mundial e o dançarino que mais carrega títulos em competições internacionais como Red Bull BC One, UBC Championship, Unbreakable, Freestyle Session, Outbreak Europe e outros.
Luka: Ele nasceu no bairro do Tatuapé, mas sua infância foi na Vila Curuçá, em São Miguel Paulista. Seu sonho, como a maioria dos meninos brasileiros, era ser jogador de futebol, sempre incentivado pela família. Começou a jogar com apenas 4 anos. Depois, conheceu a capoeira, onde no primeiro dia se identificou, sentindo-se em casa e livre. Durante anos, jogava futebol e fazia capoeira. Mas foi em 2006, com apenas 12 anos, que mergulhou de corpo e alma no Breaking. Sua evolução foi rápida! Foi o futebol e a capoeira que lhe deram a base para tudo, confessa que sem eles não teria a dedicação e foco que tem hoje. Foram nessas artes que aprendeu a ser persistente, paciente e dedicado. Os primeiros passos de Breaking deu na própria sala da casa onde morava, vendo um DVD da Red Bull BC One, onde tentava copiar os movimentos, o pai também tinha coleção de discos em casa, cresceu escutando alguns clássicos do Hip-Hop, a música sempre foi presente em sua vida. O menino ganhou idade, conquistou seu espaço, aprendeu a dançar no meio da pressão e sobreviver às críticas, resolveu viver sua própria vida, da sua forma e aprendeu que o segredo sempre foi focar no presente, no agora, plantar as sementes para colher no futuro com muita paciência e dedicação. Recebeu influência de grandes nomes do Breaking e participou de vários eventos naturais e internacionais. Em 2014, assinou o contrato com o Cirque de Soleil e foi morar fora do pais, onde tem se destacado. São de Lukas as palavras: “No Cirque eu tive essa oportunidade, de poder acordar todos os dias e fazer o que mais amo. Treinar, dançar e inspirar as pessoas. No show, todos nós artistas, através da sua especialidade, inspiramos o público a viver a vida com amor e que tudo vai melhorar. Sobre o Breaking, atualmente vem fazendo parte de empresas e eventos grandes, procurem se valorizar e entender o business por trás dos eventos e trabalhos. Como se comportar, aprender a falar outras línguas, principalmente o inglês. Se hoje o B-Boy brasileiro tem uma oportunidade, tem que saber conversar e negociar. Muitos da nova geração têm o sonho de viver de eventos e batalha, mas não podem esquecer que temos outros caminhos e oportunidades para viver e se expressar através da dança. Cada dia mais estamos evoluindo, o mundo está em constante crescimento, novos talentos e oportunidades. Precisamos acompanhar esse processo de mudança. Quem acompanhar essa evolução, não só do movimento, mas da cultura em si, são aqueles que irão colher bons frutos. A nossa ação precisa ser aplicada no nosso momento presente, no agora. Não adianta querer ser um bom B-Boy ou B-Girl, ser campeão, fazer parte de grandes eventos e projetos, se não estiver preparando e vivendo o dia-a-dia. Não vamos esquecer o poder de cura e mudança de vida que a nossa dança pode trazer na vida das pessoas, como inspiração. Quando dançar, mostre o seu espírito em sua maneira única. Não coloque rótulos na sua dança, pois dançar é infinito e cada movimento é uma nota na música. Repare que quando você dança de mente livre, você entra na zona e em uma dimensão diferente. Essa é sua essência e verdade. Busquem isso e sigam a sua jornada, sem olhar pra trás. O que passou, passou. Continuem evoluindo, estudando e vivendo”.
FabGirl: Ela começou a dançar aos 18 anos e enfrentou o machismo inerente à cena, abrindo caminhos que permitiram que essa revolução feminina acontecesse no País. “É mais uma conquista de muita resistência e luta”, diz Fab. As primeiras referências de dança da FabGirl vieram da televisão. “Quando eu era novinha, eu gostava de Jennifer Lopez, Madonna e Beyoncé, queria dançar aquelas coreografias”, lembra. Mas o que fez FabGirl se apaixonar mesmo pela dança foi ver uma B-Girl de seu bairro dançando. “Fiquei encantada, nunca tinha imaginado uma mulher fazendo aquilo”. No dia seguinte, FabGirl foi a um ensaio de Breaking e pediu para os caras lhe ensinarem alguns passos. “Eles me falaram que Breaking não era dança de mulher”, relembra a B-Girl. “Foi sempre difícil esse espaço dentro da cena”. FabGirl não se deixou abalar e, em 2003, criou a BSBGirls, primeira crew do Distrito Federal formada só por mulheres. Além de liderar o grupo, a dançarina, coreógrafa e pesquisadora se destacou pelos vários títulos conquistados, foi a primeira brasileira a representar o país no campeonato mundial We B-Girlz, na Alemanha, por dois anos consecutivos. Sua carreira lhe rendeu um lugar no time de jurados do Red Bull BC One. “B-Girls jovens estão vendo mulheres em posição de liderança e ter referências é motivador”.
Bart: Ele nasceu no Ceará, quando criança teve contato com muitos movimentos por meio do Kung Fu e da Capoeira. Aprendeu também a ter disciplina e flexibilidade desde cedo. Mas foram os pulos feitos na areia improvisada que pedia aos vizinhos que o fizeram se aproximar do Breaking. Mateus Melo (22), conhecido como B-Boy Bart, hoje é um dos nomes mais cogitados para representar o Breaking brasileiro nas Olimpíadas de Paris, em 2024. Já participou de muitos eventos nacionais e internacionais. Ele compara a dança a um grande jogo de xadrez e afirma que, além de ter um corpo preparado, é necessário ter estratégias, planejar ações para se chegar no objetivo que se deseja. Sobre as Olimpíadas, fala: “Eu vejo como uma evolução, na verdade, não acho que seja positivo e nem negativo, é somente algo do mercado. Isso já vem acontecendo tem muito tempo. O R16, todos esses eventos que tem, são em ritmo de Olimpíada, de ranking. Existe o ranking de B-Boys tem muito tempo. A Olimpíada entrou para apimentar ainda mais a competição. Acho que nada vai mudar… Como no futebol existem pessoas que jogam pelada e existem pessoas que jogam nos mundiais. Então, acho que vai melhorar muita coisa!”.
Nathana: Ela nasceu em Uberlândia, perdeu o pai com 5 anos em um acidente, mas sempre teve o amor e o carinho da mãe. Começou a dançar com 16 anos e não parou mais. Na sua caminhada, enfrentou preconceitos pelo fato de ser mulher e até escutou comentários que fariam muitas pessoas desistirem da própria dança. Mas ela não! Nathana Vieira Venancio, ou B-Girl Nathana, como é conhecida na cena, sempre foi forte e usou o comentário negativo para crescer e evoluir na própria dança. Sendo uma verdadeira inspiração para quem pretende ir longe no Breaking. Ela participou da E-Battle da Red Bull BC One e vem participando, mesmo em tempo de pandemia, de muitos eventos internacionais. Faz parte de 3 Crews que são We Can Do It B-Girls, da qual é uma das fundadoras, Rock Niggaz e Gangsta Squad, Nathana declara: “As pessoas da minha crew são as minhas inspirações, elas sempre me motivam e falam daquilo que preciso melhorar, críticas construtivas, a importância de ter pessoas lado a lado com você é grande, ter essa ajuda e companheirismo é muito válido, as meninas sempre estão a me passar energias positivas, enfim, sou muito grata a todos da Crew.”
Leony: Ele nasceu em Belém, capital do estado do Pará, que é uma cidade portuária e a porta de entrada para a região do Baixo Amazonas do Brasil. Sempre morou no bairro do 40 Horas. Como todo menino, quando pequeno gostava de jogar bola e brincava na rua até altas horas da noite. Hiperativo, não parava nem um minuto sequer. O que nunca lhe faltou foi energia! Sendo o mais velho dos filhos de Dona Elizete, foi criado com suas irmãs por sua mãe sozinha, mulher guerreira, como ele mesmo relata com orgulho. Aos 12 anos de idade, por influência de um primo próximo, conheceu o Hip-Hop, se apaixonando no primeiro momento pelo movimento Head Spin [Giro de Cabeça], começando sua caminhada de sucesso no Breaking, passando a competir em 2012. Mas foi em 2013 e 2016 que conquistou o título de Melhor B-Boy do país. E, em 2017, foi tricampeão do Red Bull BC One no Brasil. Segundo B-Boy Pelezinho, que foi um dos jurados do evento que deu o segundo título para Leony, ele começou a se destacar por sua autenticidade. Na época, Pelezinho declarou: “sabe muito bem combinar os movimentos. Sua habilidade é impressionante, por isso mereceu mais uma vez o título”. O tempo passou muito rápido e foi generoso com o B-Boy, que gosta de saborear açaí com mortadela em Belém, o consagrando como um dos maiores nomes da sua geração no Breaking, mas também trouxe responsabilidades por ser um B-Boy mundialmente conhecido.
Miwa: B-Girl desde 1999, diretora do grupo de Breaking feminino Bonnitas Crew e da Hotstepper B-Girls, foi uma das primeiras B-Girls brasileiras a ganhar reconhecimento no exterior. Campeã das competições “Sudaka 2007” (Chile), “El Rey del Seven 2 Smoke 2009” (Venezuela) e “KB Battle Original Flavor 2013” (Israel), Miwa também levou para casa o terceiro lugar na “Eurobattle 2008” (Portugal) e o vice-campeonato na competição de trio de B-Girls “UK Bboy Championships 2010” (Inglaterra). Em 2008, participou do Battle of the Year. Como produtora, realizou o primeiro festival feminino de Hip-Hop “FNMH2 Festival” (São Paulo, 2013 e 2014) e é responsável pelo “Elas por Elas” (2012), primeiro documentário brasileiro sobre mulheres no Hip-Hop.
Klesio: Ele é de Brazlândia, cidade satélite de Brasília e começou a dançar Breaking com 13 anos. Não teve uma infância fácil, escondido do pai e da mãe, usava um pedaço do colchão para colocar na touca de giro, para não machucar a cabeça na hora de fazer o Head Spin. O menino cresceu e evoluiu rápido, sendo o ganhador da Batalha Final em 2009, evento tradicional de Breaking que abriu portas para sua carreira na dança, mas foi com 22 anos que ficou conhecido mundialmente, sendo um dos finalistas da mundial do evento “Red Bull BC One”, realizado no Rio de Janeiro (RJ) em dezembro de 2012, o que o fez ser notícia em toda a grande imprensa brasileira. Na ocasião, Klesio batalhou com o Mounir, da França e foi considerado um dos 8 melhores B-Boys do mundo. Ele ainda foi o vencedor do reality show “Vai Dançar”, da Multishow. Hoje mora na Polônia e já ganhou diversas premiações para o Brasil.
Itsa: Com apenas 20 anos, a B-Girl Itsa venceu a etapa nacional do Red Bull BC One e depois foi para Mumbai, na India. “Foi o momento mais marcante da minha carreira”, diz. Itsa faz parte de uma safra de dançarinas que está se unindo cada vez mais para fazer barulho na cena Breaking. “As mulheres farão parte de um cenário que tenha consciência e respeito da sua existência e da sua história no Hip-Hop como civilização”, afirma. “Tem que haver um interesse dos B-Boys em estudar, questionar e aprender com as mulheres da cena.”
Till: O cearense Cleiton Verçosa, 26, conhecido no mundo do Breaking como B-Boy Till, é forte candidato para representar o verde-e-amarelo nas Olimpíadas. Talento e experiência em competições não falta para o dançarino. Membro do grupo Perfect Style Crew, Till disputou o evento Red Bull BC One Cypher Fortaleza nos anos de 2014, 2018 e 2019, sendo campeão da etapa nos dois últimos anos. A seletiva estadual serve como qualificação para o Red Bull One Cypher Brazil, que reúne os vencedores de cada um dos estados brasileiros. Em 2019, foi campeão e garantiu sua participação no Red Bull BC One — o campeonato mundial.
Mini Japa: A paraense Mayara Colins, conhecida como Mini Japa, saiu vencedora da arena montada no prédio do Red Bull Station, em 2018. Foi para a Suíça em setembro e representou o Brasil no mundial do Red Bull BC One. Nascida e criada no bairro Terra Firme, em Belém, Mayara há mais de oito anos se dedica aos movimentos e acrobacias do Breaking. Atualmente, a dançarina faz parte da Amazon Crew, um celeiro de talentos da dança no Norte do país, da qual também faz parte o B-Boy Leony Pinheiro, que já foi tricampeão brasileiro do Red Bull BC One Cypher Brazil.
Luan: Luan Carlos dos Santos é natural de Bauru (SP), disputou a final mundial em Paris. Foi vencedor da final do Red Bull BC One Latin America, em 2014 e finalista do Red Bull BC One World Final. Foi eleito o melhor B-Boy da América Latina e venceu a Red Bull BC One E-Battles em 2018.
Paola: Ela é paulista, mas atualmente mora na França com a família e é uma das B-Girls mais vigorosas do nosso país. Por meio do Breaking teve oportunidade de trabalhar com pessoas reconhecidas na cena e fazer vídeo clipes com Guizmo e Flash Zoom, na França e comerciais. Além de alguns trabalhos com Rashid, Nelson Triunfo, Mr. Kokada.
E o Breaking continua…
A nova geração que representa o Brasil no exterior chega cada vez mais forte:
Sonek: De Catalão direto para o mundo, B-Boy Sonek é considerado o “Príncipe do Power Move Brasileiro” da nova geração: com apenas 10 anos, ele ganhou o 1° lugar na Eurobattle Kids e foi vice-campeão mundial na Power Move Battle. Hoje, com 18 anos, continua treinando e faz parte da Dream Kids Brazil.
Marcin: Também de Catalão, com apenas 15 anos já esteve em Portugal, na França e no Chile. Foi tricampeão da Brazil Batlle Pro e também premiado no Dance Summer Camp, em Portugal.
B-Girl Angel do Brasil: De São Paulo, com apenas 10 anos foi vice-campeã no mundial E-fise Montpellier na França, 2° lugar no Battle Kids Argentina e ficou no Top 10 no Breaking Kids Champion, na Rússia. Também faz parte da Dream Kids Brazil.
Eagle: Foi vice-campeão no B de Dança em Braga, Portugal e ficou entre os Top 16 na Porto World Battle, também em Portugal.
Fotos: Arquivo Pessoal / Reprodução