O Conselho Nacional de Dança Desportiva (CNDD), realizou neste mês, o primeiro Campeonato Brasileiro de Breaking como esporte, que aconteceu no Centro Cultural Tendal da Lapa, na cidade de São Paulo, nos dias 18 e 19 de novembro, já dando início a fase de ranqueamento nacional para o ciclo olímpico de Paris 2024.
O evento contou com a presença e participação de mais de 150 atletas, de 18 estados, das cinco regiões do país. No primeiro dia a pré-seleção das categorias 1 vs 1 masculino e feminino trouxe novas revelações do cenário nacional, não só na categoria adulto, mas também na categoria Kids, que competiram e subiram no pódio na mesma noite!
Imagem: Jack Moraes
No segundo dia, foi a hora do Top 8, onde os melhores atletas B-Boys e B-Girls adultos do Brasil também disputaram o pódio.
Uma grande novidade foi a estreia do sistema de julgamento oficial no Brasil, o Departamento de Breaking da CNDD trouxe alguns dos principais árbitros internacionais e também membros da equipe de gerenciamento de eventos da qualificação para Paris 2024, da World Dance Sport Federation (WDSF), entidade internacional responsável pela regulamentação do Breaking e da Dança Desportiva, filiada ao Comitê Olímpico Internacional. Foram eles: Max Oliveira (Portugal), MG (Eslováquia), Bojin (China), Kadoer (Espanha), Dora (Hungria) e Migaz (Brasil).
Imagem: Jack Moraes
Na categoria Kids subiram no pódio na primeira noite de evento: B-Boy Samukinha (14) de Goiás que conquistou a medalha de ouro. E, de São Paulo, B-Girl Mary D (12) ficou com a medalha de prata e a B-Girl Angel do Brasil (12) com a medalha de bronze.
Imagem: Breaking World
Na categoria feminina adulto, as campeãs foram: B-Girl Toquinha, de São Paulo, ficou com a medalha de ouro, a B-Girl Mini Japa de Belém do Pará conquistou a medalha de prata e o bronze ficou também em São Paulo, com a B-Girl Fran.
No masculino, os campeões foram: B-Boy Luan San de São Paulo com a medalha de ouro, B-Boy Leony levou para o Belém do Pará a medalha de prata e o bronze foi para Minas Gerais com o B-Boy Rato EVN.
Imagem: Divulgação CNDD
Algumas personalidades do esporte e da dança desportiva estiveram presentes para prestigiar o Campeonato: Arthur Bittencourt (gestor do COB), Anders Pettersson (Membro do Conselho COB e Presidente CBDN), Diogo Silva (medalhista olímpico, membro da CACOB e padrinho da modalidade Breaking no Brasil), Patric Tebaldi (Presidente do CNDD), Dra. Soraya, Maricelia, Carla Lazzazera, Marcos Pena e William Miyashiro (membros da diretoria do CNDD), além da diretoria das federações de Breaking do estado do Amapá, São Paulo e Brasília.
O Campeonato Brasileiro de Breaking foi um marco e trouxe um diferencial, onde o Brasil foi pioneiro, apresentando um evento com regramento esportivo agregando a parte cultural, onde o público pode vivenciar e conhecer o Breaking como esporte na sua pura essência cultural.
Imagem: Breaking World
Imagem: Breaking World
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Aconteceu no último final de semana, no Ginásio Poliesportivo de São Bernardo do Campo (SP), o 2º World Dancer Experience. O evento foi um intensivão internacional de dança. Inscritos tinham mais de 110 dançarinos de todo o Brasil, de 15 anos de idade em diante, do nível intermediário ao profissional. Nos três dias, essas pessoas trabalharam versatilidade, musicalidade, conhecimento corporal, performance de palco, alma na dança e infinitas coreografias, onde o objetivo era elevar o trabalho artístico a outro nível. Esse ano, nomes internacionais como de Matthew Prescot da Broadway Dance Center, Katie Dablos da Step on Broadway, Ashlé Dawson e Geeg Torres, que protagonizou um dos momentos mais animados do intensivo com o Hip-Hop, trouxeram vivências incríveis e muita experiência aos dançarinos presentes. Alguns nomes nacionais, não menos importantes, também enriqueceram o evento com suas caminhadas, são eles: Jhean Alex, Zeca Rodrigues, Adriana Assaf e Li Kirsch. Nos três dias de evento, o Portal Breaking World esteve presente e pode sentir uma vibe diferente de corpos livres, dançantes, que tinham arte nas veias e que em alguns momentos do intensivo transbordavam e escorriam pelos rostos. Conversamos com o dançarino Ricardo Braune, organizador do WDE, antes do evento. Confiram a entrevista na íntegra:
BW: Há quanto tempo você dança? Qual a sua especialização?
Ricardo Braune: Eu sou Bailarino há 19 anos! Minha especialidade é Jazz Dance.
BW: Como surgiu a ideia de fazer o World Dance Experience? A que público ele é destinado?
Ricardo Braune: A ideia do evento surgiu da nossa própria necessidade de buscar conteúdos internacionais de qualidade, mas conteúdos que realmente aprofundassem e ajudassem o bailarino a ter algum tipo de transformação! Tanto é, que nós dizemos que esse evento não é um workshop e também não é um curso de férias, é uma experiência que vai levar o bailarino ou artista a uma transformação de dentro para fora! É destinado a bailarinos, professores, coreógrafos de Jazz Dance, Ballet Clássico e Hip-Hop, que queriam aprender não apenas sequências, mas que queiram ter algum tipo de transformação na vida e na carreira artística!
BW: A versatilidade na dança é algo fundamental na carreira de um dançarino?
Ricardo Braune: Na minha opinião é! Imagino que não só na minha, a versatilidade é um dos caminhos para que você tenha um corpo mais inteligente e consiga se expressar de várias formas! A versatilidade te dá muitas possibilidades no mercado e até mesmo para quem é mais especialista, ter conhecimentos de outras áreas te permite ter uma dança mais fluida!
BW: O que as companhias de dança nacionais e internacionais esperam hoje de um dançarino?
Ricardo Braune: Acho que não só nas companhias, mas em qualquer trabalho, qualquer contratante espera ter pessoas preparadas para o que vier dentro das propostas! Pessoas íntegras, dispostas e boas! Para isso, é necessário bastante disciplina, estudo, treino e dedicação! E eventos como o WDE podem ajudar muito!
BW: Fale resumidamente tudo que vai acontecer nesses três dias de evento?
Ricardo Braune: São 3 dias muito intensos, onde vamos trabalhar três temas: a Base, a Musicalidade e aquilo que chamamos de Alma! São 4 professores internacionais e 4 professores nacionais, com conteúdos exclusivos para o WDE!
Dançarinos do World Dancer Experience Imagem: ® Luciana Mazza
BW: E os professores, como foram escolhidos?
Ricardo Braune: Selecionamos os profissionais a dedo, de acordo com os objetivos do evento! Foi feito um balanceamento entre os conteúdos para que fosse uma experiência transformadora! Ir para o exterior, ver e fazer as aulas nos EUA, conversar com inúmeros profissionais e decidir cada professor não é uma tarefa simples! Mas foram escolhidos de acordo com a característica de cada um! Principalmente pensando na questão da versatilidade!
BW: O evento conta com a presença de dançarinos de várias modalidades de dança, correto? Como acontece essa interação e até superação de um estilo clássico, por exemplo, se lançar num Hip-Hop ou alguém que é do Hip-Hop fazer o clássico?
Ricardo Braune: É exatamente essa a proposta, quem tem dificuldade em outros estilos, tem que sair da zona de conforto! Tem que se permitir sair da caixinha para poder desfrutar de uma dança mais fluida! Eu, por exemplo, me especializei em Jazz, mas acho que se eu for contar, mais no início da carreira, minha dificuldade maior era Ballet, então, eu fazia muito mais Ballet que Jazz! Ainda deveria manter essa proporção hoje, mais Ballet do que Jazz e claro que o Hip-Hop me ajudaria muito também! Mas é esse o espírito, trabalhar outras possibilidades!
BW: Quais são suas expectativas para esse evento?
Ricardo Braune: Minha expectativa é de muita energia e muita dança! O que mais importa é no final todo mundo inspirado, com sonhos e metas estabelecidas e muita vontade de realizá-los!
Quem não conhecia esse evento ou não pôde ir esse ano, fica aqui uma boa sugestão para 2023. Depois de passar 3 dias de imersão no WDE ficou um gostinho de quero mais! Lembre-se: um dançarino versátil hoje em dia é ser alguém muito valorizado pelas companhias de dança de todo o mundo e ajuda a atuar em diversos segmentos e tipos de apresentação, sendo necessário, além do amor à dança, profissionalismo, técnica, estratégias de linguagem corporal, expressões faciais, musicalidade, disciplina nos treinos, na vida, são questões que ajudam na ascensão de qualquer dançarino, seja clássico ou não. Ter uma agenda atualizada sobre os melhores eventos, como o WDE, pode ajudar muito na preparação e na formação de quem pretende viver da dança! Por isso, fique de olho no que acontece no mundo da dança à sua volta!
Imagens: ® Luciana Mazza
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B-Girl chinesa, de apenas 16 anos, vence a Outbreak Europa e The World Battle, mostrando que o futuro já chegou, é completo e tem pressa de subir no pódio
Em 2021, a Olimpíada de Tóquio consolidou a China como uma das maiores potências olímpicas do mundo. O país asiático era o que tinha conquistado mais medalhas de ouro nos Jogos e ocupava o topo do ranking à frente dos EUA, algo que no passado só foi visto em Pequim, em 2008, quando os chineses foram anfitriões.
Agora, em 2022, a China se destaca novamente, dessa vez no Breaking, nova modalidade olímpica de Paris 2024.
E o grande nome que faz todos os holofotes se voltarem para esse país asiático é de Liu Qingy (16) conhecida como B-Girl 671, que foi campeã no Outbreak Europe realizado na Eslováquia no mês de agosto, com a participação de mais de 30 países, representados por 600 dançarinos de Breaking. Ela chegou na final, mostrando um novo padrão para as B-Girls do mundo inteiro, com seus movimentos de Power Move e sua energia diferenciada. Nas finais, ela enfrentou a veterana holandesa B-Girl India e a venceu por dois a um.
Nessa última semana, 671 também participou da World Battle 2022, que foi na cidade de Porto, em Portugal, que é uma das maiores competições de Breaking da Europa e recebeu atletas de mais de 50 nacionalidades. No evento, ela se sagrou novamente campeã, indo na final contra a B-Girl Vanessa, de Portugal. O Portal Breaking World fez uma rápida entrevista com a B-Girl 671, que hoje apresentamos com exclusividade para vocês:
BW: Qual é o seu nome de nascimento? De onde veio o nome B-Girl 671? Esse número tem um significado especial para você?
671: Meu nome verdadeiro é Liu Qingyi. Tenho 16 anos. Eu sou da China. 671 é o meu nome em chinês. Esse nome foi dado por mim, sim.
BW: Sua família sempre te apoiou na dança? Como é ser uma B-Girl na China?
671: Eles sempre me apoiam. E em nosso país, o Breaking é uma coisa muito popular. Comecei a dançar em 2015.
B-Girl 671 campeã da Outbreak Europe 2022 Imagem: ® Little Shao
BW: Quando você teve contato com a Cultura Hip-Hop pela primeira vez? Com que idade você começou a aprender os primeiros movimentos? Alguém te ensinou?
671: Lembro que 7 anos atrás, eu vi na rua. Aí eu perguntei para alguém, eles me disseram que era Breaking. Eu gostei muito, então decidi estudar. Encontrei um estúdio de dança de rua. Então comecei a dançar.
BW: No Breaking, você teve pessoas que foram referência para você?
671: Sim, B-Boy Flea Rock, B-Boy Zoopreme
Comitiva chinesa na The World Battle, onde 671 foi campeã Imagem: ® Maiur Narendra
BW: Você venceu recentemente a categoria B-Girls no Outbreak e agora no The World Battle. Conte-nos sobre sua participação nesses dois eventos e como você se sentiu ao conseguir o 1º lugar em ambos?
671: Consegui ser campeã nesses dois eventos, estou muito feliz. São competições muito grandes e internacionais. Ambos foram os melhores resultados que já tive. Então, foi incrível.
BW: Você já esteve no Brasil? Gostaria de deixar alguma mensagem para os brasileiros?
671: Eu não estive no Brasil. Mas quem sabe um dia irei. Gostaria de agradecer o apoio do Portal Breaking World e a atenção. Obrigada pela oportunidade dessa entrevista.
Imagem: ® Suzana Luzir
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Ele esteve recentemente comandando as batalhas mais brabas da Red Bull BC One no Brasil e, também, B-Boys e B-Girls que desejam treinar ao som deste mestre das pickups podem encontrá-lo no Streetopia, quase todas as quintas à tarde, em São Paulo. O Portal Breaking World teve o privilégio de conversar com o DJ MF e trazer um pouco de suas vivências e opiniões ao longo da sua caminhada. Leia a entrevista:
BW: Carlos Augusto Soares, conhecido no mundo artístico como DJ MF. Queria que nos contasse um pouco sobre sua infância, onde nasceu e cresceu e que lembranças tem dessa época?
MF: Nasci e cresci em Pirituba, me lembro que era rua de terra, gostava de ficar brincando na rua… tinham as festas da família, já tinha um primo que tocava… na época, usava dois toca-fitas… rolava muito Samba, Samba-Rock e Funk [original].
BW: Quando teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop? Quando nasceu o amor pelos toca-discos?
MF: A Cultura Hip-Hop entrou na minha vida de uma forma tão natural que nem me lembro… quando eu era criança, passava o filme “Break Dance” na Sessão da Tarde. Como falei no começo, meu primo foi a primeira referência de discotecagem (mas ele usava toca-fitas!), quando vi um clipe do Gang Starr, o DJ Premier fazendo scratches, na hora vi que eu queria tocar daquele jeito, um tempo depois, fui no show do Racionais MC’s, o KL Jay apavorou… pensei: quero ser uma mistura de KL Jay e DJ Premier!
BW: Quem eram os grandes DJ’s quando começou? Quem foram suas referências? Se inspirou ou recebeu apoio de alguns deles?
MF: Conheci Grand Master Nice (da Black Mad) falei que queria ser DJ, ele começou a me mostrar várias músicas… falava que DJ tem que conhecer música… por último, não menos importante, conheci o DJ Ninja, que me ensinou sobre técnicas. Depois, tive contato com KL Jay, ele ajudou muito também.
BW: Verdade que também começou em bailes de bairro, tocando com equipamentos emprestados? Quais foram as maiores dificuldades nessa época?
MF: Comecei tocando nas festas de garagem, com dois aparelhos 3 em 1… depois, um amigo comprou um equipamento de DJ, mas era o mais simples, a casa dele entrou em reforma e deixou tudo comigo… sorte que a reforma demorou (risos).
Dificuldades não impediram que o DJ se torna-se uma referëncia na cena nacional Imagem: ® Rafael Berezinski
BW: Fale de suas experiências fora do Brasil, nos conte um pouco da sua caminhada e de sua carreira internacional?
MF: Tive o privilégio de ir para 11 países… alguns deles foram mais de 3 vezes… comecei pela América Latina, depois Europa e Ásia (e pretendo ir além!).
BW: MF, a mistura feita com muita harmonia, das músicas novas e das antigas, é uma característica do seu trabalho. Fale um pouco como você faz a seleção dessas músicas, que no fim agradam tanto quem está na pista?
MF: Quando toco em festa vou muito pelo momento… sempre penso em algo, depois mudo na hora (risos).
BW: Tocar em batalhas, para B-Boys e B-Girls e comandar grandes eventos como você fez recentemente na Red Bull BC One é um trabalho que tem suas complexidades? O que jamais pode acontecer quando se está à frente de eventos como esses? Existem aquelas músicas mais esperadas? E as menos desejadas no gosto da galera?
MF: Tocar em grandes eventos de Breaking é uma responsabilidade enorme… lida com o sonho de competidores… não podemos perder a concentração… no caso da BC One têm as músicas próprias, por uma questão de direitos autorais… são mais de 1.000 músicas… tento escolher as melhores no meu conceito.
Imagem: ® Rafael Berezinski
BW: Gostaria que você falasse da importância do trabalho dos DJ´s dentro da Cultura Hip Hop. Falando de valorização, no Brasil você acha que os DJ´s são valorizados como deveriam?
MF: Começando que foi um DJ que fez a festa e o outro deu o nome de Hip-Hop… e os B-Boys e B-Girls mantiveram com força… acho que o Brasil não valoriza a Cultura DJ… têm alguns eventos que sim… mas, de um modo geral, não… temos o Erick Jay, multicampeão e as marcas preferem colocar influencers para tocar (Não são todas! Mas a maioria).
BW: Onde está Pelezinho está o DJ MF! Nos fale dessa amizade e dessa parceria que vem dando tão certo ao longo dos anos. Quantos anos são de amizade e de trabalho?
MF: Minha amizade com Pelezinho veio do trabalho… pegamos uma sequência de trabalho juntos e nasceu a amizade… ele hoje é como um irmão… em casa, minha família tem ele como parte dela: mãe, irmã, tios e primos. O Pelezinho não mistura as coisas, se eu errar, sou cobrado! A amizade continua, mas não me chama mais para trabalhar. Quem conhece ele tá ligado!
BW: Fale de suas produções. Está trabalhando em algo novo?
MF: Estava sim, mas meu computador deu pau, perdi tudo!
BW: MF, cada profissão com o passar do tempo tem suas dores… que dores normalmente sentem os DJ’s?
MF: DJ’s sentem dores nas costas e, alguns, tendinite, por isso precisam se cuidar.
DJ MF e os manos do Pavilhão 9 Imagem: ® Arquivo Pessoal
BW: O Breaking vive uma realidade olímpica. Tocar como DJ numa olimpíada seria algo que você gostaria de vivenciar?
MF: Sempre gostei de esportes, pratiquei vários… acompanho vários também… meu sonho era ir para uma Olimpíada como atleta… como DJ seria incrível!
BW: Que mensagem você deixaria para os DJ´s que estão começando e para todos os leitores do Portal Breaking World?
MF: Amem o que vocês fazem, respeitem e queiram sempre evoluir… terão momentos difíceis, mas não desistam.
Imagem: Rafael Berezinski
Imagem: ® Arquivo Pessoal
Imagem: ® Julio Nery
Imagem: ® Rafael Berezinski
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Quem esteve no Streetopia, que fica próximo da Avenida Paulista, coração cultural do Brasil, neste último final de semana ou acompanhou as diversas lives, entre elas a do Portal Breaking World, pode testemunhar que: “O bagulho foi louco!”. Expressão muito usada dentro da Cultura Hip-Hop para expressar algo que foi muito bom e com o astral lá em cima. Depois de passar por Curitiba (PR), Fortaleza (CE) e Brasília (DF), um dos maiores campeonatos mundiais de Breaking, o Red Bull BC One, neste último final de semana aterrissou em São Paulo, reunindo toda a galera, da nova geração aos Old School, na cidade que é indiscutivelmente o berço do Breaking Brasileiro.
B-Girl Dedessa e B-Boy Zym, campeões da Red Bull BC One Cypher São Paulo Imagem: ® Nanah D’Luize
No dia 29, aconteceu a Cypher São Paulo que foi a última seletiva regional, onde B-Boys e B-Girls passaram por um filtro. De lá, saíram quatro finalistas – dois da categoria feminina e dois da masculina, os ganhadores foram B-Boy Zym e B-Girl Dedessa, que garantiram a vaga na final nacional do Red Bull BC One, que aconteceu no domingo (31), quando, então, os 32 melhores B-Boys e B-Girls do país se enfrentam numa competição insana e com total participação do público presente para conseguir o título de campeão e campeã nacional. Os campeões foram B-Boy Leony e B-Girl Maia, ambos conseguiram a vaga para representar o Brasil em Nova Iorque na etapa mundial, que acontece no dia 12 de novembro. B-Boy Leony, que se tornou tetracampeão, declarou em entrevista: “O tetracampeonato veio agora, em 2022. O tempo todo estava com meu filho na cabeça e isso me deu mais força”, diz o paraense, pai do pequeno João Miguel, de dois anos. “Treinei muito para chegar até aqui e agora só quero comemorar”, completa. Maia, que no ano de 2021 chegou na semifinal, também se pronunciou: “Ano passado não teve público e este ano a energia da galera me contagiou. Fui de coração aberto, me diverti e em nenhum momento fiquei pensando em ganhar”, concluiu agora a campeã.
Vale também destacar a diferenciada e incrível participação do B-Boy Allef, que ganhou na semifinal do B-Boy Bart e depois foi para a final com o B-Boy Leony, conquistando a torcida do público presente! Que chegaram a pedir um terceiro round na semifinal!
B-Boy Bart e B-Boy Allef Imagem: ® The Sarará
Paralelo às competições, aconteceram nos três dias de evento muitas emoções no Red Bull BC One Camp Brazil, um evento com programações bem variadas, que convidou todo o público presente para uma verdadeira imersão no mundo da Cultura Hip-Hop. Na programação, houve muitas cyphers com participação de várias gerações do Breaking nacional, exposição fotográfica e de jaquetas com a reconhecida fotógrafa Martha Cooper, famosa por fotografar a arte urbana de Nova Iorque desde a década de 70, quando a Cultura Hip-Hop nasceu nos subúrbios nova-iorquinos, após seis anos de sua última passagem pelo país. Em parceria com o artista visual catarinense Wagner Wagz, as obras da fotógrafa fizeram parte de uma exposição durante os três dias de evento, onde foram estampadas em jaquetas confeccionadas e pintadas artesanalmente por Wagz.
Também houve workshops nacionais e internacionais, como do conhecido B-Boy Lilou, da B-Girl Sarah Bee, DJ Kapela e do importante fotógrafo Little Shao.
Além disso, oficinas de dança, batalhas “Bonnie & Clyde”, que pegou fogo entre a dupla carioca B-Girl Savaz e B-Boy Adriano e a dupla nordestina B-Girl Lorinha e B-Boy Suicida.
Também teve a diferente “Batalha do Chinelo”, criada pelo B-Boy Pelezinho para o evento IBE, na Holanda, a Batalha do Chinelo rolou pela segunda vez no Brasil. Os participantes não podiam deixar o chinelo sair do pé enquanto dançam Breaking. E quem levou a melhor na parada foi o B-Boy Bart.
E a incrível batalha de exibição entre duas grandes crews do mundo, a Squadron Crew, diretamente do sul da Califórnia e a brasileira Tsunami All Stars. Essa foi a chance de ver alguns dos melhores B-Boys do mundo em ação, em uma batalha de exibição em que eles mostraram o melhor que sabem fazer. Do lado da equipe californiana Squadron Crew estiveram Luigi, Phil, Pnut e Stripes. Do outro lado, Bart, Neguin, Allmax e Sinistro representaram a força brasileira pela Tsunami All Stars.
Squadron Crew versus Tsunami All Stars Imagem: ® Breaking World
O evento no Brasil foi um sucesso, deixando um gostinho de “queremos muito mais”! E agora, o que acontece com os brasileiros que ganharam a Red Bull BC One 2022?
Bom, o próximo desafio é a Last Chance Cypher, onde Leony e Maia lutam por uma vaga na Final Mundial do Red Bull BC One 2022, que acontece dia 12 de novembro, em Nova York. Existem duas formas de fazer parte da competição: a primeira é por convite e a segunda é vencendo a Last Chance Cypher, que é disputada por campeões nacionais do mundo todo.
Imagem: ® Divulgação Red Bull BC One
Todos os anos, alguns breakers são escolhidos pelo seu excelente nível e peso na cena do Breaking. Esses B-Boys e B-Girls fazem parte automaticamente dos 16 participantes da Final Mundial. Pode ser que, dos 16 competidores, em um ano tenha apenas uma ou duas vagas remanescentes, mas esse número pode até quadruplicar dependendo do número de breakers convidados. Estamos na torcida pelos nossos representantes!
O Portal Breaking World agradece a todos que acompanharam as transmissões nesses três dias! Estamos juntos família! E a Red Bull BC One pelo respeito com a imprensa e pela oportunidade de mais uma vez registrar esse evento espetacular.
Imagem em destaque: ® Breaking World
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“Queria mostrar ao mundo a beleza de nossa cultura. No meu ambiente, meus pais e amigos nunca levaram o Breaking a sério, então, eu encontrei uma maneira de mostrar a eles que éramos super-heróis” (Little Shao)
Ele é de família vietnamita mas nasceu em Paris, cidade conhecida como a capital europeia da Arte ou Cidade das Luzes, que durante séculos e até hoje ainda recebe de braços abertos as mentes mais complexas, iluminadas, incríveis e brilhantes nas diversas vertentes das artes. Thinh Souvannarath, mais conhecido como Little Shao, escreveu seu nome na história mostrando toda sua paixão pelo Breaking através de seus cliques, evidenciando a beleza da Cultura Hip-Hop e dos seus elementos. Desde o início, esteve totalmente envolvido na cena underground. Passou toda a infância nos subúrbios de Paris, onde conheceu o Hip-Hop. Aos 14 anos começou no Breaking. Entrava em batalhas e também fotografava e testemunhava os principais eventos de Breaking. À medida em que se aprofundou, sentiu que havia falta de documentação fotográfica. Naquele momento, começou a analisar todas as fotografias que tinha tirado ao longo da sua caminhada. Decidiu que queria mostrar a sua visão da cena. Queria produzir registros de Breaking melhores do que qualquer outra coisa que já tinha sido feito na vida e levar a fotografia de dança para outro nível. Uau! E não é que ele conseguiu?! Essa semana durante a Red Bull BC One em São Paulo, o Portal Breaking World teve a oportunidade de conversar com Shao e apresentar para vocês, breakers, essa entrevista exclusiva e super especial, confira abaixo:
BW: Eu gostaria que você nos falasse sobre suas origens, onde você nasceu e cresceu. O que veio primeiro em sua vida, o amor pela fotografia ou o amor pelo Breaking? Quando e como isso aconteceu?
Little Shao: Minha origem é vietnamita, mas nasci em Paris, França, depois que meus pais se mudaram para lá para trabalhar. Eu cresci em bairros difíceis, mas meus pais me mantiveram muito focado na escola, mesmo que eu passasse todas as minhas noites e fins de semana brincando ao ar livre. Eu tinha um grande interesse em tudo, como esportes, vários jogos e atividades que me levaram a me apaixonar por Breaking, por volta de 1997. Esta foi definitivamente minha primeira paixão e a fotografia veio mais tarde, como um suporte para isso, como uma forma de arte que era fortemente ligada à dança, para captar e hipnotizar esta cultura. Isso acontece especialmente porque senti que queria mostrar ao mundo a beleza de nossa cultura. No meu ambiente, meus pais e amigos nunca levaram o Breaking a sério, então, eu encontrei uma maneira de mostrar a eles que éramos super-heróis… (risos).
Francês de família vietnamita, Little Shao se tornou referência na fotografia Imagem: ®Arquivo Pessoal
BW: Houve referências ou alguma pessoa especial na dança ou na fotografia que o encorajou a continuar e fazer o que faz com tanta perfeição e excelência?
Little Shao: Acho que minhas referências estavam realmente fora do nosso mundo da dança. Lembro que minha referência era Davehill, um fotógrafo que tinha um render específico de fotografia que se aproximava da pintura, da publicidade. Claro que mais tarde, quando vi as imagens do Red Bull BC One, sonhei em me tornar fotógrafo um dia para este evento e adicionar minha visão a ele, trazendo minha visão a bordo. Acho que minha perseverança, trabalho duro e mentalidade B-Boy me fizeram querer ser o melhor.
BW: Quando você decidiu se dedicar totalmente à fotografia? Foi difícil escolher entre o Breaking e a fotografia?
Little Shao: Em 2007, terminei meus estudos na Escola de Negócios de Paris, com especialização em Finanças. Comecei a trabalhar como consultor no mercado de bolsa de valores e foi realmente o momento em que não consegui encontrar tempo e motivação para praticar, para manter meu nível de Breaking no topo da batalha, então, fiz a escolha preguiçosa de fotografar mais batalhas de Breaking. Essa foi uma maneira de eu permanecer na minha paixão. A fotografia começou a ganhar força para mim entre 2010 e 2012, decidi mudar completamente e me dedicar como fotógrafo profissional em 2012. Todas as minhas escolhas sempre foram difíceis, mas segui meu coração.
O B-Boy que virou fotógrafo mundialmente reconhecido Imagem: ® Arquivo Pessoal
BW: Ser um B-Boy te ajuda a entender e capturar melhor os momentos e sentimentos de cada dançarino que você fotografa?
Little Shao: Sim, claro! Isso ajuda na sua conexão com as pessoas, as formas, os códigos que a gente tem na cultura é superimportante. Quando eu estava dançando, sempre fui superexigente com minhas formas e meu estilo, então, acho que queria refletir isso nas minhas fotos, é claro.
BW: A ausência de registros como documentação fotográfica de Breaking o motivou a intensificar seu trabalho, mostrar tudo o que aconteceu e sua visão da cena?
Little Shao: Sim, naquela época a internet não era o que é hoje, então, acho que era mais fácil não ser mimado e era mais fácil para mim desenvolver minha visão, porque como um B-Boy você sempre quer ser único, não copiar as pessoas. Graças aos meus estudos e dinâmica na escola, por volta de 2005/2006, minha atenção já estava em torno das plataformas sociais, então, eu meio que usei isso para divulgar minhas fotos e documentar nossa cultura.
Little Shao na Red Bull BC One Camp Brazil 2022 Imagem: ® The Sarará
BW: Aqui no Brasil temos bons fotógrafos, mas as condições de trabalho ainda são muito difíceis para a grande maioria. Como estão as coisas no país em que você mora? Conte-nos sobre sua rotina de trabalho, reconhecimento, valorização profissional e, claro, amor pela fotografia?
Little Shao: Ser artista é difícil também no meu país por causa dos números. Eu sinto que temos um acesso mais fácil a equipamentos e tecnologia, mas porque todos podem ter, traz muita competição e para poder viver como artista você realmente precisa ser o melhor. Quando você tem muita concorrência e fotógrafos, o valor cai. Lutei muito pelo meu reconhecimento e valorização profissional, por ter uma forte estratégia de marketing. A chave é como fazer as pessoas entenderem sobre seu custo, sua qualidade, seu profissionalismo e experiência.
BW: Como começou sua jornada na fotografia? Em todos esses anos, houve alguma foto especial que ficou imortalizada em sua carreira? Você pode falar sobre eles?
Little Shao: Comecei a fotografar muitos retratos para dançarinos franceses. Esses dançarinos começaram a viajar muito e usaram minhas fotos para se comunicar, o que me levou a ser convidado como fotógrafo para grandes eventos. Acho que, quando fiz o Urban Dance Camp, achei uma boa ideia fazer fotos criativas misturando dançarinos de todos os ambientes. Misturei bailarinos de coreografias famosas com breakers, com dançarinos de street style, etc… essas fotos viralizaram nas redes sociais porque eu trouxe um estilo diferente, com fotos que chamaram a atenção das pessoas. A estreia do Juste também foi um grande evento que cobri e me ajudou muito. Alguns anos depois, todos esses dançarinos começaram a dançar e coreografar grandes artistas da música, foi quando tive a chance de clicar e colaborar com Justin Bieber, Madonna, etc…
B-Boy Leony, campeão da Red Bull BC One Cypher Brazil 2022 Imagem: ® Little Shao
BW: Como você vê o fato do Breaking se tornar um esporte olímpico? Teremos clicks de Little Shao nas Olimpíadas de Paris?
Little Shao: Sim, eu escutei que meu nome foi cogitado para ser o fotógrafo principal de Breaking nas Olimpíadas, mas nada é certo, então, eu tenho que verificar esse ponto (risos). Nunca sabemos o que pode acontecer… você pode ser o melhor, mas se um amigo do amigo do organizador estiver por perto, essa pessoa pode ser recomendada e não você. Mas para ser honesto, eu ficaria super-honrado de registrar o primeiro evento de Breaking nas Olimpíadas, especialmente porque é na minha cidade! Mas eu acho que o Red Bull BC One é o melhor evento para fotografar.
BW: Você já esteve no Brasil outras vezes? O que você acha do nosso país?
Little Shao: Acho que essa é a minha 6ª ou 7ª vez… vim muito para o Rio e esta é apenas a minha segunda vez em São Paulo. Eu realmente amo este país. Minha primeira vez aqui foi na final mundial do Red Bull BC One, em 2012, e foi um choque para mim. Foi a minha melhor experiência. Eu já atirei com a minha câmera em muitos brasileiros (risos).
B-Boy Menno, campeão mundial da Red Bull BC One 2017 Imagem: ® Little Shao
BW: Esta semana aconteceu um workshop no Red Bull BC One aqui em São Paulo, conte-nos sobre o que apresentou aos brasileiros…
Little Shao: Fiz o possível para compartilhar minhas motivações e inspirar as pessoas. Se eu consegui apenas dar um vislumbre de motivação que tenho em minha alma para eles, então foi um sucesso!
BW: Qual é a sua mensagem para as pessoas que amam seu trabalho e o têm como referência?
Little Shao: Sem Arte, a vida é seca! (risos)
A editora do portal Breaking World, jornalista Luciana Mazza e o fotógrafo Little Shao na Red Bull BC One 2022 Imagem: ® Breaking World
Imagem em destaque: ®Piltosh
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No próximo sábado (9) começa na Funarte a Exposição “Arte do ABC”, o local é conhecido por ser o berço da indústria automotiva brasileira e palco dos grandes movimentos sociais no final dos anos 1970. Formado por sete municípios da Região Metropolitana de São Paulo, o território também é referência em manifestações artísticas e culturais. Além de abrigar artistas de diferentes linguagens, a região é uma das pioneiras do Punk Rock brasileiro, da cultura do Skate, do Hip-Hop e do cinema nacional. Uma cena underground muito rica, embora desconhecida do público em geral, que acaba enxergando o local muitas vezes de forma estereotipada. Dentro desse contexto, um coletivo de artistas levará à cidade de São Paulo um pouco da variedade cultural da região. Entre eles o fotógrafo The Sarará, que falou para o Portal Breaking World sobre a exposição e suas impressões: “Esta exposição para mim vai ser uma grande alegria, quando recebi o convite do artista Renê Muniz e Betto Damasceno para estar mostrando minha arte que me dedico há mais de 12 anos de estudos, indo em diversos eventos do brasil e vendo a evolução de diversos breakers crescendo em vida e na dança, mostrar um pouco do meu trabalho, de algumas pessoas que venho acompanhando desde do seu início ou meio de suas carreiras, eternizar estas pessoas e expor elas nestas fotografias e mostrar a importância da Cultura Hip-Hop e como o Breaking, que vem da cena underground, vem ganhando seu espaço e eu como fotógrafo quero registrar este cenário e trazer estes “corpos in movimentos” e que vejam esta expressão corporal através do Breaking, que este estudo seja não só para mim, mas para todos que dedicam a sua vida pela dança Breaking e que acredita na sua dança, na sua história e no seu corre.”
Alguns breakers que vão ter suas fotos na exposição comentaram: “É algo super gratificante ter uma foto minha fazendo parte dessa exposição na Funarte, porque eu acompanhei a evolução do Sarará, fizemos parte da mesma crew em 2007, lembro de quando ele fazia fotografia só por hobby, diversão, quando fotografava os eventos e depois se tornou algo muito mais além, sendo a profissão principal dele. Hoje dá aula, ministra palestras. Sempre brinco que ele é o meu fotógrafo oficial. Ele está em todos os meus eventos, está dentro da minha marca. É uma consideração de um puxar o outro! Estou muito feliz e não vejo a hora de ver essa exposição!” comentou B-Boy Amendoim.
A nova geração do Breaking também foi lembrada na exposição, são de B-Girl Angel do Brasil (12) as palavras: “O Sarará acompanha minha carreira desde o início. Eu comecei a dançar com 5 anos, hoje eu tenho 12. Ele registrou vários momentos importantes na minha vida e sempre soube a hora certa de pegar o melhor movimento! Fiquei muito feliz quando ele falou com a minha mãe! Eu vou visitar a exposição e convido a todos para ir também!”
A exposição “Arte do ABC” vai até o dia 31 de julho. Além de Sarará, outros 12 artistas e coletivos vão apresentar suas obras, entre eles: Betto Damasceno, Cafelinas, Cinema do ABC, David Góes, Denner Alves, Flávio Grão, Mauro Yamaguti, Mel Zabunov, Pixote, Renê Muniz, William Pimentel e Zéis. A direção e a produção ficaram por conta de René Muniz; textos e pesquisa, com Isadora Schmitt Caccia; David Góes assina a identidade visual da mostra; Betto Damasceno é o curador e também apresenta alguns trabalhos na exposição, como o artista Renê Muniz. É só colocar na agenda e conferir!
Serviço:
Exposição Arte do ABC: Cultura e Expressão na Grande São Paulo
Abertura: 9 de julho (sábado) | Horário: 16h
Temporada: de 9 a 31 de julho
Visitação: de terça-feira a domingo | Horário: das 14h às 19h
Entrada gratuita
Galeria Flávio de Carvalho e Galeria Mario Schenberg |Complexo Cultural Funarte SP
Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos, São Paulo (SP)
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Contar a história sem filtro, abrir espaço para que a verdade apareça, revelar o que foi vivido e construído mostrando o que realmente tem relevância na cena é um dos compromissos do Portal Breaking World.
Nessa entrevista, apresentamos um bate-papo épico que vai sem dúvida causar reflexão e ficar carimbado e registrado na história do nosso Portal e da Cultura Hip-Hop brasileira. Conversamos com o mestre Ellypretoriginal, do DMN. Rimador, professor de rimas, produtor e diretor musical, Elly, sem dúvida, é um dinossauro do Rap Nacional, mostrando que respeito se conquista e não se compra. Só de DMN são mais de 30 anos, entre tantos assuntos e vivências, Elly falou: “A temática e teor de nossas letras, sempre tiveram em seu contexto falar da nossa etnia, dos problemas que o povo preto e pobre da periferia vivenciavam e ainda vivem até hoje, tentar combater através das nossas músicas, todo tipo de injustiças, preconceitos, racismo e discriminação que todos nós de alguma maneira sofremos, e mostrar que temos que nos valorizar, que a nossa história é uma história de lutas, de grandes batalhas e que não podemos de maneira alguma desistir, ou abaixar a cabeça, o racismo é um câncer na humanidade. Nós sempre fomos linha de frente, sempre nos articulamos de informação, de cultura, de sabedoria, eram tempos difíceis, e sem tantas oportunidades, bem diferente do quadro que vivemos hoje, mas nós nunca desistimos, mas conquistamos o nosso lugar, entre os melhores”.
Atualmente, Elly se diz mais reflexivo, mais calmo e trabalha no novo álbum do DMN que segundo ele vai surpreender muita gente, ficando pronto em agosto. E junto com o DJ Heliobranco está produzindo um trabalho dançante, chamado “FUNKZTAZ” que é uma fusão da palavra FUNK com GANGZTAZ. Gostou das novidades? Então confira a entrevista:
BW: Elly, queria que você nos falasse: onde nasceu e foi criado? Como era sua vida em família? Que lembranças tem dessa época?
Elly: Em primeiro lugar, quero agradecer pelo convite, e por poder contar um pouco de minha história, nessa entrevista, enfim… nasci na Vila Matilde, em São Paulo e fui criado na Zona Leste de SP, quando criança no Jardim Nordeste, já adolescente, cresci em Itaquera, onde estou até hoje, desde os meus 8 anos de idade. Minha vida em família sempre foi das melhores, sempre amei minha família, tive uma ótima criação com meus pais, mas muito mais por minha mãe, pois perdi meu pai logo que mudei para Itaquera e tudo que aprendi, foi com minha mãe, que lutou duramente e se dedicou e lutou uma vida inteira para nos dar uma educação melhor e nunca nos deixar passar veneno por nada, trabalhando como diarista em casa de família, de vendedora de roupas, de doces e salgados e de cozinheira no hospital Bandeirantes. Hoje ela já é falecida, há 7 anos, moro com minha irmã, meu cunhado, meus sobrinhos e nos damos muito bem, graças a Deus. Minhas lembranças daquele tempo são as melhores, ainda que com as dificuldades que tínhamos na época, morávamos em um super quintal, com todo tipo de árvores frutíferas, tínhamos diversos amigos e amigas e brincávamos um bocado, de muitas coisas que hoje não vemos mais entre as crianças e voltar a pensar nas coisas daquele tempo me remete a muita coisa boa, indubitavelmente, principalmente pelo fato de meu pai gostar muito de músicas, comprar uma diversidade de vinil e na época dos 3X1, fazer muito barulho, como eu também faço hoje em dia, escutando suas músicas bem alto, os meus primeiros contatos com a música partiram dessa época, com pouco mais de 4 anos de idade e me acompanham até hoje.
O DMN é reconhecido como um dos maiores grupos de Rap nacional de todos os tempos Imagem: Arquivo Pessoal
BW: Quando teve contato pela primeira vez com a Cultura Hip-Hop? Em que ano foi isso? Quais foram suas referências?
Elly: Meu primeiro contato com o Hip-Hop teve início em 1982, com o lançamento de um compacto chamado “Ya Mama”, de Wuf Stick, em 1982, música que em época de ginásio, na 5ª. série, eu rolava nas festinhas numa sede do PT, situada em um quartinho, no fundo da casa de um dos meus grandes amigos, o Cidão, depois das aulas vagas que a minha sala tinha no “Chiquinho”, apelido da escola Professor Francisco de Assis Pires Correa, que estudei de 82 até 86 e que concluí meu ginásio, estudando lá, nessas festinhas eu era o DJ e usava 2 aparelhos de som 3 em 1, pra poder mixar as músicas. Nessa época, fiz amizade com outro grande amigo meu, o Josenaldo (Ferreira), que levou a um DJ mais velho e muito considerado da época, chamado DJ Ailtão, que começou a nos fornecer fitas K7, com diversos “Balanços” e “Pesos”, pois nessa época ainda não tínhamos a noção exata que o que estávamos ouvindo era Rap, Soul Music, Black Music e que aquela música e comportamento das pessoas, a dança da época, era o Breaking e que também dancei muito, faria parte da minha história até hoje… Em 86, tive a oportunidade de também conhecer no baile de formatura do meu ginásio o DJ Luis, que junto com ele, montamos a Star Som Produções e fazíamos diversos bailinhos aos finais de semana, até passar por uma fase mais profissional, tocando em diversas grandes equipes de bailes black e de house music naquela época, também influenciado pelos grandes DJ’s da época, como DJ Kl Jay, DJ Hum, DJ Iraí Campos, Ricardo Guedes, DJ Grandmaster Duda, DJ Vadão, DJ Gregão, Nathanael Valêncio, Silvio Miller, aqui no Brasil e lá fora, DJ Cash Money, Jazzy Jeff, Joe Cooley, até me tornar também um DJ de performance, conseguindo também ser campeão em alguns campeonatos aqui na Leste, ou seja, minha primeira paixão no Hip-Hop foi como DJ!
BW: O Rap, como surgiu na sua vida? Você chegou a participar de batalhas de rima? Que batalhas existiam naquela época?
Elly: Comecei a cantar “Ya Mama” de Wuf Stick, acompanhando o MC da música, sem imaginar que aquele estilo seria Rap, também percebi que eu tinha uma facilidade muito grande em aprender letras em inglês, claro que meio sem noção, pois não tinha conhecimentos da língua que era cantado aqueles versos, e aí, depois, comprei vários álbuns da época, como Whodini, Fat Boys, LL Cool J., Public Enemy, Kurtis Blow, The Boogie Boys, Dana Dane, Eric B and Rakin, Dj Jazzy Jeff & The Fresh Prince e, também, aprendi a cantar diversas tracks. Conheci, então, 3 amigos primordiais para me inserir neste universo do Hip-Hop, até pela identificação visual que tínhamos, estou falando de Duda da 7, Fábio Felizbino, conhecido como “Feliz” e um outro amigo conhecido como “Sombra”. Nós sempre usamos tênis cano alto da Reebok e Nike, L.A Gear, Avia, Adidas e camisetas da Nike, correntes douradas e prateadas, torcidas e em formato de corda no pescoço, cronômetros, bonés importados e calças largas e um dia eles me convidaram para ir à estação de metrô São Bento, onde conheci outros garotos e garotas, semelhantes a nós, que dançavam, se vestiam e batucavam nas latas de lixo fazendo um som, e ali, foi minha primeira vez dentro da cultura. Já o Rap, um dia eu ouvi a “Melô do Bastião” uma versão criada em cima de “Fly Guys” de Magic Trick, cantada por Pepeu & Mike, depois ouvi “Os Metralhas” cantando na Bandeirantes em cima de “They Call me Puma” de Seeborn & Puma, e tudo em português e aí entendi que era possível fazer aquilo que os gringos faziam com tanta maestria de forma falada, em português. Nessa época, mesmo sendo um DJ, eu já me vestia como um rapper, sem ser, tinha muita identificação visual com aquilo que eu via nas capas de disco da época e eu namorava com uma garota chamada Adriana Bueno, que me acompanhava sempre às lojas de discos e em alguns lugares nos quais trabalhei como DJ e que hoje fico pensando o que as amigas dela da época, pensavam vendo ela, que era uma garota muito bonita e totalmente normal em seu jeito de ser, com alguém que já era bem americanizado no jeito de ser e bem distante dos padrões de outros garotos da época… bons tempos demais! Nunca participei de batalhas de rimas, naquela época as batalhas eram mais lá fora, aqui não teve essa ascensão de hoje em dia, a gente curtia mesmo escrever as nossas próprias histórias e fazer críticas a tudo que fazia a vida das pessoas ficarem piores, como a opressão policial, a violência, drogas, política e por aí vai… O que rolava muito naquela época, eram os clubes do Rap e também, os concursos de Rap, promovidos pelas grandes equipes de baile como “Zimbabwe” do nosso amigo Willian Santiago e Serafim, onde nós fomos lançados em 1991, na coletânea “Consciência Black Vol. 2” com nosso primeiro Hit, “Isso não se faz” e em 93, o nosso primeiro álbum, “Cada vez + Preto” que saiu nos 3 formatos da época: vinil, CD e fita K7.
BW: Em 1988, surgia o pioneiro grupo DMN, nos conte como foi isso, fale de cada integrante, da formação original e da esfera política que se vivia naquela época. Sobre o que rimavam? Que grupos dominavam a cena naquela época?
Elly: Sim, o grupo surgiu em novembro de 1988, tínhamos um amigo em comum chamado Duda da 7, que já citei acima, que fez a ponte para que nós nos conhecêssemos, me apresentou ao Xis, ao LF e o D.J. Slick, que eu já conhecia dos campeonatos e em nossa primeira formação, era eu, Elly (Produção Musical), LF (Vocal), DJ Slick, X-Ato (Vocal), que depois virou, o Xis. A temática e teor de nossas letras sempre tiveram em seu contexto falar da nossa etnia, dos problemas que o povo preto e pobre da periferia vivenciava e ainda vive até hoje, tentar combater através das nossas músicas todo tipo de injustiças, preconceitos, racismo e discriminação que todos nós, de alguma maneira, sofremos e mostrar que temos que nos valorizar, que a nossa história é uma história de lutas, de grandes batalhas e que não podemos de maneira alguma desistir, ou abaixar a cabeça, o racismo é um câncer na humanidade. Nós sempre fomos linha de frente, sempre nos articulamos de informação, de cultura, de sabedoria, eram tempos difíceis, e sem tantas oportunidades, bem diferente do quadro que vivemos hoje, mas nós não desistimos nunca e, dentre tantos grupos daquela época, como MC Jack, Thaíde, Racionais, Ndee Naldinho, MT Bronx, Geração Rap, Sharylaine, Sampa Crew, nós também conquistamos o nosso lugar, entre os melhores.
BW: A primeira aparição importante do grupo foi na coletânea Consciência Black Volume II, na canção “Isso não se faz”, que tratava do racismo com negros mundo afora. Comente essa música?
Elly: “Isso não se faz” foi produzida pelo “KL Jay” e retratava o que nos deixava profundamente descontentes naquele momento, a maneira pejorativa que a imagem de nossos semelhantes eram mostradas nas novelas, nos filmes, nos comerciais, sempre fomos desprivilegiados, desvalorizados e estávamos cansados de ficar calados, de braços cruzados, sem fazer nada e aí tivemos a ideia da letra da música, foi aceitação geral na época e um dos grandes destaques da coletânea, nos abrindo as portas para fazer o nosso primeiro álbum e nos rendendo muitas matérias na época e também apresentações por toda São Paulo!
BW: O primeiro trabalho próprio foi o álbum Cada Vez Mais Preto, com canções como “4P” e “Como Pode Estar Tudo Bem”. Pode falar sobre essas canções?
Elly: Essas músicas foram produzidas por mim, assim como este álbum inteiro, menos “Já não me Espanto” que foi produção minha e de KL Jay e essas 2 músicas que foram perguntadas tiveram uma importância muito grande para a história do DMN e também do povo preto. “4P”, principalmente, que virou um grito de guerra para o nosso povo, que até então, não tinha ninguém que falasse por eles, que tocasse de uma forma que nós víamos como necessária, não só naquela época, mas que infelizmente ainda hoje é… O racismo é um carma, e a desigualdade social existente entre nós cria vilões, traz frustrações e falta de autoestima, para os homens e para as mulheres, para os adultos e principalmente para as crianças e em um clima totalmente desfavorável a nossa cor, não dá para dizer que está “Tudo bem”, daí a ideia de “Como pode estar tudo bem?”.
O racismo é um carma, e a desigualdade social existente entre nós cria vilões (Ellypretoriginal DMN) Imagem: Arquivo Pessoal
BW: Além desses, quais foram os principais trabalhos gravados do grupo DMN? Quem escrevia e escreve as letras?
Elly: No primeiro álbum, em 1993, podemos destacar ainda: “Mova-se”, outro grande grito de guerra periférico, “Aformaoriginalmental” que foi o nosso primeiro trabalho feito em vídeo clipe, com a direção do meu amigo Odorico Mendes, “Precisamos de nós mesmos”, citada por Racionais MC’s em “Voz Ativa” e, claro, “A Lei da Rua”, que o Xis na época escreveu com maestria falando das ruas e de suas doutrinas. Agora teve, em 1998, “H.aço” (clássica), com vídeo clipe dirigido por Maurício Eça. Em 2001, saiu nosso álbum “Saída de Emergência”, pela BROS Company, na época de nosso amigo Diogo Poças e Drico Melo. Teve produção de Edi Rock e minha e tiveram destaques de alguns clássicos, como “Cisco”, “Racistas Otários”, que tem vídeo clipe extraído do DVD “Saída de Emergência”, “Tenha uma meta a seguir” e “A Lei do Opressor (500 Anos)”. Em 2003, sai pela Mel Records o álbum “Essa é a cena”, com produção do DJ QAP, DJ King, Diogo Poças e minha, os clássicos desse álbum são: “Jão”, “Essa é a cena”, “Pra você Preta”, “Chove lá Fora” e “Talvez eu Seja”, com vídeo clipe dirigido por Rooneyoyo. Em 2013, lançamos “9 Anos Depois. Epílogo”, produzido por DJ QAP, eu, Markão II, Johnny Campanille, com os clássicos: “Eu sei que tem”, “VEm Kum Nóizz”, “Nunca Nada Tá Bom”, “Quem é o fora da Lei” e “US Preto Rimador”, que tem vídeo clipe dirigido por Odorico Mendes. Falando das composições do DMN, até o ano de 1997 quem escrevia era o LF e o Xis, de 98 em diante, eu comecei a compor junto com o Markão também, para reforçar o nosso time, tendo em vista que houve a saída de Xis, que foi fazer carreira solo, em 2003, LF saiu do grupo para carreira solo e hoje quem compõe todas letras do grupo sou eu e Markão, mas também se achamos que têm alguns compositores que fazem letras que têm o nosso perfil, não temos vaidade alguma em também grava-las, já venho fazendo algumas coisas nesse sentido no meu trabalho solo, com pessoas como o França (S.O.T) de Conchal, interior de SP, com meu mano Fernando Treze, com o Natho, com minha querida Luli, todos eles com um talento espetacular em suas canetas e que também têm seus trabalhos em particular, do qual tenho a honra de produzi-los e são compositores e rimadores de altíssimo nível.
BW: Como era ser um rapper na década de 80? Como vocês eram encarados pelo resto da sociedade?
Elly: Era ser meio que um alienígena, pois as pessoas e mídias da época não enxergavam a gente como artistas, como pessoas cultas e inteligentes que faziam a trilha sonora dos acontecimentos vividos na periferia, sempre fomos vistos como marginais, a nossa música e cultura sempre foi marginalizada aos olhos da sociedade, infelizmente…
BW: Podemos falar que o sucesso mesmo do DMN veio em 1998, com a música “Homem de Aço”, que teve grande popularidade entre os jovens e veiculações constantes nos veículos de mídia. A canção tem a participação especial de Edi Rock dos Racionais MC’s, foi indicada ao Vídeo Music Brasil 1998 e foi eleita como uma das melhores músicas da década no Prêmio Hutúz de 2009. O segundo álbum, chamado “Saída de Emergência” foi produzido por Edi Rock, com destaque para as canções “Cisco” e “Racistas otários” (com Mano Brown, Edi Rock e KL Jay); álbum no qual o grupo firma-se na escala do Rap nacional. No mesmo ano, teve três indicados no Hutúz: Slick, em DJ de Grupo, “Saída de Emergência”, em Álbum do Ano e o grupo em si no Artista do Ano. Comente esse momento da carreira de vocês.
Elly: Somos um grupo, graças a Deus, muito iluminado e abençoado com o lance da inspiração e a construção de trabalhos que, de fato, se tornam grandes clássicos. “H.aço”, veio num momento certo, na dosagem certa, onde as pessoas precisavam ouvir o que é dito em cada rima da letra e, também, foi o retorno triunfal de 6 anos sem lançar nada, pois naquela época, era muito difícil colocar músicas novas na rua, pela dificuldade que tínhamos para pagar estúdio, era tudo muito caro e as opções que tínhamos eram bem poucas realmente, e aí tínhamos que esperar o momento certo de conseguir juntar uma grana e fazer o trabalho para depois ver o que faríamos, não só DMN mais Racionais também estavam sem gravar há 6 anos e naquela época, quando começou a se espalhar o boato que nós tínhamos nos juntado para fazer uma música, o bicho pegou, até pirataria aconteceu da música, antes mesmo que ela fosse lançada, na época pela Cia. Paulista de Hip-Hop, a qual éramos sócios, junto com Milton Salles. O reconhecimento do grupo e da música foi imediato, tão logo quando a música saiu e foi executada nas principais rádios e pistas do Brasil e conseguimos tocar praticamente no Brasil inteiro, levando nossa música e trabalho a um outro nível e patamar…
BW: Elly, queria que você nos contasse um pouco sobre suas impressões sobre o Movimento Hip-Hop, o Movimento Rap existiu ou ainda existe? Queria que nos falasse um pouco da união ou da falta dela entre os elementos da Cultura. Queria uma reflexão sobre o que foi e o que se tornou hoje em dia a Cultura Hip-Hop, na sua opinião?
Elly: Eu quando entrei no Hip-Hop, nunca acreditei que houvesse o Movimento Rap, pois para mim sempre foi o Hip-Hop, porém, teve tempo em que o Rap, com um estilo um pouco mais gangsta de ser, com bases lentas e muito distantes das que a gente curtia na gringa, passaram a criar de fato o “Movimento Rap” e individualizaram o Rap do Hip-Hop, não foi o nosso caso, mas se você observar nos dias de hoje, muita gente que hoje faz Rap, não tem mais nenhuma identificação com o Hip-Hop, nem musicalmente e nem tampouco visualmente, acho uma merda isso, pois estamos de uma certa maneira caminhando para o fim de uma cultura que salva e salvou muitas vidas. Na minha opinião (e nem falo pelo DMN), nunca houve união realmente, nem tampouco com os grupos de Rap e MC’s, nem com os DJ’s, nem grafiteiros, nem tampouco B-Boys e B-Girls. Eu me recordo de sempre ouvir os B-Boys da época reclamarem que os MC’s não faziam músicas para que eles pudessem dançar e até concordo, até a página 2, pois em um momento do Rap, no Brasil, surgiram muitas músicas mais dançantes e descontraídas, que todos que curtem a arte da dança poderiam muito bem usar em suas danças e coreografias e também tinham a possibilidade de apresentá-las, a todos nós, demonstrando o que criaram para a música X ou Y de qualquer grupo de Rap e ainda tinham a opção de negociar a sua arte, para que pudéssemos utilizar em nossas apresentações, seria algo esplêndido, pois poderiam ganhar uma grana, poderiam enriquecer os shows de Rap, com as coreografias para determinadas músicas e já ligando 3 elementos dentro do show, assim como Thaíde fez muito e ainda faz até hoje e, sem contar também os grafiteiros, que poderiam também criar painéis bem coloridos, com o nome das bandas ou de protestos mesmo, que também poderiam ser utilizados por todos nós artistas, em nossas apresentações unificando os 4 elementos do Hip-Hop, infelizmente, perdemos muito tempo se preocupando com o “cada um por si” e não pensando no coletivo, aí quando pintam as oportunidades financeiras e o dinheiro, esquecemos a verdadeira essência do Hip-Hop e só pensamos e agimos no individual, se eu vou aparecer mais que X ou Y, ou se eles vão aparecer mais do que eu, desprestigiam os eventos e trabalhos que não estamos envolvidos, por vaidades e novamente só pensando no “Eu”, nunca temos uma visão do “Nós”.
BW: Como você vê tudo de novo que vem surgindo nos últimos anos: Boombap Rap, Trap, entre outros? Pode nos fazer uma comparação do que era feito no passado e o que é feito hoje? Houve mudanças para melhor ou para pior? Com que tipo de som você se identifica hoje? Que som escuta? Fale sobre a durabilidade de tudo isso?
Elly: A internet trouxe a independência para muita gente em vários aspectos, dentro da música hoje tem artistas que já não são mais escravos das gravadoras e preferem mesmo o caminho da independência musical. Todo mundo hoje é bom conhecedor de tudo e de todos, todo mundo se acha o “phoda”, tem cara que pensa que tudo que está acontecendo hoje, começou a partir deles, que eles são os idealizadores e pouco se importam com o que aconteceu antes, quem somos nós nos anos 90, qual a representatividade e importância de cada um. Subgêneros do Rap foram criados, começou com o “Crunk”, que era legal, depois virou “Dirth Sound” e o Rap começou a ficar mais mecânico, e enlatado, com o surgimento do “Trap”, o Rap segmentou e a essência e originalidade da nossa música começou a morrer, as músicas se tornaram descartáveis, todo mundo é exatamente igual, todo mundo ostenta, todo mundo fala de dinheiro, de mulher, de “bundalização”, de drogas. A cultura que inicialmente trazia em sua mensagem o distanciamento do jovem das gangues, de uma hora para a outra, passou a adotar a postura de fazer gestos elevando as gangues, o crime e começaram a dizer que ser de uma gangue é da hora, que ser pimp, cafetão e que as mulheres são vadias, entre outras coisas, é que é o da hora, como se não tivessem mãe, irmã, namorada, esposa… houve uma inversão total de valores, o certo virou errado e o errado virou certo. A falta de respeito se elevou em cada letra, não só no Rap, mas as influências negativas que vieram do Funk [carioca] também, que mesmo tendo o seu valor para alguns, traz em sua mensagem pornografias, que também é um mercado que dá muito dinheiro e vende muita coisa no mundo, e aí devido toda essa liberação que aconteceu nos últimos anos, as pessoas começaram a achar natural e tudo ficou meio que normal e aceitável. O Rap dos anos 90, que na minha concepção é o Rap dos homens, traz mensagens fortes e depoimentos sinceros e reais, falamos da vida real em nossas letras, e o Rap dos meninos, chamado “Trap”, só visa “estética”, se enchem de tatuagem em toda parte, usam todos os tipos de drogas e cantam isso em suas letras, como se fosse algo da hora, ostentam uma vida que em muitas das vezes nem têm, muitos têm um contrato assinado com o demônio que bem sabemos, e aí, ao invés de se agilizarem e fazerem o pé de meia, aproveitando o momento, ostentam mais e mais e bebem só bebidas fortes, com músicas cada vez mais de plástico, sem essência, sem mensagem, sem emoção. Têm alguns que ainda mantém a chama do real Rap, bem vivo, mas depois que esses subgêneros tomaram a cabeça dessa geração, ficou bem complicado para quem faz um trabalho sério de conscientização por meio da música. Agora, tem também o Drill, que particularmente prefiro mais que o Trap, porém, também acredito que é mais um estilo que, como os outros, é de plástico descartável, descartável music…
Tem cara que pensa que tudo que está acontecendo hoje, começou a partir deles, que eles são os idealizadores e pouco se importam com o que aconteceu antes, quem somos nós nos anos 90, qual a representatividade e importância de cada um. (Elly) Imagem: Arquivo Pessoal
BW: Elly, você também gravou trabalho solo, correto? Nos fale sobre esse trabalho?
Elly: Em 2008, com a ajuda de meu amigo Renato Scanzani, que foi o produtor executivo do CD, conseguimos colocar meu primeiro álbum solo na rua, intitulado “Acerto de Contas”. Johnny Campanille (SobTensão Podcast) foi quem produziu quase todas as faixas do álbum, menos “Se ainda Puder”, que é produção de Guilherme “Mandella” Tavares, “Pra você Preta” com feat de Silvera e “Mó Responsa” com feat de Ksslu e Paulo Henrique (meus sobrinhos),
que é produção de Diogo Poças e “Lembranças”, que tem feat da Tina e que é produção de Marden Jam. Daí em diante, adotei o nome artístico que uso hoje, que é “Ellypretoriginal” (exatamente assim), destacando meu valor individual como MC, mostrando também um outro lado de composições das quais eu fiz e não se encaixavam com a linha que o DMN faz e foi uma experiência muito bacana, pois consegui alcançar também essa visão do que é ser um artista solo, como eu me sairia fazendo shows, com outro DJ e outros novos artistas, quem me acompanhou nessa caminhada, foi meu irmãozaço, Dj Fabinho BW, que hoje está morando em Portugal, pude fazer coisas, à parte, sem o aparato do DMN, novos rimadores junto em meu CD. Mostrei também que seria possível criar uma outra vertente, à parte do DMN, mesmo sendo do grupo, para mim foi uma grande experiência, bem gratificante! Pretendo fazer outro! O clássico desse CD, que virou o hit, foi a faixa “Me Tirando”, que teve seu vídeo clipe imortalizado pela RecLife do meu mano Biofa e Lorde Sol. Estou neste momento com uma versão dela, que em breve vai sair numa fusão de DMN e Realidade Cruel… aguardem…
BW: Mais de 30 anos de DMN, correto? Qual o segredo para se manter unido tanto tempo? Como foi esse período de pandemia para vocês?
Elly: Sim, estamos indo para 34 anos de atividade do DMN, muitas águas rolaram embaixo da ponte e passamos por todas as fases do Rap, sempre ativos e vivos, fazendo música boa, interagindo com os nossos fãs, trocando ideias e trabalhando duro para nos mantermos vivos. Nestes 34 anos, o que posso dizer é que amamos o DMN e tratamos o grupo, com toda a importância que é necessária e possível. Tivemos algumas perdas de integrantes que também contribuíram muito para que chegássemos aqui, sou muito grato ao LF, ao Xis, ao Max e ao Slick, amo todos eles e sempre serão minha família e parte da história do DMN, mesmo depois do fim (um dia), escrevemos o nosso nome na história do Hip-Hop nacional e da música brasileira, pois graças a Deus extrapolamos o Rap e alcançamos outros estilos musicais também e temos o respeito de muitos, somos bem citados em diversas composições de grandes artistas de nosso segmento e isso não tem preço, é gratificante ter esse reconhecimento e saber que nossa música salvou e ainda salva a vida de muitos. Hoje, no DMN, quem toca o barco somos eu e meu irmãozaço, Markão II, que também é integrante do Realidade Cruel. Para nós, foi uma missão muito difícil tocar esse barco todos estes anos, sabendo da qualidade técnica de grandes rimadores que já passaram no grupo, mas acredito que depois de todos estes anos, não decepcionamos aos fãs e continuamos fazendo uma música boa e com conteúdo lírico apurado e, o principal, nunca perdemos a nossa originalidade, DMN4LIFE! Falando da pandemia, foi algo bem difícil para todo mundo e para nós não foi nada diferente, não foi nada agradável, estar em uma prisão domiciliar por quase 3 anos, longe das pessoas que amamos, sem trabalhar, ou poder fazer o que gostamos, vendo nossos amigos e amigas pegando as malas e indo embora, por causa desse vírus maldito, ver tanta gente morrendo em nossa frente, ver tanta gente maluca surgindo, com a vitória do atual presidente, do qual graças a Deus não contribuí em nada para que ele estivesse aonde está. A nossa vida só se tornou mais e mais difícil e torço muito para que as coisas mudem, que as pessoas acordem, para que façam as melhores escolhas nas urnas, para que não tenhamos novamente que passar por toda essa dor, que já vivemos emocionalmente, pois perdemos familiares, amigos e amigas, ainda vivemos com o fantasma da doença e o constrangimento de ainda andar com a máscara no rosto, sem saber mais quem é quem. Nossas vidas nunca mais serão as mesmas, pois nenhum de nós estava preparado para isso, então, vamos almejar novos tempos, mas, antes, temos que vencer essa guerra que enfrentaremos por todo esse ano e também com os efeitos que essa gestão causou no ser humano.
Adriana Lessa, Elly e Rose MC Imagem: Sérgio Most
BW: Ficamos sabendo que tem disco novo do DMN chegando… Pode nos adiantar o que vem por aí? O que será o “Funkztaz”? É dessa forma que escreve? Verdade que é a versão do que é o “Funk” para vocês?
Elly: Sim… pretendemos lançar o novo álbum do DMN em agosto possivelmente, estamos confeccionando as letras e as produções, posso dizer que será um trabalho bem legal, com muita coisa bacana e interessante, estamos caprichando na lírica, produção e temática, terá algumas participações das quais posso citar, nosso irmão GOG, na pesadaça música “Clássico”, Adriana Lessa, na pancada “O que será do Amanhã” e as outras ainda estamos refletindo sobre… mas aguardem, vai surpreender muita gente… é sério… (risos). Também estou produzindo, junto com o DJ Heliobranco, um trabalho muito bacana e dançante, chamado “FUNKZTAZ”, que é uma fusão da palavra FUNK com GANGZTAZ, somos os gangztaz do funk…(risos), é uma linha musical inspirada em Los Angeles, num estilo mais sofisticado, onde mostramos a nossa versão do que entendemos como Funk, muita gente fala mal do que foi feito com a palavra Funk por esse gênero que tomou posse do nome aqui no Brasil, mas não fazem nada para mostrar um outro caminho e nós resolvemos dar o nosso ponto de vista, a nossa versão musical e resposta à musicalidade em si. Contamos com a colaboração de diversos rimadores, que convidamos um a um, posso falar que vai ter feat de Fernando Treze, Luli, Rose MC, Adriana Lessa, Natho D.C., Dhavy O.C., Alambeat (Sampa Crew), Diwcy (Vítima Fatal), Nino (Cohabitantes), Magoo Jigsaw, Racional, Pastor Tom, Chris Britto, Tchello Rock (Fantastic Force), Cezinha, Paulo Break, Magno C4 (Visão Urbana), DJ Gato Magro e muito mais…
BW: E o trabalho que realizou junto com a Rose MC? Fale sobre ele. E sobre o que você anda produzindo?
Elly: Produzi o CD da Rose MC, inteiraço, e tem também tracks produzidas pelo DJ Heliobranco, que também cuidou dos detalhes da arte de capa do CD, foi muito bacana poder fazer parte desse projeto, pois a Rose é uma pessoa muito bacana, e correria, ela merecia ter um trabalho de qualidade, ainda mais depois de tantos anos lutando pelas causas da mulher, representando a classe trabalhadora dos professores, levantando a bandeira do Hip-Hop nos 4 cantos onde esteve, é importantíssimo ajudar a construir um trabalho de qualidade, para quem é de verdade e original, e aí, somando forças com um time que sempre que posso envolvo em meus projetos, como a minha parceira Luli, oldschool do Rap também como nós, que está produzindo seu primeiro trabalho comigo e também contribui com a composição de letras e vocais no trabalho, com a contribuição de Fernando Treze, que fez parte do time que acompanhava o Xis em tempos de destaque no cenário, que também é um monstro da caneta e nos vocais e Rose MC com seu talento natural e experiências vividas e escritas em suas letras, que são afiadas e inteligentes, eu a dirigi aqui em meu estúdio e o que posso dizer é que ficou um trabalho muito bonito e musical, ela está muito feliz com o resultado e agora, em junho, está na rua o CD físico e nas principais plataformas digitais. Estou também produzindo trabalhos para o Racional, um garoto novo e bem interessante, que já tive a honra de dividir uma track chamada “Criação de Dependência” que tem o vídeo clipe no YouTube, estou produzindo o trabalho de um rimador chamado D’Responsa, bem legal e diferenciado, que brevemente estará nas plataformas. Uma track para o Edy, junto com DMN, que está por vir, estou produzindo o CD do “Cohabitantes” do Nino & Renê, muito bom e pesado, com várias músicas boas, produzi o novo single do Magoo Jigsaw, “Código da Rua”, que também já está em todas as plataformas digitais… Estou produzindo uma track para a rapper Vanessa Kriolla e também estou produzindo o trabalho do grupo Negritude Ativa, do meu mano Gilmar, lá do Espírito Santo, com aproximadamente umas 10 faixas, muito bom também e, em breve, vai sair todos estes trampos com uma qualidade impecável!
Elly e sua mãe, Dona Severina Imagem: Arquivo Pessoal
BW: Elly, nesses últimos anos tiveram momentos bons e momentos tristes com a perda da sua querida mãe. Queria que nos contasse um pouco da sua relação com ela e o que ela significava na sua vida… E como foi superar essa dor e prosseguir?
Elly: Bom… minha mãe me deu a vida e me ensinou todos os valores de vida que tenho e levo comigo, eu a amo e a amarei incondicionalmente, até depois do meu fim, ela foi minha companheira e amiga por 44 anos, e não foi fácil saber que ela resolveu pegar as malas e partir não, foi algo doloroso, difícil de entender, o porquê que as mães têm que ir embora e de lidar com a falta dela, apesar de eu me sentir privilegiado, pois a tive comigo até os 79 anos e nunca fui um mal filho, nunca dei desgostos a ela e fiz minha parte, quando temos a consciência disto, ajuda muito a superar o processo da perda. Mas como temos que seguir em frente, fiquei bem abalado por alguns anos, principalmente no Natal, pois ela fazia aniversário nesta data, mas consegui superar e hoje entendo que tinha que ser assim e uma hora todos temos que ir… que ela esteja ao lado de Deus!
BW: O tempo passou, todos nós que acompanhamos o DMN estamos na fase dos “enta”… O que mudou em todos esses anos para você? Quem é o Elly hoje e que planos existem para o futuro?
Elly: A fase dos “enta” é algo bem interessante, pois nos deixa mais reflexivos, mais sensíveis em muitos aspectos, mais calmos, nos dá mais sabedoria, amplia nossa visão de alcance da vida, procuramos errar menos, e enxergamos muito longe, num imenso 360 graus, o mais maluco é que a vida inteira, escutamos que a vida começava aos 40, e, às vezes, eu ficava refletindo se era isso mesmo, queria muito que chegasse, mas com a idade vieram diversas complicações, também relacionadas a saúde, infelizmente, quando se fala de saúde, nunca são boas, mas eu acredito que temos sempre que buscar novos caminhos e focar nos desejos de vida, muita gente se ilude com sonhos, porém, os sonhos não temos o controle e só acontecem quando não esperamos e dormimos, o que nós temos que focar são nos desejos e objetivos, para poder alcança-los e aproveitar a vida, da melhor maneira. Meus planos para o futuro, é continuar fazendo o que amo fazer, que são minhas músicas, voltar a fazer minhas atividades físicas e jogar basquete, que tive que parar por motivos de saúde, quero poder me estabilizar, físico, mental e financeiramente, ter uma esposa, viver a minha vida da melhor maneira, também quero fazer aulas de canto e piano, para somar a tudo que já faço, poder viajar um pouco, talvez para o exterior e ficar um tempo [fora do Brasil].
DMN, Rashid e Emicida Imagem: Arquivo Pessoal
BW: Que mensagem você deixaria para a nova geração de rappers que está chegando? Que conselhos daria?
Elly: Acreditem sempre que é possível fazer o seu melhor, façam músicas boas, pesquisem mais, busquem conhecimento, tenham foco, não façam o que todo mundo faz, nesse mercado da música, só fica quem é original, quem tem estilo, se você é igual a todo mundo, sempre será comparado a alguém, isso é péssimo, pode até funcionar por um tempo, mas uma hora azeda mesmo o caldo e você vai cair no esquecimento e aí, para voltar depois, é quase que impossível, o mercado da música é pop e o pop não polpa ninguém, chegar lá no topo não é impossível e qualquer um pode chegar, mas se manter no topo é que é o difícil. Quando forem fazer seus trabalhos, procurem trabalhar sempre com os melhores, ser profissional, não trate sua música como qualquer coisa, dê o tratamento que daria a um filho seu e tenho certeza que você não colocaria seu filho em qualquer escola, nas mãos de qualquer um, é importante demais essa parte para poder dar frutos positivos pra você e, por último, escutem Rap, fiquem longe das drogas, respeitem os mais velhos, aproveitem bem a honra de ainda terem verdadeiros livros de histórias, bem vivos e ao lado de vocês, cheios de informação e conhecimento para passar pra vocês! Escutem DMN, escutem Ellypretoriginal!
BW: Pode deixar uma mensagem para os leitores do Portal Breaking World?
Elly: Valorizem cada vez mais espaços como este, sabemos a dificuldade que se tem hoje em dia para que tenham portais que falem realmente a nossa história, que abram espaço pra falar verdades, sem maquiagem, como realmente tem que ser! Sejam mulheres e homens de aço, em seu dia a dia e suas vidas! Fiquem com Deus e fortes na caminhada! Essa é a verdadeira cena, Ellypretoriginal DMN!
Imagem: Arquivo Pessoal
Imagem em destaque: Arquivo Pessoal
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Com inscrições abertas a partir do dia 28, o Red Bull BC One seleciona os maiores talentos para representar o Brasil na Final Mundial.
Evento também realizará um ‘mini festival’ da cultura Hip-Hop
Faltam apenas dois anos para a estreia do Breaking em Paris, o Red Bull BC One 2022, maior campeonato mundial da modalidade, está prestes a começar. Com seletivas marcadas para as cidades de Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Brasília (DF) e São Paulo (SP) durante o mês de julho, a competição procura os melhores B-Boys e B-Girls do país. As inscrições podem ser feitas pelo site redbull.com/bcone-br, a partir do dia 28 de junho, ou no próprio local do evento, por ordem de chegada.
De cada seletiva, as chamadas Cyphers, sairão quatro vencedores, dois de cada categoria (feminina e masculina), que passarão à próxima fase: a Final Nacional, que reunirá 16 B-Boys e 16 B-Girls, em São Paulo, e que consagrará um B-Boy e uma B-Girl para representarem o Brasil em Nova Iorque, berço do Hip-Hop. Por lá, os finalistas disputarão a Last Chance Cypher, evento do qual participam todos os vencedores das Cyphers regionais do mundo, antes de se classificarem para a grande Final Mundial, dia 12 de novembro de 2022.
B-Girl Sarah Bee – Imagem: Leo Rosas
Red Bull BC One Camp – imersão no Hip-Hop com referências do Brasil e do mundo
Paralelamente à Cypher e Final Nacional, acontece também o Red Bull BC One Camp, entre os dias 29 e 31 de julho, na Streetopia (Rua Luís Coelho, 323 – Consolação, São Paulo – SP). Com três dias de programações especiais, o público poderá vivenciar uma imersão ao mundo do Breaking por meio de workshops, apresentações, oficinas de danças e batalhas de exibição, com grandes nomes nacionais e internacionais da modalidade.
Entre a programação, acontecerá a Batalha do Chinelo, criada pelo B-Boy Pelezinho, em que participantes deverão performar calçando os chinelos e com um grande desafio: não deixar que eles saiam dos pés. O Camp ainda contará com a batalha Bonnie & Clyde, que acontece entre duplas, a Passinho House, uma mistura de ritmos tradicionais no Brasil, nunca feita antes, que terá Neguin no júri ao lado de Celly e Nenê, e a batalha entre Tsunami e The Ruggets, duas das mais temidas crews do mundo, além de workshops ministrados por Kapela, Sarah Bee, Lilou, Little Shao, Arthur Fiu e outras referências da cena.
B-Boy Kapela – Imagem: Romina Amato
E-Battles
O campeonato mundial conta com mais de 60 eventos qualificatórios em 30 países diferentes. Entretanto, para as cidades sem qualificatórias, há também uma chance de participação no torneio através das E-Battles, em que os participantes enviam vídeos de até um minuto performando os seus melhores movimentos. Pela primeira vez na história, os vencedores das E-Battles avançam direto à etapa mundial, sem precisar passar pela Last Chance Cypher. O resultado sai dia 22 de junho.
Este ano, mais de 91 países participaram dessa fase da competição, sendo cerca de 30% dos inscritos do Brasil, país com o maior número de inscrições.
B-Boy Lilou – Imagem: Little Shao
Se ligue nas datas!
Em 2022, o Red Bull BC One conta com Cyphers Regionais, Final Nacional e Final Mundial, além do Red Bull BC One E-Battle e do Red Bull BC One Camp. Confira, abaixo, as principais datas para não perder nada do evento:
22/06: Anúncio dos finalistas do Red Bull BC One E-Battle
Ele nasceu na Paraíba, na cidade de João Pessoa, mas foi em 2005, com apenas 12 anos, que após assistir um DVD de um campeonato de Breaking decidiu se dedicar de corpo e alma a esse elemento da Cultura Hip-Hop. Cresceu praticando saltos mortais, plantando bananeiras e se dedicando aos movimentos flexíveis, o que o levou a ser um dos caras mais flexíveis do Brasil, claro que estamos falando do Jonas Flex. Neste último mês, ele esteve em São Paulo como jurado e palestrante do campeonato Breaking Combate, onde falou de assuntos bem importantes como viver da dança, lesões e oportunidades para dançarinos. Jonas está de malas prontas para a Europa, onde pretende passar uns 40 dias participando de campeonatos, como World Breaking Classic, The Notorious I.B.E e Outbreak. O Portal Breaking World correu e levou aquele papo com esse mano que, sem dúvida, é uma referência não só na dança, mas na conduta dentro da cena. Confira a entrevista:
BW: Queria que você nos falasse um pouco da sua infância, onde nasceu e cresceu e que lembranças tem dessa época?
Jonas Flex: Nasci e cresci na Paraíba, na cidade de João Pessoa, no bairro do Geisel, toda minha infância foi cercada de aventuras, dentro do meu bairro, andando de bicicleta, soltando pipa, jogando bola, praticando saltos mortais e “plantando bananeira”.
Imagem: Jonas Flex / Arquivo Pessoal
BW: Quando teve contato pela primeira vez com a Cultura Hip-Hop? O que mais te chamou a atenção?
Jonas Flex: Desde criança eu sempre tive contato o Hip-Hop, na música e Graffiti e depois de alguns anos, com 12 anos de idade, tive meu primeiro contato com o Breaking, através de um DVD, onde assim que assisti me identifiquei com aqueles movimentos, pois sempre achei que meu corpo pedia isso.
BW: E com o Breaking? Quem foram suas referências e com quem aprendeu a fazer seus primeiros movimentos? Alguém te ensinou? Em que ano foi isso?
Jonas Flex: Minha primeira referência foi o DVD do Red Bull BC One 2005, após assistir eu fui atrás de pessoas que dançavam no meu bairro e acabei encontrando algumas pessoas que estavam iniciando e outras que já dançavam, assim fui criando conexões e comecei a praticar cada dia mais.
BW: Quando começou a se envolver com o Breaking, você teve apoio da sua família?
Jonas Flex: No início não tive tanto apoio, eu era muito novo e ainda estava no ensino fundamental e minha mãe disse que “eu só podia dançar se eu fosse aprovado e no dia que eu reprovasse nunca mais eu colocaria a mão no chão para dançar”, aí, desse jeito, eu me dediquei muito aos meus estudos e consegui finalizar ensino fundamental, médio e superior sem reprovar nenhuma vez, sendo assim, ganhei a confiança dos meus pais e com o tempo eles começaram a me apoiar muito e valorizar o que eu fazia. Hoje eu sou formado em Licenciatura em Dança pela UFPB (universidade Federal da Paraíba).
Imagem: Jonas Flex / Arquivo Pessoal
BW: E de onde vem tanta flexibilidade nos movimentos?
Jonas Flex: Quando iniciei no Breaking, eu me identifiquei com os movimentos flexíveis, me alonguei muito junto com o professor de ginástica, que me auxiliava nos alongamentos e me fazia ir além dos meus limites. Sempre achei que seria o cara mais flexível do mundo, mas aí eu alonguei tanto que quase me machucava e resolvi diminuir no alongamento para não ter um problema no futuro, mas ainda fiquei muito flexível até os dias de hoje, ultimamente tenho alongado apenas para manter o que eu já tenho.
BW: Com que idade começou a competir no Breaking? Fale um pouco das principais vitórias e dos principais eventos por onde passou.
Jonas Flex: Minha primeira batalha foi com 13 anos de idade, eu dançava Breaking há menos de um ano, foi uma experiência incrível, mas não me dei bem em relação a vitória, mas me dei bem com a experiência que adquiri, que foi essencial para minha evolução como dançarino, até que o tempo foi passando e fui ficando em vários pódios de terceiro, segundo e primeiro lugar. Ganhamos 5 vezes o Giga B-Boys/B-Girls em Pernambuco, ganhamos 4 vezes o EDCRA na cidade de Exu (PE), ficamos 3 vezes em segundo lugar no Festival Cearense de Hip-Hop em Fortaleza (CE), já participei de vários Red Bull BC One Cypher Brasil, já participei de eventos internacionais como Unidisputed, Crashfast, BBIC no The Notorious IBE Holanda, Breaking It Up Hungria, Outbteak Eslováquia.
BW: Recentemente, você esteve em um grande evento aqui em São Paulo e, numa roda de conversa, falou sobre viver do Breaking aqui no Brasil. Queria que nos contasse a sua experiência, se alguém te apoiou financeiramente, patrocinou e que conselhos você daria para quem pretende viver da dança?
Jonas Flex: Esse é um dos assuntos mais complicados e delicados para mim, pois viver bem trabalhando com dança aqui onde eu moro em João Pessoa, para mim foi e ainda está sendo impossível, tive que buscar outros meios para conseguir realizar “meus sonhos” e pagar meus boletos. Abri uma empresa e hoje trabalho com moda Street Wear, mas para quem realmente quer viver da dança, eu aconselho se dedicar bastante, mas sempre ter dois caminhos, para caso um caminho não dê certo, você tenha o outro, assim transformando os dois caminhos em um e não se tornar um “dançarino frustrado”.
Imagem: Jonas Flex / Arquivo Pessoal
BW: Nos últimos anos vivemos muitas mudanças, o Breaking virou uma modalidade olímpica. Como você vê todas essas mudanças, cultura versus esporte e a forma que vem sendo trabalhado no Brasil. Olhando o cenário mundial estamos preparados para subir num pódio?
Jonas Flex: O Breaking nos Jogos Olímpicos é de extrema importância, pois trará muita visibilidade e valorização para o Esporte/Dança, gerando emprego e patrocínio de grandes empresas para os B-Boys/B-Girls, sendo assim, alcançaremos o tão sonhado “Viver bem de dança no Brasil” algo que eu espero dizer um dia, hoje é possível para mim.
BW: Verdade que esse ano você vai para fora? Quais são seus planos? Por que países pretende passar? E por quanto tempo pretende ficar fora do Brasil?
Jonas Flex: Vou passar 40 dias na Europa, onde estarei participando de vários eventos, como World Breaking Classic, The Notorious I.B.E e Outbreak e, claro, fazendo aquele network, criando uma conexão com novos amigos e aprendendo um pouco da cultura de cada país que estarei passando.
BW: Jonas, você é um B-Boy bem experiente e já gravou vários tutoriais que têm ajudado B-Boys e B-Girls espalhados pelo Brasil. Outro assunto que você tocou na roda de conversa no evento aqui em São Paulo, foi sobre o “perigo das lesões”. Nos fale um pouco sobre esse assunto e se existe uma forma de se cuidar mais e de diminuir os riscos?
Jonas Flex: Esse é um assunto que eu posso falar, pois sou a prova viva. Infelizmente, para quem não sabe, eu sempre eu fiz Street Show, por 10 anos, como dependente, para completar minha renda, ou seja, se eu não dançasse no semáforo de trânsito e na orla da praia, eu ficaria sem dinheiro para se manter, o que foi um pensamento muito triste da minha parte, pois poderia ter pego outro trabalho para poupar meu corpo; no semáforo de trânsito eram, em média, 80 entradas com flares e handhops e isso foi desgastando meu corpo, principalmente a virilha, pois o corpo não aguentou o excesso de exercício físico. Hoje eu evito dançar sem me alongar ou aquecer, para não me lesionar. Muitas vezes você vai em um shopping ou algum passeio e as pessoas falam “Faz um flare aí, ou dá uma entrada para eu gravar” e, assim, na emoção, você acaba fazendo e aquilo pode te custar uma lesão crônica ou tão demorada que pode durar anos e nunca mais ser o mesmo corpo, eu fiquei lesionado da minha virilha por 7 anos, isso tudo porque eu fazia o Street Show na orla de praia sem me alongar e acabei adquirindo essa lesão, e olha que em 2014 eu era um dos caras mais flexíveis do Brasil, mesmo assim não teve jeito, a lesão ficou até 2021 e hoje estabilizou 90%, mas depois de passar por vários médicos, fisioterapia, nada dava jeito, até que desisti de tudo e deixei ver até onde ia e acabou melhorando, talvez por sorte (risos tristes).
Imagem: Little Shao
BW: Em alguns eventos, você tem dançado de luva devido a um suor excessivo nas mãos. Na medicina, isso é chamado de Hiperidrose, é isso? Talvez você não seja o único que passa por esse problema. Pode explicar um pouquinho da sua experiência, do que acontece com você e quais as alternativas para resolver isso?
Jonas Flex: Para quem não sabe, eu tenho esse problema de Hiperidrose, que é um suor excessivo nas mãos, isso me atrapalhou desde o início quando comecei a dançar Breaking, vários eventos eu deixei de participar devido o piso ser muito liso e não dar para mim. Perdi as contas de quantas vezes eu caí ou deixei de fazer meus movimentos devido o piso liso, até que eu fui para o evento Red Bull BC One Fortaleza 2021, onde estava super preparado, com várias entradas e movimentos para ganhar e acabei escorregando no piso e não consegui desenvolver como eu gostaria. Após sair de lá, muito triste, eu fui atrás de um método para solucionar o meu problema, o que eu já deveria ter corrido há muito tempo, tentei várias coisas, como pó magnésio, gesso, entre outros e nada deu certo. Então, fui atrás de uma luva que não deixasse escorregar e fosse confortável para eu dançar. E resolvi meu problema, por enquanto, porém, pretendo fazer essa cirurgia para parar de suar, ela no particular passa de R$ 20.000,00, mas estarei buscando pelo SUS aqui na minha cidade e espero conseguir o mais rápido possível, além disso, eu tenho Ceratocone, um problema de vista que deforma a córnea e fiz a cirurgia de um olho e ainda falta o outro, depois disso estarei 100% para me dedicar ainda mais ao meu Breaking.
BW: Quais são seus planos para o futuro?
Jonas Flex: Meus planos para o futuro, é conseguir viver bem da dança, algo que no fundo eu ainda acredito que será possível, mas também se não der certo, continuarei firme e forte com meu Breaking e trabalhando na minha área de empreendedorismo e me dedicando ao máximo como sempre fui.
BW: Deixe uma mensagem para os leitores do Portal Breaking World?
Jonas Flex: Deixo meu agradecimento ao Portal Breaking World, por poder contar um pouco da minha história, também agradeço a todos vocês que tiraram um tempinho para ler mais sobre mim, que nós do Breaking e da dança no geral, nunca venham a desistir de sonhar, mas nunca fiquem apenas no sonho, vamos realizar, novos tempos estão por vir, foco no trabalho.
Imagem em destaque: Jonas Flex / Arquivo Pessoal
Imagem: Jonas Flex / Arquivo Pessoal
Imagem: Jonas Flex / Arquivo Pessoal
Imagem: Lucas Matheus
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