Fui desafiado para escrever uma coluna sobre o documentário “Nem Eu Sei Tudo” (2020, Brasil), que estreou em junho em uma exibição on-line, para evitar aglomerações [devido a pandemia do novo coronavírus].
Penso que seria massa elencar alguns motivos para convencer o leitor desse site a assistir esse filme e por isso vou citá-los abaixo:
O primeiro fator é que o média-metragem mostra o que é a “Nest Panos”, como ela começou há 10 anos e quais são seus propósitos, o que é muito louco porque essa é uma marca de roupas/coletivo que atua com muita força no cenário Hip-Hop de toda América do Sul e é feita totalmente por pessoas que vivem diariamente a cultura, desde a produção e vendas de roupas voltadas para “Street Wear”, produção de eventos, ministrando oficinas em projetos sociais, registrando essa cultura tanto na sua cidade sede que é Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, como em todo o país e continente.
Outra justificativa “da hora” é que o documentário mostra muito sobre o “Battle In The Cypher” e tem muitas imagens fortes da edição de 10 anos e, também, das pré edições no Uruguai e em outros estados, com destaque para São Paulo, na “Casa do Hip-Hop”, todas essas edições ocorreram no ano de 2019.
O “BITC”, atualmente, é um dos encontros de Hip-Hop mais respeitados no Brasil e o filme tem uma sensibilidade de mostrar que é muito mais que uma competição, transmitindo a mesma emoção para a tela, cenas que marcaram quem estava nesses “rolês”.
A parte técnica do filme, produzida pela “Âncora Produções”, também está bem finalizada: som, imagens e um roteiro com muita qualidade, que conta uma história de um coletivo nascido a partir do amor pela Cultura Hip-Hop, em um dos lugares mais contraditórios para isso. Buscam incansavelmente fomentar e fortalecer essa cultura na região, levando seu nome para o Brasil e o mundo.
Enfrentando diversos preconceitos, juntos, persistem na batalha de serem melhores para os outros. Pois acreditam que cultura não se trata do que gostamos, mas sim do que pode mudar vidas, além da trilha sonora que vai desde a nova escola do Rap nacional, como “Síntese”, até o resgate do sempre pesado e significativo som do “Jigaboo”.
Mas o principal motivo para você assistir eu guardo para o final, apesar de seguir o “Nest Panos” e suas ações e eventos, “Nem Eu Sei Tudo” não fala apenas do coletivo e seus agentes, mas fala das ações, sobre fazer o seu melhor pela sua cultura e pelas pessoas.
As cenas de bastidores de eventos, projetos sociais, a maneira de como vencer os preconceitos e a busca por um (necessário) protagonismo das minas nessa cultura são lições que você toma ao assisti-lo. Além da galera do coletivo, o documentário também conta com participações dos Rappers “Miliano”, “P.MC” e “Neto do Síntese”, dos B-Boys “Casper”, “Onnurb”, do grafiteiro “Wagz” além de imagens e homenagens ao “Banks Back Spin” (R.I.P).
“Nem Eu Sei Tudo” é o lema deste filme, pelo qual buscamos sempre aprender mais e inspirar as pessoas e o ambiente ao nosso redor.
Fotos: Nest Panos
VAMOS COMPARTILHAR?
E aí, gostou da matéria? Confira mais de nossas notícias!
O bagulho ficou doido quando, no final do mês de maio, o B-Boy e Rapper Lucas Lameu, mais conhecido como “Churcks MC”, estreou no YouTube mais um vídeo, dessa vez chamado “Vida de B-Boy”. Depois de uma década sem ninguém escrever sobre o assunto, Churcks resolveu quebrar o silêncio e fazer uma homenagem a todos que têm o Breaking Beat vivo em suas veias.
Para quem não sabe, Lameu nasceu na cidade do interior de São Paulo chamada Assis, conta que começou a dançar Breaking aos 14 anos, mas que só se dedicou à dança um ano depois, quando passou a treinar todos os dias. Sem apoio dentro de casa, Lameu cresceu compreendendo que o Hip-Hop sempre foi visto como algo que não garantia futuro. O tempo passou e hoje a realidade é diferente, ele conta: “Minha mãe gosta do que faço, apoia e entende que foi a cultura que me salvou… Eu, junto com minha crew “Flava Rockers”, já viajamos para diversos campeonatos, ganhamos vários prêmios, tivemos nessa caminhada vitórias e derrotas. Já viajei pra alguns países da América Latina, como Chile, Bolívia, Peru e já rodei uma grande parte desse Brasil junto com a minha crew, dançando. Comecei a fazer rimas entre 2008 e 2010, sempre se inspirando muito em Racionais, Sabotage, Doctor MC’s, Thaíde, Cyphers Hills, Tribe Called Cast, Fushiniks, entre outros Raps nacionais e internacionais, que usávamos junto aos ‘breaking beats’ para dançar nosso B-Boying em cima deles”, e continua, “o Breaking foi o caminho para o B-Boy de Assis chegar também no rap. Na ocasião, rappers como Emicida se destacavam nas Batalhas de MC em São Paulo”. Por meio de um PC bem antigo, nascia um novo MC, o “Churcks”, que começou a curtir essas rimas, a arte da improvisação, até começar a fazer freestyles entre amigos. Foi quando ao mesmo tempo, começou também a ganhar destaque na cena da dança, “se jogando” pelo Brasil e pelo mundo afora. Indo residir então na Capital Paulista, um novo momento começava e com ele algumas dúvidas. Ele lembra: “Comecei a ganhar destaque na cena do Breaking nacional e fiquei dividido, por anos o Breaking sempre gritou mais alto dentro de mim, mas eu nunca deixei de rimar com os parceiros em rodas, entre eu e meus manos, eu sempre estava ali rimando, eles sempre falavam que eu tinha talento e até participei em algumas batalhas de rimas. Mas foi no final do ano de 2019, após todo esse tempo de vivência dentro da cena Hip-Hop, que eu decidi trazer a todos esse meu velho (e novo ao mesmo tempo) sonho de adolescente, pois foi isso que me fez chegar até aqui, tudo que eu vivi ou que eu vi em algum momento, passei a transformar em rima, não faço nada mais que isso… Isso aconteceu quando se foi um conhecido meu que também fazia rimas no final do ano passado, o “Mineiro”, ele era jovem e sonhador, assim como eu, a maldade do mundo e uma doença que mata milhares nessa Terra, levando muitos à depressão, foi o caso dele, o que o levou num trágico dia a tirar a própria vida. Nessa hora eu tive a certeza que não podia esperar mais pra fazer a minha arte! Pois quanto tempo ainda tenho? Quantas vezes vivi uma realidade que não era o que eu queria, drogas, festas, crime, não era isso que me preenchia, era bom na hora, mas o outro dia sempre eu ali sozinho e o Hip-Hop foi, literalmente, o que me salvou e fez possível eu estar aqui hoje”, emociona-se o MC.
Em janeiro, Churcks gravou o primeiro trabalho solo, intitulado “Grana”, música feita por ele mesmo, que conta sua realidade vivendo em São Paulo, onde é possível fazer dinheiro, participar de muitas festas, rolês e relações, que são vazias, mas ao mesmo tempo, segundo o MC, são necessárias para sobreviver na louca “Selva de Pedra” paulistana!
Em seguida, lançou mais seis trabalhos autorais. O último, com grande repercussão, foi uma homenagem feita à propria mãe e às milhares de mães pelo mundo que criam seus filhos sozinhas e não falham nunca na missão. Ele comenta: “Trabalho lindo e feito de coração! A música fala sobre minha história e a de muitos nesse mundão, fala sobre ser criado só pela mãe, uma mulher preta que, sozinha, criou dois filhos, eu e meu irmão Douglas Albert, que tem Síndrome de Down, fala sobre a força da mulher em nunca abandonar a missão de ser mãe. Acredito que bastante gente se identifique, pois são muitos que se encontram sem o nome do pai no RG e que foram criados por uma mulher forte, que não falhou, seja mãe ou avó, mas a mulher mãe para mim é outro nível. O clipe foi gravado tudo em casa mesmo, gravado e produzido por um casal de amigos da cidade de Jales, interior de São Paulo (GG-One Bergamo e Renuza Gonçalves)”.
E agora, o som “Vida de B-Boy”, que Lameu explica: “É uma homenagem a todos que realmente amam essa arte e além disso, é uma forma de levantar a bandeira do Hip-Hop, pois os MC’s da atualidade esquecem muitas vezes dos valores reais dessa cultura e a dança, o Breaking, é um elemento importantíssimo dentro da cultura. O Hip-Hop tem 4 elementos: DJ, Graffiti, B-Boying e MC… Essa música já foi tocada em países como Chile, Argentina, Dinamarca, Espanha e Portugal, acredito que as pessoas estão ouvindo esse, como outros trabalhos, pois eles se sentem representados, sentem verdade no que eu canto e isso faz eles se inspirarem de certa forma, pois é isso que me fez chegar até aqui. No Brasil, hoje ainda sofremos um certo preconceito em questão à dança, por mais que cada vez estejamos inclusos em lugares aonde antes não imaginávamos frequentar, acredito que o Breaking ainda merece mais valor, cachês maiores, apoios, investimentos, eu acredito que é um dos movimentos mais reais da cena. Então, porque não podemos ser valorizados igual a maioria das outras artes ou esportes urbanos? Para mim, meus manos que estão fora do país são a prova do quanto é possível crescer e buscar novos caminhos, novas vivências com a dança, conheço pessoas que de fora do país ajudam suas famílias e porque no Brasil não valorizamos dessa forma? Outra questão que abordo é a importância de ter um estilo próprio, não só na dança, mas isso serve para a vida, tudo que você faz querendo ser o outro te prejudica em poder atingir aquilo que você mesmo pode ser, acho que a arte, a dança em si, especificamente, é algo único, algo muito íntimo e quanto mais natural você for, melhor resultado você pode dar dentro de uma batalha, cypher ou qualquer lugar que vá mostrar sua arte”.
Lucas Lameu
Davi Silva, filho do MC
Churcks MC 'Vida de B-Boy'
Confira a letra da música na íntegra:
VIDA DE B-BOY
Como não vou falar do que me fez tá aqui O Breaking fez ser quem eu sou em forma de freeze Inspiração traz Motivação, Motivação a criação, Treino a evolução, Hip-Hop é união, ou não? Lembro quantas vez eu já sorri Como tanto lembro toda vez que eu já chorei Lembro como se fosse hoje tudo que eu vivi 2006 em Tarumã o primeiro evento que eu participei Ouvi falarem que o Breaking morreu É porque o Breaking não tá sempre na sua TV Pergunta pro Sinistro se o Breaking morreu Quem conhece ele já sabe o que ele vai te responder Hip-Hop é que faz viver, Hip-Hop no trem é o primeiro de SP Meus manos que tão na Europa são prova que Breaking te faz vencer E eu a prova que quem dança também faz R-A-P
Mestre Thaíde já falou e eu repito “Quando eu quero alguma coisa eu vou atrás E vou te dar um conselho, não duvide de mim…” Sabe porquê?
Refrão (2x)
Porque eu sou B-Boying, sou B-Boying, Sob o solo Flava destrói As barreiras, sempre eu esquivo Break Beat é o que me mantém vivo
(Declamação) A dança é uma linguagem universal. Você pode encontrar alguém de outro país, Não trocarem uma maldita palavra E ainda assim dançar a noite toda…
São 15 anos de vivências, uma longa caminhada Viagens sem volta eu me joguei na parada Rodoviárias nem sei, lugares onde passei Amigos que conheci, títulos que eu ganhei Cada passo dessa arte me fascina Cada batalha sempre uma nova adrenalina Eu sou exatamente aquilo que sente ao me ver dançar B-Boy é super-herói que sem asas pode voar Seja estudante, nunca o mestre, Breaking é pra todos Ken Swift te disse, da forma que é mais profunda Quem não entende nossa arte diz que somos loucos Os loucos que mantém a cena mais viva que nunca
Refrão (4x) Porque eu sou B-Boying, sou B-Boying, Sob o solo Flava destrói As barreiras, sempre eu esquivo Break Beat é o que me mantém vivo
(Declamação) Quando você está na roda tudo é perfeito O sentimento de cada batida A música começa a vibrar através de você O tempo deixa de existir E aquele momento você deixa a sua alma junto à música É sua vez, é sua essência em forma de dança E não há problema em querer ser tão bom quanto alguém Mas cada pessoa tem um estilo E você não pode encontrar o seu estilo Se estiver ocupado tentando ser outra pessoa…
(Declamação) Salve Flava Rockers Salve a todas B-Girls e B-Boys que já conheci Salve Nelson Triunfo Salve Thaíde Salve Banks É a essência de vocês que me fez chegar até aqui Gratidão a todo a toda nação Hip-Hop Um salve verdadeiro, Churcks MC.
E o futuro já começou para Churcks MC que conta que, além do amor que tem pelo Hip-Hop, todo o corre e a motivação de sua vida e de seu trabalho têm um nome especial: “Davi Silva”, filho do MC, que tem apenas 3 anos e mora longe, em Macapá. Seu foco é dar uma condição melhor para o pequeno e poder vê-lo mais vezes, pois sente muita falta dele. Churcks está preparando mais três musicas e já adianta em primeira mão os nomes para o Portal Breaking World: “O Melhor de Mim”, “Até Quando” e “Break Hit”. Ele finaliza: “Estou trabalhando como nunca, sei que jamais vou deixar minha essência de lado, humildade e muita fé que as coisas vão acontecer! Eu acredito que o Hip-Hop ainda vive, e eu sou prova disso!”.
VAMOS COMPARTILHAR?
E aí, gostou da matéria? Confira mais de nossas notícias!
“Somos uma família, onde ajudamos uns aos outros, compartilhamos momentos felizes e tristes, a motivação é caminhar sempre juntos” (B-Boy Suco)
O endereço é na Avenida Portugal, 1.111, no Jardim Pilar, em Mauá, no estado de São Paulo, onde, todas as terças, sextas e domingos crianças e jovens de diferentes idades, personalidades e histórias, se reúnem formando uma grande família. Crianças muito espertas e agitadas, outras mais tranquilas e inocentes e, ainda, aquelas mais agressivas ou tímidas, que aos poucos vão chegando, cada uma com sua história. Descobrindo aos poucos o real motivo de estar ali e o significado de fazer parte de uma grande família. Dessa forma, o Breaking chega na vida de muitos pequenos e grandinhos de comunidades carentes de Mauá, como instrumento de motivação, capaz de transformar histórias em exemplos de vidas a serem seguidos.
Por meio de ações sociais ampliam suas visões do futuro. A ideia nunca foi somente ensinar a dançar Breaking. “Aqui a gente fala sobre o bullying, racismo, digo para essa garotada que eles precisam respeitar os idosos. Ensinamos responsabilidades. Quando alguém chega, tem de dar ‘oi’ para todo mundo”, conta o oficineiro Cesar Massotti, mais conhecido no meio da Cultura Hip-Hop como B-Boy Suco, idealizador e presidente do “Projeto Hip-Hop Educa” aqui no Brasil e em outros países. Suco dança há 26 anos, começou em 1995. Com 13 anos, fazia parte da Mauá Break Crew. Naquela época, as coisas não eram fáceis, eram dias totalmente diferentes dos de hoje: poucos espaços, muita discriminação, o Breaking não era valorizado, sem internet e celular, tudo era mais difícil. Ver vídeos, só em fita cassete e demorava muito para chegar na mãos dos B-Boys, um passava para o outro. Os poucos projetos sociais que existiam na cidade não tinham tanta estrutura.
Suco começou a dançar com a Mauá Break, com os B-Boys Neguinho, Aguimar e Rogerio, eles foram suas referências. Na crew ficou até 2015, quando fundou o “Hip-Hop Educa”. Ele conta: “A real motivação inicial foi o descaso do governo antigo e desprezo com as oficinas que rolavam na cidade, nós tínhamos muitos alunos bons com talentos maravilhosos e que não queríamos perder e foi aí que conseguimos o espaço para dar o pontapé inicial no projeto. Foi com muita fé e trabalho duro que conseguimos colocar tudo em prática. O espaço, que era o mais difícil, conseguimos e a força de vontade das crianças e adolescentes para poder participar era o essencial para dar certo. Dificuldades sempre existiram e temos até hoje, creio que como todo projeto social. O único apoio que tivemos foi dos pais e mães e o responsável do espaço, o Claudio de Lourenço, que nunca nos cobrou um centavo! Muitas crianças já eram minhas alunas ou de outros professores em oficinas e foram convidadas a participar do Hip-Hop Educa. Algumas já tinham experiência com dança, outras não, tivemos que separar e fazer um trabalho diferenciado, ensinando disciplina e postura, entre parte corporal e mental, alguns se adaptaram muito rápido com a parte musical, corporal, criatividade, entre outros aspectos e depois dávamos o início na parte educacional entre os intervalos das aulas e dessa forma a família foi crescendo. Devagar começamos a cobrar também os estudos, responsabilidades, para poder fazer parte da família do Hip-Hop Educa”, conclui o arte-educador. Importante dizer que em todas as aulas do projeto o aluno, desde o início, é ensinado sobre a história do Hip-Hop, quem foram seus precursores e que no Brasil tiveram muitas pessoas importantes para a história do Breaking. Todas as crianças estudam os 4 elementos do Hip-Hop e se aperfeiçoam no que tem mais afinidade. São ensinados na dança sobre os nomes dos passos (Top Rock, Footwork, Freezes) e sobre a importância do alongamento e da musicalidade. Suco declara: “Nosso projeto é bem além do que participar de eventos de Hip-Hop. Somos uma família, onde nos ajudamos uns aos outros, onde compartilhamos momentos felizes e tristes também e a motivação é estar perto dessa família, onde nos reunimos para almoçar, jantar, ir para a praia, chácara ou festas comemorativas e isso é a motivação deles. É claro, também, que os que gostam de competir os apoiamos. Alguns deles são preparados para as competições, mas mesmo os melhores para nos representar, são cobrados a ter uma boa conduta e disciplina com seus companheiros de dança, não queremos campeões apenas, mas sim bons cidadãos, multiplicadores para um bom futuro para nosso país. Mas entendemos que todos os alunos merecem competir também e mostrar sua dança, conhecer aquela energia maravilhosa de estar participando de uma competição e a real importância de que todos nós acreditamos nela, independente de ganhar ou perder. Com essa visão, hoje estamos no Chile, na Cidade de Linares, no México, na Cidade do México e Cidade de Juarez e na Argentina, em Buenos Aires. Nesses locais, não tem uma sede como a nossa, mas o papel dos responsáveis é levar nas escolas, faculdades e comunidades o mesmo modelo e ideologia que temos aqui no Brasil: educar, disciplinar, confraternizar e se divertir, todos junto numa única uma família”, explana o B-Boy.
As ações do “Hip-Hop Educa” não param por aí. No Brasil, ajudam algumas famílias com alimentação, com informações de cursos e até mesmo com vagas de emprego para alguns pais e mães de alunos. Com a pandemia do novo coronavírus, as aulas presenciais foram temporariamente suspensas. Mas o fato de existirem muitas comunidades em Mauá fizeram B-Boy Suco e B-Boy Jhonathan, que também é professor do projeto, juntos, se envolverem em vários trabalhos sociais. Recentemente, tomaram a iniciativa de fazer uma grande ação para ajudar as famílias nesse momento de pandemia. Então, fizeram um mapeamento da região, montaram uma equipe com 10 pessoas e separaram em duplas, indo a diversos bairros da cidade, arrecadando alimentos e produtos de higiene, todos uniformizados, com as camisas do projeto e cartão de visita, o que ajudou muito na hora de dar credibilidade ao trabalho e milhares de doações foram chegando de diversos lugares. O mapeamento foi em várias comunidades de famílias que tinham crianças, portadores de necessidades especiais e idosos, esses tiveram prioridade. Cada cesta básica foi montada conforme a família destinada, mais crianças, mais alimentos, menos crianças, menos coisas e casal de idosos mais o básico, arroz, feijão… Todas as famílias foram cadastradas com nome, bairro e quantidade de crianças. Além do sexo e suas idades, para também a distribuição de doação de roupas. Eles relatam: “Nos locais que as pessoas não estavam usando máscaras, era interessante ver toda nossa equipe de máscara, luva, sendo observados pelas pessoas, achando estranho a nossa preocupação com a Covid-19. Creio na minha visão que para eles a pandemia era de menos, vinha em primeiro lugar a necessidade de ter algo para comer e de tudo isso passar logo, para poder dar continuidade no trabalho e nos sonhos que muitas famílias projetaram para a vida. É complicado você falar para as crianças tirarem seus tênis ou chinelos e deixarem para o lado de fora de casa, se dentro de sua própria casa o chão é de terra, barro e do lado do esgoto à céu aberto. Em relação às nossas crianças, no princípio os pais ficaram meio receosos com o risco do contágio de coronavírus nesse trabalho social, mas fizemos uma reunião, esclarecendo tudo e com a liberação dos pais e uso de proteção (máscaras, luvas e álcool em gel) encararam o desafio e adoraram fazer parte disso, de ajudar as pessoas. A equipe foi selecionada por alguns motivos: para poder participar mais das ações do projeto, para se libertar da timidez, para aprender a se comunicar melhor numa abordagem com as pessoas, sentir e aprender como é tão fácil poder ajudar de alguma forma o próximo, esse um dos papéis do projeto, poder transformar vidas. O trabalho está indo para o terceiro mês e não tem prazo de término das arrecadações, enquanto essa pandemia não acabar. Na cidade já têm várias mortes confirmadas pela Covid-19 e, até o momento, nenhuma família do projeto teve o vírus. Foram montadas 150 cestas básicas, o total de 760 pessoas, com base de algumas famílias com 3, 5, 7 e até mesmo 12 pessoas numa casa e todas famílias que receberam doações, suas casas eram barracos de madeira”, concluem os responsáveis pela ação.
Sobre o futuro, Suco acredita que as coisas vão demorar ainda para voltar ao normal, principalmente os eventos, por conta da verba de patrocinadores neste ano de 2020, mas sobre os espaços de treino acredita que vão aos poucos voltar a funcionar normalmente aqueles que são abertos, mas os centros culturais terão que se adequar à algumas novas regras de higienização. Ele avisa que os B-Boys que trabalham autônomos com shows, eventos, apresentações e comerciais vão precisar ter paciência e outros planos para sobreviver nesse momento. Para quem gosta de competir, os eventos on-line, segundo Suco, são uma opção para não parar tudo e uma forma de quem dança não ficar louco dentro de casa e poder conhecer pessoas, além de se motivar. Quem nunca teve uma chance de viajar para fora do país para participar de eventos internacionais, pode nesse momento competir em campeonatos organizados em outros países, isso alimenta sonhos e a vontade de correr mais atrás de novas conquistas. Ele fala: “Precisamos nos reinventar nesse momento. O Hip-Hop continua vivo e seus elementos continuam salvando vidas! Para mim, o Breaking é minha vida, minha paz, meu motivo de continuar sonhando e poder ajudar pessoas a se transformarem e ter um futuro melhor. Acredito em 3 tópicos: o Hip-Hop me educou, me transformou no que sou hoje e me deu caminhos do bem, me salvou do que poderia vir acontecer. Às vezes, até mesmo antes de conhecê-los, eu tenho irmãos e irmãs, pais e mães de amigos de outros países, que me consideram como filho e têm um carinho enorme por minha pessoa. Então, o Hip-Hop sim é família e por meio do Hip-Hop construí uma família que tenho há 17 anos! Momentos bons e ruins sempre vamos ter em nossas vidas, a coisa mais certa e segura é sempre ter fé em Deus, sabedoria e paciência, tudo passa! Nunca desista de sonhar”, ele finaliza. Para quem desejar conhecer mais sobre o trabalho do B-Boy Suco e do “Hip-Hop Educa” ou tiver interesse em ajudar o projeto, é só visitar no Facebook @cesar.massotti ou @hiphopeduca ou, então, fazer contato pelo e-mail: misticsuco@hotmail.com.
Fotos: Divulgação / Arquivo Pessoal
Hip-Hop Educa
Hip-Hop Educa
Hip-Hop Educa
B-Boy Suco
VAMOS COMPARTILHAR?
E aí, gostou da matéria? Confira mais de nossas notícias!
Fotografar é eternizar momentos, emoldurar sentimentos engaiolados em pixels e na hora daquele movimento perfeito: Click!
Então, acabou o evento onde você fez aquele movimento incrível que levou o público ao delírio. No dia seguinte, a busca pelas fotos começam e o fotógrafo se torna o cara mais procurado da cena! A fotografia tem esse poder de mexer com as pessoas, eternizar momentos, revelar e emoldurar sentimentos! Muitas vezes tem o peso e é mais desejada do que um troféu! Hoje tão presente nas nossas vidas por meio de celulares e equipamentos digitais, parece algo muitas vezes banalizado, dada a facilidade proporcionada pela tecnologia, mas foi uma das maiores invenções do século XIX. E, na verdade, esse trabalho está longe de ser algo banal.
No caso da dança, fotografar dançarinos não é para qualquer um! Uma imagem borrada é a linha tênue entre uma boa foto e uma foto ruim. O borrão de movimento pode ser o inimigo número um de um fotógrafo de dança. Por isso, quanto mais técnica e conhecimento da dança o fotógrafo tiver, maior a possibilidade de ver nas perspectivas dos dançarinos, se antecipando aos movimentos e o resultado são fotos de tirar o fôlego!
O fotógrafo Laerte de Souza Rodrigues (30) que também é B-Boy, conhecido como “The Sarará”, sabe bem o que é isso! Ele declara: “O fato de eu ser B-Boy me faz entender as movimentações e o processo das sessions dos dançarinos, identificando as horas certas de fazer os cliques”. Ele conta que ver o Breaking através das lentes, fotografando a dança, o ensinou muito mais do que quando estava apenas dançando. Num bate papo bem animado, Sarará contou um pouco de sua caminhada para o Portal Breaking World, confira abaixo:
BW – Como foi sua infância e quando começou seu interesse pela Cultura Hip-Hop?
Sarara – Iniciou por meio do meu tio, mostrando algumas músicas de Rap nacional, no meu bairro tinha grupo de Rap, não me lembro o nome ao certo. Quando fui ao show, iniciou a música do “Gangstar-Skills”, meus dois amigos e DG e Beto estavam fazendo “up rock”, dali em diante, comecei a dançar e curtir mais esta cultura.
BW – Quando iniciou, de fato, na dança? Onde e com quem aprendeu?
Sarará – Iniciei a dançar no CAJUV 2005, meus amigos me levaram para conhecer a oficina de Breaking, onde conheci o Professor Soul, ele passou todas bases, entre amigos a gente trocava informações e aprendia um pouco mais.
BW – Teve apoio de alguém da família? De parentes?
Sarará – Não tive apoio da minha família não, mas eu acreditei, fui até fim, sou muito teimoso (risos).
BW – Nessa época tinham pessoas que eram referência no Breaking para você, que te inspiravam? Pode citar os nomes?
Sarará – Inicio pelos meus amigos e amigas, minha comunidade onde morava, tinha DG, o Beto e outros amigos que não lembro o nome agora. Tinha uma menina chama Elisa, ela dançava muito, fazia moinho de vento… aquilo era mágico na época, tanto que foi o primeiro movimento que aprendi. Depois, teve uma galera de fora, Soul, Gerson, aquelas fitas da BC One e da Batalha Final, tudo isto fez parte das minhas referências.
BW – Chegou a competir em grandes campeonatos de Breaking? Em quais e em que ano?
Sarará – Acredito que os eventos que fui foram grandes para mim, uns dos eventos que tenho como lembrança e admiração é “Rival vs Rival”. Gosto muito da energia, participei da confraternização que Afrobreak fez, enfim, fui em muitos eventos. Mas lembranças marcantes foram estes dois.
Menino observa com admiração o trabalho do fotógrafo
BW – Quando começou o interesse pela fotografia? De que forma aprendeu a fotografar?
Sarará – Conheci uma amiga, que hoje é minha irmã, a Amanda Lopes, conhecida como “Dinha”. Quando a conheci, ela tinha câmera fotográfica e incentivei ela a fotografar, pois na época não tinham fotógrafas registrando eventos e reuniões de Hip-Hop. A partir daquele momento, a fotografia começou a chamar mais a minha atenção. Iniciamos um projeto de oficina de Breaking com fotografia juntos, dali fundamos a Produtora “Union Break”.
BW – Quando sentiu que deveria fazer uma escolha entre a fotografia ou a dança? Explique a razão da sua escolha.
Sarará – Nunca gostei de ficar preso em uma coisa só, na vila onde eu morava eu aprendi que eu precisa ser múltiplo, não sei o motivo ao certo. Quando eu estava na dança, percebi que a galera do Breaking só vivia aquela mundo, eu percebi que tinha muitas coisas além disto. Com o tempo, fui deixando o Breaking de lado para estudar, fazer faculdade e aprender outras coisas, mas era muito engraçado, porque o Breaking estava em tudo. Eu decidi ficar com a fotografia devido a ir nos eventos e não tinha um registro fotográfico de qualidade nos eventos, eu aproveitei esta oportunidade, ouvi a minha intuição e fui. E assim seguimos até hoje.
BW – Entender os movimentos que fotografava foi um diferencial na sua carreira?
Sarará – Acredito que sim!
BW – Até hoje, quantos B-Boys e B-Girls, em média, já foram clicados por você?
Sarará – Não tenho noção, só sei que tenho arquivos desde 2012. Tempos atrás fui ver a quantidade de fotos, chegava a 650 mil fotos, deve ter mais se eu atualizar mas eu vou chutar baixo: uns 700 dançarinos e dançarinas.
Exposição “Breaking e suas expressões”
BW – Você, algum tempo atrás, apresentou a genial Exposição “Breaking e suas Expressões”, fale sobre ela.
Sarará – Esta exposição eu queria fazer há muito tempo, esperei 5 anos para fazê-la. A ideia foi pegar algumas fotografias que fiz em eventos e mostrar para as pessoas as expressões dessas fotografias de dança, o nome em si focava no Breaking, mas tinha danças urbanas, pois a ideia principal era “expressões dos movimentos”, não importava o estilo. Acredito que foi de suma importância realizar este trampo, pois mostrou processo de algumas pessoas que parou de dançar e de pessoas que estavam atuando na cena.
BW – Em 2017, você teve seu trabalho reconhecido quando recebeu o Prêmio de Melhor Fotografia de Breaking Latino Americano. O que representou isso para você?
Sarará – Este momento foi importante para mim. Mas foi um momento de análise, pois sabia que tinham fotógrafos com fotos bem melhores que a minha, mas mesmo assim eu ganhei o prêmio, que foi pela votação popular, afinal, evento em São Paulo, grande público de São Paulo, nítido que os fotógrafos de São Paulo teriam maior visibilidade, afinal, era um Prêmio Latino Americano e muitos fotógrafos envolvidos, enfim! Em um certo momento da minha vida eu pensei “mais que merecido” e, no outro lado, eu pensei “não preciso de prêmio para dizer que sou o melhor ou não, afinal de contas sempre coloquei meu melhor em tudo que fiz”. Se tivesse outro prêmio desse eu não participaria, pois creio que tem muita gente boa que também merece prêmios.
BW – Entre dançarinos da Cultura Hip-Hop, tem crescido o número de pessoas que procuram produzir um material profissional, de qualidade, ou isso ainda é algo bem tímido no meio?
Sarará – Demais os dançarinos e dançarinas de Breaking não se preocupam muito com uma qualidade de foto, mas estou vendo alguns se organizando, tirando o DRT, fazendo ensaios fotográficos, tendo um material de qualidade, pois isto influencia muito em uma apresentação de trabalho.
BW – Os eventos de Breaking brasileiros são bons clientes na hora de pagar? Você já teve problemas na hora de receber?
Sarará – Não são bons para pagar, preferem investir em tudo no evento, menos em uma cobertura de vídeo e fotográfica, isto os eventos de São Paulo. Agora, os eventos do interior de São Paulo, fora de São Paulo, têm todo um carinho, um diálogo e pagam até antes do evento. Já tive diversos problemas com alguns eventos, hoje eu tenho possibilidade de ir ao evento que eu quero.
BW – Na hora de fotografar um B-Boy ou uma B-Girl durante uma “battle”, o que você busca captar? Que sentimentos?
Sarará – Quando a dança está fluindo no beat, rola o momento mágico! Captar este momento é único, como se o dançarino ou dançarina flutuassem, gosto de captar estes momentos.
BW – O que você acha da possibilidade do Breaking virar um esporte olímpico? Esse impacto para você, que é fotógrafo, será algo positivo ou negativo?
Sarará – Como fotógrafo, o impacto é positivo, irá gerar empregos, no meu ponto de vista. Mas creio que não terá a mesma mágica de uma “cypher” na praça e de um evento feito por nós.
Sarará fazendo Graffiti para projeto social
BW – Recentemente, você vem realizando trabalhos sociais, inclusive dando aulas no Instituto Cativar, em São Bernardo. Nos conte um pouco mais sobre esse trabalho. E também os frutos desse trabalho?
Sarará – Amo o trabalho social. Desde 2012 trabalho nesta área, eu estudei muito, criando metodologias de aula para que os alunos e alunas pudessem ter experiências que marcassem a vida deles. Este trabalho que realizo no Cativar é muito bacana, atuamos no bairro do Cooperativa, temos diversas oficinas, sou educador de Graffiti e Fotografia, levo para eles uma experiência diferenciada, dando autonomia de pesquisa de criação. Este processo tem dando resultados lindos de confiança, autoestima e, assim, seguimos nesta luta.
BW – Existe a frase que “uma imagem fala mais do que mil palavras”. Isso é verdade? E também se aplica ao Breaking?
Sarará – É verdade! Têm fotos que não precisam nem explicar, né? Quando você bate o olho, você imagina diversas coisas: é o poder da fotografia! E, no Breaking, isso acontece muito!
BW – Fale da importância do registro histórico do Breaking por meio de fotos. No passado, acha que muita coisa se perdeu por falta de registro?
Sarará – Nossa! Faltou registro, viu… Na minha época, de 2005 a 2010, não tenho registros dançando, mas creio que agora não faltará, até os celulares estão captando os momentos. Claro que não como um fotógrafo faria, mas cada vez mais as tecnologias são mais avançadas para as pessoas que não são profissionais.
BW – Agora, nesse momento de pandemia, como tem realizado os trabalhos? Quais são seus planos para o futuro?
Sarará – Nessa pandemia estou dando aulas on-line, estou reorganizando meu livro, quero lançar para fechar esta parte, estou pensando na minha nova exposição, que vai ter outro nome, pois quero abranger a dança como todo. Estou estudando ilustrações, fazendo uma pós em arte-educação. Logo estarei ingressando no mestrado, estou aproveitando para estudar inglês também, enfim, resumindo, estou aproveitando este momento para estudar e organizar algumas ideias.
VAMOS COMPARTILHAR?
E aí, gostou da matéria? Confira mais de nossas notícias!
Entender como a Cultura de Rua iria se comportar e se adaptar num momento de pandemia e isolamento social foi o que nos fez visitar algumas lives, vídeos e publicações que vêm acontecendo pelo mundo afora e conversarmos com alguns adeptos do movimento. Dos nomes conhecidos aos anônimos, todos têm a sua hora de encontro com a galera! Tudo on-line, onde é seguro e o único a ser barrado é o novo coronavírus! É necessário fazer uma grade de programação para não perder os assuntos mais interessantes e as boas dicas. Na Cultura Hip-Hop muitos têm aproveitado para passar conhecimento, seja no Graffiti, nas Rimas, no mundo dos DJ´s ou no Breaking. Como foi o caso do B-Boy André Herculess da conhecida Momentum Crew, grupo de Breaking de Portugal. André tem aproveitado esse tempo para passar conhecimentos às crianças que desejam aprender os movimentos principais dessa dança. São dele as palavras: “A ideia é incentivar os pequenos a se manterem ativos na dança nesse período de quarentena!”.
São muitos os vídeos e lives de toda parte do mundo que pretendem tornar esse tempo de pandemia menos pior. Outro grande agito bem curioso no mundo inteiro são as inúmeras lives onde os dançarinos mostram seus treinos em casa: alguns na cozinha, outros no quarto, na sala, provando que o tempo passa mas para alguns os treinos continuam.
No Brasil, muitas ideias semelhantes e criativas agitam a vida de quem está em casa, como do B-Boy Grilo, da 011 Crew, que vem apresentando uma série de lives que leva o título “Aprenda a dançar Breaking”. Do outro lado da cidade, também tem live para as B-Girls de todo o país. A crew Hotstepper Sisterhood, representada no Brasil por B-Girl Miwa, entre outras meninas, vem apresentando vários workshops, rodas de conversa e aulas, sendo uma programação específica para o público feminino.
Nas pickups, os tradicionais DJ´s Ninja, Piu, Cido e A.G. Naja, a pedido de frequentadores do templo sagrado do Breaking, na São Bento, fizeram a festa para quem estava em casa. “O Hip-Hop não para e precisamos usar a tecnologia a nosso favor”. Essa é a opinião do jornalista Marcelo Rebello, da Casa de Cultura Urbana Street House, em São Paulo, “nesse momento, entrar nas casas das pessoas com os elementos da Cultura Hip-Hop é uma forma bastante interessante de levar conhecimento a todos. As pessoas estão abertas para refletir e até para mudar antigos conceitos. O Hip-Hop continua salvando vidas! Agora a luta é contra um vírus letal, mas também contra a depressão e a ansiedade, misturado com o desejo de poder voltar a uma vida “normal”, algo que penso que não será mais possível. Teremos que aprender a criar uma nova normalidade em nossas vidas! O mundo mudou e precisamos mudar também! Muitos artistas e profissionais da cadeia produtiva da economia criativa têm enfrentado uma grave crise financeira, pois de uma hora para outra viram suas únicas fontes de renda secarem e, infelizmente, até o momento não tiveram políticas públicas específicas de auxílio social que aliviassem esta carga nas famílias envolvidas com a arte e a Cultura Urbana. Portanto, o setor está envolto em uma grande névoa e não há outra saída a não ser usar a criatividade e a tecnologia em prol de soluções que motivem esses profissionais e artistas a continuarem levando para as pessoas conhecimento, alegria e esperança de dias melhores, mesmo à distância! A Cultura e a Arte têm este poder de transformar vidas, exemplo disso, além das lives, são os dançarinos e músicos que têm feito das sacadas, varandas e lajes de suas residências os seus novos palcos, emocionando seu entorno e fazendo sua parte para aliviar a tensão de quem está em isolamento social”.
B-Boy Allan
B-Boy Grilo
B-Boy Hercules
B-Boy Leony
Mel Zabunov
B-Girl Miwa
B-Girl Fabgirl
Rooneyoyo
O Graffiti e a Fotografia também tiveram o seu espaço. Destaque para a grafiteira Mel Zabunov e para o fotógrafo The Sarara, que fizeram uma live falando do impacto da arte no dia a dia, principalmente nesse momento de pandemia, mostrando suas vivências como artistas da cultura, sendo uma grande troca de ideias, promovendo relevantes reflexões! Outro importante acontecimento também são os campeonatos on-line, seja na dança ou na rima. Recentemente, Bob 13, responsável pela Batalha da Aldeia, publicou na sua rede social: “Realizamos pela primeira vez na história do Freestyle BR uma batalha de MC’s sem público presencial, 100% on-line, com votação do público de casa. Tomamos as medidas corretas para driblar esse vírus que mexeu com a vida de todos nesse planeta. Obrigado a cada MC e a cada pessoa que nos ajudou nessa etapa, está sendo muito difícil pra todos nós, mas continuamos lutando pela cultura e prezando pela recuperação de todos. Deus abençoe”.
Nas competições de dança on-line pelo mundo, as opiniões se dividem. Para alguns B-Boys, os campeonatos on-line não agradam tanto, mas no momento de pandemia é a opção que existe. São do B-Boy Allan Jackass, da Biohazard Crew, que já dança há 20 anos, as palavras: “Pra mim, eu não acho tão legal o campeonato on-line. É bom para as pessoas que não desejam se locomover, mas numa época de pandemia é uma boa opção, sim, as pessoas estão em casa e não podem sair, então essa ideia tem funcionado muito. Em relação às lives, acho necessário tomar cuidado, pois tem muita gente ensinando movimentos de forma errada. É importante notar se quem está ensinando sabe realmente o que está fazendo”. Em relação ao futuro, pós-pandemia, Allan comenta que apesar de não ter medo de voltar às suas atividades normais, acredita que muitos terão receio desse retorno, finaliza: “Acredito que será possível ver B-Boys e B-Girls dançando com máscaras!”.
Na opinião da B-Girl Nathana, da Rock Niggaz e We Can Do It Bgirls, os eventos on-line são positivos. Declara: “Esses eventos motivam B-Boys e B-Girls, porque nesse momento de pandemia não podemos sair de casa e os eventos foram, em sua maioria, cancelados ou adiados. Claro que é tudo muito novo pra todos, porque dependemos muito da tecnologia. Mas incentiva a continuar evoluindo e treinando. As lives são interessantes, principalmente porque conhecemos mais a realidade de cada um, o treino, podemos aprender. Acho que só agrega coisa positiva. Para nós que dançamos está sendo ruim esse momento, porque nem todos têm um espaço bom para treinar, então isso tem que ser feito em casa, sem contar que é ruim ter que treinar sozinha, a presença de outras pessoas nos faz sentir melhor. Sobre o pós-pandemia, alguns terão que voltar às práticas, outros já estarão prontos! Porém, acho que quando puderem acontecer os eventos, a maioria vai querer ir, nem que seja para prestigiar. Mas o mundo acredito que não será o mesmo depois de tudo isso!”.
B-Girl Drika, da Cristo Crew de Manaus, dá a sua opinião: “Os eventos on-line com certeza não são iguais aos que estamos presentes. Pelo menos pra mim, é tipo uma aflição. Presencial é você e sua dança curtindo o momento e a música. Mas quando tem somente uma câmera pra você é totalmente estranho. Sobre as lives, acho interesse a troca de conhecimento. Somos muito fechados aqui no Brasil. Até pra irmos de uma cidade à outra dentro do país é muitíssimo complicado. E com as lives, você acaba se tornando mais próximo daquilo que você sempre vê em vídeos de competições”.
B-Girl Josy, da DD Tankers, também de Manaus, falou: “A galera toda está completamente ansiosa pra voltar com os treinos com seus grupos e amigos. Ou seja, vai haver mais fervor e intensidade de modo geral. Um está incentivando o outro, aqueles que tinham parado estão retornando às práticas e melhores até”.
Já a veterana Fabiana Balduína, mais conhecida como FabGirl, criadora da BSB Girls, reforça que acredita nos eventos on-line e acha que não tem volta. Ela diz: “O custo-benefício é muito melhor nos campeonatos on-line, não tem custos elevados com produção, o investimento de quem quer estar no circuito mundial de dança será em dispositivos eletrônicos mais sofisticados… Quanto maior a qualidade do vídeo, melhor é pra quem julgar. Tenho acompanhado algumas batalhas virtuais de Locking e Vogue, por exemplo, as pessoas que não têm dispositivos de última geração têm sido prejudicadas, porque os movimentos ficam tipo vultos. Então, além da dança, aconselho a todas já pensarem nos seus próximos aparelhos telefônicos ou investir em boas câmeras digitais”.
A nova geração encara o isolamento como uma grande oportunidade para treinar cada vez mais! É o caso dos irmãos B-Boy Eagle e B-Girl Angel, da Dream Kids Brazil. Eles brincam e fazem bagunça, mas a hora dos treinos de Breaking é sagrada! B-Boy Eagle fala: “Tenho aproveitado para treinar muito, tenho visto muitas lives aqui do Brasil e de fora. Gosto muito dos eventos de antes, era bom encontrar os amigos, mas os on-line também são muito legais e diferentes. Gostei muito da live do Lilou, do Herculess e não consegui assistir a do Bruce, fiquei triste, mas tudo bem. Aqui do Brasil também vi várias e tenho aprendido muito!”.
A Federação Paulista de Breaking (FSPB), por meio de seu representante, Rooneyoyo “O Guardião”, se pronunciou: “No meu ponto de vista, creio que deveríamos todos parar de ir às ruas, tudo que está aberto faz as pessoas quererem sair de casa, tem gente morrendo, o povo sai para a rua desprotegido ou sem necessidade extrema. Sobre as lives, é um recurso muito moderno e simples de ser executado, tem muita coisa ruim e muita coisa interessante, se vasculhar, como tudo na internet, você acaba achando algo em que se identifique, o principal disso tudo na minha opinião é sair da frente da TV, temos este recurso que também não chega a todo mundo, pois na faixa de mais necessidade o cidadão não tem condições de acompanhar, a maioria desta população não tem internet ou Wi-Fi de uso contínuo, mas por outro lado, quem pode deve se aprofundar, ali podemos ficar mais próximos dos nossos ídolos artísticos muito famosos e participar da vida íntima deles, ouvindo uma mensagem positiva ou assistir um show de algum deles, tivemos campeonatos muito bem elaborados, com extrema profissionalização, como se fosse TV ao vivo. Impressionante! E temos os bate-papos com pessoas mega importantes na cena, além de poder participar de grupos de aulas abertas de professores renomados academicamente, então, abra sua mente, sua telinha e seja bem-vindo ao mundo on-line. O futuro é difícil prever, mas acho que nesse retorno todos os eventos vão embolar, acontecendo simultaneamente, quando o certo seria criar uma agenda coletiva de eventos para apoiar todos os produtores e seus públicos. Segurança em eventos? Seria mais seguro retornar após a existência de uma vacina… Mas enquanto não temos a vacina, por favor fiquem em casa!”.
Para B-Boy Leony, da Amazon Crew, que dança desde 2011 e é tricampeão da competição nacional da Red Bull BC One, esse momento de crise aflora a criatividade, ele lembra: “as batalhas on-line são necessárias para manter a Cultura Hip-Hop ativa nesse momento de pandemia. Pessoalmente, em circunstâncias normais não gosto. Mas no momento que estamos vivendo isso se torna uma saída saudável. Lógico que perde muito, uma batalha on-line é totalmente diferente de um evento presencial, em que contamos com o público, a energia, a ansiedade de querer mostrar nossa arte. Já em uma batalha on-line, nada disso pesa. Esse momento de crise tem seu lado bom, ele aflora a criatividade para buscarmos saídas em frente à tantos problemas, novos caminhos que possivelmente vão continuar assim que tudo isso passar. Acho que após a crise, as coisas tendem a se encaminhar à normalidade, porém em um ritmo lento, o baque que o mundo sofreu foi grande. Se eu pudesse dar um recado a todos diria: sei que são tempos difíceis, mas peço que não deixem de sonhar e nunca deixem de lado seus objetivos com essa cultura. Isso é uma fase e ela vai passar, foquem em soluções para manter a vida até isso passar e se cuidem e deem exemplo ao resto da sociedade”.
Fotos: The Sarará, William Machado e Arquivo Pessoal
VAMOS COMPARTILHAR?
E aí, gostou da matéria? Confira mais de nossas notícias!
Uma história que começou com duas tragédias. Primeiro a morte de uma criança, Vinicius Vilela, de 15 anos, estudante, morador da Vila Ferreira, em São Bernardo do Campo no ABC Paulista. Morto covardemente numa tentativa de assalto em 2017, com um tiro pelas costas quando tentava chegar na escola. Uma semana depois, a segunda perda: o suicídio do pai de Vinícius, que teve grande repercussão na imprensa, chocando toda uma comunidade que junto com o Instituto Cativar, que trabalha na região desde 2014, foram para as ruas em passeata contra a violência. Diante do ocorrido, formaram um coletivo chamado Alvez Dias para conversar sobre a paz. As tragédias provocaram uma reflexão profunda sobre o que poderia ser feito de novo para aquela comunidade. Por meio de pesquisas foi levantado que mesmo com tantas dificuldades, medos e incertezas existia um enorme interesse de crianças e jovens pela música, então, foi criado o “Musicando para um mundo melhor” como a primeira iniciativa de disseminação da paz por meio da arte.
Em 2018, intervenções aconteceram em escolas que Vinicius tinha estudado, algo muito emocionante que se encerrou com a soltura de balões brancos e palmas a Vinicius e sua família. Uma praça foi inaugurada com o seu nome. Então, teve início o Projeto Cultura da Paz, que foi um sucesso desde o início, sendo uma forma encontrada para distanciar os jovens da violência, entre outros riscos no dia a dia.
No ano de 2019, foi mantido o atendimento de 230 usuários e utilizado o Projeto Cultura de Paz, que já com o novo nome “Vez & Voz” atuava como ferramenta de temática transversal importante para o empoderamento e protagonismo de lideranças comunitárias, sendo elas, crianças, jovens e adultos. Falar por meio das artes foi o caminho encontrado para o início de um diálogo de paz. A Cultura Hip-Hop sintetizava tudo isso, arte, rua, consciência e resistência, sendo a ferramenta de mudança trazendo cor e valores para o bairro. Em julho do mesmo ano, voluntários da Basf S/A apoiaram o projeto de revitalização com arte urbana, denominado “Vielas Pedem Paz”, ofertando toda a doação para pintura e com isso foi possível revitalizar 300 metros de vielas do Jardim Nazareth, local que dá acesso a pontos importantes, como escolas, UBS, creche e toda essa movimentação ocasionou uma grande repercussão na imprensa escrita e televisiva, sendo notícia no Diário do Grande ABC, ABC Repórter, Diário Regional e Rede Globo, no programa SP1, com grande participação da comunidade.
Em entrevista ao Diário Regional, Nádia Gibo, coordenadora do Cativar, explicou que o projeto visava expandir a mensagem da organização além dos muros e impactar não somente a vida dos alunos, mas também da vizinhança. São dela as palavras: “Queremos que eles coloquem para fora os sentimentos, não em forma de revolta, mas sim de palavra, poesia, argumento e diálogo”, resume Nádia e conta que o projeto exigiu conversa com a vizinhança para que a permissão para as intervenções fosse concedida. Apesar de não ser tarefa fácil, a coordenadora afirma que o resultado foi positivo, com boa recepção por parte dos moradores do bairro e adesão dos alunos. “Quando vemos pessoas que a gente nem imaginava participarem e fazerem parte da ação, a gente sente que a mensagem foi absorvida”, concluiu a coordenadora do Cativar.
Para Sarará, profissional reconhecido e premiado dentro da Cultura Hip-Hop e também mestre de Graffiti e Fotografia há 5 anos no Instituto Cativar, o que mais foi gratificante no projeto foi a construção conjunta com os jovens. Dos 50 artistas previstos na revitalização da viela, 10 são frutos da oficina. Além de aprender sobre arte, os jovens foram incentivados a conhecer mais a vizinhança e a trocar vivências com moradores do bairro, que vivem realidades distintas. Ele falou: “É gratificante poder trazer esse intercâmbio cultural e fazer com que eles entendam o sentimento deles e também do outro. Foi importante a troca de sentimentos e mútuo entendimento”, afirma Sarará.
Agora, em 2020, os planos continuam! O objetivo do Cativar é expandir seus atendimentos para outros dois territórios, onde não existe a presença de organizações sociais e possuem uma demanda reprimida, são eles: Areião, com 60 vagas de crianças e jovens dos 06 aos 17 anos e Alvarenga, também com 60 vagas de crianças e jovens dos 06 aos 17 anos. Os serviços são uma parceria com a SAS (Secretaria de Assistência Social). Outro foco é a captação de recursos para manutenção e funcionamento das atividades e aquisição da sede própria, para isso foi criada uma estamparia e também uma casa de bolo. Os projetos foram elaborados junto com os alunos da FTT (Faculdade Tecnologia Termomecânica).
Combater a violência com a arte por meio do Hip-Hop, colorir a vida das pessoas com muita criatividade e escrever novas histórias sem lágrimas e com finais felizes são os maiores desafios desses artistas da paz!
Fotos: Arquivo Pessoal
VAMOS COMPARTILHAR?
E aí, gostou da matéria? Confira mais de nossas notícias!
Trabalhar com arte-educação é uma profissão que exige formação premente ao longo da vida, o nome arte e educação são polos inseparáveis ou complementares, o que leva a pessoa interessada nesse caminhar, a buscar diversos estudos em história da educação, psicologia da educação, sociologia da educação. Assim, mais do que nunca, o arte-educador precisa estar atualizado e muito bem informado sobre política, conhecimento de direitos, deveres e leis em educação e cultura que possam orientar sua ação com segurança dentro das instituições de ensino, e também é indispensável conhecimento das teorias da ciência da educação em sua formação científica por meio da pedagogia, tudo oferece uma reflexão mais crítica e consciente sobre suas próprias ações e práticas educativas, seja em espaço de ensino formal ou não-formal.
Diante do mercado da educação e da cultura, o arte-educador quando possui uma formação acadêmica, pode ampliar suas oportunidades de atuação profissional, podendo trabalhar em processos relacionados ao ensino e aprendizagem em arte, cultura e pesquisas em diversas áreas da educação e cultura. Seu trabalho está intimamente ligado ao do professor, a diferença entre professor e arte-educador é mínima, melhor compreendida no campo da educação formal e educação não-formal.
Olhando para a atuação do arte-educador em espaço de ensino não formal e público e suas leis próprias e específicas dentro das secretarias de cultura, que muitas vezes estão permeadas por intervenções em políticas públicas temporárias, o que gera muitas vezes disputas partidárias, ou seja, quando ocorre uma mudança de presidente, prefeito ou secretário, esses programas, onde o arte-educador desenvolve seu trabalho, correm o risco de ter um fim, algo que deixa o trabalho educativo nesses espaços bastante instável.
Assim, dentro das possibilidades de atuação ligadas ao poder público, temos as oportunidades de fomentos em editais ligados à área da cultura e da educação, tanto em nível estadual como municipal.
A educação formal e pública é regida por leis que criam cargos específicos, como por exemplo, a atuação como professor dentro das escolas possui regimento e legislação próprias, ligados ao ministério e secretarias da educação de cada estado e município, assim, nesse espaço, o professor que trabalhar com o ensino de arte é um profissional com mais possibilidades de estabilização, e pode evoluir para coordenador, supervisor e diretor em sua carreira profissional. Ainda na educação formal e dentro do nível superior, o professor pode desenvolver trabalhos de pesquisas científicas avançadas em arte ou em educação, ampliando sua atuação e se transformando em pesquisador científico sobre sua própria ação, enquanto objeto de pesquisa, por meio de pós-graduação, em mestrados e doutorados, podendo evoluir e atuar como professor universitário em programas de pesquisa ou até mesmo professor universitário efetivo, logo, o arte-educador e professor são áreas complementares dentro da educação.
Fora desses dois campos, o arte-educador pode atuar como professor em escolas privadas, possui também sua atuação ligada a grupos, coletivos e núcleos independentes, podendo também atuar como empreendedor e montando sua própria escola no segmento de ensino de arte, seja dança, música, artes visuais ou cultura. Temos também ONG´s ligadas a produção cultural, onde o arte-educador pode atuar dentro do ensino.
No campo da educação infantil, é necessária uma formação continuada sobre a história da infância, para que esse público possa ser atendido dentro da sua própria cultura, e não sejam cobrados resultados diferentes da sua fase de desenvolvimento, uma vez que essa é uma etapa muito importante para o desenvolvimento humano como um todo. Nesse espaço, o arte-educador é uma profissão que está na base, junto com o professor, em espaços formais de educação infantil. A infância ainda é algo que a própria sociedade contemporânea não está completamente aberta para acolher e receber nossos pequenos, todo cuidado é pouco com eles, assim os desafios são grandes e enquanto professores ou arte-educadores sejam da infância ao doutorado, são o pilar central que dão a base principal, por isso é fundamental o apoio de todas as áreas e dimensões humanas, família, governantes e outros profissionais, para que haja uma educação e formação humana de mais qualidade para quem mais necessita.
Foto: Reprodução
VAMOS COMPARTILHAR?
E aí, gostou da matéria? Confira mais de nossas notícias!
Já passou algum dia rouco? Com certeza, em algum momento da sua vida, você sentiu a importância da nossa fala, pois é por meio dela que nos comunicamos com o mundo e as pessoas e transmitimos nossas vontades, emoções e nossa personalidade.
Cuidar da voz é como um exercício muscular, ela precisa estar fortalecida para aguentar as variações do dia a dia. Para você Cantor, Rapper, MC, DJ ou Palestrante, ficar rouco constantemente, dificuldades ao falar, estar sempre com a garganta coçando, são sinais de que algo não está bem.
Inimigos da voz: pigarrear, com o objetivo de retirar as secreções das pregas irá destruir as mesmas. Dica: beba muita água.
Café e cigarro: No café, o teor elevado da cafeína e sua alta temperatura desidratam as cordas vocais e o cigarro provoca acidez no estômago, refluxo e sensação de dor ao falar.
Bebidas alcoólicas e voz não combinam! Aquela expressão “vou tomar aquela bebida forte pra dar uma aquecida na voz” é o pior dos absurdos! A bebida alcoólica provoca irritação no trato vocal, diminui o controle da voz, causa irritação nos tecidos da laringe, as bebidas destiladas causam danos ainda maiores a saúde vocal. Dica: fique longe desse veneno.
Ar condicionado! Devido às mudanças climáticas nos últimos tempos, a concentração nos grandes centros urbanos e trabalhos em salas, reuniões e agrupamento de muitas pessoas, faz com que sejam instalados aparelhos de ar condicionado, para gerar a sensação de conforto e bem-estar às pessoas.
O ar condicionado é na verdade o local onde pode existir um agrupamento de bactérias, fungos, ácaros e amebas, podendo assim causar para pessoas alérgicas asma, tosse, chiado, rinite alérgica, espirros, coriza e obstrução nasal, tudo que a voz e a fala não podem ter.
Recado especial aos Rappers e MC’s: cuidem bem do seu aparelho respiratório, bebam muita água durante o dia, comam uma maçã antes da sua apresentação. Façam um chá com a fruta romã: é fenomenal. Façam um gargarejo, irá fazer muito bem e proteger contra possível rouquidão!
Cantem e espantem todos os males da vida: esse é o melhor remédio!
Fotos: Reprodução
VAMOS COMPARTILHAR?
E aí, gostou da matéria? Confira mais de nossas notícias!
Elas surgem de todos os cantos do país, de várias idades e gerações.
Unidas pelo WhatsApp e por suas histórias se encontram no Grupo “Rede B-Girls do Brasil” todos os dias.
No grupo trocam ideias, conhecimentos, experiências, divulgam lives, vídeos, eventos, compartilham suas aventuras, desventuras e sabem tudo o que acontece na cena.
Juntas, uma apoiando a outra, dão sentido ao verdadeiro significado da palavra união.
Elas também estão no Instagram e aproveitam o momento de pandemia para fazer um chamamento a todas as B-Girls que ainda não participam dos encontros virtuais, para se aproximarem e fazer parte, afinal a união faz a força!
Para entrar em contato é só acessar o Instagram @redebgirlsdobrasil e solicitar o link para participar do grupo.
Foto: Miwa Kozuma.
VAMOS COMPARTILHAR?
E aí, gostou da matéria? Confira mais de nossas notícias!
Os dançarinos que pretendem levar a dança como profissão e fazer dela o seu sustento, precisam de um atestado de capacitação profissional, o que muitos chamam de DRT.
O DRT é necessário para que você seja visto legalmente como um dançarino profissional e possa trabalhar e receber um salário ou cachê, ou seja, se não deseja atuar na informalidade, é preciso providenciar o seu o quanto antes.
Quer entender melhor o que é esse registro, quais os documentos e comprovações necessárias e como tirar o DRT? Nós explicamos tudo o que você precisa saber.
A sigla DRT se refere à Delegacia Regional do Trabalho, no entanto, quando a utilizamos, estamos nos referindo ao registro profissional emitido pelo órgão. Esse registro é um selo ou carimbo em sua carteira de trabalho que comprova a sua competência em determinada área. O registro é concedido a profissionais que atuam como bailarinos, radialistas, atores, modelos, cantores, artistas circenses, entre outros. Somente com o DRT em mãos você poderá dar aulas em escolas de educação ou projetos e instituições governamentais, atuar em empresas e programas de televisão e trabalhar em companhias patrocinadas por leis de incentivo.
Para se dirigir ao sindicato, primeiramente, elabore um currículo com suas informações pessoais e todas as experiências na área. Conte há quanto tempo você pratica a modalidade, quem foram seus professores, de quais cursos e festivais participou e anexe seus certificados.
Providencie também uma cópia simples de seu RG, CPF, carteira de trabalho, comprovante de residência e uma foto 3×4.
Visite o sindicato de seu estado e entregue os documentos e o currículo.
Você também precisará fazer o pagamento de uma taxa de inscrição. Seu currículo será avaliado e, caso seja aprovado, será preciso agendar o dia da avaliação diante de uma banca examinadora composta por profissionais da área.
Você deve, então, realizar uma apresentação de solo com duração de 3 minutos. Após a aprovação, com o Atestado de Capacitação em mãos, chegou a hora de se dirigir à Delegacia Regional do Trabalho.
Documentos Necessários: formulário de requerimento, atestado de capacitação profissional, carteira de trabalho, RG, CPF, Cartão do PIS ou Cartão Cidadão, comprovante de endereço.
O processo, apesar de simples, pode ser um pouco demorado. No entanto, ele é de suma importância para a evolução da sua carreira profissional no mundo da dança. Esse documento é o que diferencia os bailarinos amadores dos profissionais. E, claro, faça isso depois da pandemia do novo coronavírus, pois mais importante do que ter um registro profissional é estar vivo!
Fotos: Reprodução
VAMOS COMPARTILHAR?
E aí, gostou da matéria? Confira mais de nossas notícias!