O Portal Breaking World abriu um espaço especial totalmente dedicado a contar a história das Crews espalhadas pelo nosso país.
Se você deseja ver a história de sua Crew contada e eternizada pelo nosso portal, não perca tempo! Nos escreva contando a história da sua família na Cultura Hip-Hop.
Hoje damos o pontapé inicial com a Flow 021 Crew, do Rio de Janeiro.
Sim, o Rio de Janeiro é a terra do Samba, do Funk, do Carnaval, do Passinho, da Garota de Ipanema mas, também, tem o Breaking! E os B-Boys e B-Girls cariocas representam!
Tivemos o prazer dessa semana conversar com o Cleiton, mais conhecido como Tevez, um dos meninos da Flow 021. Confira a entrevista na íntegra:
BW: Queria que você falasse seu nome completo, sua idade, onde e como foi sua infância.
Tevez: Cleiton da Silva Gonçalves, tenho 31 anos. Eu sou nascido e criado em Santa Rita, bairro nobre da cidade de Nova Iguaçu, que é um município do estado do Rio de Janeiro, localizado na baixada fluminense. Foi lá que tive uma infância incrível, com tudo que tinha direito. Jogava bola, pião, bola de gude, soltava pipa, brincava de taco, ioiô e etc.
Cleiton “Tevez” nascido e criado em Nova Iguaçu é um dos fundadores da Flow 021 Crew.
BW: Onde teve contato pela primeira vez com a Cultura Hip-Hop e com o elemento Breaking?
Tevez: Meu primeiro contato com a cultura foi através de um amigo na escola, ele fazia parte de um grupo de dança e me chamou pra conhecer o grupo e foi lá que tive meu primeiro contato com o Breaking porque tinha outras pessoas que dançavam Breaking, Popping e outros estilos.
BW: Quando começou a dançar? Com que idade? Alguém te ensinou?
Tevez: Comecei a dança Breaking em 2016, foi logo depois que saiu o primeiro DVD da Red Bull BC One, nessa época eu tinha 17 anos de idade. Tiveram duas pessoas que além de me ensinar me inspiraram muito a treinar e dar continuidade, o B-Boy Magno e o B-Boy Dblu.
BW: Na sua caminhada na dança, tiveram movimentos mais difíceis de aprender?
Tevez: O Breaking é insistência, é persistência, praticamente quase todos os movimentos tive bastante dificuldade, mas o que mais tenho dificuldade até hoje é o Air Flare (“Loko”).
A Crew foi criada com o objetivo de viajar representando o RJ em outros estados.
BW: No Rio de Janeiro, o Funk é algo muito forte e presente na cultura do carioca. Fale um pouco sobre o que existe ligado ao Breaking. Quais são os eventos mais conhecidos para B-Boys e B-Girls que moram no Rio?
Tevez: Sim! O Funk no Rio é forte demais e muito presente, principalmente agora que o “Passinho” entrou para as Danças Urbanas. Então, tem Funk, tem Passinho e por aí vai. Aqui no Rio temos poucos eventos, mas os que têm são muito importantes pra cena. Temos o Arena Híbrida, B-Boy Confronto, Resolve na Roda, Manifesto B-Girl e Rio H2K. Esses são os eventos de maiores consistências aqui no Rio.
BW: Existe rivalidade entre funkeiros e B-Boys ou o respeito prevalece?
Tevez: Ao meu conhecimento, nunca teve rivalidade não, muito ao contrário, a galera do Funk se amarra nos outros estilos e principalmente na galera do Breaking, porque temos movimentos que acrescentam na dança deles.
BW: Fale um pouco da Flow 021 Crew, quando foi formada.
Tevez: Flow 021 é uma Crew que existe desde 2010, foi criada por alguns integrantes de outras crews, o objetivo era pegar o melhor de cada Crew, nos juntar para viajar e pode representar o Rio de Janeiro em outros estados. Óbvio que na prática muitos não compraram a causa, mas os que ficaram fizeram acontecer, tanto que já rodamos alguns estados competindo com a Flow 021.
A Flow 021 Crew na Eurobattle.
BW: Como escolheram o nome?
Tevez: O motivo do nome ser Flow 021 é porque na junção dos integrantes, escolhemos o melhor de cada Crew e os que mais tinham um Flow carregado e o 021 é o DDD do Rio de Janeiro, por isso chegamos à conclusão de Flow 021.
BW: Fale sobre os B-Boys da Crew?
Tevez: B-Boy Stal, 31 anos, é o nosso representante de mais expressão e conhecimento, porque ele que fazia nossos projetos, ele que via os eventos que a gente podia competir fora do Rio, pedia carta convite aos organizadores, por isso é o nosso linha de frente na nossa comunicação; Diogo Monteiro, 28 anos, B-Boy Bambimo, nosso mais novo integrante com 5 anos de Crew, formado em direito, é o advogado da nossa Crew; Marlon Leonardo, 28 anos, B-Boy Sequela, seu maior forte é trick combo. Sequela atualmente está parado por conta de trabalho; Flávio Gonçalves, 37 anos, B-Boy Flávio é o nosso integrante mais cascudo, também já viajou muito o Brasil competindo pela Crew. Ele é militar, no entanto, treina quando pode; Gabriel Monteiro, 28 anos, B-Boy GB está se formando em museologia; Alex Ricardo, 31 anos, B-Boy Alex trabalha em salão, ele que cuida do penteado dos integrantes; Bob Vinicius, 36 anos, B-Boy Bob trabalha com animação de festa e é youtuber; Jean, 27 anos, B-Boy PL nos representa demais aí em São Paulo; Pedro Cortez, 24 anos, B-Boy Miojo, integrante novo, também anda atarefado com a faculdade; Rafael Lima, 30 anos, B-Boy Russo. Atualmente Russo também está buscando formação na faculdade de cinema pela Estácio de Sá e eu, Cleiton da Silva, 31 anos, atualmente trabalho como técnico de informática.
BW: Quais são as Crews mais conhecidas do Rio de Janeiro? Vocês costumam se encontrar em eventos aí no Rio?
Tevez: As Crews mais conhecidas aqui no Rio são a GBCR, Ativa Break, KND, Reflexo Urbano Rootz Funk e Style Monster. Todas essas Crews nos encontram com bastante frequência nos eventos e às vezes até em resenha.
B-Boy PL, da Flow 021 Crew, foi campeão da Batalha Final, em São Paulo no ano passado.
BW: Onde vocês treinam? Vocês têm o hábito de participar de eventos em outros estados?
Tevez: A Flow 021 foi criada justamente com intuito de competir em outros estados, mas tem outras Crews aqui no Rio que estão começando a sair para competir em outros estados também. Nosso local de treino é normalmente em local público, como a UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) ou o MAM (Museu de Artes Modernas) são os locais de treino não só da Flow, mas como de todas as Crews do Rio.
BW: Existe algum lugar no Rio que seja local de encontro de B-Boys e B-Girls, tipo Casa do Hip-Hop ou rodas que sempre acontecem?
Tevez: Os locais de encontro de B-Boy e B-Girl normalmente é na UERJ e no MAM. Os encontros não são com bastante frequência, mas por exemplo, no domingo passado rolou um encontro muito bacana no MAM.
BW: O que acha sobre a possibilidade do Breaking virar um esporte olímpico?
Tevez: Acho incrível o Breaking virar um esporte olímpico, porque desperta o olhar global para a cultura, o Breaking nas olimpíadas acaba com o clichê de muitos falarem que nossa cultura é marginalizada, eleva a dança e a cultura para outro nível, um nível mais profissional.
Das quebradas para o mundo: o Breaking nas Olimpíadas é uma grande oportunidade, segundo Tevez.
BW: Como têm sido os treinos nesse momento de pandemia?
Tevez: Os treinos nesse período de pandemia têm sido muito difíceis, por conta do dialogante aos espaços públicos, a UERJ por exemplo não abriu, com isso só tínhamos o MAM pra treinar e o MAM é um pouco mais distante.
BW: O que significa o Breaking para você?
Tevez: Além de um estilo de vida, o Breaking, por diversos anos, foi minha profissão, eu trabalhei 7 anos numa companhia de dança, já dancei no trem, no metrô, era com o Breaking que tirava meu próprio sustento. Sem contar o exercício, a terapia que o Breaking nos oferece.
BW: A mensagem que você deixa para os B-Boys e B-Girls de todo o Brasil?
Tevez: Aproveitem o treino, valorizem o momento que vocês têm pra treinar, porque o tempo é cruel, se vocês não treinarem agora, vai chegar um momento em que vocês não vão mais conseguir fazer isso, aí você vai ter a sensação de que todo o treino, todo o esforço foi em vão. Ninguém vai ficar jovem para sempre, o tempo é cruel, então, aproveitem e treinem intensamente, evoluam muito, viagem para outros estados, façam amizades, valorizem seu network, isso é muito importante hoje em dia.
Fotos: Arquivo Pessoal / Sue Cardoso / Marko De Paula / Rodolfo Lo Bianco / Rio Sun
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O muralista brasileiro finalizou no final de semana a obra “Coração Santista”, em Santos, no estado de São Paulo. O grande homenageado do mural é Pelé, Edson Arantes do Nascimento, que completa 80 anos de vida hoje, dia 23 de outubro.
O conhecido artista urbano Eduardo Kobra homenageia Pelé em mural em Santos, no litoral sul do estado de São Paulo. “Coração Santista”, com 800 metros quadrados, foi finalizado no domingo, 18 de outubro e liberado para o público. A obra está situada em uma parede de 800 metros quadrados, na Ponta da Praia, região que está sendo revitalizada. Está na fachada do CAT (Centro de Atividades Turísticas), em frente ao Mercado de Peixe (Praça Gago Coutinho s/n – Ponta da praia), recentemente inaugurado.
No mural, há quatro cenas, todas situadas dentro dos arcos (ou círculos) das muretas de Santos, um dos mais conhecidos símbolos da cidade: Pelé, o Bonde, a Bolsa do Café e Um estivador no Porto de Santos.
A obra “Coração Santista” homenageia o Rei do Futebol no mês em que completa 80 anos de vida.
Kobra explica os detalhes sobre cada uma das cenas:
Pelé: “Fiz inspirado na imagem de Pelé jogando pela Seleção Brasileira, com o suor escorrendo pela camisa e formando um coração em seu peito, cena captada pelo fotógrafo Luiz Paulo Machado, quando trabalhava na revista Placar. O mérito é do fotógrafo. Procurei respeitar esse instante mágico e mantive até o efeito da luz nas mãos da foto original. Mas, claro, coloquei as cores e também muito preto e branco, dentro das características do meu trabalho. Parece que Pelé está projetado para fora do mural, como um 3D! Também imaginei que o suor tivesse formado a palavra ‘Santos’, como referência ao amor dele pela cidade e pelo clube”, revela o artista.
Porto de Santos: um estivador acompanha o processo de retirada de um contêiner de um navio. É uma cena com muita cor, com o estivador em primeiro plano, o que mostra a importância, a força e a beleza do trabalho feito cotidianamente em Santos. “É uma homenagem às pessoas que trabalham e constroem as cidades. Não apenas em Santos, mas no Brasil e no mundo inteiro”, afirma.
Bonde daCidade – O bonde, um dos símbolos da cidade, alguns ativos até hoje para turismo. Na imagem, vemos um condutor e o próprio bonde com reflexo na calçada icônica de Santos. “Essa cena tem uma conexão com meu trabalho e as memórias que tenho de arquiteturas, paisagens e personagens”, conta o muralista. O personagem que aparece na obra é o condutor Welcio Francilino da Costa, 45 (mesma idade de Kobra), nascido em Londrina, Paraná e ainda servidor da CET Santos. Hoje, o condutor vende os tickets para o passeio de bonde em uma bilheteria situada dentro do Museu Pelé. No último sábado, ao saber que Kobra começava a retirar as telas e andaimes para finalizar a obra, Welcio, que vive há 25 e dez meses em Santos (25 anos e nove meses na CET, seu único emprego na cidade) foi até o mural e ficou emocionado e admirado com todo o trabalho. “Foi baseada em uma foto de cerca de 17 anos atrás. Não imaginava que seria tão monumental. É uma homenagem para mim, claro, mas também à cidade que me acolheu e que amo. Foi aqui que conheci minha esposa, Cláudia Helena Jorge, e que tive meu filho (Jonnathan). Enfim, foi a cidade onde formei minha família. Santos mora no meu coração. Adorei ver todas as cenas colocadas por você, especialmente o bonde. Sou apaixonado pelos bondes! Ninguém pode falar mal deles perto de mim; são meu xodó”.
ABolsa do Café – Mostra a magnífica porta principal desse prédio também icônico em Santos. “Em minha pesquisa, avaliei e estudei imagens de centenas de prédios da cidade. A Bolsa do Café é sensacional, excepcional com uma quantidade incrível de detalhes. É linda por dentro e por fora. Entre os detalhes, quis valorizar a porta de entrada, as colunas principais e as esculturas que ficam no topo”, conta Kobra, que também revela uma ligação afetiva com Santos. “Nos meus primeiros anos de vida, eu ia para Santos com meus pais, porque meus avôs tinham um apartamento na cidade. Tenho lembranças vagas, mas sinto-me desde sempre ligado afetivamente à cidade. Por isso, fazer esse mural é uma honra, um privilégio e uma emoção para mim”, diz Eduardo Kobra.
Detalhe do mural “Coração Santista”, retratando Pelé.
Pelé é, ao lado de Ayrton Senna, a grande referência esportiva de Kobra. Fazer um mural em Santos é um sonho antigo do artista urbano. “É um gênio, considerado o maior atleta do século 20. É o maior jogador de todos os tempos, mas também um ícone pop, pintado por Andy Warhol. Tornou-se o maior símbolo de brasilidade no mundo. Em todos cerca de 35 países onde pintei, a primeira coisa que dizem quando sabem que sou brasileiro é ‘Pelé’. Muitas vezes também dizem ‘Carnaval’, mas sempre tem Pelé. Fico impressionado. Afinal, ele parou de jogar há 43 anos e segue como o brasileiro mais famoso no mundo”, diz Kobra.
Bastidores do trabalho
Kobra, junto com mais quatro pessoas de sua equipe, passou cerca de 45 dias em Santos, trabalhando com a proteção de telas para que a surpresa para Pelé e a cidade de Santos não fossem reveladas. As telas e os andaimes que utilizou para o trabalho começaram a ser retirados às 7h da manhã do último sábado, dia 17 de outubro. Por volta das 11h, Kobra e demais artistas da equipe iniciaram a finalização do trabalho: primeiro taparam os buracos provocados pelo andaime e depois Kobra retocou vários detalhes da obra. Ontem, domingo, Kobra voltou ao local para mais alguns retoques e para assinar a obra, sobre os aplausos de admiradores e curiosos. Segundo o artista, foram utilizados de 300 a 350 latas de spray. “Trabalhamos durante 45 dias, das 8h às 18h, para que o mural ficasse pronto para o aniversário de Pelé, no dia 23 de outubro”, diz Kobra, que acrescenta: “um tempo ainda maior, de 60 dias – dois meses – utilizei na pesquisa e projeto da arte. Fiz pesquisas históricas, iconográficas e, como disse, regatei memórias afetivas. Para o chegar ao resultado final, fiz mais de 30 desenhos, buscando o equilíbrio certo entre as cenas, o uso correto de cores e preto e branco e o respeito e valorização da cultura e da história de Santos”, afirma.
A obra contou com o patrocínio da BTP (Brasil Terminal Portuário) e da Comgás e com o apoio do Grupo Mendes. Teve a produção de Dila Spinola, Alexandre Spinola e Luli Hunt, além da curadoria de Fábio Magalhães.
“Coração Santista” é a segunda obra do muralista na Baixada Santista. Em 2014, Kobra levou sua arte a dois imensos tanques (14 metros de altura por 17 de diâmetro), da empresa Linde Gases, na rodovia Cônego Domênico Rangoni, no trecho do sistema Anchieta-Imigrantes, que liga Cubatão ao Guarujá. Na época, contrapôs o ambiente pesado das grandes indústrias com o uso de cores alegres e desenhos de crianças, balões e cata-ventos.
Ao Líbano com carinho
O artista brasileiro Eduardo Kobra lançou um painel sobre o Líbano, país marcado pela recente tragédia ocorrida em Beirute. A tela foi leiloada ontem (22 de outubro) com lance inicial de 27 mil dólares (cerca de 150 mil reais). Além do leilão do painel, cinco serigrafias da obra foram sorteadas entre todas as pessoas que fizeram doações – de qualquer valor – para a campanha. De acordo com Kobra, 100% do valor arrecadado será destinado ao país do Oriente Médio. No próximo ano, o conhecido muralista irá pintar a obra “Ao Líbano, com carinho”, em algum prédio da capital daquele país.
Segundo Kobra, o propósito desse trabalho é ajudar às famílias que foram vítimas da explosão. “A obra mostra duas mãos, que simbolizam as mãos da humanidade, levantando o cedro do Líbano, que é um símbolo de paz, de fraternidade, de união e respeito”, diz o artista, que utilizou a bandeira do Líbano como a base para a pintura. “O vermelho representa o sangue derramado pelas pessoas que se feriram ou morreram nas lutas para livrar o país das forças externas; o branco representa a permanente busca pela paz e a beleza das montanhas cobertas pela neve; e o cedro, árvore presente em boa parte do país, é um símbolo de força e eternidade”, explica Kobra.
Eduardo Kobra e a Fundação Tamari, criada por Abdallah W. Tamari (fundador da Sucafina, multinacional do ramo de agronegócios de café) e sua esposa, Samia Tamari, se uniram para dar esse apoio às pessoas afetadas.
O valor arrecadado com o leilão e doações será utilizado para a compra de alimentos, equipamentos médicos e materiais de construção para aqueles cujas casas foram destruídas. “Conto com o apoio de todos nessa Corrente do Bem e mais uma vez fazer a diferença na vida de tantas pessoas que estão hoje necessitadas e precisam do nosso apoio”, diz Kobra, que recentemente utilizou seu talento para uma campanha que ajudava famílias desassistidas, com situação de vulnerabilidade ainda mais agravada pela pandemia do Covid-19.
Kobra fez o painel “Coexistência”, onde mostrava crianças de cinco religiões – budismo, cristianismo, islamismo judaísmo e hinduísmo – em oração e vestindo máscaras. Uma Serigrafia da obra foi sorteada entre as pessoas que fizeram doações. Com o valor arrecadado foram produzidos e distribuídos 16.620 kits. “Agora, estamos ao lado do povo libanês neste momento de necessidade. Qualquer doação pode fazer a diferença. Agora, mais do que nunca, os libaneses, que tanto contribuíram e seguem contribuindo para o nosso país, precisam do nosso apoio”, reforça o artista.
Sobre Eduardo Kobra
Eduardo Kobra, 45 anos, é um expoente da neo-vanguarda paulistana. Começou como pichador, tornou-se grafiteiro e hoje se define como muralista. Seu talento brota por volta de 1987, no bairro do Campo Limpo com o picho e o graffiti, caros ao movimento Hip-Hop e se espalha pela cidade e pelo mundo. Com os desdobramentos que a arte urbana ganhou em São Paulo, ele derivou – com o Studio Kobra, criado em 95 – para um muralismo original – inspirado em muitos artistas, especialmente os pintores mexicanos e norte-americanos, beneficiando-se das características de artista experimentador, bom desenhista e hábil pintor realista. Suas criações são ricas em detalhes, que mesclam realidade e um certo “transformismo” grafiteiro.
Muitos críticos afirmam que a característica mais marcante de Kobra é o domínio do desenho e das cores. Mas o que é mais fundamental para o artista é o olhar. Kobra foi desde cedo apresentado às adversidades da vida. Viu amigos sucumbirem às drogas e à criminalidade. Alguns foram presos. Outros tantos perderam a vida. Foi o olhar que o salvou.
Kobra é autor de projetos como “Muro das Memórias”, em que busca transformar a paisagem urbana por meio da arte e resgatar a memória da cidade; Greenpincel, onde mostra (ou denuncia) imagens fortes de matança de animais e destruição da natureza; e “Olhares da Paz”, onde pinta figuras icônicas que se destacaram na temática da paz e na produção artística, como Nelson Mandela, Anne Frank, Madre Teresa de Calcutá, Dalai Lama, Mahatma Gandhi, Martin Luther King, John Lennon, Malala Yousafzai, Maya Plisetskaya, Salvador Dali e Frida Kahlo.
Em meio ao caos urbano, buscou resgatar o patrimônio histórico que se perdeu. Em um contexto repleto de desigualdade social e injustiças, buscou se inspirar em personagens e cenas que servem de exemplo para um mundo melhor.
Hoje, os murais de Kobra estão em cerca de 35 países e em diversas cidades e estados brasileiros – como “Etnias – Todos Somos Um”, no Rio de Janeiro, “Oscar Niemeyer”, em São Paulo; “The Times They Are A-Changin” (sobre Bob Dylan), em Minneapolis; “Let me be Myself” (sobre Anne Frank), em Amsterdã; “A Bailarina” (Maya Plisetskaia), em Moscou; “Fight For Street Art” Basquiat e Andy Warhol), em Nova York; e “David”, nas montanhas de Carrara. Em todos os trabalhos, o artista paulistano busca democratizar a arte e transformar as ruas, avenidas, estradas e até montanhas em galerias a céu aberto. Inquieto, estudioso e autodidata, também faz pesquisas com materiais reciclados e novas tecnologias, como a pintura em 3D sobre pavimentos. Em 2018, pintou 20 murais nos Estados Unidos, 18 deles em Nova York.
Cada vez mais conhecido, Kobra fica, é claro, orgulhoso quando vê uma multidão que observa um de seus murais, mas costuma dizer que o que o comove de verdade é descobrir alguém que para no meio da correria da cidade para observar, mesmo que por um minuto, os detalhes dessa obra. “Apesar dos murais monumentais, Eduardo Kobra faz sua arte para despertar a consciência e a sensibilidade de cada um de nós”. (Airton Gontow)
Conheça melhor as linhas de trabalho de Eduardo Kobra
Muro das Memórias: Projeto mais antigo e constante de Eduardo Kobra, que pinta São Paulo antiga. Há cerca de 40 trabalhos em São Paulo. Cria um contraste entre o antigo e o contemporâneo. No antigo mural, agora já apagado, de mil metros quadrados na Avenida 23 de maio, as pessoas passavam em seus carros, como máquinas, a toda velocidade. O lado humano da avenida estava justamente nos rostos pintados no muro. O artista desenvolveu trabalhos do Muro das Memórias em outras cidades. Fez, por exemplo, lindas criações em Belém (PA), Rio de Janeiro e Santa Maria (RS), além de cidades em diversos países, como Estados Unidos, Suécia, França, Inglaterra, Rússia, Polônia, México, Japão, Emirados Árabes e Taiti.
3D: Kobra é pioneiro nesta arte. Surpreendeu São Paulo fazendo um carro em 3d na Praça do Patriarca. A obra tinha cerca de 30 metros de largura por oito de comprimento. De 98% das posições o espectador via uma mancha no chão. De dois por cento via um carro, “real”, na frente. Fez um Pelé na Av. Paulista; um Michael Jackson no Rio de Janeiro (junto com o artista plástico Romero Brito); uma piscina no Rio (homenagem às Olimpíadas); monumentos de Brasília na Esplanada dos Ministérios e um canyon com elementos brasileiros e sul-africanos na Praça do Patriarca, em São Paulo, durante a Copa do Mundo de 2010. Ao total, fez cerca de 20 trabalhos em 3D no Brasil. Kobra participou de diversas edições do Sarasota Chalk Festival, maior evento de 3D do mundo (ler em trabalhos internacionais, ao final do release). Também participou de quatro edições do “Dubai Canvas at City Walk”, nos Emirados Árabes Unidos.
Galeria de Céu Aberto: O artista começou a colocar seus quadros em muros e outros espaços da cidade de São Paulo. Quer mostrar para as pessoas que a arte é acessível, que todos podem entrar em galerias. “Muita gente pensa que não gosta de arte simplesmente porque nunca entrou em museus e galerias”, afirma Eduardo Kobra.
Greenpincel: O projeto, que o artista desenvolve desde março de 2011, busca alertar e combater as agressões do homem aos animais e ao planeta como um todo. Kobra entregou vários murais para a cidade de São Paulo, dentro do projeto. Fez em julho um chocante mural de “boas-vindas”, chamado “Welcome to Amazônia”, na Av. Rebouças, 167, com cerca de 7m x 5m. O cenário mostra um ambiente arrasado. Pouco antes, concluiu o mural “CO2”, na rua Alvarenga, 2.400, com cerca de 10m x 5m, também parte do seu projeto Greenpincel, iniciado com o mural “Navio Baleeiro” (obra crua e forte, baseada em uma cena da caça de uma baleia pelo navio Yushin Maru), realizado em março na rua Domingos de Morais, na Vila Mariana. Kobra pintou o mural “Sem Rodeios”, na av. Brigadeiro Faria Lima, depois de ficar chocado com as imagens nos jornais e sites do bezerro abatido pelo peão César Brosco durante a 56ª Festa do Peão de Barretos. Fez na rua Cayowaa, em Perdizes, o mural “Mar da Vergonha”, onde critica o massacre de centenas de golfinhos no início de setembro, na pequena cidade de Taiji, na costa meridional da ilha japonesa de Honshu. Em outubro do ano passado fez o mural Alta Mira, onde critica a construção da usina, trabalho que atingiu grande repercussão de público e mídia. Segundo Kobra, o Greenpincel denuncia e combate artisticamente as várias formas de agressão do Homem à natureza. “Todas as tragédias naturais que têm acontecido em nosso planeta mostram que proteger os animais e a natureza como um todo é também uma forma de protegermos o ser humano. Particularmente, sou um apaixonado por plantas e animais. São temas que namoro há muito tempo e, por isso, decidi que já era hora de colocá-los também dentro do meu trabalho como artista”, diz. O Greenpincel marca uma nova etapa nas obras de rua do artista, que buscam basicamente preservar a memória e trazer beleza aos paulistanos, em meio à correria do dia-a-dia. “Gosto muito de resgatar a história e levar beleza às ruas das cidades, o que faço principalmente no projeto ‘Muro das Memórias’, mas há situações em que devemos denunciar, mostrando artisticamente as agressões feitas contra o nosso Planeta”, afirma.
Olhares da Paz: Série inspirada em personalidades importantes da história do Brasil, como o arquiteto Oscar Niemeyer e os compositores Chico Buarque e Adoniran Barbosa além de nomes que contribuíram a para paz, a liberdade, a arte e o humanismo, como Nelson Mandela, Martin Luther King Malala Yousafzai, Dalai Lama, Mahatma Gandhi, Madre Teresa de Calcutá e John Lennon.
Mosaicos: Usa aspectos coloridos e figuras geométricas sobrepostas nas cenas. Esta técnica dá profundidade e cor aos trabalhos. Alguns exemplos desta fase são os já citados murais “O Beijo está no Ar”, em Nova York; e “A Bailarina”, em Moscou. Às vezes a técnica pode se mesclar a outros estilos ou linhas de trabalho do artista. A homenagem a Oscar Niemeyer pertence à fase Personalidades e também à fase Mosaicos.
Trabalhos Internacionais: Eduardo Kobra fez intervenções em países como Estados Unidos, Rússia, França, Itália, Inglaterra, Suécia, Polônia, Japão, Taiti, Emirados Árabes, México e Grécia. Em 2018, pintou 20 murais nos Estados Unidos, 18 murais em Nova York.
Algumas das obras de Kobra no Brasil e no Exterior
Exterior:
1 – O Beijo, na High Line, em Nova York, EUA
2 – Arthur Rubinstein, em Lodz, na Polônia
3 – Artistas, em Wynwood, Miami, Flórida, EUA
4 – A Bailarina (Maya Plisetskaya), em Moscou, Rússia
5 – Malala, em Roma, Itália
6 – Olhar a Paz, em Los Angeles, Califórnia, EUA
7 – Sarasota Antiga, em Sarasota, Flórida, EUA
8 – Abraham Lincoln, em Lexington, Kentucky, EUA
9 – Fight for Street Art (releitura da cena clássica de Andy Warhol e Jean Michael Basquiat), em Williamsburg, Brooklyn, EUA
10 – Alfred Nobel, na cidade de Boras, Suécia
11 – MariArte, em San Miguel de Allende, México
12 – Ritmos do Brasil, em Tóquio, Japão
13 – O Beduíno, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos
14 – Mural ainda sem nome, Papeete, Taiti
15 – Bob Dylan,The Times They Are a-Changin. Minneapolis, Minnesota, EUA
16– Hamlet,West Palm Beach, Florida, EUA
17 –Einstein vai à Praia,West Palm Beach, Flórida, EUA
18 –Give Peace a Chance,Wynwood, Miami, Flórida, EUA
23 – Armstrong(nome não definitivo), Cincinnati, Ohio, EUA
24 – Dante Alighieri, Ravenna, Itália
25 – Let me be myself, Amsterdã, Holanda
26 – Ziggy Stardust (sobre David Bowie), Jersey City, New Jersey, EUA.
27 – Sonho de um Menino, Dubai, Emirados Árabes Unidos.
28 – Mandela(ainda sem nome definitivo), em Blantyre, Malawi
29 – Desmond Tutu (ainda sem nome definitivo), em Blantyre, Malawi
30 – Dalí, em Múrcia, Espanha
31 – Davi, em Carrara, Itália32 – Cacique Raoni (ainda em nome definitivo), em Lisboa, Portugal.
33 – Etnias – Todos Somos Um (talvez ainda receba um novo nome), em Sandefjord, Noruega.
34 – Locomotiva, em Londres, Reino Unido
35 – Família Monet (dois murais que conversam entre si), em Boulogne-sur-Mer (Bolonha-sobre-o-Mar), na França.
36 – Imagine, em Bristol, Inglaterra.
37 – Em 2018 o artista fez 20 murais nos EUA, 18 deles em Nova York.
Apenas no Brasil:
1 – Oscar Niemeyer, Praça Oswaldo Cruz, av. Paulista, em São Paulo, São Paulo
2 – A Arte do Gol (projeto Muro das Memórias), av. Hélio Pellegrino com av. Santo Amaro, em São Paulo, São Paulo
3 – Belém Antigo, esquina da rua Castilhos França com a rua Portugal, em Belém, Pará
4 – Candango, no Complexo Bancário, em Brasília.
5 – Chico e Ariano, na avenida Pedroso de Morais, Pinheiros, em São Paulo, São Paulo.
6 – Novos Ventos, nos tanques da Linde Gases, na rodovia Cônego Domênico Rangoni, no trecho do sistema Anchieta-Imigrantes, que liga Cubatão a Guarujá, São Paulo.
7 – Mural da 23 de Maio (projeto Muro das Memórias), av. 23 de Maio (próximo ao viaduto Tutóia), em São Paulo, São Paulo.
8 – Murais do Parque do Ibirapuera, ao lado do MAM, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, São Paulo.
9 – Pensador, Senac Tatuapé, em São Paulo, São Paulo.
10 – Muro das Memórias Caixa d’água, Senac Santo Amaro, em São Paulo, São Paulo.
11 – AltaMira(projeto Greenpincel), rua Maria Antônia, São Paulo, São Paulo.
12– Muro das Memórias, Senac Tiradentes, em São Paulo, São Paulo.
13 – Gonzagão, Recife, Pernambuco.
14 – Viver, Reviver e Ousar, Igreja do Calvário, em Pinheiros, São Paulo, São Paulo.
15 – Brasil!,muro da usina termelétrica de Macaé, Rio de Janeiro.
16 – Sem Rodeio (Projeto Greenpincel), av. Faria Lima, em São Paulo, São Paulo.
17 – Muro das Memórias Senac Tiradentes, av. Tiradentes, em São Paulo, São Paulo.
18 – Racionais MC’s, Capão Redondo, São Paulo, São Paulo
19 – Genial é Andar de Bike, Oscar Freire, São Paulo, São Paulo
20 – A Lenda do Brasil, rua da Consolação, São Paulo
21 – Etnias – Todos Somos Um, Boulevard Olímpico, Porto Maravilha, Rio de Janeiro, RJ
22 – Sobre Bike e mobilidade (nome ainda indefinido), rua Tavares Cabral, 62, Pinheiros, São Paulo, São Paulo.
23 – Mural do Chocolate (nome indefinido), km 35 da rod..Castelo Branco, em Itapevi, São Paulo;
24 – Escadão das Bailarinas, em Pinheiro, São Paulo, São Paulo
25 – Mario Quintana, Porto Alegre, Rio Grande do Sul.
26 – Ayrton Senna – Superação, em Interlagos, São Paulo.
27 – Escola Professor Raul Brasil (ainda sem nome definitivo), em Suzano, São Paulo.
Para Kobra, muito mais fundamental para o artista é o olhar, além do domínio do desenho e das cores.
Fotos: Reprodução/Erich Oliveira/Martin Lima
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“…minha preocupação mesmo é dançar bem, sempre fazendo o meu melhor.” (B-Boy Ferrugem)
Ele nasceu em Ceilândia, região administrativa de maior influência nordestina no Distrito Federal, considerada também um celeiro cultural e esportivo, por conta de sua riquíssima diversidade artística e atletas da cidade que despontam no cenário nacional e mundial.
Thiago, menino cheio de sardinhas no rosto e sonhos no coração, com uma força admirável, conhecido na cena como B-Boy Ferrugem é mais um exemplo que Ceilândia realmente pode ser uma mãe orgulhosa de seus muitos talentos!
A infância desse menino e dos seus irmãos não foi fácil, viveu dias tristes e bem difíceis dentro de um orfanato, mas podemos dizer que foi amado desde o início por Dona Josefa Araújo, sua mãe adotiva, mulher guerreira que tem 10 filhos, onde 8 são adotados e por seu irmão Sidney. Josefa lutou 5 anos para que tudo se regularizasse e pagou um alto preço por esse amor, que valeu a pena pela felicidade que sente hoje vendo a família unida.
Foi no orfanato, também, que Ferrugem teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop e com o elemento Breaking. Sempre teve o Project Sagaz, que é um projeto social de Cultura Hip-Hop, idealizado e realizado na cidade de Águas Lindas, de Goiás como família e o B-Boy Tsu como seu referencial na dança, ensinando tudo que o menino sabe.
Hoje, Ferrugem tem 15 anos e recentemente, em 2020, passou a fazer parte também da DF Zulu, que é a Crew mais antiga do Distrito Federal. Essa semana, o Portal Breaking World teve o privilégio de escutar e agora contar para vocês a história desse menino que, sem dúvida, é mais um grande nome da nova geração de B-Boys brasileiros que vão conquistar o mundo nos próximos anos, confira a entrevista:
BW: Nome completo, idade. Queria que você nos contasse: onde nasceu?
Ferrugem: Sou Thiago Araújo de Sousa, tenho 15 anos, sou conhecido como B-Boy Ferrugem, nasci em Ceilândia, no Distrito Federal.
Dançar bem dando sempre o seu melhor é um dos objetivos do B-Boy Ferrugem.
BW: Verdade que teve toda uma luta ligada a um processo de adoção? Nos conte sobre todos esses desafios, como isso afetou sua vida e sobre as vitórias que consegui nesse sentido?
Ferrugem: Esse processo de adoção levou cerca de 5 anos até a total regularização da minha situação, porquê no processo envolvia mais 2 irmãos meus, que também foram adotados pela minha mãe. No final deu tudo certo e hoje tudo que envolve documentação é resolvido de forma simples. Essa situação resolvida facilitou todas as questões de viagens e afins.
BW: Como você conheceu o Sidney e a sua nova família?
Ferrugem: Foi um momento muito triste da minha vida, não falo muito sobre essa época porque tem um processo correndo na Justiça. Eu e meus irmãos sofremos muito, mas minha mãe lutou muito por nós.
BW: Como é sua relação hoje com sua família, com o Sidney? Fale um pouco sobre todo esse amor…
Ferrugem: Mesmo tendo contato com minha família biológica, a minha referência é a minha mãe adotiva, que sempre pagou um alto preço pra me ver bem, o Sidney é um irmão de fato, me cobra dedicação, conversamos bastante, às vezes ele é chato, mas sei que é pro meu bem. Hoje somos 10 irmãos, 8 são adotados!
Dona Josefa Araújo é mãe adotiva de Ferrugem e que tem mais 7 filhos adotivos e dois biológicos: coração gigantesco de uma mulher guerreira!
BW: Quando teve contato pela primeira vez com a Cultura Hip-Hop? Onde e como foi?
Ferrugem: Foi ainda no orfanato, em uma apresentação de Breaking que vi.
BW: Com quantos anos começou a dançar Breaking? Alguém te ensinou? No princípio, quem foram suas referências?
Ferrugem: Comecei mais ou menos com 8 anos, na mesma época em que nasceu o Project Sagaz, o B-Boy Tsu da DF Zulu sempre foi meu referencial na dança, sempre me cobrou empenho e me ensinou praticamente tudo que sei.
BW: Em relação ao Breaking, teve algum movimento que foi mais difícil de aprender ou que ainda é?
Ferrugem: Acho que foi muito [difícil] o Top Rock e Footwork, que no princípio eu tive que me dedicar bastante pra aprender e entender.
BW: Você ao dançar passa uma força, uma seriedade e uma grande concentração. De onde vem tudo isso?
Ferrugem: Isso vem muito do que o Tsu e Project Sagaz passa pra mim e pros meninos que fazem aula.
Nas batalhas de Breaking, o menino chama a atenção pelo foco e concentração.
BW: Fale um pouco de suas rotinas de treinos. Quantas vezes na semana treina e como tem feito nesse tempo de pandemia?
Ferrugem: Não tenho treinado tanto nesse período, mas ocasionalmente eu vou nos treinos mais restritos que tem no projeto.
BW: Quem te deu o apelido Ferrugem? E de onde surgiu esse nome?
Ferrugem: Devido às minhas sardinhas no rosto, foi automático.
BW: Como se prepara para cada batalha? Você fica apreensivo ou é tranquilo?
Ferrugem: Geralmente, fico tranquilo, mas sei da importância.
BW: Fale um pouco sobre as principais vitórias em campeonatos. Quais foram os principais eventos onde você foi campeão?
Ferrugem: Um dos principais eventos que ganhei foi a batalha de 1 ano do Encontro de B-Boys de Águas Lindas, porque foi contra adultos, todo mundo podia se inscrever (2018), 2 vices campeonatos da Chelles Battle, foi importante pra mim. Campeão do Festival Quando As Ruas Chamam em 2018 e vice em 2019, 3º Colocado da batalha de Breaking do Festival Elemento Em Movimento, maior do Centro-Oeste, em 2018.
Além do Project Sagaz (na foto), B-Boy Ferrugem também faz parte da DF Zulu Crew.
BW: Como você trabalha o seu emocional na hora que ganha ou na hora em que perde? O que você sente quando está dançando?
Ferrugem: Na verdade, eu nem me preocupo muito com isso, minha preocupação mesmo é dançar bem, sempre tentando dar o meu melhor.
BW: Fale sobre sua Crew, sobre o Project Sagaz e como você se relaciona com essa grande família?
Ferrugem: O Project é um lugar muito especial, ali é bem mais que uma Crew, todo mundo se preocupa e apoia todo mundo, é realmente uma família!
BW: Verdade que esse ano você começou a fazer parte também de uma outra Crew?
Ferrugem: Verdade. Entrei para a DF Zulu que é a Crew mais antiga do Distrito Federal.
A dificuldade encontrada no processo de adoção atrapalhou os planos de dançar fora do Brasil.
BW: Você já competiu fora do país? Tem sonho de ir? Tem algum B-Boy estrangeiro ou brasileiro que você admira muito?
Ferrugem: Ainda não fui, mas já recebi vários convites, o fato do processo de adoção ter demorado regularizar a situação do meu nome atrapalhou um pouco nisso.
BW: Como você administra dança e os estudos? Em que série você está? As pessoas costumam na escola te pedir para dançar?
Ferrugem: Na verdade sempre puxam minha orelha por causa disso, estou na 8ª série, as pessoas sempre pedem pra eu dançar!
BW: Fora a dança o que você mais gosta de fazer?
Ferrugem: Jogar futebol, jogar Free Fire e jogar fliperama no projeto.
BW: O que significa o Breaking na sua vida?
Ferrugem: É algo que me deu aprendizado, uma nova visão de vida.
Assim como outros B-Boys e B-Girls Kids, Ferrugem sonha em disputar os Jogos Olímpicos.
BW: O que você acha da possibilidade do Breaking virar um esporte olímpico? Você gostaria de ir para uma Olimpíada?
Ferrugem: Acho que o Breaking merece visibilidade, eu gostaria muito de participar de uma Olimpíada e ter essa experiência.
BW: Quais são seus planos para o futuro? Onde você pretende chegar?
Ferrugem: Quero terminar meus estudos, me dedicar mais à dança, crescer junto com o Project Sagaz, ajudando as pessoas da nossa cidade, acho que é isso por enquanto.
BW: Mande uma mensagem para todos que estão lendo essa entrevista.
Ferrugem: Espero que esse tempo de pandemia acabe logo, para que possamos voltar com as coisas que gostamos de fazer, sem medo.
Fotos: Arquivo Pessoal/Shake It
Ferrugem (ao centro) e os B-Boys Marcin e Samukinha, da Dream Kids Brazil
Dona Josefa com Ferrugem e alguns irmãos
Ferrugem e os irmãos
Ferrugem e Sidney
Ferrugem e o irmão Sidney
Ferrugem e B-Boy Tsu
Ferrugem e B-Boy Tsu
Ferrugem
Ferrugem
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“A convivência com o Hip-Hop Educa me ensinou a crescer, a evoluir e a entender como a união faz a força. Sinto muita falta deles!”. (B-Girl Aninha)
Ela nasceu em Mauá, que é um município da região metropolitana de São Paulo. Sua infância foi bem humilde mas muito divertida.
Foi por meio do Ballet, numa coreografia que envolvia o Hip-Hop que descobriu, ao ser escalada para fazer o movimento principal, que o Breaking era algo mágico e que queria ser uma B-Girl.
Mas foi junto com a família do Hip-Hop Educa e com o B-Boy Suco que cresceu, evoluiu e aprendeu talvez uma das maiores lições de sua vida: “que a união faz a força”.
Estamos falando da B-Girl Aninha, hoje com 15 anos a menina começa a dar espaço para o nascimento de uma vigorosa jovem, atualmente ela mora com seus pais em Peruíbe, no litoral paulista. A mudança se deu pela busca da tranquilidade na vida praiana. Aninha conversou com o Portal Breaking World e falou sobre sua vida, suas vitórias, suas saudades, suas opiniões e sobre o futuro. Confira a entrevista:
BW: Queria que você falasse um pouco de você, sobre a sua infância e das lembrança que tem dessa época.
Aninha: Meu nome é Anna Carolyne de Sousa Diamantino, tenho 15 anos, tenho 4 irmãos por parte de pai e 2 irmãos por parte de mãe. Eu nasci na cidade de Mauá, em SP e morei em um lugar bem humilde. Minha infância foi incrível e divertida.
Aninha encontrou o Breaking em uma coreografia de Ballet.
BW: Quando teve contato pela primeira vez com a Cultura Hip-Hop? Onde e como foi isso? Quando começou a dançar Breaking?
Aninha: Por incrível que pareça, tive contato pela primeira vez em uma coreografia de Ballet. Minha professora montou uma coreografia que envolvia o Hip-Hop e eu fui escolhida para fazer o movimento principal da coreografia.
BW: Como sua família via seu interesse pela dança? Você teve apoio da família?
Aninha: A minha família notou esse interesse no momento da coreografia. Sim, tenho muito apoio deles, tanto do meu pai quanto da minha mãe e dos meus irmãos.
BW: Fale sobre como era o tempo que treinava com o B-Boy Suco e como era viver com a família Hip-Hop Educa? Você sente falta deles?
Aninha: Era sensacional! Ele é um professor muito dedicado, disciplinado para com seus alunos, sempre transmitia sua alegria para todos. A convivência com o Hip-Hop Educa me ensinou a crescer, a evoluir e a entender como a união faz a força. Sim, sinto muita falta deles!
Aninha sente falta dos companheiros de Crew.
BW: Tiveram movimentos mais difíceis de aprender do que outros ou foram todos tranquilos de aprender?
Aninha: Sim, tiveram movimentos difíceis que demorei mais para aprender.
BW: Você participou de vários eventos e ganhou alguns deles. Fale dos principais eventos e das grandes vitórias.
Aninha: Um dos principais eventos, que foi muito marcante, foi a segunda vez que fui para Diadema, no Beija-flor. E uma das grandes vitórias foi quando eu fui para Tattoo Week pela primeira vez e consegui levar a vitória para casa. Participei de muitos eventos e tive grandes vitórias, mas esses foram os principais que mais me marcaram.
BW: Já competiu fora do país? Alguma vez pensou em ir morar fora do Brasil?
Aninha: Não, mas já tive a chance. Sim
Aninha com B-Boy Suco e a mamãe Iris em evento de Breaking.
BW: Estudar e dançar: como você organiza isso? Em que série você está? Na escola é normal pedirem para você dançar?
Aninha: Em relação a isso é bem tranquilo, consigo me organizar muito bem. Estou na 1ª série do Ensino Médio. Na escola atual não, mas na anterior sempre pediam para eu dançar.
BW: Ano passado você mudou de São Paulo para Peruíbe, no litoral. O que a levou a trocar a vida agitada de São Paulo pela vida do litoral?
Aninha: Meus pais decidiram trocar essa vida agitada, pois queriam mais tranquilidade e menos agitação.
BW: Como você tem vivido esses dias de pandemia no litoral? O que tem feito?
Aninha: Tenho vivido muito bem. Estou estudando bastante, ajudando a minha mãe e treinando muito.
B-Girl Aninha e B-Boy Isaque na MF Battle.
BW: O que acha dos eventos on-line que estão acontecendo nesse momento e dessa nova forma de participar de eventos? Como acha que será o futuro para os B-Boys e as B-Girls pós pandemia?
Aninha: Estou achando bem legal. Na minha opinião, isso depende de cada um, muitos não tem lugares para treinar, mas sei que alguns estão tentando continuar nessa batalha e evoluir.
BW: Muito tem se falado do Breaking nas Olimpíadas. O que pensa sobre isso? Você gostaria de ir para as Olimpíadas?
Aninha: Achei muito interessante, isso será uma chance para todos nós de sermos reconhecidos
BW: O que hoje significa o Breaking na sua vida? Quais são seus planos para o futuro e seus sonhos?
Aninha: Pra mim significa tudo, o Breaking faz parte de mim, é uma dança que me faz sentir leve e contente. Ainda não me decidi o que eu realmente quero para o meu futuro, mas sei que o Breaking continuará sendo o meu hobby.
BW: Deixe uma mensagem para os leitores do Portal Breaking World que estão lendo essa entrevista…
Aninha: E aê galera? Continue se esforçando e dando o melhor de si pelo o que você gosta, desistir jamais, persistir sempre! Um abraço para todos!
Fotos: Arquivo Pessoal/The Sarará
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No próximo mês, acontece no dia 8 de novembro de 2020, em Guarulhos, a 6ª edição do Troféu Arte em Movimento, organizado pelo artista plástico e ativista cultural Jose Pereira de Souza, conhecido na cena como Zep.
O artista plástico deu o nome ao Troféu de Arte em Movimento, porque representa uma linguagem universal, da arte que nunca para. O troféu, que hoje é dado aos melhores do país em todas as modalidades de arte, nasceu em Diadema, em 2014, com a iniciativa de premiar artistas locais e regionais, desde então, a premiação vem se destacando ano após ano e criando “asas”, tomando proporções nacionais e até internacionais.
José Pereira de Souza, o “Zep” é o idealizador da premiação, que este ano está na 6ª edição.
A premiação é considerada o maior prêmio independente do Brasil, tendo em suas últimas edições indicados do Brasil e de outros países. Este ano, será realizado em vários estados. No Rio de Janeiro, uma das comissões é a da Aline Melo, jornalista. Ela voluntariamente está nesta premiação há 3 anos consecutivos, indicando artistas nacionais e internacionais, como Thalia Melo.
Em São Paulo, outra comissão é de Mônica, do “Nós no Rolê”, que ajudou a escolher 32 minas da Cultura Urbana, decisão feita a dedos também por “Banca Somos Um Só” e “RNS Rap Original”. Ela fala: “Este ano (2020) a 6ª edição do Troféu Arte em Movimento contará com um prêmio especial dedicado às minas da Cultura Urbana, onde eu Mônica Senna (Nós no Rolê) juntamente com RNS e Banca Somos um Só, indicamos 32 minas que terão a honra de receber esta premiação exclusiva. O Troféu Arte em Movimento vem crescendo a cada edição e pra nós é um orgulho fazer estas indicações especiais, ressaltando a força e o poder da mulher dentro da cultura, várias minas de representatividade serão reconhecidas não só pelo seu trabalho artístico e sim pela sua força e resistência de estar neste meio, que ainda é muito discriminado e pouco reconhecido. E eu me sinto feliz e satisfeita, embora seja muito difícil escolher, espero que outras premiações sigam o exemplo do guerreiro Zep e prestigiem mais a nossa cultura e as nossa mulheres!”, conclui.
As comissões têm a função de identificar os artistas e todos os que estão associados à arte para receber o troféu, em uma verdadeira democracia cultural, onde o objetivo principal é a valorização e reconhecimento. Essa edição de 2020, por conta da Covid-19, será uma edição diferente, onde todos os cuidadoso estão sendo tomados, cumprindo todas as medidas e protocolos de segurança, conforme orientação e determinação das autoridades de saúde.
O Portal Breaking World, no mês passado, recebeu a notícia que sua editora, Luciana Mazza, foi indicada entre as 32 minas da Cultura Urbana, o que nos deixa muito agradecidos e honrados.
Este ano, a jornalista Luciana Mazza, editora do Portal Breaking World foi uma das 32 indicadas ao prêmio.
Luciana Mazza tem 45 anos, na Cultura Hip-Hop está desde 1989. Além de editora do Portal Breaking World é cineasta, escritora e diretora de comunicação da Casa de Cultura Urbana Street House, em São Paulo. Também é mãe de B-Boy e de B-Girl. São dela as palavras: “É uma honra, junto com essas 31 meninas super talentosas e empoderadas, receber o Troféu Arte em Movimento. Sou muito grata ao Zep, à Mônica e às comissões. É um reconhecimento muito especial! As mulheres sempre estiveram presentes, sempre existiram, persistiram e resistiram a todas as pressões, as tempestades, as violências, aos assédios, as lutas e todos os preconceitos do passado e do presente que, infelizmente, ainda existem. Sempre fizeram a diferença em suas diversas profissões e muitas mudaram o mundo com seus pensamentos e artes, que assim como sangue corre dentro das veias. Certa vez, na minha caminhada na minha arte, que é escrever, um MC meio inseguro falou que o meu trabalho e de outros de jornalistas que amavam a Cultura Hip-Hop não tinha relevância, que eram insignificantes para a cena e para o Breaking. Coitado, sinto pena de pessoas limitadas! Todos os dias fazemos matérias onde contamos histórias e trazemos informações que jamais devem ser esquecidas por aqueles que amam a Cultura Hip-Hop, mostramos e damos razões para quem já quase desistiu da vida voltar a acreditar nela. Valorizamos os nossos artistas de rua, a antiga e a nova geração, mostramos as periferias e os verdadeiros heróis que todos os dias salvam vidas, ao contrário dos oportunistas, que só aparecem para causar ou se forem ganhar dinheiro. Somos a memória, o registro, a informação e também a reflexão para todas as gerações. Obrigada, organizadores do Troféu Arte em Movimento, pela indicação e a todos que reconhecem a importância do nosso trabalho! E o tal cara? Esqueci dele, esse não vale nem aparecer na sessão de obituários!”, conclui a jornalista.
O Troféu Arte em Movimento acontece no Espaço Val Fest, em Guarulhos. A premiação será fechada ao público esse ano para evitar aglomerações, cumprindo todos os protocolos de saúde.
Fotos: Divulgação/Mônica Senna/Man
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“… Nada, absolutamente nada vai ser fácil e é por isso que poucos conseguem. Por isso, tenha em mente se é isso que realmente quer pra sua vida e corra atrás.” (B-Boy Leony)
Ele nasceu em Belém, capital do estado do Pará, que é uma cidade portuária e a porta de entrada para a região do Baixo Amazonas do Brasil.
Sempre morou no bairro do 40 Horas. Como todo menino, quando pequeno gostava de jogar bola e brincava na rua até altas horas da noite. Hiperativo, não parava nem um minuto sequer. O que nunca lhe faltou foi energia!
Sendo o mais velho dos filhos de Dona Elizete, foi criado com suas irmãs por sua mãe sozinha, mulher guerreira, como ele mesmo relata com orgulho.
Aos 12 anos de idade, por influência de um primo próximo, conheceu o Hip-Hop, se apaixonando no primeiro momento pelo movimento Head Spin [Giro de Cabeça], começando sua caminhada de sucesso no Breaking, passando a competir em 2012.
Mas foi em 2013 e 2016 que conquistou o título de Melhor B-Boy do país. E, em 2017, foi tricampeão do Red Bull BC One no Brasil. Segundo B-Boy Pelezinho, que foi um dos jurados do evento que deu o segundo título para Leony, ele começou a se destacar por sua autenticidade. Na época, Pelezinho declarou: “sabe muito bem combinar os movimentos. Sua habilidade é impressionante, por isso mereceu mais uma vez o título”.
O tempo passou muito rápido e foi generoso com o B-Boy, que gosta de saborear açaí com mortadela em Belém, o consagrando como um dos maiores nomes da sua geração no Breaking, mas também trouxe responsabilidades por ser um B-Boy mundialmente conhecido.
Agora, em 2020, Leony se considera mais “light”, treinando 3 vezes por semana e recentemente experimentou em sua vida a experiência da paternidade, com o nascimento do seu primeiro filho João Miguel.
Ele reconhece que com essa nova fase alguns planos mudaram, mas colocou um objetivo bem motivador, que é ser campeão mundial nos próximos 2 anos. Pretende também ingressar numa faculdade e abrir um negócio.
Gostou da história e quer saber mais? Então confira o papo que o Portal Breaking World teve com esse B-Boy que é um dos grandes nomes do Breaking da atualidade:
BW: Queria que você falasse onde nasceu e cresceu. E contasse um pouco sobre a sua infância e sobre sua vida em família.
Leony: Nasci em Belém do Pará e fui criado no bairro do 40 Horas, que até hoje resido. Minha infância foi muito feliz, como todo moleque gostava de jogar bola, brincava até altas horas da noite e era muito hiperativo, não parava nem um minuto. Sou o mais velho de duas irmãs e fui criado pela minha mãe Elizete, que é uma guerreira que criou os filhos sozinha.
Nascido em Belém, Leony foi criado com as irmãs pela mãe Elizete: “uma guerreira”, segundo o B-Boy.
BW: Quando teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop? Quando o Breaking passou a fazer sentido na sua vida?
Leony: Meu primeiro contato com o Hip-Hop aconteceu por meio do Breaking, meu primo, que foi criado comigo, certo dia chegou em casa e falou que um amigo dele estava fazendo “Hip-Hop” e ele queria aprender como fazia, eu me apaixonei quando vi esse tal amigo do meu primo fazendo giro de cabeça e a partir daí comecei a entrar no mundo do Hip-Hop. Difícil falar o momento exato que o Breaking passou a fazer sentido para mim, porém, quando eu vi os B-Boys e as B-Girls dançando, eu já me apaixonei de cara. Mas, se puder falar de um momento, seria que ele fez sentido pra mim quando eu comecei a ajudar as pessoas ao meu redor.
BW: Com que idade começou a dançar? Alguém te ensinou? Nessa época existiam pessoas que você se inspirava? Além de dançar o que gostava de fazer?
Leony: Comecei a dançar no final de 2008, com 12 anos e no início eu aprendia com os meninos da nossa turma, que começaram a dançar junto comigo, não existia uma pessoa ali pra ensinar. No ano de 2008, o maior nome que já era o destaque era o Amazon B-Boys e eles me inspiravam muito (todos queriam ser eles). Eu antes de dançar fui carateca, cheguei a ser faixa verde e até participei de alguns campeonatos.
BW: Você começou criança na dança e também entendeu cedo que deveria buscar os próprios movimentos e estilo, que foi algo que sempre chamou a atenção. Como foi isso? Verdade que você incluí elementos da cultura paraense como o Carimbó e o Tecnobrega na sua dança? Ser diferente era um objetivo?
Leony: Sim, eu sempre busquei minha identidade, eu olhava B-Boys como Menno, Lego, Abstract, Luigi e queria ter o meu “style”, assim como eles. E por muito tempo não sabia como fazer. Em 2011, eu fui à França e lá foi um divisor de águas pra isso, eu pude conversar e ver com meus próprios olhos o que deveria fazer, então, voltei e comecei a buscar isso. A primeira coisa que eu fiz foi olhar pra minha cultura regional e usar isso, usando movimentos e ideias do Carimbó, por exemplo. Ser diferente era a minha busca, pois acho que isso é o que faz o Breaking ser o que ele é.
Leony incorpora em seu estilo elementos de outras danças, como o Carimbó.
BW: Durante seu aprendizado houve movimentos mais difíceis de aprender? Quais? Como você superou as dificuldades?
Leony: Eu sempre tive dificuldade com Power Moves, até hoje não sei o Giro de Cabeça [Head Spin], que foi o movimento que eu me apaixonei (risos). Então, eu notei que tinha mais facilidade para movimentos que exigiam mais técnica a princípio do que força e assim fui aprendendo esses movimentos, como por exemplo, o Moinho de Vento [Wind Mills].
BW: Você teve apoio da sua família na dança? Como todos viam sua ligação com o Breaking?
Leony: A princípio minha mãe achava que era só um hobby, quando ela percebeu que era algo sério, ela apenas me aconselhava a sempre ter um plano B. O resto gostava também.
BW: Como você administra dança e estudo? Qual o seu grau de instrução? Pretende continuar estudando? Na sua opinião são importantes os estudos para quem dança?
Leony: Eu sempre estou estudando e acho que devemos e podemos conciliar os estudos com dança, eu tenho o ensino médio completo e pretendo fazer uma faculdade de publicidade em breve. Estudar é um complemento obrigatório em tudo.
O B-Boy reconhece a importância dos estudos para o sucesso.
BW: Quando começou de fato a competir? Quais foram os eventos que fizeram toda a diferença na sua vida?
Leony: Comecei a competir em 2008, mesmo logo depois de iniciar na dança. Eu tive dois eventos que me ensinaram muito, o primeiro foi o Boty Brasil 2011 (Battle of the Year), onde competi com minha Crew pela primeira vez em nível nacional. O segundo, foi a “Red Bull under my wing” organizado pelo Pelezinho e que me mostrou como o mundo do Breaking é maravilhoso.
BW: Em 2013 e 2016, com apenas 21 anos, conquistou o título de melhor do país. Com isso as cobranças e as responsabilidades aumentaram?
Leony: Sem dúvidas, principalmente depois de 2016 as coisas mudaram e com elas as responsabilidades com o nome “Leony”. Quando se é anônimo você pode errar, experimentar novos estilos, perder, mudar, porém, quando as coisas mudam e você tem um certo reconhecimento, isso fica mais difícil, as pessoas já criam uma imagem e uma expectativa em cima de você, você deve se preocupar com o que fala, veste e faz dentro e fora do mundo do Hip-Hop, tem seu lado bom, assim como seu lado ruim.
BW: Quando saiu a primeira vez do país para competir? Para onde foi? Dançar com os melhores B-Boys do mundo foi desafiador? O que sentiu?
Leony: Minha primeira vez foi em 2011, para a Battle of the Year, na França, foi simplesmente maravilhoso, eu lembro até hoje de cada detalhe dessa viagem, foi lá que eu olhei pra mim e falei “é isso que eu quero da vida”. Foi um desafio, eu me sentia como se não soubesse dançar nada.
Para Leony, o reconhecimento traz consigo grandes responsabilidades.
BW: Que diferenças existem entre o Breaking brasileiro e o que é feito no resto do mundo? Digo principalmente em relação ao preparo e à conduta desses B-Boys e B-Girls?
Leony: Organização sem dúvidas é a palavra que nos difere do resto do mundo. Apenas isso, devemos aprender a ser mais organizados em todos os sentidos aqui no Brasil.
BW: Como você foi recebido em outros países? Pensou alguma vez em ir morar fora do país?
Leony: Sempre fui muito bem recebido em todos os países que estive e muitos eu me surpreendi em saber que tinham admiradores da minha dança lá, eu nunca pensei em morar fora do Brasil, meu lugar é em Belém, tomando açaí com mortadela.
Gosto exótico: açaí com mortadela é um dos pratos favoritos de Leony.
BW: É possível viver da dança no Brasil? Conte sua experiência.
Leony: Sim, é possível. Mas como falei, a falta de organização aqui do Brasil dificulta isso para a maioria. Eu, no início, sofri demais com o lado financeiro (ainda passo aperreios, claro!) mas hoje tenho marcas que me apoiam e tenho também uma cabeça mais madura para tratar dos assuntos e de dinheiro. Eu sempre falo que pra que isso aconteça, para que você chegue a viver de dança, você precisa saber muito bem o que realmente quer da dança, existem diversos meios de viver de dança, saiba escolher um deles e planeje e organize seus passos em busca desse objetivo.
BW: Fale um pouco da sua Crew e do seu relacionamento com todos.
Leony: Minha Crew surge em janeiro de 2006, com o nome de Amazon B-Boys, hoje temos a segunda geração e mudamos o nome para Amazon Crew, pois antes não tínhamos mulher no grupo, mas agora temos e esse título de Crew não era confortável. Hoje sou o líder (só nome mesmo – risos) porque na Crew todos trabalham para o melhor de todos. Temos um convívio muito bom e, claro, sempre temos algumas discussões, que são normais, porém, sou muito grato a cada membro da minha Crew por compartilhar momentos únicos ao lado deles.
BW: Muitos almejam chegar onde você chegou mas desconhecem os sacrifícios. Que conselhos você daria para quem pretende ir longe no Breaking?
Leony: Se você realmente quer isso, entenda que é muito mais sacrifício do que felicidade, nada foi fácil pra mim, nunca! Eu treinava em um local de um Metrô, no concreto, todo dia para ficar bom. Em 2016, eu trabalhei de camelô metade de um ano inteiro para comprar minhas passagens para o Red Bull BC One daquele ano e ir para o Japão. Nada, absolutamente nada vai ser fácil e é por isso que poucos conseguem, por isso tenha mente se é isso que realmente quer pra sua vida e corra atrás, sem ter a menor dúvida de que é isso que você quer ser.
BW: Ganhar e perder faz parte da vida de um B-Boy e de uma B-Girl. Mas como você trabalha isso? Se considera competitivo? As pressões interferem na sua dança? Como trabalha o psicológico?
Leony: Eu sou muito competitivo, eu adoro batalhar, é isso que me mantém focado, claro que eu já perdi muito, porém, eu sempre usei isso para me ajudar a melhorar e evitar as derrotas futuras. Hoje eu me acostumei com a pressão dos eventos, mas no início isso me afetava, sem dúvidas. Não tenho uma fórmula para trabalhar o psicológico, eu acho que isso a gente resolve com experiência mesmo, ou seja, batalhe muito para se acostumar com a pressão.
Para se acostumar com a pressão psicológica não existe receita: tem que batalhar muito, segundo o B-Boy.
BW: Como é hoje em dia sua rotina de treinos. Quantas vezes você treina na semana? Como tem sido nessa época de pandemia?
Leony: Hoje eu sou mais “light” (risos), normalmente treino 3 vezes na semana, com cada treino desse específico para algo. Esse ano, claro, eu fui afetado e treinei bem pouco. A partir de julho desse ano foi que eu pude voltar a treinar, mas ainda estou bem longe da minha forma.
BW: O que você acha dos eventos on-line? Na sua opinião é uma tendência? Como você pensa que será a vida dos B-Boys depois da pandemia?
Leony: Eles se tornaram uma alternativa para esses momentos que vivemos, eu não sou fã desse formato, não gosto, acho “morto”, mas entendo que foi uma necessidade eles existirem. Não acho que é uma tendência os eventos, mas acho que podemos tirar coisas boas disso, como por exemplo, a quantidades de aulas e cursos intensivos de danças que foram criados esse ano. Acho que isso sim é algo que possa virar tendência e eu particularmente acho muito bom.
BW: Muito tem se falado do Breaking nas Olimpíadas. O que você pensa sobre isso?
Leony: Nossa melhor notícia nos últimos anos. Eu torço demais para que o Breaking entre para as Olimpíadas, pois sei que isso sem dúvida vai alavancar nossa arte.
BW: Quais são seus planos e desafios para o futuro?
Leony: Bom, agora eu sou pai e isso sem dúvida mudou meus planos, eu quero continuar dançando, claro e competindo, vou fazer uma faculdade e em breve abro um negócio pra mim. Tenho vários desafios, mas coloquei um bem motivador pra mim, que é de ser campeão mundial nos próximos 2 anos.
Ser campeão mundial, fazer faculdade e abrir o próprio negócio são algumas metas de Leony para os próximos anos.
Fotos: Arquivo Pessoal / D Halsin / Little Shao / Red Bull BC One / 22 Nhati / Quando as Ruas Chamam / Reprodução
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“Se você não concorda do Breaking entrar nas Olimpíadas, então você é ignorante. Nós fomos discriminados pra caramba no passado e quando temos oportunidade, alguns ficam de palhaçada. Por onde esses B-Boys e B-Girls passarem vão escutar: “eles são breakers e fazem parte das Olimpíadas!”, o respeito será dobrado!” (B-Boy Chileno)
Foi em São Luís do Maranhão que, em 10 de outubro de 1958, nascia José Carlos Barroso, apelidado de Chileno em uma batalha de Breaking em São Paulo.
Cresceu na periferia da capital maranhense, onde plantava verduras para sustentar a mãe e a avó. Aos 15, deixou a vida interiorana para se aventurar pelo centro de São Luís, onde teve o primeiro contato com o Hip-Hop, por meio do Skate.
Ao redor de sua casa, o estádio Governador João Castelo, o Castelinho, era o point da garotada. Um dia, enquanto treinava, se surpreendeu com os movimentos de Breaking de um gringo. Foi mágico e se encantou por aquilo, deixando o Skate para aprender a dançar.
Sofreu preconceito em casa, o que o fez em 1980, mesmo com todas as orientações contrárias de seus familiares, partir para São Paulo. Na “terra da garoa” trabalhou duro e na hora do almoço treinava Breaking. Todo lugar que tinha espaço para treinar, ele treinava. No Anhangabaú, na República, na estação São Bento do Metrô. Mal imaginava que dançava num chão que depois seria sagrado para os B-Boys e B-Girls de todo o Brasil, a São Bento iria se tornar o templo do Hip-Hop mais tarde.
Anos passaram, colecionou vitórias, em 2018 ganhou o Prêmio Sabotage, mas a maior riqueza foram as histórias que guarda dentro do peito. Nunca envelheceu, ele garante e o bom Breaking permanece, enquanto o coração bater no beat.
Na semana de completar 62 anos, Chileno, que é uma verdadeira lenda do Breaking brasileiro conversou com o Portal Breaking World.
Obrigada pelo papo, mestre! Feliz Aniversário! Confira essa entrevista recém saída do forno:
BW: Queria que você falasse onde nasceu, um pouco da sua infância, da sua juventude. Onde foi e que boas lembranças tem dessa época?
Chileno: Eu sou de sou de São Luiz do Maranhão. Eu vivia com a minha vó que me criou, ia trabalhar na roça, colher verdura, fruta, fazia bolos, aprendi a fazer comida. Tudo ela me ensinava e ao mesmo tempo me dava muitos conselhos. Esses conselhos foram fundamentais para toda a minha vida.
De São Luiz do Maranhão ele veio para São Paulo e se tornou um ícone da Cultura Hip-Hop
BW: Quando teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop? Como surgiu o amor por essa cultura?
Chileno: Eu conheci o Breaking entre uma pista de Skate e de atletismo, até porque eu era skatista, mas eu conheci o Breaking através de um campeonato que aconteceu em São Luiz do Maranhão e tinha um cara americano que foi participar do campeonato e ele fez um movimento que eu parei na hora de andar de Skate e depois fui perguntar para ele que dança era aquela. E ele respondeu que era Breaking e naquela época eu perguntei para ele em que estágio o Breaking ia chegar no mundo, ele falou a seguinte frase: “O Breaking vai chegar no mundo inteiro e muita gente vai se dar bem dentro do Breaking, dependendo da inteligência da pessoa. O Breaking terá um grande público”.
BW: Alguma vez você sofreu preconceito de alguma parte da sociedade ou da sua família?
Chileno: O preconceito que eu sofri foi dos meus familiares, o que me fez tomar a decisão de vir para São Paulo. Foi o pior preconceito da minha vida. Em São Paulo eu nunca sofri preconceito! Nunca tive problema em lugar nenhum porque eu buscava amizade só com gente bacana e eu me aproximava das pessoas de maneira honesta e sincera.
BW: Como foi quando você decidiu vir para São Paulo?
Chileno: Quando tomei a decisão de vir para São Paulo, eu tinha 28 anos, só que os meus familiares me chamaram para uma conversa. Eles falaram que se eu realmente decidisse vir para São Paulo, teria que me cuidar, pois era um lugar perigoso, violento e que teria que ter muito cuidado com a minha vida e com tudo. Eles me colocaram muito medo. Olha, eles foram na minha opinião idiotas! E aí, chegando em São Paulo, eu fui trabalhar em um supermercado na Amaral Gurgel, na Santa Cecília, próximo a República. Eu tinha duas horas de almoço. E nessas horas eu ia andar no centro e treinava Breaking, eu ia até a São Bento, mesmo que até os punk naquela época mandava lá, eu treinava bem distante deles. Quando surgiu o festival na São Bento, os treinos lá, eu me destacava, não queria fazer amizade com ninguém, ficava isolado porque tinha medo de violência. Eu demorei muito para fazer amizade com as pessoas, isso só foi acontecer nos anos 90.
Logo que se mudou para São Paulo, Chileno treinava na São Bento, no intervalo de almoço de seu trabalho em um supermercado.
BW: Quando surgiu seu nome Chileno?
Chileno: Foi em São Paulo. Voltando um pouco lá atrás, quando eu conheci o Breaking, quando eu comecei a treinar com um americano na minha região, ninguém me conhecia como dançarino. Quando surgiu o filme “Os embalos de Sábado à noite”, do John Travolta e o “Beat Street” e aí começou aparecer o Breaking no mundo inteiro. Aí teve um campeonato na televisão, da Difusora de São Luiz do Maranhão, de Breaking, aí eu fui e me inscrevi. Quando eu cheguei para fazer a inscrição ninguém me conhecia como B-Boy, nem como dançarino. E na mesma hora o locutor falou que nós tínhamos que descolar um nome artístico, eu coloquei na hora, eu coloquei John Boy Breaking, de São Luís do Maranhão. Eu disputei com o melhor dançarino de Breaking de São Luiz do Maranhão, o cara também era capoeirista, ginasta, dava mortal, voadora e eu fiquei em segundo lugar. Chegando em São Paulo, o meu primeiro contato foi o grupo Jabaquara Breakers e eu contei minha história, falando que era B-Boy de São Luiz do Maranhão e muitos nem sabiam que tinha Breaking lá. Então, ele pediu que eu me apresentasse, eu me apresentei, comecei a dançar e uma pessoa do público falou assim: “Nossa, esse chileno dança muito!”, então, me chamaram de Chileno e o nome pegou até hoje!
BW: Como foi sua caminhada aqui em São Paulo?
Chileno: Aqui eu conheci os melhores campeonatos e conheci as melhores pessoas, os gringos da época vinham muitos para o Brasil e eu conheci muitos deles que eram bacanas. Comecei a ganhar campeonatos em 2001, 2002 no Sesc Itaquera, no Sesc Pompeia e na Rio Branco, com o Rooneyoyo que fazia os campeonatos. Ganhei muitos prêmios, ganhei muito dinheiro, ganhei muitas roupas e ganhei muitas matérias na imprensa. Fui convidado pela Folha de São Paulo, Revista Raça Brasil, Revista SP B-Boy e comecei a me dar bem em São Paulo, eu sempre procurei me entrosar com as pessoas, sempre fui honesto e da maneira “brincalhão” que todos me conhecem até hoje.
BW: Em todos esses anos, Chinelo, você fez muitos amigos? Nos fale desse racha que sempre rola nos eventos quando você está presente e o B-Boy Jow?
Chileno: Eu sempre busquei ser uma pessoa boa para todos. Old School até crianças. A minha amizade com o Jow é muito sincera, não é uma brincadeira falsa, nós brincamos no racha, só brincadeira e diversão, nunca tivemos maldade um com o outro. Nunca discriminei. Temos muito respeito um pelo outro!
Os “rachas” entre Chileno e Jow já se tornaram uma tradição nos eventos paulistas de Breaking: amizade e respeito.
BW: Alguma vez você pensou em ir morar fora do país?
Chileno: Eu tive um convite para ir morar fora do Brasil, nos Estados Unidos. Mas eu não quis ir, porque a minha mãe que eu trouxe do Nordeste para São Paulo estava doente e eu tive que cuidar dela, eu não podia deixar a minha mãe doente e ir pensar em mim, indo para outros países e esquecer da minha mãe. Foi uma luta grande!
BW: Chileno, talvez você seja um dos mais antigos B-Boys na ativa. Nos conte como é isso?
Chileno: Olha, eu me dou bem com toda a juventude, eu me sinto bem entre eles, os fundamentos do Breaking sempre tiveram muito sentido em toda a minha vida. Eu sempre busquei conhecimento e agora nesse exato momento eu estou estudando, as regras, as danças base, me aprofundando no conhecimento, porque você ter conhecimento é algo muito importante. E a minha conversa com B-Boy Old School, ela não tem mais fundamento, é um diálogo “oi! tudo bem?”, mas não falo mais de dança. Hoje parece que eu tenho 15 ou 16 anos, porque eu ainda penso no progresso, no presente e no futuro, eu quero decolar muito mais. Pretendo disputar campeonato até o meu último dia de vida, quando Deus permitir que eu esteja aqui. Essa ideia de parar de dançar é ideia de pessoas inúteis. Pessoas que não pensam em crescer e evoluir. Jamais devemos parar o nosso sonho! Hoje sou muito querido em São Paulo e todos sabem disso. Eu ganho presentes de tudo quanto é lado. Sou querido por muitos! Na fase da crise muita gente me ajudou: a Márcia, o Rooneyoyo, o Ninja. Até B-Boys New School me ajudaram na condição financeira, aí agora sofri esse acidente, mesmo assim muitos me ajudaram. Até o meu vizinho que é evangélico, às vezes me dá janta ou almoço e cuida de mim. E eu pretendo continuar dançando o resto da minha vida. Eu amo a dança! Sou muito feliz com o que eu faço. A minha coragem me dá saúde! E a minha fé também!
BW: Recentemente, você sofreu um acidente sério. Nos conte o que aconteceu? E como está a sua recuperação?
Chileno: Eu sofri um acidente há um mês atrás, eu cai de peito, mas não quebrei nada! Foi uma queda de uma escada de 3 metros e meio. Se eu não quebrei nada foi porque Deus estava comigo no momento da queda, até hoje a todo o momento ele está comigo, me protegendo. Porque se não tivesse propósito na minha vida, eu teria me acidentado feio, teria ficado paraplégico e até poderia ter morrido, porque a condição que eu estava e as pessoas que me viram, eles achavam que eu morreria. Eu desmaiei, apaguei total. Quando eu acordei, no dia seguinte, eu estava no hospital. Acordei com tudo embaraçado, a minha vista, a minha cabeça, o meu ouvido, o nariz. A minha voz ficou distorcida, agora é que está melhorando, mas tem algumas palavras que ainda estou falando errado. A minha vista já melhorou, o ouvido melhorou, ainda sinto um pouco de dor, mas estou tomando remédios. Já tenho retorno marcado com o médico, ele vai passar fisioterapia para minha mão funcionar. Que é exatamente a mão que eu faço Freezes.
Chileno exibe a palma de prata do Prêmio Sabotage, conquistado por ele em 2018 na categoria Breaking.
BW: Que conselhos você daria para a nova geração do Breaking?
Chileno: Eu falo para a juventude em primeiro lugar, que seja honesto, sincero, que não queira passar a perna em ninguém, que não minta, dispute de igual para igual. Os jovens devem se alimentar bem, não devem comer porcaria, devem comer comida de verdade para conseguir um bom preparo físico. Eu não como porcaria de forma alguma! Os jovens devem ser humildes com todas as pessoas, com seus próprios pais e no meio da dança onde chegar também. Devem adquirir o próprio espaço para ser respeitado por todos. Hoje eu vejo grupo de WhatsApp de várias crews e vejo que existe um ego, uma soberba, uma ignorância, de querer aprender mais e evoluir na linguagem, na dança e em tudo eles acham que sabem tudo! E desconhecem o trabalho dos outros. Eu fico triste de ver tantos jovens no Breaking orgulhosos, metidos. Precisam ser comunicativos, adquirir o próprio espaço, a juventude precisa aprender a serem dignos do que desejam, senão não vão conseguir nada. Não adianta um B-Boy ou uma B-Girl novos serem ignorantes e boçais, tratar mal os outros, só querem viver no próprio mundinho, precisam aprender que o mundo do Hip-Hop é muito grande. Nós precisamos viver no coletivo, não ser individualista. Isso é uma doença de alguns dessa geração.
BW: Fale um pouco de sua experiência junto às crews?
Chileno: A minha primeira crew que eu entrei foi a Gueto Freak, que foi fundada em 1986, mas entrei apenas em 1999, era uma crew de muitos rachas e muitas disputas, ensinamentos, educação, disciplina, era muito top. Era só gente jovem na época. Eu tinha muita diferença comparado a eles, eles admiravam a minha velocidade e alguns movimentos que eu fazia que eles não faziam. Eu tenho movimentos que nenhum B-Boy de São Paulo faz. Aí depois, eu entrei no Jabaquara Breakers. Eu participei de muitos campeonatos e ganhei muita coisa com isso. Era eu e Catatau. Depois, percebemos que fomos roubados por algumas pessoas e saímos da crew pois sabíamos do valor que tínhamos.
Chileno e os meninos da Ready Style Crew
BW: O que você acha sobre o assunto Breaking nas Olimpíadas?
Chileno: O Breaking nas Olimpíadas é uma benção de Deus! Porque o Breaking sempre foi discriminado em todo o lugar, os B-Boys chegavam com as roupas e com o estilo e eram discriminados por toda a sociedade, chamado de maloqueiro, então, a partir do momento que o Breaking está nas Olimpíadas, ele se torna uma potência, o respeito será muito grande por toda a sociedade, todo o comércio, todos os empresários, os patrocínios, toda a sociedade, a essência só depende de cada um, ele vai competir nas Olimpíadas, certo? Mas ele não vai ficar para sempre nas Olimpíadas, ele tem os rolês dele, que são com os amigos da Cultura Hip-Hop. Agora, se a pessoa permitir que o orgulho suba à cabeça, aí sim ele perde a essência e para isso não precisa estar nas Olimpíadas, isso pode acontecer em qualquer momento. Então, o Breaking entrar nas Olimpíadas como esporte eu fico maravilhado de viver isso, ver o nível que o Breaking está chegando, ele está lá sendo visto por toda a sociedade e isso é muito bom. Por onde esses B-Boys e B-Girls passarem, vão escutar: “eles são breakers e fazem parte das Olimpíadas!”, o respeito será dobrado! O Breaking está muito acima de raças, o negro construiu, mas existe o espaço para todos! Se tem talento, mostre seu talento, não importa sua cor. Eu já falei isso até para algumas pessoas, se você não concorda do Breaking entrar nas Olimpíadas, é palhaçada. Nós fomos discriminados pra caramba e quando temos oportunidade, alguns ficam de palhaçada. Quem pensa assim são pessoas burras, ignorantes, que só querem benefícios para si mesmos. Tem que avançar, tem que se modernizar, as pessoas que não pensam assim, independente de suas idades são atrasadas, de mente pequena e que não funciona. Eu tenho 62 anos e não sou assim. Me sinto um jovem, esse negócio de idade está na cabeça das pessoas!
BW: Para finalizar: o que significa o Breaking na sua vida?
Chileno: Tudo! O Breaking faz parte da minha história. Em primeiro lugar na minha vida vem Deus e depois o Breaking.
Fotos: Arquivo Pessoal/Alex Boog/Cadu Barbosa
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Ele começou a dançar com 6 anos de idade, pequeno no tamanho mas gigante no talento, Marcos Pedro, da Dream Kids Brazil, mais conhecido como B-Boy Sonek, nascido na cidade Catalão, em Goiás, filho de um pedreiro e de uma costureira, encantou o mundo com seus movimentos de Power Move, que executa para os dois lados.
Em 2014, na Europa, foi campeão Kids da Eurobattle e vice-campeão da Power Move Battle, numa competição de altíssimo nível, com o Kid Colômbia.
O que o levou a participar também de programas de TV nacionais e internacionais, como o Super Kids na Alemanha e o Legendários, no Brasil.
Sonek foi notícia também em várias mídias brasileiras, como G1, Record, entre outras. O menino sempre participou de grandes eventos, dentro e fora do país, colocando o Brasil no topo e mostrando a força da nova geração brasileira no Breaking.
Hoje, com 16 anos, as feições de menino vão dando espaço para o surgimento de um jovem, extremamente talentoso na dança, disciplinado, focado, que tem movimentos firmes, elegantes e singulares, sendo sem dúvida um dos grandes nomes do Breaking brasileiro a ser ouvido nos próximos anos.
Confira a entrevista que o Portal Breaking World fez com o B-Boy Sonek:
BW: Queria que você falasse um pouco da sua infância, onde nasceu e da sua vida em família? Tem irmãos?
Sonek: Nasci em uma cidade chamada Catalão, em Goiás, minha vida em família é bem humilde e amigável, sim, tenho 3 irmãos.
B-Boy Sonek foi Campeão Kids da Eurobattle com apenas 10 anos de idade.
BW: Quando teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop o que mais te chamou a atenção nessa cultura?
Sonek: Não me recordo exatamente, porque eu tinha 6 anos de idade, mas lembro que sempre viajava com meu pai para os eventos em Uberlândia e Goiânia.
BW: Com que idade começou a dançar Breaking? Quem te ensinou? E onde você treinava?
Sonek: Comecei com 6 anos de idade, meu pai me ensinou, treinava no meu quarto com meus primos e amigos. Meu pai sempre foi fundamental para meu aprendizado, tudo que sei hoje é devido a ele e minha evolução progrediu quando o Tio Dunda passou a ser o nosso mentor, mostrando caminhos certos de treinos e eventos certos para participar.
BW: Você sempre teve o apoio da sua família na dança?
Sonek: Sim, minha mãe e meu pai sempre me apoiaram, quando meu pai ia trabalhar, minha mãe que me acompanhava nos treinos.
O pai Thiago, que também é B-Boy e o coach “Tio” Dunda: fonte de inspiração para Sonek
BW: Seu pai também dançava, correto? Isso facilitou seu aprendizado?
Sonek: Sim, dei continuidade, sem ele não teria como ter aprendido e seguido em frente. Ele sabe ensinar super bem, com certeza facilitou muito a minha aprendizagem no Breaking.
BW: Tiveram movimentos que você teve mais dificuldade em aprender? Qual foi o mais difícil?
Sonek: O mais difícil foi o “1990” e as variações de movimentos.
BW: Na sua dança, os movimentos Power Moves estão bem presentes e alguns são para os dois lados, o que o torna quase único entre os dançarinos da sua idade aqui no Brasil. Com quem aprendeu tudo isso?
Sonek: Influências do meu pai, que é de uma geração de B-Boys que para ser bom teria que fazer alguns movimentos para os dois lados, segui essa tendência também.
O título do Breaking Combate foi a porta de entrada para o menino ganhar a Europa com seu Breaking
BW: Houve muito preparo físico para chegar no nível que chegou? Muitas horas de treino? Atualmente como é sua rotina de treino?
Sonek: Sim, no começo não tinha preparo físico porque meu pai não tinha esse conhecimento, com a chegada do Tio Dunda tudo mudou, focamos também nos exercícios físicos e isso causou um impacto enorme na minha evolução, juntamos tudo que o meu pai sabia com o conhecimento do Tio Dunda e o resultado foi outro.
BW: Em 2014, você foi campeão da Eurobattle, no Kids. Foi a primeira vez que você saiu do Brasil? Fale como foi essa experiência.
Sonek: Sim, foi a minha primeira viagem internacional, foi muito legal, tinha muitas pessoas que me conheciam só pelos vídeos e vinham tirar fotos comigo, fizemos “street show” também, as pessoas valorizam quem dança Breaking, evento bem organizado, com boa estrutura, mas antes tive uma grande e importante caminhada para chegar até a Europa. Saímos de Catalão até São Paulo, 12 horas de carro, para batalhar no Breaking Combate, que foi o evento que pagou as passagens e estadia para mim e meu pai em Portugal. Batalhei na final contra o Suel, um Power Move muito bom de Goiânia, para assim me consagrar campeão nacional e o prêmio foi a viagem e participação na Eurobattle.
BW: Com quem competiu na Eurobattle e o que sentiu quando ganhou o campeonato, colocando o Brasil em primeiro lugar?
Sonek: Tinham B-Boys e B-Girls de toda parte do mundo e o grande favorito era o Super Mario, da Bélgica. Enfrentei ele na final e me consagrei campeão por 3 votos a 0, era o meu dia, estava me divertindo, sem a pressão e obrigação de ser campeão, meu pai nervoso pelo filho dele estar em uma final mundial de um lado e o Tio Dunda, tranquilo, me ajudou muito com os conselhos e me deixou tranquilo também, lembro que ele disse: “Sonek, você não precisa provar nada pra ninguém, você já é o campeão nacional, faz o que você treina na sala do templo (meu quarto onde treinava) e se diverte”, fiz exatamente isso e minha dança fluiu.
Hoje com 16 anos, Sonek faz parte da Dream Kids Brazil e treina forte para alçar voôs maiores como dançarino
BW: Quais são as principais diferenças que você percebe entre os B-Boys de fora do país e os brasileiros, seja nos treinos e no geral?
Sonek: De fora eles tem mais estrutura e apoio, seja de família ou patrocínios. No Brasil, tudo é mais difícil, até para irmos para outro estado é caro, muitos não têm um chão bom para treinar.
BW: Você também foi vice-campeão de Power Move. Comente essa experiência…
Sonek: Tinha muitos caras bons, o nível era altíssimo, fui bem preparado, enfrentei o holandês Kid Colômbia na final, perdi de 3 votos a 0, mas muitos não acharam isso, respeitamos a decisão dos jurados, que estão lá para isso e se estão lá é porquê são capazes de terem avaliado o certo.
BW: Você se apresentou também em programa de televisão fora do país. Nos conte como foi essa experiência?
Sonek: Sim, no Super Kids da TV SAT1, foi um experiência incrível, o Tio Dunda foi quem fez todo o trâmite para que isso se concretizasse, sem ele não teríamos condições de ter avançado nessa experiência. Nunca tive medo de batalhar, mas momentos antes de me apresentar, minhas pernas tremiam, saí da minha zona de conforto das batalhas para um palco de TV na Alemanha, mas no geral eu gostei muito.
Dançar se divertindo e com calma foi o segredo para Sonek ganhar o mundo com seus Power Moves
BW: Na sua escola, as pessoas pedem para você dançar? Sua cidade te apoiou na sua dança?
Sonek: Sempre me pediram e ainda pedem, mas temos que nos controlar para não nos machucarmos, devido o corpo estar frio, teve alguns eventos que a Fundação Cultural de Catalão apoiou, sim.
BW: O que significa o Breaking na sua vida?
Sonek: Faz parte de mim, como se fosse um órgão, não posso ficar sem o Breaking, sei que o Breaking tem o poder de mudar minha vida.
BW: Que mensagem você deixaria para as crianças que pretendem começar no Breaking?
Sonek: Treinar, treinar e treinar. Muitas pessoas vão dizer que não vai dar em nada, mas segue o seu coração e não o que eles dizem. Se você quer ser bom, então, tome atitude de quem é bom, se dedique…
Na última quinta-feira (1), aconteceu o primeiro debate das eleições de 2020 na Band TV. Foram convidados os candidatos Andrea Matarazzo (PSD), Arthur do Val (Patriotas), Bruno Covas (PSDB), Celso Russomanno (Republicanos), Filipe Sabará (Novo), Guilherme Boulos (PSOL), Jilmar Tatto (PT), Joice Hasselmann (PSL), Márcio França (PSB), Marina Helou (Rede) e Orlando Silva (PCdoB). O debate foi realizado sem plateia por causa da pandemia de Covid-19 e foi marcado por muitos números imprecisos, falta de conhecimento, informações desencontradas e atitudes preconceituosas.
Exemplo da lambança já esperada, foram mais uma vez as declarações do candidato Arthur do Val (Patriotas), antes do debate ele publicou no Instagram um vídeo de preparação com uma paródia do pugilista Rocky Balboa se preparando para uma luta, como na série de filmes estrelados por Sylvester Stallone. Na chegada à TV Bandeirantes, ele afirmou que não vinha para brigar, mas o que fez foi bem diferente do seu discurso. De cara, criticou Bruno Covas (PSDB), que disputa a reeleição, Celso Russomanno (Republicanos), que lidera as pesquisas e o ex-prefeito Fernando Haddad (PT).
Mas o pior dos momentos foi quando começou a falar da Escola 360, que segundo ele estaria aberta finais de semana e nas férias e com descaso começou a atacar a Cultura Hip-Hop, dizendo: “Os filhos das mães da periferia terão seus filhos dentro da escola e não gastando energia com aulas de picho e de break dance”. Essa frase foi o estopim para uma enxurrada de reações imediatas de revolta e indignação entre artistas, federação representativa e praticantes da cultura.
Numa nota de repúdio, a Federação Paulista de Breaking (FSPB) por meio de seu Vice-Presidente Rooneyoyo se pronunciou e entre muitas coisas escreveu “…o candidato demonstra total desconhecimento da realidade das comunidades periféricas, sendo uma cultura de transformação social, tirando milhares de crianças e jovens de situações de risco, da criminalidade e traz para áreas vulneráveis a educação, a cultura, gerando oportunidades. O Breaking e não o “break dance” falado erroneamente pelo candidato ao se referir a essa importante expressão cultural, assim como o Graffiti e todos os elementos dessa cultura, salvam vidas todos os dias. É lamentável que uma pessoa que proclama a educação como um dos pilares de seu plano de governo tenha uma visão social tão limitada, preconceituosa e distante da realidade urbana de São Paulo. Isso só reafirma a dúvida sobre sua capacidade como político e gestor para postular o cargo de Prefeito de São Paulo”. A Federação, além de divulgar a nota de repúdio, criou um abaixo-assinado que está circulando entre os artistas da cultura e está tomando as atitudes judiciais cabíveis.
Rooneyoyo “O Guardião”, da Federação Paulista de Breaking, que divulgou Nota de Repúdio defendendo o Breaking.
Ainda, outros artistas se manifestaram, como o B-Boy Pelezinho, que foi o primeiro B-Boy brasileiro a chegar na final mundial da Red Bull BC One, ele gravou uma mensagem em vídeo: “Cara, você tem que ter respeito pelas pessoas, a dança Breaking mudou a minha vida e de muitos jovens, isso que você acabou de falar na televisão e na rede social eu acho que você não está preparado e nem capacitado para assumir cargo nenhum. Você tem que respeitar apenas isso! Você pode ter certeza que o que você fez a dança vai te cobrar! Espero que você pense no que falou e respeite a nossa cultura!”.
No Instagram, o B-Boy Neguin, outro grande B-Boy brasileiro, ganhador da Red Bull BC One Mundial, consagrado globalmente por sua dança, escreveu: “Quanto audacioso e infeliz você é em desrespeitar a cultura universal em rede nacional meu caro. Aulas de “break dance” me levaram para 139 países, consulte com o maior centro financeiro da América Latina quanto custa para um cidadão viajar para essa quantidade de países, falo 4 idiomas, tenho dupla cidadania, sou um dos artistas mais reconhecidos e requisitado mundialmente por sempre representar o nosso país em diversas áreas e em todos os meios artísticos. Sou campeão mundial de “break dance” patrocinado pela Red Bull há 13 anos. Levo a Capoeira, o Graffiti e o Jiu-Jitsu onde vou, isso salvou minha vida e de milhares de outras pessoas também. Espero que você reflita e corrija as asneiras que falou pois sua ignorância é realmente inacreditável”.
O B-Boy Ricka, da lendária Back Spin Crew, comentou: “Eu acabei de ver um vídeo de um tal de Arthur de um canal chamado “Mamãe falei” que fala do “break dance” de forma pejorativa. Meu amigo, não é “break dance” você nem sabe o que está falando! É Breaking, um dos elementos da Cultura Hip-Hop, que é uma cultura mundial que movimenta o sonho de pessoas, sonho da periferia, que faz com que as pessoas sejam protagonistas da sua própria história. Você está falando do Hip-Hop, mano! Hip-Hop dá oportunidade para pessoas e resgata vidas. Você está querendo um cargo na maior cidade do país, você quer ser prefeito de São Paulo, então você tem que saber o que está falando. Nós somos atuantes através do Breaking e dos outros elementos na periferia, onde pelo jeito você nunca pisou. Antes de falar do Breaking você tem que ter conhecimento que tem toda uma comunidade por trás que vivem isso todos os dias. O Hip-Hop é uma cultura que sustenta pessoas, emprega pessoas, nós temos economia criativa você não tem noção do que está falando. Nós estamos presente onde você não está! Você tem que fazer a lição de casa, se você quer conduzir uma cidade como São Paulo você tem que respeitar todas as culturas e todas as pessoas, tem muito a aprender com a Cultura Hip-Hop”.
Fabgirl, uma das mais conhecidas B-Girls brasileiras, representando as mulheres do Hip-Hop, também falou: “Tem um meme do Caetano que cabe muito bem nesse momento, você é burro cara, o que você está falando é burrice, não consigo te compreender, nós que somos do Hip-Hop sabemos muito bem o poder que a dança, o Graffiti, o DJ e o MC tem na vida das pessoas, entra governo e sai governo e nós continuamos fazendo o nosso trabalho”. Ainda B-Boy Till, de Fortaleza, explanou: “Eu sou apaixonado pelo Breaking e não entendi sua atitude de agredir o Hip-Hop, que tira tantos jovens da criminalidade”.
As declarações do candidato chegaram no exterior, em alguns B-Boys que representam a cultura lá fora. B-Boy Kid Guma, que está na França, também gravou um vídeo mandando o candidato respeitar o Breaking e a Cultura Hip-Hop. Ele disse: “Hoje eu vivo através do Breaking na Europa, se você não sabe o valor que o Breaking tem vai fazer uma pesquisa, vai estudar sobre a cultura periférica”. B-Boy Luka escreveu: “Primeiro vem a gratidão de ter conquistado tudo através do Breaking. A minha dedicação e investimento nesse elemento me trouxe vida, a disciplina, algo que vou levar para toda a vida…”. Ainda muitos outros B-Boys e B-Girls comentaram, entre eles B-Boy Leony, B-Boy Kamal, B-Boy Buxexa.
A nova geração também se manifestou. B-Boy Eagle, de 13 anos, da Dream Kids Brasil, lembrou: “Somos uma cultura forte no mundo inteiro, no Breaking aprendemos a respeitar, a ganhar, a perder, a ter disciplina, a ajudar o próximo e principalmente a não pensar limitado como você. Breaking é vida, família e valores que eu tenho com 13 anos e você até hoje não aprendeu essa lição. Que vergonha de você!”.
O DJ Heliobranco também se expressou: “Eu tenho 35 anos de Hip-Hop e eu nunca vi tanta asneira de alguém que se propõe a ser representante do povo da capital paulista, uma das três maiores cidades do planeta. Você se deu mal comigo, mano. O Hip-Hop é pelo social. O Sr. Arthur do Val não me representa! Eu sou do Hip-Hop All Stars, o pessoal do Hip-Hop de São Paulo não apoia o senhor!”.
Algumas mídias especializadas na Cultura Hip-Hop também comentaram. Em Ipatinga (MG), o responsável pelo Portal de Cultura Urbana, B-Boy Luizin, falou: “Vai estudar, irmão, o que é a Cultura Hip-Hop, o que é o Breaking. O Breaking salvou a minha vida. Você falou besteira e a Cultura Hip-Hop vai te cobrar tenha certeza!”. O Portal Breaking World também fez uma nota de repúdio às declarações do candidato. A jornalista e editora do Portal Breaking World, Luciana Mazza, escreveu em sua rede social: “O Breaking e o Graffiti são também manifestações sociais importantes e legítimas. O Breaking foi lembrado pelo Comitê Olímpico Internacional para se tornar modalidade olímpica em Paris 2024, só no Brasil temos mais de 40 Campeões Mundiais de Breaking em diversos campeonatos espalhados pelo mundo, nas várias modalidades que o compõem. E o Graffiti está presente nos principais centros urbanos, financeiros e artísticos do mundo, como na Times Square, em Nova York, em San Diego, em Londres ou na Paulista, no Brasil. Veja, sou jornalista, cineasta, editora de um portal de Breaking, sou mãe de B-Boy e de B-Girl e tenho muito orgulho de dizer que os meus filhos pertencem à Cultura Hip-Hop! O Breaking foi uma das melhores escolhas de suas vidas! Jamais podemos nos calar diante de palavras tão inadequadas e preconceituosas! Enfim: Respiramos arte, educação e não preconceito! Caro Deputado desprezível: “Mamãe falei besteira!”, respeite o Breaking, respeite o Graffiti, respeite a Cultura Hip-Hop, respeite a vida e os cidadãos paulistanos de bem!”, concluiu.
Sobre as declarações de Arthur do Val, algumas personalidades se manifestaram, como a sambista Leci Brandão. Ela em vídeo opinou: “Minha galera querida do Hip-Hop, estou passando para reforçar o quanto que eu respeito a cultura de vocês, não tem outro gênero musical que fale mais da realidade das comunidades do que o Rap, nós temos DJ’s, grafiteiros e breakers conhecidos no mundo inteiro, a cultura Hip-Hop salvou e continua salvando muitas vidas, cuidando da juventude. O Breaking inclusive está nas Olimpíadas e nós temos o Dia do Breaking que está lá na ALESP”, finalizou.
Arthur do Val e seu antigo aliado Eduardo Bolsonaro.
Não é a primeira vez que o candidato e também youtuber Arthur do Val se envolve em polêmicas, no mês de setembro foi condenado pela justiça quando publicou vídeos antes do início da campanha eleitoral, acusando o Padre Julio Lancellotti. A Justiça Eleitoral determinou que essas publicações de Arthur do Val fossem retiradas das redes sociais. Nelas, o candidato, também conhecido como “Mamãe Falei”, continuou as críticas e ataques contra o Padre Julio Lancellotti, coordenador da Pastoral do Povo da Rua de São Paulo. Val chegou a qualificar Lancellotti como “cafetão da miséria” e a acusar, sem provas, que ele fomentaria o tráfico na região central da capital paulista. A decisão foi assinada pelo juiz Emílio Migliano Neto. O MPE (Ministério Público Eleitoral) disse que o candidato produziu “propaganda eleitoral antecipada e vedada em que, seguidamente, calunia, difama e injuria o padre, objetivando tornar-se mais conhecido do eleitorado, ao criar polêmica em relação à figura pública do padre”.
O candidato também fez críticas recorrentes ao atendimento de ONGs e setores da Igreja Católica e aponta políticas públicas “ineficientes” como responsáveis pela “degradação” do centro. Ele também chegou a fazer gravações na região da Cracolândia, no centro de São Paulo, que também são alvo de investigação. A Promotoria, inclusive, chegou a pedir para a PF (Polícia Federal) abrir inquérito para investigar se os vídeos violam a lei eleitoral.
Quanto ao Hip-Hop, também não é a primeira vez que faz comentários pejorativos. Em 2018, ele em um de seus vídeos falou que o álbum “Sobrevivendo ao Inferno”, dos Racionais MC´s, era uma poluição sonora, isso porque a Unicamp colocou na sua lista de obras para o vestibular de 2020 o álbum de 1997, no gênero de poesia, o que irritou ao candidato, o fazendo se envolver em mais polêmica.
Arthur do Val é nascido em São Paulo, ingressou na faculdade de Engenharia Química no Instituto Mauá de Tecnologia, mas não chegou a se formar. Seu pai é dono de uma empresa de sucata de aço, na cidade de Guarulhos, onde Arthur trabalhou antes de começar a fazer vídeos para a internet. Além disso, também é empresário no ramo de estacionamento e postos de gasolina. Em 2015 criou, seu canal no YouTube, que hoje conta com mais de 2,5 milhões de inscritos. Eleito em 2018 com 478.000 votos, a segunda maior votação da Assembleia Legislativa, o deputado Arthur do Val (Patriotas), conhecido como “Mamãe Falei”, defendeu e apoiou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), juntamente com o MBL, sendo conhecido pelas diversas polêmicas que costuma se envolver.
Fotos: Reprodução
Clique e confira na íntegra as Notas de Repúdio do Breaking:
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“… teve uma pessoa que me fez chorar muitas vezes, dizendo que minha dança era desengonçada e que eu não chegaria a lugar algum, mas eu tomei isso de raiva e passei a treinar para pegar e rachar com essa pessoa, mas nunca rachamos e essa pessoa hoje já parou de dançar e eu continuo.” (B-Girl Nathana)
Ela nasceu em Uberlândia, perdeu o pai com 5 anos em um acidente, mas sempre teve o amor e o carinho da mãe. Começou a dançar com 16 anos e não parou mais, na sua caminhada, enfrentou preconceitos pelo fato de ser mulher e até escutou comentários que fariam muitas pessoas desistirem da própria dança. Mas ela não!
Nathana Vieira Venancio ou B-Girl Nathana, como é conhecida na cena, sempre foi forte e usou o comentário negativo para crescer e evoluir na própria dança. Sendo uma verdadeira inspiração para quem pretende ir longe no Breaking. Atualmente, ela acaba de receber a notícia que está nos Top 16 da E-Battle da Red Bull BC One. No evento se inscreveram e mandaram vídeos B-Boys e B-Girls do mundo inteiro, então, sem dúvida essa menina de Uberlândia só tem motivos para se alegrar.
O Portal Breaking World conseguiu uma exclusiva com ela. Estamos na torcida, Nathana! Leia a entrevista:
BW: Queria que você falasse um pouco da sua infância, onde nasceu e cresceu.
Nathana: Eu nasci e fui criada em Uberlândia, Minas Gerais, perdi meu pai com 5 anos em um acidente, então sempre tive minha mãe como pai e mãe, sempre fui muito apegada a ela, acho que por isso, uma menina muito estudiosa e desde pequena gostava da área de artes, com 12 anos comecei a fazer aulas de teclado e bateria e somente depois, com 16 anos, que conheci a dança.
Nathana sempre gostou de arte, música e dança.
BW: Quando teve contato pela primeira vez com a Cultura Hip-Hop? E quando o Breaking começou a fazer parte da sua vida?
Nathana: Eu tive o contato com 16 anos por meio de um professor de Street Dance, ele era B-Boy e foi ele quem me apresentou e me ensinou durante um tempo da minha vida, o Breaking começou a fazer parte da minha vida totalmente em 2013, quando decidi viver profissionalmente com a dança.
BW: Você aprendeu o Breaking com alguém? Quem eram suas referências na dança?
Nathana: No começo eu aprendi com esse professor de Street Dance, ele se chama Fagundes, mas depois ele teve que se mudar de cidade, então, continuei a caminhada sozinha, minhas maiores referências quando comecei foi a Flow Mo Crew, B-Girl Taya, B-Boy Keebz, Top 9 e B-Girls do Brasil como Fabgirl, Bibi, Miwa e dentre outras pessoas.
BW: Em que ano começou a dançar? Como sua família e todos que estavam à sua volta viam isso? Você teve apoio de alguém?
Nathana: Comecei em 2007, minha família não gostava pelo fato de ter poucas mulheres, eu era menor de idade e sempre chegava tarde em casa, no começo não tive o apoio porque eles não viam isso como profissão, para a minha mãe era como passatempo ou hobby.
Às vezes subestimada ou desacreditada, mas sempre superando os obstáculos.
BW: Ser mulher e dançar Breaking, alguma vez se sentiu hostilizada por isso? Sofreu algum tipo de preconceito dentro ou fora da cultura?
Nathana: Sim, no começo sofri muito quando comecei, muitas pessoas desacreditavam só pelo fato de ser mulher, enfim, me subestimaram muitas vezes também, hoje que melhorou muito.
BW: Verdade que na sua vida existiram pessoas que tentaram te desestimular? Conte isso e nos mostre como superou.
Nathana: Sim, me recordo que teve uma pessoa que me fez chorar muitas vezes, dizendo que minha dança era desengonçada e que eu não chegaria a lugar algum, mas eu tomei isso de raiva e passei a treinar para pegar e rachar com essa pessoa, mas nunca rachamos e essa pessoa hoje já parou e eu estou na ativa ainda, eu peguei uma coisa negativa e fiz isso como motivação para treinar e evoluir.
BW: Nathana, certa vez você falou que para as mulheres têm movimentos que são mais difíceis. No entanto, lá fora, existem grandes exemplos de mulheres que são B-Girls completas e que fazem todos os fundamentos, dominando inclusive os Power Moves. O que dificulta no Brasil atingir essa realidade?
Nathana: Acho que talvez hoje, com a tecnologia e toda facilidade que temos, se pegarmos um tutorial de como fazer da maneira certa e com a técnica certa, iremos aprender. Isso vai depender do foco e esforço de cada uma, porque quando eu comecei não havia professores e essa tecnologia que temos hoje, então, muitas coisas que sei fazer hoje aprendi sozinha, na raça, treinei muito tempo errado, aprendia de forma errada, se eu tivesse essa consciência e todas as ferramentas que tenho hoje, eu estaria além de tudo que sei fazer hoje. Eu acho na minha humilde opinião e ponto de vista, então, acho que falta isso, essa determinação de estudar o movimento e querer aprender e dedicar seu tempo a isso.
Nathana além de competir em eventos nacionais e internacionais é também jurada.
BW: Que movimentos do Breaking foram mais difíceis para você?
Nathana: O que tem me custado a aprender ainda é o flare e o hallo.
BW: Fale um pouco sobre sua relação com a sua Crew?
Nathana: Hoje eu faço parte de 3 Crews que são We Can Do It B-Girls, do qual eu sou uma das fundadoras e também Rock Niggaz e Gangsta Squad, as pessoas da minha crew são as minhas inspirações, elas sempre me motivam e falam daquilo que preciso melhorar, críticas construtivas, a importância de ter pessoas lado a lado com você é grande, ter essa ajuda e companheirismo é muito válido, as meninas sempre estão a me passar energias positivas, enfim, sou muito grata a todos da Crew.
BW: Fale dos eventos de destaque que participou no Brasil e no exterior? Como é para você competir fora do país?
Nathana: Tive bastante experiência em eventos fora, ganhei eventos no México, como Funk Paradise, Freestyle Session, Eurobattle em Portugal e dentre outros, para mim competir em outro país cada vez que vou é uma forma diferente que me sinto, porquê cada evento tem uma sensação diferente, mas me sinto honrada e com uma responsabilidade sempre de dar o meu melhor e poder representar meu país e as minhas Crews.
BW: Agora você chegou no Top 16 da E-battle da Red Bull. Nos fale dessa conquista e como você se sente.
Nathana: Eu me sinto honrada e muito motivada, porque só de estar no Top 16 da Red Bull já é uma conquista gigante, porque sei que pessoas do mundo inteiro enviaram os seus vídeos, então, quero poder agarrar essa oportunidade e fazer valer a pena.
BW: Nos conte um pouco sobre sua rotina de treinos e como tem se preparado para essa competição que ainda vai acontecer.
Nathana: Tenho montado estratégias porque não posso deixar dúvidas, tenho estudado as oponentes que estou pegando em cada fase, acredito que isso tem me ajudado, porque cada um tem um jeito diferente de dançar, então tenho que ter essa estratégia, porque quero pegar cada uma em seu ponto fraco. Desde o começo desse ano e da pandemia, resolvi me dedicar mais ainda aos treinos e a minha evolução, porque quero poder ser melhor que eu mesma, então, estou nessa disciplina de treinos constantes, sem faltar a treinos mesmo cansada, mesmo com problemas, quando fiquei sabendo que estava no Top 16 já tenho me preparado psicologicamente porque isso é importantíssimo e estou treinando essa semana todas as entradas que tenho que soltar para a Red Bull, nada de treinar coisas novas para não correr o risco de me machucar, então, tenho repassado tudo e me concentrado naquilo que preciso fazer e 2 dias antes da batalha só irei descansar, relaxar e manter o foco.
BW: O fato de você representar o Brasil contra o Japão, que tem um histórico de ter grandes B-Girls te cria alguma ansiedade? Como você tem trabalhado o seu psicológico?
Nathana: Não procuro pensar nisso, até porque no Top 32 eu batalhei contra uma B-Girl do Japão e nem cheguei a pensar nisso, penso que vou estar ali defendendo o meu estilo e quero poder representar bem o país, penso em dar o meu melhor, sem deixar dúvidas.
BW: Como têm sido seus dias nessa época de pandemia?
Nathana: Tenho trabalhado, estudado e treinado bastante, me cuidando, enfim, ficando em casa.
BW: Fale um pouco dessa nova realidade dos eventos on-line. E como tem sido isso para você?
Nathana: Essa realidade não sei quanto tempo vai durar, mas tem servido de motivação e também é uma forma de oportunidade para quem não pode viajar para fora e aparecer na cena mundial, está aí uma boa oportunidade que não podemos perder.
BW: Você também é jurada de alguns eventos, correto? Julgar a dança de uma outra pessoa é algo difícil? Que critérios você utiliza na hora do julgamento?
Nathana: Sim, sou jurada de muitos eventos, acredito que é difícil porque sempre falo que cada um tem sua arte e seu jeito de dançar, ali vai vencer o melhor naquele momento, não que a pessoa seja a melhor, eu julgo Limpeza, Originalidade, Musicalidade, Fundamentos, Personalidade.
Nathana já ganhou eventos no México, Portugal e em vários estados do Brasil.
BW: O que significa hoje o Breaking na sua vida?
Nathana: O Breaking é a minha vida, faz parte de mim.
BW: Quem hoje é a Nathana?
Nathana: Hoje eu sou a B-Girl Nathana, que acorda e dorme como B-Girl, que pensa em construir uma história e ser referência na vida das pessoas, que ajuda o próximo, que pensa em crescer e ir além e deixar um legado.
BW: Deixe uma mensagem para os leitores do Portal Breaking World?
Nathana: Gente: obrigado por lerem essa matéria, Deus abençoe a vida de vocês, continuem, não desanimem! Estejam bem e fiquem em casa, se cuidem.
Fotos: Arquivo Pessoal/BreakSP/Multiforme
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