A obra elaborada pelo artista Apolo Torres está localizada na Avenida Santos Dumont, uma das vias mais importantes de SP
Repleta de cultura e diversidade, São Paulo é uma das maiores cidades da América Latina. É quase impossível andar pelos arranha-céus, viadutos, ruas e avenidas da capital paulista sem se encantar com algum Graffiti, alguma obra, seja uma escultura, um mural, intervenção ou qualquer outra forma de manifestação artística disponível na metrópole.
Para homenagear os entregadores de delivery, que vêm se expondo e exercendo um papel essencial para que a sociedade continuasse funcionando normalmente nestes tempos de pandemia, o artista Apolo Torres, que é um muralista consagrado sendo um dos principais nomes da arte na atualidade, junto com a Dionísio, que é uma agência especializada em artes, produziram uma empena localizada em uma das avenidas mais famosas da zona norte da cidade, a Santos Dumont, a obra é um tributo a todos estes profissionais que vêm ajudando tanto o país a se manter pulsante durante este período de isolamento social.
O projeto levou cerca de 7 dias para ser finalizado, desde todo o processo de preparação da superfície da parede e de produção, até a conclusão da obra mostrando que a arte é uma forma de manifestação social, que dá voz e visibilidade para todos os tipos de lutas e pessoas.
A obra demorou 7 dias para ser concluída.
Para quem não conhece o artista, Apolo é formado em desenho industrial no Mackenzie, estudou pintura na School of Visual Arts, em Nova York, seu trabalho dialoga com a pintura clássica, arte de rua e arte contemporânea.
O artista já realizou exposições individuais no Brasil e Itália, considerado um expoente do muralismo contemporâneo brasileiro. Outros murais também chamam a atenção, como o mural de 150 metros no Campo de Marte, na cidade de São Paulo, chamado “Não deixe o ‘volta pra tua terra’ vencer” a obra representa esse choque cultural, mas sempre valorizando a pluralidade. Torres também tem obras no Rio de Janeiro, no Museu de Arte Urbana do Porto.
São de Victor Barros, sócio-diretor da agência Dionísio, as palavras: “A produção dessa empena simboliza e representa muito. Ficamos muito felizes em contribuir de alguma forma para essa pluralidade cultural e para prestar essa homenagem junto com o Apolo Torres a todos os entregadores que vêm sendo tão essenciais”, finaliza.
Apolo Torres é considerado um expoente do muralismo contemporâneo brasileiro.
Fotos: Divulgação
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“Se você não concorda do Breaking entrar nas Olimpíadas, então você é ignorante. Nós fomos discriminados pra caramba no passado e quando temos oportunidade, alguns ficam de palhaçada. Por onde esses B-Boys e B-Girls passarem vão escutar: “eles são breakers e fazem parte das Olimpíadas!”, o respeito será dobrado!” (B-Boy Chileno)
Foi em São Luís do Maranhão que, em 10 de outubro de 1958, nascia José Carlos Barroso, apelidado de Chileno em uma batalha de Breaking em São Paulo.
Cresceu na periferia da capital maranhense, onde plantava verduras para sustentar a mãe e a avó. Aos 15, deixou a vida interiorana para se aventurar pelo centro de São Luís, onde teve o primeiro contato com o Hip-Hop, por meio do Skate.
Ao redor de sua casa, o estádio Governador João Castelo, o Castelinho, era o point da garotada. Um dia, enquanto treinava, se surpreendeu com os movimentos de Breaking de um gringo. Foi mágico e se encantou por aquilo, deixando o Skate para aprender a dançar.
Sofreu preconceito em casa, o que o fez em 1980, mesmo com todas as orientações contrárias de seus familiares, partir para São Paulo. Na “terra da garoa” trabalhou duro e na hora do almoço treinava Breaking. Todo lugar que tinha espaço para treinar, ele treinava. No Anhangabaú, na República, na estação São Bento do Metrô. Mal imaginava que dançava num chão que depois seria sagrado para os B-Boys e B-Girls de todo o Brasil, a São Bento iria se tornar o templo do Hip-Hop mais tarde.
Anos passaram, colecionou vitórias, em 2018 ganhou o Prêmio Sabotage, mas a maior riqueza foram as histórias que guarda dentro do peito. Nunca envelheceu, ele garante e o bom Breaking permanece, enquanto o coração bater no beat.
Na semana de completar 62 anos, Chileno, que é uma verdadeira lenda do Breaking brasileiro conversou com o Portal Breaking World.
Obrigada pelo papo, mestre! Feliz Aniversário! Confira essa entrevista recém saída do forno:
BW: Queria que você falasse onde nasceu, um pouco da sua infância, da sua juventude. Onde foi e que boas lembranças tem dessa época?
Chileno: Eu sou de sou de São Luiz do Maranhão. Eu vivia com a minha vó que me criou, ia trabalhar na roça, colher verdura, fruta, fazia bolos, aprendi a fazer comida. Tudo ela me ensinava e ao mesmo tempo me dava muitos conselhos. Esses conselhos foram fundamentais para toda a minha vida.
De São Luiz do Maranhão ele veio para São Paulo e se tornou um ícone da Cultura Hip-Hop
BW: Quando teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop? Como surgiu o amor por essa cultura?
Chileno: Eu conheci o Breaking entre uma pista de Skate e de atletismo, até porque eu era skatista, mas eu conheci o Breaking através de um campeonato que aconteceu em São Luiz do Maranhão e tinha um cara americano que foi participar do campeonato e ele fez um movimento que eu parei na hora de andar de Skate e depois fui perguntar para ele que dança era aquela. E ele respondeu que era Breaking e naquela época eu perguntei para ele em que estágio o Breaking ia chegar no mundo, ele falou a seguinte frase: “O Breaking vai chegar no mundo inteiro e muita gente vai se dar bem dentro do Breaking, dependendo da inteligência da pessoa. O Breaking terá um grande público”.
BW: Alguma vez você sofreu preconceito de alguma parte da sociedade ou da sua família?
Chileno: O preconceito que eu sofri foi dos meus familiares, o que me fez tomar a decisão de vir para São Paulo. Foi o pior preconceito da minha vida. Em São Paulo eu nunca sofri preconceito! Nunca tive problema em lugar nenhum porque eu buscava amizade só com gente bacana e eu me aproximava das pessoas de maneira honesta e sincera.
BW: Como foi quando você decidiu vir para São Paulo?
Chileno: Quando tomei a decisão de vir para São Paulo, eu tinha 28 anos, só que os meus familiares me chamaram para uma conversa. Eles falaram que se eu realmente decidisse vir para São Paulo, teria que me cuidar, pois era um lugar perigoso, violento e que teria que ter muito cuidado com a minha vida e com tudo. Eles me colocaram muito medo. Olha, eles foram na minha opinião idiotas! E aí, chegando em São Paulo, eu fui trabalhar em um supermercado na Amaral Gurgel, na Santa Cecília, próximo a República. Eu tinha duas horas de almoço. E nessas horas eu ia andar no centro e treinava Breaking, eu ia até a São Bento, mesmo que até os punk naquela época mandava lá, eu treinava bem distante deles. Quando surgiu o festival na São Bento, os treinos lá, eu me destacava, não queria fazer amizade com ninguém, ficava isolado porque tinha medo de violência. Eu demorei muito para fazer amizade com as pessoas, isso só foi acontecer nos anos 90.
Logo que se mudou para São Paulo, Chileno treinava na São Bento, no intervalo de almoço de seu trabalho em um supermercado.
BW: Quando surgiu seu nome Chileno?
Chileno: Foi em São Paulo. Voltando um pouco lá atrás, quando eu conheci o Breaking, quando eu comecei a treinar com um americano na minha região, ninguém me conhecia como dançarino. Quando surgiu o filme “Os embalos de Sábado à noite”, do John Travolta e o “Beat Street” e aí começou aparecer o Breaking no mundo inteiro. Aí teve um campeonato na televisão, da Difusora de São Luiz do Maranhão, de Breaking, aí eu fui e me inscrevi. Quando eu cheguei para fazer a inscrição ninguém me conhecia como B-Boy, nem como dançarino. E na mesma hora o locutor falou que nós tínhamos que descolar um nome artístico, eu coloquei na hora, eu coloquei John Boy Breaking, de São Luís do Maranhão. Eu disputei com o melhor dançarino de Breaking de São Luiz do Maranhão, o cara também era capoeirista, ginasta, dava mortal, voadora e eu fiquei em segundo lugar. Chegando em São Paulo, o meu primeiro contato foi o grupo Jabaquara Breakers e eu contei minha história, falando que era B-Boy de São Luiz do Maranhão e muitos nem sabiam que tinha Breaking lá. Então, ele pediu que eu me apresentasse, eu me apresentei, comecei a dançar e uma pessoa do público falou assim: “Nossa, esse chileno dança muito!”, então, me chamaram de Chileno e o nome pegou até hoje!
BW: Como foi sua caminhada aqui em São Paulo?
Chileno: Aqui eu conheci os melhores campeonatos e conheci as melhores pessoas, os gringos da época vinham muitos para o Brasil e eu conheci muitos deles que eram bacanas. Comecei a ganhar campeonatos em 2001, 2002 no Sesc Itaquera, no Sesc Pompeia e na Rio Branco, com o Rooneyoyo que fazia os campeonatos. Ganhei muitos prêmios, ganhei muito dinheiro, ganhei muitas roupas e ganhei muitas matérias na imprensa. Fui convidado pela Folha de São Paulo, Revista Raça Brasil, Revista SP B-Boy e comecei a me dar bem em São Paulo, eu sempre procurei me entrosar com as pessoas, sempre fui honesto e da maneira “brincalhão” que todos me conhecem até hoje.
BW: Em todos esses anos, Chinelo, você fez muitos amigos? Nos fale desse racha que sempre rola nos eventos quando você está presente e o B-Boy Jow?
Chileno: Eu sempre busquei ser uma pessoa boa para todos. Old School até crianças. A minha amizade com o Jow é muito sincera, não é uma brincadeira falsa, nós brincamos no racha, só brincadeira e diversão, nunca tivemos maldade um com o outro. Nunca discriminei. Temos muito respeito um pelo outro!
Os “rachas” entre Chileno e Jow já se tornaram uma tradição nos eventos paulistas de Breaking: amizade e respeito.
BW: Alguma vez você pensou em ir morar fora do país?
Chileno: Eu tive um convite para ir morar fora do Brasil, nos Estados Unidos. Mas eu não quis ir, porque a minha mãe que eu trouxe do Nordeste para São Paulo estava doente e eu tive que cuidar dela, eu não podia deixar a minha mãe doente e ir pensar em mim, indo para outros países e esquecer da minha mãe. Foi uma luta grande!
BW: Chileno, talvez você seja um dos mais antigos B-Boys na ativa. Nos conte como é isso?
Chileno: Olha, eu me dou bem com toda a juventude, eu me sinto bem entre eles, os fundamentos do Breaking sempre tiveram muito sentido em toda a minha vida. Eu sempre busquei conhecimento e agora nesse exato momento eu estou estudando, as regras, as danças base, me aprofundando no conhecimento, porque você ter conhecimento é algo muito importante. E a minha conversa com B-Boy Old School, ela não tem mais fundamento, é um diálogo “oi! tudo bem?”, mas não falo mais de dança. Hoje parece que eu tenho 15 ou 16 anos, porque eu ainda penso no progresso, no presente e no futuro, eu quero decolar muito mais. Pretendo disputar campeonato até o meu último dia de vida, quando Deus permitir que eu esteja aqui. Essa ideia de parar de dançar é ideia de pessoas inúteis. Pessoas que não pensam em crescer e evoluir. Jamais devemos parar o nosso sonho! Hoje sou muito querido em São Paulo e todos sabem disso. Eu ganho presentes de tudo quanto é lado. Sou querido por muitos! Na fase da crise muita gente me ajudou: a Márcia, o Rooneyoyo, o Ninja. Até B-Boys New School me ajudaram na condição financeira, aí agora sofri esse acidente, mesmo assim muitos me ajudaram. Até o meu vizinho que é evangélico, às vezes me dá janta ou almoço e cuida de mim. E eu pretendo continuar dançando o resto da minha vida. Eu amo a dança! Sou muito feliz com o que eu faço. A minha coragem me dá saúde! E a minha fé também!
BW: Recentemente, você sofreu um acidente sério. Nos conte o que aconteceu? E como está a sua recuperação?
Chileno: Eu sofri um acidente há um mês atrás, eu cai de peito, mas não quebrei nada! Foi uma queda de uma escada de 3 metros e meio. Se eu não quebrei nada foi porque Deus estava comigo no momento da queda, até hoje a todo o momento ele está comigo, me protegendo. Porque se não tivesse propósito na minha vida, eu teria me acidentado feio, teria ficado paraplégico e até poderia ter morrido, porque a condição que eu estava e as pessoas que me viram, eles achavam que eu morreria. Eu desmaiei, apaguei total. Quando eu acordei, no dia seguinte, eu estava no hospital. Acordei com tudo embaraçado, a minha vista, a minha cabeça, o meu ouvido, o nariz. A minha voz ficou distorcida, agora é que está melhorando, mas tem algumas palavras que ainda estou falando errado. A minha vista já melhorou, o ouvido melhorou, ainda sinto um pouco de dor, mas estou tomando remédios. Já tenho retorno marcado com o médico, ele vai passar fisioterapia para minha mão funcionar. Que é exatamente a mão que eu faço Freezes.
Chileno exibe a palma de prata do Prêmio Sabotage, conquistado por ele em 2018 na categoria Breaking.
BW: Que conselhos você daria para a nova geração do Breaking?
Chileno: Eu falo para a juventude em primeiro lugar, que seja honesto, sincero, que não queira passar a perna em ninguém, que não minta, dispute de igual para igual. Os jovens devem se alimentar bem, não devem comer porcaria, devem comer comida de verdade para conseguir um bom preparo físico. Eu não como porcaria de forma alguma! Os jovens devem ser humildes com todas as pessoas, com seus próprios pais e no meio da dança onde chegar também. Devem adquirir o próprio espaço para ser respeitado por todos. Hoje eu vejo grupo de WhatsApp de várias crews e vejo que existe um ego, uma soberba, uma ignorância, de querer aprender mais e evoluir na linguagem, na dança e em tudo eles acham que sabem tudo! E desconhecem o trabalho dos outros. Eu fico triste de ver tantos jovens no Breaking orgulhosos, metidos. Precisam ser comunicativos, adquirir o próprio espaço, a juventude precisa aprender a serem dignos do que desejam, senão não vão conseguir nada. Não adianta um B-Boy ou uma B-Girl novos serem ignorantes e boçais, tratar mal os outros, só querem viver no próprio mundinho, precisam aprender que o mundo do Hip-Hop é muito grande. Nós precisamos viver no coletivo, não ser individualista. Isso é uma doença de alguns dessa geração.
BW: Fale um pouco de sua experiência junto às crews?
Chileno: A minha primeira crew que eu entrei foi a Gueto Freak, que foi fundada em 1986, mas entrei apenas em 1999, era uma crew de muitos rachas e muitas disputas, ensinamentos, educação, disciplina, era muito top. Era só gente jovem na época. Eu tinha muita diferença comparado a eles, eles admiravam a minha velocidade e alguns movimentos que eu fazia que eles não faziam. Eu tenho movimentos que nenhum B-Boy de São Paulo faz. Aí depois, eu entrei no Jabaquara Breakers. Eu participei de muitos campeonatos e ganhei muita coisa com isso. Era eu e Catatau. Depois, percebemos que fomos roubados por algumas pessoas e saímos da crew pois sabíamos do valor que tínhamos.
Chileno e os meninos da Ready Style Crew
BW: O que você acha sobre o assunto Breaking nas Olimpíadas?
Chileno: O Breaking nas Olimpíadas é uma benção de Deus! Porque o Breaking sempre foi discriminado em todo o lugar, os B-Boys chegavam com as roupas e com o estilo e eram discriminados por toda a sociedade, chamado de maloqueiro, então, a partir do momento que o Breaking está nas Olimpíadas, ele se torna uma potência, o respeito será muito grande por toda a sociedade, todo o comércio, todos os empresários, os patrocínios, toda a sociedade, a essência só depende de cada um, ele vai competir nas Olimpíadas, certo? Mas ele não vai ficar para sempre nas Olimpíadas, ele tem os rolês dele, que são com os amigos da Cultura Hip-Hop. Agora, se a pessoa permitir que o orgulho suba à cabeça, aí sim ele perde a essência e para isso não precisa estar nas Olimpíadas, isso pode acontecer em qualquer momento. Então, o Breaking entrar nas Olimpíadas como esporte eu fico maravilhado de viver isso, ver o nível que o Breaking está chegando, ele está lá sendo visto por toda a sociedade e isso é muito bom. Por onde esses B-Boys e B-Girls passarem, vão escutar: “eles são breakers e fazem parte das Olimpíadas!”, o respeito será dobrado! O Breaking está muito acima de raças, o negro construiu, mas existe o espaço para todos! Se tem talento, mostre seu talento, não importa sua cor. Eu já falei isso até para algumas pessoas, se você não concorda do Breaking entrar nas Olimpíadas, é palhaçada. Nós fomos discriminados pra caramba e quando temos oportunidade, alguns ficam de palhaçada. Quem pensa assim são pessoas burras, ignorantes, que só querem benefícios para si mesmos. Tem que avançar, tem que se modernizar, as pessoas que não pensam assim, independente de suas idades são atrasadas, de mente pequena e que não funciona. Eu tenho 62 anos e não sou assim. Me sinto um jovem, esse negócio de idade está na cabeça das pessoas!
BW: Para finalizar: o que significa o Breaking na sua vida?
Chileno: Tudo! O Breaking faz parte da minha história. Em primeiro lugar na minha vida vem Deus e depois o Breaking.
Fotos: Arquivo Pessoal/Alex Boog/Cadu Barbosa
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Ele começou a dançar com 6 anos de idade, pequeno no tamanho mas gigante no talento, Marcos Pedro, da Dream Kids Brazil, mais conhecido como B-Boy Sonek, nascido na cidade Catalão, em Goiás, filho de um pedreiro e de uma costureira, encantou o mundo com seus movimentos de Power Move, que executa para os dois lados.
Em 2014, na Europa, foi campeão Kids da Eurobattle e vice-campeão da Power Move Battle, numa competição de altíssimo nível, com o Kid Colômbia.
O que o levou a participar também de programas de TV nacionais e internacionais, como o Super Kids na Alemanha e o Legendários, no Brasil.
Sonek foi notícia também em várias mídias brasileiras, como G1, Record, entre outras. O menino sempre participou de grandes eventos, dentro e fora do país, colocando o Brasil no topo e mostrando a força da nova geração brasileira no Breaking.
Hoje, com 16 anos, as feições de menino vão dando espaço para o surgimento de um jovem, extremamente talentoso na dança, disciplinado, focado, que tem movimentos firmes, elegantes e singulares, sendo sem dúvida um dos grandes nomes do Breaking brasileiro a ser ouvido nos próximos anos.
Confira a entrevista que o Portal Breaking World fez com o B-Boy Sonek:
BW: Queria que você falasse um pouco da sua infância, onde nasceu e da sua vida em família? Tem irmãos?
Sonek: Nasci em uma cidade chamada Catalão, em Goiás, minha vida em família é bem humilde e amigável, sim, tenho 3 irmãos.
B-Boy Sonek foi Campeão Kids da Eurobattle com apenas 10 anos de idade.
BW: Quando teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop o que mais te chamou a atenção nessa cultura?
Sonek: Não me recordo exatamente, porque eu tinha 6 anos de idade, mas lembro que sempre viajava com meu pai para os eventos em Uberlândia e Goiânia.
BW: Com que idade começou a dançar Breaking? Quem te ensinou? E onde você treinava?
Sonek: Comecei com 6 anos de idade, meu pai me ensinou, treinava no meu quarto com meus primos e amigos. Meu pai sempre foi fundamental para meu aprendizado, tudo que sei hoje é devido a ele e minha evolução progrediu quando o Tio Dunda passou a ser o nosso mentor, mostrando caminhos certos de treinos e eventos certos para participar.
BW: Você sempre teve o apoio da sua família na dança?
Sonek: Sim, minha mãe e meu pai sempre me apoiaram, quando meu pai ia trabalhar, minha mãe que me acompanhava nos treinos.
O pai Thiago, que também é B-Boy e o coach “Tio” Dunda: fonte de inspiração para Sonek
BW: Seu pai também dançava, correto? Isso facilitou seu aprendizado?
Sonek: Sim, dei continuidade, sem ele não teria como ter aprendido e seguido em frente. Ele sabe ensinar super bem, com certeza facilitou muito a minha aprendizagem no Breaking.
BW: Tiveram movimentos que você teve mais dificuldade em aprender? Qual foi o mais difícil?
Sonek: O mais difícil foi o “1990” e as variações de movimentos.
BW: Na sua dança, os movimentos Power Moves estão bem presentes e alguns são para os dois lados, o que o torna quase único entre os dançarinos da sua idade aqui no Brasil. Com quem aprendeu tudo isso?
Sonek: Influências do meu pai, que é de uma geração de B-Boys que para ser bom teria que fazer alguns movimentos para os dois lados, segui essa tendência também.
O título do Breaking Combate foi a porta de entrada para o menino ganhar a Europa com seu Breaking
BW: Houve muito preparo físico para chegar no nível que chegou? Muitas horas de treino? Atualmente como é sua rotina de treino?
Sonek: Sim, no começo não tinha preparo físico porque meu pai não tinha esse conhecimento, com a chegada do Tio Dunda tudo mudou, focamos também nos exercícios físicos e isso causou um impacto enorme na minha evolução, juntamos tudo que o meu pai sabia com o conhecimento do Tio Dunda e o resultado foi outro.
BW: Em 2014, você foi campeão da Eurobattle, no Kids. Foi a primeira vez que você saiu do Brasil? Fale como foi essa experiência.
Sonek: Sim, foi a minha primeira viagem internacional, foi muito legal, tinha muitas pessoas que me conheciam só pelos vídeos e vinham tirar fotos comigo, fizemos “street show” também, as pessoas valorizam quem dança Breaking, evento bem organizado, com boa estrutura, mas antes tive uma grande e importante caminhada para chegar até a Europa. Saímos de Catalão até São Paulo, 12 horas de carro, para batalhar no Breaking Combate, que foi o evento que pagou as passagens e estadia para mim e meu pai em Portugal. Batalhei na final contra o Suel, um Power Move muito bom de Goiânia, para assim me consagrar campeão nacional e o prêmio foi a viagem e participação na Eurobattle.
BW: Com quem competiu na Eurobattle e o que sentiu quando ganhou o campeonato, colocando o Brasil em primeiro lugar?
Sonek: Tinham B-Boys e B-Girls de toda parte do mundo e o grande favorito era o Super Mario, da Bélgica. Enfrentei ele na final e me consagrei campeão por 3 votos a 0, era o meu dia, estava me divertindo, sem a pressão e obrigação de ser campeão, meu pai nervoso pelo filho dele estar em uma final mundial de um lado e o Tio Dunda, tranquilo, me ajudou muito com os conselhos e me deixou tranquilo também, lembro que ele disse: “Sonek, você não precisa provar nada pra ninguém, você já é o campeão nacional, faz o que você treina na sala do templo (meu quarto onde treinava) e se diverte”, fiz exatamente isso e minha dança fluiu.
Hoje com 16 anos, Sonek faz parte da Dream Kids Brazil e treina forte para alçar voôs maiores como dançarino
BW: Quais são as principais diferenças que você percebe entre os B-Boys de fora do país e os brasileiros, seja nos treinos e no geral?
Sonek: De fora eles tem mais estrutura e apoio, seja de família ou patrocínios. No Brasil, tudo é mais difícil, até para irmos para outro estado é caro, muitos não têm um chão bom para treinar.
BW: Você também foi vice-campeão de Power Move. Comente essa experiência…
Sonek: Tinha muitos caras bons, o nível era altíssimo, fui bem preparado, enfrentei o holandês Kid Colômbia na final, perdi de 3 votos a 0, mas muitos não acharam isso, respeitamos a decisão dos jurados, que estão lá para isso e se estão lá é porquê são capazes de terem avaliado o certo.
BW: Você se apresentou também em programa de televisão fora do país. Nos conte como foi essa experiência?
Sonek: Sim, no Super Kids da TV SAT1, foi um experiência incrível, o Tio Dunda foi quem fez todo o trâmite para que isso se concretizasse, sem ele não teríamos condições de ter avançado nessa experiência. Nunca tive medo de batalhar, mas momentos antes de me apresentar, minhas pernas tremiam, saí da minha zona de conforto das batalhas para um palco de TV na Alemanha, mas no geral eu gostei muito.
Dançar se divertindo e com calma foi o segredo para Sonek ganhar o mundo com seus Power Moves
BW: Na sua escola, as pessoas pedem para você dançar? Sua cidade te apoiou na sua dança?
Sonek: Sempre me pediram e ainda pedem, mas temos que nos controlar para não nos machucarmos, devido o corpo estar frio, teve alguns eventos que a Fundação Cultural de Catalão apoiou, sim.
BW: O que significa o Breaking na sua vida?
Sonek: Faz parte de mim, como se fosse um órgão, não posso ficar sem o Breaking, sei que o Breaking tem o poder de mudar minha vida.
BW: Que mensagem você deixaria para as crianças que pretendem começar no Breaking?
Sonek: Treinar, treinar e treinar. Muitas pessoas vão dizer que não vai dar em nada, mas segue o seu coração e não o que eles dizem. Se você quer ser bom, então, tome atitude de quem é bom, se dedique…
Na última quinta-feira (1), aconteceu o primeiro debate das eleições de 2020 na Band TV. Foram convidados os candidatos Andrea Matarazzo (PSD), Arthur do Val (Patriotas), Bruno Covas (PSDB), Celso Russomanno (Republicanos), Filipe Sabará (Novo), Guilherme Boulos (PSOL), Jilmar Tatto (PT), Joice Hasselmann (PSL), Márcio França (PSB), Marina Helou (Rede) e Orlando Silva (PCdoB). O debate foi realizado sem plateia por causa da pandemia de Covid-19 e foi marcado por muitos números imprecisos, falta de conhecimento, informações desencontradas e atitudes preconceituosas.
Exemplo da lambança já esperada, foram mais uma vez as declarações do candidato Arthur do Val (Patriotas), antes do debate ele publicou no Instagram um vídeo de preparação com uma paródia do pugilista Rocky Balboa se preparando para uma luta, como na série de filmes estrelados por Sylvester Stallone. Na chegada à TV Bandeirantes, ele afirmou que não vinha para brigar, mas o que fez foi bem diferente do seu discurso. De cara, criticou Bruno Covas (PSDB), que disputa a reeleição, Celso Russomanno (Republicanos), que lidera as pesquisas e o ex-prefeito Fernando Haddad (PT).
Mas o pior dos momentos foi quando começou a falar da Escola 360, que segundo ele estaria aberta finais de semana e nas férias e com descaso começou a atacar a Cultura Hip-Hop, dizendo: “Os filhos das mães da periferia terão seus filhos dentro da escola e não gastando energia com aulas de picho e de break dance”. Essa frase foi o estopim para uma enxurrada de reações imediatas de revolta e indignação entre artistas, federação representativa e praticantes da cultura.
Numa nota de repúdio, a Federação Paulista de Breaking (FSPB) por meio de seu Vice-Presidente Rooneyoyo se pronunciou e entre muitas coisas escreveu “…o candidato demonstra total desconhecimento da realidade das comunidades periféricas, sendo uma cultura de transformação social, tirando milhares de crianças e jovens de situações de risco, da criminalidade e traz para áreas vulneráveis a educação, a cultura, gerando oportunidades. O Breaking e não o “break dance” falado erroneamente pelo candidato ao se referir a essa importante expressão cultural, assim como o Graffiti e todos os elementos dessa cultura, salvam vidas todos os dias. É lamentável que uma pessoa que proclama a educação como um dos pilares de seu plano de governo tenha uma visão social tão limitada, preconceituosa e distante da realidade urbana de São Paulo. Isso só reafirma a dúvida sobre sua capacidade como político e gestor para postular o cargo de Prefeito de São Paulo”. A Federação, além de divulgar a nota de repúdio, criou um abaixo-assinado que está circulando entre os artistas da cultura e está tomando as atitudes judiciais cabíveis.
Rooneyoyo “O Guardião”, da Federação Paulista de Breaking, que divulgou Nota de Repúdio defendendo o Breaking.
Ainda, outros artistas se manifestaram, como o B-Boy Pelezinho, que foi o primeiro B-Boy brasileiro a chegar na final mundial da Red Bull BC One, ele gravou uma mensagem em vídeo: “Cara, você tem que ter respeito pelas pessoas, a dança Breaking mudou a minha vida e de muitos jovens, isso que você acabou de falar na televisão e na rede social eu acho que você não está preparado e nem capacitado para assumir cargo nenhum. Você tem que respeitar apenas isso! Você pode ter certeza que o que você fez a dança vai te cobrar! Espero que você pense no que falou e respeite a nossa cultura!”.
No Instagram, o B-Boy Neguin, outro grande B-Boy brasileiro, ganhador da Red Bull BC One Mundial, consagrado globalmente por sua dança, escreveu: “Quanto audacioso e infeliz você é em desrespeitar a cultura universal em rede nacional meu caro. Aulas de “break dance” me levaram para 139 países, consulte com o maior centro financeiro da América Latina quanto custa para um cidadão viajar para essa quantidade de países, falo 4 idiomas, tenho dupla cidadania, sou um dos artistas mais reconhecidos e requisitado mundialmente por sempre representar o nosso país em diversas áreas e em todos os meios artísticos. Sou campeão mundial de “break dance” patrocinado pela Red Bull há 13 anos. Levo a Capoeira, o Graffiti e o Jiu-Jitsu onde vou, isso salvou minha vida e de milhares de outras pessoas também. Espero que você reflita e corrija as asneiras que falou pois sua ignorância é realmente inacreditável”.
O B-Boy Ricka, da lendária Back Spin Crew, comentou: “Eu acabei de ver um vídeo de um tal de Arthur de um canal chamado “Mamãe falei” que fala do “break dance” de forma pejorativa. Meu amigo, não é “break dance” você nem sabe o que está falando! É Breaking, um dos elementos da Cultura Hip-Hop, que é uma cultura mundial que movimenta o sonho de pessoas, sonho da periferia, que faz com que as pessoas sejam protagonistas da sua própria história. Você está falando do Hip-Hop, mano! Hip-Hop dá oportunidade para pessoas e resgata vidas. Você está querendo um cargo na maior cidade do país, você quer ser prefeito de São Paulo, então você tem que saber o que está falando. Nós somos atuantes através do Breaking e dos outros elementos na periferia, onde pelo jeito você nunca pisou. Antes de falar do Breaking você tem que ter conhecimento que tem toda uma comunidade por trás que vivem isso todos os dias. O Hip-Hop é uma cultura que sustenta pessoas, emprega pessoas, nós temos economia criativa você não tem noção do que está falando. Nós estamos presente onde você não está! Você tem que fazer a lição de casa, se você quer conduzir uma cidade como São Paulo você tem que respeitar todas as culturas e todas as pessoas, tem muito a aprender com a Cultura Hip-Hop”.
Fabgirl, uma das mais conhecidas B-Girls brasileiras, representando as mulheres do Hip-Hop, também falou: “Tem um meme do Caetano que cabe muito bem nesse momento, você é burro cara, o que você está falando é burrice, não consigo te compreender, nós que somos do Hip-Hop sabemos muito bem o poder que a dança, o Graffiti, o DJ e o MC tem na vida das pessoas, entra governo e sai governo e nós continuamos fazendo o nosso trabalho”. Ainda B-Boy Till, de Fortaleza, explanou: “Eu sou apaixonado pelo Breaking e não entendi sua atitude de agredir o Hip-Hop, que tira tantos jovens da criminalidade”.
As declarações do candidato chegaram no exterior, em alguns B-Boys que representam a cultura lá fora. B-Boy Kid Guma, que está na França, também gravou um vídeo mandando o candidato respeitar o Breaking e a Cultura Hip-Hop. Ele disse: “Hoje eu vivo através do Breaking na Europa, se você não sabe o valor que o Breaking tem vai fazer uma pesquisa, vai estudar sobre a cultura periférica”. B-Boy Luka escreveu: “Primeiro vem a gratidão de ter conquistado tudo através do Breaking. A minha dedicação e investimento nesse elemento me trouxe vida, a disciplina, algo que vou levar para toda a vida…”. Ainda muitos outros B-Boys e B-Girls comentaram, entre eles B-Boy Leony, B-Boy Kamal, B-Boy Buxexa.
A nova geração também se manifestou. B-Boy Eagle, de 13 anos, da Dream Kids Brasil, lembrou: “Somos uma cultura forte no mundo inteiro, no Breaking aprendemos a respeitar, a ganhar, a perder, a ter disciplina, a ajudar o próximo e principalmente a não pensar limitado como você. Breaking é vida, família e valores que eu tenho com 13 anos e você até hoje não aprendeu essa lição. Que vergonha de você!”.
O DJ Heliobranco também se expressou: “Eu tenho 35 anos de Hip-Hop e eu nunca vi tanta asneira de alguém que se propõe a ser representante do povo da capital paulista, uma das três maiores cidades do planeta. Você se deu mal comigo, mano. O Hip-Hop é pelo social. O Sr. Arthur do Val não me representa! Eu sou do Hip-Hop All Stars, o pessoal do Hip-Hop de São Paulo não apoia o senhor!”.
Algumas mídias especializadas na Cultura Hip-Hop também comentaram. Em Ipatinga (MG), o responsável pelo Portal de Cultura Urbana, B-Boy Luizin, falou: “Vai estudar, irmão, o que é a Cultura Hip-Hop, o que é o Breaking. O Breaking salvou a minha vida. Você falou besteira e a Cultura Hip-Hop vai te cobrar tenha certeza!”. O Portal Breaking World também fez uma nota de repúdio às declarações do candidato. A jornalista e editora do Portal Breaking World, Luciana Mazza, escreveu em sua rede social: “O Breaking e o Graffiti são também manifestações sociais importantes e legítimas. O Breaking foi lembrado pelo Comitê Olímpico Internacional para se tornar modalidade olímpica em Paris 2024, só no Brasil temos mais de 40 Campeões Mundiais de Breaking em diversos campeonatos espalhados pelo mundo, nas várias modalidades que o compõem. E o Graffiti está presente nos principais centros urbanos, financeiros e artísticos do mundo, como na Times Square, em Nova York, em San Diego, em Londres ou na Paulista, no Brasil. Veja, sou jornalista, cineasta, editora de um portal de Breaking, sou mãe de B-Boy e de B-Girl e tenho muito orgulho de dizer que os meus filhos pertencem à Cultura Hip-Hop! O Breaking foi uma das melhores escolhas de suas vidas! Jamais podemos nos calar diante de palavras tão inadequadas e preconceituosas! Enfim: Respiramos arte, educação e não preconceito! Caro Deputado desprezível: “Mamãe falei besteira!”, respeite o Breaking, respeite o Graffiti, respeite a Cultura Hip-Hop, respeite a vida e os cidadãos paulistanos de bem!”, concluiu.
Sobre as declarações de Arthur do Val, algumas personalidades se manifestaram, como a sambista Leci Brandão. Ela em vídeo opinou: “Minha galera querida do Hip-Hop, estou passando para reforçar o quanto que eu respeito a cultura de vocês, não tem outro gênero musical que fale mais da realidade das comunidades do que o Rap, nós temos DJ’s, grafiteiros e breakers conhecidos no mundo inteiro, a cultura Hip-Hop salvou e continua salvando muitas vidas, cuidando da juventude. O Breaking inclusive está nas Olimpíadas e nós temos o Dia do Breaking que está lá na ALESP”, finalizou.
Arthur do Val e seu antigo aliado Eduardo Bolsonaro.
Não é a primeira vez que o candidato e também youtuber Arthur do Val se envolve em polêmicas, no mês de setembro foi condenado pela justiça quando publicou vídeos antes do início da campanha eleitoral, acusando o Padre Julio Lancellotti. A Justiça Eleitoral determinou que essas publicações de Arthur do Val fossem retiradas das redes sociais. Nelas, o candidato, também conhecido como “Mamãe Falei”, continuou as críticas e ataques contra o Padre Julio Lancellotti, coordenador da Pastoral do Povo da Rua de São Paulo. Val chegou a qualificar Lancellotti como “cafetão da miséria” e a acusar, sem provas, que ele fomentaria o tráfico na região central da capital paulista. A decisão foi assinada pelo juiz Emílio Migliano Neto. O MPE (Ministério Público Eleitoral) disse que o candidato produziu “propaganda eleitoral antecipada e vedada em que, seguidamente, calunia, difama e injuria o padre, objetivando tornar-se mais conhecido do eleitorado, ao criar polêmica em relação à figura pública do padre”.
O candidato também fez críticas recorrentes ao atendimento de ONGs e setores da Igreja Católica e aponta políticas públicas “ineficientes” como responsáveis pela “degradação” do centro. Ele também chegou a fazer gravações na região da Cracolândia, no centro de São Paulo, que também são alvo de investigação. A Promotoria, inclusive, chegou a pedir para a PF (Polícia Federal) abrir inquérito para investigar se os vídeos violam a lei eleitoral.
Quanto ao Hip-Hop, também não é a primeira vez que faz comentários pejorativos. Em 2018, ele em um de seus vídeos falou que o álbum “Sobrevivendo ao Inferno”, dos Racionais MC´s, era uma poluição sonora, isso porque a Unicamp colocou na sua lista de obras para o vestibular de 2020 o álbum de 1997, no gênero de poesia, o que irritou ao candidato, o fazendo se envolver em mais polêmica.
Arthur do Val é nascido em São Paulo, ingressou na faculdade de Engenharia Química no Instituto Mauá de Tecnologia, mas não chegou a se formar. Seu pai é dono de uma empresa de sucata de aço, na cidade de Guarulhos, onde Arthur trabalhou antes de começar a fazer vídeos para a internet. Além disso, também é empresário no ramo de estacionamento e postos de gasolina. Em 2015 criou, seu canal no YouTube, que hoje conta com mais de 2,5 milhões de inscritos. Eleito em 2018 com 478.000 votos, a segunda maior votação da Assembleia Legislativa, o deputado Arthur do Val (Patriotas), conhecido como “Mamãe Falei”, defendeu e apoiou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), juntamente com o MBL, sendo conhecido pelas diversas polêmicas que costuma se envolver.
Fotos: Reprodução
Clique e confira na íntegra as Notas de Repúdio do Breaking:
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“… teve uma pessoa que me fez chorar muitas vezes, dizendo que minha dança era desengonçada e que eu não chegaria a lugar algum, mas eu tomei isso de raiva e passei a treinar para pegar e rachar com essa pessoa, mas nunca rachamos e essa pessoa hoje já parou de dançar e eu continuo.” (B-Girl Nathana)
Ela nasceu em Uberlândia, perdeu o pai com 5 anos em um acidente, mas sempre teve o amor e o carinho da mãe. Começou a dançar com 16 anos e não parou mais, na sua caminhada, enfrentou preconceitos pelo fato de ser mulher e até escutou comentários que fariam muitas pessoas desistirem da própria dança. Mas ela não!
Nathana Vieira Venancio ou B-Girl Nathana, como é conhecida na cena, sempre foi forte e usou o comentário negativo para crescer e evoluir na própria dança. Sendo uma verdadeira inspiração para quem pretende ir longe no Breaking. Atualmente, ela acaba de receber a notícia que está nos Top 16 da E-Battle da Red Bull BC One. No evento se inscreveram e mandaram vídeos B-Boys e B-Girls do mundo inteiro, então, sem dúvida essa menina de Uberlândia só tem motivos para se alegrar.
O Portal Breaking World conseguiu uma exclusiva com ela. Estamos na torcida, Nathana! Leia a entrevista:
BW: Queria que você falasse um pouco da sua infância, onde nasceu e cresceu.
Nathana: Eu nasci e fui criada em Uberlândia, Minas Gerais, perdi meu pai com 5 anos em um acidente, então sempre tive minha mãe como pai e mãe, sempre fui muito apegada a ela, acho que por isso, uma menina muito estudiosa e desde pequena gostava da área de artes, com 12 anos comecei a fazer aulas de teclado e bateria e somente depois, com 16 anos, que conheci a dança.
Nathana sempre gostou de arte, música e dança.
BW: Quando teve contato pela primeira vez com a Cultura Hip-Hop? E quando o Breaking começou a fazer parte da sua vida?
Nathana: Eu tive o contato com 16 anos por meio de um professor de Street Dance, ele era B-Boy e foi ele quem me apresentou e me ensinou durante um tempo da minha vida, o Breaking começou a fazer parte da minha vida totalmente em 2013, quando decidi viver profissionalmente com a dança.
BW: Você aprendeu o Breaking com alguém? Quem eram suas referências na dança?
Nathana: No começo eu aprendi com esse professor de Street Dance, ele se chama Fagundes, mas depois ele teve que se mudar de cidade, então, continuei a caminhada sozinha, minhas maiores referências quando comecei foi a Flow Mo Crew, B-Girl Taya, B-Boy Keebz, Top 9 e B-Girls do Brasil como Fabgirl, Bibi, Miwa e dentre outras pessoas.
BW: Em que ano começou a dançar? Como sua família e todos que estavam à sua volta viam isso? Você teve apoio de alguém?
Nathana: Comecei em 2007, minha família não gostava pelo fato de ter poucas mulheres, eu era menor de idade e sempre chegava tarde em casa, no começo não tive o apoio porque eles não viam isso como profissão, para a minha mãe era como passatempo ou hobby.
Às vezes subestimada ou desacreditada, mas sempre superando os obstáculos.
BW: Ser mulher e dançar Breaking, alguma vez se sentiu hostilizada por isso? Sofreu algum tipo de preconceito dentro ou fora da cultura?
Nathana: Sim, no começo sofri muito quando comecei, muitas pessoas desacreditavam só pelo fato de ser mulher, enfim, me subestimaram muitas vezes também, hoje que melhorou muito.
BW: Verdade que na sua vida existiram pessoas que tentaram te desestimular? Conte isso e nos mostre como superou.
Nathana: Sim, me recordo que teve uma pessoa que me fez chorar muitas vezes, dizendo que minha dança era desengonçada e que eu não chegaria a lugar algum, mas eu tomei isso de raiva e passei a treinar para pegar e rachar com essa pessoa, mas nunca rachamos e essa pessoa hoje já parou e eu estou na ativa ainda, eu peguei uma coisa negativa e fiz isso como motivação para treinar e evoluir.
BW: Nathana, certa vez você falou que para as mulheres têm movimentos que são mais difíceis. No entanto, lá fora, existem grandes exemplos de mulheres que são B-Girls completas e que fazem todos os fundamentos, dominando inclusive os Power Moves. O que dificulta no Brasil atingir essa realidade?
Nathana: Acho que talvez hoje, com a tecnologia e toda facilidade que temos, se pegarmos um tutorial de como fazer da maneira certa e com a técnica certa, iremos aprender. Isso vai depender do foco e esforço de cada uma, porque quando eu comecei não havia professores e essa tecnologia que temos hoje, então, muitas coisas que sei fazer hoje aprendi sozinha, na raça, treinei muito tempo errado, aprendia de forma errada, se eu tivesse essa consciência e todas as ferramentas que tenho hoje, eu estaria além de tudo que sei fazer hoje. Eu acho na minha humilde opinião e ponto de vista, então, acho que falta isso, essa determinação de estudar o movimento e querer aprender e dedicar seu tempo a isso.
Nathana além de competir em eventos nacionais e internacionais é também jurada.
BW: Que movimentos do Breaking foram mais difíceis para você?
Nathana: O que tem me custado a aprender ainda é o flare e o hallo.
BW: Fale um pouco sobre sua relação com a sua Crew?
Nathana: Hoje eu faço parte de 3 Crews que são We Can Do It B-Girls, do qual eu sou uma das fundadoras e também Rock Niggaz e Gangsta Squad, as pessoas da minha crew são as minhas inspirações, elas sempre me motivam e falam daquilo que preciso melhorar, críticas construtivas, a importância de ter pessoas lado a lado com você é grande, ter essa ajuda e companheirismo é muito válido, as meninas sempre estão a me passar energias positivas, enfim, sou muito grata a todos da Crew.
BW: Fale dos eventos de destaque que participou no Brasil e no exterior? Como é para você competir fora do país?
Nathana: Tive bastante experiência em eventos fora, ganhei eventos no México, como Funk Paradise, Freestyle Session, Eurobattle em Portugal e dentre outros, para mim competir em outro país cada vez que vou é uma forma diferente que me sinto, porquê cada evento tem uma sensação diferente, mas me sinto honrada e com uma responsabilidade sempre de dar o meu melhor e poder representar meu país e as minhas Crews.
BW: Agora você chegou no Top 16 da E-battle da Red Bull. Nos fale dessa conquista e como você se sente.
Nathana: Eu me sinto honrada e muito motivada, porque só de estar no Top 16 da Red Bull já é uma conquista gigante, porque sei que pessoas do mundo inteiro enviaram os seus vídeos, então, quero poder agarrar essa oportunidade e fazer valer a pena.
BW: Nos conte um pouco sobre sua rotina de treinos e como tem se preparado para essa competição que ainda vai acontecer.
Nathana: Tenho montado estratégias porque não posso deixar dúvidas, tenho estudado as oponentes que estou pegando em cada fase, acredito que isso tem me ajudado, porque cada um tem um jeito diferente de dançar, então tenho que ter essa estratégia, porque quero pegar cada uma em seu ponto fraco. Desde o começo desse ano e da pandemia, resolvi me dedicar mais ainda aos treinos e a minha evolução, porque quero poder ser melhor que eu mesma, então, estou nessa disciplina de treinos constantes, sem faltar a treinos mesmo cansada, mesmo com problemas, quando fiquei sabendo que estava no Top 16 já tenho me preparado psicologicamente porque isso é importantíssimo e estou treinando essa semana todas as entradas que tenho que soltar para a Red Bull, nada de treinar coisas novas para não correr o risco de me machucar, então, tenho repassado tudo e me concentrado naquilo que preciso fazer e 2 dias antes da batalha só irei descansar, relaxar e manter o foco.
BW: O fato de você representar o Brasil contra o Japão, que tem um histórico de ter grandes B-Girls te cria alguma ansiedade? Como você tem trabalhado o seu psicológico?
Nathana: Não procuro pensar nisso, até porque no Top 32 eu batalhei contra uma B-Girl do Japão e nem cheguei a pensar nisso, penso que vou estar ali defendendo o meu estilo e quero poder representar bem o país, penso em dar o meu melhor, sem deixar dúvidas.
BW: Como têm sido seus dias nessa época de pandemia?
Nathana: Tenho trabalhado, estudado e treinado bastante, me cuidando, enfim, ficando em casa.
BW: Fale um pouco dessa nova realidade dos eventos on-line. E como tem sido isso para você?
Nathana: Essa realidade não sei quanto tempo vai durar, mas tem servido de motivação e também é uma forma de oportunidade para quem não pode viajar para fora e aparecer na cena mundial, está aí uma boa oportunidade que não podemos perder.
BW: Você também é jurada de alguns eventos, correto? Julgar a dança de uma outra pessoa é algo difícil? Que critérios você utiliza na hora do julgamento?
Nathana: Sim, sou jurada de muitos eventos, acredito que é difícil porque sempre falo que cada um tem sua arte e seu jeito de dançar, ali vai vencer o melhor naquele momento, não que a pessoa seja a melhor, eu julgo Limpeza, Originalidade, Musicalidade, Fundamentos, Personalidade.
Nathana já ganhou eventos no México, Portugal e em vários estados do Brasil.
BW: O que significa hoje o Breaking na sua vida?
Nathana: O Breaking é a minha vida, faz parte de mim.
BW: Quem hoje é a Nathana?
Nathana: Hoje eu sou a B-Girl Nathana, que acorda e dorme como B-Girl, que pensa em construir uma história e ser referência na vida das pessoas, que ajuda o próximo, que pensa em crescer e ir além e deixar um legado.
BW: Deixe uma mensagem para os leitores do Portal Breaking World?
Nathana: Gente: obrigado por lerem essa matéria, Deus abençoe a vida de vocês, continuem, não desanimem! Estejam bem e fiquem em casa, se cuidem.
Fotos: Arquivo Pessoal/BreakSP/Multiforme
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As batalhas de rima sempre foram nas ruas, estações e praças, locais típicos de encontros de equipes e crews. Mas, com esse momento de quarentena, elas foram para um local totalmente diferente: a internet.
Aliás, diferente em partes, elas já estavam na internet. Canais como Batalha da Aldeia (SP), Batalha do Tanque (RJ) e outras com nomes conhecidos nacionalmente, já batiam números absurdos no YouTube e outras plataformas de vídeo, chegando diversas vezes na guia em alta, tornando as batalhas cada vez mais famosas.
Com o coronavírus e a proibição de eventos com aglomeração, as batalhas foram obrigadas a ficar somente no meio on-line, o que tirou aquele visual de roda na praça que todos estavam acostumados a ver. Apesar disso, batalhas com um pouco mais de estrutura logo se organizaram e começaram as edições on-line, que nesse momento, inclusive, abriram algumas opções que talvez não foram pensadas antes por que não havia necessidade.
Agora podemos fazer uma batalha on-line entre pessoas de estados diferentes sem que necessitem se deslocar por terra ou ar, assim tendo maior disponibilidade de horário. A organização também será completamente diferente quanto a sorteio e votação – não tínhamos experiências em votações on-line, todas as batalhas que partiram para uma versão on-line tiveram que se esforçar para aprender e, com isso, também vieram alguns pontos negativos, que é o motivo de um número muito baixo se arriscarem nessas edições: a estrutura.
As organizações não têm um orçamento para se bancarem; podemos chutar que menos de 5% das batalhas têm uma renda que pague as contas e possa ser investida em um escritório ou QG e isso dificulta muito com um país com péssima internet, planos às vezes com valores altos e locais que você só pode optar por uma operadora.
Esse problema de estrutura, também é somado ao problema de que boa parte dos MCs também não possuem uma internet rápida ou boa para acompanhar a live. O atraso e falhas entre beat e rima dificultam e atrapalham o MC, deixando a batalha às vezes desinteressante e difícil de acompanhar.
No entanto, isso não está fazendo com que as batalhas diminuam, e sim aumentem, porque se tem uma coisa que as organizações e MCs estão com saudade é da vibração da plateia numa Punch ou Fatality daqueles.
OPINIÃO MC
Afro Max: “tudo sempre tem prós e contras. O MC sente falta das batalhas, isso faz parte da vida dele, não é mais um hobby, mesmo com toda dificuldade de itinerário, locomoção, acesso, muitos querem a volta das batalhas. Em contrapartida, por questões de saúde e segurança, o retorno presencial nos locais destinados não é uma opção. As batalhas on-line têm sido a forma mais segura de darmos continuidade aos trabalhos.
Claro que a energia não é a mesma, a adrenalina não é a mesma, mas cada um luta com a arma que tem, cada um rima com a batida que tem.
Então, ainda assim, a internet tem sido o meio mais seguro e mais viável a ser usado”.
OPINIÃO ORGANIZAÇÃO
Aqui vai uma dica de estrutura e organização para quem ainda não desenvolveu a sua batalha on-line:
Primeiramente, faça! Mesmo com pouca estrutura, porque essas coisas vão se ajustando com o tempo, vocês vão se acostumando e melhorando a cada edição.
Tenha um notebook.
Faça ligações para os MCs por Google Meet (gratuito e sem limitação de tempo).
Deixe somente os áudios dos MCs ativos, para que fique mais leve a transmissão e mantenha apenas equipe e MCs na sala de bate papo – sempre lembrando de só deixar ativo o microfone de quem está rimando.
Muitos estão utilizando YouTube ou Twitch como plataforma de transmissão, mas ambas têm maneiras complicadas de fazer a votação, muitas precisando de aplicativos ou softwares externos, já o Facebook dá opção de fazer enquetes durante a transmissão, direto no chat ou mesmo em cima da imagem da transmissão.
Foto: Fotomontagem BW
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BAOBÁ é um curta-metragem sobre ancestralidade, raiz e espiritualidade. Produzido no Distrito Federal, será exibido em uma única sessão no YouTube.
O curta nasceu com intuito de unir artistas periféricos para contar histórias sobre ancestralidade, resistência e brasilidade por meio da arte e suas mais diversas manifestações artísticas (dança, teatro, música, literatura e performance). Também temos, como um dos objetivos principais, beneficiar comunidades carentes por meio da conversão de parte da receita em cestas básicas, que serão distribuídas a instituições selecionadas.
Instagram: @curtabaoba
INFORMAÇÕES GERAIS
Data da exibição: 03/10/2020 (sessão única)
Horário: 20h
Plataforma: YouTube (link enviado por e-mail no dia 3/10)
INFORMAÇÕES SOBRE INGRESSOS
Baobá – R$20 + taxa do Sympla – acesso ao link para assistir o curta;
Baobá solidário 5 – R$25 + taxa do Sympla – acesso ao link para assistir o curta e doação R$5,00 para instituições selecionadas;
Baobá solidário 10 – R$30 + taxa do Sympla – acesso ao link para assistir o curta e doação R$10,00 para instituições selecionadas;
Baobá solidário 30 – R$50 + taxa do Sympla – acesso ao link para assistir o curta e doação R$30,00 para instituições selecionadas.
“…Os caras nos discriminavam. Às vezes, nós chegávamos nas rodas que eles estavam, eles desligavam o Boombox, o gravador e diziam que Pé de Barro tinha que dançar sem música.” (B-Boy Danzinho)
Ele nasceu em Pernambuco, participava do Boi Maracatu, dança folclórica de sua cidade, filho de nordestino, seu pai cantava embolada. Com 8 anos, chegou em São Paulo. A vida não era fácil na terra da garoa, sua mãe saía para trabalhar ainda não tinha amanhecido, era de madrugada. Ele esperava clarear e ia para a rua, muitas vezes cabulava aula. Foi na rua que aprendeu algumas das mais duras lições da vida. Mas também foi nela que começou na capoeira, com o Mestre Guerreiro e, depois, conheceu o Breaking, que foi amor por toda vida e mudaria para sempre a sua história.
Discriminado dentro de casa, na quebrada onde morava, na sociedade e até na cultura, por alguns que o chamavam de “Pé de Barro” por sua condição social, foi à margem desses comentários nada inspiradores e do lado de fora do preconceito que ele tirou forças, encontrou seu espaço e ali executou movimentos incríveis, que escreveram seu nome junto com outros grandes nomes do Power Move no Brasil e no mundo.
De Pé de Barro a Rei do Windmill, B-Boy Danzinho da conhecida Detroit Break, conquistou o seu espaço, além do respeito e da admiração de todos que conhecem a sua história e a sua importância dentro do Hip-Hop no Brasil.
Numa conversa bem franca com o Portal Breaking World, ele abre o coração e deixa sua mensagem para quem está chegando.
BW: Ubiratan Teodoro da Silva, nome artístico, “B-Boy Danzinho”, queria que você falasse como e onde foi a sua infância e a sua juventude.
Danzinho: Minha infância foi na cidade em que eu nasci, Limoeiro, em Pernambuco, local em que eu morei até os 7 anos. Sou pernambucano, minha família toda é pernambucana. Participei do Boi Maracatu, que é uma dança folclórica e isso foi dos 5 aos 7 anos de idade. Meu pai, de tradição nordestina, cantava embolada, dançava a dança do coco e isso foi até os meus 7 anos. Aí eu vim para São Paulo, com 8 anos de idade, o resto da minha infância foi na Vila Elida, divisa com Diadema. Eu comecei a fazer Kung Fu dos 8 anos aos 12. Aí passou um tempo, eu mudei para a zona leste, no Itaim Paulista e aí eu conheci o Mestre Guerreiro, que era um capoeirista que pegava os meninos que ficavam na rua sem opção de lazer, de bobeira e aí ele começou a ajudar essas crianças, a dar aula de capoeira e, nesse tempo, eu ficava na rua, minha mãe saía para trabalhar as 4h30 da manhã, eu esperava amanhecer e aí ao invés de eu ir para a escola, eu cabulava as aulas e ia para vários lugares, ia para a cidade, ia para o Parque Ecológico com um bando de amigos, na verdade, eram moleques de rua que era o Coroinha, que se chama Andrezinho, tinha o Nego, que é o Davi, o Kojack, o Alex Huguinho, essa era a nossa banca. Na verdade, nós tínhamos uma gangue de rua. Nós brigávamos com outros moleques que eram de outras quebradas, nós saímos na mão com outros moleques que tinham melhor condição, ficávamos andando de bobeira pelas quebradas. Brigávamos e tomávamos os tênis do outro moleque. Aí, com o passar do tempo, nós conhecemos o Mestre Guerreiro, que me convidou para ir ao barracão que ficava no Jardim Helena, para fazer capoeira. Mas eu falava que não tinha dinheiro. Mas ele dizia que não tinha problema e que tinha percebido que eu era um moleque ligeiro, dava uns mortais.
De origem humilde, Danzinho conquistou com muito esforço seu espaço e se tornou um ícone da Cultura Hip-Hop.
BW: Quando teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop? Alguém te ensinou o breaking?
Danzinho: Eu sempre gostei de dar mortal! Aí eu fiquei na Capoeira bastante tempo, mais ou menos uns 7 anos, peguei até o cordão azul, só que nesse intervalo estava passando no Calçadão do Itaim, tinha um DJ chamado Zoinho, da antiga, que tinha uma loja de discos, vendia vinil e fazia uns eventos. Aí ele fez um evento de rua no Calçadão do Itaim e isso foi em 1990, foi então que eu conheci o Hip-Hop, eu vi o cara cantando em cima de um caminhão e eu vi o Nelsão [Nelson Triunfo] também, eu vi uma cara com um cabelão, uma jaqueta escrito colors e achei muito louco o estilo do cara, aí eu conheci um cara chamado Buldoguinho, que era próximo da minha quebrada e ele dançava Breaking em cima do caminhão, aí ele desceu e começou a girar no chão e isso me encantou, me interessou… Só que como aprender se não tinha ninguém para dar um toque? Naquela época, ninguém ensinava ninguém! Passou um tempo e eu fui num bailinho de escola e eu vi os caras dançando, eu vi um cabeludo dançando que o apelido dele era Maverick, aí eu entrei todo doido na roda, não sabia nem o que era Breaking. Cheguei, dei mortal, estrelinha, mortal para cá e mortal para lá e os caras falaram: “é capoeira isso e o cara é ligeiro, imagina se ele aprender uns baratos no chão!”. Aí eu conheci o Maverick, ele se interessou em me ensinar, mas só que o que me encantou foi aquele giro no chão. Aprender naquela época era cruel, pois ninguém ensinava nada, aí passou um tempo, teve outro baile na Escola Nilton Reis, nessa escola teve um baile de molecada, tinha um DJ Rege que dava som e chegou os caras do Jardim Campos, que era a banca do Buldoguinho e junto estava o Maverick, que falou que eu era ligeiro e ele me convidou para dar uns mortais na roda, eu entrei dei uns mortais na roda, isso foi em 1992. Aí ele se interessou em me ensinar. No quintal da minha casa, tinha uma casa abandonada e o chão era de taco, mas aí ele marcou um outro lugar e eu fui até ele, fiz uma caminhada longa, que era no Jardim Campos, tinha que pegar maior subida, aí eu fui na casa dele, não o encontrei, ele tinha saído. Mas a avó dele disse que ele não iria demorar, aí fiquei um tempão esperando. Aí eu desisti e fui embora. No outro dia, fui novamente, aí ele também não estava, fui embora novamente. Passou mais umas duas semanas, eu voltei e o encontrei, ele apareceu mexendo no cabelão e disse: “entra aí, capoeira! Espera um pouco que eu vou tomar um banho”… eu fiquei esperando, porque ele era todo vaidoso. Aí ele chegou e perguntei como fazia aquele barota no chão, depois eu fiquei sabendo que o nome era moinho de vento. Aí ele passou para mim a base do moinho, só que ele falou: “tem que treinar dessa forma, coloca o encaixe aqui, aí você começa a entrar com o ombro”… ele fez todo o procedimento que era para eu fazer o moinho…
BW: Com isso, você aprendeu o moinho? É verdade que houve alguns imprevistos nesse tempo?
Danzinho: Sim. Depois de um certo tempo, eu e uns moleques estávamos brincando, aí eu inventei de dar uma voadora numa madeira no meu quintal, só que essa madeira era de peroba e ficava alta, quase dois metros, eu dei uma voadora e cai para trás. Quebrei o meu braço. Pensei: como vou fazer para pegar o moinho? Nesse intervalo, passou o Dan doido e aí, no quintal da minha casa, eu pedi uns toques, mas falei a ele que tinha quebrado o meu braço. Aí ele disse: “agora vai ser impossível, pois você precisa treinar o chute, pegando o moinho de encaixe”. Aí eu comecei a jogar o moinho do alto e ao invés de ser de encaixe, eu jogava o ombro com o braço engessado. Aí eu passei uma volta e fiquei muito feliz. Aí o Dan falou que era só eu treinar, eu comecei treinar dias e noites. Aí passou um tempo, fui inventar de fazer umas manobras de bicicleta, quebrei o outro braço, caí numa descida, fiquei desacordado uns 10 minutos, aí fui para casa, mas tinha que operar o braço, colocar platina, colocar pinos, aí fiquei com medo de colocar e falei para o médico colocar gesso, mas ele disse que não ia ficar bom, não iria colocar o osso no lugar. Então eu comecei a pegar os moinhos do alto, fiquei bom nos moinhos, peguei várias variações, fiquei muito bom! Tinha cara que vinha de fora, de outras quebradas, para ver eu fazendo moinho. Os caras falavam: “tem um baixinho que faz os moinhos muito louco, com abertura legal, levinho”, aí os caras iam no Itaim e na danceteria SkyWalker e o ponto de encontro era no São Miguel, aí muitos ficaram bons também no moinho, só que os meus eram diferenciados, eu fazia tudo rápido e perfeito.
Uma das marcas do B-Boy Danzinho são os mortais, que ele trouxe da Capoeira e incorporou ao Breaking.
BW: Em que ano você entrou para o Detroit Break? Fale um pouco da caminhada da sua crew? Dos treinos e das conquistas?
Danzinho: No finalzinho de 93 para 94, nós fizemos uma banca que era a Los Angeles Leste. Era eu, o Alemão, o Tinho Gordinho e o Coroinha, que fazia uns flares para os dois lados, era muito bonito o flare dele. Só que essa banca ficou pouco tempo: o Andrezinho foi para o crime, foi preso, ficou bastante tempo na cadeia, 15 anos preso; o Zé Alemão casou, formou uma família, o Tinho também parou e ficou só eu. Só que eu conheci o Xuxuca, que nós treinamos na Caixa d’Água, isso foi em 1994, aí começamos a treinar com o Alemão, o Tinho dos mortais, o Pepeu, que hoje é Mestre de Capoeira na Rússia, ele mora lá. Era uma banca que tinha na Caixa d’Água no Itaim, perto da delegacia, foi aí que eu vi que estava evoluindo muito no Power Move. Quando foi em 95, eu já conhecia o Dedé antes, o Dedé foi a primeira formação da Detroit, nós fizemos a Detroit no comecinho de 1995, mas antes era outro nome, a primeira geração era o Kokada, o Dedé, o Léo, o Fatal, o Xuxa, o Buiu, o Areia, o Léo do Pop, tinha também o Neném Louco, era uma banca 1000 graus… Aí eu cheguei junto para completar a Detroit, eu Xuxuca, a B-Girl Beth, formamos a Detroit Break oficial mesmo, foi em 1995. Aí convidamos o Careca, ele foi o último a entrar na Detroit, isso foi em 1996. A nova geração foi formada por B-Boy Shino, B-Boy Macha, B-Boy Brasília, B-Girl Dedessa e B-Girl Shinaide.
BW: Verdade que vocês tiveram uma boa visibilidade em alguns programas de TV e na imprensa da época?
Danzinho: Nós fizemos o Programa Raul Gil, através da lista telefônica, na época era a TV Manchete. Antes, nós fomos como Sinistros do Breaking, porque não tinha um nome definido por causa dos Sinistros do Rap. Depois, tivemos muita visibilidade na época do Funk e Cia.
Danzinho e a Detroit Break são presenças constantes nos Encontros da São Bento.
BW: Verdade que durante uma competição de Breaking em Goiânia aconteceu uma treta bem pesada?
Danzinho: Em 1996, eu conhecia o ALAMBeat, o DJ do Sampa Crew, ele fez um convite para irmos à Goiânia, porque lá tinha uns caras que estiveram na São Bento, em 1993 e que zoaram São Paulo. O Andrezinho Sampa Crew fez o convite para nós buscarmos o Breaking em Goiânia, era para ir a banca toda, mas fui eu, o Kokada, o Dedé e o Alemão, que está fora do país. Então, nós fomos lá para buscar o Breaking, porque os caras de Goiânia eram bons, eram os melhores do Brasil, faziam os movimentos para os dois lados e quando chegamos em Goiânia, rachamos com eles e ganhamos. Aí aconteceu um imprevisto lá de alguns caras, que não ganharam no Breaking e juntou com mais uns 40 caras e queriam bater em nós. Inclusive eu tomei um chute nas costas que ficou até roxo. Aí quem estava lá fora jogou uma barra de ferro na alta tensão do poste, apagou toda a luz do local, para invadir e pegar nós de São Paulo. Eles não conseguiram pegar nós no Breaking e aí quiseram pegar na porrada… Parecia até filme de briga de gangue. Escutamos até tiro em cima de nós. Eu correndo, o Kokada também, o Dedé, o Alemão… Aí a polícia chegou, aquela loucura na rua: “Pega São Paulo, pega São Paulo!”. Entramos numa viatura, um olhando para o outro, para ver se tinha alguém baleado e tudo pelo Power Move. E quando nós chegamos em São Paulo, acabamos ganhando mais respeito pelo pessoal de Brasília.
BW: Em São Paulo, também houve dificuldades? Nos conte isso?
Danzinho: Sim! Veio a Batalha Final, do Rooneyoyo, que foi em 1998 ou 99, mas antes disso nós começamos a frequentar a São Bento direto e lá tinha uns caras que eram de uma banca, que tinham condições de comprar um agasalho, uns tênis da Adidas e nós chegamos lá com a bermudinha cortada, tudo derrubada, umas regatas e aí nós começamos a sentir uma discriminação, porque não tínhamos um visual de roupa, mas no Power Move, no Breaking, nós éramos muito bons. Fazíamos os movimentos todos esticados de ponta de pé. Eu acredito que os caras tinham discriminação conosco porque nós chamávamos atenção e eles tinham tudo decorado, fantasiado, no estilo Ruddy MC e falavam que nós não dançávamos e aí nós fomos batizados de Pé de Barro, nós da Detroit, com o pessoal da DRR, que colavam conosco, tivemos essa discriminação na São Bento e por isso ficamos um bom tempo sem voltar lá, de 1 ano a 2 anos. Chegou uma época que nós treinamos só para catar alguns b-boyzinhos, era assim que nós os chamávamos, da São Bento. Só que nós fazíamos os movimentos potentes de Power Move, as acrobacias bem executados e eles não conseguiam executar como nós. Nós treinamos muito as manobras, que eram os Power Moves. Não fazíamos nem muita questão de fazer o Top Rock, nem Footwork, porque nós éramos pirracentos. Então, pensávamos: “eles façam os Power e aí fazemos os Top Rocks e Footworks”. Eu acho o Power Move mais difícil de aprender do que o Top Rock e o Footwork.
Danzinho e a Detroit Break Crew demonstrando seus Power Moves na Galeria Olido, em São Paulo (2017).
BW: Você falou que você e sua crew sofreram discriminação na São Bento por alguns? Mas com o Nelson Triunfo foi diferente. Nos conte isso?
Danzinho: Então, os caras nos discriminavam. Às vezes, nós chegávamos nas rodas que eles estavam, eles desligavam o Boombox, o gravador e diziam que Pé de Barro tinha que dançar sem música, era uma discriminação enorme e alguns começaram a fazer besteira, porque nós não tínhamos o visual. Aí eu vim morar em Diadema, próximo ao Centro Cultural Taboão, eu frequentava lá com uns parceiros que treinavam comigo, o Cores, que era também grafiteiro, o Ninja Zulu e lá eu encontrei fazendo uns trabalhos o Nelson Triunfo, só que o Nelson nos conhecia pela fama que nós tínhamos de ter ido para Goiânia. Aí o Nelsão me convidou para ajudá-lo na oficina dele. Eu ajudava os meninos no Power Move, ele ajudava os meninos no Soul Dance, era assim que ele falava. E foi aí que o Nelsão começou a ter respeito pela minha pessoa, que ele já tinha uma admiração, porque eu vinha da Detroit e ele me convidou em 1997 para ir para Barueri fazer um trabalho com ele no Centro Cultural, com o pessoal que trabalhava na cultura e eu dava aula de Breaking. Foi aí que eu comecei a me profissionalizar, eu tinha muitos alunos. Trabalhava em dois turnos, passava pela minha mão no total umas 90 crianças e jovens. Chegando a criar problema para o Centro Cultural, por não ter espaço para tanta gente. Tinha o Jhow também, do Matéria Rima, que dava aula de rima e o DJ Davi dava aula de DJ e tinha o Grande, que era um bom grafiteiro, enfim, depois o Nelson me fez um convite para fazer um trabalho também no Funk e Cia, isso foi em 1998, aí comecei a fazer bastante show no Funk e Cia e dar aulas.
BW: Como sua família via seu envolvimento com o Breaking? Verdade que você sofreu discriminação também dentro de casa e na sua quebrada?
Danzinho: Foi nessa época aí que veio o respeito dentro de casa, porque na verdade eu só tive o apoio do meu pai. Certa vez, eu escutei ele falar: “É melhor ele estar nesse negócio de Breaking do que estar fazendo besteira”. Aí veio o meu primeiro trabalho, que era do governo, chamava Parceiro do Futuro, o Nelsão me colocou lá para dar aula e eu dei minhas primeiras aulas, foi maravilhoso! Aí eu cheguei em casa com um cartão salário da Caixa Econômica Federal, eu falei para a minha mãe “vamos lá no mercado”, ela falou, “fazer o quê?”, aí eu respondi, “fazer umas compras”. Ela falou, “você não tem dinheiro, não trabalha, você não é nem formado”… Aí eu falei que trabalhava, fomos ao mercado e eu passei o cartão de conta salário, aí nós compramos bastante coisa, enchemos o carrinho e foi aí que eu ganhei respeito dentro de casa. A discriminação acabou porque eles começaram a enxergar que o Breaking também dava futuro. Falavam que eu só sabia rodar no chão, mas quando passei a informação do que eu fazia, comecei a ser respeitado dentro de casa. Mas essa fase foi bem difícil, porque minha mãe só queria o melhor para mim, eu tinha que me formar, tinha que ser um doutor, um advogado ou um professor de Educação Física. Tinha que ter faculdade, mas graças a Deus, quando passou o tempo, eu comecei a me formar, tirei o DRT e isso me ajudou muito na minha carreira no Breaking. Entrei em vários projetos de educação, pelo esporte, também trabalhei na Fundação Casa por 4 anos, trabalhei em Pirapora do Bom Jesus, no projeto criado por um delegado, que ele fez para eu dar aulas de Breaking e de Graffiti. Dei aulas também para estagiários da Uniban. Dei aulas na PROERD, que é da Polícia Militar. Trabalhei em Santo Amaro, dei aulas no CEU bastante tempo, também. Tinha uma época que na quebrada também éramos discriminados, o pessoal nos chamava de “limpa chão”, falavam que nós só ficamos rodando no chão e não ganhávamos nada. Ninguém enxergava que o Breaking era uma cultura. Que era algo saudável, que resgatava muitos jovens, muitos jovens se identificavam com essa arte e com essa cultura, ninguém tinha informação e o pessoal julgava mesmo. Nós também não sabíamos detalhes, nós não treinávamos o Breaking para ganhar dinheiro e ganhar campeonato. Nós treinávamos o Breaking para sair da rua, sair de pensamentos ruins e o Breaking caiu como uma luva para nos tirar de uma vida caótica, só de maldade, só de violência, então nós dedicávamos muito ao treino, tínhamos uma disciplina muito grande e as próprias pessoas da quebrada nos xingavam e falavam que não fazíamos nada da vida. Na verdade, ali estava a nossa salvação e eles nem sabiam, porque se nós não fizéssemos isso a maioria estariam até mortos.
Além do Breaking, Danzinho também é grafiteiro.
BW: Como a sociedade via os B-Boys e as B-Girls naquela época? E na sua opinião, o que mudou de lá para cá?
Danzinho: Na verdade, a sociedade em geral tinha motivos para discriminar, pois não tinham informação. Hoje, o Breaking é bastante visível, porque na minha visão o Breaking virou moda. O Breaking deixou de ser algo de amor e de prazer, é moda! Hoje a galera treina pra caramba para ganhar dinheiro ou para ganhar campeonato, não treina para preservar a saúde, para colocar coisas boas na mente, são poucos os que treinam por amor! Não posso criticar todos, têm muitos que treinam por amor mesmo. Têm muitos pais de família que seguem seus filhos, isso para mim é uma honra! Um pai ou uma mãe levar um filho para treinar, imagina há 20 anos atrás se os pais fossem assim, como a juventude seria mais salva. Ter os pais seguindo os treinos, apoiando. Quando a informação chega, o preconceito desaba! Muitos devem se profissionalizar no que fazem para quebrar todo o preconceito.
BW: Você esteve muito tempo no Funk e Cia, fale sobre essa experiência e o que significou para você?
Danzinho: O Funk e Cia foi um leque na minha vida, nós já tínhamos um conhecimento na mídia, tínhamos participado do Domingo Legal, em 1994, no Raul Gil, em 1995, 1996, nós fomos várias vezes, fizemos bastante programa de televisão. Só que o Funk e Cia foi um leque, porque o Nelsão é um cara da pesada na história, na cena do Hip-Hop, porque ele veio do Soul ao Hip-Hop, então, é um cara muito da resistência e ele teve muito respeito com a minha pessoa, quando ele me colocou no Funk e Cia eu peguei muita confiança, vários B-Boys passaram pelo Funk e Cia e eu falo com orgulho e com respeito e ele sabe disso. Eu fui o B-Boy que ficou mais tempo no Funk e Cia, mais de 15 anos. Eu peguei uns caras que eram ainda da primeira formação, foi o Billy, o Ratula, Pierre, eu peguei esses caras. Depois, veio a nova geração, que era eu, o Jhow, o B-Boy Guinho, o Davi. Mas foi através do Funk e Cia que eu consegui muita coisa, muito trabalho, ganhei bastante nome como B-Boy Danzinho do Detroit Break, fiz vários programas de televisão com o Nelsão, saí em várias revistas. Saí no livro do Nelsão! Fui no Rio de Janeiro, na Diversidade Cultural com o Funk e Cia, foi muito louco essa experiência, fomos para o Nordeste também, em Pernambuco. Enfim, Funk e Cia foi um grande marketing na minha vida e até hoje temos um respeito muito grande um pelo outro.
BW: Conte um pouco sobre sua experiência na Casa do Hip-Hop?
Danzinho: Falando um pouco do meu trabalho na Casa do Hip-Hop, cheguei lá nem era Casa do Hip-Hop, era um Centro Cultural e eu tive uma contribuição bem grande na Casa do Hip-Hop, porque foi mais uma discriminação quando nós chegamos com essa história de Pé de Barro, minou muito a nossa presença em alguns lugares. Muitos caras que eram da antiga começaram a ditar regras que para ser B-Boy tinha que andar no visual e na Casa do Hip-Hop eu também enfrentei preconceito. Só que eu também ocupei o meu espaço. Lá dentro, só treinavam os B-Boys com espelho e com som. E do lado de fora, os Pés de Barro, que eram nós e mal sabiam eles que lá fora foi um grande incentivo para vários meninos, que nos viam treinar e aprenderam bastante Power Move, principalmente o Guinho, que hoje mora na Finlândia, que hoje é empresário, o Amendoim, grande parceiro, o Alemão e foram os meninos que aprenderam comigo lá fora… Depois de um tempo, eu fui convidado a dar aulas na Casa do Hip-Hop, fiz um trabalho maravilhoso, com bastante crianças no horário da manhã e da tarde e a Casa do Hip-Hop foi um grande marco na minha vida. Eu faço parte dessa história da Casa do Hip-Hop e me considero um dos iniciadores da parte de Power Move lá dentro.
Danzinho utiliza o Breaking como ferramenta de transformação social em projetos para crianças e jovens, incentivando a nova geração.
BW: Como é o Danzinho hoje na intimidade? Quem é o Danzinho?
Danzinho: O Danzinho é muito família, eu do portão para fora eu sou o Danzinho, do portão para dentro, eu sou um pai de família, me dedico muito a minha família, com meus filhos, minha mulher. Faço de tudo para entender os meus filhos, sou um marido presente na atividade de casa também, gosto de fazer comida, cuido dos meus filhos. Porque o homem tem que cuidar da mulher e a mulher do homem, é assim que eu aprendi a zelar por quem amamos, porque a família é algo abençoado por Deus. Tudo que faço é pensando nos meus filhos e na minha mulher, que me ajuda muito, porque se não fosse uma grande mulher não existiria um grande homem.
BW: Como você vê os B-Boys e as B-Girls da atualidade?
Danzinho: Na verdade devemos filtrar o que a velha escola fez de bom e trazer para dentro do Breaking, para a nova geração. Nós somos Power Move Old School, que fazíamos todos os movimentos para os dois lados perfeitos, com as pernas esticadas e revolucionamos alguns movimentos. Se a nova geração respeitar mais a velha escola, eles só têm a crescer, porque a evolução é trabalhar os dois lados da mente. Porque para ficarmos bons numa sequência de Power Move tínhamos que ficar bons para os dois lados, então, automaticamente você está treinando os dois lados da mente e isso é a evolução do Power Move. A nova geração tinha que trazer para dentro deles isso aí.
E a Cultura Hip-Hop vai passando de pai para filho e ultrapassando gerações. Na foto: Lelê e Danzinho.
BW: Nesse tempo de pandemia, o que você tem feito? E como acha que será o futuro pós pandemia?
Danzinho: Eu nunca parei com o Hip-Hop, porque eu respiro Hip-Hop, atualmente estou me precavendo por causa dessa pandemia, não é brincadeira essa doença, que acredito eu foi cria do ser humano. Eu tenho que sair para comprar comida, eu tenho que sair para sustentar a minha família, mas eu evito aglomeração. Mas eu nunca parei. Estou envolvido num projeto maravilhoso chamado Becos e Vielas, fazendo o projeto da Detroit. Nessa epidemia eu tenho trabalhado e cuidado da minha família. Com a pandemia, os B-Boys e B-Girls que estão em casa vão ganhar 20 kg a mais se não praticar o Breaking. E quando voltar vão ter que recuperar esse tempo parado.
BW: Atualmente, um assunto que vem sendo bem discutido no meio da cultura é a entrada do Breaking nos Jogos Olímpicos. O que você pensa sobre isso?
Danzinho: Na minha opinião, o Breaking nunca tinha que ter virado uma modalidade olímpica, porque o Breaking faz parte de uma cultura chamada Hip-Hop. O Breaking ir para as Olimpíadas, é claro que vai reforçar a cultura, mas eu espero que quem esteja à frente disso não tire o Breaking como esporte, mas como cultura. E respeite os caras que começaram a cultura Hip-Hop, os Old School. É uma cultura que está mostrando para o mundo sua contribuição e que está fazendo sua parte. O Breaking não vale uma medalha olímpica, ele vale muito mais que isso. Quantas vidas o Breaking salvou? Resgatou? Vale reforçar o Breaking? Sim! Vai ter marketing? Sim. E vai ajudar muito? Vai. Só que eu espero que eles nunca coloquem como uma modalidade olímpica, mas sim uma modalidade cultural, que tem que ser respeitada como cultura. Eu não troco a minha cultura, o meu Breaking que eu aprendi, por uma medalha olímpica. Mas tudo bem, é melhor os jovens estarem na Olimpíada do que estarem numa cadeia se desviando do caminho certo. Então, é viável! É legal, sim, mas como uma modalidade cultural! Não como esporte!
BW: Que mensagem você deixaria para a nova geração de B-Boys e B-Girls?
Danzinho: A mensagem para a nova geração é o seguinte: B-Boy, B-Girl do Brasil e até do mundo, não existe B-Boy ou B-Girl ruim, existe B-Boy mal treinado, vocês que são arte-educadores, professores de dança de rua, principalmente de Breaking, prestem atenção no que vocês estão passando para a nova geração. Principalmente como fazer alongamento, eles devem ser preparados para treinar o Breaking e o Power Move. Vamos nos profissionalizar, vamos estudar, vamos tirar o DRT e amar a dança sem deixar de respeitar o pai, a mãe, isso é o principal para você ser um bom B-Boy ou B-Girl. Sempre respeite o próximo! O respeito vem em primeiro lugar! Aqui é uma mensagem do B-Boy Danzinho, família Detroit Breaker Power Move Brasil, para toda a rapaziada do Brasil e do mundo. É nós! A minha história dentro do Breaking não foi fácil como não é fácil para muitos que estão aí na periferia. Paz!
Fotos: Arquivo Pessoal/Cadu Barbosa/William Machado/Fabiano Minu
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