No Breaking, o domínio da técnica é fundamental para o sucesso em competições e/ou cyphers, quando falamos de execução de tal movimento ou na apresentação de uma session limpa e harmoniosa. Para se formar uma B-Girl ou um B-Boy muito hábil tecnicamente é preciso que, antes, se invista nos fatores físicos.
A técnica no Breaking defino como o domínio completo das estruturas motoras econômicas nos fundamentos e em movimentos, dos simples aos complexos, sejam eles nos planos alto, médio e baixo, com a junção da habilidade e destreza durante a realização de tal movimento, considerando o resultado máximo a ser atingido nas mais difíceis condições da competição ou em cypher. Executar movimentos ou passos ágeis, rápidos, eficazes que os tornam em um nível técnico elevado.
Na aprendizagem é importante que o aluno passe por 3 fases:
Fase pré-motora: Preparação do ato por estabelecimento de um programa motor (visualização do movimento, passos e ou freezes). Aqui se dá início ao condicionamento físico, ou seja, preparar a B-Girl ou B-Boy antes de iniciar a execução de certos movimentos. Um exemplo: na fase de aprendizagem do “Flare”, precisamos trabalhar alguns grupos musculares como abdômen, flexões de braços, costas e dos exercícios de esquadro e prancha.
Fase motora: Realização de programas motores. Aqui o aluno vivencia e experimenta o que antes só havia em sua mente. Muito importe receber estímulos verbais e visuais.
Fase pós-motora: Apreciação do movimento. A B-Girl ou B-Boy julga se o que fez pareceu ou não com aquilo que lhe foi ensinado. Caso encontre falhas no seu movimento, poderá então estabelecer um novo processo motor, ou seja, seguir outros caminhos para que se entenda e execute o movimento “correto”.
O arte-educador ou treinador poderá e deve corrigir o gesto motor do aluno durante ou após a execução do movimento.
A memória é indispensável a todos os processos de aprendizagem e de adaptação, pois a B-Girl ou B-Boy só mudará o seu comportamento se comparar a nova informação recebida com os modelos antigos que já trazia consigo e assim formar um novo projeto em sua mente.
O arte-educador ou treinador deve, logo no início do trabalho com aquele aluno, instruí-lo a executar a técnica do movimento mais eficaz e econômica na realização daquela tarefa para, mais tarde, permitir os ajustes pessoais de estilo de cada aluno ou atleta. Nesse ponto, o educador/treinador passa a corrigir o dançarino baseando-se na sua técnica individual.
Para que sejam possíveis correções motoras precisas, deve-se utilizar mecanismos de controle como filmes, fotos, vídeos e visualização presencial. O processo de aprendizagem técnica deve prosseguir sem muitas pausas prolongadas entre as unidades de treinamento, senão a eficácia do treino poderá diminuir.
O treinamento técnico deve ser feito em estado repousado. A quantidade das repetições de exercício deve adaptar-se às bases condicionais e a capacidade de concentração, um sistema nervoso central cansado não permite uma concentração ótima.
Vejamos agora os motivos que podem levar a B-Girl ou B-Boy a estagnar ou mesmo retroceder em sua evolução técnica: Uma técnica defeituosa impedirá que coloque suas potencialidades físicas (força, flexibilidade, resistência, etc.) crescentes a execução de uma “session” (performance) específica superior.
Motivos:
Participação precoce em competições: A participação muito precoce em competições quando a técnica ainda não está suficientemente estabilizada, pode influenciar negativamente a evolução técnica, pois o aluno irá repetir estruturas motoras “falsas” pelo stress da competição (especifico na fase inicial);
Sobrecarga informativa: Pelo excesso de informação verbal, pode ocorrer uma “regressão sensório-motora”. Isso acontece quando, nos eventos, várias pessoas querem ensinar do seu jeito, isso causa indiretamente sobrecarga de informação e confusão na hora de executar. A prevenção seria a redução da informação verbal e pausas suficientes para a elaboração;
Sobrecarga por fadiga: Muita instrução técnica combinada com um esforço físico intenso pode produzir a “regressão motora por fadiga”. A prevenção seria controlar os níveis de intensidade do treinamento físico e técnico.
Carências de informação: O aluno produz um projeto motor falso, ele não compreende o que seria o correto e assim não pode compreender as correções e demais instruções. A prevenção seria fazer um controle da compreensão dos alunos a cada novo ponto ensinado e fazer perguntas que estimulem o aparecimento de dúvidas.
Carências de motivação: Atenção insuficiente, falta de vontade interior. A prevenção seria uma instrução pedagógica suficiente, compreensiva e estimulante.
Carências de condição: Se o aluno não está maduro o suficiente para aquele tipo de treino ou se fisicamente não se encontra bem, a aprendizagem da técnica será prejudicada. A prevenção seria a melhora das condições físicas e a aplicação de instruções compatíveis com o estágio de desenvolvimento do aluno.
O caminho para a perfeição técnica no Breaking, em primeiro lugar, passa pelo nível inicial da técnica e pelas experiências motoras adquiridas. A B-Girl ou B-Boy, com melhor treinamento em coordenação motora e condicionamento físico, aprende mais depressa a execução tecnicamente correta do que outros que possuem um repertório de movimentos menor, uma base coordenativa restrita e condicionamento físico baixo. Portanto, é muito importante o trabalho precoce no sentido de ampliar o repertório de movimentos e aperfeiçoar as técnicas básicas de execução dos mesmos.
Fotos: Coelho BDA e Arquivo Pessoal
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Em nossa atualidade, reflete-se pouco acerca da formação e da permanência do feminino dentro do universo Hip-Hop, uma vez que a grande maioria dos precursores dessa arte são pessoas do gênero masculino e heterossexuais. Pensar o corpo feminino dentro da cultura Hip-Hop, com suas nuances e performances, seria uma forma de desnudá-lo sem as amarras das normas da sociedade. Dado que essa cultura funciona como forma de construção política da voz, mas diante do contexto histórico em que estamos inseridos, demanda-se tecer nossas narrativas a fim de (re)criar encaminhamentos para a construção de uma política do empoderamento para o Breaking na perspectiva do gênero.
Para tanto, necessita-se compreender que o primeiro confronto do ingresso e permanência de mulheres na cultura é o reconhecimento que se dá pela sua participação, sendo que seu espaço de validação é a rua e a noite, historicamente é o lugar de marginalização das mulheres, principalmente as de cor. O segundo confronto é dentro da dança, a mulher passa pela batalha do próprio corpo educado na delicadeza, rompendo com os valores femininos que proíbem as meninas de dançar até o chão ou de se expressarem com movimentos bruscos, fortes e compulsivos.
Parece-me fundamental (re)pensar acerca de como essas formas de controle refletem na constituição das nossas famílias, uma vez que, “politicamente, o Estado patriarcal, supremacista branco, toma a família como base para doutrinar seus membros com valores favoráveis ao controle hierárquico e à autoridade coercitiva”.
Promover a desconstrução de gênero dentro de nossa sociedade racista e sexista, possibilita o rompimento desse ideal de família que tem servido como forma de controle do Estado. Isso tem sido uma das pautas do feminismo negro interseccionado, em que prioriza-se o combate aos estereótipos ou imagem de controle por meio de uma política sexual, como forma de romper “a conspiração do silêncio” sobre o abuso físico e emocional, sobretudo de mulheres negras.
A luta pela igualdade de gênero faz parte das metas da “Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável”, adotada no ano de 2015, para o alcance da igualdade de gênero que estão concentradas no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e transversalizadas em outros 12 objetivos globais, definidos pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Nesse sentido, a ONU Mulheres lançou a iniciativa global “Por um planeta 50-50 em 2030: um passo decisivo pela igualdade de gênero”, com compromissos concretos assumidos por mais de 90 países. O Brasil foi um dos primeiros países a aderir à iniciativa, por meio da sanção da tipificação do crime de feminicídio. Nosso histórico de violências que recaem sobre o corpo da mulher e principalmente da mulher preta são refletidos em histórias de lideranças, como Beatriz Nascimento, Marielle Franco e tantas anônimas que se foram, vítimas desse “feminicídio à brasileira” que está em uma crescente em nossa atualidade. Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2019, mostram que a maioria das vítimas são pobres e negras, ou seja, há um recorte nesses índices de classe e de raça.
Diante disso, vale ressaltar que, todos os dias, temos notícias dos diversos tipos de violências que recaem sobre o corpo da mulher. Consequentemente, não é diferente dentro da cultura Hip-Hop, especificamente na dança Breaking, a maioria das mulheres em diálogo conosco sofreram algum tipo de abuso: seja entre seus pares oriundos desta cultura, seja por percussores dessa cultura que usa da sua posição de poder para assediar as jovens.
Há urgência em inserir a pauta feminista dentro de nossa cultura, uma vez que os casos de violências entre nossos pares aumentam diariamente. Ciente de que um dos mecanismos de ruptura dos padrões impostos em nossa sociedade tem sido a cultura Hip-Hop, como pode-se observar nas ações de combate ao Covid-19 realizadas por guardiões e guardiãs das favelas, que são em sua maioria percussores dessa cultura e estão à frente das ações sociopolíticas de impactos diretamente relacionados à justiça social.
Isso implica dizer que necessita-se compreender a trajetória da mulher no contexto da cultura Hip-Hop, a fim de romper com a norma institucionalizada pelo hegemônico sobre a categoria mulher. No caso da carreira artística da mulher preta e periférica, envolve ainda perceber que o terreno de luta pelo poder ocupa uma profissão que foge ao lugar subalternizado de inferioridade destinada às mulheres e, principalmente, as mulheres negras, podendo funcionar como uma via emancipatória relevante.
Espera-se, em última instância, com essa reflexão, contribuir para a melhoria da formação de lideranças femininas no Breaking, a fim de que se possa colocar em prática programas que auxiliem a mulher no que tange ao acesso, a qualidade e a equidade do Breaking no Brasil.
Foto: Arquivo Pessoal
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Descubra o que acontece nesses minutos com os jurados e como entender melhor os critérios de julgamento durante uma batalha de Breaking
Então você, B-Boy e B-Girl, passam horas treinando, melhorando o desempenho, limpando movimentos, montando sessions mais elaboradas, se preparando para participar de mais um grande evento, afinal, competir além de se divertir significa mostrar para o que veio, apresentando o melhor de sua dança naquele momento, para os jurados e para o público presente. Além da adrenalina que envolve a situação, do esforço físico e psicológico, é importante lembrar que também existem os custos com inscrição, depois gastos com transporte, alimentação, hospedagem, entre outros detalhes que acabam sendo necessários, tudo isso sem ter a certeza do que vai acontecer, pois uma série de fatores podem interferir no resultado final. E como entender o que se passa na cabeça dos jurados e que critérios vão usar na hora de escolher o campeão? Afinal, “de bunda de neném e cabeça de jurado nunca se sabe o que pode sair”. Mas, pensando nesse momento muitas vezes angustiante para quem dança e também para quem vai julgar, o Portal Breaking World resolveu convidar três grandes nomes do Breaking brasileiro para um bate papo esclarecedor sobre o assunto.
O primeiro procurado pela nossa redação foi o B-Boy Amendoim, que dança há 22 anos. Ele lembra que já foi mais difícil julgar uma Batalha, mas admite: “Com a experiência que adquiri esses últimos anos, não digo que se tornou algo mais fácil, mas se tornou algo mais justo e com critérios que atribuí para fazer um melhor julgamento. Levo em consideração o que é feito e não o que o B-Boy ou B-Girl deixou de fazer. Por exemplo: “Poxa Amendoim, eu fiz Top Rock, “Foot”, Tricks e Power e meu adversário só fez Top Rock e Footwork, por que você votou nele?”… Muitas vezes, a pessoa se preocupou somente com a variedade de passos que vai mostrar para o jurado e não trabalhou qualidade, limpeza e personalidade neles. Muita coisa na dança não é o que você faz, mas sim como você faz, não adianta mostrar um repertório cheio de coisas com grau de dificuldade, tendo muito crashes ou errando a sequência, não posso votar na tentativa de acerto porque é algo difícil. Outra questão é se preocupar com a própria dança e não com os jurados ou com o outro que está competindo. O fato de eu trabalhar na “Powertubemoves” (maior canal de tutorial de Power Moves da América Latina) confunde muito a cabeça das pessoas, acham que pelo fato de eu trabalhar com Power Moves eles devem fazer Power Moves na hora da Batalha para ganhar meu voto e acabam deixando de ser elas mesmas para querer me mostrar algo que eles treinaram e fazem bem. Sempre que posso, lembro que o B-Boy ou B-Girl deve estar com o foco nele mesmo e não nos outros. Eles são responsáveis pelos próprios sonhos e não os outros! Dancem, estudem, se divirtam e não se cobrem tanto. Como jurado, algumas vezes fui questionado, já encontrei erro de voto após assistir vídeo de uma batalha que julguei, porém, batalha é algo muito complexo, tem aquele lance de quem é espectador e quem está avaliando, ambos olham diferente para a batalha e a emoção ao vivo é diferente. Dificilmente dou “Tie Break” em uma batalha, sou bem chato nessa questão e guardo bem a minha opinião para que eu possa dar um feedback para quem eu avaliei e tenho costume de me avaliar como jurado também e isso me ajuda muito nas decisões”, conclui.
B-Boy Amendoim
Perguntamos ainda para o Amendoim o que lhe chama atenção numa batalha, o que deve ser apresentado e o que não pode acontecer de forma alguma: “O Breaking em si me chama atenção como um todo, tanto battle de iniciantes, B-Girls, B-Boys, Crew. A energia da pessoa é algo contagiante, o dançarino não precisa ter um nível absurdo, mas a energia e a felicidade de estar ali curtindo aquele momento, ganhando ou perdendo é o que mais me admira hoje! A pessoa pode fazer uma cambalhota que seja, se era aquilo que ela queria mostrar está ótimo, só não aceito desrespeito e agressão. Teve uma batalha que um rapaz empurrou o outro na maldade e no meio da batalha já dei meu voto, sem aguardar o término, isso é batalha de Breaking e não MMA”.
Sobre a forma que são escolhidos os jurados pelos eventos, Amendoim falou: “Estudar a história de quem ele está chamando, saber o entendimento dele na cena, experiência dele com batalhas e se está ativo no cenário. Grande parte dos eventos não estão priorizando bons jurados, apenas visualizando quem é influência na internet e tem um “hype” nas fotos e acabam sendo chamados para o trabalho. Em meus eventos sempre convido pessoas que conheço o entendimento de dança dela, vejo quais eventos já julgou, qual foi o feedback, trago pessoas que tenham uma posição mais profissional para tamanha responsabilidade”, finaliza.
A responsabilidade de julgar um evento, de fato, é grande também, concorda a B-Girl Nathana Venancio, outra profissional da dança que convidamos para fazer parte dessa matéria. Ela lembra: “Quando somos jurados, estamos julgando a dança e a arte de outra pessoa. No meu ponto de vista, a arte é difícil de ser julgada, porque cada indivíduo, cada B-Boy e B-Girl, está se expressando e defendendo o seu estilo, acredito que ali na batalha é só um momento, isso não me mostra quem é o melhor, e sim só quem está melhor ali naquele momento, então eu tento ser o mais justa possível e imparcial, não vejo a pessoa como meu amigo, irmão ou conhecido e sim como profissional. Em uma batalha eu analiso tudo: a musicalidade, fundamentos, dinâmica, flow, flava, sentimento, originalidade, presença, domínio do espaço e etc”.
Nathana tem 13 anos de dança, conheceu o Breaking por meio de um professor de dança de rua, que foi um dos seus mentores na dança. No início não foi fácil. Ela conta: “Eu era muito nova e os treinos eram à noite e a grande maioria eram homens e isso incomodava a minha família, mas eu consegui vencer esses obstáculos, depois, comecei a evoluir e viajar, e isso me motivou a não desistir e sempre avançar e ir além”, afirma. Hoje, Nathana representa a “We Can do It B-Girls” e “Rock Niggaz”. A “We Can do It B-Girls” é uma crew somente de B-Girls, inclusive, ela é uma das fundadoras, juntamente com a B-Girl Bibi e a Day, “meninas inspiradoras”, segundo Nathana. Ela lembra: “São B-Girls que têm uma história de superação incrível e são a minha família. A “Rock Niggaz” também é uma família, assim como a “We Can do It B-Girls”, cada um mora em uma cidade diferente e mesmo morando longe isso não é um empecilho, admiro todos da Crew e são inspiração para mim também. Nós, mulheres, geneticamente somos diferentes, porque o corpo de uma mulher é diferente de um homem, porém, para mim, enquanto estou numa posição de jurada em uma batalha, não vejo isso como diferença, vejo todos como iguais, porque todos treinaram e estão ali para mostrar sua arte, e como falei anteriormente, ali vai ganhar quem estiver melhor no momento. Quando estou na posição de B-Girl, já aconteceu de muitas vezes ficar revendo o vídeo várias e várias vezes, para ver aonde eu errei e porque eu perdi, às vezes pergunto aos jurados como me saí, mas vejo isso como o momento e vejo que cada jurado tem uma opinião diferente, então, eu respeito isso e volto para casa e continuo treinando, na realidade perder me motiva a evoluir. Estamos sempre evoluindo, no caso das mulheres a cada dia crescendo mais o número de B-Girls e isso me motiva, só acho que as B-Girls poderiam se arriscar mais a participar de batalhas “1 versus 1”, porque para mim quando se trata da dança somos iguais. E, bom, da minha parte não tive preconceito com jurados por eu ser mulher, já tiveram situações de B-Boys desacreditarem de mim em uma batalha e acabarem perdendo por isso. Então, aconselho: continuem treinando e, principalmente, participando de batalhas aqui no Brasil, porque assim você vai se tornando mais experiente e crie estratégias de batalha. Pesquisem sobre editais que possam apoiar nesse sentido, para conseguir viajar para fora, não dependam somente de eventos para não se frustrarem”, conclui.
B-Girl Nathana
Decepções faz parte da vida, faz parte do aprendizado e às vezes se tornam inevitáveis, como, por exemplo, em determinados eventos onde já existe um favoritismo ou um nome mais conhecido. Nathana relatou que isso existe não só no Brasil, mas que no mundo todo tem sempre aquele B-Boy ou B-Girl favorito a ganhar o evento, o nome ajuda muito nesse momento, porém, é possível mudar isso. Ela cita um exemplo de um B-Boy da Ucrânia, o Kuzya: “Ele não era conhecido e estava em um filtro no “Unbreakable”, que acontece todos os anos na Bélgica, e conseguiu passar no “Top 16” e ganhou esse evento, que é mundialmente reconhecido. E isso sem ser conhecido, chegou e fez o seu melhor e acabou surpreendendo a todos e aos jurados, ou seja, dê sempre o seu melhor em uma batalha como se fosse a última”, finaliza.
Para Rodney Miranda, conhecido como B-Boy Ruddy, da “Killa Rockers Crew”, ele recorda o rapper Emicida em uma de suas músicas quando diz “nem todo mundo que tá é, e nem todo mundo que é tá”.
“Mas muitos também realmente treinam para estar lá. É possível quebrar as panelas que existem. Se você já sabe que o que vai acontecer no evento, não vá, mas procure outros lugares para se sentir bem e não frustrado ou desmerecido. Ou, então, treine muito, vá lá e ganhe sem deixar nenhuma dúvida, para que todos vejam. Falta estrutura a muitos eventos aqui no Brasil, temos poucos profissionais capacitados para julgar uma batalha de Breaking aqui. Nunca é fácil julgar uma batalha de Breaking, por ter vários momentos e sentimentos diferentes. Meus critérios para julgar são simples: o B-Boy ou a B-Girl tem que estar contando sua história por meio de passos, limpeza e criatividade de seus passos. Acho que está se perguntando: “é a originalidade?”… Se eles tiverem contando suas reais histórias por meio dos passos, creio que não vai ter como não ser original, você pode sentir isso. O que me chama a atenção em uma batalha é a energia da pessoa, mesmo que o clima esteja pesado ou tranquilo, essa energia transcende a todos que lá estão. O que for apresentado deve ser algo inovador, sempre com um sentimento real. Agora, o que não pode acontecer de forma alguma é o desrespeito. No passado, já fui uma vez desrespeitado. Mas para mim, isso se resolveu de uma forma bem simples: vamos para cypher (roda) onde resolvemos isso. Dançando e foi dessa forma!”, conta o B-Boy e continua: “Mas antes de confirmar a presença em um evento, veja se o evento é confiável ou se você vai apenas se divertir nele. Mas, falando de bons conselhos, creio que no Brasil temos muitos talentos. Digo a cada B-Boy ou B-Girl trabalhar com o que tem. Aprendam os valores, as histórias e contem a suas histórias, através delas, realmente como elas são. Sejam únicos! Nos vemos nas cyphers da vida!”, conclui.
B-Boy Ruddy tem 24 anos dançando Breaking, começou a dançar com 6 anos de idade, ensinado pelo irmão. Foi vencedor dos Campeonatos Internacionais “Battle Weekend” (Alemanha), “Hip-Hop Side” (Alemanha), “El Bosque City” e “Sudaka Break Dance” (Chile). Sua Crew, “Killa Rockers Crew”, foi premiada duas vezes como a Melhor Crew da América Latina. Já foi jurado dos eventos: “Rival vs Rival” (São Paulo), “Batalha Final” (São Paulo), “Battle In The Cypher” (Jaraguá do Sul), “Sintrome Del Beats” (Chile), “Sur Breakers” (Chile), “Breaking da Paz – Abaetetuba” (Belém) e “FDL Jam” (Argentina).
Fotos: Arquivo Pessoal
B-Boy Ruddy
B-Girl Nathana
B-Boy Amendoim
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Desde o começo dos anos 1970, os DJs (sigla para Disc Jockey e que deve ser pronunciada “dee jay”) são responsáveis por comandar as festas, por manter a boa vibe nos eventos. Os primeiros registros da função de DJ estão ligados à Cultura Hip-Hop, nomes como o de Kool Herc, considerado o pai do Hip-Hop. Jamaicano, Clive Campbell (verdadeiro nome de Kool Herc) nasceu em Kingston, em 16 de abril de 1955, foi o responsável por organizar e animar as festas que deram origem a todo um movimento cultural que ganhou o mundo a partir do Bronx, em Nova York. Kool, junto com Grandmaster Flash, eram os “donos” da rua e dos discos que faziam a festa da rapaziada do bairro. Foram eles os primeiros DJs, que com dois toca-discos começaram a “encaixar” uma música na outra, sem que isso fosse perceptível. Para manter o público empolgado era preciso mais que música, era necessário tocar a vida das pessoas e alegrá-las por meio dos toca-discos, como os “toastes” jamaicanos, que incitavam o público falando rimas ao microfone, foi aí que apareceram os primeiros MC’s, os “mestres de cerimônia”. Mais tarde, essas duas manifestações, somadas ao Breaking e o Graffiti, dariam origem ao que chamamos de Cultura Hip-Hop.
Sem os DJ’s talvez o Breaking nunca tivesse existido. Essenciais dentro da Cultura Hip-Hop e nas batalhas de MC´s e de Breaking, os DJ´s são a alma e o coração desses momentos mágicos vivenciados por MC’s, B-Boys e B-Girls de todo o mundo. Sempre munidos de um par de toca-discos, um mixer, um notebook e muitas músicas, seja no vinil, MP3, pendrive ou em qualquer outro recurso tecnológico que armazena arquivos musicais, eles comandam a festa, as pistas e as rodas!
É de se lamentar que hoje em dia, ainda, algumas pessoas banalizem essa profissão e sem informação não reconheçam a sua importância dentro da cena. Em recente entrevista, o DJ Erick Jay, que está entre os melhores do Brasil, desabafou: “Acho que falta uma educação musical e uma valorização da música mesmo. Quantas vezes já ouvimos uma música em alguma festa que mudou nossas vidas? O DJ tem a função de divertir, mas também de compartilhar informação. Falta reconhecimento. A nossa profissão é muito séria, não pode ser banalizada como um monte de gente faz”.
DJ Ninja, que começou na década de 1980, concorda e ainda acrescenta que não é nem falta de respeito, mas sim de informação: “É uma profissão muitas vezes ingrata, são poucos que nos respeitam. No meio dos dançarinos é verdade que muitos têm consideração, mas sempre aparece um engraçadinho. Meus professores foram os discos e o ouvido, naquela época não tinham as informações e tecnologias de hoje, era tudo feito na raça, quem sabia algo guardava para si. Eu ia nos bailes, nas festas e via as viradas dos DJ’s e nos programas mixagens perfeitas, aí eu pirava! Até que um dia eu consegui comprar dois toca-discos e um mixer e parece que estava no sangue mesmo, quando mixei minha primeira música com um mês, foi muito gratificante. Como tudo, no começo era difícil, lembro que na época carregamos muito peso para tocar, mas os resultados eram gratificantes, pois eu ralava muito e gostava do que fazia. Hoje em dia continua sendo gratificante, tiveram certas coisas que mudaram para melhor e algumas vieram para acomodar nossas vidas. Atualmente, levo um HD com quase 100 mil músicas, muita coisa mudou, se no começo eu fosse fazer isso ia precisar de uma carreta! (risos)”.
DJ Ninja e DJ A.G. Naja
Ninja recorda: “Algo que nunca sai da minha cabeça é quando fui tocar na Argentina, senti muita diferença, quando eu acabei de tocar nos rachas os B-Boys foram todos me agradecer e aí eu escutei uma coisa que nunca mais saiu da minha mente, eles falaram que era muito gratificante dançar em músicas diferentes, porque isso melhora o nível deles, totalmente inverso com a cena que rola no Brasil. Eles, além de valorizarem o DJ, enfrentam o desafio de dançar no ritmo das músicas e falavam que não tinha graça ir dançar nas batalhas com as mesma músicas do treinos”, conclui.
Além das festas dos eventos, DJ Ninja foi da primeira geração da São Bento, local importante na história do Hip-Hop brasileiro. Ele afirma: “A São Bento, não parece, mas ela é um lugar sagrado! Quando toco para os B-Boys, danço com eles! Quando escolho as músicas, vou muito no feeling da bagagem, falo muito com dançarinos também e é importante entender um pouco do gosto deles, só assim eu consigo agradar e criar um vínculo de respeito entre DJ, dançarino e público! Capto energia dos dançarinos e, ao mesmo tempo, eu respondo com os sons e nas batalhas me sinto ali, batalhando com eles, quando rola um som e a galera agita, aí fica muito melhor, até dá arrepio! A adrenalina fica à mil. O nosso trabalho é essencial para que tudo saia perfeito. Sem ele é como imaginar um corpo, que não respira, não tem alma e nem coração!”, finaliza o DJ, que juntamente com o DJ A.G. Naja são residentes e comandam as pick-ups nos encontros da São Bento, tradicionalmente com vinyl.
Para Jab Cut, que iniciou a carreira de DJ na própria dança, como B-Boy, a questão é simples. Ele fala: “A essência do Hip-Hop é a festa. Sendo assim, o DJ tem um papel determinante nisso tudo. Sem o DJ não existe festa e numa batalha de Breaking, isso não é diferente. O DJ é quem dá o tom da festa, da batalha e da pista e isso precisa ser respeitado sempre! Ser DJ é uma profissão respeitosa, porém desvalorizada. O DJ é essencial e fundamental para o Breaking, pois sem ele não existiriam os Breakers e nem a energia das pistas. O DJ é considerado pela maioria da cena como um elemento muito importante para o Breaking, mas na prática não é o que vemos. Muitos organizadores de evento tem facilmente substituído o DJ por um pendrive com playlists automáticas. Então, se as pessoas e organizadores conseguem substituir o DJ dessa forma, isso quer dizer que o discurso de que o DJ é um elemento importante para o Breaking é um discurso falso. Já me senti também várias vezes desrespeitado, a forma mais comum é quando alguma pessoa do público, sem noção e sem educação, vem pedir música como se fosse obrigação do DJ tocar o que ela quer ouvir. Ou quando o DJ para o som para falar um pouco sobre o seu trabalho e não recebe a devida atenção. Entre outros, temos também os detalhes antiprofissionais como, por exemplo, não pagar o cachê combinado, extrapolar o horário e não oferecer alimentação. Muitas vezes, o DJ acaba recebendo a fama de antipático por não perceber as pessoas falando com ele enquanto toca a batalha. Mas não nos levem a mal, é que nesse momento estamos realmente muito focados no trabalho. É por esse motivo que muitas vezes o local do DJ está isolado e só o pessoal da produção tem acesso. Mas, acreditem, gostamos da interação com o público”.
DJ Jab
Jab conta que o ano de 2007 foi um marco na sua vida com a música, por meio de um amigo ficou sabendo sobre uma entrevista do Mano Brown, que ele falava sobre suas influências e habilidades musicais. Ali, descobriu um novo mundo sobre o que era o Hip-Hop. Naquela época, Jab e seus amigos eram fissurados em Rap Nacional. Ele recorda: “Em nossa ingenuidade, com a nossa pouca informação musical, achávamos que o Rap era o melhor gênero musical do mundo. O comentário de Mano Brown ficou na minha cabeça durante um bom tempo. E, em 2008, quando eu comecei a ter acesso à internet, que também era um meio de comunicação inacessível para muitos, em uma das minhas pesquisas sobre Rap, eu assisti outra entrevista. Essa era do KL Jay falando sobre suas influências musicais e de onde saíram algumas inspirações para suas produções. Ali foi o segundo marco. Entendi que os samples eram nada mais do que as influências musicais dele. Aquilo foi uma descoberta pra mim e me fez repensar tudo o que eu achava que sabia sobre música e Hip-Hop. Foi quando eu comecei a enxergar os outros gêneros musicais ao meu redor e atribuir valor àquilo. Aquela entrevista despertou o meu interesse em querer conhecer mais sobre os gêneros que influenciaram o Hip-Hop e o Rap, saber mais profundamente sobre a música, sobre as suas origens, quem as cantavam e etc. Isso tudo virou um novo universo na minha vida. Eu mergulhei numa pesquisa tão intensa, conhecendo músicas, artistas e suas histórias. Isso mudou muito o meu olhar sobre o Hip-Hop. Na época eu não tinha condições e nem acesso à compra de discos. Eu não fazia ideia de quais eram os caminhos e eu também não tinha ninguém próximo ligado à cultura do vinil. Isso tudo me limitou bastante. Existia também uma grande atmosfera de arrogância entre os DJ’s que tocavam de vinil. Muitos não gostavam de falar o nome dos cantores e músicas que tocavam. Ainda assim, eu continuava do meu jeito com as minhas pesquisas e descobertas. Em 2010, com toda aquela bagagem, passei a levar algumas músicas para o ambiente de treino de dança do qual eu fazia parte. Muitas músicas eram boas, mas algumas precisavam de edições mais adequadas para o Breaking. Meu desejo de levá-las ao treino despertou em mim o interesse em aprender sobre como editá-las, pois eu sabia exatamente onde mexer nas músicas, só não sabia como fazer. Foi aí que um amigo que dança e também canta Rap, o Thimu, me disse que dava para fazer as edições por um programa que ele usava. Ele me mostrou algumas funções e foi o suficiente para eu entender como funcionava. Era tudo muito intuitivo para mim e a minha impressão era como se eu já conhecesse, como se eu já tivesse visto aquilo em algum lugar. A partir daquele momento, eu passei a editar algumas músicas e levar para o treino. Não demorou muito e comecei também a produzir alguns remix”, conclui.
No final do ano de 2011, Jab teve contato com o DJ Gustavo Arantes. E no início de 2012, a convite dele, frequentou algumas aulas e pode conhecer mais sobre a arte da discotecagem. Foi um grande momento, viraram grandes parceiros e realizaram um projeto juntos no 2° semestre de 2012, o “The GroundSession”, que foi realizado no Bar do Netão, na Rua Augusta. Somente no início do ano de 2015 ele adquiriu o seu primeiro equipamento, uma Control S4. Ele fala: “Meu aprendizado passou por vários processos, desde a curiosidade, o conhecimento autodidata e o contato com pessoas que me orientaram e incentivaram. No início de 2015, eu toquei a primeira batalha com os meus próprios equipamentos. Foi a “Batalha das Gangs”. Ali eu já me sentia mais seguro pra assumir o meu lado DJ. Somente no ano de 2016, durante a “Batalha das Gangs” especial de aniversário de 10 anos da “Gang’Style”, que eu de fato assumi pra mim mesmo o título de DJ. Eu ainda tinha alguns receios, mas eu precisava oficializar, pois boa parte da cena já me considerava um ótimo DJ de Breaking. A partir daí, mais convites foram surgindo e no ano de 2018 eu fui indicado pelo público da cena ao “Prêmio BreakSP Destaques de 2017”, ficando entre os três finalistas e não parei mais. Na dança? Nesse mesmo ano fui convidado para discotecar junto aos DJ’s DanDan e Conrado, no evento “Rival vs Rival”, organizado pela crew “AfroBreak”. Nesse evento, eu tornei público o meu afastamento definitivo das competições. Comecei a refletir sobre minha vida como B-Boy também. O “Master Crews” foi a última batalha que eu participei. O ortopedista me alertou sobre uma lesão que tive no cotovelo, que era irreversível e a única forma de prosseguir dançando era dar um tempo na dança para tratar a lesão. Foi uma época muito difícil pra mim. Porém, isso tudo coincidiu com vários questionamentos à competição e o Breaking na minha vida, eu já não estava mais feliz competindo, para mim já não fazia mais sentido batalhar por batalhar, eu não via mais graça no ranço, na rivalidade e comecei a me questionar sobre os porquês da batalha. Foi uma boa fase de reflexões. Muita gente acha que eu parei de dançar, mas não. Eu não parei de dançar, apenas parei de competir. Esse tempo afastado e como expectador amadureceu o meu olhar para coisas que antes eu não entendia dentro da cena e dentro das batalhas de Breaking. Eu realmente mudei o meu olhar em relação às batalhas e muitas outras coisas. Eu decidi que batalhar era uma coisa que eu não queria mais pra mim. Em 2018, fui convidado para discotecar no “The Cypher Jam”, em Berlim, na Alemanha. Lá eu pude entender muitas coisas sobre a cena Breaking. O Breaking pra mim se tornou possível nas cyphers, sem compromisso ou, então, discotecando nas batalhas e festas. Cada evento, cada pista, cada batalha sempre foi uma sensação diferente. É difícil descrever, é uma mistura de responsabilidade, satisfação, orgulho, influência e controle, mas a sensação que sobressai em mim é a de responsabilidade”, afirma.
Jab dá alguns conselhos para quem pretende começar na profissão: “o ideal é frequentar algumas aulas ou curso, vivenciar a prática, instalar um programa de DJ no PC, colar com alguns DJ’s para entender os códigos e notar qual será a sua afinidade, interesse e desenvolvimento nisso tudo. Se você sentir que gostou, isso já diz bastante. Depois disso, é só saber qual tipo de vivência te agradou mais. Hoje em dia é possível atuar como DJ usando diversas plataformas diferentes equipamentos, desde aplicativos para celular até toca-discos, CDJs e controladoras de última geração. A aquisição inicial irá depender do tipo de DJ que a pessoa pretende ser. Cada proposta tem uma necessidade específica e os equipamentos podem ser bem variáveis. E como os equipamentos são sempre muito caros, não dá para sair comprando sem saber basicamente com o que você se identifica. No Hip-Hop, normalmente, o DJ usa um par de toca-discos que pode custar em média de 3 a 5 mil reais; um mixer que pode custar em média de 1 a 2 mil reais; um par de agulhas + shell que pode custar em média de 500 a 900 reais; e em muitos casos um notebook compatível que pode custar em média de 3 a 8 mil reais. Fora as outras necessidades e suportes técnicos. Lembrando que essa é uma média bem básica e esses valores podem variar. Uma alternativa mais barata a isso tudo é a controladora. Eu não posso afirmar com toda certeza, mas acredito que eu fui o primeiro DJ em São Paulo a tocar com CDJs e controladoras em batalhas de Breaking, quebrando o protocolo de tradição do uso de toca-discos. Existem no mercado várias marcas, de todos os preços, mas mesmo assim é necessário saber com o que você se identifica para poder comprar a controladora mais compatível. Afinal, cada um tem seu estilo e o DJ toca ali a história e a pesquisa dele. As pessoas que dançam, dançam ali suas próprias histórias. E lembrem-se: sejam humildes, respeitosos, pesquisem e estudem a história do Hip-Hop e dos elementos artísticos da nossa cultura. O Hip-Hop evoluiu muito e provavelmente já não estamos mais falando apenas de Hip-Hop. Já é possível dizer que estamos falando de uma provável Cultura Pós Hip-hop, principalmente aqui no Brasil”, finaliza.
DJ Jab
DJ Jab
DJ Jab
DJ MF
Na opinião do DJ MF, tocar exige tanta habilidade quanto dançar. São dele as palavras: “Comecei aos 14 anos, toquei em alguns grupos de Rap. Mas, aos 25 anos, me profissionalizei e a minha base de formação tive ajuda do Grandmaster Nice, DJ Ninja e DJ KL Jay, me dediquei muito para saber o que sei hoje em dia. A importância do DJ na cultura Hip-Hop é histórica, dentro dos campeonatos de Breaking é o principal elemento, pois pode estimular ou desestimular quem está dançando. Temos uma responsabilidade com aquele B-Boy ou B-Girl que está executando seus movimentos. Participei da “Hip-Hop DJ”, “Quartz” e “Liga dos DJs” como participante e organizador, “Batalha Final”, entre muitos outros. Sempre atrás dos toca-discos me sinto realizado, pois quando se ama o que faz não há como ter outro sentimento. Na nossa atividade, devemos estar antenados em tudo, principalmente nas nossas responsabilidades, conhecer os B-Boy e B-Girls, identificar as tendências do Breaking, não tentar se destacar mais que os B-Boys. Um erro grave que um DJ não pode cometer é trocar a música no meio de uma session de um dançarino”, finaliza.
De Santos, cidade do litoral de São Paulo, o B-Boy e DJ Cristiano Silva, conhecido na cena como “Cachorrão” ou DJ Dog, da Dynamic Breakers, uma das Crews mais importantes do litoral, reforça a ideia do DJ MF a respeito da mudança de música: “Existe uma diferença muito grande entre tocar em batalha ou outras ocasiões, existe uma preocupação enorme numa batalha, porque qualquer deslize você pode prejudicar a entrada do dançarino e eu sei que isso não é legal, eu sempre exijo um bom ângulo para acompanhar entrada por entrada e não virar a música no meio de uma performance, pois o dançarino já espera o beat ou refrão para um movimento de impacto. É importante tomar cuidado com o excesso de scratch durante as músicas, na hora de soltar a primeira música, pode fazer na hora de um beat, até valoriza um freeze ou stance, 30% de scratch já é demais. Ficar atento a cada round, entrada e saída de cada B-Boy. Acredito que a diferença é visível quando o DJ já foi ou é dançarino e está conectado com o que está acontecendo na batalha”, opina. Cachorrão começou como “DJ de notebook”, se tornou DJ profissional em 2016, quando conseguiu comprar o primeiro equipamento, mas o interesse na arte da discotecagem já vinha desde os anos 90, onde um outro DJ chamado Gripa atuava em um grupo de Rap formado por integrantes da crew de Breaking que ele fazia parte. Recorda: “Conheci grandes nomes da Baixada Santista e São Paulo, como Tijolo, Gato Magro, Mamuth, MC Jack, Heliobranco, Ninja e inúmeros amigos que foram inspirações. Mas assim que adquiri meu setup, comecei um curso certificado pelo DJ Mamuth, onde aprendi muitas coisas, não só a manusear o equipamento, mas uma visão profissional sobre a discotecagem. Meu primeiro campeonato foi a “Roda de Breaking”, organizada pela “Mad Feeling Crew”, em 2016. Nervoso, pois havia participantes do Peru, então me senti em um campeonato de nível gringo, sendo o meu primeiro tinha muitos medos, que foram superados ali. Mas nunca parei de dançar e nem pretendo, o Breaking sempre foi minha primeira paixão dentro do Hip-Hop, na última batalha que teve em Santos, em 2018, atuei como DJ e participei da batalha, o ano estava acabando e eu estava tocando em praticamente todos os eventos da baixada, não podia deixar passar e acabei ficando em segundo lugar. E depois, minha segunda paixão, os toca-discos, sempre que vou discotecar é como se estivesse dentro de uma nave prestes a decolar, no momento que o MC dá o comando “enfarta eles ou solta a pancada DJ Dog”, me sinto parte do meu setup como se estivesse interligado no equipamento e ao mesmo tempo é como se eu estivesse dançando, uma conexão perfeita, a reação dos dançarinos a cada música é sensacional”.
DJ Dog (Cachorrão)
Tempo de conhecimento, estudo e pesquisa tem que existir na vida de um DJ. Dog fala da importância: “Estudo e pesquisa são fundamentais para você conseguir montar bons repertórios e ter uma boa aceitação na cena, o acervo musical do Hip-Hop é riquíssimo, temos os anos 70s, 80s, 90s até os tempos atuais para mesclar o bom gosto com novos temas e bons remixes, acompanhar o que está acontecendo no cenário mundial também é muito importante, como estou dançando e ainda participo de algumas competições, consigo extrair o melhor dos dançarinos, equilibrando as músicas que identifiquem o seu perfil de dança. Criar seu sets visando o ambiente e o público presente, ter o conhecimento do seu equipamento, do programa que você usa como o Serato DJ, Tractor ou Rekordbox vai evitar muitas dores de cabeça para conseguir resolver qualquer tipo de problema que possa acontecer. Quem acha que o trabalho de um DJ é só apertar um botão mostra o quanto desconhece o assunto, aos que dizem isso, peço para que fiquem do lado de um DJ por 5 minutos, apreciando o trabalho, depois sei que vão mudar de opinião. O DJ sempre vai ter uma função importantíssima na cultura, ele comanda toda a energia das festas, cyphers e batalhas sendo dançarinos ou público amante, ele sempre é o primeiro a chegar e deve ser o último a sair, perdem noites pesquisando músicas, preparando repertórios certos para o momento certo. Fora o repertório para as batalhas, separam um repertório para as cyphers nos intervalos, onde a intenção é agradar dançarinos e o público presente, deixando todos felizes até o final do evento”, conclui.
Agora que você já conhece, por meio do Portal Breaking World, um pouco mais do importante trabalho desses “gênios da pista”: “respeite os caras, pô!”. Dance muito até a última música, aproveite a vibe e a energia de cada evento, mas nunca esqueça que por trás de cada picape, de cada festa ou batalha, tem um DJ, que no final merece sua atenção e seu aplauso!
Fotos: Wendel Carmo, William Machado, Divulgação/Arquivo Pessoal
DJ MF
DJ Ninja e DJ MF
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Fui desafiado para escrever uma coluna sobre o documentário “Nem Eu Sei Tudo” (2020, Brasil), que estreou em junho em uma exibição on-line, para evitar aglomerações [devido a pandemia do novo coronavírus].
Penso que seria massa elencar alguns motivos para convencer o leitor desse site a assistir esse filme e por isso vou citá-los abaixo:
O primeiro fator é que o média-metragem mostra o que é a “Nest Panos”, como ela começou há 10 anos e quais são seus propósitos, o que é muito louco porque essa é uma marca de roupas/coletivo que atua com muita força no cenário Hip-Hop de toda América do Sul e é feita totalmente por pessoas que vivem diariamente a cultura, desde a produção e vendas de roupas voltadas para “Street Wear”, produção de eventos, ministrando oficinas em projetos sociais, registrando essa cultura tanto na sua cidade sede que é Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, como em todo o país e continente.
Outra justificativa “da hora” é que o documentário mostra muito sobre o “Battle In The Cypher” e tem muitas imagens fortes da edição de 10 anos e, também, das pré edições no Uruguai e em outros estados, com destaque para São Paulo, na “Casa do Hip-Hop”, todas essas edições ocorreram no ano de 2019.
O “BITC”, atualmente, é um dos encontros de Hip-Hop mais respeitados no Brasil e o filme tem uma sensibilidade de mostrar que é muito mais que uma competição, transmitindo a mesma emoção para a tela, cenas que marcaram quem estava nesses “rolês”.
A parte técnica do filme, produzida pela “Âncora Produções”, também está bem finalizada: som, imagens e um roteiro com muita qualidade, que conta uma história de um coletivo nascido a partir do amor pela Cultura Hip-Hop, em um dos lugares mais contraditórios para isso. Buscam incansavelmente fomentar e fortalecer essa cultura na região, levando seu nome para o Brasil e o mundo.
Enfrentando diversos preconceitos, juntos, persistem na batalha de serem melhores para os outros. Pois acreditam que cultura não se trata do que gostamos, mas sim do que pode mudar vidas, além da trilha sonora que vai desde a nova escola do Rap nacional, como “Síntese”, até o resgate do sempre pesado e significativo som do “Jigaboo”.
Mas o principal motivo para você assistir eu guardo para o final, apesar de seguir o “Nest Panos” e suas ações e eventos, “Nem Eu Sei Tudo” não fala apenas do coletivo e seus agentes, mas fala das ações, sobre fazer o seu melhor pela sua cultura e pelas pessoas.
As cenas de bastidores de eventos, projetos sociais, a maneira de como vencer os preconceitos e a busca por um (necessário) protagonismo das minas nessa cultura são lições que você toma ao assisti-lo. Além da galera do coletivo, o documentário também conta com participações dos Rappers “Miliano”, “P.MC” e “Neto do Síntese”, dos B-Boys “Casper”, “Onnurb”, do grafiteiro “Wagz” além de imagens e homenagens ao “Banks Back Spin” (R.I.P).
“Nem Eu Sei Tudo” é o lema deste filme, pelo qual buscamos sempre aprender mais e inspirar as pessoas e o ambiente ao nosso redor.
Fotos: Nest Panos
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O bagulho ficou doido quando, no final do mês de maio, o B-Boy e Rapper Lucas Lameu, mais conhecido como “Churcks MC”, estreou no YouTube mais um vídeo, dessa vez chamado “Vida de B-Boy”. Depois de uma década sem ninguém escrever sobre o assunto, Churcks resolveu quebrar o silêncio e fazer uma homenagem a todos que têm o Breaking Beat vivo em suas veias.
Para quem não sabe, Lameu nasceu na cidade do interior de São Paulo chamada Assis, conta que começou a dançar Breaking aos 14 anos, mas que só se dedicou à dança um ano depois, quando passou a treinar todos os dias. Sem apoio dentro de casa, Lameu cresceu compreendendo que o Hip-Hop sempre foi visto como algo que não garantia futuro. O tempo passou e hoje a realidade é diferente, ele conta: “Minha mãe gosta do que faço, apoia e entende que foi a cultura que me salvou… Eu, junto com minha crew “Flava Rockers”, já viajamos para diversos campeonatos, ganhamos vários prêmios, tivemos nessa caminhada vitórias e derrotas. Já viajei pra alguns países da América Latina, como Chile, Bolívia, Peru e já rodei uma grande parte desse Brasil junto com a minha crew, dançando. Comecei a fazer rimas entre 2008 e 2010, sempre se inspirando muito em Racionais, Sabotage, Doctor MC’s, Thaíde, Cyphers Hills, Tribe Called Cast, Fushiniks, entre outros Raps nacionais e internacionais, que usávamos junto aos ‘breaking beats’ para dançar nosso B-Boying em cima deles”, e continua, “o Breaking foi o caminho para o B-Boy de Assis chegar também no rap. Na ocasião, rappers como Emicida se destacavam nas Batalhas de MC em São Paulo”. Por meio de um PC bem antigo, nascia um novo MC, o “Churcks”, que começou a curtir essas rimas, a arte da improvisação, até começar a fazer freestyles entre amigos. Foi quando ao mesmo tempo, começou também a ganhar destaque na cena da dança, “se jogando” pelo Brasil e pelo mundo afora. Indo residir então na Capital Paulista, um novo momento começava e com ele algumas dúvidas. Ele lembra: “Comecei a ganhar destaque na cena do Breaking nacional e fiquei dividido, por anos o Breaking sempre gritou mais alto dentro de mim, mas eu nunca deixei de rimar com os parceiros em rodas, entre eu e meus manos, eu sempre estava ali rimando, eles sempre falavam que eu tinha talento e até participei em algumas batalhas de rimas. Mas foi no final do ano de 2019, após todo esse tempo de vivência dentro da cena Hip-Hop, que eu decidi trazer a todos esse meu velho (e novo ao mesmo tempo) sonho de adolescente, pois foi isso que me fez chegar até aqui, tudo que eu vivi ou que eu vi em algum momento, passei a transformar em rima, não faço nada mais que isso… Isso aconteceu quando se foi um conhecido meu que também fazia rimas no final do ano passado, o “Mineiro”, ele era jovem e sonhador, assim como eu, a maldade do mundo e uma doença que mata milhares nessa Terra, levando muitos à depressão, foi o caso dele, o que o levou num trágico dia a tirar a própria vida. Nessa hora eu tive a certeza que não podia esperar mais pra fazer a minha arte! Pois quanto tempo ainda tenho? Quantas vezes vivi uma realidade que não era o que eu queria, drogas, festas, crime, não era isso que me preenchia, era bom na hora, mas o outro dia sempre eu ali sozinho e o Hip-Hop foi, literalmente, o que me salvou e fez possível eu estar aqui hoje”, emociona-se o MC.
Em janeiro, Churcks gravou o primeiro trabalho solo, intitulado “Grana”, música feita por ele mesmo, que conta sua realidade vivendo em São Paulo, onde é possível fazer dinheiro, participar de muitas festas, rolês e relações, que são vazias, mas ao mesmo tempo, segundo o MC, são necessárias para sobreviver na louca “Selva de Pedra” paulistana!
Em seguida, lançou mais seis trabalhos autorais. O último, com grande repercussão, foi uma homenagem feita à propria mãe e às milhares de mães pelo mundo que criam seus filhos sozinhas e não falham nunca na missão. Ele comenta: “Trabalho lindo e feito de coração! A música fala sobre minha história e a de muitos nesse mundão, fala sobre ser criado só pela mãe, uma mulher preta que, sozinha, criou dois filhos, eu e meu irmão Douglas Albert, que tem Síndrome de Down, fala sobre a força da mulher em nunca abandonar a missão de ser mãe. Acredito que bastante gente se identifique, pois são muitos que se encontram sem o nome do pai no RG e que foram criados por uma mulher forte, que não falhou, seja mãe ou avó, mas a mulher mãe para mim é outro nível. O clipe foi gravado tudo em casa mesmo, gravado e produzido por um casal de amigos da cidade de Jales, interior de São Paulo (GG-One Bergamo e Renuza Gonçalves)”.
E agora, o som “Vida de B-Boy”, que Lameu explica: “É uma homenagem a todos que realmente amam essa arte e além disso, é uma forma de levantar a bandeira do Hip-Hop, pois os MC’s da atualidade esquecem muitas vezes dos valores reais dessa cultura e a dança, o Breaking, é um elemento importantíssimo dentro da cultura. O Hip-Hop tem 4 elementos: DJ, Graffiti, B-Boying e MC… Essa música já foi tocada em países como Chile, Argentina, Dinamarca, Espanha e Portugal, acredito que as pessoas estão ouvindo esse, como outros trabalhos, pois eles se sentem representados, sentem verdade no que eu canto e isso faz eles se inspirarem de certa forma, pois é isso que me fez chegar até aqui. No Brasil, hoje ainda sofremos um certo preconceito em questão à dança, por mais que cada vez estejamos inclusos em lugares aonde antes não imaginávamos frequentar, acredito que o Breaking ainda merece mais valor, cachês maiores, apoios, investimentos, eu acredito que é um dos movimentos mais reais da cena. Então, porque não podemos ser valorizados igual a maioria das outras artes ou esportes urbanos? Para mim, meus manos que estão fora do país são a prova do quanto é possível crescer e buscar novos caminhos, novas vivências com a dança, conheço pessoas que de fora do país ajudam suas famílias e porque no Brasil não valorizamos dessa forma? Outra questão que abordo é a importância de ter um estilo próprio, não só na dança, mas isso serve para a vida, tudo que você faz querendo ser o outro te prejudica em poder atingir aquilo que você mesmo pode ser, acho que a arte, a dança em si, especificamente, é algo único, algo muito íntimo e quanto mais natural você for, melhor resultado você pode dar dentro de uma batalha, cypher ou qualquer lugar que vá mostrar sua arte”.
Lucas Lameu
Davi Silva, filho do MC
Churcks MC 'Vida de B-Boy'
Confira a letra da música na íntegra:
VIDA DE B-BOY
Como não vou falar do que me fez tá aqui O Breaking fez ser quem eu sou em forma de freeze Inspiração traz Motivação, Motivação a criação, Treino a evolução, Hip-Hop é união, ou não? Lembro quantas vez eu já sorri Como tanto lembro toda vez que eu já chorei Lembro como se fosse hoje tudo que eu vivi 2006 em Tarumã o primeiro evento que eu participei Ouvi falarem que o Breaking morreu É porque o Breaking não tá sempre na sua TV Pergunta pro Sinistro se o Breaking morreu Quem conhece ele já sabe o que ele vai te responder Hip-Hop é que faz viver, Hip-Hop no trem é o primeiro de SP Meus manos que tão na Europa são prova que Breaking te faz vencer E eu a prova que quem dança também faz R-A-P
Mestre Thaíde já falou e eu repito “Quando eu quero alguma coisa eu vou atrás E vou te dar um conselho, não duvide de mim…” Sabe porquê?
Refrão (2x)
Porque eu sou B-Boying, sou B-Boying, Sob o solo Flava destrói As barreiras, sempre eu esquivo Break Beat é o que me mantém vivo
(Declamação) A dança é uma linguagem universal. Você pode encontrar alguém de outro país, Não trocarem uma maldita palavra E ainda assim dançar a noite toda…
São 15 anos de vivências, uma longa caminhada Viagens sem volta eu me joguei na parada Rodoviárias nem sei, lugares onde passei Amigos que conheci, títulos que eu ganhei Cada passo dessa arte me fascina Cada batalha sempre uma nova adrenalina Eu sou exatamente aquilo que sente ao me ver dançar B-Boy é super-herói que sem asas pode voar Seja estudante, nunca o mestre, Breaking é pra todos Ken Swift te disse, da forma que é mais profunda Quem não entende nossa arte diz que somos loucos Os loucos que mantém a cena mais viva que nunca
Refrão (4x) Porque eu sou B-Boying, sou B-Boying, Sob o solo Flava destrói As barreiras, sempre eu esquivo Break Beat é o que me mantém vivo
(Declamação) Quando você está na roda tudo é perfeito O sentimento de cada batida A música começa a vibrar através de você O tempo deixa de existir E aquele momento você deixa a sua alma junto à música É sua vez, é sua essência em forma de dança E não há problema em querer ser tão bom quanto alguém Mas cada pessoa tem um estilo E você não pode encontrar o seu estilo Se estiver ocupado tentando ser outra pessoa…
(Declamação) Salve Flava Rockers Salve a todas B-Girls e B-Boys que já conheci Salve Nelson Triunfo Salve Thaíde Salve Banks É a essência de vocês que me fez chegar até aqui Gratidão a todo a toda nação Hip-Hop Um salve verdadeiro, Churcks MC.
E o futuro já começou para Churcks MC que conta que, além do amor que tem pelo Hip-Hop, todo o corre e a motivação de sua vida e de seu trabalho têm um nome especial: “Davi Silva”, filho do MC, que tem apenas 3 anos e mora longe, em Macapá. Seu foco é dar uma condição melhor para o pequeno e poder vê-lo mais vezes, pois sente muita falta dele. Churcks está preparando mais três musicas e já adianta em primeira mão os nomes para o Portal Breaking World: “O Melhor de Mim”, “Até Quando” e “Break Hit”. Ele finaliza: “Estou trabalhando como nunca, sei que jamais vou deixar minha essência de lado, humildade e muita fé que as coisas vão acontecer! Eu acredito que o Hip-Hop ainda vive, e eu sou prova disso!”.
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“Somos uma família, onde ajudamos uns aos outros, compartilhamos momentos felizes e tristes, a motivação é caminhar sempre juntos” (B-Boy Suco)
O endereço é na Avenida Portugal, 1.111, no Jardim Pilar, em Mauá, no estado de São Paulo, onde, todas as terças, sextas e domingos crianças e jovens de diferentes idades, personalidades e histórias, se reúnem formando uma grande família. Crianças muito espertas e agitadas, outras mais tranquilas e inocentes e, ainda, aquelas mais agressivas ou tímidas, que aos poucos vão chegando, cada uma com sua história. Descobrindo aos poucos o real motivo de estar ali e o significado de fazer parte de uma grande família. Dessa forma, o Breaking chega na vida de muitos pequenos e grandinhos de comunidades carentes de Mauá, como instrumento de motivação, capaz de transformar histórias em exemplos de vidas a serem seguidos.
Por meio de ações sociais ampliam suas visões do futuro. A ideia nunca foi somente ensinar a dançar Breaking. “Aqui a gente fala sobre o bullying, racismo, digo para essa garotada que eles precisam respeitar os idosos. Ensinamos responsabilidades. Quando alguém chega, tem de dar ‘oi’ para todo mundo”, conta o oficineiro Cesar Massotti, mais conhecido no meio da Cultura Hip-Hop como B-Boy Suco, idealizador e presidente do “Projeto Hip-Hop Educa” aqui no Brasil e em outros países. Suco dança há 26 anos, começou em 1995. Com 13 anos, fazia parte da Mauá Break Crew. Naquela época, as coisas não eram fáceis, eram dias totalmente diferentes dos de hoje: poucos espaços, muita discriminação, o Breaking não era valorizado, sem internet e celular, tudo era mais difícil. Ver vídeos, só em fita cassete e demorava muito para chegar na mãos dos B-Boys, um passava para o outro. Os poucos projetos sociais que existiam na cidade não tinham tanta estrutura.
Suco começou a dançar com a Mauá Break, com os B-Boys Neguinho, Aguimar e Rogerio, eles foram suas referências. Na crew ficou até 2015, quando fundou o “Hip-Hop Educa”. Ele conta: “A real motivação inicial foi o descaso do governo antigo e desprezo com as oficinas que rolavam na cidade, nós tínhamos muitos alunos bons com talentos maravilhosos e que não queríamos perder e foi aí que conseguimos o espaço para dar o pontapé inicial no projeto. Foi com muita fé e trabalho duro que conseguimos colocar tudo em prática. O espaço, que era o mais difícil, conseguimos e a força de vontade das crianças e adolescentes para poder participar era o essencial para dar certo. Dificuldades sempre existiram e temos até hoje, creio que como todo projeto social. O único apoio que tivemos foi dos pais e mães e o responsável do espaço, o Claudio de Lourenço, que nunca nos cobrou um centavo! Muitas crianças já eram minhas alunas ou de outros professores em oficinas e foram convidadas a participar do Hip-Hop Educa. Algumas já tinham experiência com dança, outras não, tivemos que separar e fazer um trabalho diferenciado, ensinando disciplina e postura, entre parte corporal e mental, alguns se adaptaram muito rápido com a parte musical, corporal, criatividade, entre outros aspectos e depois dávamos o início na parte educacional entre os intervalos das aulas e dessa forma a família foi crescendo. Devagar começamos a cobrar também os estudos, responsabilidades, para poder fazer parte da família do Hip-Hop Educa”, conclui o arte-educador. Importante dizer que em todas as aulas do projeto o aluno, desde o início, é ensinado sobre a história do Hip-Hop, quem foram seus precursores e que no Brasil tiveram muitas pessoas importantes para a história do Breaking. Todas as crianças estudam os 4 elementos do Hip-Hop e se aperfeiçoam no que tem mais afinidade. São ensinados na dança sobre os nomes dos passos (Top Rock, Footwork, Freezes) e sobre a importância do alongamento e da musicalidade. Suco declara: “Nosso projeto é bem além do que participar de eventos de Hip-Hop. Somos uma família, onde nos ajudamos uns aos outros, onde compartilhamos momentos felizes e tristes também e a motivação é estar perto dessa família, onde nos reunimos para almoçar, jantar, ir para a praia, chácara ou festas comemorativas e isso é a motivação deles. É claro, também, que os que gostam de competir os apoiamos. Alguns deles são preparados para as competições, mas mesmo os melhores para nos representar, são cobrados a ter uma boa conduta e disciplina com seus companheiros de dança, não queremos campeões apenas, mas sim bons cidadãos, multiplicadores para um bom futuro para nosso país. Mas entendemos que todos os alunos merecem competir também e mostrar sua dança, conhecer aquela energia maravilhosa de estar participando de uma competição e a real importância de que todos nós acreditamos nela, independente de ganhar ou perder. Com essa visão, hoje estamos no Chile, na Cidade de Linares, no México, na Cidade do México e Cidade de Juarez e na Argentina, em Buenos Aires. Nesses locais, não tem uma sede como a nossa, mas o papel dos responsáveis é levar nas escolas, faculdades e comunidades o mesmo modelo e ideologia que temos aqui no Brasil: educar, disciplinar, confraternizar e se divertir, todos junto numa única uma família”, explana o B-Boy.
As ações do “Hip-Hop Educa” não param por aí. No Brasil, ajudam algumas famílias com alimentação, com informações de cursos e até mesmo com vagas de emprego para alguns pais e mães de alunos. Com a pandemia do novo coronavírus, as aulas presenciais foram temporariamente suspensas. Mas o fato de existirem muitas comunidades em Mauá fizeram B-Boy Suco e B-Boy Jhonathan, que também é professor do projeto, juntos, se envolverem em vários trabalhos sociais. Recentemente, tomaram a iniciativa de fazer uma grande ação para ajudar as famílias nesse momento de pandemia. Então, fizeram um mapeamento da região, montaram uma equipe com 10 pessoas e separaram em duplas, indo a diversos bairros da cidade, arrecadando alimentos e produtos de higiene, todos uniformizados, com as camisas do projeto e cartão de visita, o que ajudou muito na hora de dar credibilidade ao trabalho e milhares de doações foram chegando de diversos lugares. O mapeamento foi em várias comunidades de famílias que tinham crianças, portadores de necessidades especiais e idosos, esses tiveram prioridade. Cada cesta básica foi montada conforme a família destinada, mais crianças, mais alimentos, menos crianças, menos coisas e casal de idosos mais o básico, arroz, feijão… Todas as famílias foram cadastradas com nome, bairro e quantidade de crianças. Além do sexo e suas idades, para também a distribuição de doação de roupas. Eles relatam: “Nos locais que as pessoas não estavam usando máscaras, era interessante ver toda nossa equipe de máscara, luva, sendo observados pelas pessoas, achando estranho a nossa preocupação com a Covid-19. Creio na minha visão que para eles a pandemia era de menos, vinha em primeiro lugar a necessidade de ter algo para comer e de tudo isso passar logo, para poder dar continuidade no trabalho e nos sonhos que muitas famílias projetaram para a vida. É complicado você falar para as crianças tirarem seus tênis ou chinelos e deixarem para o lado de fora de casa, se dentro de sua própria casa o chão é de terra, barro e do lado do esgoto à céu aberto. Em relação às nossas crianças, no princípio os pais ficaram meio receosos com o risco do contágio de coronavírus nesse trabalho social, mas fizemos uma reunião, esclarecendo tudo e com a liberação dos pais e uso de proteção (máscaras, luvas e álcool em gel) encararam o desafio e adoraram fazer parte disso, de ajudar as pessoas. A equipe foi selecionada por alguns motivos: para poder participar mais das ações do projeto, para se libertar da timidez, para aprender a se comunicar melhor numa abordagem com as pessoas, sentir e aprender como é tão fácil poder ajudar de alguma forma o próximo, esse um dos papéis do projeto, poder transformar vidas. O trabalho está indo para o terceiro mês e não tem prazo de término das arrecadações, enquanto essa pandemia não acabar. Na cidade já têm várias mortes confirmadas pela Covid-19 e, até o momento, nenhuma família do projeto teve o vírus. Foram montadas 150 cestas básicas, o total de 760 pessoas, com base de algumas famílias com 3, 5, 7 e até mesmo 12 pessoas numa casa e todas famílias que receberam doações, suas casas eram barracos de madeira”, concluem os responsáveis pela ação.
Sobre o futuro, Suco acredita que as coisas vão demorar ainda para voltar ao normal, principalmente os eventos, por conta da verba de patrocinadores neste ano de 2020, mas sobre os espaços de treino acredita que vão aos poucos voltar a funcionar normalmente aqueles que são abertos, mas os centros culturais terão que se adequar à algumas novas regras de higienização. Ele avisa que os B-Boys que trabalham autônomos com shows, eventos, apresentações e comerciais vão precisar ter paciência e outros planos para sobreviver nesse momento. Para quem gosta de competir, os eventos on-line, segundo Suco, são uma opção para não parar tudo e uma forma de quem dança não ficar louco dentro de casa e poder conhecer pessoas, além de se motivar. Quem nunca teve uma chance de viajar para fora do país para participar de eventos internacionais, pode nesse momento competir em campeonatos organizados em outros países, isso alimenta sonhos e a vontade de correr mais atrás de novas conquistas. Ele fala: “Precisamos nos reinventar nesse momento. O Hip-Hop continua vivo e seus elementos continuam salvando vidas! Para mim, o Breaking é minha vida, minha paz, meu motivo de continuar sonhando e poder ajudar pessoas a se transformarem e ter um futuro melhor. Acredito em 3 tópicos: o Hip-Hop me educou, me transformou no que sou hoje e me deu caminhos do bem, me salvou do que poderia vir acontecer. Às vezes, até mesmo antes de conhecê-los, eu tenho irmãos e irmãs, pais e mães de amigos de outros países, que me consideram como filho e têm um carinho enorme por minha pessoa. Então, o Hip-Hop sim é família e por meio do Hip-Hop construí uma família que tenho há 17 anos! Momentos bons e ruins sempre vamos ter em nossas vidas, a coisa mais certa e segura é sempre ter fé em Deus, sabedoria e paciência, tudo passa! Nunca desista de sonhar”, ele finaliza. Para quem desejar conhecer mais sobre o trabalho do B-Boy Suco e do “Hip-Hop Educa” ou tiver interesse em ajudar o projeto, é só visitar no Facebook @cesar.massotti ou @hiphopeduca ou, então, fazer contato pelo e-mail: misticsuco@hotmail.com.
Fotos: Divulgação / Arquivo Pessoal
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Fotografar é eternizar momentos, emoldurar sentimentos engaiolados em pixels e na hora daquele movimento perfeito: Click!
Então, acabou o evento onde você fez aquele movimento incrível que levou o público ao delírio. No dia seguinte, a busca pelas fotos começam e o fotógrafo se torna o cara mais procurado da cena! A fotografia tem esse poder de mexer com as pessoas, eternizar momentos, revelar e emoldurar sentimentos! Muitas vezes tem o peso e é mais desejada do que um troféu! Hoje tão presente nas nossas vidas por meio de celulares e equipamentos digitais, parece algo muitas vezes banalizado, dada a facilidade proporcionada pela tecnologia, mas foi uma das maiores invenções do século XIX. E, na verdade, esse trabalho está longe de ser algo banal.
No caso da dança, fotografar dançarinos não é para qualquer um! Uma imagem borrada é a linha tênue entre uma boa foto e uma foto ruim. O borrão de movimento pode ser o inimigo número um de um fotógrafo de dança. Por isso, quanto mais técnica e conhecimento da dança o fotógrafo tiver, maior a possibilidade de ver nas perspectivas dos dançarinos, se antecipando aos movimentos e o resultado são fotos de tirar o fôlego!
O fotógrafo Laerte de Souza Rodrigues (30) que também é B-Boy, conhecido como “The Sarará”, sabe bem o que é isso! Ele declara: “O fato de eu ser B-Boy me faz entender as movimentações e o processo das sessions dos dançarinos, identificando as horas certas de fazer os cliques”. Ele conta que ver o Breaking através das lentes, fotografando a dança, o ensinou muito mais do que quando estava apenas dançando. Num bate papo bem animado, Sarará contou um pouco de sua caminhada para o Portal Breaking World, confira abaixo:
BW – Como foi sua infância e quando começou seu interesse pela Cultura Hip-Hop?
Sarara – Iniciou por meio do meu tio, mostrando algumas músicas de Rap nacional, no meu bairro tinha grupo de Rap, não me lembro o nome ao certo. Quando fui ao show, iniciou a música do “Gangstar-Skills”, meus dois amigos e DG e Beto estavam fazendo “up rock”, dali em diante, comecei a dançar e curtir mais esta cultura.
BW – Quando iniciou, de fato, na dança? Onde e com quem aprendeu?
Sarará – Iniciei a dançar no CAJUV 2005, meus amigos me levaram para conhecer a oficina de Breaking, onde conheci o Professor Soul, ele passou todas bases, entre amigos a gente trocava informações e aprendia um pouco mais.
BW – Teve apoio de alguém da família? De parentes?
Sarará – Não tive apoio da minha família não, mas eu acreditei, fui até fim, sou muito teimoso (risos).
BW – Nessa época tinham pessoas que eram referência no Breaking para você, que te inspiravam? Pode citar os nomes?
Sarará – Inicio pelos meus amigos e amigas, minha comunidade onde morava, tinha DG, o Beto e outros amigos que não lembro o nome agora. Tinha uma menina chama Elisa, ela dançava muito, fazia moinho de vento… aquilo era mágico na época, tanto que foi o primeiro movimento que aprendi. Depois, teve uma galera de fora, Soul, Gerson, aquelas fitas da BC One e da Batalha Final, tudo isto fez parte das minhas referências.
BW – Chegou a competir em grandes campeonatos de Breaking? Em quais e em que ano?
Sarará – Acredito que os eventos que fui foram grandes para mim, uns dos eventos que tenho como lembrança e admiração é “Rival vs Rival”. Gosto muito da energia, participei da confraternização que Afrobreak fez, enfim, fui em muitos eventos. Mas lembranças marcantes foram estes dois.
Menino observa com admiração o trabalho do fotógrafo
BW – Quando começou o interesse pela fotografia? De que forma aprendeu a fotografar?
Sarará – Conheci uma amiga, que hoje é minha irmã, a Amanda Lopes, conhecida como “Dinha”. Quando a conheci, ela tinha câmera fotográfica e incentivei ela a fotografar, pois na época não tinham fotógrafas registrando eventos e reuniões de Hip-Hop. A partir daquele momento, a fotografia começou a chamar mais a minha atenção. Iniciamos um projeto de oficina de Breaking com fotografia juntos, dali fundamos a Produtora “Union Break”.
BW – Quando sentiu que deveria fazer uma escolha entre a fotografia ou a dança? Explique a razão da sua escolha.
Sarará – Nunca gostei de ficar preso em uma coisa só, na vila onde eu morava eu aprendi que eu precisa ser múltiplo, não sei o motivo ao certo. Quando eu estava na dança, percebi que a galera do Breaking só vivia aquela mundo, eu percebi que tinha muitas coisas além disto. Com o tempo, fui deixando o Breaking de lado para estudar, fazer faculdade e aprender outras coisas, mas era muito engraçado, porque o Breaking estava em tudo. Eu decidi ficar com a fotografia devido a ir nos eventos e não tinha um registro fotográfico de qualidade nos eventos, eu aproveitei esta oportunidade, ouvi a minha intuição e fui. E assim seguimos até hoje.
BW – Entender os movimentos que fotografava foi um diferencial na sua carreira?
Sarará – Acredito que sim!
BW – Até hoje, quantos B-Boys e B-Girls, em média, já foram clicados por você?
Sarará – Não tenho noção, só sei que tenho arquivos desde 2012. Tempos atrás fui ver a quantidade de fotos, chegava a 650 mil fotos, deve ter mais se eu atualizar mas eu vou chutar baixo: uns 700 dançarinos e dançarinas.
Exposição “Breaking e suas expressões”
BW – Você, algum tempo atrás, apresentou a genial Exposição “Breaking e suas Expressões”, fale sobre ela.
Sarará – Esta exposição eu queria fazer há muito tempo, esperei 5 anos para fazê-la. A ideia foi pegar algumas fotografias que fiz em eventos e mostrar para as pessoas as expressões dessas fotografias de dança, o nome em si focava no Breaking, mas tinha danças urbanas, pois a ideia principal era “expressões dos movimentos”, não importava o estilo. Acredito que foi de suma importância realizar este trampo, pois mostrou processo de algumas pessoas que parou de dançar e de pessoas que estavam atuando na cena.
BW – Em 2017, você teve seu trabalho reconhecido quando recebeu o Prêmio de Melhor Fotografia de Breaking Latino Americano. O que representou isso para você?
Sarará – Este momento foi importante para mim. Mas foi um momento de análise, pois sabia que tinham fotógrafos com fotos bem melhores que a minha, mas mesmo assim eu ganhei o prêmio, que foi pela votação popular, afinal, evento em São Paulo, grande público de São Paulo, nítido que os fotógrafos de São Paulo teriam maior visibilidade, afinal, era um Prêmio Latino Americano e muitos fotógrafos envolvidos, enfim! Em um certo momento da minha vida eu pensei “mais que merecido” e, no outro lado, eu pensei “não preciso de prêmio para dizer que sou o melhor ou não, afinal de contas sempre coloquei meu melhor em tudo que fiz”. Se tivesse outro prêmio desse eu não participaria, pois creio que tem muita gente boa que também merece prêmios.
BW – Entre dançarinos da Cultura Hip-Hop, tem crescido o número de pessoas que procuram produzir um material profissional, de qualidade, ou isso ainda é algo bem tímido no meio?
Sarará – Demais os dançarinos e dançarinas de Breaking não se preocupam muito com uma qualidade de foto, mas estou vendo alguns se organizando, tirando o DRT, fazendo ensaios fotográficos, tendo um material de qualidade, pois isto influencia muito em uma apresentação de trabalho.
BW – Os eventos de Breaking brasileiros são bons clientes na hora de pagar? Você já teve problemas na hora de receber?
Sarará – Não são bons para pagar, preferem investir em tudo no evento, menos em uma cobertura de vídeo e fotográfica, isto os eventos de São Paulo. Agora, os eventos do interior de São Paulo, fora de São Paulo, têm todo um carinho, um diálogo e pagam até antes do evento. Já tive diversos problemas com alguns eventos, hoje eu tenho possibilidade de ir ao evento que eu quero.
BW – Na hora de fotografar um B-Boy ou uma B-Girl durante uma “battle”, o que você busca captar? Que sentimentos?
Sarará – Quando a dança está fluindo no beat, rola o momento mágico! Captar este momento é único, como se o dançarino ou dançarina flutuassem, gosto de captar estes momentos.
BW – O que você acha da possibilidade do Breaking virar um esporte olímpico? Esse impacto para você, que é fotógrafo, será algo positivo ou negativo?
Sarará – Como fotógrafo, o impacto é positivo, irá gerar empregos, no meu ponto de vista. Mas creio que não terá a mesma mágica de uma “cypher” na praça e de um evento feito por nós.
Sarará fazendo Graffiti para projeto social
BW – Recentemente, você vem realizando trabalhos sociais, inclusive dando aulas no Instituto Cativar, em São Bernardo. Nos conte um pouco mais sobre esse trabalho. E também os frutos desse trabalho?
Sarará – Amo o trabalho social. Desde 2012 trabalho nesta área, eu estudei muito, criando metodologias de aula para que os alunos e alunas pudessem ter experiências que marcassem a vida deles. Este trabalho que realizo no Cativar é muito bacana, atuamos no bairro do Cooperativa, temos diversas oficinas, sou educador de Graffiti e Fotografia, levo para eles uma experiência diferenciada, dando autonomia de pesquisa de criação. Este processo tem dando resultados lindos de confiança, autoestima e, assim, seguimos nesta luta.
BW – Existe a frase que “uma imagem fala mais do que mil palavras”. Isso é verdade? E também se aplica ao Breaking?
Sarará – É verdade! Têm fotos que não precisam nem explicar, né? Quando você bate o olho, você imagina diversas coisas: é o poder da fotografia! E, no Breaking, isso acontece muito!
BW – Fale da importância do registro histórico do Breaking por meio de fotos. No passado, acha que muita coisa se perdeu por falta de registro?
Sarará – Nossa! Faltou registro, viu… Na minha época, de 2005 a 2010, não tenho registros dançando, mas creio que agora não faltará, até os celulares estão captando os momentos. Claro que não como um fotógrafo faria, mas cada vez mais as tecnologias são mais avançadas para as pessoas que não são profissionais.
BW – Agora, nesse momento de pandemia, como tem realizado os trabalhos? Quais são seus planos para o futuro?
Sarará – Nessa pandemia estou dando aulas on-line, estou reorganizando meu livro, quero lançar para fechar esta parte, estou pensando na minha nova exposição, que vai ter outro nome, pois quero abranger a dança como todo. Estou estudando ilustrações, fazendo uma pós em arte-educação. Logo estarei ingressando no mestrado, estou aproveitando para estudar inglês também, enfim, resumindo, estou aproveitando este momento para estudar e organizar algumas ideias.
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Entender como a Cultura de Rua iria se comportar e se adaptar num momento de pandemia e isolamento social foi o que nos fez visitar algumas lives, vídeos e publicações que vêm acontecendo pelo mundo afora e conversarmos com alguns adeptos do movimento. Dos nomes conhecidos aos anônimos, todos têm a sua hora de encontro com a galera! Tudo on-line, onde é seguro e o único a ser barrado é o novo coronavírus! É necessário fazer uma grade de programação para não perder os assuntos mais interessantes e as boas dicas. Na Cultura Hip-Hop muitos têm aproveitado para passar conhecimento, seja no Graffiti, nas Rimas, no mundo dos DJ´s ou no Breaking. Como foi o caso do B-Boy André Herculess da conhecida Momentum Crew, grupo de Breaking de Portugal. André tem aproveitado esse tempo para passar conhecimentos às crianças que desejam aprender os movimentos principais dessa dança. São dele as palavras: “A ideia é incentivar os pequenos a se manterem ativos na dança nesse período de quarentena!”.
São muitos os vídeos e lives de toda parte do mundo que pretendem tornar esse tempo de pandemia menos pior. Outro grande agito bem curioso no mundo inteiro são as inúmeras lives onde os dançarinos mostram seus treinos em casa: alguns na cozinha, outros no quarto, na sala, provando que o tempo passa mas para alguns os treinos continuam.
No Brasil, muitas ideias semelhantes e criativas agitam a vida de quem está em casa, como do B-Boy Grilo, da 011 Crew, que vem apresentando uma série de lives que leva o título “Aprenda a dançar Breaking”. Do outro lado da cidade, também tem live para as B-Girls de todo o país. A crew Hotstepper Sisterhood, representada no Brasil por B-Girl Miwa, entre outras meninas, vem apresentando vários workshops, rodas de conversa e aulas, sendo uma programação específica para o público feminino.
Nas pickups, os tradicionais DJ´s Ninja, Piu, Cido e A.G. Naja, a pedido de frequentadores do templo sagrado do Breaking, na São Bento, fizeram a festa para quem estava em casa. “O Hip-Hop não para e precisamos usar a tecnologia a nosso favor”. Essa é a opinião do jornalista Marcelo Rebello, da Casa de Cultura Urbana Street House, em São Paulo, “nesse momento, entrar nas casas das pessoas com os elementos da Cultura Hip-Hop é uma forma bastante interessante de levar conhecimento a todos. As pessoas estão abertas para refletir e até para mudar antigos conceitos. O Hip-Hop continua salvando vidas! Agora a luta é contra um vírus letal, mas também contra a depressão e a ansiedade, misturado com o desejo de poder voltar a uma vida “normal”, algo que penso que não será mais possível. Teremos que aprender a criar uma nova normalidade em nossas vidas! O mundo mudou e precisamos mudar também! Muitos artistas e profissionais da cadeia produtiva da economia criativa têm enfrentado uma grave crise financeira, pois de uma hora para outra viram suas únicas fontes de renda secarem e, infelizmente, até o momento não tiveram políticas públicas específicas de auxílio social que aliviassem esta carga nas famílias envolvidas com a arte e a Cultura Urbana. Portanto, o setor está envolto em uma grande névoa e não há outra saída a não ser usar a criatividade e a tecnologia em prol de soluções que motivem esses profissionais e artistas a continuarem levando para as pessoas conhecimento, alegria e esperança de dias melhores, mesmo à distância! A Cultura e a Arte têm este poder de transformar vidas, exemplo disso, além das lives, são os dançarinos e músicos que têm feito das sacadas, varandas e lajes de suas residências os seus novos palcos, emocionando seu entorno e fazendo sua parte para aliviar a tensão de quem está em isolamento social”.
B-Boy Allan
B-Boy Grilo
B-Boy Hercules
B-Boy Leony
Mel Zabunov
B-Girl Miwa
B-Girl Fabgirl
Rooneyoyo
O Graffiti e a Fotografia também tiveram o seu espaço. Destaque para a grafiteira Mel Zabunov e para o fotógrafo The Sarara, que fizeram uma live falando do impacto da arte no dia a dia, principalmente nesse momento de pandemia, mostrando suas vivências como artistas da cultura, sendo uma grande troca de ideias, promovendo relevantes reflexões! Outro importante acontecimento também são os campeonatos on-line, seja na dança ou na rima. Recentemente, Bob 13, responsável pela Batalha da Aldeia, publicou na sua rede social: “Realizamos pela primeira vez na história do Freestyle BR uma batalha de MC’s sem público presencial, 100% on-line, com votação do público de casa. Tomamos as medidas corretas para driblar esse vírus que mexeu com a vida de todos nesse planeta. Obrigado a cada MC e a cada pessoa que nos ajudou nessa etapa, está sendo muito difícil pra todos nós, mas continuamos lutando pela cultura e prezando pela recuperação de todos. Deus abençoe”.
Nas competições de dança on-line pelo mundo, as opiniões se dividem. Para alguns B-Boys, os campeonatos on-line não agradam tanto, mas no momento de pandemia é a opção que existe. São do B-Boy Allan Jackass, da Biohazard Crew, que já dança há 20 anos, as palavras: “Pra mim, eu não acho tão legal o campeonato on-line. É bom para as pessoas que não desejam se locomover, mas numa época de pandemia é uma boa opção, sim, as pessoas estão em casa e não podem sair, então essa ideia tem funcionado muito. Em relação às lives, acho necessário tomar cuidado, pois tem muita gente ensinando movimentos de forma errada. É importante notar se quem está ensinando sabe realmente o que está fazendo”. Em relação ao futuro, pós-pandemia, Allan comenta que apesar de não ter medo de voltar às suas atividades normais, acredita que muitos terão receio desse retorno, finaliza: “Acredito que será possível ver B-Boys e B-Girls dançando com máscaras!”.
Na opinião da B-Girl Nathana, da Rock Niggaz e We Can Do It Bgirls, os eventos on-line são positivos. Declara: “Esses eventos motivam B-Boys e B-Girls, porque nesse momento de pandemia não podemos sair de casa e os eventos foram, em sua maioria, cancelados ou adiados. Claro que é tudo muito novo pra todos, porque dependemos muito da tecnologia. Mas incentiva a continuar evoluindo e treinando. As lives são interessantes, principalmente porque conhecemos mais a realidade de cada um, o treino, podemos aprender. Acho que só agrega coisa positiva. Para nós que dançamos está sendo ruim esse momento, porque nem todos têm um espaço bom para treinar, então isso tem que ser feito em casa, sem contar que é ruim ter que treinar sozinha, a presença de outras pessoas nos faz sentir melhor. Sobre o pós-pandemia, alguns terão que voltar às práticas, outros já estarão prontos! Porém, acho que quando puderem acontecer os eventos, a maioria vai querer ir, nem que seja para prestigiar. Mas o mundo acredito que não será o mesmo depois de tudo isso!”.
B-Girl Drika, da Cristo Crew de Manaus, dá a sua opinião: “Os eventos on-line com certeza não são iguais aos que estamos presentes. Pelo menos pra mim, é tipo uma aflição. Presencial é você e sua dança curtindo o momento e a música. Mas quando tem somente uma câmera pra você é totalmente estranho. Sobre as lives, acho interesse a troca de conhecimento. Somos muito fechados aqui no Brasil. Até pra irmos de uma cidade à outra dentro do país é muitíssimo complicado. E com as lives, você acaba se tornando mais próximo daquilo que você sempre vê em vídeos de competições”.
B-Girl Josy, da DD Tankers, também de Manaus, falou: “A galera toda está completamente ansiosa pra voltar com os treinos com seus grupos e amigos. Ou seja, vai haver mais fervor e intensidade de modo geral. Um está incentivando o outro, aqueles que tinham parado estão retornando às práticas e melhores até”.
Já a veterana Fabiana Balduína, mais conhecida como FabGirl, criadora da BSB Girls, reforça que acredita nos eventos on-line e acha que não tem volta. Ela diz: “O custo-benefício é muito melhor nos campeonatos on-line, não tem custos elevados com produção, o investimento de quem quer estar no circuito mundial de dança será em dispositivos eletrônicos mais sofisticados… Quanto maior a qualidade do vídeo, melhor é pra quem julgar. Tenho acompanhado algumas batalhas virtuais de Locking e Vogue, por exemplo, as pessoas que não têm dispositivos de última geração têm sido prejudicadas, porque os movimentos ficam tipo vultos. Então, além da dança, aconselho a todas já pensarem nos seus próximos aparelhos telefônicos ou investir em boas câmeras digitais”.
A nova geração encara o isolamento como uma grande oportunidade para treinar cada vez mais! É o caso dos irmãos B-Boy Eagle e B-Girl Angel, da Dream Kids Brazil. Eles brincam e fazem bagunça, mas a hora dos treinos de Breaking é sagrada! B-Boy Eagle fala: “Tenho aproveitado para treinar muito, tenho visto muitas lives aqui do Brasil e de fora. Gosto muito dos eventos de antes, era bom encontrar os amigos, mas os on-line também são muito legais e diferentes. Gostei muito da live do Lilou, do Herculess e não consegui assistir a do Bruce, fiquei triste, mas tudo bem. Aqui do Brasil também vi várias e tenho aprendido muito!”.
A Federação Paulista de Breaking (FSPB), por meio de seu representante, Rooneyoyo “O Guardião”, se pronunciou: “No meu ponto de vista, creio que deveríamos todos parar de ir às ruas, tudo que está aberto faz as pessoas quererem sair de casa, tem gente morrendo, o povo sai para a rua desprotegido ou sem necessidade extrema. Sobre as lives, é um recurso muito moderno e simples de ser executado, tem muita coisa ruim e muita coisa interessante, se vasculhar, como tudo na internet, você acaba achando algo em que se identifique, o principal disso tudo na minha opinião é sair da frente da TV, temos este recurso que também não chega a todo mundo, pois na faixa de mais necessidade o cidadão não tem condições de acompanhar, a maioria desta população não tem internet ou Wi-Fi de uso contínuo, mas por outro lado, quem pode deve se aprofundar, ali podemos ficar mais próximos dos nossos ídolos artísticos muito famosos e participar da vida íntima deles, ouvindo uma mensagem positiva ou assistir um show de algum deles, tivemos campeonatos muito bem elaborados, com extrema profissionalização, como se fosse TV ao vivo. Impressionante! E temos os bate-papos com pessoas mega importantes na cena, além de poder participar de grupos de aulas abertas de professores renomados academicamente, então, abra sua mente, sua telinha e seja bem-vindo ao mundo on-line. O futuro é difícil prever, mas acho que nesse retorno todos os eventos vão embolar, acontecendo simultaneamente, quando o certo seria criar uma agenda coletiva de eventos para apoiar todos os produtores e seus públicos. Segurança em eventos? Seria mais seguro retornar após a existência de uma vacina… Mas enquanto não temos a vacina, por favor fiquem em casa!”.
Para B-Boy Leony, da Amazon Crew, que dança desde 2011 e é tricampeão da competição nacional da Red Bull BC One, esse momento de crise aflora a criatividade, ele lembra: “as batalhas on-line são necessárias para manter a Cultura Hip-Hop ativa nesse momento de pandemia. Pessoalmente, em circunstâncias normais não gosto. Mas no momento que estamos vivendo isso se torna uma saída saudável. Lógico que perde muito, uma batalha on-line é totalmente diferente de um evento presencial, em que contamos com o público, a energia, a ansiedade de querer mostrar nossa arte. Já em uma batalha on-line, nada disso pesa. Esse momento de crise tem seu lado bom, ele aflora a criatividade para buscarmos saídas em frente à tantos problemas, novos caminhos que possivelmente vão continuar assim que tudo isso passar. Acho que após a crise, as coisas tendem a se encaminhar à normalidade, porém em um ritmo lento, o baque que o mundo sofreu foi grande. Se eu pudesse dar um recado a todos diria: sei que são tempos difíceis, mas peço que não deixem de sonhar e nunca deixem de lado seus objetivos com essa cultura. Isso é uma fase e ela vai passar, foquem em soluções para manter a vida até isso passar e se cuidem e deem exemplo ao resto da sociedade”.
Fotos: The Sarará, William Machado e Arquivo Pessoal
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Uma história que começou com duas tragédias. Primeiro a morte de uma criança, Vinicius Vilela, de 15 anos, estudante, morador da Vila Ferreira, em São Bernardo do Campo no ABC Paulista. Morto covardemente numa tentativa de assalto em 2017, com um tiro pelas costas quando tentava chegar na escola. Uma semana depois, a segunda perda: o suicídio do pai de Vinícius, que teve grande repercussão na imprensa, chocando toda uma comunidade que junto com o Instituto Cativar, que trabalha na região desde 2014, foram para as ruas em passeata contra a violência. Diante do ocorrido, formaram um coletivo chamado Alvez Dias para conversar sobre a paz. As tragédias provocaram uma reflexão profunda sobre o que poderia ser feito de novo para aquela comunidade. Por meio de pesquisas foi levantado que mesmo com tantas dificuldades, medos e incertezas existia um enorme interesse de crianças e jovens pela música, então, foi criado o “Musicando para um mundo melhor” como a primeira iniciativa de disseminação da paz por meio da arte.
Em 2018, intervenções aconteceram em escolas que Vinicius tinha estudado, algo muito emocionante que se encerrou com a soltura de balões brancos e palmas a Vinicius e sua família. Uma praça foi inaugurada com o seu nome. Então, teve início o Projeto Cultura da Paz, que foi um sucesso desde o início, sendo uma forma encontrada para distanciar os jovens da violência, entre outros riscos no dia a dia.
No ano de 2019, foi mantido o atendimento de 230 usuários e utilizado o Projeto Cultura de Paz, que já com o novo nome “Vez & Voz” atuava como ferramenta de temática transversal importante para o empoderamento e protagonismo de lideranças comunitárias, sendo elas, crianças, jovens e adultos. Falar por meio das artes foi o caminho encontrado para o início de um diálogo de paz. A Cultura Hip-Hop sintetizava tudo isso, arte, rua, consciência e resistência, sendo a ferramenta de mudança trazendo cor e valores para o bairro. Em julho do mesmo ano, voluntários da Basf S/A apoiaram o projeto de revitalização com arte urbana, denominado “Vielas Pedem Paz”, ofertando toda a doação para pintura e com isso foi possível revitalizar 300 metros de vielas do Jardim Nazareth, local que dá acesso a pontos importantes, como escolas, UBS, creche e toda essa movimentação ocasionou uma grande repercussão na imprensa escrita e televisiva, sendo notícia no Diário do Grande ABC, ABC Repórter, Diário Regional e Rede Globo, no programa SP1, com grande participação da comunidade.
Em entrevista ao Diário Regional, Nádia Gibo, coordenadora do Cativar, explicou que o projeto visava expandir a mensagem da organização além dos muros e impactar não somente a vida dos alunos, mas também da vizinhança. São dela as palavras: “Queremos que eles coloquem para fora os sentimentos, não em forma de revolta, mas sim de palavra, poesia, argumento e diálogo”, resume Nádia e conta que o projeto exigiu conversa com a vizinhança para que a permissão para as intervenções fosse concedida. Apesar de não ser tarefa fácil, a coordenadora afirma que o resultado foi positivo, com boa recepção por parte dos moradores do bairro e adesão dos alunos. “Quando vemos pessoas que a gente nem imaginava participarem e fazerem parte da ação, a gente sente que a mensagem foi absorvida”, concluiu a coordenadora do Cativar.
Para Sarará, profissional reconhecido e premiado dentro da Cultura Hip-Hop e também mestre de Graffiti e Fotografia há 5 anos no Instituto Cativar, o que mais foi gratificante no projeto foi a construção conjunta com os jovens. Dos 50 artistas previstos na revitalização da viela, 10 são frutos da oficina. Além de aprender sobre arte, os jovens foram incentivados a conhecer mais a vizinhança e a trocar vivências com moradores do bairro, que vivem realidades distintas. Ele falou: “É gratificante poder trazer esse intercâmbio cultural e fazer com que eles entendam o sentimento deles e também do outro. Foi importante a troca de sentimentos e mútuo entendimento”, afirma Sarará.
Agora, em 2020, os planos continuam! O objetivo do Cativar é expandir seus atendimentos para outros dois territórios, onde não existe a presença de organizações sociais e possuem uma demanda reprimida, são eles: Areião, com 60 vagas de crianças e jovens dos 06 aos 17 anos e Alvarenga, também com 60 vagas de crianças e jovens dos 06 aos 17 anos. Os serviços são uma parceria com a SAS (Secretaria de Assistência Social). Outro foco é a captação de recursos para manutenção e funcionamento das atividades e aquisição da sede própria, para isso foi criada uma estamparia e também uma casa de bolo. Os projetos foram elaborados junto com os alunos da FTT (Faculdade Tecnologia Termomecânica).
Combater a violência com a arte por meio do Hip-Hop, colorir a vida das pessoas com muita criatividade e escrever novas histórias sem lágrimas e com finais felizes são os maiores desafios desses artistas da paz!
Fotos: Arquivo Pessoal
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