Pensando em quem compete nas “Battles” virtuais, a conhecida FabGirl preparou um manual com algumas dicas para quem pretende mergulhar fundo no mundo dos campeonatos virtuais. Ela escreveu: “Decidi criar o manual quando eu percebi mudanças no meu olhar na hora de julgar 86 B-Girls/B-Boys selecionados para o “TKOTN – The King Of The Night”, também porque participei de uma batalha show on-line. Trago no manual alguns pontos de vista de quem esteve dos dois lados, além da minha visão de produtora criativa”.
E a B-Girl continua: “É óbvio que a forma de análise do virtual/on-line para o físico/off-line tem diferenças enormes, mas para além da análise artística, percebi que outros aspectos dificultaram bastante no momento em que eu analisava os vídeos. Logo, a qualidade do conteúdo audiovisual de quem competia teve muita relevância na análise, algumas pessoas certamente foram mais prejudicadas por não saberem como usar seus equipamentos do que por seus repertórios. Não identifico falhas nos eventos, acredito que tudo agora é um grande teste, uma preparação para o que está por vir. Portanto, quem já estiver fazendo testes, talvez terá um diferencial competitivo no novo mercado de eventos virtuais que possivelmente deve se consolidar daqui para frente ou não. Não existe certo ou errado ou uma resposta única para tudo que estamos vivendo. Mas, acredito que as produções devem olhar para seus empreendimentos, principalmente do ponto de vista de quem compete, de quem faz o show acontecer, de quem precisa gravar vídeo, postar ou enviar, etc. Se B-Girls/B-Boys conseguem produzir melhores vídeos, quem sai ganhando é a própria produção ao fazer uma entrega profissional e de qualidade para sua audiência/público. Até porque a logística é outra. Então, vale a pena colher informações com B-Girls/B-Boys, júri e público em geral, para entender a melhor forma de enfrentar os desafios impostos por esse momento que estamos vivendo.”
Na última semana (27) aconteceu a final do evento latino-americano “Breaking Adictos”.
O campeonato foi on-line, reunindo B-Boys e B-Girls de várias partes do mundo. Vale dizer que o evento, além de receber inscrição de adultos, também abriu as portas para a nova geração, algumas crianças da capital de São Paulo, do litoral paulista e de Goiás também competiram, chegando no Top 16 o B-Boy Marcin, de Catalão/GO, da “Dream Kids Brazil”.
No júri quem decidiu foi o B-Boy Omar, ganhador da “Red Bull BC One 2004”.
A batalha pelo primeiro lugar foi pesadíssima, entre outros dois brasileiros, B-Boy Kleone e B-Boy Saulo, 5 entradas para cada um. Na final, B-Boy Saulo foi o ganhador do evento. Brasil representou!
Foto: Divulgação
Na final, dois brasileiros: Kleone e Saulo
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Mulheres na Cultura Hip-Hop: Sim! Elas estão no Rap, na Discotecagem, no Graffiti e no Breaking. Conquistando seus espaços num mundo predominantemente masculino. Reagindo e superando inúmeros atos de invisibilização, boicote, escanteio, preconceito e desrespeito ao trabalho feminino através do tempo, elas resistem e persistem. No passado, era preciso ser “muito responsa” para ter moral na Cultura ou ser “a mina” de algum cara. Os tempos mudaram: graças a Deus, tabus foram quebrados e o empoderamento feminino chegou, permitindo a mulher ser protagonista de sua própria história e de seus esforços. A participação das minas se torna fundamental para construir uma nova realidade dentro do Hip-Hop.
Elas chegam para mostrar suas vivências, sua força, falando o que nunca foi dito. Que prazer escrever a sessão “B-Girls” e entrevistar essas guerreiras!
Estreando a editoria de B-Girls, o Portal Breaking World convidou a B-Girl Bia, da Street Son Crew, para uma conversa muito especial. Confira abaixo:
BW – Quando você começou a dançar? Seu primeiro contato com a dança foi com o Breaking?
Bia – Comecei a dançar com 8 anos, porém, fazia Ballet e Jazz. Parei de dançar aos 14 por conta de uma lesão. Com a Cultura Hip-Hop tive meu primeiro contato em 2012 por meio do Grupo Street Son Crew, no bairro de Perus, mas comecei a treinar mesmo em 2014.
BW – Quando se deu o interesse pela Cultura Hip-Hop?
Bia – Meu interesse pela Cultura foi imediato, desde a primeira vez que vi, em setembro de 2012, me apaixonei.
BW – Nessa época, você tinha o apoio da sua família ou de pessoas próximas?
Bia – Em partes. Eu estava no Ensino Médio, começando a pensar em faculdade e na área que queria atuar. No início, foi um pouco estranho para meus pais aceitarem que eu seria dançarina. Mas eles já sabiam o quanto eu gostava disso desde pequena, então, conforme viram que isso era o que eu realmente amava, o que eu ia fazer e que não era um desejo passageiro, começaram a me apoiar.
BW – Existiram pessoas que foram inspiração para você? Que te influenciaram? Pode falar sobre elas e sua importância?
Bia – Quando somos mais novos, achamos que nossas inspirações são as pessoas famosas, aquelas que achamos que queremos ser iguais, mas aprendi que na verdade temos que entender a forma que nossas inspirações pensam, e não querer ser igual a elas. Após um tempo, reconheci que meus pais sempre me incentivaram a realizar meus sonhos, sendo sempre meus maiores motivadores, dessa forma, sei que eles sempre foram meu pilar e minha principal fonte de inspiração, isso do jeitinho deles, é claro! Meu noivo (conheci ele no mesmo dia que conheci o Hip-Hop), em todos esses anos sempre esteve ao meu lado, assim como toda minha Crew que me ensinou muita coisa. A gente, às vezes, só tem que abrir os olhos e ver que nossa maior base sempre é nossa família, seja de sangue ou de consideração. Essas devem ou deveriam ser as maiores inspirações das pessoas.
BW – Alguém alguma vez tentou te desestimular, dizendo que você não era boa o suficiente, que não era coisa para mulher ou coisa assim?
Bia – Sim, e depois as mesmas pessoas vieram dizendo que faziam isso para me motivar (risos), mas isso somente após eu ter alcançando alguns objetivos. Se pararmos para pensar bem, nunca seremos bons o suficiente para as outras pessoas, e eu particularmente já desencanei disso faz tempo. O que acho que será bom para mim absorvo, o que acho que não será, somente abstraio.
BW – Onde aprendeu os primeiros movimentos?
Bia – O “baby freeze” e o “six step” foram os primeiros movimentos que aprendi com um B-Boy que estudava na mesma escola que eu. Os outros, aprendi com os caras da minha Crew.
BW – Fale um pouco da sua entrada na Street Son e sua relação com a crew.
Bia – Desde que vi a Street Son Crew disse para mim mesma que queria pertencer àquele grupo, os ideais, a diversidade da dança de cada um, tudo me encantou. Quando soube que ia entrar para o grupo, em 2015/2016, foi um momento muito especial. Acredito que me dou bem com todos (risos), às vezes a gente quer matar uns aos outros, mas nada fora do normal. Somos amigos.
BW – Como é sua relação com as crianças da Crew?
Bia – As crianças gosto e cobro muito delas, a vida na arte não é fácil, não queremos que eles criem expectativas e se decepcionem. Gosto muito de todos.
BW – O fato de você ser branca de olhos claros ocasionou algum tipo de preconceito ou inconveniente vindo de outros B-Boys ou B-Girls? Como você superou isso?
Bia – Já comentaram que não fazia sentindo eu dançar Breaking por conta disso. Que nem disse acima, algumas coisas temos que abstrair, a Cultura Hip-Hop tem muitos ditadores, é só mandar ouvidos e bola pra frente.
BW – Ser mulher, B-Girl, no meio onde a grande maioria são homens. Isso representou alguma dificuldade na sua carreira na dança? Se sentiu alguma vez desrespeitada ou injustiçada pelo fato de ser mulher dentro da cena?
Bia – Sim. Eu fui a primeira mulher a integrar a Street Son oficialmente, uma Crew que existe desde 1992 e às vezes é difícil e “chato” (risos) estar cercada somente por homens, mas de modo geral, na Crew, eles me tratam como igual. Falando sobre a cena, existem muitos homens que tratam as mulheres bem, com respeito, mas existe uma grande maioria que ainda é machista, que age diferente quando vai competir contra uma mulher, quando uma mulher está no posto de júri e entre outros. Nós, mulheres, ouvimos e vemos muitas coisas que não são legais, pelo simples fato de sermos mulheres e, muitas vezes, querem nos jogar umas contra as outras. O Breaking é muito machista e detalhes como “Batalha de B-Boy”, para um evento que é de Breaking só reflete uma pequena parcela de algo que ainda precisa mudar e evoluir muito. A representatividade feminina importa e não só no mês de maio como muitos produtores pensam… Acredito que as maiores dificuldades são refletidas pelas mesmas dificuldades que encontramos na nossa sociedade, e em coisas que já acontecem há muito tempo, o que muda é somente o cenário. Desigualdade, machismo. Como exemplo: a premiação para batalhas de Breaking. Muitas vezes na categoria B-Girl o valor é inferior ao da categoria de B-Boy. Vai entender!?
BW – Como você vê atualmente as B-Girls no Brasil? É possível viver da dança? Quais são as principais dificuldades que as mulheres sofrem para chegar em seus objetivos?
Bia – Acredito que o B-Girling não é uma profissão, mas um estilo de vida, pelo menos para mim é assim. O que se torna nossa profissão é atuar como dançarino em várias vertentes, sendo júri de batalhas, competindo, dançando em espetáculos, entre outros, até porque do lado de cá os campeonatos nunca pagaram as contas, mas tem gente que consegue. Existem algumas minas que conseguem viver somente de dança ou Breaking, assim digamos, mas se formos pensar no “B-Girl como profissão”, precisamos entender isso melhor e trabalharmos juntos para oferecer a possibilidade de fazer o trabalho com o Breaking ser a principal fonte de renda para o maior número possível de mulheres.
BW – Ainda existe muita violência contra a mulher dentro da Cultura Hip-Hop?
Bia – Existem vários B-Boys que pagam de “Santo”, mas agridem fisicamente suas próprias esposas, namoradas e que também são B-Girls e muitos produtores, “amigos”, etc., fecham os olhos para isso. A violência não se limita só à física, mas verbal ou psicológica também, onde muitas vezes estão presentes em batalhas, cyphers e campeonatos. As pessoas precisam aprender muitas coisas ainda e as mulheres se unirem cada vez mais para expor mesmo esses casos.
BW – Olhando as B-Girls de outros países, temos boas representantes do Brasil atualmente?
Bia – Quando se fala de “uma boa representante” estamos falando do quê? De quem ganha mais campeonatos? De quem está na ativa há mais tempo? De quem é mais conhecido? Acredito que todas as B-Girls são ótimas representantes, não pela quantidade ou por qual campeonato elas ganham, mas pelo que elas fazem para manter a Cultura Hip-Hop na ativa. Pensando nesse aspecto, temos ótimas representantes sim. FabGirl, Miwa, Tina, Nathana, entre muitas outras.
BW – Como você analisa a participação de B-Girls nos eventos nacionais? Existem boas oportunidades, boas premiações por parte dos eventos ou ainda tudo está muito fechado no mundo masculino?
Bia – Bom, alguns eventos tratam as categorias B-Girls e B-Boys da mesma forma, mesma quantidade de vagas e premiação igual, eu acho isso bem legal por sinal. Mas a grande maioria não, dá a impressão que os produtores fazem a categoria B-Girl só para fazer mesmo, sabe? Pelo menos nos eventos daqui de São Paulo. E já vieram até com o argumento de que a premiação é inferior à dos B-Boys porque não tem B-Girl, vê se pode um negócio desse! Isso de certo modo pode desestimular a presença feminina nas batalhas, principalmente de quem está começando. Eu mesma já ganhei campeonato com categoria de B-Girl e minha premiação foi um kit de roupa masculina tamanho GG. A gente não treina igual? Bate osso igual? Se num campeonato tem 8 B-Boys e 4 B-Girls, essas 4 mulheres não merecem uma premiação inferior porque estão em menor número, não vejo sentido nenhum nisso. Como contrapartida disso, todo campeonato vejo pelo menos uma B-Girl participando, contra B-Boy mesmo e também não acredito que isso seja um problema. E também têm alguns eventos que são boas oportunidades para as minas, especificamente. E alguns deles são produzidos por mulheres.
BW – Você é noiva de um B-Boy. Como vocês se conheceram? Como é a relação de vocês diante da dança, das competições? É mais fácil um entender o outro ou é algo mais difícil?
Bia – Nossa relação é bem sadia, a gente se apoia e sempre somos bem compreensíveis um com o outro. Ele me estimula a dançar e a fazer o que eu gosto e tento retribuir da mesma forma.
BW – É possível no Brasil viver da dança? Você, Bia, também participa de propagandas e jobs publicitários, correto? Conte-nos sobre essa experiência e o que se espera hoje em dia de dançarinos numa campanha publicitária.
Bia – É possível sim, mas aí você tem que escolher se quer viver disso ou sobreviver. Diferente do que muitas pessoas acham, para você ter uma renda “da hora” com dança, você precisa estudar e saber várias coisas. Precisa saber produzir, dançar vários estilos, saber dar uma aula com qualidade, etc. Há alguns anos, minha maior renda era das publicidades, que é um mercado muito bom por sinal, mas é bem incerto, se prender a isso, às vezes, pode ser um tiro no escuro. O mercado das publicidades busca um perfil bem diverso, gostam de pessoas autênticas, carismáticas e flexíveis. Muitas vezes você só tem que ser você mesmo para conseguir um trabalho. Hoje em dia muitas publicidades têm dançarinos, para nós isso é bom.
BW – Fale sobre o Coletivo de Ocupação e Intervenção Multiforme. O que é exatamente e qual o objetivo?
Bia – O Coletivo surgiu de uma ideia minha e do Marquinhus de produzir eventos e outras ações artísticas, que fossem de maneira igualitária, para homens e mulheres, de construir um espaço onde todos se sentissem representados. Tanto que até o nome Multiforme é bi gênero. Acreditamos na potência disso, e todas ações partem desse pensamento de igualdade, sem distinção de gênero, cor ou etnia. Como reflexo disso, nos eventos produzidos no ano de 2019, ficamos muito felizes de ter conseguido botar isso em prática.
BW – O que você acha da possibilidade do Breaking virar esporte? No seu ver é algo positivo ou negativo?
Bia – Não sou muito à favor. Acredito que virando esporte o lado artístico pode sumir com o passar do tempo e o Breaking se tornará um mercado bem manipulável. Mas e as oportunidades? Bom, vamos falar de esporte, aqui no Brasil sabemos que nem todos têm acesso às mesmas oportunidades, se você tem mais dinheiro você consegue mais fácil, se você não tem vai ser 1 de 100 a conseguir ter uma carreira bem sucedida. Simples, com o Breaking não seria diferente. Não sei se isso funcionaria bem.
BW – Como e onde normalmente são seus treinos? Quantas horas você dedica ao seu treino?
Bia – Normalmente, treino 3 dias da semana no CEU Perus. As horas são relativas, mas no mínimo duas horas.
BW – Fora a sua carreira, você também dá aula de dança em escolas e em projetos sociais? Ensinar é mais fácil ou mas difícil que dançar?
Bia – Atualmente, lecionar é minha carreira principal, acredito que qualquer coisa que você faça visando ajudar outra pessoa é mais difícil do que você fazer pensando somente em si mesmo. Tento me dedicar ao máximo para isso, para conseguir ensinar sobre corpo, dança, esporte, de uma maneira que isso mude a vida das crianças e acrescente algo positivo. Quando você dança pra si mesmo, é você contra você. Quando você tem que ensinar algo a outra pessoa, você já enfrenta outras barreiras, o que acho ser a batalha mais difícil, nem sempre temos os materiais bons, um local bom, e temos que fazer com que a experiência para essa criança seja mágica e convincente. Ensinar com certeza é mais difícil que dançar.
BW – Fale sobre suas experiências em campeonatos. O que sente quando está batalhando?
Bia – Gosto muito de batalhar, pode não parecer, mas sou tímida (risos). Toda vez que batalho ainda sinto um frio na barriga, gosto muito dessa energia
BW – Agora, em época de pandemia, tem se falado muito nos eventos on-line. Qual a sua opinião sobre esses eventos?
Bia – Acredito que não tenho uma opinião feita sobre isso ainda. É tudo muito recente. Mas acredito que não seja nem um pouco igual aos eventos presenciais, continuo preferindo a moda antiga (risos).
BW – O que você tem feito nesse momento de isolamento para não perder a vibe?
Bia – Me senti bem desmotivada no início, muita notícia que faz a gente refletir sobre muita coisa. Não tenho conseguido treinar direito, mas tenho consumido muita arte, vendo filmes e documentários, batalhas de Breaking antigas, tenho lido e estou dançando bastante com meus alunos.
BW – Quais são seus projetos para o futuro?
Bia – Profissionalmente, continuar fazendo o que tenho feito, porém em quantidade maior e ganhando mais (risos). Viajar também.
BW – Se você pudesse deixar um recado para as B-Girls da nova geração, o que diria?
Bia – “É tudo uma questão de / Manter a espinha ereta e o coração tranquilo / Manter seu bem-estar além do estilo / Não depender daquilo pra viver / E sempre que puder, não dê vacilo”. Acho que essa frase do Kamau pode ser meu melhor conselho. Façam o que te faz bem, sejam felizes e curtam bastante.
Fotos: Arquivo Pessoal
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Elas surgem de todos os cantos do país, de várias idades e gerações.
Unidas pelo WhatsApp e por suas histórias se encontram no Grupo “Rede B-Girls do Brasil” todos os dias.
No grupo trocam ideias, conhecimentos, experiências, divulgam lives, vídeos, eventos, compartilham suas aventuras, desventuras e sabem tudo o que acontece na cena.
Juntas, uma apoiando a outra, dão sentido ao verdadeiro significado da palavra união.
Elas também estão no Instagram e aproveitam o momento de pandemia para fazer um chamamento a todas as B-Girls que ainda não participam dos encontros virtuais, para se aproximarem e fazer parte, afinal a união faz a força!
Para entrar em contato é só acessar o Instagram @redebgirlsdobrasil e solicitar o link para participar do grupo.
Foto: Miwa Kozuma.
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“O preconceito começou dentro de casa com meu pai, depois na escola, na rua e até dentro do Hip-Hop, onde muitos B-Boys me diziam para parar, que eu não chegaria a lugar nenhum” (B-Boy Perninha)
Ele nasceu em Mangabeira, um dos bairros mais populosos de João Pessoa, que fica na Zona Sul da cidade. Antes e depois de nascer sofreu rejeição e preconceito do próprio pai, que negava a sua paternidade, situação que foi potencializada com a descoberta da deficiência que ele tinha na perna. Uma malformação congênita, ou seja, um encurtamento no fêmur esquerdo. Chamado de bastardo pelo próprio pai, ele foi várias vezes colocado para fora de casa! Mas o carinho e o amor da mãe andaram sempre juntos, ela o motivava a enfrentar as dificuldades e jamais abaixar a cabeça para os problemas, sendo um pilar muito importante para que ele não tivesse rancor pelo pai ou fosse uma criança com problemas emocionais ou psicológicos por conta disso. O conselho era sempre pagar o mal com o bem!
O menino crescia, conheceu a Cultura Hip-Hop no ano de 2008, depois que alguns amigos mostraram o DVD do Red Bull BC One 2005, naquela época tinha 13 anos de idade. No início foi difícil, mas aos poucos foi encontrando a própria personalidade e com o conselho de amigos resolveu fazer os movimentos sem a prótese da perna, desenvolvendo movimentações originais que o caracterizam até hoje. Em 2019, foi para o The Legits Blast Festival, na Eslováquia, onde recebeu o prêmio de “B-Boy Float Most Valuable Breaker OutBreak 2019” como o destaque das cyphers e do evento no qual se encontravam mais de 1.000 B-Boys e B-Girls de todo o mundo e faz parte da Killa Rockers.
Estamos falando de Lucas Ferreira Machado, o “Perninha”, ele conversou com o Portal Breaking World e compartilhou sua história de luta e superação, vale conferir:
BW: Queria que você falasse seu nome, idade, onde e como foi sua infância? Que lembranças você tem dessa época? Fale um pouco da sua família e da sua criação?
Perninha: Lucas Ferreira Machado, 26 anos. Nascido e criado em João Pessoa/PB, no bairro de Mangabeira, minha infância foi um pouco conturbada, pois desde antes de vir ao mundo meu pai já havia dito que eu não era filho dele, após o meu nascimento ele “confirmou” mais ainda esse sentimento em seu coração, ao ver que eu tinha uma deficiência física em minha perna esquerda. E isso fez com que a minha relação com ele fosse muito distante e vazia, mesmo meus pais sendo casados durante minha infância. Minha mãe, por outro lado sempre me motivou a enfrentar as dificuldades e jamais abaixar a cabeça para os problemas, ela foi um pilar muito importante para que eu não tivesse rancor pelo meu pai ou fosse uma criança com problemas emocionais ou psicológicos por conta disso. Ela sempre me dizia “ele é seu pai meu filho, você deve amá-lo, pois o sentimento ruim só fará mal a você, sempre pague o mal com o bem”. Meus pais foram casados até pouco tempo antes de eu começar a dançar, até essa época, eu e meu pai éramos muito distantes, ele sempre teve problemas com bebida e sempre que chegava em casa bêbado ameaçava minha mãe, me chamava de bastardo, depois da separação, quando eu e minhas irmãs íamos passar o fim de semana com ele, ele sempre chegava alterado e me colocava pra fora de casa, repetindo sempre as mesmas coisas: “vá para a casa da sua mãe, aquela rapariga, seu bastardo!”. Na escola sempre sofri bullying por conta da minha deficiência, mas nunca levei pro coração e pelo que minha mãe havia me ensinado também “jamais abaixe a cabeça pra ninguém”. Passado o tempo, hoje eu e meu pai somos bons amigos e, quando eu tinha 18 anos, depois de várias coisas eu e ele falamos pela primeira vez “eu te amo” um pro outro e isso foi um divisor de águas na nossa vida.
BW: Do Nordeste para o Sudeste, escolheu morar no Rio de Janeiro, como aconteceu isso?
Perninha: Minha mudança para o Rio de Janeiro foi devido a dois fatores: o primeiro, por conta que minha esposa é de lá, então, foi uma forma de ficar mais próximo dela e o segundo, que anda lado a lado com o primeiro, foi o mercado do Rio, que comparando com a Paraíba é bem mais lucrativo, eu já tive oportunidade de morar no Ceará, Minas Gerais, Brasília e São Paulo e de todos esses lugares, o Rio foi o lugar onde encontrei bastante trabalho, mas também um lazer de pegar uma praia com a família, coisa que em São Paulo, por exemplo, é quase impossível.
BW: Quando teve contato pela primeira vez com a Cultura Hip-Hop? Como começou no Breaking? Alguém te ensinou?
Perninha: Conheci a Cultura Hip-Hop no ano de 2008, depois que alguns amigos me mostraram o DVD do Red Bull BC One 2005, eles diziam “vamos lá ver, tem um cara que é igual a você”, falavam do B-Boy Junior, da França, depois de assistir aquele DVD, eu que na época fazia vários tipos de esportes, como futebol, parkour, handball, BMX, basquete, futsal, etc., com o objetivo de tentar me provar e também de provar para a sociedade que me olhava como se eu fosse um ET, que eu poderia fazer qualquer coisa igual ou até melhor do que qualquer um. Vi naqueles B-Boys algo surreal, diferente de qualquer outra atividade que eu já havia feito, na época eu tinha 13 anos de idade, daquele dia em diante eu comecei a tentar fazer aqueles movimentos que vi no DVD, em casa, até que um dia um amigo chamado César me levou para um projeto social que havia na igreja que ele frequentava e lá foi onde comecei.
BW: Com que idade começou a dançar? Como foi o tempo de aprendizado? E quando começou efetivamente a competir?
Perninha: Comecei aos 13 anos de idade e no início foi tudo bem dificil, pois eu tentei começar dançando com minha prótese, então, isso me limitava bastante, tanto pela minha deficiência como pela questão de que a prótese não possui articulação, mas um dia, em um treino no Centro de Juventude do bairro, um amigo chamado Nuily me viu tentando fazer alguns Footworks e Top Rocks com a prótese e viu a minha dificuldade, então, ele chegou próximo e disse “Ei, Perninha, porquê você nao tenta dançar sem esse negócio ai? Eu acho que, além de você ficar bem mais livre, você vai poder criar muita coisa original”, e nesse dia eu fiz meus primeiros Footworks, desde esse dia em diante, coloquei a prótese apenas para andar no dia a dia. Minha primeira competição foi no mesmo ano que comecei, em um evento de 2vs2 Kids, ao qual eu e meu irmão de criação, Fidel, participamos juntos, foi nessa mesma época que fundamos a Infect Break, uma crew que até hoje segue ativa na cidade, perdemos na semifinal, mas foi uma grande experiência.
BW: Perninha, queria que falasse um pouco da questão da sua perna, foi algo de nascença? Como superou essa situação que poderia ter sido uma limitação ou um motivo para desistir, mas você dança muito bem Breaking até hoje, nos conte isso…
Perninha: Eu nasci com uma malformação congênita ou mais precisamente, um encurtamento no fêmur esquerdo. Os médicos até hoje não sabem porque eu vim ao mundo com essa condição, pois minha mãe não teve nada que pudesse prejudicar a gestação. Como falei mais acima, os ensinamentos da minha mãe de “nunca desistir” ou “jamais se entregar” foram fundamentais para o meu crescimento e aceitação, juntamente com a Cultura Hip-Hop, que me abraçou e me mostrou que eu poderia ser eu mesmo, pois dentro de uma cypher ninguém olharia para o “perninha deficiente” e sim para o Perninha B-Boy. Sou grato também aos Old School da minha cidade, Kazzuza e o Vant Vaz, que foram pessoas que sempre me motivaram e me deram conselhos para adaptar os passos ou me fazer entender que meu caminho era diferente dos demais B-Boys e B-Girls. E foi graças a essas pessoas e mais algumas, que pude entender como eu poderia explorar minha dança e ser quem eu sou, tanto dentro como fora das batalhas.
BW: Recentemente, na sua rede social, você fez uma rifa para continuar a fisioterapia e a medicação no tratamento de uma lesão, uma protusão em 6 discos (2 na cervical e 4 na coluna). Como isso apareceu? Qual o prognóstico? E como estão essas ações que tem feito? Quem desejar ajudar, como pode participar?
Perninha: Sobre as lesões, eu já havia tido 2 protusões no ano de 2018, fiz fisioterapia e tomei medicação. Depois disso, fiquei “bom”, voltei aos treinos normalmente e nâo senti mais nada. Com a chegada da pandemia, fiquei alguns meses parado e isso provocou um choque no meu corpo. Quando decidi voltar a treinar e competir, por conta dos meses que fiquei parado devido ao início da pandemia, voltei a competir e até então tudo normal. Então, esse ano, quando eu estava treinando, senti uma fisgada no meu pescoço, fui ao médico e todos me falavam a mesma coisa, que era apenas um torcicolo, passei um mês assim e nada desse “torcicolo” melhorar, um dia, eu acordei e parecia que todo o meu corpo estava paralisado, eu não conseguia me mexer sem sentir dor, minha esposa estava tendo que me ajudar até para tomar banho, então, decidi ir novamente ao médico, onde o mesmo passou uma bateria de exames e após ver os resultados da ressonância, me falou que eu estava com 6 protusões, que não era caso de cirurgia, mas que eu deveria tratar o quanto antes para que não se transformasse em uma hérnia de disco e após o tratamento e as dores sumirem, eu deveria seguir um protocolo de fortalecimento para o resto da minha vida, com trabalhos de musculação e fortalecimento. A previsão dada pelos médicos e fisioterapeutas é de 1 a 2 meses para que eu possa voltar a treinar de leve com acompanhamento. A rifa foi uma ideia do Ratin da Killa Rockers, meu companheiro de crew, através da rifa conseguimos levantar o suficiente para custear as primeiras sessões de fisioterapia. Após o sorteio da rifa, eu deixei apenas o meu Pix para quem puder e quiser ajudar com algo, pois ainda estou tendo muitos gastos com medicação e terei que continuar a fisioterapia após as sessões pagas acabarem, pra quem quiser ajudar de alguma forma, é só falar comigo pelo Instagram que eu envio o meu Pix.
BW: Alguma vez você se sentiu discriminado, desanimado ou diferente dos outros? O que usou como ferramenta de superação?
Perninha: Minha vida inteira (risos), mas como falei anteriormente, por conta do que aprendi com minha mãe, sempre usei tudo que jogavam em mim como energia ou combustível para continuar e seguir em frente, o preconceito começou dentro de casa com meu pai, depois na escola, na rua e até dentro do Hip-Hop, onde muitos B-Boys me diziam para parar, que eu não chegaria a lugar nenhum. Mas essas coisas nunca me fizeram parar, aprendi a amar meu pai independentemente do que ele fez e aprendi que pessoas vazias jamais conseguiram ver aquilo que pessoas determinadas veem.
BW: Como você vê a questão dos B-Boys e B-Girls brasileiros que têm alguma limitação? Existem trabalhos e ações no Breaking efetivas para trabalhar esses dançarinos? Ou faltam iniciativas?
Perninha: O Brasil hoje, por incrível que pareça, é um dos países no mundo com o maior número de B-Boys com deficiência e que tem um alto nível, infelizmente, por conta das políticas públicas e da nossa própria cultura, muitas vezes lutamos por coisas que não são tão urgentes quanto outras, diferente do trabalho que fazem fora do Brasil, que mesmo sem ter tantos B-Boys e B-Girls com deficiência, os mesmos têm um amparo muito grande do Estado e das empresas privadas. No Brasil existem trabalhos e iniciativas, mas na maioria das vezes sem investimento. Acredito que falte uma atenção tanto da população como do Estado para a pauta das pessoas com deficiência no geral, pois muitas vezes falamos de diversas lutas, mas esquecemos de uma que dependendo da condição física ou mental, precisa de ajuda para ir ao banheiro, para ler, para comer. Então, que possamos ter essa sensibilidade de lutar pelas urgências.
BW: Nos conte um pouco sobre os seus trabalhos nos Artistas de Rua , na ILL Abilities e no Coletivo Gang Gangrena?
Perninha: Então, eu sempre fui artista de rua, desde que comecei a dançar e foi algo que me ajudou muito a falar em público e interagir com as pessoas, o Coletivo Gang Gangrena foi a crew que cresceu comigo, a maioria amigos da mesma cidade e que hoje desenvolve um trabalho por todo o mundo, em batalhas, shows etc… o Killa Rockers eu entrei em 2014, a convite dos B-Boys Rock Lee e Ratin, desde então seguimos produzindo conteúdos, batalhando e promovendo a cultura no geral, tanto no Brasil como no exterior. O Ill-Abilities é um grupo de Breaking composto apenas por pessoas com deficiência, que tem o objetivo de levar ao mundo a mensagem “Sem Desculpas e Sem Limites”, promovendo shows, batalhas, palestras, workshops e sendo agente de transformação para pessoas em situação de vulnerabilidade social por todo o mundo.
BW: Você faz parte da Killa Rockers Crew correto? Como começou seu relacionamento com a crew e nos fale dessa convivência com o pessoal.
Perninha: Sim, então, eu conheci o pessoal no ano de 2012, mas já acompanhava por vídeos, na época que morei em Minas e em São Paulo, fiquei muito próximo praticamente de todos os integrantes, treinamos juntos e convivemos bastante. Até que, em 2014, o pessoal decidiu participar da batalha da Amizade na cidade de Rio Claro-SP, o B-Boy Rock Lee estava na minha casa na Paraíba e me perguntou se eu não gostaria de participar com eles e o que eu achava de fazer parte da crew. Pra mim foi algo natural, pois eu já convivia com o pessoal que para mim era como se fosse minha própria família. Desde então, faço parte do Killa Rockers.
BW: Em termos de competições, que eventos mais te marcaram? Que vitórias foram inesqueciveis? Você já competiu fora do Brasil? Fale da sua caminhada na dança e dos momentos memoráveis.
Perninha: Falando de vitórias em competições e momentos marcantes, houve 3 em minha vida que eu considero como momentos que mudaram o rumo da minha carreira: o primeiro, foi quando ganhei junto do meu brother Deinho, o Vivadança 2013 2vs2, onde a premiação era exatamente 1000 reais para cada, eu peguei todo o dinheiro daquela premiação e me mudei para o Sudeste sem pensar duas vezes e isso me abriu muitas portas, foi uma decisão difícil ficar longe da família, mas vendo hoje eu sei que foi algo necessário, então, guardo na memória até hoje, tanto a vitória nesse evento como o que fiz ao receber a premiação; o segundo momento foi a vitória no Batalha na Vila Latino America 2013, o meu companheiro de crew, o B-Boy Douglas, havia vencido a etapa do Rio de Janeiro e deveria ir para competir nesse evento em São Paulo, mas infelizmente ele não conseguiu ir, então, ele entrou em contato com a produção do evento para que deixassem a vaga para mim, que era da Gang Gangrena assim como ele, os organizadores infelizmente não me deixavam competir, até que no último segundo, depois de tanto eu insistir e falar que não havia nada errado em entrar no lugar dele, os mesmos me colocaram para competir, olhando pra mim com uma cara de tipo “vai deixa ele ir, é provável que perca de primeira” e foi muito incrível, porque eu fui passando fase a fase, na semifinal cheguei a tirar os jurados das cadeiras de tanta energia que foram minhas entradas e, por fim, venci o evento, então, os organizadores tiveram que vir me dar a premiação e me parabenizar mesmo, não acreditando que aquele deficiente “chato” tinha ganho o evento deles, que inclusive foi o último que eles fizeram, evento esse que tinham grandes nomes presentes no 1×1 como Luka, Kapu, Aranha, Canito, Kley, Rock Lee, dentre outros e um deficiente desconhecido lá da Paraiba ganhou; e o terceiro momento foi no ano de 2019, no The Legits Blast Festival na Eslováquia, onde recebi o prêmio de “B-Boy Float Most Valuable Breaker OutBreak 2019”, como o destaque das cyphers e do evento, no qual se encontravam mais de 1000 B-Boys e B-Girls de todo o mundo, mais uma vez um paraibano no meio desse povo todo foi visto por alguém. Esses três momentos para mim foram os mais marcantes na minha carreira até hoje, pois em cada um teve seu significado para que eu pudesse conquistar ou ser quem eu sou, tanto como profissional, mas também como pessoa.
BW: Você é um cara atuante, principalmente nos debates dentro da Cultura e no meio do Breaking. Você se acha polêmico em algumas circunstâncias? Já teve problemas em expor algumas opiniões?
Perninha: Não me acho polêmico, eu não me acho nada na verdade (risos), o que eu acho é que há muita coisa que precisa ser conversada e muitas vezes apenas A ou B fala, enquanto muitos seguem calados ou com medo de se expressar e serem julgados, entende? Eu, como fui julgado minha vida inteira até dentro de casa, não ligo muito pra isso, sou uma pessoa sincera, se eu gosto, eu gosto, se eu não gosto, não gosto. O problema são os outros que criam, porque eu mesmo sigo trabalhando e fazendo meus projetos, dançando e sendo diferença na vida de quem precisa e quem quer “problematizar” o que eu falo ou faço, pra mim tá só perdendo tempo, onde o mesmo poderia estar ajudando e incentivando alguém. Por isso, eu sigo nos meus objetivos, as pessoas falando ou não de mim. Isso não muda nada na minha vida (risos).
BW: Como você analisa os B-Boys e as B-Girls brasileiras? Na sua opinião, temos condições de competir de igual para igual lá fora? Principalmente em eventos como as Olimpíadas?
Perninha: Então, sendo bem direto, todos nós sabemos da diferença em estrutura e incentivo que temos no nosso país, se comparado com Estados Unidos, Europa e Ásia, mas mesmo em condições precárias de treinamento ou de sobrevivência, muitos de nós batem de frente, se destacando muitas vezes e até ganhando eventos de grande porte, na minha opinião, temos sim condições de competir com qualquer Breaker pelo mundo, mas sendo crítico e sabendo entender que estamos saindo alguns passos atrás e que precisamos correr alguns passos a mais para diminuir essa diferença que existe, as Olimpíadas podem ser uma plataforma que irá gerar mais investimento e visibilidade para que possamos ter mais apoio e condições de encurtar essa diferença que citei, comparando com os países de primeiro mundo. É apenas uma especulação, mas eu estou bem confiante sobre as Olimpíadas, pois sei que temos sim um potencial de crescimento ainda maior, é só ver nos últimos 5 anos o número de brasileiros que têm se destacado no cenário internacional.
BW: Normalmente, como funciona sua rotina de treinos?
Perninha: No momento, eu estou parado a cerca de 3 meses, devido a lesão, mas normalmente eu treino entre 4 a 5 vezes por semana, em média 3 a 6 horas por dia, costumo dividir meu treino entre criação (novidades), aperfeiçoamento (de coisas que já sei), preparo de competição (treino várias entradas e todas as possibilidades possíveis e em músicas diferentes).
BW: O que tem feito nesse tempo de pandemia?
Perninha: No início da pandemia, como falei eu estava parado devido às medidas de proteção, mas depois, voltei a treinar e competir, ano passado fui destaque na primeira edição on-line do Break Free, no primeiro semestre de 2020, fui finalista da segunda edição e vencedor da terceira edição, ambas em 2020, no final do ano, fui indicado ao prêmio de destaque internacional do ano ao qual estava concorrendo com mais 4 grandes nomes, Hong 10, Shigekix, Amir e Gravity. No início do ano de 2021, fui campeão do Campeonato Nacional Fluxo, que teve sua edição em formato on-line e fui destaque do evento na primeira edição de 2021 do Break Free. após isso, eu me lesionei e desde então sigo sem treinar, ajudando o pessoal do meu estado com a Federação Paraibana de Breaking e também trabalhando no projeto The Big Players, juntamente com alguns outros nomes da cena nacional.
BW: Quais são seus planos para o futuro?
Perninha: Trabalhar muito! Pense numa coisa que eu gosto, é de treinar e trabalhar, ainda quero tirar minha mãe do aluguel e ter condição de olhar pra ela e falar “pode parar de trabalhar, deixa comigo”, há muitos países ainda que tenho pra conhecer e alguns projetos que quero concretizar para ajudar mais pessoas.