O evento se chama E-Fise Montpellier Honor, que acontece todo ano na França e que tem o apoio da World Dance Sport Federation (WDSF), que é a entidade que organiza a dança esportiva nos jogos olímpicos. A competição se chama “Battle of the Nations”, onde a equipe brasileira compete com outros 45 países. Esse ano, o evento será apenas on-line. Os torcedores poderão também participar por meio de uma plataforma de votação, onde podem votar em seus países favoritos, tendo oportunidade de apoiar seus atletas.
Esse ano, como resultado das medidas de distanciamento social impostas pela epidemia de COVID-19, foi impossível realizar o FISE Montpellier em condições normais. As medidas tomadas pelo governo francês agora proíbem reuniões de mais de 5.000 pessoas.
O projeto E-FISE nasceu com o desejo de criar um verdadeiro evento digital, que torcedores e atletas possam desfrutar durante todo o verão. Entre os motivos que motivaram a decisão de manter uma edição FISE, há um que prevaleceu sobre todos: dar apoio aos atletas que fazem a mágica do FISE há 20 anos. Esta edição será uma forma de auxiliá-los neste difícil período sem eventos físicos e de reafirmar o apoio da FISE a todos.
Participam da equipe brasileira os atletas: Kalleo Hipólito (Street Roller), Eduarda Bordignon (Street BMX Bike), Jéssica Costta (Roller Park), Rogério Lopes (Skateboard), Robson Teixeira e Marcos Aurélio dos Santos (BMX Flatland) e, por fim, as pequenas que já são bem conhecidas Laura Brito dos Santos, também do Roller Park e Chaya Gabor, que é chamada de B- Girl Angel do Brasil, no Breaking, ambas têm apenas 10 anos e representam a nova geração de atletas brasileiros que são cada dia menores na idade mas gigantes no talento.
São de Angel as palavras: “Fiquei muito feliz de ter sido chamada para defender o meu país, considero uma grande oportunidade na minha carreira. Participei anteriormente de uma qualificatória onde tive uma boa colocação em relação aos outros b-boys e b-girls do meu país e por isso ganhei a vaga! Acredito que Deus me deu essa oportunidade! Pretendo fazer o meu melhor para ajudar o meu time!”.
As votações já começaram, quem desejar apoiar o time brasileiro com voto deve acessar: https://www.e-fise.com/en/nation/brazil, logo em seguida, será enviado um e-mail confirmando a votação.
Conheça mais um pouco sobre os atletas brasileiros:
Kalleo Hipólito, Patinador, 31 anos
Sou um cara de mil e um pensamentos positivos, tranquilo, mas quando tenho um nó na garganta sou bem explosivo. Sempre que posso faço caminhos diferentes, mudo meu quarto, os móveis não tem seu local, sempre girando. Punk Rock, Funk Soul e uns Disco Music, o som completa meu cotidiano e na hora de patinar é ele que me controla para dar aquela vibe a mais no role. Andar de patins, está no top 1 da minha vida, válvula de escape, é um mundo que me purifica e sem ele eu fico louco, perturbado, inquieto. Resumindo, sou mais do que viciado. Um vício que todos deveriam fazer, você se diverte, conhece pessoas novas, lugares novos e faz um enorme bem para a saúde. Patinar bastante, conhecer outros tipos de culturas… quero fazer um pouco de cada coisa que o mundo nos oferece.
Eduarda Bordignon, a Duda, BMX Bike, 20 anos
Eduarda Penso Bordignon, possui um currículo que enche de orgulho nosso país com um esporte bastante diferente, ela é praticante de BMX Freestyle. O esporte, que é praticado com bicicletas especiais e se divide em duas modalidades, o BMX Racing (corrida) e o BMX Freestyle (manobras). Duda foi eleita em 2018 a melhor atleta de ciclismo de BMX FreeStyle do Brasil, sendo esperança nos jogos olimpicos. Ela já participou de programas esportivos, Placar 98. Na entrevista, ela falou sobre as suas principais conquistas nacionais e internacionais.
Chaya Gabor, Breaking, 10 anos, conhecida como B-Girl Angel
Representa com todo vigor o Breaking, dança que é um dos elementos da Cultura Hip-Hop e que ano passado foi recomendado pelo Comitê Olímpico internacional para as Olimpíadas de Paris 2024, para virar um esporte olímpico. B-Girl Angel, que nasceu com 850g, é um exemplo de superação, de luta e de força pela vida. Começou a dançar com 3 anos de idade, hoje faz parte da Dream Kids Brazil e, com grande talento, representa a nova geração do Breaking brasileiro e também a força das mulheres dentro da cultura. Também é uma grande esperança para os próximos jogos olímpicos. Foi a primeira criança a chegar na final do Prêmio Sabotage, feito pela Câmara Municipal de São Paulo. Em 2019, foi convidada a representar o Brasil na Porto World Battle na Europa e também já foi premiada em diversos eventos como: Batalha Final 2019 levando o ouro na categoria Kids e o Bronze na categoria B-Girls, Festival All Dance Brasil, onde ganhou o 1ª lugar, 1° lugar na Quebrada Viva Battle Kids, 2º lugar no Festival de Dança Cacondance, entre outros. Participou também de eventos tradicionais como Rival vs Rival, Master Crews. Quando as Ruas Chamam (Brasília), entre outros. O que caracteriza a menina na dança é sua forte personalidade e alguns de seus movimentos Power Moves, que são raros entre as mulheres brasileiras.
Rogério Lopes o “Febem”, Skate, 37 anos
Febem tem se destacado ao longo da carreira dentro do esporte. Em maio de 2019 , o skatista ficou em 13º lugar no FarnHigh, evento mundial que reuniu cerca de 250 skatistas. São dele as palavras: “Comecei a andar de Skate com 10 anos de idade, na cidade de Apucarana, onde vivo até hoje. Aos 16 anos na categoria Amador 1, fui destaque em vários campeonatos no Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Aos 23 anos. passei para a categoria Profissional. Hoje, aos 36 anos, tenho 26 anos de trajetória no esporte”.
Robson Teixeira, BMX Flatland, 36 anos
Nascido em Salvador/Bahia. É atleta da modalidade Flatland BMX, pratica o esporte há 16 anos. Foi campeão mundial na Alemanha e no FISE categoria Master. Mora há 7 anos na França.
Laurinha, Patins, 10 anos
Também é uma atleta do Patins, tem 10 anos, mora no bairro Perequê, no litoral de São Paulo, onde não se tem o menor recurso para a prática do esporte. Há dois anos atrás, um vereador do bairro construiu uma pista de Skate por causa dela. O padrasto foi skatista e desenhou todo o projeto e ele construiu. Desde então, ela treina (sozinha). Mas tem o apoio do padrasto, que a acompanha na patinação para estimular ainda mais o desempenho dela.
Jéssica Costta, Patins, 29 anos
Mora em Las Vegas, patina por mais de 5 anos. Declarou: “Na minha opinião, a qualificação é importante, mas o mais importante é você praticar o esporte, porque você se diverte e não só pela colocação. Às vezes, a gente se diverte e aprende mais em uma sessão ou vendo uma competição como uma sessão, do que focar na qualificação de uma competição.
Aconteceu neste último domingo em Guarulhos, a 6ª edição do Troféu Arte em Movimento, organizado pelo artista plástico e ativista cultural José Pereira de Souza, conhecido na cena como Zep.
O artista deu o nome ao Troféu de Arte em Movimento, porque representa uma linguagem universal, da arte que nunca para. O troféu é dado aos melhores em todas as modalidades de Arte.
Apesar de vivermos em dias de pandemia, o evento aconteceu, num buffet em Guarulhos, reunindo a maioria dos indicados. Na porta, era aferido a temperatura e exigido o uso de máscaras.
Um dos momentos mais esperados do evento foi o espaço reservado às mulheres da Cultura Hip-Hop. Muitas delas foram lembradas, reconhecidas e homenageadas. Nossa editora, jornalista Luciana Mazza, foi uma delas. Ela relata: “Foi um momento muito especial para todas nós! Levando em consideração a situação mundial que estamos vivendo e todos os cuidados e protocolos envolvidos, foram algumas horas bem renovadoras e gratificantes. Houve um encontro de mulheres de gerações diferentes e isso foi muito importante, cada uma com sua história e com sua experiência. Tiveram meninas que viajaram para receber esse reconhecimento. O Zep e a Mônica, do conhecido “Nós no Rolê” estão de parabéns, assim como todos os outros que fizeram indicações”, conclui.
Para Patricia Souza, o evento foi surpreendente, são dela as palavras: “E eu pensando que iria buscar um prêmio e sai de lá com 3. Foi uma surpresa maravilhosa e gratificante. Nosso carinho e respeito aos organizadores, a Mônica e a todas que estavam no local. Pois se recebemos é porque somos muito boas no que fazemos! Devemos dar continuidade no nosso segmento, com mais força”.
B-Girl Cris, que é Mestra em Educação, arte-educadora, escritora e pesquisadora, fez coro e acrescentou: “Gratidão às minhas ancestrais, ao sagrado feminino, ao Hip-Hop, que a arte chegue antes das armas, que o Hip-Hop chegue antes das armas… Exale amor e receba amor… O Hip-Hop me salvou. “O Hip-Hop faz parte das lutas da população negra, a arte negra, o Hip-Hop em se encorajou e nutriu uma comunidade política de luta pela liberdade, também acolheu mulheres que puderam encontrar a voz” (Ângela Davis). Gratidão aos que acreditam nisso! Foi muito emocionante, todas sintam-se abraçadas…”, conclui.
A nova geração também marcou presença e foi lembrada, mesmo não estando presente. Destaque para Sara Cipri, que com seu boombox encantou a todos na hora de receber o seu troféu.
Na mesma noite, uma apresentação de Breaking comandada pelo Jabaquara Breakers animou a noite, mostrando o elemento e sua riqueza dentro da cultura.
O Troféu Arte em Movimento foi um sucesso, reconhecendo os melhores profissionais do país em 2020.
Fotos: Luciana Mazza e Reprodução
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No próximo dia 3 começa o II Festival Pedagogia Hip-Hop On-line: batalha do elemento “Conhecimento” que tem como objetivo geral criar um espaço temporário, criativo e virtual, que envolva professores, arte-educadores, educadores sociais e jovens estudantes da escola pública.
Diante deste cenário de pandemia e isolamento social, a falta de recursos aos trabalhadores da arte em tempos de Covid-19 apresenta-se dentro de uma crise alarmante e complexa que intersecciona economia, saúde e educação. Ciente das vulnerabilidades da Favela, faz-se necessário criar espaços de acolhimento e formação, a fim de contribuirmos com um educar político e emancipatório.
O papel dos artistas e pesquisadores, dentro desse cenário, mostra-se essencial no que tange ao bem-estar social e a qualidade de vida, sendo de suma importância dentro do contexto sociocultural, primeiro porque configura-se como arquivos vivos, segundo, pela relevância dada a cultura Hip-Hop na luta por justiça social. Para além disso, o Hip-Hop exerce um papel essencial na formação dos jovens periféricos, auxiliando-os a compreender o mundo em que vivem e também, como elemento facilitador por meio da comunicação entre culturas distintas. Pretende-se com isso aprofundar os conceitos teóricos e dar continuidade aos estudos relacionados à Pedagogia Hip-Hop, prioriza-se criar uma rede colaborativa e interativa que permita a construção de novas práticas a serem compartilhadas dentro do contexto sociocultural, educacional e político.
São de B-Girl Cris, que é uma das responsáveis pelo festival, as palavras: “Iniciei os estudos baseados na Pedagogia Hip-Hop em 2010, dentro da ONG Casa do Zezinho, local onde atuava como arte-educadora, a reflexão acerca da pesquisa de campo e os estudos obtidos durante o mestrado, resultou no livro “A pedagogia Hip-Hop: consciência, resistência e saberes em luta” (Appris). Portanto, esse evento faz parte do Módulo I, eixo I do meu projeto de pesquisa de doutorado (USP), resultado de minhas inquietações referentes ao processo de educação à brasileira que tem promovido o apagamento de nossa história. Na tentativa de provocar rupturas e o refazimento de memórias é que tenho contribuído nas construções pedagógicas embasadas na pedagogia Hip-Hop. No ano passado, realizei junto com artistas/pesquisadores o I Festival Pedagogia Hip-Hop, que circulou em 5 escolas públicas de São Paulo, são elas: EMEF Fagundes Varella, EMEF Célia Regina Lekivicius Consolin, EMEF Levy de Azevedo Sodré, EMEF José de Alcântara Machado, EMEF Saturnino Pereira. O projeto foi viabilizado por meio de recurso oriundo da emenda parlamentar e executado via Federação Paulista de Breaking, buscou-se inicialmente provocar o encantamento nos professores e nos estudantes das escolas, campo do projeto de pesquisa do nosso grupo de investigação denominado “Culturas ancestrais e contemporâneas nas escolas – Pambunjila” (FEUSP), coordenado pela profa. Dra. Mônica do Amaral. Esse ano, devido à Covid-19, foi preciso repensar os caminhos metodológicos para dar continuidade à pesquisa de modo que fosse possível realizar um processo formativo de caráter emancipatório, político, democrático e público, no sentido de fazer ouvir a demanda das juventudes e dos professores. Assim, o papel dos artistas/pesquisadores, dentro desse cenário, mostra-se essencial no que tange ao bem-estar social e à qualidade de vida, sendo de suma relevância dentro do contexto sociocultural, político e educacional, primeiro porque funcionam como arquivos vivos, segundo, pela relevância dada a cultura Hip-Hop na luta por justiça social. Para além disso, o Hip-Hop exerce um papel essencial na formação dos jovens periféricos, auxiliando-os a compreender o mundo em que vivem e o qual também tem servido como elemento facilitador através da comunicação entre culturas distintas. Nosso intuito é criar uma rede colaborativa e interativa capaz de promover diálogos interculturais e interdisciplinares a fim de despertar processos pedagógicos que nos conduzam a uma educação antirracista baseada na pedagogia Hip-Hop”.
Batalha do Elemento “Conhecimento” Data de Execução: Entre 03 e 07 de novembro de 2020 Inscrições On-line e Gratuitas Emissão de Certificados
As inscrições para os trabalhos e para os ouvintes já estão abertas acesse: http://ph2br.com.br/inscricao/. No site você encontra a programação completa.
Foto: Yoh! Mkt & Press
Confira a programação completa:
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O Portal Breaking World abriu um espaço especial totalmente dedicado a contar a história das Crews espalhadas pelo nosso país.
Se você deseja ver a história de sua Crew contada e eternizada pelo nosso portal, não perca tempo! Nos escreva contando a história da sua família na Cultura Hip-Hop.
Hoje damos o pontapé inicial com a Flow 021 Crew, do Rio de Janeiro.
Sim, o Rio de Janeiro é a terra do Samba, do Funk, do Carnaval, do Passinho, da Garota de Ipanema mas, também, tem o Breaking! E os B-Boys e B-Girls cariocas representam!
Tivemos o prazer dessa semana conversar com o Cleiton, mais conhecido como Tevez, um dos meninos da Flow 021. Confira a entrevista na íntegra:
BW: Queria que você falasse seu nome completo, sua idade, onde e como foi sua infância.
Tevez: Cleiton da Silva Gonçalves, tenho 31 anos. Eu sou nascido e criado em Santa Rita, bairro nobre da cidade de Nova Iguaçu, que é um município do estado do Rio de Janeiro, localizado na baixada fluminense. Foi lá que tive uma infância incrível, com tudo que tinha direito. Jogava bola, pião, bola de gude, soltava pipa, brincava de taco, ioiô e etc.
Cleiton “Tevez” nascido e criado em Nova Iguaçu é um dos fundadores da Flow 021 Crew.
BW: Onde teve contato pela primeira vez com a Cultura Hip-Hop e com o elemento Breaking?
Tevez: Meu primeiro contato com a cultura foi através de um amigo na escola, ele fazia parte de um grupo de dança e me chamou pra conhecer o grupo e foi lá que tive meu primeiro contato com o Breaking porque tinha outras pessoas que dançavam Breaking, Popping e outros estilos.
BW: Quando começou a dançar? Com que idade? Alguém te ensinou?
Tevez: Comecei a dança Breaking em 2016, foi logo depois que saiu o primeiro DVD da Red Bull BC One, nessa época eu tinha 17 anos de idade. Tiveram duas pessoas que além de me ensinar me inspiraram muito a treinar e dar continuidade, o B-Boy Magno e o B-Boy Dblu.
BW: Na sua caminhada na dança, tiveram movimentos mais difíceis de aprender?
Tevez: O Breaking é insistência, é persistência, praticamente quase todos os movimentos tive bastante dificuldade, mas o que mais tenho dificuldade até hoje é o Air Flare (“Loko”).
A Crew foi criada com o objetivo de viajar representando o RJ em outros estados.
BW: No Rio de Janeiro, o Funk é algo muito forte e presente na cultura do carioca. Fale um pouco sobre o que existe ligado ao Breaking. Quais são os eventos mais conhecidos para B-Boys e B-Girls que moram no Rio?
Tevez: Sim! O Funk no Rio é forte demais e muito presente, principalmente agora que o “Passinho” entrou para as Danças Urbanas. Então, tem Funk, tem Passinho e por aí vai. Aqui no Rio temos poucos eventos, mas os que têm são muito importantes pra cena. Temos o Arena Híbrida, B-Boy Confronto, Resolve na Roda, Manifesto B-Girl e Rio H2K. Esses são os eventos de maiores consistências aqui no Rio.
BW: Existe rivalidade entre funkeiros e B-Boys ou o respeito prevalece?
Tevez: Ao meu conhecimento, nunca teve rivalidade não, muito ao contrário, a galera do Funk se amarra nos outros estilos e principalmente na galera do Breaking, porque temos movimentos que acrescentam na dança deles.
BW: Fale um pouco da Flow 021 Crew, quando foi formada.
Tevez: Flow 021 é uma Crew que existe desde 2010, foi criada por alguns integrantes de outras crews, o objetivo era pegar o melhor de cada Crew, nos juntar para viajar e pode representar o Rio de Janeiro em outros estados. Óbvio que na prática muitos não compraram a causa, mas os que ficaram fizeram acontecer, tanto que já rodamos alguns estados competindo com a Flow 021.
A Flow 021 Crew na Eurobattle.
BW: Como escolheram o nome?
Tevez: O motivo do nome ser Flow 021 é porque na junção dos integrantes, escolhemos o melhor de cada Crew e os que mais tinham um Flow carregado e o 021 é o DDD do Rio de Janeiro, por isso chegamos à conclusão de Flow 021.
BW: Fale sobre os B-Boys da Crew?
Tevez: B-Boy Stal, 31 anos, é o nosso representante de mais expressão e conhecimento, porque ele que fazia nossos projetos, ele que via os eventos que a gente podia competir fora do Rio, pedia carta convite aos organizadores, por isso é o nosso linha de frente na nossa comunicação; Diogo Monteiro, 28 anos, B-Boy Bambimo, nosso mais novo integrante com 5 anos de Crew, formado em direito, é o advogado da nossa Crew; Marlon Leonardo, 28 anos, B-Boy Sequela, seu maior forte é trick combo. Sequela atualmente está parado por conta de trabalho; Flávio Gonçalves, 37 anos, B-Boy Flávio é o nosso integrante mais cascudo, também já viajou muito o Brasil competindo pela Crew. Ele é militar, no entanto, treina quando pode; Gabriel Monteiro, 28 anos, B-Boy GB está se formando em museologia; Alex Ricardo, 31 anos, B-Boy Alex trabalha em salão, ele que cuida do penteado dos integrantes; Bob Vinicius, 36 anos, B-Boy Bob trabalha com animação de festa e é youtuber; Jean, 27 anos, B-Boy PL nos representa demais aí em São Paulo; Pedro Cortez, 24 anos, B-Boy Miojo, integrante novo, também anda atarefado com a faculdade; Rafael Lima, 30 anos, B-Boy Russo. Atualmente Russo também está buscando formação na faculdade de cinema pela Estácio de Sá e eu, Cleiton da Silva, 31 anos, atualmente trabalho como técnico de informática.
BW: Quais são as Crews mais conhecidas do Rio de Janeiro? Vocês costumam se encontrar em eventos aí no Rio?
Tevez: As Crews mais conhecidas aqui no Rio são a GBCR, Ativa Break, KND, Reflexo Urbano Rootz Funk e Style Monster. Todas essas Crews nos encontram com bastante frequência nos eventos e às vezes até em resenha.
B-Boy PL, da Flow 021 Crew, foi campeão da Batalha Final, em São Paulo no ano passado.
BW: Onde vocês treinam? Vocês têm o hábito de participar de eventos em outros estados?
Tevez: A Flow 021 foi criada justamente com intuito de competir em outros estados, mas tem outras Crews aqui no Rio que estão começando a sair para competir em outros estados também. Nosso local de treino é normalmente em local público, como a UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) ou o MAM (Museu de Artes Modernas) são os locais de treino não só da Flow, mas como de todas as Crews do Rio.
BW: Existe algum lugar no Rio que seja local de encontro de B-Boys e B-Girls, tipo Casa do Hip-Hop ou rodas que sempre acontecem?
Tevez: Os locais de encontro de B-Boy e B-Girl normalmente é na UERJ e no MAM. Os encontros não são com bastante frequência, mas por exemplo, no domingo passado rolou um encontro muito bacana no MAM.
BW: O que acha sobre a possibilidade do Breaking virar um esporte olímpico?
Tevez: Acho incrível o Breaking virar um esporte olímpico, porque desperta o olhar global para a cultura, o Breaking nas olimpíadas acaba com o clichê de muitos falarem que nossa cultura é marginalizada, eleva a dança e a cultura para outro nível, um nível mais profissional.
Das quebradas para o mundo: o Breaking nas Olimpíadas é uma grande oportunidade, segundo Tevez.
BW: Como têm sido os treinos nesse momento de pandemia?
Tevez: Os treinos nesse período de pandemia têm sido muito difíceis, por conta do dialogante aos espaços públicos, a UERJ por exemplo não abriu, com isso só tínhamos o MAM pra treinar e o MAM é um pouco mais distante.
BW: O que significa o Breaking para você?
Tevez: Além de um estilo de vida, o Breaking, por diversos anos, foi minha profissão, eu trabalhei 7 anos numa companhia de dança, já dancei no trem, no metrô, era com o Breaking que tirava meu próprio sustento. Sem contar o exercício, a terapia que o Breaking nos oferece.
BW: A mensagem que você deixa para os B-Boys e B-Girls de todo o Brasil?
Tevez: Aproveitem o treino, valorizem o momento que vocês têm pra treinar, porque o tempo é cruel, se vocês não treinarem agora, vai chegar um momento em que vocês não vão mais conseguir fazer isso, aí você vai ter a sensação de que todo o treino, todo o esforço foi em vão. Ninguém vai ficar jovem para sempre, o tempo é cruel, então, aproveitem e treinem intensamente, evoluam muito, viagem para outros estados, façam amizades, valorizem seu network, isso é muito importante hoje em dia.
Fotos: Arquivo Pessoal / Sue Cardoso / Marko De Paula / Rodolfo Lo Bianco / Rio Sun
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O muralista brasileiro finalizou no final de semana a obra “Coração Santista”, em Santos, no estado de São Paulo. O grande homenageado do mural é Pelé, Edson Arantes do Nascimento, que completa 80 anos de vida hoje, dia 23 de outubro.
O conhecido artista urbano Eduardo Kobra homenageia Pelé em mural em Santos, no litoral sul do estado de São Paulo. “Coração Santista”, com 800 metros quadrados, foi finalizado no domingo, 18 de outubro e liberado para o público. A obra está situada em uma parede de 800 metros quadrados, na Ponta da Praia, região que está sendo revitalizada. Está na fachada do CAT (Centro de Atividades Turísticas), em frente ao Mercado de Peixe (Praça Gago Coutinho s/n – Ponta da praia), recentemente inaugurado.
No mural, há quatro cenas, todas situadas dentro dos arcos (ou círculos) das muretas de Santos, um dos mais conhecidos símbolos da cidade: Pelé, o Bonde, a Bolsa do Café e Um estivador no Porto de Santos.
A obra “Coração Santista” homenageia o Rei do Futebol no mês em que completa 80 anos de vida.
Kobra explica os detalhes sobre cada uma das cenas:
Pelé: “Fiz inspirado na imagem de Pelé jogando pela Seleção Brasileira, com o suor escorrendo pela camisa e formando um coração em seu peito, cena captada pelo fotógrafo Luiz Paulo Machado, quando trabalhava na revista Placar. O mérito é do fotógrafo. Procurei respeitar esse instante mágico e mantive até o efeito da luz nas mãos da foto original. Mas, claro, coloquei as cores e também muito preto e branco, dentro das características do meu trabalho. Parece que Pelé está projetado para fora do mural, como um 3D! Também imaginei que o suor tivesse formado a palavra ‘Santos’, como referência ao amor dele pela cidade e pelo clube”, revela o artista.
Porto de Santos: um estivador acompanha o processo de retirada de um contêiner de um navio. É uma cena com muita cor, com o estivador em primeiro plano, o que mostra a importância, a força e a beleza do trabalho feito cotidianamente em Santos. “É uma homenagem às pessoas que trabalham e constroem as cidades. Não apenas em Santos, mas no Brasil e no mundo inteiro”, afirma.
Bonde daCidade – O bonde, um dos símbolos da cidade, alguns ativos até hoje para turismo. Na imagem, vemos um condutor e o próprio bonde com reflexo na calçada icônica de Santos. “Essa cena tem uma conexão com meu trabalho e as memórias que tenho de arquiteturas, paisagens e personagens”, conta o muralista. O personagem que aparece na obra é o condutor Welcio Francilino da Costa, 45 (mesma idade de Kobra), nascido em Londrina, Paraná e ainda servidor da CET Santos. Hoje, o condutor vende os tickets para o passeio de bonde em uma bilheteria situada dentro do Museu Pelé. No último sábado, ao saber que Kobra começava a retirar as telas e andaimes para finalizar a obra, Welcio, que vive há 25 e dez meses em Santos (25 anos e nove meses na CET, seu único emprego na cidade) foi até o mural e ficou emocionado e admirado com todo o trabalho. “Foi baseada em uma foto de cerca de 17 anos atrás. Não imaginava que seria tão monumental. É uma homenagem para mim, claro, mas também à cidade que me acolheu e que amo. Foi aqui que conheci minha esposa, Cláudia Helena Jorge, e que tive meu filho (Jonnathan). Enfim, foi a cidade onde formei minha família. Santos mora no meu coração. Adorei ver todas as cenas colocadas por você, especialmente o bonde. Sou apaixonado pelos bondes! Ninguém pode falar mal deles perto de mim; são meu xodó”.
ABolsa do Café – Mostra a magnífica porta principal desse prédio também icônico em Santos. “Em minha pesquisa, avaliei e estudei imagens de centenas de prédios da cidade. A Bolsa do Café é sensacional, excepcional com uma quantidade incrível de detalhes. É linda por dentro e por fora. Entre os detalhes, quis valorizar a porta de entrada, as colunas principais e as esculturas que ficam no topo”, conta Kobra, que também revela uma ligação afetiva com Santos. “Nos meus primeiros anos de vida, eu ia para Santos com meus pais, porque meus avôs tinham um apartamento na cidade. Tenho lembranças vagas, mas sinto-me desde sempre ligado afetivamente à cidade. Por isso, fazer esse mural é uma honra, um privilégio e uma emoção para mim”, diz Eduardo Kobra.
Detalhe do mural “Coração Santista”, retratando Pelé.
Pelé é, ao lado de Ayrton Senna, a grande referência esportiva de Kobra. Fazer um mural em Santos é um sonho antigo do artista urbano. “É um gênio, considerado o maior atleta do século 20. É o maior jogador de todos os tempos, mas também um ícone pop, pintado por Andy Warhol. Tornou-se o maior símbolo de brasilidade no mundo. Em todos cerca de 35 países onde pintei, a primeira coisa que dizem quando sabem que sou brasileiro é ‘Pelé’. Muitas vezes também dizem ‘Carnaval’, mas sempre tem Pelé. Fico impressionado. Afinal, ele parou de jogar há 43 anos e segue como o brasileiro mais famoso no mundo”, diz Kobra.
Bastidores do trabalho
Kobra, junto com mais quatro pessoas de sua equipe, passou cerca de 45 dias em Santos, trabalhando com a proteção de telas para que a surpresa para Pelé e a cidade de Santos não fossem reveladas. As telas e os andaimes que utilizou para o trabalho começaram a ser retirados às 7h da manhã do último sábado, dia 17 de outubro. Por volta das 11h, Kobra e demais artistas da equipe iniciaram a finalização do trabalho: primeiro taparam os buracos provocados pelo andaime e depois Kobra retocou vários detalhes da obra. Ontem, domingo, Kobra voltou ao local para mais alguns retoques e para assinar a obra, sobre os aplausos de admiradores e curiosos. Segundo o artista, foram utilizados de 300 a 350 latas de spray. “Trabalhamos durante 45 dias, das 8h às 18h, para que o mural ficasse pronto para o aniversário de Pelé, no dia 23 de outubro”, diz Kobra, que acrescenta: “um tempo ainda maior, de 60 dias – dois meses – utilizei na pesquisa e projeto da arte. Fiz pesquisas históricas, iconográficas e, como disse, regatei memórias afetivas. Para o chegar ao resultado final, fiz mais de 30 desenhos, buscando o equilíbrio certo entre as cenas, o uso correto de cores e preto e branco e o respeito e valorização da cultura e da história de Santos”, afirma.
A obra contou com o patrocínio da BTP (Brasil Terminal Portuário) e da Comgás e com o apoio do Grupo Mendes. Teve a produção de Dila Spinola, Alexandre Spinola e Luli Hunt, além da curadoria de Fábio Magalhães.
“Coração Santista” é a segunda obra do muralista na Baixada Santista. Em 2014, Kobra levou sua arte a dois imensos tanques (14 metros de altura por 17 de diâmetro), da empresa Linde Gases, na rodovia Cônego Domênico Rangoni, no trecho do sistema Anchieta-Imigrantes, que liga Cubatão ao Guarujá. Na época, contrapôs o ambiente pesado das grandes indústrias com o uso de cores alegres e desenhos de crianças, balões e cata-ventos.
Ao Líbano com carinho
O artista brasileiro Eduardo Kobra lançou um painel sobre o Líbano, país marcado pela recente tragédia ocorrida em Beirute. A tela foi leiloada ontem (22 de outubro) com lance inicial de 27 mil dólares (cerca de 150 mil reais). Além do leilão do painel, cinco serigrafias da obra foram sorteadas entre todas as pessoas que fizeram doações – de qualquer valor – para a campanha. De acordo com Kobra, 100% do valor arrecadado será destinado ao país do Oriente Médio. No próximo ano, o conhecido muralista irá pintar a obra “Ao Líbano, com carinho”, em algum prédio da capital daquele país.
Segundo Kobra, o propósito desse trabalho é ajudar às famílias que foram vítimas da explosão. “A obra mostra duas mãos, que simbolizam as mãos da humanidade, levantando o cedro do Líbano, que é um símbolo de paz, de fraternidade, de união e respeito”, diz o artista, que utilizou a bandeira do Líbano como a base para a pintura. “O vermelho representa o sangue derramado pelas pessoas que se feriram ou morreram nas lutas para livrar o país das forças externas; o branco representa a permanente busca pela paz e a beleza das montanhas cobertas pela neve; e o cedro, árvore presente em boa parte do país, é um símbolo de força e eternidade”, explica Kobra.
Eduardo Kobra e a Fundação Tamari, criada por Abdallah W. Tamari (fundador da Sucafina, multinacional do ramo de agronegócios de café) e sua esposa, Samia Tamari, se uniram para dar esse apoio às pessoas afetadas.
O valor arrecadado com o leilão e doações será utilizado para a compra de alimentos, equipamentos médicos e materiais de construção para aqueles cujas casas foram destruídas. “Conto com o apoio de todos nessa Corrente do Bem e mais uma vez fazer a diferença na vida de tantas pessoas que estão hoje necessitadas e precisam do nosso apoio”, diz Kobra, que recentemente utilizou seu talento para uma campanha que ajudava famílias desassistidas, com situação de vulnerabilidade ainda mais agravada pela pandemia do Covid-19.
Kobra fez o painel “Coexistência”, onde mostrava crianças de cinco religiões – budismo, cristianismo, islamismo judaísmo e hinduísmo – em oração e vestindo máscaras. Uma Serigrafia da obra foi sorteada entre as pessoas que fizeram doações. Com o valor arrecadado foram produzidos e distribuídos 16.620 kits. “Agora, estamos ao lado do povo libanês neste momento de necessidade. Qualquer doação pode fazer a diferença. Agora, mais do que nunca, os libaneses, que tanto contribuíram e seguem contribuindo para o nosso país, precisam do nosso apoio”, reforça o artista.
Sobre Eduardo Kobra
Eduardo Kobra, 45 anos, é um expoente da neo-vanguarda paulistana. Começou como pichador, tornou-se grafiteiro e hoje se define como muralista. Seu talento brota por volta de 1987, no bairro do Campo Limpo com o picho e o graffiti, caros ao movimento Hip-Hop e se espalha pela cidade e pelo mundo. Com os desdobramentos que a arte urbana ganhou em São Paulo, ele derivou – com o Studio Kobra, criado em 95 – para um muralismo original – inspirado em muitos artistas, especialmente os pintores mexicanos e norte-americanos, beneficiando-se das características de artista experimentador, bom desenhista e hábil pintor realista. Suas criações são ricas em detalhes, que mesclam realidade e um certo “transformismo” grafiteiro.
Muitos críticos afirmam que a característica mais marcante de Kobra é o domínio do desenho e das cores. Mas o que é mais fundamental para o artista é o olhar. Kobra foi desde cedo apresentado às adversidades da vida. Viu amigos sucumbirem às drogas e à criminalidade. Alguns foram presos. Outros tantos perderam a vida. Foi o olhar que o salvou.
Kobra é autor de projetos como “Muro das Memórias”, em que busca transformar a paisagem urbana por meio da arte e resgatar a memória da cidade; Greenpincel, onde mostra (ou denuncia) imagens fortes de matança de animais e destruição da natureza; e “Olhares da Paz”, onde pinta figuras icônicas que se destacaram na temática da paz e na produção artística, como Nelson Mandela, Anne Frank, Madre Teresa de Calcutá, Dalai Lama, Mahatma Gandhi, Martin Luther King, John Lennon, Malala Yousafzai, Maya Plisetskaya, Salvador Dali e Frida Kahlo.
Em meio ao caos urbano, buscou resgatar o patrimônio histórico que se perdeu. Em um contexto repleto de desigualdade social e injustiças, buscou se inspirar em personagens e cenas que servem de exemplo para um mundo melhor.
Hoje, os murais de Kobra estão em cerca de 35 países e em diversas cidades e estados brasileiros – como “Etnias – Todos Somos Um”, no Rio de Janeiro, “Oscar Niemeyer”, em São Paulo; “The Times They Are A-Changin” (sobre Bob Dylan), em Minneapolis; “Let me be Myself” (sobre Anne Frank), em Amsterdã; “A Bailarina” (Maya Plisetskaia), em Moscou; “Fight For Street Art” Basquiat e Andy Warhol), em Nova York; e “David”, nas montanhas de Carrara. Em todos os trabalhos, o artista paulistano busca democratizar a arte e transformar as ruas, avenidas, estradas e até montanhas em galerias a céu aberto. Inquieto, estudioso e autodidata, também faz pesquisas com materiais reciclados e novas tecnologias, como a pintura em 3D sobre pavimentos. Em 2018, pintou 20 murais nos Estados Unidos, 18 deles em Nova York.
Cada vez mais conhecido, Kobra fica, é claro, orgulhoso quando vê uma multidão que observa um de seus murais, mas costuma dizer que o que o comove de verdade é descobrir alguém que para no meio da correria da cidade para observar, mesmo que por um minuto, os detalhes dessa obra. “Apesar dos murais monumentais, Eduardo Kobra faz sua arte para despertar a consciência e a sensibilidade de cada um de nós”. (Airton Gontow)
Conheça melhor as linhas de trabalho de Eduardo Kobra
Muro das Memórias: Projeto mais antigo e constante de Eduardo Kobra, que pinta São Paulo antiga. Há cerca de 40 trabalhos em São Paulo. Cria um contraste entre o antigo e o contemporâneo. No antigo mural, agora já apagado, de mil metros quadrados na Avenida 23 de maio, as pessoas passavam em seus carros, como máquinas, a toda velocidade. O lado humano da avenida estava justamente nos rostos pintados no muro. O artista desenvolveu trabalhos do Muro das Memórias em outras cidades. Fez, por exemplo, lindas criações em Belém (PA), Rio de Janeiro e Santa Maria (RS), além de cidades em diversos países, como Estados Unidos, Suécia, França, Inglaterra, Rússia, Polônia, México, Japão, Emirados Árabes e Taiti.
3D: Kobra é pioneiro nesta arte. Surpreendeu São Paulo fazendo um carro em 3d na Praça do Patriarca. A obra tinha cerca de 30 metros de largura por oito de comprimento. De 98% das posições o espectador via uma mancha no chão. De dois por cento via um carro, “real”, na frente. Fez um Pelé na Av. Paulista; um Michael Jackson no Rio de Janeiro (junto com o artista plástico Romero Brito); uma piscina no Rio (homenagem às Olimpíadas); monumentos de Brasília na Esplanada dos Ministérios e um canyon com elementos brasileiros e sul-africanos na Praça do Patriarca, em São Paulo, durante a Copa do Mundo de 2010. Ao total, fez cerca de 20 trabalhos em 3D no Brasil. Kobra participou de diversas edições do Sarasota Chalk Festival, maior evento de 3D do mundo (ler em trabalhos internacionais, ao final do release). Também participou de quatro edições do “Dubai Canvas at City Walk”, nos Emirados Árabes Unidos.
Galeria de Céu Aberto: O artista começou a colocar seus quadros em muros e outros espaços da cidade de São Paulo. Quer mostrar para as pessoas que a arte é acessível, que todos podem entrar em galerias. “Muita gente pensa que não gosta de arte simplesmente porque nunca entrou em museus e galerias”, afirma Eduardo Kobra.
Greenpincel: O projeto, que o artista desenvolve desde março de 2011, busca alertar e combater as agressões do homem aos animais e ao planeta como um todo. Kobra entregou vários murais para a cidade de São Paulo, dentro do projeto. Fez em julho um chocante mural de “boas-vindas”, chamado “Welcome to Amazônia”, na Av. Rebouças, 167, com cerca de 7m x 5m. O cenário mostra um ambiente arrasado. Pouco antes, concluiu o mural “CO2”, na rua Alvarenga, 2.400, com cerca de 10m x 5m, também parte do seu projeto Greenpincel, iniciado com o mural “Navio Baleeiro” (obra crua e forte, baseada em uma cena da caça de uma baleia pelo navio Yushin Maru), realizado em março na rua Domingos de Morais, na Vila Mariana. Kobra pintou o mural “Sem Rodeios”, na av. Brigadeiro Faria Lima, depois de ficar chocado com as imagens nos jornais e sites do bezerro abatido pelo peão César Brosco durante a 56ª Festa do Peão de Barretos. Fez na rua Cayowaa, em Perdizes, o mural “Mar da Vergonha”, onde critica o massacre de centenas de golfinhos no início de setembro, na pequena cidade de Taiji, na costa meridional da ilha japonesa de Honshu. Em outubro do ano passado fez o mural Alta Mira, onde critica a construção da usina, trabalho que atingiu grande repercussão de público e mídia. Segundo Kobra, o Greenpincel denuncia e combate artisticamente as várias formas de agressão do Homem à natureza. “Todas as tragédias naturais que têm acontecido em nosso planeta mostram que proteger os animais e a natureza como um todo é também uma forma de protegermos o ser humano. Particularmente, sou um apaixonado por plantas e animais. São temas que namoro há muito tempo e, por isso, decidi que já era hora de colocá-los também dentro do meu trabalho como artista”, diz. O Greenpincel marca uma nova etapa nas obras de rua do artista, que buscam basicamente preservar a memória e trazer beleza aos paulistanos, em meio à correria do dia-a-dia. “Gosto muito de resgatar a história e levar beleza às ruas das cidades, o que faço principalmente no projeto ‘Muro das Memórias’, mas há situações em que devemos denunciar, mostrando artisticamente as agressões feitas contra o nosso Planeta”, afirma.
Olhares da Paz: Série inspirada em personalidades importantes da história do Brasil, como o arquiteto Oscar Niemeyer e os compositores Chico Buarque e Adoniran Barbosa além de nomes que contribuíram a para paz, a liberdade, a arte e o humanismo, como Nelson Mandela, Martin Luther King Malala Yousafzai, Dalai Lama, Mahatma Gandhi, Madre Teresa de Calcutá e John Lennon.
Mosaicos: Usa aspectos coloridos e figuras geométricas sobrepostas nas cenas. Esta técnica dá profundidade e cor aos trabalhos. Alguns exemplos desta fase são os já citados murais “O Beijo está no Ar”, em Nova York; e “A Bailarina”, em Moscou. Às vezes a técnica pode se mesclar a outros estilos ou linhas de trabalho do artista. A homenagem a Oscar Niemeyer pertence à fase Personalidades e também à fase Mosaicos.
Trabalhos Internacionais: Eduardo Kobra fez intervenções em países como Estados Unidos, Rússia, França, Itália, Inglaterra, Suécia, Polônia, Japão, Taiti, Emirados Árabes, México e Grécia. Em 2018, pintou 20 murais nos Estados Unidos, 18 murais em Nova York.
Algumas das obras de Kobra no Brasil e no Exterior
Exterior:
1 – O Beijo, na High Line, em Nova York, EUA
2 – Arthur Rubinstein, em Lodz, na Polônia
3 – Artistas, em Wynwood, Miami, Flórida, EUA
4 – A Bailarina (Maya Plisetskaya), em Moscou, Rússia
5 – Malala, em Roma, Itália
6 – Olhar a Paz, em Los Angeles, Califórnia, EUA
7 – Sarasota Antiga, em Sarasota, Flórida, EUA
8 – Abraham Lincoln, em Lexington, Kentucky, EUA
9 – Fight for Street Art (releitura da cena clássica de Andy Warhol e Jean Michael Basquiat), em Williamsburg, Brooklyn, EUA
10 – Alfred Nobel, na cidade de Boras, Suécia
11 – MariArte, em San Miguel de Allende, México
12 – Ritmos do Brasil, em Tóquio, Japão
13 – O Beduíno, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos
14 – Mural ainda sem nome, Papeete, Taiti
15 – Bob Dylan,The Times They Are a-Changin. Minneapolis, Minnesota, EUA
16– Hamlet,West Palm Beach, Florida, EUA
17 –Einstein vai à Praia,West Palm Beach, Flórida, EUA
18 –Give Peace a Chance,Wynwood, Miami, Flórida, EUA
23 – Armstrong(nome não definitivo), Cincinnati, Ohio, EUA
24 – Dante Alighieri, Ravenna, Itália
25 – Let me be myself, Amsterdã, Holanda
26 – Ziggy Stardust (sobre David Bowie), Jersey City, New Jersey, EUA.
27 – Sonho de um Menino, Dubai, Emirados Árabes Unidos.
28 – Mandela(ainda sem nome definitivo), em Blantyre, Malawi
29 – Desmond Tutu (ainda sem nome definitivo), em Blantyre, Malawi
30 – Dalí, em Múrcia, Espanha
31 – Davi, em Carrara, Itália32 – Cacique Raoni (ainda em nome definitivo), em Lisboa, Portugal.
33 – Etnias – Todos Somos Um (talvez ainda receba um novo nome), em Sandefjord, Noruega.
34 – Locomotiva, em Londres, Reino Unido
35 – Família Monet (dois murais que conversam entre si), em Boulogne-sur-Mer (Bolonha-sobre-o-Mar), na França.
36 – Imagine, em Bristol, Inglaterra.
37 – Em 2018 o artista fez 20 murais nos EUA, 18 deles em Nova York.
Apenas no Brasil:
1 – Oscar Niemeyer, Praça Oswaldo Cruz, av. Paulista, em São Paulo, São Paulo
2 – A Arte do Gol (projeto Muro das Memórias), av. Hélio Pellegrino com av. Santo Amaro, em São Paulo, São Paulo
3 – Belém Antigo, esquina da rua Castilhos França com a rua Portugal, em Belém, Pará
4 – Candango, no Complexo Bancário, em Brasília.
5 – Chico e Ariano, na avenida Pedroso de Morais, Pinheiros, em São Paulo, São Paulo.
6 – Novos Ventos, nos tanques da Linde Gases, na rodovia Cônego Domênico Rangoni, no trecho do sistema Anchieta-Imigrantes, que liga Cubatão a Guarujá, São Paulo.
7 – Mural da 23 de Maio (projeto Muro das Memórias), av. 23 de Maio (próximo ao viaduto Tutóia), em São Paulo, São Paulo.
8 – Murais do Parque do Ibirapuera, ao lado do MAM, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, São Paulo.
9 – Pensador, Senac Tatuapé, em São Paulo, São Paulo.
10 – Muro das Memórias Caixa d’água, Senac Santo Amaro, em São Paulo, São Paulo.
11 – AltaMira(projeto Greenpincel), rua Maria Antônia, São Paulo, São Paulo.
12– Muro das Memórias, Senac Tiradentes, em São Paulo, São Paulo.
13 – Gonzagão, Recife, Pernambuco.
14 – Viver, Reviver e Ousar, Igreja do Calvário, em Pinheiros, São Paulo, São Paulo.
15 – Brasil!,muro da usina termelétrica de Macaé, Rio de Janeiro.
16 – Sem Rodeio (Projeto Greenpincel), av. Faria Lima, em São Paulo, São Paulo.
17 – Muro das Memórias Senac Tiradentes, av. Tiradentes, em São Paulo, São Paulo.
18 – Racionais MC’s, Capão Redondo, São Paulo, São Paulo
19 – Genial é Andar de Bike, Oscar Freire, São Paulo, São Paulo
20 – A Lenda do Brasil, rua da Consolação, São Paulo
21 – Etnias – Todos Somos Um, Boulevard Olímpico, Porto Maravilha, Rio de Janeiro, RJ
22 – Sobre Bike e mobilidade (nome ainda indefinido), rua Tavares Cabral, 62, Pinheiros, São Paulo, São Paulo.
23 – Mural do Chocolate (nome indefinido), km 35 da rod..Castelo Branco, em Itapevi, São Paulo;
24 – Escadão das Bailarinas, em Pinheiro, São Paulo, São Paulo
25 – Mario Quintana, Porto Alegre, Rio Grande do Sul.
26 – Ayrton Senna – Superação, em Interlagos, São Paulo.
27 – Escola Professor Raul Brasil (ainda sem nome definitivo), em Suzano, São Paulo.
Para Kobra, muito mais fundamental para o artista é o olhar, além do domínio do desenho e das cores.
Fotos: Reprodução/Erich Oliveira/Martin Lima
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“…minha preocupação mesmo é dançar bem, sempre fazendo o meu melhor.” (B-Boy Ferrugem)
Ele nasceu em Ceilândia, região administrativa de maior influência nordestina no Distrito Federal, considerada também um celeiro cultural e esportivo, por conta de sua riquíssima diversidade artística e atletas da cidade que despontam no cenário nacional e mundial.
Thiago, menino cheio de sardinhas no rosto e sonhos no coração, com uma força admirável, conhecido na cena como B-Boy Ferrugem é mais um exemplo que Ceilândia realmente pode ser uma mãe orgulhosa de seus muitos talentos!
A infância desse menino e dos seus irmãos não foi fácil, viveu dias tristes e bem difíceis dentro de um orfanato, mas podemos dizer que foi amado desde o início por Dona Josefa Araújo, sua mãe adotiva, mulher guerreira que tem 10 filhos, onde 8 são adotados e por seu irmão Sidney. Josefa lutou 5 anos para que tudo se regularizasse e pagou um alto preço por esse amor, que valeu a pena pela felicidade que sente hoje vendo a família unida.
Foi no orfanato, também, que Ferrugem teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop e com o elemento Breaking. Sempre teve o Project Sagaz, que é um projeto social de Cultura Hip-Hop, idealizado e realizado na cidade de Águas Lindas, de Goiás como família e o B-Boy Tsu como seu referencial na dança, ensinando tudo que o menino sabe.
Hoje, Ferrugem tem 15 anos e recentemente, em 2020, passou a fazer parte também da DF Zulu, que é a Crew mais antiga do Distrito Federal. Essa semana, o Portal Breaking World teve o privilégio de escutar e agora contar para vocês a história desse menino que, sem dúvida, é mais um grande nome da nova geração de B-Boys brasileiros que vão conquistar o mundo nos próximos anos, confira a entrevista:
BW: Nome completo, idade. Queria que você nos contasse: onde nasceu?
Ferrugem: Sou Thiago Araújo de Sousa, tenho 15 anos, sou conhecido como B-Boy Ferrugem, nasci em Ceilândia, no Distrito Federal.
Dançar bem dando sempre o seu melhor é um dos objetivos do B-Boy Ferrugem.
BW: Verdade que teve toda uma luta ligada a um processo de adoção? Nos conte sobre todos esses desafios, como isso afetou sua vida e sobre as vitórias que consegui nesse sentido?
Ferrugem: Esse processo de adoção levou cerca de 5 anos até a total regularização da minha situação, porquê no processo envolvia mais 2 irmãos meus, que também foram adotados pela minha mãe. No final deu tudo certo e hoje tudo que envolve documentação é resolvido de forma simples. Essa situação resolvida facilitou todas as questões de viagens e afins.
BW: Como você conheceu o Sidney e a sua nova família?
Ferrugem: Foi um momento muito triste da minha vida, não falo muito sobre essa época porque tem um processo correndo na Justiça. Eu e meus irmãos sofremos muito, mas minha mãe lutou muito por nós.
BW: Como é sua relação hoje com sua família, com o Sidney? Fale um pouco sobre todo esse amor…
Ferrugem: Mesmo tendo contato com minha família biológica, a minha referência é a minha mãe adotiva, que sempre pagou um alto preço pra me ver bem, o Sidney é um irmão de fato, me cobra dedicação, conversamos bastante, às vezes ele é chato, mas sei que é pro meu bem. Hoje somos 10 irmãos, 8 são adotados!
Dona Josefa Araújo é mãe adotiva de Ferrugem e que tem mais 7 filhos adotivos e dois biológicos: coração gigantesco de uma mulher guerreira!
BW: Quando teve contato pela primeira vez com a Cultura Hip-Hop? Onde e como foi?
Ferrugem: Foi ainda no orfanato, em uma apresentação de Breaking que vi.
BW: Com quantos anos começou a dançar Breaking? Alguém te ensinou? No princípio, quem foram suas referências?
Ferrugem: Comecei mais ou menos com 8 anos, na mesma época em que nasceu o Project Sagaz, o B-Boy Tsu da DF Zulu sempre foi meu referencial na dança, sempre me cobrou empenho e me ensinou praticamente tudo que sei.
BW: Em relação ao Breaking, teve algum movimento que foi mais difícil de aprender ou que ainda é?
Ferrugem: Acho que foi muito [difícil] o Top Rock e Footwork, que no princípio eu tive que me dedicar bastante pra aprender e entender.
BW: Você ao dançar passa uma força, uma seriedade e uma grande concentração. De onde vem tudo isso?
Ferrugem: Isso vem muito do que o Tsu e Project Sagaz passa pra mim e pros meninos que fazem aula.
Nas batalhas de Breaking, o menino chama a atenção pelo foco e concentração.
BW: Fale um pouco de suas rotinas de treinos. Quantas vezes na semana treina e como tem feito nesse tempo de pandemia?
Ferrugem: Não tenho treinado tanto nesse período, mas ocasionalmente eu vou nos treinos mais restritos que tem no projeto.
BW: Quem te deu o apelido Ferrugem? E de onde surgiu esse nome?
Ferrugem: Devido às minhas sardinhas no rosto, foi automático.
BW: Como se prepara para cada batalha? Você fica apreensivo ou é tranquilo?
Ferrugem: Geralmente, fico tranquilo, mas sei da importância.
BW: Fale um pouco sobre as principais vitórias em campeonatos. Quais foram os principais eventos onde você foi campeão?
Ferrugem: Um dos principais eventos que ganhei foi a batalha de 1 ano do Encontro de B-Boys de Águas Lindas, porque foi contra adultos, todo mundo podia se inscrever (2018), 2 vices campeonatos da Chelles Battle, foi importante pra mim. Campeão do Festival Quando As Ruas Chamam em 2018 e vice em 2019, 3º Colocado da batalha de Breaking do Festival Elemento Em Movimento, maior do Centro-Oeste, em 2018.
Além do Project Sagaz (na foto), B-Boy Ferrugem também faz parte da DF Zulu Crew.
BW: Como você trabalha o seu emocional na hora que ganha ou na hora em que perde? O que você sente quando está dançando?
Ferrugem: Na verdade, eu nem me preocupo muito com isso, minha preocupação mesmo é dançar bem, sempre tentando dar o meu melhor.
BW: Fale sobre sua Crew, sobre o Project Sagaz e como você se relaciona com essa grande família?
Ferrugem: O Project é um lugar muito especial, ali é bem mais que uma Crew, todo mundo se preocupa e apoia todo mundo, é realmente uma família!
BW: Verdade que esse ano você começou a fazer parte também de uma outra Crew?
Ferrugem: Verdade. Entrei para a DF Zulu que é a Crew mais antiga do Distrito Federal.
A dificuldade encontrada no processo de adoção atrapalhou os planos de dançar fora do Brasil.
BW: Você já competiu fora do país? Tem sonho de ir? Tem algum B-Boy estrangeiro ou brasileiro que você admira muito?
Ferrugem: Ainda não fui, mas já recebi vários convites, o fato do processo de adoção ter demorado regularizar a situação do meu nome atrapalhou um pouco nisso.
BW: Como você administra dança e os estudos? Em que série você está? As pessoas costumam na escola te pedir para dançar?
Ferrugem: Na verdade sempre puxam minha orelha por causa disso, estou na 8ª série, as pessoas sempre pedem pra eu dançar!
BW: Fora a dança o que você mais gosta de fazer?
Ferrugem: Jogar futebol, jogar Free Fire e jogar fliperama no projeto.
BW: O que significa o Breaking na sua vida?
Ferrugem: É algo que me deu aprendizado, uma nova visão de vida.
Assim como outros B-Boys e B-Girls Kids, Ferrugem sonha em disputar os Jogos Olímpicos.
BW: O que você acha da possibilidade do Breaking virar um esporte olímpico? Você gostaria de ir para uma Olimpíada?
Ferrugem: Acho que o Breaking merece visibilidade, eu gostaria muito de participar de uma Olimpíada e ter essa experiência.
BW: Quais são seus planos para o futuro? Onde você pretende chegar?
Ferrugem: Quero terminar meus estudos, me dedicar mais à dança, crescer junto com o Project Sagaz, ajudando as pessoas da nossa cidade, acho que é isso por enquanto.
BW: Mande uma mensagem para todos que estão lendo essa entrevista.
Ferrugem: Espero que esse tempo de pandemia acabe logo, para que possamos voltar com as coisas que gostamos de fazer, sem medo.
Fotos: Arquivo Pessoal/Shake It
Ferrugem (ao centro) e os B-Boys Marcin e Samukinha, da Dream Kids Brazil
Dona Josefa com Ferrugem e alguns irmãos
Ferrugem e os irmãos
Ferrugem e Sidney
Ferrugem e o irmão Sidney
Ferrugem e B-Boy Tsu
Ferrugem e B-Boy Tsu
Ferrugem
Ferrugem
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“A convivência com o Hip-Hop Educa me ensinou a crescer, a evoluir e a entender como a união faz a força. Sinto muita falta deles!”. (B-Girl Aninha)
Ela nasceu em Mauá, que é um município da região metropolitana de São Paulo. Sua infância foi bem humilde mas muito divertida.
Foi por meio do Ballet, numa coreografia que envolvia o Hip-Hop que descobriu, ao ser escalada para fazer o movimento principal, que o Breaking era algo mágico e que queria ser uma B-Girl.
Mas foi junto com a família do Hip-Hop Educa e com o B-Boy Suco que cresceu, evoluiu e aprendeu talvez uma das maiores lições de sua vida: “que a união faz a força”.
Estamos falando da B-Girl Aninha, hoje com 15 anos a menina começa a dar espaço para o nascimento de uma vigorosa jovem, atualmente ela mora com seus pais em Peruíbe, no litoral paulista. A mudança se deu pela busca da tranquilidade na vida praiana. Aninha conversou com o Portal Breaking World e falou sobre sua vida, suas vitórias, suas saudades, suas opiniões e sobre o futuro. Confira a entrevista:
BW: Queria que você falasse um pouco de você, sobre a sua infância e das lembrança que tem dessa época.
Aninha: Meu nome é Anna Carolyne de Sousa Diamantino, tenho 15 anos, tenho 4 irmãos por parte de pai e 2 irmãos por parte de mãe. Eu nasci na cidade de Mauá, em SP e morei em um lugar bem humilde. Minha infância foi incrível e divertida.
Aninha encontrou o Breaking em uma coreografia de Ballet.
BW: Quando teve contato pela primeira vez com a Cultura Hip-Hop? Onde e como foi isso? Quando começou a dançar Breaking?
Aninha: Por incrível que pareça, tive contato pela primeira vez em uma coreografia de Ballet. Minha professora montou uma coreografia que envolvia o Hip-Hop e eu fui escolhida para fazer o movimento principal da coreografia.
BW: Como sua família via seu interesse pela dança? Você teve apoio da família?
Aninha: A minha família notou esse interesse no momento da coreografia. Sim, tenho muito apoio deles, tanto do meu pai quanto da minha mãe e dos meus irmãos.
BW: Fale sobre como era o tempo que treinava com o B-Boy Suco e como era viver com a família Hip-Hop Educa? Você sente falta deles?
Aninha: Era sensacional! Ele é um professor muito dedicado, disciplinado para com seus alunos, sempre transmitia sua alegria para todos. A convivência com o Hip-Hop Educa me ensinou a crescer, a evoluir e a entender como a união faz a força. Sim, sinto muita falta deles!
Aninha sente falta dos companheiros de Crew.
BW: Tiveram movimentos mais difíceis de aprender do que outros ou foram todos tranquilos de aprender?
Aninha: Sim, tiveram movimentos difíceis que demorei mais para aprender.
BW: Você participou de vários eventos e ganhou alguns deles. Fale dos principais eventos e das grandes vitórias.
Aninha: Um dos principais eventos, que foi muito marcante, foi a segunda vez que fui para Diadema, no Beija-flor. E uma das grandes vitórias foi quando eu fui para Tattoo Week pela primeira vez e consegui levar a vitória para casa. Participei de muitos eventos e tive grandes vitórias, mas esses foram os principais que mais me marcaram.
BW: Já competiu fora do país? Alguma vez pensou em ir morar fora do Brasil?
Aninha: Não, mas já tive a chance. Sim
Aninha com B-Boy Suco e a mamãe Iris em evento de Breaking.
BW: Estudar e dançar: como você organiza isso? Em que série você está? Na escola é normal pedirem para você dançar?
Aninha: Em relação a isso é bem tranquilo, consigo me organizar muito bem. Estou na 1ª série do Ensino Médio. Na escola atual não, mas na anterior sempre pediam para eu dançar.
BW: Ano passado você mudou de São Paulo para Peruíbe, no litoral. O que a levou a trocar a vida agitada de São Paulo pela vida do litoral?
Aninha: Meus pais decidiram trocar essa vida agitada, pois queriam mais tranquilidade e menos agitação.
BW: Como você tem vivido esses dias de pandemia no litoral? O que tem feito?
Aninha: Tenho vivido muito bem. Estou estudando bastante, ajudando a minha mãe e treinando muito.
B-Girl Aninha e B-Boy Isaque na MF Battle.
BW: O que acha dos eventos on-line que estão acontecendo nesse momento e dessa nova forma de participar de eventos? Como acha que será o futuro para os B-Boys e as B-Girls pós pandemia?
Aninha: Estou achando bem legal. Na minha opinião, isso depende de cada um, muitos não tem lugares para treinar, mas sei que alguns estão tentando continuar nessa batalha e evoluir.
BW: Muito tem se falado do Breaking nas Olimpíadas. O que pensa sobre isso? Você gostaria de ir para as Olimpíadas?
Aninha: Achei muito interessante, isso será uma chance para todos nós de sermos reconhecidos
BW: O que hoje significa o Breaking na sua vida? Quais são seus planos para o futuro e seus sonhos?
Aninha: Pra mim significa tudo, o Breaking faz parte de mim, é uma dança que me faz sentir leve e contente. Ainda não me decidi o que eu realmente quero para o meu futuro, mas sei que o Breaking continuará sendo o meu hobby.
BW: Deixe uma mensagem para os leitores do Portal Breaking World que estão lendo essa entrevista…
Aninha: E aê galera? Continue se esforçando e dando o melhor de si pelo o que você gosta, desistir jamais, persistir sempre! Um abraço para todos!
Fotos: Arquivo Pessoal/The Sarará
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No próximo mês, acontece no dia 8 de novembro de 2020, em Guarulhos, a 6ª edição do Troféu Arte em Movimento, organizado pelo artista plástico e ativista cultural Jose Pereira de Souza, conhecido na cena como Zep.
O artista plástico deu o nome ao Troféu de Arte em Movimento, porque representa uma linguagem universal, da arte que nunca para. O troféu, que hoje é dado aos melhores do país em todas as modalidades de arte, nasceu em Diadema, em 2014, com a iniciativa de premiar artistas locais e regionais, desde então, a premiação vem se destacando ano após ano e criando “asas”, tomando proporções nacionais e até internacionais.
José Pereira de Souza, o “Zep” é o idealizador da premiação, que este ano está na 6ª edição.
A premiação é considerada o maior prêmio independente do Brasil, tendo em suas últimas edições indicados do Brasil e de outros países. Este ano, será realizado em vários estados. No Rio de Janeiro, uma das comissões é a da Aline Melo, jornalista. Ela voluntariamente está nesta premiação há 3 anos consecutivos, indicando artistas nacionais e internacionais, como Thalia Melo.
Em São Paulo, outra comissão é de Mônica, do “Nós no Rolê”, que ajudou a escolher 32 minas da Cultura Urbana, decisão feita a dedos também por “Banca Somos Um Só” e “RNS Rap Original”. Ela fala: “Este ano (2020) a 6ª edição do Troféu Arte em Movimento contará com um prêmio especial dedicado às minas da Cultura Urbana, onde eu Mônica Senna (Nós no Rolê) juntamente com RNS e Banca Somos um Só, indicamos 32 minas que terão a honra de receber esta premiação exclusiva. O Troféu Arte em Movimento vem crescendo a cada edição e pra nós é um orgulho fazer estas indicações especiais, ressaltando a força e o poder da mulher dentro da cultura, várias minas de representatividade serão reconhecidas não só pelo seu trabalho artístico e sim pela sua força e resistência de estar neste meio, que ainda é muito discriminado e pouco reconhecido. E eu me sinto feliz e satisfeita, embora seja muito difícil escolher, espero que outras premiações sigam o exemplo do guerreiro Zep e prestigiem mais a nossa cultura e as nossa mulheres!”, conclui.
As comissões têm a função de identificar os artistas e todos os que estão associados à arte para receber o troféu, em uma verdadeira democracia cultural, onde o objetivo principal é a valorização e reconhecimento. Essa edição de 2020, por conta da Covid-19, será uma edição diferente, onde todos os cuidadoso estão sendo tomados, cumprindo todas as medidas e protocolos de segurança, conforme orientação e determinação das autoridades de saúde.
O Portal Breaking World, no mês passado, recebeu a notícia que sua editora, Luciana Mazza, foi indicada entre as 32 minas da Cultura Urbana, o que nos deixa muito agradecidos e honrados.
Este ano, a jornalista Luciana Mazza, editora do Portal Breaking World foi uma das 32 indicadas ao prêmio.
Luciana Mazza tem 45 anos, na Cultura Hip-Hop está desde 1989. Além de editora do Portal Breaking World é cineasta, escritora e diretora de comunicação da Casa de Cultura Urbana Street House, em São Paulo. Também é mãe de B-Boy e de B-Girl. São dela as palavras: “É uma honra, junto com essas 31 meninas super talentosas e empoderadas, receber o Troféu Arte em Movimento. Sou muito grata ao Zep, à Mônica e às comissões. É um reconhecimento muito especial! As mulheres sempre estiveram presentes, sempre existiram, persistiram e resistiram a todas as pressões, as tempestades, as violências, aos assédios, as lutas e todos os preconceitos do passado e do presente que, infelizmente, ainda existem. Sempre fizeram a diferença em suas diversas profissões e muitas mudaram o mundo com seus pensamentos e artes, que assim como sangue corre dentro das veias. Certa vez, na minha caminhada na minha arte, que é escrever, um MC meio inseguro falou que o meu trabalho e de outros de jornalistas que amavam a Cultura Hip-Hop não tinha relevância, que eram insignificantes para a cena e para o Breaking. Coitado, sinto pena de pessoas limitadas! Todos os dias fazemos matérias onde contamos histórias e trazemos informações que jamais devem ser esquecidas por aqueles que amam a Cultura Hip-Hop, mostramos e damos razões para quem já quase desistiu da vida voltar a acreditar nela. Valorizamos os nossos artistas de rua, a antiga e a nova geração, mostramos as periferias e os verdadeiros heróis que todos os dias salvam vidas, ao contrário dos oportunistas, que só aparecem para causar ou se forem ganhar dinheiro. Somos a memória, o registro, a informação e também a reflexão para todas as gerações. Obrigada, organizadores do Troféu Arte em Movimento, pela indicação e a todos que reconhecem a importância do nosso trabalho! E o tal cara? Esqueci dele, esse não vale nem aparecer na sessão de obituários!”, conclui a jornalista.
O Troféu Arte em Movimento acontece no Espaço Val Fest, em Guarulhos. A premiação será fechada ao público esse ano para evitar aglomerações, cumprindo todos os protocolos de saúde.
Fotos: Divulgação/Mônica Senna/Man
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O festival é considerado um dos mais importantes festivais internacionais de cinema.
O documentário Nem Eu Sei Tudo da Ancora Produções, que conta a história do coletivo de Hip-Hop Nest Panos, foi recentemente selecionado para um dos mais importantes festivais internacionais de cinema, o Portland Film Festival, na cidade de Portland nos Estados Unidos.
O média-metragem, lançado em 2020, está concorrendo em duas categorias, na categoria de Documentários e na de Documentários – Black Voices (vozes negras), que é destinada a diretores negros ou histórias que evidenciam essa cultura. Em ambas, apenas 6 filmes foram selecionados.
O Portland Film Festival acontece entre 12 e 18 de outubro, de forma presencial e on-line. É um festival dedicado a novas vozes do cinema independente mundial, distribuindo os filmes e os fazendo crescer em meio a networking com produtores, educadores e outros artistas e agentes que buscam novas histórias na área.
Para Fernanda Turchetto, diretora do Nem Eu Sei Tudo, “estar neste festival significa realmente abrir as portas para coisas boas” e completa “significa também que a mensagem e o poder desta cultura está se espalhando em lugares onde nem imaginávamos”.
O festival também envolve workshops com grandes nomes do cinema, estreia dos filmes selecionados, entrevistas sobre curiosidades com o diretor de cada filme, oportunidades de contato com produtores, educadores e canais de TV.
O filme vai ser exibido durante todo o festival em um hotel de Portland, que teve todos os quartos reservados e adaptados para exibir as produções e, ao mesmo tempo, manter a segurança e higienização para evitar um possível contágio de COVID-19 e pela Comcast, um serviço de streaming presente nos Estados Unidos e na Europa, sendo previsto a exibição do filme para cerca de 30 milhões de pessoas. Além disso, ele será exibido on-line no site do festival.
O documentário também está disponível livremente no site www.nemeuseitudo.com.br, onde o internauta também confere mais informações sobre o universo do filme.
Foto: Divulgação Nest Panos
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“… Nada, absolutamente nada vai ser fácil e é por isso que poucos conseguem. Por isso, tenha em mente se é isso que realmente quer pra sua vida e corra atrás.” (B-Boy Leony)
Ele nasceu em Belém, capital do estado do Pará, que é uma cidade portuária e a porta de entrada para a região do Baixo Amazonas do Brasil.
Sempre morou no bairro do 40 Horas. Como todo menino, quando pequeno gostava de jogar bola e brincava na rua até altas horas da noite. Hiperativo, não parava nem um minuto sequer. O que nunca lhe faltou foi energia!
Sendo o mais velho dos filhos de Dona Elizete, foi criado com suas irmãs por sua mãe sozinha, mulher guerreira, como ele mesmo relata com orgulho.
Aos 12 anos de idade, por influência de um primo próximo, conheceu o Hip-Hop, se apaixonando no primeiro momento pelo movimento Head Spin [Giro de Cabeça], começando sua caminhada de sucesso no Breaking, passando a competir em 2012.
Mas foi em 2013 e 2016 que conquistou o título de Melhor B-Boy do país. E, em 2017, foi tricampeão do Red Bull BC One no Brasil. Segundo B-Boy Pelezinho, que foi um dos jurados do evento que deu o segundo título para Leony, ele começou a se destacar por sua autenticidade. Na época, Pelezinho declarou: “sabe muito bem combinar os movimentos. Sua habilidade é impressionante, por isso mereceu mais uma vez o título”.
O tempo passou muito rápido e foi generoso com o B-Boy, que gosta de saborear açaí com mortadela em Belém, o consagrando como um dos maiores nomes da sua geração no Breaking, mas também trouxe responsabilidades por ser um B-Boy mundialmente conhecido.
Agora, em 2020, Leony se considera mais “light”, treinando 3 vezes por semana e recentemente experimentou em sua vida a experiência da paternidade, com o nascimento do seu primeiro filho João Miguel.
Ele reconhece que com essa nova fase alguns planos mudaram, mas colocou um objetivo bem motivador, que é ser campeão mundial nos próximos 2 anos. Pretende também ingressar numa faculdade e abrir um negócio.
Gostou da história e quer saber mais? Então confira o papo que o Portal Breaking World teve com esse B-Boy que é um dos grandes nomes do Breaking da atualidade:
BW: Queria que você falasse onde nasceu e cresceu. E contasse um pouco sobre a sua infância e sobre sua vida em família.
Leony: Nasci em Belém do Pará e fui criado no bairro do 40 Horas, que até hoje resido. Minha infância foi muito feliz, como todo moleque gostava de jogar bola, brincava até altas horas da noite e era muito hiperativo, não parava nem um minuto. Sou o mais velho de duas irmãs e fui criado pela minha mãe Elizete, que é uma guerreira que criou os filhos sozinha.
Nascido em Belém, Leony foi criado com as irmãs pela mãe Elizete: “uma guerreira”, segundo o B-Boy.
BW: Quando teve o primeiro contato com a Cultura Hip-Hop? Quando o Breaking passou a fazer sentido na sua vida?
Leony: Meu primeiro contato com o Hip-Hop aconteceu por meio do Breaking, meu primo, que foi criado comigo, certo dia chegou em casa e falou que um amigo dele estava fazendo “Hip-Hop” e ele queria aprender como fazia, eu me apaixonei quando vi esse tal amigo do meu primo fazendo giro de cabeça e a partir daí comecei a entrar no mundo do Hip-Hop. Difícil falar o momento exato que o Breaking passou a fazer sentido para mim, porém, quando eu vi os B-Boys e as B-Girls dançando, eu já me apaixonei de cara. Mas, se puder falar de um momento, seria que ele fez sentido pra mim quando eu comecei a ajudar as pessoas ao meu redor.
BW: Com que idade começou a dançar? Alguém te ensinou? Nessa época existiam pessoas que você se inspirava? Além de dançar o que gostava de fazer?
Leony: Comecei a dançar no final de 2008, com 12 anos e no início eu aprendia com os meninos da nossa turma, que começaram a dançar junto comigo, não existia uma pessoa ali pra ensinar. No ano de 2008, o maior nome que já era o destaque era o Amazon B-Boys e eles me inspiravam muito (todos queriam ser eles). Eu antes de dançar fui carateca, cheguei a ser faixa verde e até participei de alguns campeonatos.
BW: Você começou criança na dança e também entendeu cedo que deveria buscar os próprios movimentos e estilo, que foi algo que sempre chamou a atenção. Como foi isso? Verdade que você incluí elementos da cultura paraense como o Carimbó e o Tecnobrega na sua dança? Ser diferente era um objetivo?
Leony: Sim, eu sempre busquei minha identidade, eu olhava B-Boys como Menno, Lego, Abstract, Luigi e queria ter o meu “style”, assim como eles. E por muito tempo não sabia como fazer. Em 2011, eu fui à França e lá foi um divisor de águas pra isso, eu pude conversar e ver com meus próprios olhos o que deveria fazer, então, voltei e comecei a buscar isso. A primeira coisa que eu fiz foi olhar pra minha cultura regional e usar isso, usando movimentos e ideias do Carimbó, por exemplo. Ser diferente era a minha busca, pois acho que isso é o que faz o Breaking ser o que ele é.
Leony incorpora em seu estilo elementos de outras danças, como o Carimbó.
BW: Durante seu aprendizado houve movimentos mais difíceis de aprender? Quais? Como você superou as dificuldades?
Leony: Eu sempre tive dificuldade com Power Moves, até hoje não sei o Giro de Cabeça [Head Spin], que foi o movimento que eu me apaixonei (risos). Então, eu notei que tinha mais facilidade para movimentos que exigiam mais técnica a princípio do que força e assim fui aprendendo esses movimentos, como por exemplo, o Moinho de Vento [Wind Mills].
BW: Você teve apoio da sua família na dança? Como todos viam sua ligação com o Breaking?
Leony: A princípio minha mãe achava que era só um hobby, quando ela percebeu que era algo sério, ela apenas me aconselhava a sempre ter um plano B. O resto gostava também.
BW: Como você administra dança e estudo? Qual o seu grau de instrução? Pretende continuar estudando? Na sua opinião são importantes os estudos para quem dança?
Leony: Eu sempre estou estudando e acho que devemos e podemos conciliar os estudos com dança, eu tenho o ensino médio completo e pretendo fazer uma faculdade de publicidade em breve. Estudar é um complemento obrigatório em tudo.
O B-Boy reconhece a importância dos estudos para o sucesso.
BW: Quando começou de fato a competir? Quais foram os eventos que fizeram toda a diferença na sua vida?
Leony: Comecei a competir em 2008, mesmo logo depois de iniciar na dança. Eu tive dois eventos que me ensinaram muito, o primeiro foi o Boty Brasil 2011 (Battle of the Year), onde competi com minha Crew pela primeira vez em nível nacional. O segundo, foi a “Red Bull under my wing” organizado pelo Pelezinho e que me mostrou como o mundo do Breaking é maravilhoso.
BW: Em 2013 e 2016, com apenas 21 anos, conquistou o título de melhor do país. Com isso as cobranças e as responsabilidades aumentaram?
Leony: Sem dúvidas, principalmente depois de 2016 as coisas mudaram e com elas as responsabilidades com o nome “Leony”. Quando se é anônimo você pode errar, experimentar novos estilos, perder, mudar, porém, quando as coisas mudam e você tem um certo reconhecimento, isso fica mais difícil, as pessoas já criam uma imagem e uma expectativa em cima de você, você deve se preocupar com o que fala, veste e faz dentro e fora do mundo do Hip-Hop, tem seu lado bom, assim como seu lado ruim.
BW: Quando saiu a primeira vez do país para competir? Para onde foi? Dançar com os melhores B-Boys do mundo foi desafiador? O que sentiu?
Leony: Minha primeira vez foi em 2011, para a Battle of the Year, na França, foi simplesmente maravilhoso, eu lembro até hoje de cada detalhe dessa viagem, foi lá que eu olhei pra mim e falei “é isso que eu quero da vida”. Foi um desafio, eu me sentia como se não soubesse dançar nada.
Para Leony, o reconhecimento traz consigo grandes responsabilidades.
BW: Que diferenças existem entre o Breaking brasileiro e o que é feito no resto do mundo? Digo principalmente em relação ao preparo e à conduta desses B-Boys e B-Girls?
Leony: Organização sem dúvidas é a palavra que nos difere do resto do mundo. Apenas isso, devemos aprender a ser mais organizados em todos os sentidos aqui no Brasil.
BW: Como você foi recebido em outros países? Pensou alguma vez em ir morar fora do país?
Leony: Sempre fui muito bem recebido em todos os países que estive e muitos eu me surpreendi em saber que tinham admiradores da minha dança lá, eu nunca pensei em morar fora do Brasil, meu lugar é em Belém, tomando açaí com mortadela.
Gosto exótico: açaí com mortadela é um dos pratos favoritos de Leony.
BW: É possível viver da dança no Brasil? Conte sua experiência.
Leony: Sim, é possível. Mas como falei, a falta de organização aqui do Brasil dificulta isso para a maioria. Eu, no início, sofri demais com o lado financeiro (ainda passo aperreios, claro!) mas hoje tenho marcas que me apoiam e tenho também uma cabeça mais madura para tratar dos assuntos e de dinheiro. Eu sempre falo que pra que isso aconteça, para que você chegue a viver de dança, você precisa saber muito bem o que realmente quer da dança, existem diversos meios de viver de dança, saiba escolher um deles e planeje e organize seus passos em busca desse objetivo.
BW: Fale um pouco da sua Crew e do seu relacionamento com todos.
Leony: Minha Crew surge em janeiro de 2006, com o nome de Amazon B-Boys, hoje temos a segunda geração e mudamos o nome para Amazon Crew, pois antes não tínhamos mulher no grupo, mas agora temos e esse título de Crew não era confortável. Hoje sou o líder (só nome mesmo – risos) porque na Crew todos trabalham para o melhor de todos. Temos um convívio muito bom e, claro, sempre temos algumas discussões, que são normais, porém, sou muito grato a cada membro da minha Crew por compartilhar momentos únicos ao lado deles.
BW: Muitos almejam chegar onde você chegou mas desconhecem os sacrifícios. Que conselhos você daria para quem pretende ir longe no Breaking?
Leony: Se você realmente quer isso, entenda que é muito mais sacrifício do que felicidade, nada foi fácil pra mim, nunca! Eu treinava em um local de um Metrô, no concreto, todo dia para ficar bom. Em 2016, eu trabalhei de camelô metade de um ano inteiro para comprar minhas passagens para o Red Bull BC One daquele ano e ir para o Japão. Nada, absolutamente nada vai ser fácil e é por isso que poucos conseguem, por isso tenha mente se é isso que realmente quer pra sua vida e corra atrás, sem ter a menor dúvida de que é isso que você quer ser.
BW: Ganhar e perder faz parte da vida de um B-Boy e de uma B-Girl. Mas como você trabalha isso? Se considera competitivo? As pressões interferem na sua dança? Como trabalha o psicológico?
Leony: Eu sou muito competitivo, eu adoro batalhar, é isso que me mantém focado, claro que eu já perdi muito, porém, eu sempre usei isso para me ajudar a melhorar e evitar as derrotas futuras. Hoje eu me acostumei com a pressão dos eventos, mas no início isso me afetava, sem dúvidas. Não tenho uma fórmula para trabalhar o psicológico, eu acho que isso a gente resolve com experiência mesmo, ou seja, batalhe muito para se acostumar com a pressão.
Para se acostumar com a pressão psicológica não existe receita: tem que batalhar muito, segundo o B-Boy.
BW: Como é hoje em dia sua rotina de treinos. Quantas vezes você treina na semana? Como tem sido nessa época de pandemia?
Leony: Hoje eu sou mais “light” (risos), normalmente treino 3 vezes na semana, com cada treino desse específico para algo. Esse ano, claro, eu fui afetado e treinei bem pouco. A partir de julho desse ano foi que eu pude voltar a treinar, mas ainda estou bem longe da minha forma.
BW: O que você acha dos eventos on-line? Na sua opinião é uma tendência? Como você pensa que será a vida dos B-Boys depois da pandemia?
Leony: Eles se tornaram uma alternativa para esses momentos que vivemos, eu não sou fã desse formato, não gosto, acho “morto”, mas entendo que foi uma necessidade eles existirem. Não acho que é uma tendência os eventos, mas acho que podemos tirar coisas boas disso, como por exemplo, a quantidades de aulas e cursos intensivos de danças que foram criados esse ano. Acho que isso sim é algo que possa virar tendência e eu particularmente acho muito bom.
BW: Muito tem se falado do Breaking nas Olimpíadas. O que você pensa sobre isso?
Leony: Nossa melhor notícia nos últimos anos. Eu torço demais para que o Breaking entre para as Olimpíadas, pois sei que isso sem dúvida vai alavancar nossa arte.
BW: Quais são seus planos e desafios para o futuro?
Leony: Bom, agora eu sou pai e isso sem dúvida mudou meus planos, eu quero continuar dançando, claro e competindo, vou fazer uma faculdade e em breve abro um negócio pra mim. Tenho vários desafios, mas coloquei um bem motivador pra mim, que é de ser campeão mundial nos próximos 2 anos.
Ser campeão mundial, fazer faculdade e abrir o próprio negócio são algumas metas de Leony para os próximos anos.
Fotos: Arquivo Pessoal / D Halsin / Little Shao / Red Bull BC One / 22 Nhati / Quando as Ruas Chamam / Reprodução
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