A russa B-Girl Kastet é a primeira mulher Bicampeã da história da competição
Neste sábado, aconteceu na cidade de Salzburg, na Áustria, a final do mais importante campeonato de Breaking do mundo, o Red Bull BC One.
Participaram alguns dos melhores dançarinos desse estilo, alguns já sondados para fazer parte dos Jogos Olímpicos Paris 2024.
Num grande espetáculo, porém sem público devido a pandemia, B-Boys e B-Girls disputaram o cinturão mundial em batalhas cheias de emoção que foram transmitidas ao vivo pela Red Bull TV.
A final das batalhas femininas ficou entre a belga B-Girl Mad Max e a russa B-Girl Kastet, que ganhou a competição, sendo a primeira mulher na história do prêmio a ser Bicampeã Mundial.
Kastet faz parte da 3:16 Crew, que se refere a passagem bíblica de João 3:16, que diz: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”. A B-Girl começou a dançar as 12 anos de idade, foi das danças latinas ao judô, até se dedicar ao Breaking. Aprendeu muitas coisas com sua equipe, especialmente os membros B-Boy Marvel e seu marido, B-Boy Jerry Metal. Inspirada em breakers como Kmel, Machine, Remind e Rockadile, quando Kastet dança ela usa todo o corpo e a alma. No passado, venceu competições como a batalha Combonation 7 2v2 B-Girl, a batalha Combonation 9 1v1 B-Girl, a qualificação russa da Red Bull BC One B-Girl de 2018, a Red Bull BC One Cypher Rússia em 2019, a Final Mundial do Red Bull BC One B-Girl 2019 e agora a Final Mundial do Red Bull BC One B-Girl 2020.
Em primeiro lugar em sua vida vem Jesus Cristo, o Breaking, seu marido e sua família são a força que a move. Kastet é universitária e vê seu futuro no Breaking e na arte.
No masculino, a briga ficou entre o russo Alkolil e B-Boy Shigekix, do Japão, que levou o cinturão para casa. Nakari Shigeyuki, esse é o seu nome, conheceu o Breaking aos 7 anos de idade, com sua irmã mais velha a B-Girl Ayane. Ele faz parte da KAKB. Inspirado pela música, antes de se tornar um B-Boy, Shigekix era apenas um dançarino de freestyle. Agora, como um B-Boy de reconhecimento mundial, ele absorveu e desenvolveu o estilo japonês de movimentos rápidos e incrivelmente controlados com a execução súbita e contínua de congelamentos sólidos. Shigekix também tem o hábito natural de fazer alguns movimentos de força com os olhos fechados.
Um momento decisivo em sua carreira foi vencer a Baby Battle com menos de 12 anos, em 2014, no Chelles Battle Pro na França. Ele havia perdido a chance de ser selecionado no ano anterior, mas voltou no ano seguinte para derrotar Lil Demon, dos EUA, na final. Ele havia perdido para Demon dois anos antes no B-1 Saikyo Jam no Japão, mas Shigekix usou essa derrota para ajudá-lo a crescer. Na competição Chelles 2014, ele foi capaz de lutar contra Lil Demon pela segunda vez e vencê-lo para levar a vitória.
Depois disso Shigekix ganhou a batalha 2016 1×1 Nothing2Looz World Final Kids, a batalha solo Hustle and Freeze 2016 e a batalha 2016 Marseille Battle Pro 1×1 Kids. Aos 15 anos, Shigekix se tornou o B-Boy mais jovem da história a entrar na Final Mundial do Red Bull BC One, em 2018, onde foi eliminado apenas nas semifinais por Menno. Ele também se tornou um dos primeiros a vencer uma medalha olímpica ao levar para casa o bronze nos Jogos Olímpicos da Juventude 2018, em Buenos Aires. Em 2019, com apenas 17 anos, tornou-se o mais novo membro do Red Bull BC One All Stars. Segundo o B-Boy, o Breaking mudou seus pensamentos e ampliou seus horizontes por toda a vida.
Na final mundial da Red Bull BC One de 2020 na Áustria, infelizmente, nenhum brasileiro ou brasileira competiram.
Fotos: Breaking World / Divulgação
B-Girl Kastet sagrou-se Bicampeã da Red Bull BC One
B-Boy Shigekix é o mais novo campeão da Red Bull BC One
A estrutura do evento chamou a atenção, mesmo sem público em função da pandemia
B-Girl Kastet no momento do anúncio de sua vitória
B-Girl Shigekix e o voto que o sagrou campeão de 2020
B-Boy Shigekix
B-Girl Kastet
O tão cobiçado cinturão desta vez foi para a Rússia e o Japão
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A exposição começou no dia 15 de outubro de 2020 e vai até 22 de fevereiro de 2021:
“Vamos contar nossos “SEGREDOS”! Vamos mostrar muitos trabalhos que nunca mostramos” (Os Gêmeos)
Eles nasceram em 1974, passaram toda a infância nas ruas do tradicional bairro do Cambuci (SP), desenvolvendo um modo único de se divertir e se comunicar por meio da arte.
Com o apoio da família e o mergulho na Cultura Hip-Hop no Brasil nos anos 80, encontraram uma conexão direta com seu universo mágico, dinâmico e cheio de cores, criando um modo de se comunicar com o público. Exploravam com dedicação e cuidado as diversas técnicas de pintura, desenho e escultura. E tinham as ruas como seu lugar de estudo.
Com o passar dos anos, esse universo criado pela dupla ultrapassou as ruas, se transformando numa linguagem própria e em constante evolução, com outras referências e influenciado por novas culturas.
Estamos falando de Otávio e Gustavo Pandolfo, conhecidos mundialmente como “Os Gêmeos”, esses irmãos fascinantes que parecem ter tintas correndo nas veias tornaram-se importantíssimos para a cena cultural da cidade de São Paulo, contribuindo para a definição do estilo brasileiro nesse tipo de arte.
Hoje, são reconhecidos e admirados não só no Brasil, mas em todo o mundo por meio de suas artes, usam linguagens visuais combinadas, o improviso e seu mundo lúdico para criar intuitivamente uma variedade de projetos pelo mundo. Já realizaram inúmeras mostras individuais e coletivas em museus e galerias de diversos países, como Cuba, Chile, Estados Unidos, Itália, Espanha, Inglaterra, Alemanha, Lituânia e Japão.
Atualmente estão “em casa”, na Pinacoteca de São Paulo, com a Exposição “Segredos”. Sim, eles contam segredos jamais revelados antes na exposição. O lançamento da exposição foi um sucesso. Na Pinacoteca, além da área do octógono, a mostra ocupa um dos pátios do prédio na Praça da Luz e sete salas do 1º piso. São mais de 1.100 itens apresentados, dentre esculturas, pinturas, fotografias e desenhos. É uma viagem ao mundo das artes! Durante os meses em que a exposição estiver em cartaz, o museu será tomado pelo estilo e pela grafia inconfundível da dupla de artistas. A loja da Pina receberá um conjunto de novos produtos desenhados por eles, como canecas, camisetas e bonés. Temporariamente, o tradicional letreiro na fachada que traz o nome da instituição, criado pelo premiado designer gráfico Carlos Perrone nos anos 1990, será substituído por um luminoso desenhado especialmente pel´OSGEMEOS. Da mesma forma, as assinaturas eletrônicas dos e-mails dos funcionários do museu, que hoje trazem a logo da instituição, serão trocadas provisoriamente pela nova identidade.
A exposição tem patrocínio de Bradesco (cota Apresenta), Samsung e Grupo Boticário (cota Master), IRB Brasil RE (cota Platinum), Iguatemi São Paulo e GOL Linhas Aéreas (cota Ouro), escritório Mattos Filho, Allergan, Cielo e Comgás (cota Prata) e Havaianas (cota Bronze).
Para entender a obra de “OSGEMEOS” é necessário deixar que a razão dê lugar ao imaginário. Sentir, antes, para entender depois. Os temas de suas obras vão de retratos de família à crítica social e política. O Portal Breaking World teve a oportunidade de conversar com Os Gêmeos. Agradecemos ao Rooneyoyo e a Alessandra, assessora de imprensa dos artistas, que num esforço conjunto tornaram possível essa entrevista exclusiva. Confiram:
BW: Queria que vocês falassem um pouco da infância, da juventude e da formação de cada um… Onde cresceram? E quando tiveram contato pela primeira vez com a Cultura Hip-Hop?
Os Gêmeos: Somos do bairro do Cambuci, criados e crescidos aqui, onde tivemos pela primeira vez o contato direto com a Cultura Hip-Hop, em 1983, 1984.
Do Cambuci para o mundo: o Graffiti deu asas aos irmãos Pandolfo
BW: Quando surgiu o amor pelos elementos da Cultura Hip-Hop? Como era viver tudo isso na década de 80? Como foram aqueles anos e o crescimento de vocês dentro da cultura?
Os Gêmeos: Crescemos basicamente dentro da Cultura Hip-Hop, com amigos do nosso bairro que nos ensinaram a dançar quando tínhamos 10 anos (1984). Aí, pouco a pouco, fomos entendendo qual era a ideologia, a história, quem era quem, o respeito. Nessa mesma época, começamos a frequentar a São Bento, um encontro que acontecia aos sábados, a partir das duas horas da tarde. Era lá, no metrô São Bento, onde se reuniam todos os B-Boys e B-Girls, DJ’s, MC’s e Grafiteiros de São Paulo, onde trocava-se informações e aconteciam os famosos “rachas”, disputas de dança entre “gangs” (como eram chamadas na época). Era uma grande união, uma época mágica, de muito aprendizado, improviso, descobertas e muita consideração.
BW: Como a família e a sociedade se relacionavam com vocês? Foram alvo de preconceito ou de crítica alguma vez?
Os Gêmeos: Nossos amigos de rua eram também nossa família, nossos pais os conheciam desde pequenos, todos cresceram no bairro. Uma coisa interessante, na época, não sabemos como, nosso pai conseguiu um vídeo cassete e uma fita dos filmes Breakin e Beat Street (clássicos da época). Transformamos a casa de nossos pais em um mini cinema, toda a rua se reunia na sala (que por sinal era muito pequena), mas encontrávamos lugar para que todos pudessem ver os filmes. Logo depois de assistir repetidamente por horas íamos pra rua treinar a dança e trocar as informações que havíamos obtido nos filmes. Nunca sofremos preconceito dentro do Hip-Hop, na São Bento não tinha isso entre os artistas que frequentavam. Existia, sim, algumas vezes o preconceito dos seguranças do metrô e da polícia (que não queriam que ocupássemos aquele espaço), mas resistíamos e defendíamos o espaço que todos nós ali tínhamos conquistado no metrô para dançar, trocar informações, aprender uns com os outros, fazendo por nós mesmos e dividindo entre todos que estávamos ali, o pouco de informação que conseguíamos. Era uma época mágica, porém difícil ao mesmo tempo, com poucos recursos, nossa mídia era a rua, sentimos os resquícios do fim da Ditadura Militar, as informações chegavam atrasadas, porém chegavam e adaptávamos no jeito brasileiro de fazer… com pouco, fazer muito. Foram várias barreiras quebradas. Nós acreditamos que o lúdico do brasileiro, essa identificação com o lúdico, com a arte (em todas suas formas) a necessidade de se expressar, superava e materializava coisas incríveis nesta época, seja na dança, nas pinturas, na música, no modo de se vestir, de falar, de escrever…
BW: Existiram pessoas que foram inspiração para vocês dentro do Hip-Hop, seja no Brasil ou no exterior?
Os Gêmeos: Nós desenhamos desde os 4 anos de idade e quando conhecemos a Cultura Hip-Hop, entendemos muito cedo que o Graffiti fazia parte da cultura, como já desenhávamos, foi muito natural começar a fazer Graffiti. Quase não tinha informação quando começamos, era muito difícil de chegar, íamos nas bibliotecas nacionais pesquisar sobre o assunto e quando vieram os “Shopping Centers”, as livrarias tinham um setor de “revistas importadas”. Cruzávamos a cidade para ir ao shopping (recém inaugurado) e ficávamos buscando referência, uma fotinho sequer de algum Graffiti nas revistas. Mas a São Bento era o lugar onde todos trocavam informações, o Zelão (descanse em paz) e o Rooney eram especialistas em conseguir livros e revistas relacionados ao assunto e lá na São Bento ficávamos horas juntos observando e tentando entender o que víamos nos livros. Lembro quando o Zelão trouxe um livro chamado “Munich graffiti” e outros livros que eram referência mundial, como “Spraycanart” ou “Subwayart”. Tivemos muitas referências na época. Por exemplo, nosso irmão mais velho, Arnaldo Pandolfo, foi um dos primeiros que vimos fazer a “dança de robô” e também o primeiro a nos ensinar a desenhar perspectivas… e da parte de nossos pais, também foi muito importante essa liberdade de poder criar, estudar e materializar o que acreditávamos. Quando conhecemos o Hip-Hop, no Cambuci, também tivemos influências de amigos como a turma de Breaking “Fantastic Break” que dançavam na frente da casa de nossos pais, depois artistas como Nelson Triunfo e Funk Cia, Electric Boogues e as informações que trocávamos no metrô São Bento com todos que frequentavam lá. Por outro lado, também tinham as inspirações que vinham de fora, como videoclipes como Buffalo Gals de Malcon Mclarem, os filmes como Beat Street, Breakin, Body Rock, Style Wars, Wild Style e livros como Spraycanart e Subwayart. E, paralelo a experiência com o Hip-Hop, nós vínhamos buscando nossa linguagem para materializar o que acreditávamos com influência dos nossos sonhos, ouvindo música erudita com o nosso avô… em busca da originalidade e identidade própria.
O estilo próprio e identidade peculiar das obras são reconhecidos no mundo inteiro
BW: Fale um pouco sobre a “Street Warriors”, como se formou a Crew e como era o tempo que passavam juntos. Que raízes e amizades construíram em todos esses anos com a convivência?
Os Gêmeos: Street Warriors foi uma turma super importante em nossas vidas, formada por amigos como Alam Beat, Silvão, Didi, Mancão (da antiga Fantastic Break/PORTAL), Edu Barbaro (Fantastic Break/PORTAL), Paulinho de Guarulhos e agregados como Rooney e DJ Ninja. Por ter essa mistura de B-Boys de nosso bairro e de outros, naturalmente, treinávamos com eles, no nosso bairro, o Mancão e o Edu já eram nossos professores de Breaking desde 1984, original do PORTAL (turma da época). Ainda somos uma família, somos todos amigos ainda, uma época de aprendizado que levamos até os dias de hoje.
BW: O Breaking, o Graffiti, o Rap e o DJ: o que significa na vida de vocês? Teve alguma vez que foi necessário decidir apenas por um elemento? Quando e como foi esse momento?
Os Gêmeos: O Hip-Hop e seus 4 elementos, fez, faz e fará parte da nossas vidas pra sempre, nós experimentamos cada elemento, nos envolvemos 100% com cada um deles pra vivenciar isso na sua essência. Chegamos a cantar Rap em 1987, 1988 em alguns clubes, como Cadlak, Clube da Cidade, festivais como no Parque da Aclimação (organizado pelo Milton Sales MH20) enfim, tudo era muito novo. Começamos a grafitar bem no início dos anos 1980’s, começamos a dançar em 1983 e DJ no final dos anos 80’s, mas nosso forte sempre foi o desenho, por isso focamos 100% em desenhar, em pintar o que acreditávamos, em fazer arte em suas diversas linguagens e expressões, transformações, abrir portas que estavam fechadas, buscar outros horizontes, mostrar o que havíamos descoberto dentro de nossos sonhos e transformar isso em arte. Decidimos por desenhar, seguir a carreira de artistas plásticos, mas nunca deixamos a nossa paixão pela música de lado.
BW: Fale do início da caminhada de vocês no Graffiti, quais foram os maiores desafios? As lutas? Com quem aprenderam os primeiros traços? Fizeram algum curso?
Os Gêmeos: Aprendemos muito na rua, sozinhos e com amigos, trocando informações, estudando sempre, desde aquela época até os dias de hoje, experimentando coisas novas, uma auto busca espiritual. Várias pessoas que passaram por nossas vidas nos ajudaram a encontrar nosso estilo próprio, como uma auto busca, maneira de estudar e de se diferenciar dos demais. Artistas como Speto, Barry Mcgee, Vaughn Bode, Doze Green, Chintz, Loomit, foram muito importante para esse desenvolvimento. Depois de viver muito dentro do Hip-Hop e estudar a cultura, decidimos mergulhar em uma busca do estilo original, onde nós entendemos a importância de desenhar, o porquê de termos nascidos dois irmãos gêmeos com essa paixão e missão. O único curso de artes que fizemos foi na Pinacoteca do Estado em 1983, onde tivemos nosso primeiro contato com a tinta Spray. Nosso maior estudo foi em casa, no nosso quarto, na época na casa de nossos pais, que transformamos em um mini ateliê. Ali estudamos muito, muitas técnicas e estilos, até chegar onde estamos hoje. A importância desta busca de ter um estilo próprio, era típico da época, me lembro de ver o Speto falar muito sobre isso, sentávamos com o Vitche no Cambuci e ficávamos horas desenhando… Era coisa que buscávamos na época, víamos artistas como os da revista “Chiclete com Banana” como Angeli e outros, que já tinham seu estilo.
O estilo original das obras reflete o porquê dos dois irmãos terem nascido com a mesma paixão e missão, é uma auto busca, segundo Otávio e Gustavo
BW: Descrevam o estilo de Graffiti que vocês fazem. O que costumam abordar em suas obras?
Os Gêmeos: Nós estudamos muito, dentro dos estilos diferentes de caligrafia do Graffiti, quanto os de personagens, um mergulho no universo das caligrafias e sempre buscando uma originalidade. Passamos pelo um simples personagem pintado na rua a grandes murais e grandes laterais de prédio. O desafio sempre nos inspirou muito.
BW: Que trabalhos foram mais significativos para vocês em todos esses anos e por quê?
Os Gêmeos: Todos são significativos, desde um desenho em um papel ou um Graffiti na rua, em um trem, uma lateral de prédio. Amamos o que fazemos, somos os maiores críticos do nosso trabalho. Sempre procurando buscar um novo horizonte, uma nova ideia, um novo projeto.
BW: Quando abriram o ateliê de vocês?
Os Gêmeos: Acho que desde sempre… começou com o ateliê improvisado na casa dos pais, depois nas ruas e seguimos trabalhando nas ruas e em nosso ateliê, hoje mais elaborado. Temos a melhor equipe do mundo, somos gratos de sermos uma única família.
BW: É comum escutar que grafiteiros só se tornam conhecidos e respeitados depois que vão para fora do país. Isso é verdade? O que é ser grafiteiro no Brasil?
Os Gêmeos: Na cena do Graffiti ninguém te fala como, onde e porquê fazer, buscando uma originalidade, criando seu próprio estilo, com atitude, respeito e dedicação. Nós fazemos Graffiti desde os anos 80’s, por amor, por necessidade de se expressar, desafiar nos estilos, com quantidade e qualidade. Só quem faz Graffiti de verdade sabe o que é Graffiti, nós precisamos disso em nossas vidas. Os primeiros reconhecimentos e respeito vêm de outros grafiteiros, às vezes da sua própria turma, às vezes de turmas diferentes, que respeitam e enxergam algo novo, inovador, verdadeiro. O respeito é construído com essência, transparência, respeito, com determinação, foco, conteúdo e com história. Não precisa ir pra fora do Brasil pra ser respeitado, no Brasil e em qualquer lugar, como diz nosso amigo Rodrigo Brandão, “quem é de verdade, sabe quem é de mentira”.
“Quem é de verdade, sabe quem é de mentira”: respeito, determinação, foco, conteúdo e história. Valores que sempre acompanham Os Gêmeos
BW: Qual o sentimento quando chega ao conhecimento de vocês que alguma obra de vocês foi apagada?
Os Gêmeos: Vamos fazer mais 3! Nós nunca dependemos e não vamos depender do poder público pra fazer Graffiti. Acreditamos que o Graffiti tem que estar na rua, nos trens, nos metrôs, mesmo que discriminado pelos governos, o Graffiti de verdade nunca vai parar. Todas as gestões, sempre apagaram Graffiti na cidade, isso acontece deste 1987 e vem se repetindo em todas as prefeituras.
BW: Ter suas obras reconhecidas e espalhadas pelo mundo… Como é isso? Pode falar em que países é possível ver trabalhos d’Os Gêmeos atualmente?
Os Gêmeos: Separamos nosso universo em dois, Graffiti é rua, é a liberdade de sair e fazer o que você tem em mente, respeitando o que já existe. Nós já fizemos trabalhos em mais de 70 países… entre exposições e murais às pinturas de empenas, projetos externos, bem diferente do que chamamos de Graffiti. Acreditamos que o fato da gente estar fazendo exposições pelo mundo afora abre portas para outras gerações.
BW: A Pinacoteca do Estado de São Paulo é um dos mais importantes museus de arte do Brasil. Como surgiu o convite para fazer uma exposição dentro desse espaço? Para vocês, uma exposição no Brasil tem um significado diferente do que expor no restante do mundo?
Os Gêmeos: Foi um convite do diretor Jochen. É a nossa cidade natal, estamos muito felizes em fazer essa exposição aqui em São Paulo e é uma das mais completas que já fizemos, contamos toda a nossa história. O fato de expor aqui vai abrir portas pra nova geração dentro do universo de arte contemporânea, mostrar de onde viemos, nossa essência, nossa trajetória, transitando pelas influências da música, da arte, do Hip-Hop, do Comics, enfim, é contar nessa retrospectiva a nossa história. É importante a valorização de artistas locais, que vêm de uma formação autodidata. Arte para nós é a materialização da satisfação e da insatisfação.
A grandiosidade da exposição pode ser conferida em todos os detalhes das obras expostas na Pinacoteca
BW: “Segredos” é o nome da exposição que está na Pinacoteca. Porque escolheram esse nome? Falem sobre ela, quantas obras são apresentadas? Como foram os preparativos para essa exposição e quantas pessoas foram envolvidas nesse evento?
Os Gêmeos: Vamos contar nossos “SEGREDOS”! Vamos mostrar muitos trabalhos que nunca mostramos. Foi mais de um ano produzindo para essa exposição. A curadoria dos trabalhos escolhidos foi feita minuciosamente pelo Jochen e algumas por nós mesmos. Para essa exposição, foram mais de 2 anos de preparação… centenas de pessoas envolvidas.
BW: E os personagens amarelos? Quando foram criados? Porque amarelo?
Os Gêmeos: Foi no início dos anos 1990, uma auto busca espiritual, onde o AMARELO, significa luz, paz interior e é identidade própria.
BW: Em março, tudo pronto e no entanto um adiamento inesperado na véspera de inaugurar a exposição… Como foi isso e como vocês resolveram tudo e encaram essa situação?
Os Gêmeos: O mundo deu uma pausa e mudou! Está mais que na hora do ser humano se ligar no que está fazendo com o planeta, com a natureza, com o mar, céu e terra, com o próximo. Nós focamos em trabalhar em projetos futuros e também em projetos sociais. Sentimos muito pelas pessoas doentes e pelas vidas perdidas, momentos difíceis.
Vários artistas e personalidades da cultura Hip-Hop já foram prestigiar os artistas
BW: Engajados em projetos sociais, inclusive nesse momento de pandemia, vocês não pararam… Nos contem sobre os trabalhos sociais e a ação feita em parceria com o grupo têxtil Rosset, doando 100 mil máscaras de proteção contra a Covid-19, com estampa criada por vocês? Recebemos informações que as máscaras foram distribuídas em aldeias indígenas da Amazônia, comunidades carentes do Ceará e instituições do Rio de Janeiro e de São Paulo. Nos contem como foi isso?
Os Gêmeos: Nós mantivemos nossos projetos sociais na pandemia e ampliamos mais esse horizonte. Alguns foram projetos novos, como as máscaras para combater a Covid-19, que fizemos em parceria com o Grupo Rosset e a Pinacoteca, onde foram distribuídas mais de 100 mil máscaras, metade delas foram para o Norte e Nordeste, para as comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas (Fundação Merinda Malaquias, Associação das Mulheres Indígenas Sataré Mawe, União Amazônia Viva e muitas outras). Também fizemos algumas parcerias com o Pimpmycarroça, CUFA (Central Única de Favelas), Rappin Hood Futebol Clube, Nois por Nois, Cohab Teotônio Vilela, Agência Mae, entre muitas outras.
BW: Cestas básicas também foram mais uma iniciativa com o objetivo de ajudar o próximo. É verdade que tudo foi custeado por vocês?
Os Gêmeos: Sim, foi. Sempre procuramos fazer algo, mas durante a quarentena, focamos muito nisso e os projetos triplicaram!
BW: De onde vem essa preocupação social? Quando isso começou na vida de vocês?
Os Gêmeos: Foi a educação que nossa família nos deu, amigos e a vida dentro do Hip-Hop que nos ensinou. Começou mais ou menos em 1993, quando recolhíamos comida da feira (que existia na frente da casa de nossos pais) e fazíamos um sopão. Tínhamos um carro Variante 2, colocávamos atrás e entregávamos a sopa para os moradores de rua…
Pessoas que ajudaram a escrever a história do Hip-Hop como Nelson Triunfo e Rooneyoyo também marcaram presença no lançamento da exposição
BW: Além do caos da saúde, das inúmeras mortes, o país vive também um caos político. Qual a importância e o papel do artista brasileiro diante de tudo isso? Como vocês enxergam o atual governo e a tentativa de calar os artistas?
Os Gêmeos: Nunca vão calar os artistas, a arte e a educação têm o poder de mudar! Acreditamos na força da arte e no poder da educação. É muito triste e revoltante ver o que estamos passando, total descaso e desrespeito com a Cultura. Não acreditamos nessa estrutura política, nesta máquina que foi criada e blindada por anos… Esse cenário precisa mudar.
BW: Parece que existem duas obras de vocês que são quase que o “Raio X” do Brasil. Comentem sobre elas.
Os Gêmeos: Tudo que fizemos, tem um pouco sobre o que vivemos no Brasil.
BW: Qual foi o sentimento de ter uma obra de vocês exibida em telões da Times Square, em Nova York, na fachada da Tate Modern, em Londres, no porco inflável do Roger Waters? São sonhos realizados?
Os Gêmeos: Acreditamos que quando se anda pelo certo, colhe o certo e sempre procuramos dividir, aprender, estudar, ouvir, ensinar, trocar. E quando se dedica 100% com amor, em sua arte, naturalmente, você colhe o que planta. É como se todos os artistas viessem de um planeta e cada um com uma missão aqui na Terra, e quando você encontra, parece que já os conhecia.
“Segredos” serão descobertos em uma experiência que mexe com todos os sentidos
BW: Se pudessem voltar no tempo, fariam tudo de novo? Ou mudariam alguma coisa?
Os Gêmeos: Vivemos o hoje, somos dois caras que acreditam que a arte pode mudar as coisas para melhor. Aprendemos muito com o passado, estamos aprendendo com o presente, e aprenderemos com o futuro.
BW: Nesse período de isolamento social, vocês produziram alguma arte sobre o momento que estamos vivendo? Que reflexões são possíveis fazer? Como vocês imaginam que será o futuro?
Os Gêmeos: Nós produzimos muitos desenhos e novas ideias para futuros projetos. O futuro… trabalhamos o hoje… o futuro vai depender do que fizermos hoje, do que plantamos hoje.
BW: Que mensagens inspiradoras vocês deixariam para os artistas da nova geração?
Os Gêmeos: Acredite em seu sonho! Hoje em dia têm muitas possibilidades, nós da primeira e segunda geração do Graffiti, do Hip-Hop, lutamos pra abrir portas, principalmente dentro da arte contemporânea, foram mais de 30 anos de trabalho e abrindo várias portas pra geração de hoje. O importante é respeitar, plantar coisas boas, reconhecer quais foram suas influências e andar pelo certo.
São mais de 30 anos abrindo portas para a nova geração, levando o Graffiti brasileiro para mais de 70 países
Fotos: Divulgação
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Neste sábado (28), a cidade de Salzbug, na Áustria, será palco da final do mais importante campeonato de Breaking do mundo, o Red Bull BC One. As maiores estrelas desse estilo (que está cotado para fazer parte dos Jogos Olímpicos Paris 2024) disputarão o troféu mundial em batalhas que serão transmitidas ao vivo pela Red Bull TV, a partir das 16h (horário de Brasília), pelo link www.redbull.com.br/bcone. Quem comanda a exibição em português é o rapper Thaíde, um dos ícones do movimento Hip-Hop no Brasil, com comentários de B-Boy Endrigo e B-Girl Miwa.
A final mundial do Red Bull BC One vai coroar dois vencedores, um B-Boy e uma B-Girl. Neste ano, oito dos melhores B-Boys e oito das melhores B-Girls do planeta foram convidados para testar habilidades de alto nível em emocionantes batalhas 1×1. As B-Girls são: Madmax (Bélgica), Sina (Áustria), Kastet (Rússia), Sunny (EUA), Jilou (Alemanha), Mess (Rússia), Kami (França) e Ayane (Japão). Os B-Boys que disputarão o título são: Killa Koya (Cazaquistão), Lil Zoo (Marrocos), Pac Pac (França), Vero (Coréia do Sul), Philip (EUA), Alkolil (Russia), Kid Karam (Reino Unido) e Shigekix (Japão).
Para vencer seus oponentes, cada dançarino tem que ter movimentos precisos e estar afiado, pontual e ritmicamente afinado com a música.
Conheça os convidados da transmissão em Português
Thaíde é um dos pioneiros do Hip-Hop no Brasil e há quase 40 anos ajuda a divulgar a cultura com suas músicas e apresentando programas como o “Yo! MTV Raps” (MTV), “Manos & Minas” (TV Cultura) e “Metro Black” (Rádio Metropolitana), além de ser um dos fundadores da Back Spin, um dos grupos mais antigos de Breaking do País.
B-Boy Endrigo foi um dos jovens diretamente influenciados por Thaide e ajuda a manter o Brasil no topo do Breaking mundial. Parte da Tsunami All-Stars, uma das principais crews do País, ele compete frequentemente em torneios internacionais e há quase duas décadas busca fomentar a educação por meio da dança.
B-Girl Miwa: foi uma das primeiras breakers brasileiras a ganhar reconhecimento no exterior. Campeã das competições “Sudaka 2007” (Chile), “El Rey del Seven 2 Smoke 2009” (Venezuela) e “KB Battle Original Flavor 2013” (Israel), Miwa também levou pra casa o terceiro lugar na “Eurobattle 2008″.
Sobre o Red Bull BC One
Desde que foi criado, em 2004, o Red Bull BC One se estabeleceu como uma das mais relevantes competições da cena de Breaking 1×1 do mundo, sendo palco para inúmeros dançarinos, caso dos brasileiros Pelezinho (que já disputou quatro edições do mundial) e Neguin, único latino-americano a conquistar o cinturão de campeão. Todos os anos, milhares de dançarinos disputam as finais nacionais por uma vaga no campeonato mundial, que já passou por diversos países, como Alemanha, Brasil, África do Sul, França, EUA, Japão e Rússia, entre outros.
Fotos: Divulgação
O rapper Thaíde vai comandar a transmissão em Português
B-Girl Madmax (Bélgica) foi campeã da Red Bull E-Battle e é uma das postulantes ao título de campeã mundial em 2020
B-Girl Miwa (que também é colunista da Breaking World) vai comentar o evento, junto com B-Boy Endrigo
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Obras de Lázaro Ramos, Michelle Obama, Maya Angelou, Chimamanda Ngozi Adichie, Angela Davis, Cristiane Dias estão entre as sugestões de leitura
O Dia da Consciência Negra, celebrado hoje, é momento de reflexão sobre a história, cultura e ancestralidade dos negros, que representam a maior parte da população brasileira. A data nos alerta sobre o racismo estrutural e a posição dos negros em nossa sociedade e por isso, destacamos alguns livros e e-books sobre o tema:
Na Minha Pele
Escrito pelo ator Lázaro Ramos. O livro compartilha episódios íntimos de sua vida e também suas dúvidas, descobertas e conquistas. Movido pelo desejo de viver num mundo em que a pluralidade cultural, racial, étnica e social seja vista como um valor positivo, e não uma ameaça, Lázaro divide com o leitor suas reflexões sobre temas como ações afirmativas, gênero, família, empoderamento, afetividade e discriminação. (Para mais informações acesse www.skeelo.app).
Minha História
Michelle Obama se consolidou como uma das mulheres mais icônicas e cativantes de nosso tempo. Como primeira-dama dos Estados Unidos e a primeira afro-americana a ocupar essa posição, ela ajudou a criar a mais acolhedora e inclusiva Casa Branca da história.
Eu sei porque o pássaro canta na gaiola
O livro de Maya Angelou retrata o racismo, abuso e libertação da vida de Marguerite Ann Johnson. A garota negra, criada no sul por sua avó paterna, carregou consigo um enorme fardo que foi aliviado apenas pela literatura e por tudo aquilo que ela pôde lhe trazer: conforto através das palavras. Dessa forma, Maya, como era carinhosamente chamada, escreve para exibir sua voz e libertar-se das grades que foram colocadas em sua vida. (Para mais informações acesse www.skeelo.app).
O Catador de Sonhos
Geraldo Rufino já quebrou seis vezes e saiu de todas elas mais sábio – e mais rico. O homem que começou a vida como catador de lixo reciclável nunca perdeu o sucesso de vista, e hoje é presidente da JR Diesel, cujo faturamento é superior a 50 milhões de reais por ano. Empreendedor visionário, trabalhador incansável, otimista incorrigível, Geraldo Rufino ensina como transformar sua vida e seu negócio para nunca mais se sentir vencido. (Para mais informações acesse www.skeelo.app).
Sejamos todos feministas
A autora Chimamanda Ngozi Adichie traz na sua obra a importância da questão de gênero e o alerta de que comecemos a planejar e sonhar um mundo diferente e mais justo. Adichie parte de sua experiência pessoal de mulher e nigeriana para pensar o que ainda precisa ser feito de modo que as meninas não anulem mais sua personalidade para ser como esperam que sejam, e os meninos se sintam livres para crescer sem ter que se enquadrar nos estereótipos de masculinidade. (Para mais informações acesse www.skeelo.app).
A Favela Venceu
Se você acha que está tendo dificuldades na vida, precisa ler este livro. Com as lições que a favela nos dá dia após dia, reinventando-se, criando, fazendo muito com pouco e empreendendo com recursos escassos, Rick Chesther nos mostra como, a partir do zero, ou do “menos um”, é possível sair da inércia e vencer na vida. “A favela venceu” traz uma favela que inspira pela coragem, pela força de vontade, pela esperança, pela fé e pelo brilho no olhar. (Para mais informações acesse www.skeelo.app).
Da Favela para o Mundo
Não importa de onde você vem, mas sim para onde você vai. Com este mantra, o autor Edu Lyra desafia as estatísticas para fazer uma intervenção na vida de milhares de famílias que vivem na pobreza, em regiões carentes da periferia de São Paulo. A convicção inabalável de quem saiu de um barraco de chão batido faz com que Edu não enxergue nada como impossível e tampouco permita que o vitimismo dê as cartas. Ler esse livro é fazer uma viagem por todo espectro social através do ponto de vista de quem saiu do caos de uma favela e passou a se comunicar com o topo da sociedade do capital, construindo pontes em vez de muros. (Para mais informações acesse www.skeelo.app).
Mulheres, raça e classe
Nesta obra clássica do feminismo, a filósofa Angela Davis relata como o racismo norte-americano moldou a história dos Estados Unidos. Ela ainda explica como o preconceito racial permeou movimentos sociais importantes durante os séculos 19 e 20, focando no movimento sufragista. (https://www.amazon.com.br/Mulheres-Ra%C3%A7a-Classe-Angela-Davis/dp/8575595032)
Pequeno Manual Antirracista
A brasileira Djamila Ribeiro explica de forma simples e didática como os brancos têm atitudes racistas no cotidiano (muitas vezes sem perceber), pois estão imersos em uma cultura que foi construída com base no preconceito racial. A filósofa ainda explica como o leitor pode ajudar na luta antirracista, tomando pequenas atitudes todos os dias. (https://www.saraiva.com.br/pequeno-manual-antirracista-10615872/p)
Como ser antirracista
Ibram X. Kendi. É impossível falar sobre preconceito racial sem mencionar outras questões, como classe, gênero e até geografia — e é com isto em mente que o norte-americano Ibram X. Kendi escreveu “Como ser antirracista”. Na obra, o autor conta como estas questões sociais se mesclam e explica como apenas abominar o racismo não é o suficiente: é preciso ser antirracista. (https://www.amazon.com.br/Como-ser-Antirracista-Ibram-Kendi/dp/8550814555).
A Pedagogia Hip-Hop: consciência, resistência e saberes em luta
Escrito por Cristiane Correia Dias (B-Girl Cris). O livro permite-nos reescrever a história sobre a população negra de forma criativa. Caracteriza-se pelo conjunto de experiências relacionadas às histórias e às práticas culturais que nos foram negadas com base nas atividades realizadas a partir dos elementos que formaram a cultura Hip-Hop – Breaking, Graffiti, DJ, MC, funcionando como disparadores de conhecimentos para que os jovens (re)elaborem suas identidades ao mesmo tempo em que nos possibilita a construção de uma reflexão sobre a cultura do racismo e das violências que recaem sobre o corpo negro. Isso nos coloca diante das dinâmicas existentes nas periferias e da diversidade de movimentos de transformação que fazem revelar o jovem da favela. Assim, recorrerei ao Hip-Hop para pensar em que medida o movimento pode auxiliar na reposição de uma experiência perdida, preservando no sujeito o seu poder de criticidade em relação à situação limite, entre a vida e a morte, destinada ao povo negro, que nos revela histórias de resistência no Atlântico, na escravidão, no fogo cruzado, nas balas perdidas, nos assassinatos causados por gangues de polícia, nos barracos, nas favelas, nos becos, nas vielas, no Hip-Hop. Uma situação que exige a recriação de novas relações entre a história, a consciência, a educação e a cultura, a fim de fazer pulsar em nosso povo o espírito de uma mente vitoriosa, coletiva e decolonizada. Isso proporcionou a busca por novos olhares para os letramentos escolares e evidenciou a pedagogia Hip-Hop como uma forma de reeducação das nossas relações étnico-raciais e como um novo devir na construção de uma educação justa e emancipatória para a juventude negra e periférica. Desse modo, o povo preto “reexiste”. E “é nois” reescrevendo a história por meio dos riscos, do ritmo, dos pensamentos afrocentrados e da luta pela libertação, proporcionando, segundo Asante (1988, 2003, p. 85), “[…] a libertação da mente, a precursora adequada para a libertação do corpo” negro. (https://www.amazon.com.br/Pedagogia-Hip-hop-Consci%C3%AAncia-Resist%C3%AAncia-Saberes/dp/8547332375).
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“Nos ajudamos na vida pessoal, nos treinos, visando o crescimento. A união é tanta que nossas esposas se tornaram amigas e confidentes, sem ao menos fazer parte do Hip-Hop.” (B-Boy Luciano)
Eles estão na estrada desde 1992, surgiram da junção das Crews Beat Crazy com alguns integrantes da Demo Boys e da Red Crazy Crew. São uma das Crews mais antigas do litoral de São Paulo ainda em atividade, sendo referência na região.
Colecionam títulos de alguns eventos que ganharam em Itanhaém, Guarujá, São Sebastião, Praia Grande, Santos, em São Paulo e também em outros estados. Esse ano, completam 28 anos e o Portal Breaking World não poderia deixar de registrar isso.
Num bate papo bem descontraído com o B-Boy Dog e com alguns membros da Dynamic Breakers, contamos a história dessa Crew que tem quase 3 décadas de muito Breaking e união! Leiam, aprendam e se inspirem:
B-Boy Binga no baile do Beira Mar (anos 90)
BW: Queria que falassem em que ano, como e em que local surgiu a Crew? Quem foi o fundador da Dynamic Breakers?
Dynamic Breakers: Foi no final de 1992 que surgiu a Dynamic, após a junção das crews “Beat Crazy” com alguns integrantes de outras Crews denominadas “Demo Boys” e “Red Crazy Crew”, após a aparição dos mesmos em um baile na Zona Noroeste, em Santos. Não digo que houve um fundador, mas sim, uma união entre as três Crews já existentes.
BW: Falem um pouco dos B-Boys que participaram da primeira formação e dos que participam até hoje. Verdade que tem B-Boys de Santos, São Vicente, Praia Grande e Guarujá? Como aconteceu essa união para formar a Crew?
Dynamic Breakers: Bom, muitos passaram pela Dynamic porque ficaram encantados com a dança que trazíamos, a uniformidade (pois todos eram identificados por agasalhos e cores específicos) e a união do grupo. No princípio, eram executados os primeiros movimentos, digo, os “tradicionais” do Breaking, que ao passar dos anos foram sendo aprimorados, evoluídos, até chegar aos tempos atuais. Antigamente, não existia nem celular, as informações eram precárias e aprendemos “na raça”, muitos traziam a flexibilidade no corpo de outras artes, como por exemplo, a capoeira. Sobre a formação antiga, a concentração de B-Boys eram de Santos (Beat Crazy) e São Vicente (que eram da antiga Red Crazy) mas, hoje em dia, com a difusão da internet e a divulgação através dos projetos sociais realizados pela Dynamic, a Crew passou a ser um ícone do Hip-Hop na Baixada, passando a ter integrantes de outras cidades. Quando a Dynamic surgiu, no começo dos anos 90, começa uma nova fase do Breaking do litoral, era uma rapaziada muito boa que já estavam à frente do seu tempo, com estilo e movimentos avançados e isso foi passado de geração à geração nestes 28 anos de (re) existência. B-Boys da primeira classe: Raul, Laerte, Toninho, Vai Vai, Fábio, Tibo, Gilson Preá, Bundinha, Almir, Koke, Cabelinho, Lúcio, Alex, Laércio, Bigu, Simon, Buiu, Zulu, Zoio do Jabaquara, Binga, Tiziu, Marcelo, Valtinho, Tera, Biá, Rodrigo, Zoio Branco.
B-Boy Cachorrão: Infelizmente, não pude conviver com os B-Boys da primeira geração. Porém, pude treinar e fazer parte da segunda geração e absorver conhecimento, aprendendo junto com eles os novos conceitos, podendo passar algo para as próximas gerações.Temos B-Boys de várias cidades, por ser uma Crew acolhedora, que dá oportunidade para quem quer crescer na área do Hip-Hop.
BW: Como surgiu o nome Dynamic Breakers? De quem foi a ideia?
Dynamic Breakers: O nome da Crew foi criada por uma ideia que o Japonês teve através de uma Revista de Breaking (a única encontrada na época), que havia uma matéria falando sobre a Dynamic Rockers dos Estados Unidos, mas estava com o nome errado, sendo impresso como “Dynamic Breaks” achei o máximo e logo levei a ideia para aprovação dos demais e assim permaneceu até hoje.
Marcelo, Binga, Valtinho, Japonês, Tiziu, Tera e Rodrigo
BW: A Crew tem B-Girls? Se a resposta for positiva, quem são? Caso não, foi uma escolha não ter B-Girls? Por quê?
Dynamic Breakers: A Dynamic nunca teve uma figura feminina, infelizmente, mas deixamos claro que abolimos qualquer tipo de discriminação, sendo que o projeto desde sempre até os dias de hoje é voltado a ensinar crianças, mulheres ou qualquer tipo de gênero ou raça, incentivando participarem e conhecerem o universo da dança.
BW: Nos contem sobre a caminhada da Dynamic Breakers no litoral. Falem também dos principais eventos que participaram e ganharam em todos esses anos no litoral e fora do litoral.
Dynamic Breakers: Na formação atual, ganhamos muitos títulos nas cidades do litoral: Itanhaém, Guarujá, São Sebastião, Praia Grande e Santos. Também, muitos títulos importantes em São Paulo e outros estados, a Crew sempre se destacou nos eventos, quando estamos reunidos, treinando para participar das batalhas, a energia de todos é incrível e triplica na hora do confronto, mesmo muitos trabalhando, estudando e tendo seus deveres com a família, conseguimos evoluir e manter um nível muito bom, tanto pessoal como de Crew. Na nossa história são mais de 100 prêmios em eventos, os que marcaram em uma visão geral: Batalha Final, Master Crews, Finais Red Bull BC One, Breaking Combate, Battle Of The Year Brazil, Festidança, Top 8 Freestyle Session America Latina, Arena Caieiras, Battle Café, Old School Battle, Aniversário Casa do Hip-Hop Diadema, Inter Itu, Rival vs Rival, Racha na Arena, Rio H2K Festival Internacional de Dança, Festival de Dança de Joinville, Se Vira Nos 30, Just Debout, Meeting, Passo de Arte e muitos outros não menos importantes.
BW: Como são os treinos de vocês? Quantas vezes por semana treinam? Como estão se organizando e que cuidados estão tendo nos treinos em tempo de pandemia?
Dynamic Breakers: Os treinos, na maioria das vezes, são bem concentrados e ao mesmo tempo divertidos, cada um tem um foco quando se trata de seus treinos individuais, mas quando se trata de treino de coreografias para apresentações e competições, mudamos completamente e focamos no conjunto, para criar novas coreografias mas sem perder o intuito da diversão, que é o importante, pois temos trabalhos e compromissos pessoais, não vivemos da dança, então, o treino acaba sendo uma válvula de escape para nos encontrar, treinar e descontrair. Nestes tempos de pandemia, cada um estava treinando na sua casa e no seu espaço, nosso local de treino foi liberado há pouco tempo e estamos retomando o ritmo com todas as precauções.
B-Boys Luciano, Bruno Ayres, Jadiel, Mauricio, Teddy, Cachorrão, Tony e Zoio
BW: Esse ano vocês completam 28 anos de Crew. Mudou muita coisa de 1992 para 2020 no Breaking? Vocês são os mais antigos do litoral de São Paulo ainda atuantes?
Dynamic Breakers: Muita coisa mudou em se falando da Dynamic de 1992 para 2020, forma de treinar, posturas, exemplos a dar dentro da Cultura. Antes éramos mais jovens com amor e diversão, hoje temos uma visão mais forte dentro da Crew e precisamos ser mais atenciosos para formar mais gerações e deixar um bom legado. Já o Breaking, vai estar sempre em evoluções, hoje a cena é priorizada nas batalhas, fazendo que as Crews treinem muito para ter o menor erro, além da busca de cuidar do corpo para ter melhor desempenho, hoje o individualismo conta muito. Sobre ser os mais antigos, sim eu considero a Crew uma das mais antigas e em grande atividade dentro das batalhas Brasil afora.
BW: Existem alguns projetos da Dynamic Breakers como a “Jam de Danças Urbanas”? Nos conte sobre isso…
Dynamic Breakers: Existe o carro-chefe, que é o “Projeto Dynamic”, fizemos grandes ações no litoral, atuando com aulas na Escola da Família, Oficinas Culturais PAGU e Oficinas Culturais Armazém 7, onde conseguimos criar mais adeptos da dança Breaking em Santos e região. Hoje, além do trabalho social, conseguimos propor entretenimento para os dançarinos de todas as vertentes, agregando e fortalecendo as Danças Urbanas com as Jams, Batalhas, Workshops e Cyphers de Rua, assim movimentamos e criamos o máximo de opções para a dança na cidade, além de ajudar os eventos locais de alguma forma com pisos, equipamento de DJ e qualquer tipo de assessoria.
BW: Como é a relação entre os participantes da Crew? É uma relação de família?
Dynamic Breakers: Sim, é uma relação de família, de cuidado um com o outro. Tentando ao máximo estar próximos, independente de treinos, campeonatos, etc. Nos ajudamos em vida pessoal, nos treinos, visando o crescimento pessoal e como B-Boy. A união é tanta que nossas esposas se tornaram amigas e confidentes, sem ao menos fazer parte do ramo do Hip-Hop. A relação é como uma família, existem sim pequenas divergências, o que é normal, porém, fazemos de tudo para nos alinharmos e estarmos juntos, sempre lutaremos para não perder um membro sequer da Crew.
Ao longo do tempo a Crew se tornou uma família, uns cuidando dos outros
BW: É verdade que já existiu ou existe uma rixa entre os B-Boys de São Paulo e do litoral? Por que acham que isso rola?
Dynamic Breakers: Rixa talvez no passado, por ainda estarmos presos nessas coisas de territórios, coisas de gangues, mas com o passar dos anos o Hip-Hop ajudou a mudar, mas não era uma coisa pesada, pois sempre prevaleceu a união dos B-Boys, isso é fato.
BW: Já se sentiram discriminados por serem do litoral?
Dynamic Breakers: Nunca nos sentimos discriminados no litoral ou em qualquer outra região, a Dynamic sempre foi bem recepcionada e somos bem receptivos, nesse tempo fizemos grandes amizades em todo canto do país.
BW: O que aprenderam em todos esses anos? Estão prontos para mais 28 anos?
Dynamic Breakers: Aprendemos que os nossos esforços até aqui valeram a pena e sim, estamos prontos para mais 28 anos no mínimo, contaremos com a nossa experiência para ajudar os jovens e a energia deles para nos manter ativos.
Dynamic Breakers na Freestyle Session America Latina
BW: O que significa o Breaking na vida de vocês?
Dynamic Breakers: Breaking nos faz nos sentir completo, tudo que treinamos, que buscamos se realiza, não é um sonho de vida e sim uma realidade na nossa vida, nos sentimos felizes e queremos que todos tenham o mesmo sentimento. O Breaking faz parte da vida dos integrantes da Crew, salvou muitos de caminhos sem volta, ajudou na formação pessoal e profissional, mesmo trabalhando em outras áreas o Breaking é nosso estilo de vida!
BW: 28 anos de Crew… É verdade que houve uma comemoração presencial, mesmo nesse tempo de pandemia? Como foi?
Dynamic Breakers: Fizemos um encontro de 28 anos, com as gerações que fizeram parte da história e poucos convidados, o lugar era espaçoso e conseguimos manter o mínimo de distanciamento e uso de máscaras, sendo tiradas para dançar e, graças a Deus, nestes tempos de pandemia não tivemos casos de Covid-19 dentro da Crew.
BW: Que mensagem deixariam para aqueles que estão lendo essa entrevista?
Dynamic Breakers: Que a nossa trajetória sirva de inspiração a todas gerações de B-Boys e a nossa arte de dançar leve felicidade a todos!
B-Boy Cachorrão, também conhecido como DJ Dog é um dos membros mais ativos da Crew
Conheça as formações da Crew:
1ª Geração: Raul, Laerte, Bim, Toninho, Vai Vai, Fábio, Tibo, Gilson Preá, Bundinha, Almir, Koke, Cabelinho, Lúcio, Alex, Laércio, Bigu, Simon, Buiu, Zulu, Zoio do Jabaquara, Binga, Tiziu, Marcelo, Valtinho, Tera, Biá, Rodrigo e Zoio Branco.
2ª Geração: Doguinho, Cleyton, Zoinho, Eudoxo, Alex, Ley, Paulinho, Mauricio, Jhon, Xand, Frágil e Diego.
MC’s, Breaking, Workshop, Cypher e papos sobre Cultura Hip-Hop
Um encontro focado na Dança Urbana Breaking, com diversas atividades que unem cultura e lazer, propondo mais atrações para a agenda cultural de Carazinho e região é o que promete a sexta edição da Batalha da Loja – BDL. Programado para se realizar entre os dias 28 e 29 de novembro, o projeto será em formato digital e é uma iniciativa do B-Boy carazinhense Douglas Onofre de Mattos, figura de projeção nacional na cena Hip-Hop com grande atuação local na promoção de eventos do gênero.
A Batalha da Loja terá uma programação intensiva e diversificada dando seguimento à iniciativa que movimenta a cidade desde 2015. Entre as atividades previstas estão apresentações e oficinas básicas de Danças Urbanas, papos e batalhas virtuais, MCs, B-Boys e B-Girls conectados.
Realizada por meio do Prêmio Funarte Descentrarte, a Batalha da Loja terá toda sua programação gratuita no site do evento, propondo atividades que visam a fruição cultural, reafirmando a presença de Carazinho no cenário das Danças Urbanas gaúchas, além de introduzir a mesma no cenário Breaking nacional. Outro objetivo também é qualificar os artistas locais e de outras cidades com uma programação de atividades formativas, dinamizando e fortalecendo a cena da Cultura Urbana.
Programação diversificada
A Batalha da Loja terá uma programação diversificada e cheia de atrações, num final de semana com Batalhas de MC’s, Batalhas de Breaking, Workshop e Cypher, numa programação voltada à Cultura Hip-Hop.
Entre os destaques da Batalha da Loja está o workshop com o Rodrigo Pyerse, B.Boy Space, coordenador de Hip-Hop do Centro Cultural Recolleta, em Buenos Aires. Ele vai ministrar uma aula que transita pela construção da dança Breaking, o tango e a dança contemporânea.
Outra atividade será a conversa que vai reunir William Ballestrin, do coletivo Nest Panos, de Bento Gonçalves e Ricka (Ricardo Galhardo), da Back Spin Crew, de São José do Rio Preto (SP). Eles vão coordenar um bate-papo no estilo ‘talk show’ respondendo perguntas do público. O mediador será o anfitrião do projeto, Douglas Onofre de Mattos, que também elaborará questões relativas à cena Hip-Hop e às Danças Urbanas no contexto contemporâneo.
O produtor cultural e B-Boy de Bento Gonçalves, Pedro Ramon Festa, também da Nest Panos um dos criadores do Battle In The Cypher, um dos principais eventos de Danças Urbanas da Serra Gaúcha, ainda vai compartilhar experiências nos papos virtuais.
Também vão acontecer batalhas presenciais de MC’s para um grupo restrito de convidados. Estas batalhas poderão ser conferidas on-line, ambiente onde se darão as batalhas virtuais de dança. Quem quiser participar deve mandar um vídeo em que o B-Boy ou B-Girl aparece dançando. Os selecionados serão avisados no dia anterior ao evento.
Durante todos os dias das atividades, a Batalha da Loja terá cobertura e acompanhamento pelas redes sociais.
Um dos principais eventos de danças urbanas do mundo, o “Red Bull Dance Your Style” chega aos últimos dias de inscrições e o público brasileiro, maior de 16 anos, pode participar até hoje (15) às 20h. De modo inovador, a competição acontece, pela primeira vez, de forma totalmente on-line, por meio do TikTok. Por lá, dançarinos de diferentes localidades podem mostrar suas habilidades ao mundo todo.
O evento conta com uma dinâmica de participação bem simples e, para participar, basta apenas ter em mãos um celular e muita criatividade para chamar a atenção da banca julgadora e do público – que escolherá o vencedor final a partir de votação dentro do TikTok. Atraindo olhares de dançarinos mundo afora, os vídeos participantes da competição contabilizam milhões de visualizações.
Com nomes especiais, a bancada de júri é composta por grandes figuras do cenário internacional da dança, como o dançarino alemão Majid Kessab, a performer e dançarina freestyle de waacking Ibuki Imata e o dançarino norte-americano de hip-hop Leon “Kida the Great” Burns, que, inclusive, foi vencedor do programa de talentos “So You Think You Can Dance”. Quem atrair a maior quantidade de votos do público e sagrar-se como grande campeão da competição, garante uma vaga para a final mundial do evento em 2021.
“As danças urbanas são cruas, reais e uma grande inspiração para outros estilos. Quase todo mundo é impactado por elas porque você consegue ver diferentes emoções e personalidades. Você pode ter três pessoas diferentes dançando o mesmo estilo, mas com interpretações distintas. Essa é a mágica”, diz Majib Kessab. “Muitos dançarinos não têm a oportunidade de viajar o mundo mostrando seus talentos. Agora eles podem mostrá-los on-line participando de um grande evento mesmo de casa”
As modalidades de dança para participação do evento são amplas e vão desde hip hop ao popping, com passagem por house, locking e outros tipos. Movidas à criatividade e estilos únicos, as danças urbanas marcam a originalidade de formatos nascidos em performances e batalhas, fora de estúdios tradicionais. Criado em 2018, o evento oferece uma plataforma para dançarinos de rua mostrarem seu talento em batalhas entre mais de 30 países, em que as vitórias são decididas pelo público.
Para participar do Red Bull Dance Your Style Challenge é simples:
1. Faça uma conta do TikTok (caso ainda não tenha) 2. Até às 20h, faça o upload de um vídeo de 30 segundos com a música “Get Loose Now”, do Black Eyed Peas. Marque o perfil @RedBullDance e use as hashtags #redbulldanceyourstyle e #redbulldanceyourstylebrazil 3. Os juízes irão escolher oito dançarinos para avançar na competição junto com outros oito dançarinos convidados. O vencedor será escolhido pelo público, por meio da função de votação no TikTok 4. De 25 de novembro a 13 de dezembro, siga o perfil @RedBullDance e vote pelo seu dançarino favorito. O vencedor do Red Bull Dance Your Style Challenge terá uma vaga garantida na final mundial do Red Bull Style em 2021.
Maika do Japão, França 2019.
SOBRE O RED BULL DANCE YOUR STYLE
O Red Bull Dance Your Style é uma série de eventos globais de dança de rua com um formato único de batalha. Do hip-hop ao house, do locking ao popping, dançarinos que participarem do Red Bull Dance your Style precisam impressionar o público e ganhar seu voto. Em 2020, a competição traz um novo formato que acontece inteiramente no TikTok. Improviso e musicalidade serão testados como nunca antes com hits e beats clássicos, e os usuários do TikTok decidirão quem manda na pista de dança do “Red Bull Dance Your Style Challenge”.
O evento se chama E-Fise Montpellier Honor, que acontece todo ano na França e que tem o apoio da World Dance Sport Federation (WDSF), que é a entidade que organiza a dança esportiva nos jogos olímpicos. A competição se chama “Battle of the Nations”, onde a equipe brasileira compete com outros 45 países. Esse ano, o evento será apenas on-line. Os torcedores poderão também participar por meio de uma plataforma de votação, onde podem votar em seus países favoritos, tendo oportunidade de apoiar seus atletas.
Esse ano, como resultado das medidas de distanciamento social impostas pela epidemia de COVID-19, foi impossível realizar o FISE Montpellier em condições normais. As medidas tomadas pelo governo francês agora proíbem reuniões de mais de 5.000 pessoas.
O projeto E-FISE nasceu com o desejo de criar um verdadeiro evento digital, que torcedores e atletas possam desfrutar durante todo o verão. Entre os motivos que motivaram a decisão de manter uma edição FISE, há um que prevaleceu sobre todos: dar apoio aos atletas que fazem a mágica do FISE há 20 anos. Esta edição será uma forma de auxiliá-los neste difícil período sem eventos físicos e de reafirmar o apoio da FISE a todos.
Participam da equipe brasileira os atletas: Kalleo Hipólito (Street Roller), Eduarda Bordignon (Street BMX Bike), Jéssica Costta (Roller Park), Rogério Lopes (Skateboard), Robson Teixeira e Marcos Aurélio dos Santos (BMX Flatland) e, por fim, as pequenas que já são bem conhecidas Laura Brito dos Santos, também do Roller Park e Chaya Gabor, que é chamada de B- Girl Angel do Brasil, no Breaking, ambas têm apenas 10 anos e representam a nova geração de atletas brasileiros que são cada dia menores na idade mas gigantes no talento.
São de Angel as palavras: “Fiquei muito feliz de ter sido chamada para defender o meu país, considero uma grande oportunidade na minha carreira. Participei anteriormente de uma qualificatória onde tive uma boa colocação em relação aos outros b-boys e b-girls do meu país e por isso ganhei a vaga! Acredito que Deus me deu essa oportunidade! Pretendo fazer o meu melhor para ajudar o meu time!”.
As votações já começaram, quem desejar apoiar o time brasileiro com voto deve acessar: https://www.e-fise.com/en/nation/brazil, logo em seguida, será enviado um e-mail confirmando a votação.
Conheça mais um pouco sobre os atletas brasileiros:
Kalleo Hipólito, Patinador, 31 anos
Sou um cara de mil e um pensamentos positivos, tranquilo, mas quando tenho um nó na garganta sou bem explosivo. Sempre que posso faço caminhos diferentes, mudo meu quarto, os móveis não tem seu local, sempre girando. Punk Rock, Funk Soul e uns Disco Music, o som completa meu cotidiano e na hora de patinar é ele que me controla para dar aquela vibe a mais no role. Andar de patins, está no top 1 da minha vida, válvula de escape, é um mundo que me purifica e sem ele eu fico louco, perturbado, inquieto. Resumindo, sou mais do que viciado. Um vício que todos deveriam fazer, você se diverte, conhece pessoas novas, lugares novos e faz um enorme bem para a saúde. Patinar bastante, conhecer outros tipos de culturas… quero fazer um pouco de cada coisa que o mundo nos oferece.
Eduarda Bordignon, a Duda, BMX Bike, 20 anos
Eduarda Penso Bordignon, possui um currículo que enche de orgulho nosso país com um esporte bastante diferente, ela é praticante de BMX Freestyle. O esporte, que é praticado com bicicletas especiais e se divide em duas modalidades, o BMX Racing (corrida) e o BMX Freestyle (manobras). Duda foi eleita em 2018 a melhor atleta de ciclismo de BMX FreeStyle do Brasil, sendo esperança nos jogos olimpicos. Ela já participou de programas esportivos, Placar 98. Na entrevista, ela falou sobre as suas principais conquistas nacionais e internacionais.
Chaya Gabor, Breaking, 10 anos, conhecida como B-Girl Angel
Representa com todo vigor o Breaking, dança que é um dos elementos da Cultura Hip-Hop e que ano passado foi recomendado pelo Comitê Olímpico internacional para as Olimpíadas de Paris 2024, para virar um esporte olímpico. B-Girl Angel, que nasceu com 850g, é um exemplo de superação, de luta e de força pela vida. Começou a dançar com 3 anos de idade, hoje faz parte da Dream Kids Brazil e, com grande talento, representa a nova geração do Breaking brasileiro e também a força das mulheres dentro da cultura. Também é uma grande esperança para os próximos jogos olímpicos. Foi a primeira criança a chegar na final do Prêmio Sabotage, feito pela Câmara Municipal de São Paulo. Em 2019, foi convidada a representar o Brasil na Porto World Battle na Europa e também já foi premiada em diversos eventos como: Batalha Final 2019 levando o ouro na categoria Kids e o Bronze na categoria B-Girls, Festival All Dance Brasil, onde ganhou o 1ª lugar, 1° lugar na Quebrada Viva Battle Kids, 2º lugar no Festival de Dança Cacondance, entre outros. Participou também de eventos tradicionais como Rival vs Rival, Master Crews. Quando as Ruas Chamam (Brasília), entre outros. O que caracteriza a menina na dança é sua forte personalidade e alguns de seus movimentos Power Moves, que são raros entre as mulheres brasileiras.
Rogério Lopes o “Febem”, Skate, 37 anos
Febem tem se destacado ao longo da carreira dentro do esporte. Em maio de 2019 , o skatista ficou em 13º lugar no FarnHigh, evento mundial que reuniu cerca de 250 skatistas. São dele as palavras: “Comecei a andar de Skate com 10 anos de idade, na cidade de Apucarana, onde vivo até hoje. Aos 16 anos na categoria Amador 1, fui destaque em vários campeonatos no Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Aos 23 anos. passei para a categoria Profissional. Hoje, aos 36 anos, tenho 26 anos de trajetória no esporte”.
Robson Teixeira, BMX Flatland, 36 anos
Nascido em Salvador/Bahia. É atleta da modalidade Flatland BMX, pratica o esporte há 16 anos. Foi campeão mundial na Alemanha e no FISE categoria Master. Mora há 7 anos na França.
Laurinha, Patins, 10 anos
Também é uma atleta do Patins, tem 10 anos, mora no bairro Perequê, no litoral de São Paulo, onde não se tem o menor recurso para a prática do esporte. Há dois anos atrás, um vereador do bairro construiu uma pista de Skate por causa dela. O padrasto foi skatista e desenhou todo o projeto e ele construiu. Desde então, ela treina (sozinha). Mas tem o apoio do padrasto, que a acompanha na patinação para estimular ainda mais o desempenho dela.
Jéssica Costta, Patins, 29 anos
Mora em Las Vegas, patina por mais de 5 anos. Declarou: “Na minha opinião, a qualificação é importante, mas o mais importante é você praticar o esporte, porque você se diverte e não só pela colocação. Às vezes, a gente se diverte e aprende mais em uma sessão ou vendo uma competição como uma sessão, do que focar na qualificação de uma competição.
Aconteceu neste último domingo em Guarulhos, a 6ª edição do Troféu Arte em Movimento, organizado pelo artista plástico e ativista cultural José Pereira de Souza, conhecido na cena como Zep.
O artista deu o nome ao Troféu de Arte em Movimento, porque representa uma linguagem universal, da arte que nunca para. O troféu é dado aos melhores em todas as modalidades de Arte.
Apesar de vivermos em dias de pandemia, o evento aconteceu, num buffet em Guarulhos, reunindo a maioria dos indicados. Na porta, era aferido a temperatura e exigido o uso de máscaras.
Um dos momentos mais esperados do evento foi o espaço reservado às mulheres da Cultura Hip-Hop. Muitas delas foram lembradas, reconhecidas e homenageadas. Nossa editora, jornalista Luciana Mazza, foi uma delas. Ela relata: “Foi um momento muito especial para todas nós! Levando em consideração a situação mundial que estamos vivendo e todos os cuidados e protocolos envolvidos, foram algumas horas bem renovadoras e gratificantes. Houve um encontro de mulheres de gerações diferentes e isso foi muito importante, cada uma com sua história e com sua experiência. Tiveram meninas que viajaram para receber esse reconhecimento. O Zep e a Mônica, do conhecido “Nós no Rolê” estão de parabéns, assim como todos os outros que fizeram indicações”, conclui.
Para Patricia Souza, o evento foi surpreendente, são dela as palavras: “E eu pensando que iria buscar um prêmio e sai de lá com 3. Foi uma surpresa maravilhosa e gratificante. Nosso carinho e respeito aos organizadores, a Mônica e a todas que estavam no local. Pois se recebemos é porque somos muito boas no que fazemos! Devemos dar continuidade no nosso segmento, com mais força”.
B-Girl Cris, que é Mestra em Educação, arte-educadora, escritora e pesquisadora, fez coro e acrescentou: “Gratidão às minhas ancestrais, ao sagrado feminino, ao Hip-Hop, que a arte chegue antes das armas, que o Hip-Hop chegue antes das armas… Exale amor e receba amor… O Hip-Hop me salvou. “O Hip-Hop faz parte das lutas da população negra, a arte negra, o Hip-Hop em se encorajou e nutriu uma comunidade política de luta pela liberdade, também acolheu mulheres que puderam encontrar a voz” (Ângela Davis). Gratidão aos que acreditam nisso! Foi muito emocionante, todas sintam-se abraçadas…”, conclui.
A nova geração também marcou presença e foi lembrada, mesmo não estando presente. Destaque para Sara Cipri, que com seu boombox encantou a todos na hora de receber o seu troféu.
Na mesma noite, uma apresentação de Breaking comandada pelo Jabaquara Breakers animou a noite, mostrando o elemento e sua riqueza dentro da cultura.
O Troféu Arte em Movimento foi um sucesso, reconhecendo os melhores profissionais do país em 2020.
Fotos: Luciana Mazza e Reprodução
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No próximo dia 3 começa o II Festival Pedagogia Hip-Hop On-line: batalha do elemento “Conhecimento” que tem como objetivo geral criar um espaço temporário, criativo e virtual, que envolva professores, arte-educadores, educadores sociais e jovens estudantes da escola pública.
Diante deste cenário de pandemia e isolamento social, a falta de recursos aos trabalhadores da arte em tempos de Covid-19 apresenta-se dentro de uma crise alarmante e complexa que intersecciona economia, saúde e educação. Ciente das vulnerabilidades da Favela, faz-se necessário criar espaços de acolhimento e formação, a fim de contribuirmos com um educar político e emancipatório.
O papel dos artistas e pesquisadores, dentro desse cenário, mostra-se essencial no que tange ao bem-estar social e a qualidade de vida, sendo de suma importância dentro do contexto sociocultural, primeiro porque configura-se como arquivos vivos, segundo, pela relevância dada a cultura Hip-Hop na luta por justiça social. Para além disso, o Hip-Hop exerce um papel essencial na formação dos jovens periféricos, auxiliando-os a compreender o mundo em que vivem e também, como elemento facilitador por meio da comunicação entre culturas distintas. Pretende-se com isso aprofundar os conceitos teóricos e dar continuidade aos estudos relacionados à Pedagogia Hip-Hop, prioriza-se criar uma rede colaborativa e interativa que permita a construção de novas práticas a serem compartilhadas dentro do contexto sociocultural, educacional e político.
São de B-Girl Cris, que é uma das responsáveis pelo festival, as palavras: “Iniciei os estudos baseados na Pedagogia Hip-Hop em 2010, dentro da ONG Casa do Zezinho, local onde atuava como arte-educadora, a reflexão acerca da pesquisa de campo e os estudos obtidos durante o mestrado, resultou no livro “A pedagogia Hip-Hop: consciência, resistência e saberes em luta” (Appris). Portanto, esse evento faz parte do Módulo I, eixo I do meu projeto de pesquisa de doutorado (USP), resultado de minhas inquietações referentes ao processo de educação à brasileira que tem promovido o apagamento de nossa história. Na tentativa de provocar rupturas e o refazimento de memórias é que tenho contribuído nas construções pedagógicas embasadas na pedagogia Hip-Hop. No ano passado, realizei junto com artistas/pesquisadores o I Festival Pedagogia Hip-Hop, que circulou em 5 escolas públicas de São Paulo, são elas: EMEF Fagundes Varella, EMEF Célia Regina Lekivicius Consolin, EMEF Levy de Azevedo Sodré, EMEF José de Alcântara Machado, EMEF Saturnino Pereira. O projeto foi viabilizado por meio de recurso oriundo da emenda parlamentar e executado via Federação Paulista de Breaking, buscou-se inicialmente provocar o encantamento nos professores e nos estudantes das escolas, campo do projeto de pesquisa do nosso grupo de investigação denominado “Culturas ancestrais e contemporâneas nas escolas – Pambunjila” (FEUSP), coordenado pela profa. Dra. Mônica do Amaral. Esse ano, devido à Covid-19, foi preciso repensar os caminhos metodológicos para dar continuidade à pesquisa de modo que fosse possível realizar um processo formativo de caráter emancipatório, político, democrático e público, no sentido de fazer ouvir a demanda das juventudes e dos professores. Assim, o papel dos artistas/pesquisadores, dentro desse cenário, mostra-se essencial no que tange ao bem-estar social e à qualidade de vida, sendo de suma relevância dentro do contexto sociocultural, político e educacional, primeiro porque funcionam como arquivos vivos, segundo, pela relevância dada a cultura Hip-Hop na luta por justiça social. Para além disso, o Hip-Hop exerce um papel essencial na formação dos jovens periféricos, auxiliando-os a compreender o mundo em que vivem e o qual também tem servido como elemento facilitador através da comunicação entre culturas distintas. Nosso intuito é criar uma rede colaborativa e interativa capaz de promover diálogos interculturais e interdisciplinares a fim de despertar processos pedagógicos que nos conduzam a uma educação antirracista baseada na pedagogia Hip-Hop”.
Batalha do Elemento “Conhecimento” Data de Execução: Entre 03 e 07 de novembro de 2020 Inscrições On-line e Gratuitas Emissão de Certificados
As inscrições para os trabalhos e para os ouvintes já estão abertas acesse: http://ph2br.com.br/inscricao/. No site você encontra a programação completa.
Foto: Yoh! Mkt & Press
Confira a programação completa:
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